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2.19.2012

MARCHINHAS DE CARNAVAL PARA O BLOCO DO EUOVO SOM

A.B.R.A. é sigla para “Amigos Bandidos Residentes no Amor”, um grupo pré-canavalesco formado por Rubinho Jacobina, Cibelle, Iara Rennó e integrantes da banda Do Amor, Gustavo Benjão, Gabriel Mayall, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado.

Este ano o grupo lançou o álbum ‘A.B.R.A. Pré-Ca’ com o registro das marchinhas carnavalescas que animaram – e que ainda animarão – os bailes dessa época do ano. Tudo começou na véspera do carnaval do ano passado no bairro de Santa Tereza, Rio de Janeiro.

A idéia vingou e virou um bloco pré-carnavalesco com uma enxurrada de novas marchinhas, que tinham tudo para caírem no gosto popular da população boêmia da cidade. Pois foram essas novas marchinhas que viraram o primeiro registro dessa brincadeira, o disco ‘A.B.R.A. Pré-Ca’.

As novas composições refletem a melhor tradição das marchinhas do carnaval, que vai desde o uso de palavras com denotação sacana e duplo sentido. Algumas são assinadas pelo trio Iara Rennó, Cibelle e Rubinho Jacobina, como a ‘Marcha do valeu otários’, que é um estatuto à independência afetiva da mulher. Ricardo Dias Gomes, junto com este mesmo trio, assina a composição da ‘Marcha da pamonha’, que o nome já diz tudo.

Jacobina com Rennó assinam a ‘Marcha do procure saber’, que é um hino contra homofobia, com referências aos modelos pejorativos – que tipificavam as figuras dizendo que “babavam no quiabo” ou “lambuzavam o torresmo” – e às marchinhas preconceituosas, como ‘Cabeleira do Zezé’.

2012 A.B.R.A. Pré-Ca

1. Marcha da abertura
2. Marcha da preparação
3. Marcha do valeu otários
4. Marcha do Iguanacare
5. Marcha lúbrica
6. Marcha do procure saber
7. Marcha da pamonha
8. Marcha Evidênia
9. Marcha da Wilza
10. Marcha do Pratinho

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E finalizando esta postagem de carnaval... E vocês achavam que tinha acabado, né? Este carnaval vai até de manhã...

Seguem umas marchinhas mais antigas em regravações mais recentes com Maurício Pereira e ‘Banda Turbilhão de Ritmos’, com o álbum ‘Carnaval Turbilhão’ de 2009.

Pra quem não sabe, Maurício Pereira é a outra metade dos ‘Mulheres Negras’, mas que também construiu uma carreira solo muito coerente e cheia de grandes álbuns clássicos. A banda ‘Turbilhão de Ritmos’ foi criada para tocar no programa ‘Fanzine’ da TV Cultura, onde o próprio Pereira atuava como crooner.

Entre os projetos pessoais de Maurício Pereira – ele tem shows para seus últimos discos, ‘Mergulhar na Surpresa’ e ‘Pra Marte’ – além de tocar no carnaval com o ‘Turbilhão de Ritmos’.

Mas como o assunto hoje é carnaval. Segue um disco de marchinhas antigas que você um dia já assobiou.

2009 Carnaval Turbilhão

1. Pot-Pourri: Toque de Clarins/ Guará/ El Cubanchero
2. Aurora
3. Ala-la-ô
4. Touradas em Madri
5. Chiquita Bacana
6. A.E.I.O.U.
7. Marcha da cueca
8. Máscara negra
9. Nós os carecas
10. Cabeleira do Zezé
11. Transplante de corinthiano
12. Saca-rolha
13. Jardineira
14. História do Brasil
15. Coração de jacaré
16. Pirata da perna de pau
17. Pastorinhas
18. Mamãe eu quero
19. Passarinho de relógio
20. Me dá um dinheiro aí
21. Pot-Pourri: El Cubanchero/ Guará

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12.25.2011

MERGULHAR DE SURPRESA NO NATAL



“Estrelas coloridas de papel são jóias falsas presas lá no céu e quando eu ergo o olhar pro firmamento, juntinhas elas cantam desse jeito”, como canta Mauricio Pereira em ‘Estrelas’. 

Mas ele também canta o ‘Pinguím’, os ‘Balangandans’ de quem tem ‘Compromisso’, que ‘Responde Viscondi’, que vê ‘Motobóis, girassóis etc e tal’, mas que é ‘Quieto um pouco’ e mesmo com ‘Truques com facas’, viaja ‘Pra marte’ num ‘Teco teco amarelo em chamas’ ou vai pra ‘Imbarueri’ ‘Ser boi’ lá.



Em 1997, Mauricio Pereira lançava o segundo disco da carreira solo, o 'Mergulhar na Surpresa'. Um disco mais intimista que o anterior, 'Na Tradição' - que tinha uma banda tradicional como manda o título. Nesse ano, Mauricio eternizava em acetato (forma de dizer, já que os CDs eram produto dominante) o show com voz, piano e saxofone, que vinha apresentando em parceria com Daniel Szafran. 

A abertura fica a cargo de uma vinheta-canção de Fernando Arbex, 'Soley, soley', seguida por 'Cachorra', uma canção bebop com energia contagiante. 'Imbarueri' já havia sido gravada em parceria com André Abujamra, no 'Mulheres Negras', mas recebeu um arranjo mais simples de piano, voz e assobio, com um pandeirinho caudaloso de Guello.'Tudo que te dou' é o primeiro exemplo do resultado da parceria entre Szafran e Pereira, com "nuvens de pó-de-arroz, ricamente embrulhadas em papel manteiga".



