No 'Paraíso da
Miragem' é título do disco de estréia de Russo Passapusso, e
também é o primeiro grito entoado pelo cantor.
Russo Passapusso é
conhecido pela voz única, que ao mesmo tempo remete ao suíngue
malandro de Jorge Benjor ao flow intenso dos cantores de rep atuais.
Russo é a voz a frente de bandas como 'BaianaSystem' e 'Bemba Trio',
assim como em trabalhos de outros artistas, como Curumin, Anelis
Assumpção, Maga Bo, entre outros.
A mistura de ritmos e
estilo é o ponto de partida deste álbum. Em 'Paraquedas', Russo
mistura afrobeat com maracatu como a coisa mais natural do mundo.
'Remédio' entra na sequência como um hino roquenrou estadiofônico
com a guitarra de Edgard Scandurra, que no final arrefece o clima
lentamente até levá-lo a outros caminhos...
'Flor de plástico'
segue como uma ode ao cancioneiro de Benjor, no melhor estilo
'Domingo 23', 'Que nega é essa', 'Mulher brasileira' etc. “Nessa
terra-rá-rá-rá, nesse vaso-zum-zum-zum”, suínga Russo. Em
'Anjo', Passapusso apresenta um ser-alado negro e mulato, que desce
ao país do samba para curtir um barato na terra-rá-rá-rá.
'Sem sol' apresenta a
voz de Anelis Assumpção em dueto com Passapusso, num interlúdio do
álbum. Uma serenata da “lua de prata, ingrata, (que) eclipsou”....
'Areia' é um samba vocal de letra minimalista e arranjo corpulento.
'Sangue do Brasil' vem como um híbrido entre o sambajazz e
sambarock, clima que se mantém na canção 'Relógio'.
'Sapato' apresenta a
participação de Thalma de Freitas nos vocais com Passapusso. A
letra segue a levada de construção impressionante de Russo, com sua
peculiar mistura do suíngue com o flow. 'Devagar', com programação
e guitarra de Junix, é quase como uma vinheta de introdução para
'Matuto', um sambarep eletrônico, cheio de barulhinhos e
programações, que mostra Russo muito a vontade em misturar todos
esses elementos.
'Autodidata' encerra o
álbum com participação de B. Negão e Fael Primeiro. Com este
disco, 'Paraíso da Miragem', Russo Passapusso inscreveu seu nome no panteão dos novos
grandes artistas que têm um discurso musical significativo e não
têm medo do download gratuito.
Trompetista acredita
que a auto-produção e promoção é a verdadeira ferramenta do
artista em meio às mudanças do novo mercado musical.
Leandro Joaquim é o
trompetista de bandas como 'Abayomy', 'Paraphernália' e da banda de
apoio de Jards Macalé – sem falar que foi um dos fundadores da
banda 'Sobrado 112', junto com Zé Vito e Claudio Fantinato, que
também o acompanham nas levadas afrobeat.
“O Sobrado 112 foi
nosso celeiro de idéias e laboratório de produção e criação por
muito tempo. A demanda era grande, a
banda gravou três discos em três anos. remamos muito juntos, mas
demos muita cabeçada também”, declara Leandro. Para ele, a banda
encerrou as atividades pela preservação das amizades – tanto que
todos tocam juntos na 'Abayomy'.
Leandro lançou o
primeiro álbum solo, 'Sobre as Cores e o Nosso Tempo', com produção
de Ricardo Dias Gomes – que toca baixo e piano com o 'Do Amor' e
com a banda 'Cê', de Caetano Veloso. “Como eles já tocam a muito
tempo com o Caetano e tem uma linguagem de banda bem definida e uma
pegada seriamente roquenrou, o Ricardinho chamou o Pedro Sá e
Marcelo Callado pra fazer as primeiras bases”, conclui.
A gravações
aconteceram no 'Audio Rebel', com um equipamento das antigas e fitas
de duas polegadas. “Tudo isso pra trazer o amalgama do som que foi
gravado ao vivo, em sua grande maioria. Refiz apenas vozes e sopros.
A base valeu sempre o melhor take ao vivo”, afirma Leandro.
O álbum abre com
'Jóias e gestos' – “um blues de protesto que fiz pra uma
vizinha. A letra traça um paralelo entre os diversos equívocos de
comportamento que nossa sociedade moderna desfila, e a zona que era
aquela casa! Cru, o synth é sujo, na bateria usamos apenas os mics
“over all”. Amps de baixo e guita na mesma sala da batera. Pintou
também uma surdina wha-wha no trompete que quase parece uma gaita”,
comenta Leandro.
Sobre 'Pero que si,
pero que no', Leandro confirma que compôs “esse Ska no tempo do
Sobrado e tocávamos na abertura do show, porem em ritmo de tango!
(rs) Marlon Sette e Ze Carlos Bigorna fizeram trombone e sax tenor
comigo. Gustavo Benjão fez guitarra pica-pau. Ficou Skatalites
total!curti muito o resultado, e ainda tem um feedback da máquina de
fita no inicio que dá uma onda “Jamaica Studio One””.
'Em suma, na real, de
fato' Leandro trouxe de volta o pessoal do 'Sobrado 112'. “Convidei
os caras do 'Sobrado' pra fazer uma releitura dessa musica que
tocávamos mas nunca gravamos. Legal notar a influencia afrobeat já
constando, mesmo antes de fundarmos a 'Abayomy Orquestra'.
