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2.07.2021

RETROSPECTIVA 2020 ou PORQUE HOJE AINDA É DIA DE ROCK

Após os principais melhores do ano, dos discos mais populares, da lista dos reps e dos samba-jazz e de música instrumental, viemos de melhores do rock brasileiro. 

Continuando a apresentação de melhores lançamentos do ano, seguimos com alguns dos melhores discos de rock de artistas brasileiros, estejam eles em carreira solo ou em suas respectivas bandas, nos mais diversos estilos de rock, temos o progressivo brega, rock pesado na orelha, hard roça, psicodélico, independente e muito mais. 

MELHORES DISCOS DE ROCK BRASILEIRO 

Julico – Ikê Maré 



Julico faz parte da banda ‘The Baggios’ e apresenta seu primeiro disco solo com ‘Ikê Maré’, onde faz uma mistura de ritmos nordestinos com rock, transformando tudo num caldeirão de hits e belas canções. Repare bem nas guitarras alucinadas e solos sensacionais.


 



Judas – Os Desencantos – Dez Cantos Desencantados 



A banda ‘Judas’ apresenta ‘Desencantos – Dez Cantos Desencantados’. Um álbum belo e ímpar, repleto de belas canções de autoria de Adalberto Rabelho Filho e grandes instrumentistas como Carlos Beleza, Helio Miranda, Bruno Pietro e Pedro Vaz. Um disco que também mescla elementos do nordeste com o rock. Um álbum essencial.


 



Ozorio Trio – Big Town  



A banda ‘Ozorio Trio’ apresenta o ‘Big Town’ onde mistura o folk rock norte-americano com elementos da música brasileira. Um álbum que está no limite entre o blues, o jazz, o folk e o rock. Um excelente exemplar da inventividade do artista brasileiro. As canções são apresentadas por uma banda que gira em torno de Marcelo Ozorio no seu violão de aço e diversos convidados especiais.


 



Vivendo do Ócio – Vivendo do Ócio 



A banda ‘Vivendo do Ócio’ apresenta o álbum auto-intitulado com poderosas e pungentes canções. O quarteto demonstra poder ao emanar hits daqueles prontos para ser cantados em uníssono por estádios lotados. Participação especialissima de Fábio Trummer, da banda ‘Eddie’.


 



Alex Sant’Ana – Baião Amargo 



Alex Sant’Ana apresenta ‘Baião Amargo’, um album repleto de canções psicodélicas e energizantes. O rock de Alex tem também inúmeras influências da música regional do nordeste. Com participação especial de Isaar e Marco Vilane e vários outros e ainda a produção de Leo Airplane.


 



Sepultura – Quadra 



O ‘Sepultura’ têm ‘Quadra’ como o décimo quinto álbum da banda, nono com Derrick Green como vocalista que nesta altura já gravou mais discos e passou mais tempo nos vocais da banda, que seu próprio fundador Max Cavaleira. O disco apresenta o conceito de numerologia, focado no número quatro e baseado no ‘Quadrivium’, que representa as artes na aritmética, geometria, música e astronomia. 


 



Bruno Schiavo – A Vida só Começou 



Bruno Schiavo vem com ‘A Vida só Começou’, um disco cheio de elementos ricos e diversas participações como Marcelo Callado, Thiago Nassif, Thomas Harres, Pedro Dantas, Eduardo Manso, entre outros. Outro disco com excelentes canções e um belo exemplar do novo rock brasileiro.


 



Lau e Eu – O Futuro está Distante 



‘Lau e Eu’ tem ‘O Futuro está Distante’ como o segundo disco da exemplar carreira. Com participações de Laura Lavieri, Marcelle, Julia Valiengo, você saberia rotular a banda? Seriam eles rock progressivo? Psicodélico? Independente? Talvez tudo isso junto e ao mesmo tempo. Com certeza a banda faz um rock imperdível.


 



Carne Doce – Interior 



‘Carne Doce’ apresenta ‘Interior’, o quarto álbum desta banda de Goiânia. Eles fazem um rock independente quase progressivo. Esse disco mostra uma maturidade plena na forma de melodias climáticas, representadas pelo fraseado de cada instrumento.


 



Pedro Pastoriz – Pingue-Pongue com o Abismo 



Pedro Pastoriz apresenta ‘Pingue-Pongue com o Abismo’. Um álbum bolero-rock com canções que são crônicas cotidianas representadas pelo personalíssimo personagem interpretado pelo cantor. Um maldito por natureza, que nos remete à todos Raulzitos, Melodias, Macalenos, Sampaios, Francos ou não.


 


Palmas também para alguns artistas que não entraram nesta lista, mas que mereceram esta menção de qualquer maneira. Gente como Tatá Aeroplano com seus ‘Delírios Tropicais’, Emannuelle Araújo cantando Macalenos e a banda ‘Midian Nascimento’ com seu excelente EP barulhento nesta promissora estréia.




4.20.2016

QUE NÃO SEJA MEU O MUNDO EM QUE O AMOR MORREU

Repleto de mudanças e novas misturas, a banda 'Judas' lança EP onde mostra amadurecimento em três distintas canções.  