Mauricio Pereira tem ascendência italiana e por isso gravou 'Wanda' de Paolo Conte. 'Um dia útil' é quase um diário musicado, ou um relatório poético do dia-a-dia de um músico. 'Música serve pra isso' é outra regravação do 'Mulheres Negras', desta vez apenas com vozes e a viola caipira de Paulo Freire. 'Tranquilo' é pura poesia em versos métricos. 

"Como é que tá tu" é o mote para 'Tu', uma canção que cresce em progressão de tons. 'Ironia' tem um arranjo que mistura Paulinho da Viola com Johnny Alf, numa cool-bossa-nova como raramente se ouve. 'Pan y leche' é um canção de ninar - já gravada no primeiro disco solo como um bolero‘n’salsa – desta vez, com um arranjo perfeitamente simples de piano e voz.



'Mergulhar na surpresa' - que dá título ao disco - também segue num crescendo microtonal, com adição do melodioso violoncelo de Mario Manga.'Estrelas' também havia sido gravada no disco anterior, mas desta vez recebeu o mesmo arranjo intimista, que permeia o disco e o show em parceria com Daniel Szafran. 'Coyote' é um blues com guitarra de Eduardo Cabello, além dos sempre presentes piano e voz. 'Recipiente (a jam)' também foi gravada antes, mas nesse disco ficou mais natural como se fosse mesmo uma jam-session - como exemplifica o subtítulo - com dois violões gravados por Luis Waack e Daniel Szafran, além das vozes de Skowa e Pereira. 

'Inventor brasileiro' tem participação de Paulo Lepetit no baixo elétrico. 'Curitibana' é uma versão minimalista para o clássico caipira de Tonico e Tinoco. 'Quem é quem' é uma ode à poesia urbana de Fernando Pessoa. "Ah, mas que delícia de Pessoa!", diz a letra. O disco encerra com 'Modão de Pinheiros (ou É por isso que as pessoas mudam de bairro)', que descreve um causo amoroso nas calçadas do bairro paulistano do título.



Com quatro discos solo, Mauricio Pereira seguiu um caminho natural entre um e outro, sempre olhando para frente com reverência ao passado. Pereira ainda mantém opções de espetáculos com piano e voz do 'Mergulhar na Surpresa' e de seus discos posteriores, 'Pra Marte', 'Canções que Um Dia Você já Assobiou Vol. 1' e ‘Carnaval Turbilhão’, com a banda ‘Turbilhão de Ritmos’, além de outros repertórios diferenciados com a mesma banda ou como a dupla caipira ‘Pereirinha e Pereirão’, com o filho Tim Bernardes. 

Mas foi com o 'Mergulhar na Surpresa' que ele encerrou este ano, no espetáculo 'Mergulhar na Surpresa de Natal', apresentado no Teatro da Vila Madalena no dia 23 de dezembro. Do repertório, pode-se dizer que entraram músicas dos três álbuns autorais de Mauricio Pereira. Como uma versão de ‘Pra marte’, que foi originalmente composta, com Daniel Szafran, para piano e voz quase como um rock - mas no disco virou um samba-choro.



O disco ‘Mergulhar na Surpresa’ é mesmo um álbum de natal! Mesmo que seja por uma questão involuntária... Pois essa expressão - que deu nome à canção e ao álbum - pode muito bem representar o sentimento natalino e toda aquela sensação de renovação que essa data traz. 

Imaginando o que o menino quis dizer com 
 “mergulhar na surpresa!”

1998 Mergulhar na Surpresa

1. Soley soley
2. Cachorra
3. Imbarueri
4. Tudo eu te dou
5. Wanda
6. Um dia útil
7. Música serve para isso
8. Tranquilo
9. Tu
10. Ironia
11. Pan y leche
12. Mergulhar na surpresa
13. Estrelas
14. Coyote
15. Recipiente (a Jam)
16. Inventor brasileiro
17. Curitibana
18. Quem é quem
19. Modão de Pinheiros (ou É por isso é que as pessoas mudam de bairro)

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3.15.2008

PRA MARTE PRA QUALQUER PARTE

Pronto! Daqui na Praça da República vai ser fácil encontrar o Calanca, que é o único cara que com certeza vai ter o novo disco do Maurício Pereira. Pra quem não sabe, ele formou o Mulheres Negras junto com o André Abujamra e depois seguiu carreira solo.

Tudo certo e o novo disco no som do carro, fomos todos procurar um caminho para a Liberdade. Eu tenho minha musa sentada ao meu lado, os guris no banco de trás e sem tempo pra pensar a vontade se estou no sentido correto da avenida São João, indo pra Liberdade, ou para alguma padoca em Santa Cecília. O vale do Anhangabaú logo em frente me pega de assalto, é o sinal que estou no caminho certo, mas ainda faço muitas voltas até encontrar a Liberdade.

Passeamos pelas ruas da Lapa de carro, tomamos café e seguimos viagem vendo o amanhecer da Vila Ipojuca. O disco ainda tocando no som do carro, mas já estamos passando pelos pedágios da Bandeirantes, seguindo pra Minas, ‘sêboláh’, como cantam as crianças no banco de trás. A viagem segue com uma chuva fina e forte que impede uma visão plena da estrada, mas como estou já na Anhanguera sigo em frente, pra Marte, pra qualquer parte.

Já estou chegando em Americana quando ouço um causo de assombração, e o Visconde não responde nenhuma das questões existenciais, mas é a melhor canção do universo do Lobato que eu ouvi até hoje. As crianças acordam a tempo de ouvirem o teco-teco amarelo em chamas pela janela e cantarolarem a melodia. Porque você sabe, né? As crianças têm ouvido musical e respondem às canções muito mais que os adultos, sejam elas de truques com facas ou sobre penhascos íngremes de poesias.

