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5.30.2016

A CANTORA, O GUITARRISTA E O SAXOFONISTA

Banda com Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França lança terceiro álbum e desponta no cenário internacional.


O 'Metá Metá' é pura força do candomblé! Uma noite no terreiro! As performances ao vivo são de força e energia. Neste terceiro álbum a banda captura em estúdio a potência sonora das apoteóticas apresentações.

Dessa vez o 'Metá Metá' brinca com a escala da música árabe, influência da turnê marroquinha, que levou a banda a tocar na capital Rabat. Intitulado 'MM3', o novo disco potencializa a agressividade alcançada pela banda nas performances e canaliza tudo nas nove faixas.

'Três amigos' abre o álbum preconizando as três partes da 'Metá Metá' – Juçara Marçal no vocal, Kiko Dinucci na guitarra e Thiago França no saxofone – hoje os três recebem auxílio de Sergio Machado na bateria e Marcelo Cabral no baixo. Todos juntos fizeram os arranjos do novo álbum.

'Angoulême' trás a primeira parceria do trio, composta especialmente para este disco. Com forte pegada punk-rock a canção ainda trás experimentação sonora e vocal de Juçara Marçal – que iniciou a carreira no grupo vocal e agora pode ser considerada uma das maiores cantoras brasileiras da atualidade. 

'Imagem e amor' é mais uma parceria de Kiko com Rodrigo Campos, que inicia delicadamente e logo se transforma em uma tensa experiência. “A imagem do amor não é pra qualquer um. Fere os olhos desleais, impele os imortais”, revela a letra. Onde a voz de Juçara ecoa através dos cânticos comuns na cultura popular árabe.

'Mano légua' é uma das mais lindas e brutas canções de todos os tempos – com o saxofone complementando o riff da guitarra enquanto contrapõe os vocais. Parceria de Juçara com Dinucci. 'Angolana' é mais uma parceria do trio e representa a canção mais popular do disco. A melodia dobrada pelo sax e vocal deixa à guitarra a função de criar uma linha narrativa e ao baixo a criação do clima de faroeste. Bonito solo apoteótico do França.

'Corpo vão' é mais uma parceria da cantora, do guitarrista e saxofonista. Como sempre, os vocais cumprem a função instrumental como um dos pontos de um triângulo equilátero, que se reforça na participação das cordas e sopros. 'Osanyin' evoca o senhor das folhas, que no candomblé é Ossain – o que era pra ser uma canção delicada vai se tornando pesada e criando clima até se encerrar suavemente.

'Toque certeiro' é uma parceria entre Siba e Kiko Dinucci e mostra nitidamente as influências africanas do cantor pernambucano e a veia sambista do compositor paulistano. Toda essa mistura para criar uma mistura entre o ritmo tradicional de Mali, o afrobeat da Nigéria com o samba brasileiro. A perfeita sincronia entre os vértices deste triângulo impressionam e impregnam os sentidos de quem percebe além do hermetismo.

'Obá Koso' quer dizer “Rei Koso” em iorubá e representa a lenda do menino rei. Uma bela canção representante do Candomblé Ketu. Com esse sentimento o 'Metá Metá' encerra o álbum mais pesado de sua carreira. Oxalá venham muitos outros pesados, leves, tortos ou mais tortos... Axé!

2016 MM3

1. Três amigos
2. Angoulême
3. Imagem e amor
4. Mano Légua
5. Angolana
6. Corpo vão
7. Osanyin
8. Toque certeiro
9. Obá Koso

11.15.2015

JUÇARA MARÇAL É A MAIOR CANTORA DO BRASIL ATUAL

A cantora paulitana Juçara Marçal se une ao experimentalismo de Cadu Tenório, Kiko Dinucci e Thomas Harres.  


Como se não bastasse ter apresentado o melhor álbum do ano, 'Encarnado', a cantora Juçara Marçal lançou junto com a banda 'Metá Metá', o EP com duas faixas inéditas e uma regravação da banda punk de São Paulo, 'As Mercenárias'.

Com o guitarrista Kiko Dinucci, que é parceiro da cantora na banda 'Metá Metá, Juçara lançou o álbum 'Abismu', também com a participação do bateirista Thomas Harres. Esse disco é recheado de experimentalismos e ruídos perturbantes.

Já com o produtor musical e músico experimental carioca, Cadu Tenório, a cantora lançou o álbum 'Anganga', no qual os dois apresentam reinterpretações contemporâneas de cânticos recolhidos por Aires da Mata Machado Filho, de São João da Chapada, Diamantina (MG). Além de também mostrarem cantos do congado mineiro.