Depois de uma poderosa estréia, a banda 'Judas' apresenta um EP com canções que desvelam novos caminhos e novas misturas. Sempre mesclando o rock folk daquele velho estilo Bob Dylan recém-eletrificado com a viola caipira tão presente neste cenário atual.

Neste sentido, Adalberto Rabelo Filho acertou ao escolher morar em Brasília. Porque isso possibilitou sua participação na nova cena musical da capital brasileira. Após ter vindo do 'Numismata' e de ter composto diversas canções entoadas por gente como Luiz Melodia, Maria Alcina e até bandas como 'Vespas Mandarinas'.

Se no primeiro álbum os arranjos das canções de Adalberto primavam pela mescla do regional caipira com o roquenrou, agora neste EP o 'Judas' vai além. Criando atmosfera espacial psicodélica, sem deixar de lado o sertanejo e o roqueiro. Com um EP conceitual, a banda se permite a recriação do bordel parisiense de conhecido como casa de tolerância – estabelecimentos onde moças se oferecem e se entregam à luxúria total.

Mas nem só de libidinagem vive o EP 'Casa de Tolerância nº 1', que já chega deixando um gosto de quero mais e antecipando a espera pelo segundo volume. Adalberto revela que este EP será o primeiro de uma série que vai relatar a história da orelha cortada de Van Gogh, passando por temas como “amor e ódio”, “vida e morte” e “doença e cura”.

O 'Judas' trás Adalberto nos vocais e composições, Pedro Vaz na viola caipira e percussões, Bruno César Araújo na guitarra, bandolim e vocais, Carlos Beleza nas guitarras, Pedro Souto no baixo, Hélio Miranda na bateria e teclados e Fabio Miranda nos vocais – com participação de Guilherme Cobelo (o Joe Silhueta) nos vocais de todas as três faixas.

'Cada cidade, um porto' é um roquenrou cheio de energia ijexá e com poesia plena definidora e ilimitada – com as participações da voz de Maria Sabina e vocais de Cristina Fleury. 'Oroboro' é uma balada misteriosa que denota rara beleza e pura poesia – mostra toda a delicadeza de compositor que Adalberto carrega em suas canções. 'Casa de Tolerância nº 1' foi composta por Adalberto em parceria com Pedro Vaz, trazendo a participação de Rosa Barros no clarinete – numa viagem psicodélica e progressiva.

A banda 'Judas' vem se firmando como uma opção de música de qualidade num cenário de inúmeras possibilidades e Adalberto como um grande compositor de sua geração – como se ouve nos versos de 'Oroboro', “Ah, que não seja meu o mundo em que o amor morreu”. A verdade é que o nome deste EP revela o sentido de que há de se ter mais tolerância entre os homens. Mais amor! Por 'Judas'!

2016 Casa de Tolerância nº 1 EP

1. Cada cidade um porto
2. Oroboro
3. Casa de tolerância Nº 1

8.24.2014

NONADA É O JUDAS NO MEIO DA RUA ou DO AUTO-EXÍLIO AO RENASCIMENTO

A banda 'Judas' mistura a viola caipira com rock e pop, para criar um estilo único intitulado como “hard-roça”.



A banda brasiliense 'Judas' nasceu do processo de reinvenção do compositor Adalberto Rabelo Filho – paulistano típico com raízes em Pernambuco e Rio de Janeiro. São dele as composições da banda 'Numismata' e as parcerias com Thadeu Meneneghini para a banda 'Vespas Mandarinas'.

Quanto veio para Brasília, Adalberto passou por dificuldades pessoais, mas encontrou no mesmo cerrado do auto-exílio a ideia que faltava a sua redescoberta como artista. Foi com a viola caipira do cerrado característico da cidade, que ele ressurgiu com um punhado de belas canções. Com as composições prontas, Adalberto buscou um time de músicos para personificarem as canções e dar-lhes uma forma definitiva.

Com produção, guitarra e baixo de Kadu Abecassis, viola caipira e violão de Fábio Miranda, piano e teclados de Helio Miranda, bateria de Augusto Coaracy e algumas participações especiais, Lucas Muniz na sanfona e clarone, Janaina Pereira ('Bicho de pé') nos vocais e Fernando Rodrigues ('Pé de Cerrado') na percussão e no baixo em algumas músicas.

'Nonada' abre o álbum com a analogia do sentido da palavra – na obra de Guimarães Rosa têm o significado de “ninharia” ou “coisa de pouco valor” – com a forma que a cultura popular é tratada atualmente. Composta em parceria de Adalberto com Fábio Miranda, que também compôs 'Flor do Agave', uma ode à redenção pela flor do título, que brota uma única vez para morrer dando lugar a novos frutos.

'Adeus violeiro' traz a primeira participação da cantora Janaina Pereira. Seguida por 'Mormaço', que releva o sentimento de que o “sertão está em todo lugar”. Em 'Canção do exílio' Adalberto remete ao texto de Gonçalves Dias, 'Canções do Exílio', ao mesmo tempo em que fala pela primeira vez da sensação de estar auto-exilado na capital do país. Já na canção seguinte, Adalberto assume a posição de candango nato em 'Cobra criada', com participação de Dillo Daraujo e Pio Lobato nas guitarras.

