domingo, 26 de abril de 2015

PÉLICO E A EUFORIA CASUAL DE TODOS CASAIS

Cantor e compositor paulistano apresenta terceiro álbum com belas canções de sucessos instantâneos e populares. 



Pélico chega neste inicio de ano com um álbum maduro, coeso, de levada popular e recheado de belos timbres – daqueles específicos que lembram os anos 80.

Em um disco falando do amor, de paixão e de todas desventuras de todo e qualquer casal, Pélico apresenta amores do inicio ao fim.

O disco é pontuado por canções que evocam o verão em todas suas formas como em 'Sobrenatural', 'Ela me dá' e 'Repousar', que conta com a participação da atriz Leticia Spiller e da cantora Carú Ricardo.

Em 'Sozinhar-me' Pélico desenha um ska em dueto com Rafael Castro, fazendo uma referência a Moçambique e criando uma relação entre Salvador e Maputo. 'Você pensa que me engana' é um samba-choro de letra atual e com participação de Rodrigo Campos no cavaquinho e Marcelo Cabral no violão de sete cordas.

'Olha só' faz o reggae alegre e espirituoso repetir o clima de romance feliz e paixão sem limites para apresentar 'Escrevo' como um legítimo representante do “soul” triste e “blue”.

Com forte investida em synths e influencia oitentista, Pélico mostra canções que dão vontade de sair cantando e dançando no meio da rua como se estivesse dentro de um musical – como 'Overdose', 'O meu amor mora no Rio' e 'Euforia', que além de nomear o disco trás à tona toda luxúria e prazer do disco.

'Vaidoso' trás uma letra poderosa e sincera, que pode ser a melhor canção do álbum – o sucesso instantâneo escondido no meio do lado B. Em 'Meu amigo Zé', Pélico faz um apelo em forma de homenagem ao maestro Tom Zé com letra singela e inteligente de diversas referências ao “olho do furacão”.

O disco encerra com 'Calado', que mostra com delicadeza o final de um relacionamento, encerrando o círculo ao mesmo tempo que o recomeça. O que transforma a experiência auditiva proporcionada pelo álbum pode ser apreciada em repeat, loop, ou em ciclo.

2015 Euforia

1. Sobrenatural
2. Olha só
3. Sozinhar-me
4. Escrevo
5. Overdose
6. Você pensa que me engana
7. O meu amor mora no Rio
8. Ela me dá
9. Vaidoso
10. Euforia
11. Meu amigo Zé
12. Repousar
13. Calado
14. Euforia (versão acústica)

domingo, 19 de abril de 2015

A MUSA CALIENTE DE SEU PEREIRA

A banda paraibana 'Seu Pereira e Coletivo 401' acrescenta um tempero latino ao repertório e apresenta influências desde Moçambique ao Caribe.


A banda 'Seu Pereira e Coletivo 401' é formada por Jonathas Pereira nos vocais e guitarras, junto com Chico Correa, Thiago Sombra no baixo, Victorama na bateria e percussões, Daniel Lima no trombone e Felipe Gomes no trompete.

A banda 'Seu Pereira e Coletivo 401' apresenta um apanhado de músicas com latinidade a flor da pele no EP 'Musa Caliente'. A primeira canção é um reggae-valsa com batida leve e picante, a bela 'Tomara que suba', seguida por 'Moçambique' onde a banda expõe as influências do sul do Senegal, dando uma levada zouk ao som da banda.

Em 'Carimbó da Penha' o 'Seu Pereira' apresenta uma mistura do forró nordestino com o carimbó paraense. Encerrando com 'Preciosismo' entre a cumbia, a salsa e o samba-rock. Lá se vai mais uma pedrada da banda 'Seu Pereira e Coletivo 401'.

2015 Seu Pereira e Musa Caliente EP

1. Tomara que suba
2. Moçambique
3. Carimbó da Penha
4. Preciosismo

domingo, 12 de abril de 2015

ASSIM CAMINHAM OS COELHOS JURÁSSICOS

Banda mineira apresenta som instrumental misturando diversos gêneros, ritmos e estilos numa perspicaz parede de sonoridades.



Depois do excelente EP 'Tupi Novo Mundo', o 'Iconili' segue com a mesma proposta de misturar todos elementos possíveis num gênero único de sons inspirados em ritmos de matriz africana, brasileiros, jazz e até roquenrou. A banda cunhou a palavra 'Iconili' para nomear o grupo – baseada na expressão em italiano “i conigli”, que significa coelhos em português.

Agora, com o disco 'Piacó', o 'Iconili' continua a surpreender os ouvintes com belos arranjos para composições épicas. A banda tem André Orandi nos teclados e órgãos, Gustavo Cunha e Rafael Mandacaru nas guitarras, William Rosa no baixo, Nara Torres e Pedro de Filippis e Rafael Nunes e Wesley Lopes nas percussões e bateria, Henrique Staino no sax tenor, Lucas Freitas no sax barítono, João Machala no Trombone e Victor Magalhães no trompete.