'Anganga' quer dizer “reverência aos mais velhos”. Os 'Cantos' presentes no álbum foram gravados no álbum 'Canto dos Escravos' de Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca da Portela.

'Anganga' é um álbum mais melódico que o petardo 'Abismu' – mas ambos mostram a versatilidade da cantora Juçara Marçal que com três lançamentos se firma com uma das maiores vozes da atualidade.

2015 Angangá (+ Cadu Tenório)

1. Eká
2. Canto II
3. Grande Anganga Muquixe
4. Canto III
5. Canto VI
6. Canto VII
7. Taio
8. Candombe – Ia cacundê iauê


2015 Abismu (+ Thomas Harres + Kiko Dinucci)


1. Abismu

8.16.2015

CAMBACO É VICENTE BARRETO, É TAMBÉM PASSO TORTO E É METÁ METÁ

Compositor baiano lança álbum cheio de parcerias com a turma paulistana, que inclui Rodrigo Campos e Thiago França.  


Vicente Barreto é antigo parceiro de Alceu Valença e também outros artistas, mas é mais comumente conhecido como co-autor de 'Morena Tropicana'. Pois foi recentemente que ele lançou o álbum 'Cambaco'.

Com produção de Marcelo Cabral, 'Cambaco' tem composições fortes com diversas parcerias de Vicente; com Rômulo Fróes em 'Tataravô' e 'Chororô', com Kiko Dinucci em 'É tipo de conversa' e 'Sabiás', com Rodrigo Campos em 'Karina' e 'Jardim Japão, com Manu Maltez em 'Cambaco' e 'Preço do amanhecer' que abrem e encerram o disco.

Um álbum de ranger os dentes que representa o encontro do 'Passo Torto' com o 'Metá Metá', Isto é, Marcelo Cabral no baixo e Rodrigo Campos na guitarra com Sergio Machado na bateria, Thiago França no saxofone e flauta e a participação especial de Juçara Marçal cantando em duas faixas – a faixa-título que abre o disco e 'Herança', feita por Vicente em parceria com Rafa Barreto, o próprio filho, a quem ele dedica este álbum.

O fato é que o som rasgante dos novos vanguardistas paulistanos faz bem ao estilo vocal de Vicente Barreto meio Gil Scott-Heron, Coehn, Waits etc. A combinação entre o ruído programado com o cantar quase declamatório é estilosa e elegante. Com certeza é um disco importante no cenário atual.

2015 Cambaco

1. Cambaco
2. Karina
3. É tipo de conversa
4. Tataravô
5. Boró
6. Sabiás
7. Batendo sabão
8. Herança
9. Jardim Japão
10. Chororô
11. Preço do amanhecer

5.24.2015

SOZINHO EU NUNCA ESTIVE SÓ, SOZINHO TODO MAL É PÓ

Banda paulistana segue instigando os ouvintes ao universo das matrizes africanas e ao culto ao afro-ascendente.


O 'Metá Metá' ataca novamente com um EP enxuto e coerente com a linha evolutiva apresentada pela banda até agora.

Formado pelo trio em excelência, Kiko Dinucci nos vocais, violão e guitarra, Juçara Marçal nos vocais e Thiago França nos sopros, eles contam com o auxílio de Sergio Machado na bateria e Marcelo Cabral no baixo.

Esse EP é uma prévia do que vem por aí, no próximo álbum da banda e apresenta três canções que são pedras aos ouvidos. 'Atotô' abre o EP com a saudação a Omulu de Kiko Dinucci, que havia sido gravada anteriormente no álbum 'Padê' de Juçara Marçal com o próprio Dinucci – esse álbum pode ser considerado como um dos pontos de origem para o próprio 'Metá Metá'.

Depois vem o cover pós-punk d'As Mercenárias', 'Me perco nesse tempo', de autoria de Edgard Scandurra. Se você ouvisse separadamente essa única faixa, jamais pensaria que estaria ouvindo o 'Metá Metá'. Rola até um sax sinistro do "espetacular charangueiro" França. 

Para encerrar o assunto, 'Sozinho' é um legítimo samba de Douglas Germano, com aquelas síncopes tão características do mesmo autor do hino máximo da banda, a canção 'Obá Iná'. Nessa canção o 'Metá Metá' se apresenta com a formação acústica do primeiro álbum.

Que venha o disco cheio então! Axé!

2015 Metá Metá EP

1. Atotô
2. Me perco nesse tempo
3. Sozinho



3.02.2014

OKOLOFÉ ÍYÁ JUÇARA MARÇAL ODOYÁ ou QUERO MORRER NA AMÉRICA DO SUL

Cantora paulistana apresenta a voz como instrumento no primeiro disco solo após quase vinte anos de carreira.