'Sobre as cores e o
nosso tempo', “era uma bossa nova que fala de amor e paisagem,
porém foi desconstruída e virou uma sinfonia de ruídos e
passarinhos cibernéticos, sem samba, sem violão. Os efeitos e
ficaram por conta do Duplexx, Leo Monteiro e o Rodrigo Bartolo. O
desfecho da sinfonia se dá com um solo de flugelhorn estilo Chet
Baker e o Bartolo fazendo uma guitarra (no melhor estilo Lafayette)
Roberto Carlos. Tem um synth subwoofer do Ricardo Dias Gomes, que
chega a ser desconfortável de tão sub!! Acrescentamos uma certa
acidez e estranheza naquela paisagem bossa-novística”.
'Tanto quando o
encanto' é a balada do álbum. “Essa valsa minimalista tem uma
certa influência erudita. Usei piano fender rodhes e a Joana Queiroz
gravou o clarinete, que passeia lindamente ao redor da letra que fala
de amor, jardim, flor, colibri e girassol”, comenta Leandro.
Em 'Fofafifo's blues',
Leandro apresenta as participações de Alberto Continentino no baixo
acústico, Stephane San Juan na bateria, Ricardo Dias Gomes no rhodes
e Rodrigo Munhoz no sax tenor. “É um blues estilo “boogaloo”,
meio funkeado, meio jazzy”, confirma ele.
'Daqui pra frente é só
relaxo' continua a tradição “sobradiana” de modificar canções
pré-concebidas em certo estilo para uma coisa completamente
diferente. “Era chorinho, mas virou dubwise puro”, ressalta
Leandro. 'Faça algo por você' trás a participação de B. Negão
nos vocais. “É uma crítica contundente e levante contra a
manipulação feita pelo sistema através dos veículos de
propaganda”, afirma ele.
O álbum se encerra com
'Dona de castelo' de autoria de Jards Macalé e Waly Salomão, com
participação de Joana Queiroz no clarone em contraponto com o baixo
de Ricardo Dias Gomes. “O próprio Jards sugeriu que eu gravasse
uma de suas baladas em versão instrumental e eu escolhi a mais
dificil!!! (rsrsrsrs)”, encerra Leandro.
Pela própria
auto-produção e promoção, Leandro lança este álbum com
propriedade de quem já é veterano. Apresentando um punhado de belas
canções embaladas num produto de extremo bom gosto.
O fato é que este
disco é uma das grandes surpresas do ano e com certeza um dos
grandes lançamentos atuais.
A banda 'Superlage'
cria um som único, que apresenta uma mistura homogênea entre os
ritmos latinos e brasileiros e a música eletrônica.
A banda 'Superlage' foi
formada em Pernambuco pela dupla Raimundo Alfaia e Eudes Ciriano,
também conhecido como DJ Incidental, e conta com diversas
participações como Jana Figarela, Alessandra Leão, Tom Rocha,
entre outros.
O disco de estréia da
'Superlage' trás uma seleção de ótimas cumbias inéditas com uma
roupagem eletrônica bem dançante. Toda cumbia já tem uma levada
jamaicana, que quase pode ser reconhecida como reggae, mas que a
percussão se encarrega de levar para um terreno “mucho más
caliente”.
O álbum, 'Superlage',
começa com 'O teu calor', uma cumbia eletrônica, que funciona como
uma bela síntese do resto da obra – gravada como trio por Jana,
Eudes e Alfaia. 'De tanto esperar' revela uma leitura precisa dos
bailes de cumbia através da visão peculiar de Eudes e sua crônica
sensual e elegante.
'La cicimila' repete o
mesmo cenário lúgubre dos salões de dança, seguida por 'Cumbia
das flores' – canções que já trazem as participações de Pierre
Leite nos sintetizadores e Rocha nas percussões. 'Quero brincar de
sol' reflete toda incidência de luz recebida do Astro-Rei, com
Mauricio Candussi na sanfona.
'Dia de Rei' é uma
homenagem a Iemanjá, seguida pela instrumental 'Uh la lai', lançada
anteriormente como trabalho do DJ Incidental, mas incorporada no
repertório da banda. 'Baila perfumada' talvez seja a única canção
mais calcada nos ritmos jamaicanos, como reggae e ska. Isto é, sem
muito da influência latina da cumbia, nem as interferências
eletrônicas presentes nas outras faixas.
'Se o teu desejo é
amar' apresenta um carimbó-havaiano, com o luxuoso auxilio da voz de
Alessandra Leão e do naipe de metais formado por Gilberto Reis no
sax alto, Daniel Galego no barítono, Augusto França no trompete e
Thaison Ferreira no trombone – sem falar na guitarra de Juliano
Holanda e guitarra-slide de Vitor Magall.
'Trança de raiz' segue
a linha latinidade e mostra uma salsa-calipso com a pegada
eletrônica, característica da banda. Enquanto 'Para de chover'
retoma a cumbia de riff poderoso e pegajoso. O disco encerra com o
remix ciranda-maracatu do DJ Lúcio K. para a canção 'O teu calor'.
As canções do álbum
servem ao conceito da mistura de ritmos, gênero e estilos. “Todas
têm esse chiado da cumbia, que cabe num afoxé, num forró, num
samba e por aí vai – enfim, não tem como determinar, será o que
você escutar e achar que é”, define Eudes.
Com este petardo, o
'Superlage' apresenta um som único extremamente dançante, com a
elegância habitual de seus realizadores, Eudes e Alfaia, que assinam
a produção do disco, junto com o verniz de Buguinha Dub na
masterização e direção técnica.