De modo que quando o dourado aparece já estou em Ribeirão a meio caminho de casa e as crianças adormecendo novamente no banco de trás.

Ouvir o disco do Maurício Pereira é isso, ver-se inundado de imagens de todos os cantos e influências desse mundão enorme. O Maurício já gravou três discos solo, sem contar com participações nos discos de vários parceiros musicais, como o Abujamra no Karnak e na carreira solo.

Maurício Pereira lançou o ‘Pra Marte’, no qual ele retoma o lado autoral de sua carreira. Seu último disco havia sido com regravações de canções que um dia todos nós assobiamos.

Mas não adianta, que em seu disco recente não conseguimos mais parar de assobiar suas canções.

Melhor perguntar pro Maurício algumas coisas, vai que ele responde mais rápido que o Visconde...

Eu Ovo: Quando é que os Mulheres Negras vão gravar mais um disco? Fazer turnê? Enfim, se reunir de uma vez por todas?

Maurício Pereira: Taí uma boa pergunta… A gente vira-e-mexe tá tocando junto. O André cantou no meu disco, em fevereiro dei uma canjona no lançamento dele. O Mulheres toca na Virada Cultural em SP, fim de abril. Mas fazer disco mesmo, eu não sei quando. O André tá lançando o disco, eu tou lançando o "Pra Marte". Fora isso, o André tá morando em Curitiba, tá difícil a gente se ver… Ou seja, nós vamos ter q fazer o Mulheres via internet por uns tempos. Mas uma hora vai sair, sem pressa. Ou com pressa.

EO: Em 95, você tinha o show com a banda, que gravou o disco ‘Na Tradição’, mas também tinha o projeto só você e o piano do Daniel Szafran, que acabou virando o ‘Mergulhar na surpresa’. Quais os projetos que você toca atualmente?

MP: Eu tou tentando ter os shows de todos os meus discos em cartaz, cada um com sua banda, seu repertório, seu espírito. Então, eu faço o “Mergulhar” c/o piano do Daniel Szafran. Aí tem o “Pra Marte” de 2 jeitos: com banda e só c/violões. Com o Turbilhão, q é a banda q gravou o “Canções” comigo, eu faço shows especiais, tipo: no Carnaval fiz um baile de marchinhas; outro show é só de músicas do Adoniran; tem um q eu só toco Erasmo Carlos; tem um show gigante q eu faço em festas italianas aqui em SP, em q eu canto pop italiano dos anos 60. Ou seja, meu repertório de shows é bem variado, um é diferente do outro. Dá uma certa canseira na cabeça, mas é bom.
Mas minha prioridade mesmo este ano é viajar com o Pra Marte.

EO: Com os shows do novo disco, o ‘Pra marte’. Como o público tem reagido? Como vocês, músicos têm reagido?

MP: O público tem prestado uma atenção danada, tem se entregado, as letras são grandes, densas, é um trabalho da emoção mais interna, acho q tá pegando as pessoas por aí, pela atenção e pela emoção. Fora isso, a banda é bárbara. O Tonho Penhasco e o Luizinho Waack são 2 guitarristas muito especiais, muito criativos, tem uma história importante no pop paulistano, tocaram com deus e o mundo, inclusive com o Itamar Assumpção… Armei a banda pra deixar eles 2 muito livres. Então, eles acabam empolgando o público, pque tocam muito, um show não é igual ao outro. O baixista é o Mano Bap, produtor, compositor, um cara de muita idéia. O batera é o Leandro Paccagnella, um cara técnico e sangue quente q segura a banda viajandona aqui no chão do planeta. Neste disco, passei muito tempo explicando pros músicos qual é viagem a de cada música, qual o clima, a emoção, a abordagem. Eles sacaram muito bem a onda e tão fabricando esse clima pra mim. Como me disse outro dia o Mano, baixista, a idéia é fazer uma trilha sonora pras histórias das letras. Tá sendo um trabalho interessante, tamos aprendendo um bocado, e o público tem entrado na onda.

EO: Qual é a diferença dessa banda, do disco novo, para a banda do ‘Na tradição’ ou para o ‘Turbilhão de Ritmos’?

MP: Eu sempre mudo de banda ou de formação a cada disco. Pra ter um clima diferente, pra mudar a pegada, pra deixar o som bem diferente dum disco pro outro.
A banda do “Na Tradição” reagia como uma banda de rock. Desciam o braço, era uma banda q tinha muita garra. O som tinha aspereza, e era isso o q eu buscava ali, fazer som de branco, mais pegada, menos suingue. Era uma banda muito especial: faziam cada show como se fosse o último.
Já no “Mergulhar”, a alma do disco é o piano do Daniel Szafran, q é um músico selvagem, a gente tem um entendimento total no palco, a velocidade é altíssima. Q nem c/o André nos Mulheres. Enfim, ele é o motor desse disco, um motor V8…
O Turbilhão (q gravou o “Canções”), ao contrário, caiu pronto na palma da minha mão, meio sem querer. A banda já existia no programa “Fanzine”, q o escritor Marcelo Rubens Paiva apresentava na TV Cultura nos anos 90, e eu era vocalista. Lá, cantamos mais de 600 canções brasileiras de todo tipo: brega, baião, bossa nova, rock, axé, noel, chico, raul, tudo… Então, é meio q uma banda de baile, só q ao mesmo tempo é uma banda meio intelectual, pque eles não fazem cover, eles piram em cima dos originais. E com eles eu não canto nada meu. Os shows do Turbilhão, como eu falei, são temáticos, são festeiros. Catamos um repertório e fazemos. Já teve show só com música sobre futebol, sobre carro, sobre comida… Além disso, são músicos q tocam juntos há muito tempo, conhecem muita música, ouviram rádio na mesma época, não têm medo da música, do palco, do improviso.
A banda do “Pra Marte” trabalha numa outra frequência. Todos são produtores, têm experiência em dirigir outros artistas. E são músicos c/uma viagem interior muito forte, caras capazes de contar uma história tocando. E é isso q o Pra Marte exige: uma banda q traga clima, comente as letras q eu tou cantando. Pra isso precisa muita concentração, muita criatividade, precisa saber ouvir, entender o q eu tou cantando naquele momento. Acaba sendo bem diferente dos outros trabalhos (embora o Tonho e o Luiz toquem no Turbilhão tbem, o trabalho deles lá é completamente diferente).
Pra resumir: pra mim, assim como é importante registrar minhas músicas num disco, é super importante registrar o trabalho único e especial de cada um desses músicos, q sempre têm um papel de destaque no meu trabalho. Eu chamo eles pra a responsa de criadores, e eles vêm.