'Caim' sugere uma suposta formação de uns 'Novos Goianos', através da influência de Raul Seixas e dos 'Novos Baianos'. 'Entradas e bandeiras' trás a participação de Cacai Nunes na viola de cocho, numa alusão ao êxodo e ao desbravamento. 'De Comala a Macondo' mistura o realismo fantástico do mexicano Juan Rulfo com o do colombiano Garcia Marques e com o brasileiro João Cabral de Mello Neto.

'Dobrado' é a delicadeza na forma de canção com a mistura do blues com o cancioneiro popular violeiro. 'Lugar público' tem a participação da rabeca de Siba Veloso e a voz de Janaina Pereira. De certa forma, uma homenagem a José Agripino de Paula.

O disco encerra com 'Pássaro azul', uma canção de duplo sentido, que traduz o sentimento de encerramento de um ciclo. Existe ainda uma faixa escondida, 'Muçurana', uma singela reflexão que representa o “Oroboro” – uma serpente (ou dragão) que morde a própria cauda – reforçando o próprio significado do álbum.

Por isso, o álbum 'Nonada', que saiu pela 'Tratore', é uma obra coesa, que retoma a tradição das canções populares e subverte as próprias composições, trazendo-as à atmosfera atual e contemporânea.

Seguem algumas linhas da conversa que tive com o mestre Adalberto...

Como foi que você teve a certeza do que seria músico e compositor?

Eu não tenho certeza ainda.
Na verdade, eu acho que a música é mais um meio de expressão da minha poesia. Eu sou mais letrista, gosto da disciplina que a música obriga as palavras a assumirem, mas todas as melodias e a maior parte das harmonias eu faço também pra dar sentido emocional ao que estou tentando transmitir.
Diria-se o singer songwriter (cantor compositor em português). Acho que o Leonard Cohen seria o exemplo óbvio de referência.

E quanto ao 'Numismata'? A banda acabou? O último disco foi de 2009...

O 'Numismata' não acabou, ele existe ainda, de certa forma. Nesse mês a gente lança os lados B que ficaram de fora do 'Chorume' (2009) na plataforma digital – o disco vai se chamar 'Jenkem' e sai no dia 27 de agosto.

E como surgiu a ideia do 'Judas'?

Cara, eu cheguei aqui em Brasília e tive alguns percalços e o 'Judas' é a personificação desse caminho de reinvenção de mim como artista.
É um personagem que eu usei pra transcender essas dificuldades e ao mesmo tempo buscar a identificação das pessoas. O exilado, o proscrito em sua busca de redenção, o pária alfa.

Você não acha que o nome 'Judas' carrega uma imposição negativa?

Eu acho. Mas a intenção é essa. De se colocar na posição de condenado, pras pessoas ao mesmo tempo escurraçarem e se identificarem, que nem na malhação do Judas. Iisso permite que role uma sinceridade no “condenado”, uma liberdade. Tipo assim, é muito massa almejar ser Jesus, é legal tentar seguir São Francisco, mas todo mundo é Judas.
O importante é que a galera entenda que a identificação é com as falhas, que o ser humano é falho como o Judas. É uma lógica reversa da galera se olhar no espelho invertido e ver que não se pode julgar ninguém.
Porque no final todo mundo está sujeito ao erro. Falar a verdade e dar a real com liberdade, por isso pus a gente nessa situação de erro. Porque liberta.

É incrível que esse sentimento seja extravasado usando a viola caipira, que é uma forma de arte mais antiga e até discriminada...

É por isso que é legal. Porque como terreno inexplorado é riquíssimo em possibilidades, da mesma maneira que se releu o maracatu, o samba ou o frevo. E faz essa ponte do cerrado, com São Paulo, minha terra natal. Porque a viola é essencialmente paulista e é o primeiro instrumento a aportar no Brasil, com os Jesuítas. E nada mais justo que uma banda chamada 'Judas' venha levar a viola prum terreno mais pop.
Fora que eu acho que isso é natural no pop, como o manguebeat. É a possibilidade cíclica do tempo e da eterna renovação das coisas, como diziam Leminski e Wally Salomão (sobre a poesia do futuro).
Se eu fosse definir melhor, diria que é uma retomada de fé no formato de canção popular. A retomada de fé numa banda chamada 'Judas' – é própria expiação pelos pecados.
Mas a gente foi atrás de certa sonoridade híbrida, claro. Misturando as referências de regionalismo com as referências do que é "pop". E as letras fazem a liga...

E o que você está esperando alcançar com esse trabalho?

Eu espero que a galera se interesse pela proposta “diferente” e ouça bastante e curta as letras bastante também...

2014 Nonada

1. Nonada
2. Adeus, violeiro
3. Mormaço
4. Canção do exílio
5. Cobra criada
6. For do Agave
7. Caim
8. Entradas e bandeiras
9. De Comala a Macondo
10. Dobrado
11. Lugar público
12. Pássaro azul
13. Muçurana