Filhos da vanguarda
paulistana apresentam o novo rock psicodélico brasileiro com um olho
no passado e outro no futuro.
A guitarra de Tim
Bernardes é cada vez mais feroz, o baixo de Guilherme d'Almeida, o
'Peixe' emana suingado e sofisticação enquanto a bateria de Vitor
Chaves carrega cada vez mais peso e balanço. Fora as participações
especiais de gente como Tom Zé, Luiz Chagas, Marcelo Jeneci, entre
outros.
Com letras inspiradas
Tim propõe uma crônica cotidiana, surreal e por vezes propondo
teoremas conspiratórios. O álbum abre com a rasgante 'Bote ao
contrário' de instrumental sofisticado calcado nos teclados
especiais do próprio Tim. 'O cinza', única parceria de Tim com
Chaves (todas outras composições são apenas de Tim) tem o riff
poderoso de abertura substituído por um clima delicado até a
melodia explodir em mil pedacinhos como “o jornal arremeçado”,
da letra da canção – que descreve um dia nubloso em São Paulo de
forma poética e singela.
'Ai ai como eu me
iludo' poderia ter sido gravada por Otis Redding, caso este falasse
português, mas cabe bem no arranjo poderoso d'O Terno'. Canção
calcada no órgão Hammond de Pedro Pelotas, onde Tim apresenta mais
uma crônica pessoal do cotidiano. 'Quando estamos todos dormindo'
tem o órgão Saema de Marcelo Jeneci e mostra uma das teorias
malucas de Tim, onde ele especula sobre o que fazem as pessoas
enquanto dormem. “Porém saibam que o sonho é o que é real de
fato, e o que era concreto na verdade é abstrato”, diz ele na
letra.
Em 'Eu confesso' Tim
trás mais uma análise pessoal psicológica das pessoas em si,
seguida por 'Brazil' com letra em inglês e uma versão lúdica e
fantasiosa dos cenários tupiniquins – com direito a selva criada
em estúdio pela banda e auxílio de Gabriel Basile. 'Pela metade'
tem mais outra crônica característica de Tim, com sua letra
conversada e cantada – como um papo de amig...
'Medo do medo' tem
participação de Tom Zé e mostra o domínio da banda em criar uma
atmosfera que encaixe no sentido das letras. 'Eu vou ter saudades'
tem a mesma atmosfera soul e a mesma participação de Pelotas no
órgão Hammond, bem como o lap steel de Luiz Chagas (guitarrista da
'Isca de Polícia'). 'Vanguarda?' ou 'Filhos da Vanguarda (ou não)'
faz um belo relato sobre a situação do jovens artistas paulistanos,
que cresceram sob as influências familiares, ou não, da 'Vanguarda
Paulistana'.
Em 'Quando eu me
aposentar' Tim sugere que a hora de descansar está diretamente
relacionada com a sensação de ter completado algo na vida – mas
que este sentido dá-se apenas no presente. 'Desaparecido' trás
outra letra característica de Tim, com um história fabulosa de
ficção-científica envolvendo clones, sequestro e crises
existenciais – com participações de André Vac nas rabecas e
Gabriel Milliet no sax e flautas.
Através do “desespero
doentio de quem não sabe enfrentar o vazio”, 'O Terno' encerra o
disco com delicadeza suficiente para deixar a sensação de que falta alguma coisa... Pois a verdade é que falta mesmo... Dê play
novamente, que você descobrirá o que é...
Estrela Ruiz Leminski
apresenta uma seleção de belas canções compostas pelo pai, o
poeta curitibano Paulo Leminski.
Após o ótimo álbum
lançado em parceria com Téo Ruiz, 'São Sons', sob a alcunha de
'Música de Ruiz', Estrela Ruiz Leminski selecionou um diversidade
fantástica de canções da obra musical de Paulo Leminski, o poeta
marginal de Curitiba, para o álbum 'Leminskanções'.
O disco duplo separa-se
em dois momentos distintos da obra de Leminski – o disco um, 'Essa
Noite Vai ter Sol', apresenta um punhado de composições próprias
do poeta, enquanto o disco dois, 'Se nem for Terra, se Transformar',
mostra diversas parcerias com grandes nomes da música brasileira,
como Itamar Assumpção, Moraes Moreira, Zé Miguel Wisnik, Edvaldo
Santana e até William Shakespeare.
Com produção musical
de Fred Ferreira e Natalia Malo, o álbum trás participações
especiais de gente como Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, Zelia Duncan,
Ná Ozzetti, Serena Assumpção e Bernardo Bravo. Os músicos que
gravaram o disco com a cantora receberam o nome de 'Os Paulêra',
enquanto ela se apresenta agora como Estrelinski.
O disco é uma mistura
de diversos ritmos e segundo Estrelinski os arranjos foram feitos
baseados no que o próprio pai ouvia em casa. Por isso é fácil
encontrar o reggae com pegada moderna como em 'Filho de Santa Maria'
e 'Sou legal eu sei'. Mas também há o rock pungente como em
'Razão', 'Essa voz está sendo ouvida em Marte' e 'Hard feelings',
ou com groove balanceado brasileiro de 'Ogum', 'Não mexa comigo' e
'Promessas demais'.
Num álbum duplo,
também há espaço para a estranheza dodecafônica, tanto apreciada
por Leminski, de 'Desilusão', 'Transformar' e 'Diversonagens
suspensas', composta em parceria com a cantora e co-produtora do
disco Natalia Malo. Outra mistura inusitada culturas e ritmos dá-se
no âmbito de canções como 'Sinais de haicais' e 'Luzes', que
mescla ska com folk norte-americano.