EO: Você se considera poeta? Digo isso por causa das suas letras sobre o cotidiano.

MP: Eu acho q sou o típico compositor brasileiro, viralata e refinado, não é assim q é? Principalmente letrista e melodista. Mas meu método de fazer uma canção varia muito. Às vezes penso q nem poeta, como em “Compromisso”, do “Na Tradição”, ou “Milho”, do Mulheres. Em “Trovoa”, do “Pra Marte”, eu funcionei como se estivesse fazendo um road movie. Em “O Dourado”, do “Pra Marte”, eu raciocinei q nem os velhinhos q fazem moda de viola. Em “Mergulhar na Surpresa”, no disco do mesmo nome, eu fui um fotógrafo. O método varia. Uma sugestão q eu dou pra vcs se quiserem saber mais do processo de fazer letras, é ir lá no meu myspace e clicarem no blog debaixo do jukebox, em “Diário do Pra Marte: faixa-a-faixa”. Lá eu conto um pouco como cada música veio.

EO: Você já assistiu o sol nascendo na Vila Ipojuca? E tantas outras imagens cotidianas das suas músicas? De onde elas vêm?

MP: Já vi esse sol lá… Umas tantas coisas eu vi, acho eu. Mas trabalho mais com a lembrança do q c/a fantasia. E como tenho a memória meio ruim, acabo fantasiando um bocado as minhas lembranças… E acabo lembrando de coisas q eu nunca vi, misturo tudo. Eu ando muito a pé pela rua, sozinho, por todo lado, lugares comuns, óbvios, q o turista ou o purista jamais iam reparar, funciono meio como um viralata. Já rodei muito o país, de carro, de trem, de moto. Sem buscar nada em especial. Simples amor pela estrada. Ou pela calçada. E pelo cidadão comum e suas coisas comuns. Nem é o herói, nem é o fudido, ele nem sempre tá numa letra de música, as coisas q ele faz nem sempre rendem poesia. Mas é onde parece q não tem arte q eu quero ver a onça beber água. Me desculpa o lugar comum, mas tem muita força nas no óbvio, na rotina, no cotidiano. A batalha é falar disso s/ser piegas ou mané.

EO: Quando você fez o ‘Modão de Pinheiros’, você descreveu uma caminhada pelas ruas de São Paulo. Em ‘Trovoa’ do novo disco, você faz a mesma coisa, e também de certa forma em ‘Motoboys, girassóis etc e tal’. Como é sua relação com essa cidade?

MP: Eu rodo muito, ando muito. Desde pequeno. Minha mãe me levava muito pro centro da cidade, ia de ônibus, descia no Anhangabaú, andava um monte no centrão. Aí, uma época, ela trabalhava na rua, de carro pra todo lado, vira-e-mexe eu tava junto. E ia conhecendo a cidade, os bairros. São Paulo é muito grande, e cada bairro tem uma tribo bem diferente da outra. Tem a zona oeste, mais papo cabeça, tem a zona leste, com seu sotaque. Tem bairro q tem muito japonês, tem bairro mais negro ou nordestino, tem bairro q tem mais velho do q moço. Tem lugar mais fashion, tem lugar q é só caminhão.
Fora isso, como artista, eu tento entender o q é ser paulistano, pque fora do Brasil as pessoas estranham muito a música de SP enquanto música brasileira (ultimamente não tanto, já q os DJs e o rock brasileiros têm rodado o mundo), o Mulheres foi pra Portugal no fim dos anos 80, e eles estranharam demais a gente. Mas afinal, eu sou branco, neto de italiano, fui criado ouvindo jovem guarda, cabeça urbana. Se eu for pro Texas ou pro sertão do Cariri, eu tou em casa nos 2 lugares. E também não estou… Então, o paulistano é um cara meio sem passado e sem pátria, até pque SP só ficou importante na metade do século 19, antes era um lugar muito pequeno, meio bronco, as pessoas não falavam português aqui, e sim língua geral (um tipo de tupi). O Barroco passou ao largo de SP. Quer dizer, é uma cidade muito nova, se a gente comparar c/Rio, São Luiz, Recife, Salvador, Ouro Preto. A cidade cresceu com os italianos, japoneses, com a indústria, a ferrovia, o rádio, o cinema, explodiu no século 20. Aqui não tem muito bucolismo, muita malemolência, tamos pra baixo do Tropico de Capricórnio: SP não é na zona tropical, já pensou nisso?
Ou seja, não parece muito c/o lugar-comum q se tem do brasileiro. Mesmo dentro do Brasil, tem uma certa defesa contra essa brasilidade meio gringa, estressada e arrogante da cultura de SP. Mas é a nossa maneira de expressar o país, né?
Então eu tenho q lidar com isso, descobrir de onde eu vim, desvendar a maneira paulistana de ser brasileiro.

