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9.20.2008

DUDU MAIA E A ENTREVISTA QUE NÃO ACONTECEU

Dudu Maia é outro que fazia parte da trupe que integrava o Xalé Verde, nos idos dos anos 90. Assim como Reco do Bandolim, que antes era conhecido com Jimi Reco, mas hoje é solista no grupo Choro Livre e presidente do Clube do Choro de Brasília. Também foi ele quem inaugurou a Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello.

Pois a história do Dudu Maia como bandolinista se mistura com a história recente do Clube do Choro de Brasília. Pois o Dudu Maia estava lá nas primeiras aulas de bandolim na Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, quando ainda eram na sede do clube, que ainda não tinha sido reformado para melhorar sua acústica.

Imagine só? Vários alunos de bandolim fazendo escalas nos instrumentos, num local onda a acústica reverberante fazia cada nota ecoar por alguns segundos. Vários alunos! Vê se não dá pra deixar qualquer um maluco com esse tipo de reverbe...

Mas o Dudu Maia virou professor na mesma escola, além de ter tocado com gente como Zélia Duncan, Marco Pereira, Mart´nália e Léo Gandelman, e montado o grupo de choro AQuatro, com o qual lançou um disco tocando músicas de Luperce Miranda.

A carreira de Dudu Maia como bandolinista deslanchou rapidamente, principalmente no exterior, onde parecem dar mais valor à nossa música do que muitos daqui. O disco solo foi lançado em 2006, e no ano seguinte se apresentou em Santa Cruz na Califórnia, num simpósio de bandolinistas (Mandolin Symposium), ao lado de Hamilton Holanda, Mike Marshall, David Grisman e Danilo Brito. Ele também gravou, neste ano de 2008, um DVD com músicos de várias regiões do país, ‘Caraivana’.

Outro dia falei com o Dudu que precisávamos colocar o disco dele aqui no EuOvo. Ele concordou, e eu ainda falei pra gente fazer uma entrevista. Sabe como é, né, Dudu? Nessa correria toda eu te usei como um ‘ás na manga’. Explico. É que eu já tinha subido o arquivo do teu disco. Mas queria realmente fazer uma entrevista contigo para colocar junto com o disco. Mas essa correria toda eu me vi sem tempo de subir arquivos etc e tal. Então, coloquei seu disco no blogui sem um atrativo a mais. Mas ainda tem o disco do AQuatro, onde a gente podia encaixar uma entrevista... Não é? E também tem o lançamento do ‘Caraivana’, e a gente podia tentar corrigir essa preguiça... Né, não?

Mas mesmo com a preguiça tamanha e o tanto que fazer, eu ainda tinha que escrever uma coisa ou outra para falar do disco do Dudu Maia. Porque é um disco bastante autoral, que se preocupa em apontar um caminho de vanguarda para o bandolim brasileiro. Eu, por exemplo, não consigo parar de lembrar do Dudu guitarrista nos shows do Xalé Verde. Entre as releituras de grandes clássicos, o disco tem canções autorais como ‘Didi e Gonzaga’, ‘A hora do esturdilho’ e ‘Janinha’.

Hoje em dia o Dudu vai dar aula sobre o choro e o bandolim brasileiro no ‘Mandolin Symposium’, em Santa Cruz na Califórnia. Vê se descola uma carteirinha daquelas? Falou? Só... Podicrer...

2006 Dudu Maia

1. Upa neguinho
2. Didi e Gonzaga
3. 1 x 0
4. A hora do esturdilho
5. Disparada
6. Janinha
7. Roseira do norte
8. No tabuleiro da baiana
9. Arrebol
10. Na baixa do sapateiro
11. Lála

Abaixa aqui no Eu Ovo

10.08.2007

BANDOLETA LE PETIT PETIT COLÁ

Bandoleta é uma produção inspirada no universo infantil. Esse disco é de quem cresceu ouvindo Chico Buarque para as crianças e Vinícius de Morais para as crianças.

Não estou falando daqueles discos com sininhos e barulhinhos lúdicos que utilizam desde Mozart a Ramones para bebês. Estou me referindo ao Saltimbancos e ao Arca de Noé.

Este disco é para entreter as crianças com pequenas historietas divertidas sobre a cobrinha Joaninha, a bruxinha Cereletra, o menino Chiquinho, o palhaço Forminha, entre outras musiquinhas para os pimpolhos.