'Verdura', 'Mudança de
estação' e 'Dor elegante' já são conhecidas do atento ouvinte por
outras vozes, mas receberam tratamento elegante e afetuoso da cantora
Estrelinski e suas estrelas, 'Os Paulêras'. Caetano, o pessoal d'A
Cor do Som' e Itamar não “sofreram nessa última hora” com a
releitura de suas canções em parceria com Leminski.
As belas baladas são o
xote 'Se houver céu', o rock 'A você amigo', a etérea 'Navio', o
blues 'Live with me', o jazz 'Hoje tá tão bonito' e a pop 'Oxalá'.
O disco duplo encerra com a bucólicidade de 'Nóis fumo', parceria
entre Leminski e Alice Ruiz, pais da cantora Estrelinski.
Como o pai, Estrelinski
é uma artista inquieta. Além de cantora e compositora é poetisa e
estudiosa da cena musical independente brasileira – lançou o livro
'Contra Industria' sobre este cenário atual e outras diversas obras
poéticas.
A banda 'Judas' mistura
a viola caipira com rock e pop, para criar um estilo único
intitulado como “hard-roça”.
A banda brasiliense
'Judas' nasceu do processo de reinvenção do compositor Adalberto
Rabelo Filho – paulistano típico com raízes em Pernambuco e Rio
de Janeiro. São dele as composições da banda 'Numismata' e as
parcerias com Thadeu Meneneghini para a banda 'Vespas Mandarinas'.
Quanto veio para
Brasília, Adalberto passou por dificuldades pessoais, mas encontrou
no mesmo cerrado do auto-exílio a ideia que faltava a sua
redescoberta como artista. Foi com a viola caipira do cerrado
característico da cidade, que ele ressurgiu com um punhado de belas
canções. Com as composições prontas, Adalberto buscou um time de
músicos para personificarem as canções e dar-lhes uma forma
definitiva.
Com produção,
guitarra e baixo de Kadu Abecassis, viola caipira e violão de Fábio
Miranda, piano e teclados de Helio Miranda, bateria de Augusto
Coaracy e algumas participações especiais, Lucas Muniz na sanfona e
clarone, Janaina Pereira ('Bicho de pé') nos vocais e Fernando
Rodrigues ('Pé de Cerrado') na percussão e no baixo em algumas
músicas.
'Nonada' abre o álbum
com a analogia do sentido da palavra – na obra de Guimarães Rosa
têm o significado de “ninharia” ou “coisa de pouco valor” –
com a forma que a cultura popular é tratada atualmente. Composta em
parceria de Adalberto com Fábio Miranda, que também compôs 'Flor
do Agave', uma ode à redenção pela flor do título, que brota uma
única vez para morrer dando lugar a novos frutos.
'Adeus violeiro' traz a
primeira participação da cantora Janaina Pereira. Seguida por
'Mormaço', que releva o sentimento de que o “sertão está em todo
lugar”. Em 'Canção do exílio' Adalberto remete ao texto de
Gonçalves Dias, 'Canções do Exílio', ao mesmo tempo em que fala
pela primeira vez da sensação de estar auto-exilado na capital do
país. Já na canção seguinte, Adalberto assume a posição de
candango nato em 'Cobra criada', com participação de Dillo Daraujo
e Pio Lobato nas guitarras.
'Caim' sugere uma suposta formação de uns 'Novos Goianos', através da influência de Raul Seixas
e dos 'Novos Baianos'. 'Entradas e bandeiras' trás a participação
de Cacai Nunes na viola de cocho, numa alusão ao êxodo e ao
desbravamento. 'De Comala a Macondo' mistura o realismo fantástico
do mexicano Juan Rulfo com o do colombiano Garcia Marques e com o
brasileiro João Cabral de Mello Neto.
'Dobrado' é a
delicadeza na forma de canção com a mistura do blues com o
cancioneiro popular violeiro. 'Lugar público' tem a participação
da rabeca de Siba Veloso e a voz de Janaina Pereira. De certa forma,
uma homenagem a José Agripino de Paula.
O disco encerra com
'Pássaro azul', uma canção de duplo sentido, que traduz o
sentimento de encerramento de um ciclo. Existe ainda uma faixa
escondida, 'Muçurana', uma singela reflexão que representa o
“Oroboro” – uma serpente (ou dragão) que morde a própria
cauda – reforçando o próprio significado do álbum.
Por isso, o álbum
'Nonada', que saiu pela 'Tratore', é uma obra coesa, que retoma a
tradição das canções populares e subverte as próprias
composições, trazendo-as à atmosfera atual e contemporânea.
Seguem algumas linhas
da conversa que tive com o mestre Adalberto...
Como foi que você teve
a certeza do que seria músico e compositor?
Eu não tenho certeza
ainda.
Na verdade, eu acho que
a música é mais um meio de expressão da minha poesia. Eu sou mais
letrista, gosto da disciplina que a música obriga as palavras a
assumirem, mas todas as melodias e a maior parte das harmonias eu
faço também pra dar sentido emocional ao que estou tentando
transmitir.
Diria-se o singer
songwriter (cantor compositor em português). Acho que o Leonard
Cohen seria o exemplo óbvio de referência.
E quanto ao
'Numismata'? A banda acabou? O último disco foi de 2009...