EO: Em ‘Ser-boi’ você canta Minas Gerais, mas também lembra da velocidade nas ruas de Brasília.. Como é sua relação com Minas Gerais e Brasília?

MP: Eu amo Minas. Se eu pudesse eu me naturalizava mineiro. Sempre q eu posso viajo pra lá. Tem um caráter introvertido q combina comigo. É mais lento q SP, tem um outro sabor, tem muita história, muita tradição, muita sutileza. Cachoeira, cachaça e tutu. Rock e silêncio. Uma época eu tive uma moto, catava umas trilhas por aí e ia pro mato, fiz duas grandes viagens por lá: Mantiqueira e Canastra.
O Brasil é realmente um tesão de país, mesmo c/toda a injustiça e pobreza q rolam, o povo é maravilhoso, tem uma riqueza interior gigante, a cultura é muito forte. Mas Minas, como eu disse, combina c/a minha introversão. E “Ser Boi” é isso: contemplação e muita minhoca na cabeça, ou seja, filosofia pura…
Já Brasília, pra mim, é um lugar místico. Tá no centro do país, tá no centro do poder, o plano piloto é um lugar surreal prum paulista, c/aquela organização toda. Nos anos 90 fui pra Brasília mixar o cd dos lendários Cachorros das Cachorras. Pedi a grana da passagem de avião e gastei em gasolina: fui de carro, parando em todas – eu disse todas – as cidades do caminho (e até fora dele…). Pedregulho, Guaxupé, Pires do Rio, Uberaba, o escambau. Talvez ali eu tenha visto os carros voando pra Brasília na BR. Foi tipo uma peregrinação pro centro do Brasil, tipo fazer o Caminho de Santiago de carro, um road movie solitário, ouvindo rádio, ficando quieto, dormindo em pequenos hotéis, vendo o planalto aparecer aos poucos, sentindo a secura: passei o 7 de setembro em Brasília… Topei com uma cidade ainda mais jovem q a minha, absolutamente próxima do poder e seus efeitos colaterais, meio q vi o Brasil resumido ali, pro bem e pro mal, de Cabral até hoje, com aquele horizonte todo…
Foi uma peregrinação pro interior, aberta, silenciosa, reverente, desmistificadora. Voltei pra casa diferente.

EO: Você sempre teve uma ligação forte com música para crianças. Você fez a música ‘Mau’ no ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, e cantou ‘Cogumelo’ no disco ‘Roda gigante’ do Gustavo Kurlat. Sem falar na melhor canção sobre o Visconde Sabugosa, que está no seu disco novo, que também tem ‘O dourado’, que era para o público infantil... Você tem outros projetos de músicas para crianças? Tem planos para isso?

MP: Não tenho planos, mas gosto muito de fazer. Nos anos 80, o Thayde me dizia q eu tinha voz de desenho animado, acho q ele tem razão, acho q é por isso me chamam pra cantar. Fora isso, compor ou cantar pra criança solta um pouco a fantasia, dá pra usar a música de jeitos mais tontos, criar um monstro ou outro, sentir um medo ou outro, brincar um pouquinho. E eu tenho 3 filhos, passei um bom tempo criando moleque pequeno, tentando me comunicar com eles. Acho q o melhor jeito d trocar uma boa idéia com criança é tentar não ser xarope, pque d modo geral, criança é bem mais esperta q adulto (e isso não é uma mera frase de efeito…).

EO: Como é a vida de músico independente? Isto é, tem que se virar fazendo de tudo um pouco, como trilha e publicidade...

MP: Tem q se virar feito louco. Ainda mais eu, q tenho filharada pra criar… E cada ano é diferente do outro. Tipo: qdo tem disco novo, tem q correr atrás de show e viajar, e isso não tá fácil. Qdo não tem trabalho novo, precisa arranjar coisas pra fazer pra ganhar dinheiro ou pra não ir pro hospício, se é q vc me entende…
Então, cada vez mais, tenho feito coisas fora da música, embora perto dela: fiz a pesquisa e as entrevistas pruma série de DVDs sobre música do Itaú Cultural (entrevistei Nei Lisboa, Berimbrown, Katia B., Chico Cesar, Mombojó, Porongas, Mantiqueira, Quaternaglia, Dona Edith do Prato, Marku Ribas, e mais um monte de gente). Faço locução em comerciais e documentários. Dou palestras e oficinas sobre música pop, produção independente, produzo disco, dirijo show, trabalho como ator, dublador. E assim vai. Se me convidarem pra apresentar baile de debutante eu tbem vou. Um artista independente brasileiro tem q se virar, fazer um pouco de tudo, acho eu. Chaveiro, encanador e eletricista, sabe como é?

EO: Isso inclui também atuação? Com foi fazer o comercial da Nextel? Como Franco... Porque foi uma série, não foi?