A canção de abertura, 'Jorge Botafogo' é um belo exemplo de afrobeat tradicional com uma parede sonora de sopros em uníssono, guitarras pontuando a marcação, a cozinha coesa e rítmica e o órgão assumindo as intervenções. Modelo que o 'Iconili' segue rigorosamente em 'Frenética' e 'Odaniô', mas com o acréscimo da influência do batuque de matriz africana, também demonstrada em 'Vinheta'.

Com climão espacial jazzístico, o 'Iconili', apresenta a balada 'Vinicius', a dançante 'EP' e a faixa-título 'Piacó', em homenagem à região da Serra da Gandarela, onde existem diversas cavernas jurássicas. Em 'Gentil' e 'Preta de Tataqui', a banda expõe as referências latinas dos ritmos dançantes da guitarrada à salsa. 'Nego Preto' representa a inclusão da “soul-music” no repertório com belos ataques de metais e climáticos solos de saxofone.

'Mr. OK' encerra o álbum, com quase a duração de todo disco anterior da banda, o 'Tupi Novo Mundo', e serve como momento de conclusão épica a toda odisséia sonora do novo disco do 'Iconili'.

2015 Piacó

1. Jorge Botafogo
2. Piacó
3. Frenética
4. Vinicius
5. Gentil
6. Preta de Tataqui
7. Vinheta
8. Odaniô
9. Nego Preto
10. EP
11. Mr. OK

domingo, 5 de abril de 2015

DE COMO O CIDADÃO INSTIGADO CRIOU UMA FORTALEZA SONORA E EXTRAPOLOU OS LIMITES MUSICAIS COM UM ALBUM MELÓDICO E INCRIVELMENTE PESADO

Com álbum em homenagem a terra natal, o 'Cidadão Instigado' apresenta obra com peso diferenciado.


O 'Cidadão Instigado' representa a segunda fase da psicodelia nordestina, misturando o legítimo rock brasileiro com climas progressivos e psicodélicos, inspirado em diversas bandas internacionais clássicas.

A banda formada por Fernando Catatau, Regis Damasceno, Dustan Gallas, Rian Batista, Clayton Martins e Yuri Kalil chegam no quarto álbum, 'Fortaleza', acrescentando um ingrediente a mais na receita do rock tupiniquim progressivo e psicodélico – o peso “hard-rock” pode ser percebido com muito mais clareza que no disco anterior, 'Uhuuu!'.

São riffs poderosos e certeiros criando uma atmosfera crua, ainda permeada pelos clássicos do rock progressivo e psicodélico – tanto que o som da banda pode facilmente ser rotulado como “prog-brega”, pelo estilo dos vocais e timbres da guitarra.

'Até que enfim' are o álbum com um climão 'Pink Floyd', mas já inclui o peso das guitarras no som do 'Cidadão Instigado' definitivamente. Porque daí pra frente o peso não arrefece mais. 'Dizem que sou louco por você' trás o que a banda faz de melhor – canções sobre psicoses e manias que se tornam crônicas urbanas sob a perspectiva do matuto nordestino – esse climão é repetido na canção seguinte, 'Os viajantes'

'Perto de mim' é uma bela balada com tradição profunda dos trovadores do nordeste e apresenta um clima intimista com o violão de Catatau, o teclado de Dustan Gallas e a harmonização de Rian Batista e Regis Damasceno, no melhor estilo ópera-rock tupiniquim com direitos a efeitos, explosões e tudo mais.

'Besouros e borboletas' começa com a mesma explosão que encerra a faixa anterior, e apesar de continuar o clima, apresenta solos enérgicos e riffs entoados em uníssono, no melhor estilo hard-rock, pra não dizer heavy metal. Em 'Ficção científica', o 'Cidadão' extrapola ao criar um climax pesado e sujo psicodélico. Em 'Fortaleza', os conterrâneos da banda apresentam um mote pesado em homenagem à cidade.

'Land of light' transporta o ouvinte ao final dos anos 70 com a ópera-rock 'The Wall' e segue o percurso temporal em 'Green card', relembrando alguns dos clássicos do 'Queen' do início dos anos 80. 'Quando a máscara cai' chega arrebentando os tímpanos com um peso surpreendente para os seguidores do 'Cidadão Instigado'.

'Dudu, Vivi, Dadá' começa como um respiro após o tamanho caos da faixa anterior, mas envolve o ouvinte com tanta destreza e o transporta para mais uma pletora de distorções e grooves enfurecidos.

'Lá lá, lá lá lá lá' é o final perfeito para o disco – uma cançãozinha-pop-da-porra, para encher estádios e ser entoada em uníssono por toda a galera. Uma ode ao ato de se cantar junto... Um verdadeiro hino!!!

2015 Fortaleza

1. Até que enfim
2. Dizem que sou louco por você
3. Os viajantes
4. Perto de mim
5. Besouros e borboletas
6. Ficção científica
7. Fortaleza
8. Land of light
9. Green card
10. Quando a máscara cai
11. Dudu Vivi Dadá
12. Lá lá lá lá lá lá