O 'Numismata' não
acabou, ele existe ainda, de certa forma. Nesse mês a gente lança
os lados B que ficaram de fora do 'Chorume' (2009) na plataforma
digital – o disco vai se chamar 'Jenkem' e sai no dia 27 de agosto.
E como surgiu a ideia do 'Judas'?
Cara, eu cheguei aqui
em Brasília e tive alguns percalços e o 'Judas' é a personificação
desse caminho de reinvenção de mim como artista.
É um personagem que eu
usei pra transcender essas dificuldades e ao mesmo tempo buscar a
identificação das pessoas. O exilado, o proscrito em sua busca de
redenção, o pária alfa.
Você
não acha que o nome 'Judas' carrega uma imposição negativa?
Eu acho. Mas a intenção
é essa. De se colocar na posição de condenado, pras pessoas ao
mesmo tempo escurraçarem e se identificarem, que nem na malhação
do Judas. Iisso permite que role uma sinceridade no “condenado”,
uma liberdade. Tipo assim, é muito massa almejar ser Jesus, é legal
tentar seguir São Francisco, mas todo mundo é Judas.
O importante é que a
galera entenda que a identificação é com as falhas, que o ser
humano é falho como o Judas. É uma lógica reversa da galera se
olhar no espelho invertido e ver que não se pode julgar ninguém.
Porque no final todo
mundo está sujeito ao erro. Falar a verdade e dar a real com
liberdade, por isso pus a gente nessa situação de erro. Porque
liberta.
É incrível que esse
sentimento seja extravasado usando a viola caipira, que é uma forma
de arte mais antiga e até discriminada...
É por isso que é
legal. Porque como terreno inexplorado é riquíssimo em
possibilidades, da mesma maneira que se releu o maracatu, o samba ou
o frevo. E faz essa ponte do cerrado, com São Paulo, minha terra
natal. Porque a viola é essencialmente paulista e é o primeiro
instrumento a aportar no Brasil, com os Jesuítas. E nada mais justo
que uma banda chamada 'Judas' venha levar a viola prum terreno mais
pop.
Fora que eu acho que
isso é natural no pop, como o manguebeat. É a possibilidade cíclica
do tempo e da eterna renovação das coisas, como diziam Leminski e
Wally Salomão (sobre a poesia do futuro).
Se eu fosse definir
melhor, diria que é uma retomada de fé no formato de canção
popular. A retomada de fé numa banda chamada 'Judas' – é própria
expiação pelos pecados.
Mas a gente foi atrás
de certa sonoridade híbrida, claro. Misturando as referências de
regionalismo com as referências do que é "pop". E as
letras fazem a liga...
E o que você está
esperando alcançar com esse trabalho?
Eu espero que a galera
se interesse pela proposta “diferente” e ouça bastante e curta
as letras bastante também...
Banda paulistana de
multi-instrumentistas cria universo lúdico através da música
brasileira e outros ritmos.
Entre marchinhas,
samba-canções, ragtime, choro e vários outros ritmos, misturados
ou não. A banda 'Pitanga em Pé de Amora' apresenta a delicada
mistura de afrobeat com baião, marchinha com a fanfarra do leste
europeu, entre tantas outras uniões inusitadas.
O grupo é formado por
Angelo Ursini na flauta, clarinete, sax e voz; Daniel Altman no
violão 7 cordas, guitarra e voz; Diego Casas no violão e voz; Flora
Popovic na voz e percussão e Gabriel Setubal na guitarra, trompete,
violão e voz.
Com diversos convidados
especiais eles apresentam um disco singelo e bem delineado. Com
participações de gente como de Mônica Salmaso, Teco Cardoso
(flauta e sax alto e barítono), Lulinha Alencar (sanfona e piano),
Bruna Caram, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Silas de Oliveira, da
banda 'Batuntã', entre outros.
O álbum 'Pontes para Si' abre com a canção 'O pescador' com os sopros do 'Batuntã',
seguida pela delicadeza de 'Tempo novo', que dá lugar ao samba torto
em 'Insônia'. A voz de Mônica Salmaso imprime beleza na canção
'Ceará', que logo dá lugar a mistura incrível do baião com o
afrobeat em 'Baião de Fela'.
'Alma de poeta' é um
samba épico com força para ser entoado em uníssono nas
arquibancadas dos sambódromos. Enquanto 'Sonhos lúcidos' apresenta
nova interferência da banda 'Batuntã' e 'Razão de ser' denota
clara beleza entre as vozes e instrumentos, com letra inspirada em
poesia de Paulo Leminski.
'Descompasso',
'Levantar respirar', 'Feito morrer', 'Oração' e 'Alpinista' mostram
a delicadeza dos arranjos simples que se transformam numa suite de
rara beleza. 'Marchinha', que encerra o álbum, apresenta a mistura
das marchas com o ragtime, com o frevo, com a fanfarra do leste
europeu e com o funk carioca.
Um disco imperdível
para os amantes da música brasileira – uma obra ímpar muito bem
produzida por Swami Jr.
Tatá Aeroplano vive na
loucura e lucidez, entre tantos personagens, que saem todos na forma
de performances, canções e danças aeroplânicas.
Nasceu em Bragança,
fundou a banda 'Jumbo Elektro' e depois o 'Cérebro Eletrônico', mas
destaca-se também pelo trabalho solo, iniciado em 2012, com o álbum
homônimo. Este é Tatá Aeroplano, o cantor, compositor, dançarino,
ator, cronista, boêmio e entidade cósmica.