MP: Pois é, atuação…
Não parece, mas ali no Mulheres a gente foi ator pra burro. Vira-e-mexe tem um convite pra atuar, num comercial, numa peça, ou até em novela. Anos atrás trabalhei com Os Parlapatões num espetáculo musical q virou um DVD lançado pela gravadora Atração, chamado “Os Reis do Riso”. Foi uma experiência bárbara, uma outra maneira de estar no palco, sob a maravilhosa direção do Hugo Possolo. Os 2 anos q trabalhei na TV Cultura, no “Fanzine”, tbem foram uma grande escola. O programa era diário e ao vivo, e eu fui pegando o reflexo de lidar c/a câmera, onde ela tava, pra onde ela ia, o timing rápido de TV, a noção do meu enquadramento, essas coisas. Pra fazer o Nextel isso ajudou muito. Fora isso, no Mulheres a gente se dirigia, se roteirizava. Então, no Nextel eu fui fabricando o personagem junto c/o diretor dos filmes, o Tonico Melo, da O2 (do Fernando Meirelles), achando um tom pro Sr.Franco: como ser crica s/ser escroto. E ter a experiência de se ver num baita estúdio c/uma equipe de 60 pessoas em função de você não é pouca coisa, tem q ter muita concentração, saber usar a adrenalina, tem q ser disciplinado mas não pode deixar a maluquice de lado.
Enfim, essa história de atuação eu vou aprendendo a toda hora, já q eu não tive escola: nos shows, nos comerciais, nas locuções, vendo atores trabalhando. Cada experiência q pinta é uma escola nova.

EO: Como foi essa história do show na internet? Que tipo de sites você costuma acessar?

MP: Em 96 me apareceu um moleque de 16 anos q disse q dava pra fazer show via internet. Eu achei ótimo, não pque eu fosse algum fanático por tecnologia ou quisesse ser hype, mas pque nos anos 90 não tinha espaço nenhum na mídia pra artista independente nenhum: o jornal não falava, a tv não divulgava, o rádio não tocava. Zero. Então eu pulei pra dentro da internet. Fui um dos primeiros artistas a terem site e email, eu já tinha isso em 94, 95. Aí fizemos o show, e o cara inventou uma maneira criativa de fazer rolar, s/grana, c/a ajuda da USP e um servidor americano de Real Audio, mais 2 computadores 486 e 2 linhas telefônicas. Acho q entraram umas 20 mil pessoas, algo assim. Pra a época, isso era muito. A internet nos anos 90 era uma mídia alternativa, não é como é hoje, q ela tá no poder (e o poder tá nela…). Em 96 não existia Uol, nem Google, não existia mp3… Não tinha banda larga, nem YouTube, nem MySpace, nem MSN, nem Orkut, nem blog, dá pra imaginar? Tava muito no começo. Mas era realmente a única saída ali, além das rádios livres q eram muito numerosas em SP. Eu fui em várias. A pequena rádio de bairro seria uma solução genial pra democratizar a execução de música, seria bom pra todo mundo, mesmo pras rádios grandes e anunciantes. Mas, como se diz, a ignorância e o autoritarismo andam de mãos dadas, então esse tipo de democratização não rolou e não vai rolar, penso eu.
Hoje tenho navegado na internet mais pra trabalhar do q pra m divertir, então acabo usando as ferramentas habituais: Google, YouTube, MySpace, Wiki, Emule, sites de letras e cifras, sites q tenham informações pra produções q eu esteja fazendo. Acho SenhorF um site importante pra quem gosta de pop/rock e leva a sério. O Overmundo é interessante, tem muitos blogs interessante. O próprio Eu Ovo eu já conhecia, assim como outros, Um q Tenha, Loronix. Pra pesquisar música é ótimo, pque tem todo tipo de informação. Já pro Orkut e o MSN eu não tenho muita paciência, acho q a gente fica online demais…

EO: Como é sua relação com a internet? Porque obviamente você é músico e convive agora com compartilhamento de arquivos. As pessoas baixando seu disco pela internet.... Você é a favor disso?

MP: Sou a favor.
Acho q o mundo tá numa transição brutal. Cada dia tem uma tecnologia nova, uma atitude nova. Alguma hora esse ritmo de mudanças vai diminuir ou chegar em algum lugar mais permanente. Nessa hora vai dar pra pensar em alguma legislação mais definitiva sobre propriedade intelectual. Enquanto essa hora não chega, minhas músicas tão editadas, como sempre. Mas eu sou a favor do compartilhamento, não vejo q seja algum tipo de crime ou contravenção. Pirataria é vc pegar a minha música e fazer um milhão de cópias pra ir vender na Praça da Sé. Mas baixar pra ouvir é um direito das pessoas. O mundo mudou, hoje a comunicação é imediata, e todo mundo tem em casa equipamento relativamente barato pra pegar música e copiar com qualidade. As pessoas tão – literalmente – matando a curiosidade, numa boa. O q tá mudando no mundo, e não só em música, é q tá cada vez mais difícil vc remunerar a arte. E, no caso da música, tem música em todo canto, às pencas, aos gigas. Virou uma commodity.
Então, o q tá em crise não é a música em si, e sim a profissão de músico, o business de música, a possibilidade de viver de música (especialmente a gravada, pque show é show, né?)
Mas nós tamos realmente num meio de caminho, ainda tem muita mudança pra acontecer, vai ter q esperar pra ver, não tem jeito…

EO: Como é a sua posição nessa questão sobre a pirataria?

MP: Eu vejo 2 tipos de pirataria.
Um é catar minha música, copiar 100 mil cópias e sair vendendo por aí, q é o q os piratas e contrabandistas fazem.
Outro é a grande gravadora pagar jabá pras rádios tocarem sempre as mesmas músicas. Isso, além de ser crime (deve ser crime, né?), esculhamba totalmente o mercado de música, pque um monte de artistas deixa de ter acesso às rádios de maior audiência do país. Fora isso, tem essa coisa de as majors ditarem os preços do cd, terem um certo monopólio de distribuição de discos, coisa e tal.
Ou seja, no fim das contas, a pirataria é um subproduto da própria política das grandes gravadoras, desse monopólio no acesso à mídia e às grandes lojas. Certamente se o acesso de música às rádios fosse democrático e se o cd fosse mais barato, não haveria pirataria, né?
Onde tem concorrência razoavelmente leal, eu acho difícil ter pirataria. Piratas se alimentam de monopólios…

EO: O você ouve em casa? Você curte as bandas novas que surgem por aí?