A primeira canção foi composta pelo Wava El Afiouni e tem um título sugestivo, ‘A valsinha do Adivinha e o funk do func func’. A música é realmente uma valsinha com uma letra bem inteligente, mas depois vira mesmo o ‘Funk do func func’, que conta para as crianças o que é uma alergia.

A segunda canção é do Assis Medeiros e conta a história da ‘Cobrinha Joaninha’. A letra divertida mostra uma cobrinha que gosta de dançar xaxado e comer pão com pimenta – Écááááááá!

A terceira canção é de Kaká Taciano e Márcia Regina, a ‘Bruxinha Cereletra’, e conta a história dessa bruxinha, descrevendo suas características e seus gostos.

A quarta canção foi composta por Gabriel Thomaz, para sua banda Little Quail and The Mad Birds, no final dos anos 80. Para quem não sabe, Gabriel Thomaz atualmente toca com o Autoramas. A música é um punk rock que ensina as crianças a contar até cinco, até seis e volta para o quatro. É a única música que não foi composta especialmente para o projeto.

A quinta canção é ‘Menino Chiquinho’ e também foi composta por Wava El Afiouni. A melodia é quase uma trova, e é tocada nos violões de Assis Medeiros e João Ferreira, com o backing vocal de Janá Sabino.

A sexta canção também é composta por Kaká Taciano e Márcia Regina, ‘Geresia’, e está para cantoria sertaneja com uma pitada de pop. A música conta a história de Geresia Inácia, uma violeira que tem flor no cabelo e brilho no olhar.

A sétima canção é de Assis Medeiros e João Vianney, e conta a história da ‘Borboleta’, que voa longe e viaja pelos ventos. A letra da música é um lirismo a parte.

A oitava canção é sobre o ‘Palhaço Forminha’, e foi composta também por Kaká Taciano e Márcia Regina. A história do palhaço Forminha, é contada quase numa bossa nova meio jazz.

A nona e última canção foi composta apenas por Kaká Taciano, que canta um ‘Rap rá’. Como diz o título a música é um rap meio rock com letra para as crianças. A letra conta um pouco dos bairros que a cidade Brasília tem.

Esse projeto foi totalmente produzido em Brasília. Participaram do disco músicos da cidade como Kaká Taciano, Assis Medeiros, Rodrigo Barata, Wava El Afiouni, Claudia Daibert, Janá Sabino, Rodrigo Cobrinha, e Débora Aquino e Lívia Maria no côro. A criançada também participa do disco com cantorias, gritinhos, risadas etc.

Não sei o que você sentem, mas eu quando ouço uma criança cantar eu quase choro de felicidade. Me dá uma paz incrível ouvir aquelas vozinhas cantando em côro. Eu fico feliz só de ouvir as risadas de cosquinhas e os gritinhos de alegria que elas fazem.

2006 Bandoleta

1. A valsinha do Adivinha e o funk do func func
2. Cobrinha Joaninha
3. Bruxinha Cereletra
4. 1 2 3 4
5. Menino Chiquinho
6. Geresia
7. Borboleta
8. Palhaço Forminha
9. Rap rá

http://www.4shared.com/file/27779957/e89742cd/2006_Bandoleta.html

9.28.2007

ONDE ESTÁ O MEU CONTROLE REMOTO?

Voltando ao assunto, e para completar o ciclo das bandas que nasceram em brasília e originaram umas às outras, eu coloco aqui o disco único do ‘Xalé Verde’. A formação tinha Bibi no vocal, Dudu Maia e Arapuca nas guitarras, Wava no baixo, Barata na bateria e Waguinho no teclado.

Paralelamente com as atividades do Xalé Verde, existia um grupo de amigos que tinha montado uma banda que fazia apresentações acústicas. Esses amigos eram oriundos de um grupo de teatro chamado 'Nu Trágico', e no início tiveram vários nomes, entre eles ‘Os Gambás de Luziânia’ e tinha em sua formação Ricardo Guti e Marcius Barbieri nos vocais e percussão, Lula Orione no violão e voz e Luiz Espiga na clarineta. Mas a banda acabou se chamando ‘A Tuba Antiatômica do Planalto’, depois do auxílio de Cobrinha no saxofone, Sérgio Cepa na guitarra, Wava no baixo e Barata na bateria. Enquanto isso, o grupo 'Nu Trágico' virou 'Celeiro das Antas' e hoje apresenta o conjunto 'Casa de Farinha', mas isso é uma outra história - até porque um dos integrantes do grupo também faz parte do 'Satanique Samba Trio'.