'Canga Louca' é apenas
mais um dos tantos personagens incorporados por Aeroplano, num
frenesi esquizofrênico de “happenings” e mini seriados
momentâneos de loucura exótica e sensorial. A exclamação
costumaz, “Misterrrrrrr”, é carregada de simbologias da mesma
forma que exagera no som dobrado da letra “R”. Mas isto é
somente a figura ímpar de Tatá Aeroplano.
Suas canções
representam todas essas facetas e personagens bem humorados e
sensuais, que ao mesmo tempo são espalhafatosos e loucos ou singelos
e tímidos. Já no segundo álbum solo – Tatá lançou mais um
álbum com a banda 'Cérebro Eletrônico' em 2013, o 'Vamos pro Quarto' – ele apresenta uma obra conceitual cheia de boas
referências e experimentações.
'Na Loucura e na
Lucidez' representa uma crônica cronológica sobre o fim dos
relacionamentos amorosos. O disco começa com o desespero de 'Na
loucura', representando o sentimento de perda de todo final da
paixão. “Peguei um álbum antigo e botei pra chorar”, diz Tatá
em parte da letra, fazendo uma bela analogia entre a música e os
breves amores.
Na sequência em 'Amiga
do casal de amigos', aparecem os amigos de verdade, que no intuito de
minimizar o sofrimento da pessoa dispensada, oferecem consolo na
companhia de outras possíveis parcerias amorosas – como fossem
cafetões-sem-fins-lucrativos.
'A hora que eu te
espero' é uma parceria entre Tatá Aeroplano com Alan Brasileiro,
que enviou parte da letra através de comentários no site do cantor.
Uma música que representa a calmaria após a tempestade de desespero
e fúria. Essa canção antecede o sentimento de auto-descoberta do
ex-cônjuge.
Mas antes dessa
auto-descoberta, o indivíduo é retratado através da luxúria em
'Mulher abismo' e 'Entregue a Dionísio', que remetem às orgias de
sangue, sêmem e vinho. Já em 'Onde somos um', Tatá apresenta um
casal de parceiros – com a poesia do poeta ArrudA e o vocal de
Bárbara Eugênia.
'Perdidos na estrada'
trás o nascer de um novo amor. O amor a si próprio – enfim o
auto-descobrimento. Uma reflexão na forma de atestado de
encerramento de um ciclo, com 'Na lucidez'.
A cantora Anelis
Assumpção lança o segundo álbum da carreira e segue proliferando
a riqueza da música brasileira.
Quando iniciou o
processo de gravação do segundo disco, Anelis Assumpção
junrtou-se com uma banda de amigos e parceiros para encorpar as
canções com arranjos cheios de groove e suingue.
A banda que a acompanha
segue com Bruno Buarque na bateria, Mau no baixo, Cris Scabelo e
Lelena Anhala nas guitarras e Zé Nigro nos teclados – pois são
eles os 'Amigos Imaginários' de Anelis.
O álbum apresenta
muitas canções com arranjos de metais com as participações de Edy
no Trombone, Cuca Ferreira no sax-barítono, Natan de Oliveira no
trompete e Jaziel Gomes no trombone-baixo e também diversas
percusões gravadas por Maurício Badé – mais alguns 'Amigos Imaginários'.
A duas faixas de
abertura são o groove fantástico de 'Cê tá com tempo?' e do
mambo-salsa 'Eu gosto assim' – duas canções compostas pela
própria cantora, que são puro DNA. O disco também tem outra canção
balançante em 'Toc toc toc' e com o dueto com Russo Passapusso, do
'BaianaSystem', em 'Devaneiros'.
Se o reggae, ska e dub
já estavam presentes no primeiro álbum 'Sou Suspeita,
Estou Sujeita, Não sou Santa' de 2011, essas referências continuam
presentes no novo disco e estão representadas em faixas como 'Por
que?'; 'Mau juízo', com Lucas Martins nos vocais e Teresa Iara nos
efeitos; 'Inconcluso' com Micaela Wernicke nos vocais; e 'Song to
Rosa', um maravilhoso ska meio samba-jazz com participação de CéU
e Thalma de Freitas nos vocais – as irmãs de alma de Anelis, as
'Negresko Sis'.
Mas o álbum também
tem o samba-noize 'Declaração', com participação de Kiko Dinuddi
e Rodrigo Campos esmerilhando nas guitarras. Assim como o rockenrou
'Minutinho', composto por Anelis em parceria com Alzira E., Jerry
Espíndola e ArrudA. O disco encerra com a cumbia-axé 'Deuso Deusa'.
O que extrapola no novo
trabalho da cantora Anelis, é sua forma peculiar de misturar os
estilos e imprimir em ritmos tradicionais estrangeiros o tempero
brasileiro, que faltava nesse caldeirão.
Ouça com nenhuma
moderação, mas cuidado para não espanar a “zurêia” com esse som sensacionóptimo.
Com um disco lançado
em 2012, o 'Afroelectro' lança um EP com novas composições, que
servem como ponte entre o primeiro trabalho e o próximo álbum.
A banda 'Afroelectro'
faz uma incursão no universo dos cânticos do candomblé,
do tambor de criola maranhense, do cavalo marinho pernambucano e da
capoeira de angola.
Com o novo EP,
'Mocando', o 'Afroelectro' representa a grande diversidade de ritmos
brasileiros e coloca todas estas influências em prol das canções.