MP: Passei 2 anos no processo de fazer disco, então tou meio de ressaca como ouvinte. Fui criado ouvindo rádio, sou viciado, e nessa tal ressaca tenho ouvido mais jogo de futebol do q música…
A rádio Cultura AM daqui tem uma programação bárbara de música brasileira, dá pra ouvir na internet. Recomendo tbem um programa de Curitiba chamado Radiocaos, bem maluco, tbem dá pra ouvir na net. Ando a fim de ouvir folk, tou curioso a respeito, tenho entrado em rádios americanas de folk e bluegrass. Ainda tem muita rádio boa por aí, na net e fora dela.
Na internet eu fuço o q aparece pela frente no MySpace ou no YouTube, montes de coisas. Algumas das bandas novas eu conheço, as mais óbvias, tipo Vanguart, Porongas, dei uma ouvida na Mallu Magalhães. O pouco q eu conheço dessa cena de rock indie me parece bem legal, assisti o Vanguart aqui em SP outro dia e gostei muito, o Helio, vocalista, tem um carisma danado.
Mas como vc pode ver, eu não sou especialista em nada: criado no rádio, agora no ramdom…
Ouço coisas da antiga, q eu ouvia qdo ainda não era músico, mais ingenuamente, por diversão, tipo: Beatles, Stones, Cassiano, Tim Maia (por conta de ter lido a biografia dele), Erasmo Carlos, Donato, Raul, Bob Marley, Stevie Wonder, Herbie Hancock, Wayne Shorter. Ou coisas q eu fui conhecendo depois, Elvis Costello, Bola de Nieve, Pablo Milanés, Paolo Conte, as rancheras mexicanas do El Recodo, Ray Charles, Jovem Guarda, Sly Stone. Ligo o shuffle e deixo vir de tudo, tem muita coisa q me interessa.
Tbem tem os amigos q tão lançando disco e me jogam na mão: Siba e a Fuloresta é lindo, o Arthur de Faria, meu parceiro de Porto Alegre, o Martin Buscaglia, um músico uruguaio bem interessante. O André m deu o disco novo dele, tem coisas boas lá. Los Pirata, Tatá Aeroplano, Trash pour 4, Natalia Mallo. Acabo indo muito de carona no q os filhos ouvem, então andei ouvindo Cachorro Grande, Hermanos, Mutantes, Beatles, Kinks, Stones, Clapton, The Who, Pink Floyd, Dylan, Hendrix, Chuck Berry.
Pois é, os moleques tão ouvindo os clássicos… coisa q a gente percebe qdo ouve as bandas mais recentes, né?

EO: Valeu Maurício, pela maravilhosa entrevista! Um abraço pra você e sucesso na turnê do seu novo disco, ‘Pra Marte’.

MP: 1 abraço pra todos os ouvintes/leitores do Eu Ovo, e me fucem…
Mauricio Pereira

http://www.mauriciopereira.com.br/
Maurício Pereira no You Tube

E só pra lembrar, O Maurício vai apresentar o show do ‘Pra Marte’ no Sesc Consolação no dia dois de abril com a entrada franca.

Para baixar os outros discos do Maurício Pereira e dos Mulheres Negras, clique aqui.

Para ouvir o ‘Pra Marte’ vai ai do lado na rádio do blogui, e para baixar vê no link ai embaixo.

Agora se o seu lance é ter o CD ‘Pra Marte’ como obra física, você pode comprar aqui.

2007 Pra Marte

1. Pra marte
2. Motoboys, girassóis etc e tal
3. Ser boi
4. Trovoa
5. Um tango
6. Pranto para comover Jonathan
7. A loira da Caravan
8. Toscana
9. Responde Visconde
10. Quieto um pouco
11. Truques com facas
12. Um teco-teco amarelo em chamas
13. Penhasco
14. O dourado

Baixe aqui pelo Eu Ovo

6.11.2007

VIAJAR NO SUB-MARINO AMARELO

A banda Os Mulheres Negras nasceu na década de oitenta e era na verdade uma dupla de músicos paulistanos, que resolveram se juntar e levar um som.

Os Mulheres Negras eram André Abujamra, voz guitarra e teclados, e Maurício Pereira voz e saxofone, e faziam uma música com letras irreverentes e equipamentos eletrônicos, como samplers, sequencers, sintetizadores e bateria eletrônica. A dupla se autodenominava como a terceira menor big band do mundo, e foram considerados representantes da vanguarda paulista ao lado de bandas como Premeditando o Breque e Grupo Rumo.

O primeiro disco foi lançado em 1988, intitulado Música e Ciência, com muito bom humor e recheado de referências aos Beatles, Villa-Lobos e Pepino de Capri. O segundo e último disco foi lançado em 1990, Música Serve para Isso, e era mais popular com intenções claras de ser mais radiofônico. No ano seguinte, 1991, a dupla apresentou o show de despedida e cada um seguiu seu rumo. Maurício Pereira lançou-se em carreira solo, enquanto André Abujamra, filho do ator e diretor teatral Antônio Abujamra, formou a banda Karnak.