O ‘Xalé Verde’ acabou, e seus integrantes seguiram seus caminhos. O Dudu Maia esta tocando bandolim, o Wava vocês já sabem, o Barata além de participar na ‘Radio Casual’ e Toró de Palpite, tem incrementado as noites de Brasília com projeto Criolina, seja no Calaf, na TV ou na Rádio Cultura. O Waguinho também está tocando seus projetos e além de ter participado do disco do Toró de Palpite, tocou no disco do Assis Medeiros, ‘Burrodecarga’. A Bibi largou a música e está se dedicando à criação da sua filha. Já o Arapuca é jornalista e escreveu para o JB de Brasília assinando como Alexandre Guiote, mas atualmente está fazendo um doutorado em jornalismo em Barcelona. ‘A Tuba Antiatômica do Planalto’ ganhou a adesão de Bianca nos vocais e depois gravou um EP e o primeiro e único disco. Depois de muita estrada, a banda finalmente acabou. Lula Orione foi o primeiro a gravar um disco solo, que até hoje não foi lançado, e tinha uma grande parceria com Luiz Espiga, que está morando no exterior. O Lula divide a carreira musical com a de psicólogo esportivo, e atualmente esta mais dedicado à psicologia,onde é conhecido como Luis Orione. Marcius Barbieri hoje em dia está mais ligado na direção e montegem de cinema e o Guti gravou o disco com a ‘Radio Casual’, junto com o Sérgio Cepa, Wava e Barata, e também com o Cobrinha, que editou e mixou toda a parada. O Cepa atualmente está tocando guitarra e programações com 'O Grande Barco', que mistura música de resgate com elementos eletrônicos, repente e poesia. O Cobrinha tem o estúdio Casulo em Brasília, que antes se chamava Útero, bem na época dos discos da ‘Tuba Antiatômica do Planalto’, e ele só não gravou o ‘Xalé Verde’ e ‘Os Cachorros das Cachorras’ porque ainda não tinha equipamento, e porque ainda tinha a esperança de se disciplinar e entrar para uma banda, participar dos ensaios, das sessões de fotos, e até chegar no horário dos shows. Ao que parece, tudo começou nos ‘Os Cachorros das Cachorras’, que se não influenciaram toda essa galera, pelos menos, abriram a picada para todas essas outras bandas com estilo passarem. Porque Brasília não se resume apenas a 'Legião pós-punk-new-wave-eu-quero-ser-Morrisey Urbana', nem 'Capital não-sabia-cantar Inicial' e 'Plebe nunca-fomos-tão-os-mesmos-que-antes Rude'.

1998 Xalé Verde

1. Introdução
2. Microbi-us de luz
3. Matérias em arte
4. Cristalinaguá
5. Clareou
6. Jaboticabeira radioativa
7. Horizonte reto ou circular
8. Tripé
9. Porte velho
10. Murmúrios de um rei
11. Aqui jazz

http://www.mediafire.com/?3hnytkw6gys

2000 A Tuba Antiatômica do Planalto (EP)

1. Controle remoto
2. Macaco
3. A-tor
4. Música de desenho animado
5. Cu com acento
6. O som

http://www.mediafire.com/?djbemxtttsl

2003 A Tuba Antiatômica do Planalto

1. Frevo
2. A bala
3. A-tor
4. Esperança no vermelho
5. Música de desenho animado
6. Cu com acento
7. Macaco
8. Moura
9. Controle remoto
10. Flower power
11. O som
12. Cu do avesso

http://www.mediafire.com/?5wxfczvypbv

9.10.2007

O ENGENHOSO FILDALGO DOM WAVA EL AFIOUNI

Fui no tororó, beber água e não achei, achei foi o Toró de Palpite quebrado tudo com a ’fofúria das marimbas, dos djambés, dos atabaques, das moringas, dos bongôs da fonte-de-água-molhada.

Quer saber o que é o som do Toró de Palpite? Eu também! Mas só posso dizer que as músicas são chiclete nos ouvidos e também pela ’fofúria dos arranjos, harmonias e das melodias zoonóicas.