A banda é formada por Sérgio Machado na bateria, teclados,
programações e vocais, Michi Ruzitschka nas guitarras e vocais,
Meno del Picchia no baixo e vocais, Mauricio Badé na percussão e
vocais e Denis Duarte nos loops, percussão e vocais.
O EP foi gravado ao
vivo no estúdio 'Traquitana' em São Paulo e funciona como um
registro demo das canções, que posteriormente estarão no segundo
álbum da banda.
Banda 'Holger' apresenta álbum digital com demos, covers e raridades do período entre 2006 e 2013.
A banda 'Holger' nasceu em 2006, com o intuito de misturar indie rock com
outros ritmos brasileiros.
Formada por Bernardo
Rolla no vocal, percussão, guitarra e baixo, Arthur Britto na
bateria, vocal, percussão e guitarra, Marcelo Altenfelder na
guitarra e vocal, Pedro Bruno no baixo, vocal, percussão, teclado e
guitarra e Marcelo Vogelaar no vocal e guitarra.
Após do EP de estréia,
'The Green Valley', a banda lançou os álbuns, 'Sunga' de 2010 e
'Ilhabela' de 2012 e segue agora para o lançamento digital de 'Lados
B (2006-2013)', onde apresenta covers dos 'Paralamas do Sucesso' e do
'Ultraje a Rigor', demos de algumas canções, bem como remixes e
versões ao vivo.
O disco tem
participações especiais do 'Bonde do Rolê', de André Paste, Karol
Conká, João Parahyba (do 'Trio Mocotó'), Miss Bolivia, 'El
Remolon' e 'Mumdance'.
A banda 'Meia Dúzia de 3 ou 4' criou a trilha sonora oficial para o fim do mundo, mas o mundo não acabou... Então ouça a trilha sonora...
Depois de falar do
álbum mais recente da banda paulistana 'Meia Dúzia de 3 ou 4', fica
difícil não falar do projeto anterior. O disco 'O Fim está
Próspero', lançado no final de 2012, mas que foi produzido durante
quase dois anos.
A banda partiu da
premissa da proximidade do apocalipse e juntou-se com grandes nomes
da música brasileira como Tom Zé, Arrigo Barnabé, Wandi
Doratiotto, Suzana Salles, Mauricio Pereira, André Abujanra, entre
outros.
Aproveitando um bom
alcance digital, a banda criou diversos vídeos, junto com as
respectivas canções, que já contavam com inúmeras participações
especiais. Cada canção ainda possuía o respectivo teaser,
devidamente publicado nas redes sociais da própria banda.
Definitivamente os
'Meia Dúzia' mantêm a tradição vanguardista de misturar diversos
ritmos e formatos para atingir a meta – o álbum
que você encontra, abaixo, ao alcance de um clique.
Já que o mundo não
acabou... Você pode ao menos ouvir a trilha sonora. Divirta-se.
2012 O Fim está
Póspero
1. Classificados (+ Tom
Zé)
2. Esquecimento global
3. De novo, Christina!
(+ André Abujanra)
4. Problemas de eleição
5. Pesinho na
consciência (pézinho no saco da mãe Natureza)
6. Samba do desenredo
para o fim dos tempos (+ Danilo Moraes + Wandi Doratiotto)
7. O ser humano é
muito bobo (+ Suzana Salles)
8. Na reserva (+
Ligiana)
9. Ne cutuque (+ Arrigo
Barnabé)
10. Nibiru geral (+ Ana
Gilli + Mauricio Pereira)
11. 365 bons motivos
pro mundo acabar (+ Projeto Coisa Fina)
A banda paulistana 'Meia Dúzia de 3 ou 4' assume a influência da 'Lira Paulistana' e permite que a vanguarda deste movimento continue a emanar frequências sonoras de alto teor melódico.
O 'Meia Dúzia de 3 ou 4' é formado por Thiago Melo tocando violão e cavaquinho, Daniel
Carezzato na percussão, Luiza Toller na escaleta e piano, Marcos
Mesquita no baixo, Mike Reuben na flauta e sax, Sérgio Wontroba na
clarineta e sax e Arnaldo Nardo na bateria – todos cantam em
perfeita harmonia.
Juntos eles criam uma
atmosfera sensorial que vai desde Itamar, Arrigo, 'Rumo', 'Trapo',
'Mulheres' ao 'Premê', bem como a outras essenciais referências
musicais, de 'Novos Baianos' a Amália Rodrigues. Mas em todo esse
caos, reina a mais pura harmonia.
Depois de dois discos
conceituais, neste universo de vanguarda: o primeiro, 'Tudo se
Transforma', foi lançado em 2009 com uma embalagem “ecologística”;
e o segundo em 2012 num formato audio e visual que prenunciava o
apocalipse em 'O Fim está Próspero' – a banda lança agora o
resultado de novas experimentações em 'Tem Muito Disso Que Cê Tá
Falando'.
O álbum abre com o
prenúncio de uma nova era. Após do fim do mundo, em 'A Ordem dos
Músicos' não altera o produto', que antes era apenas uma
brincadeira com a máxima matemática, agora vira realidade para a
própria entidade de classe.
Em 'À nível do Masp'
eles emulam o mestre Itamar através da crítica ácida e áspera da
cidade em si, assim como 'Verbo expediente'. Já no samba de breque
'Maquiavel para crianças', eles fazem uma divertida crônica que
mistura o 'Príncipe' de Maquiavel com o 'Pequeno Príncipe' de
Exupery num boteco carioca – há também existe a referência ao
título da canção dos 'Mulheres Negras', 'Lobos para crianças'.