Em sua carreira solo, Maurício Pereira lançou três discos, cada um diferente do outro. Em 95, Pereira lançou o disco Na Tradição, que trazia uma banda com piano, saxofone, baixo e guitarra, com canções clássicas como Recipiente e Pingüim. Em 1998, Pereira lançou um disco mais intimista, com saxofone e violão, Mergulhar na Surpresa. Em 2003, Pereira lançou o disco ao vivo Canções que Um Dia Você já Assobiou Vol. 1, com versões bem particulares de músicas que um dia qualquer um de nós já assobiou, acompanhado pela banda Turbilhão de Ritmos, criada especialmente para o espetáculo.

André Abujamra lançou o primeiro disco com a banda Karnak, em 1995, com muita influência de world music. Em 97, lançou o disco Universo Umbigo, com participação da banda Pato Fu. O último disco com o Karnak, Abujamra lançou direto nas bancas de jornais, em 2000, Estamos Adorando Tókio.

Abujamra e Pereira se uniram novamente para uma apresentação histórica dos Mulheres Negras, em 2003. Segundo a própria dupla, depois desse show, o mais provável é que os dois fiquem mais 15 anos sem tocar juntos novamente. Os dois reforçam que o fato de não tocarem juntos, não impede uma forte amizade, “apenas tocamos em outras bandas”.

André Abujamra lançou o primeiro disco solo em 2004, O Infinito de Pé. Tanto Abujamra quanto Maurício Pereira, planejam novos lançamentos para este ano de 2007. O disco de Pereira provavelmente se chamará Pra Marte, e será um disco intimista como foi seu disco de 1998. Já Abujamra planeja um disco com o título Transformafricando.

1988 Música e Ciência

1. Orelhão
2. Método OMN para o ensino de música nas escolas
3. Sub (Yellow submarine)
4. Summertime
5. Feridas (Juntos ou não, felizes juntos)
6. 3 músicas coladas (Peter Gunn)
7. Purqua mecê
8. Eu vi
9. 19h30
10. Elza
11. Milho
12. Gambá
13. Lobos para crianças
14. Samba do avião
15. Mãoscolorida
16. Xarope, a levada
17. Sub (Remix do Grego, Silvio Muller e Pena)

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1990 Música Serve para Isso

1. Música serve para isso
2. Martim
3. Guembô
4. Só tetele
5. John
6. Só quero um xodó
7. Cabeludas
8. Etiópia mirim
9. Imbarueri
10. Judith
11. A lavadeira, o varal e a saudade
12. Monstros japoneses
13. Common uncommunicability

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1995 Karnak

1. Vinheta Árabe
2. Alma não tem cor
3. Martim parangolá
4. O mundo
5. Vim que venha
6. Comendo uva na chuva
7. Espinho na roseira (Drumonda)
8. Conversa de nenês
9. Balança a pança
10. Ai ai ai ai ai ai ai
11. Oxalá meu pai
12. Hymboraewqueyra
13. Cala a boca menina

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1995 Na Tradição

1. 1 reggae
2. Pingüim
3. Balangandans
4. Tudo por ti
5. Uma loira
5. Cantando num toró (Singing in the rain)
6. Recipiente
7. Domingo feliz
8. 4 letras
9. Estrelas
10. Compromisso
11. Canção do marinho (Cisne branco)
12. Pan y leche

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1997 Universo Umbigo

1. Universo umbigo
2. O mundo muda
3. Eu tô voando
4. Céu com pé no chão
5. Velho no metrô
6. Nome das coisas
7. Inalabama
8. Candelara
9. Num pode ser
10. Eu só quero um xodó
11. Como nascem as crianças
12. Rapaz eu vi
13. Boiadeiro

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1998 Mergulhar na Surpresa

1. Soley soley
2. Cachorra
3. Imbarueri
4. Tudo eu te dou
5. Wanda
6. Um dia útil
7. Música serve para isso
8. Tranqüilo
9. Tu
10. Ironia
11. Pan y leche
12. Mergulhar na surpresa
13. Estrelas
14. Coyote
15. Recipiente
16. Inventor brasileiro
17. Curitibana
18. Quem é quem
19. Modão de Pinheiros (Por isso é que as pessoas mudam de bairro)

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2000 Estamos Adorando Tókio

1. Vinheta
2. Abertura Russa
3. Juvenar (Versão 1)
4. Estamos adorando Tókio
5. Momuntueira
6. 3 aliens in L.A.
7. Rap 3 aliens in L.A.
8. Sosereiseuseforso
9. Iosef
10. We need nothing
11. Mediocritas
12. Zoo
13. Depois da chuva
14. Niquepomaquyde
15. Maria Inês
16. Feio bonito
17. Juvenar (Versão 2)

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2003 Canções que Um Dia Você já Assobiou Vol. 1
(& Turbilhão de Ritmos)

1. El presidente
2. Sou uma criança não entendo nada
3. Marcianita
4. Pensando nela, Pra que vou recordar o que chorei
5. Eu sonhei que tu estavas tão linda
6. Se non avessi piu te
7. Iracema
8. Meu mundo e nada mais
9. Universo no teu corpo
10. Cristina
11. Muito estranho
12. Férias na Índia
13. O homem de Nazaré
14. O amor e o poder
15. Galopeira
16. A praça

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2004 O Infinito de Pé

1. Olho azul
2. Infinito de pé
3. Nóis eh sampli
4. O dah oh
5. Essa música não existe
6. Natureza
7. Tempo
8. Atoto
9. Namburuquê
10. Palmeira do deserto
11. 70%
12. Elevador
13. Blue Rose, Senha do motim
14. Magina de Pipo
15. Curriculum

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