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5.24.2015

SOZINHO EU NUNCA ESTIVE SÓ, SOZINHO TODO MAL É PÓ

Banda paulistana segue instigando os ouvintes ao universo das matrizes africanas e ao culto ao afro-ascendente.


O 'Metá Metá' ataca novamente com um EP enxuto e coerente com a linha evolutiva apresentada pela banda até agora.

Formado pelo trio em excelência, Kiko Dinucci nos vocais, violão e guitarra, Juçara Marçal nos vocais e Thiago França nos sopros, eles contam com o auxílio de Sergio Machado na bateria e Marcelo Cabral no baixo.

Esse EP é uma prévia do que vem por aí, no próximo álbum da banda e apresenta três canções que são pedras aos ouvidos. 'Atotô' abre o EP com a saudação a Omulu de Kiko Dinucci, que havia sido gravada anteriormente no álbum 'Padê' de Juçara Marçal com o próprio Dinucci – esse álbum pode ser considerado como um dos pontos de origem para o próprio 'Metá Metá'.

Depois vem o cover pós-punk d'As Mercenárias', 'Me perco nesse tempo', de autoria de Edgard Scandurra. Se você ouvisse separadamente essa única faixa, jamais pensaria que estaria ouvindo o 'Metá Metá'. Rola até um sax sinistro do "espetacular charangueiro" França. 

Para encerrar o assunto, 'Sozinho' é um legítimo samba de Douglas Germano, com aquelas síncopes tão características do mesmo autor do hino máximo da banda, a canção 'Obá Iná'. Nessa canção o 'Metá Metá' se apresenta com a formação acústica do primeiro álbum.

Que venha o disco cheio então! Axé!

2015 Metá Metá EP

1. Atotô
2. Me perco nesse tempo
3. Sozinho



7.03.2011

A CABEÇA DO SOM DE GERMANO

O som do Douglas Germano pode ser considerado o novo samba de São Paulo, pós-Adoniran Barbosa ou a ressurreição do samba paulista, junto com Kiko Dinucci, que é parceiro de Germano nas composições, no Bando AfroMacarrônico e Duo Moviola.

Germano é um poeta urbano, que mantém a tradição das rodas de samba vivas e introduz a poesia da cidade. O disco abre com a faixa homônima, 'Orí', que significa "cabeça humana que compreende o conhecimento e o espírito" pela tradição dos orixás, e tem participação de Dulce Monteiro.

Atabaques, ferros, farols e xequerês são instrumentos que marcam e pontuam todo o disco, juntamente com violões de 6 ou de 7 cordas, pegos no antidopping ou não, e bandolins e cavaquinhos. Os parceiros foram Júlio César na percussão, João Marcondes, Júnior Pita e Guilherme Ramos nas cordas, Everaldo Efe Silva nos vocais e Zéphir, Berada e Ataliba batendo palmas.

'Obá Iná' é um belo canto para xangô, onde Germano comete a ousadia de questionar essa divindade do candomblé. Kiko Dinucci gravou essa mesma canção com Juçara Marçal e Thiago França, no disco 'Metá Metá'. A canção 'Damião' é uma bela crônica do cotidiano urbano, junto com 'Gota a gota', 'Seu Ferrera e o Parmera' e 'Falha humana'.

'Jaci e a maré cheia' é um belo canto em homenagem ao mar e ao amor. 'Cordel de Bananeira' tem participação especialíssima Seu Germano e Guilherme Azenha Germano, além do coro especial formado por Dulce, Mariana Laura e Tarsila, Efe Silva, Pita, Pedrosa, Ramos, Cuca e João Marcondes, que segundo Germano, foi responsável pelo disco inteiro.

2011 Orí

1. Orí
2. Espólio
3. Obá Iná
4. Damião
5. Gota a gota
6. Falha humana
7. Canção de desmeninar (canção para ninar fodido)
8. Jaci e a maré cheia
9. Seu Ferrera e o Parmera
10. Deixei meu coração na Vila
11. Cordel da Bananeira

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