Com os 'Meia Dúzia'
tudo se mistura e forma um círculo coeso entre as diversas
influências, como o fado em 'Dobre sua língua' ou a armadilha dos
alertas do feicibuqui e zapizapi como elemento de poesia concreta na
canção 'Meio boa'.
Nem só de samba vivem
os 'Meia Dúzia', que como todo bom brasileiro apresenta boa cancha
em outros ritmos latinos como em 'Cavucada' e 'Pereirando'.
'Meia Dúzia de 3 ou 4'
é uma banda bem brasileira, com a transgressão característica, que
coube aos grandes mestres da 'Lira Paulistana'.
Deboche, ironia e
sagacidade são apenas alguns detalhes que sobressaem na performance
da 'Madame Rrose Sélavy'.
A banda belohorizontina, 'Madame Rrose Sélavy', apresenta o que é um dos
mais fieis registros de uma de suas apresentações – no Teatro
Klauss Viana na capital de Minas Geraes.
Este álbum, 'Bootleg ArteSônica', é o segundo ao vivo da banda e também o que mostra o
melhor recorte auditivo do “happening” que é o espetáculo desta
banda punk moderna. Com uma performance inspirada eles desfilam
clássicos autorais e demonstram presença de palco e completa
abdução do público.
Neste show, durante a
Mostra Arte Sônica de BH, a banda apresentou um show com uma
formação inusitada. Com Miguel Javaral no baixo, Rodoxter Woorooboo
na bateria, Lacerda JR e Alex Pix nas gitarras e Ana Mo e Tuca nos
vocais – mostrando um “delícioso punk flow”.
Destaque para as
inéditas 'Pano & osso' e 'Amor de plástico', prometidas para o
próximo álbum, 'Eletrofrevo' – sem previsão de lançamento.
Enquanto o novo disco
não vem – fique com este registro ao vivo de um espetáculo sem
igual.
Banda Goiana apresenta um samba contemporâneo cheio de referências modernas numa batucada ancestral.
A banda 'Baú Novo' é
novinha, recém-criada em 2012, mas possui uma ancestralidade
encrostada na alma. Tudo isso por causa do estilo musical – o
samba. Mas não é um samba qualquer.... Eles remetem ao breque
Morengueira, sagacidade Noelística e à todo ziriguidum dos antigos
mestres sambistas, com uma pitada de modernidade.
Junto com a nova
geração de sambistas modernos, o pessoal do 'Baú Novo' deliciam o
ouvinte com uma delicadeza característica do chapadão goiano.
Formada por Deny Robert e Kátia Helenice nos vocais, Pedro Jordão
no violão, Anderson Vinicius no cavaco, Muryllo Gomes na bateria,
Waguinho PG na percussão e Rozinaldo Miranda no sax e flauta.
O EP 'Grito' foi
lançado no final de 2013 e chamou atenção logo de cara com os
acordes da canção que dá título ao single, e faz uma crítica
sagaz à atual situação social. Seguida pela bem humorada 'Goiânia
de samba', que brinca com o pré-conceito de que na capital de Goiás
só existem sertanejos em dupla ou carreira solo. Com cavaco, surdo e
pandeiro eles tocam a boiada.
'Mania de mim' se
revela um samba-canção delicado e sutil, seguido pelo
samba-metal-pesado de 'Canto liberdade'. O grupo promete um LP
completo para o final do ano e desde já deixa a curiosidade aguçada
com a possibilidade de uma obra cheia de vigor e originalidade.
Dois mineiros, dois
goianos, um brasiliense, um alagoano e outro de Recife, a banda 'Baú Novo' apresenta até em sua formação a diversidade deste país, com
um samba moderno e contemporâneo.
Thiago França lança mais um registro evolutivo de seu próprio processo criativo em outro estado e com diferentes parceiros.
O 'Sambanzo' de Thiago França acontece de forma intuitiva e improvisada – talvez de uma
forma bem mais organizada que os eventos com a outra banda do França,
o 'MarginalS' e bem menos que mais uma outra banda do França, o
'Metá Metá'.
O primeiro álbum da
banda foi 'Etiópia' lançado digitalmente e depois em formato
digipack em 2012. Da forma como foi concebido, o disco foi gravado.
Como um registro ao vivo realizado com muita urgência.
O que não influenciou
o resultado nem a qualidade da obra, gravada com França nos sopros,
Kiko Dinucci no violão e guitarra, Marcelo Cabral no baixo, Pimpa na
bateria e Samba Sam na percussão.
Como o próprio França
alardeia na descrição desse novo produto, o álbum 'AH!', é uma
“versão carioca quase paranormal do disco ao vivo, show sem ensaio
com a galera tocando junto esse repertório pela primeira vez.
Gravado na Audio Rebel no dia 4 de fevereiro de 2014”.
Isto é, gravado ao
vivo com o pessoal do Rio de Janeiro tocando o mesmo repertório do
álbum gravado em São Paulo. Incluindo duas canções
não presentes no álbum de 2012. Uma canção do EP 'A Espetacular
Charanga do França', 'Cumbia, cumbia' e outra inédita, 'Ngoloxi'. Com França no saxofone tenor, Gustavo
Benjão na guitarra, Pedro Dantas no baixo e Thomas Harres na
bateria.
Enfim, o jejum de um
artista viciado em lançar discos – sejam digitais ou não. Uma
pérola do novo cancioneiro popular brasileiro.
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