Putaqueopariu, Wava! Que puta sonzásso ficou o disco. Você e o Cobrinha piraram na batatinha hein? Na hora da masterização. Eu até quero um pouquinho desse aí, viu?

Aquela velha história de experimentar, gravar um CD, levar no som do carro, ouvir também no som da casa, no DVD do vizinho, e até largar nas pickups do Barata, lá lounge no Calaf. Daqui a pouco vocês vão estar gravando os bumbos da batera, no assoalho do banco traseiro de algum carro.

Ficou sério esse negócio de subir os graves e encorpar o som. E que experimentação doida? Você usaram até mesmo som de construção. Isso quase virou ‘música descontrolada’...

Para quem não sabe, o Toró de Palpite é formado pelo Wava El Afiouni no baixo e voz, Rodrigo Barata na bateria, Claudia Dalbert no vocal e congas, e João Ferreira no violão e guitarra. Mas daí também participaram do disco vários músicos da cidade, como Assis Medeiros (da postagem anterior), Dudu Maia, Wagner Galvão, Cacai Nunes, entre outros, e até o Esdras Nogueira, que toca saxofone nos Móveis Coloniais de Acaju.

O que que é isso? Tem até um samba pro Bin Laden! E que tecladinho mais Pink Floyd esse do Waguinho hein? Pra quem não sabe também... O Wava, o Barata, o Dudu e o Waguinho tocavam juntos no Xalé Verde. Essa banda de Brasília, lançou um único disco em 1999 e acabou acabando devagar, divagando... Mas a banda gerou outras bandas, que também já acabaram, mas que também já geraram outras bandas. Uma delas é o Toró de Palpite.

A capa do disco tem desenhos do Mateus Dutra e arte gráfica do Tiago Pezão. A produção musical e masterização ficou mesmo a cargo do Cobrinha. Putaqueopariu Cobrinha? Ficou bom demais essa masterização! Daqui pra frente é só arrumar o bumbo automobilístico.

E essa história do SuperWava, hein? Que doidêra? Quero um também... Mas eu gostei mesmo da musiquinha do Looney Toones ao fundo. Isso foi no apê do Cobrinha? È porque esse som me remete à infância e as belas manhãs de moleque vendo esses desenhos na TV, e o Cobrinha não combina com o período da manhã.

Mas daí eu me lembrei que hoje em dia existe TV a cabo e que poderia muito bem ser durante a noite, que é o horário natural do Cobrinha. E um tema recorrente do disco é o mar, a água, líquidos etc.

Daí, estavamos todos de frente para a praia, e as ondas lambiam deliciosamente as areias já escaldadas pelo intenso sol. O fim de tarde era reluzente e brilhante, pintando o céu de cores vivas e incandescentes, que fosforeciam com a menor incidência de luz. No fundo da aquarela salgada, jaziam pepitas de marfim revestidas em ornamentos lúdicos, que remetiam aos seres longíguos do fundo do mar.

Entre águas profundas e impenetráveis, nos depararmos com translúcidas e transparentes, e cheias de luz, que chegavam a refletir seu interior. Algumas jaziam imóveis e flutuantes, enquanto outras nadavam livremente num balé néon e lusco-fusco. Faziam círculos entre as outras e giravam por toda parte em busca de melhor iluminação. As que jaziam imóveis, flutuavam piscando, piscando, piscando, e piscando, e naquela imensidão, imersidão, onde nem mesmo os afogados penetravam, refletiam a sinfonia marítima de Poseidon.

Eram seres longíguos do fundo do mar, ou não... Eram o sim, ou o não... Vai ver teríamos onda errada, uma auto-indução-alucinação... Mas eu tomei um pedacinho igual aos seus...

Por isso mesmo é que todo mundo deve baixar esse som! Tem que baixar esse som! Vixê Maria! Se não baixar? Vai perder um sonzão... Vai que é somdubão!

2007 Toró de Palpite

1. Ô social
2. Afofúria
3. Peixe
4. Pangaré
5. Angico vermelho
6. Deveras neios
7. Minina
8. Jaboticabeira radioativa
9. Sambobim
10. Zé
11. Zôonóias
12. Zôonóias II
13. O retorno da nokuda
14. Faixa 14 (Bônus... ou não)