A cantora Juçara Marçal começou a carreira com o grupo vocal 'Vésper', com o qual gravou quatro álbuns. Depois integrou 'A Barca', onde gravou mais dois discos, para seguir em parceria com Kiko Dinucci, 'Padê', até formar o trio 'Metá Metá', com a adição do saxofone de Thiago França.

Quase vinte anos depois, Juçara lança o primeiro disco solo, 'Encarnado', que reflete sobre a morte em diversas formas de experiências. Com arranjos enxutos pela rabeca de Thomas Rohrer, o saxofone e o piano de bolso do Thiago França, a guitarra de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, que também toca cavaquinho, e a voz incrível de uma das maiores cantoras da atualidade funcionando como mais um instrumento.

Tudo começa com 'Velho amarelo', canção de Rodrigo Campos, que evoca a morte inevitável com os versos de “quero morrer na América do Sul”. Em 'Damião' de Douglas Germano e Everaldo Silva, Juçara apresenta a sugestão do velho ditado de quem bateu também leva, seguida pela romântica parceria entre Romulo Fróes e Alice Coutinho, 'Queimando a língua' e depois 'Pena mais que perfeita', composta por Gui Amabis e Regis Damasceno. 'Odoyá' é uma saudação à mãe Yemanjá de autoria da própria cantora.

'Ciranda do aborto', composta por Kiko Dinucci, é uma desconcertante e violenta canção sobre o tema do título. Nenhum ouvinte é capaz de passar incólume após escutar os fortes versos da canção, unidos ao arranjo tenso e pungente, que culminam num explícito catarse caótico. 'Canção para ninar Oxum', de autoria de Douglas Germano, propõe uma melodia singela, que contrapõe com a dureza da faixa anterior.

A seguir, Juçara apresenta clássicos de dois grandes nomes da música brasileira, Itamar Assumpção e Tom Zé, em 'E o Quico?' e 'Não tenha ódio no verão', respectivamente. Em 'A velha da capa preta', de Siba Veloso, ela apresenta uma representação popular da morte como ceifador sinistro. 'Presente de casamento' é uma parceria entre Thiago França e Romulo Fróes.

O final dá-se com o duelo da voz de Juçara com o cavaquinho de Rodrigo Campos na canção de Kiko Dinucci, 'João Carranca'. 'Encarnado' é um disco forte e opressor, que vai te levar mais fundo e além da experiência pós-vida. O álbum é um renascimento sustentado pela voz suave e encorpada de Juçara.

2014 Encarnado

1. Velho amarelo
2. Damião
3. Queimando a língua
4. Pena mais que perfeita
5. Odoyá
6. Ciranda do aborto
7. Canção para ninar Oxum
8. E o Quico?
9. Não tenha ódio no verão
10. A velha da capa preta
11. Presente de casamento
12. João Carranca

11.11.2012

NEM TODO SOM É RETO, NEM O ARRANJO REGULAR

O Metá Metá virou 'MetaL MetaL' - ainda com Kiko Dinucci no violão e agora assumindo de vez a eletricidade da guitarra, Juçara Marçal com a voz e Thiago França no saxofone, flautas e efeitos, mas também com adição de Marcelo Cabral no baixo, Sergio Machado na bateria e Samba Sam na percussão.

Com essa formação, a banda já tocava ao vivo desde o final do ano passado e foi com ela que gravou, praticamente ao vivo, o segundo álbum, 'MetaL MetaL'. Algumas releituras de canções de discos como o 'Padê' de Juçara Marçal e 'Pastiche Nagô' do Bando AfroMacarrônico. Todas canções ficaram muito pesadas - quiçá por causa do uso dos efeitos na guitarra e nos sopros e pelo inserção do baixo, bateria e percussão - com uma pegada afro-punk-rock-heavy-metal-pedrada-na-orelha.

O disco abre com 'Exu', um tambor de mina Nagô, do Maranhão - de domínio público - seguido por 'Oya', parceria de Kiko Dinucci com Dougas Germano, canção da época do Bando AfroMacarrônico (do qual Germano também fez parte), que tem um final catártico e apoteótico, pra não dizer cataclísmico. Depois vem a bela regravação de 'São Jorge', que funciona como a derradeira atualização da canção composta por Kiko Dinucci, seguida por outra faixa de domínio público, a cantiga de candomblé para Oxum, 'Man feriman', com um saxofone atômico entoado por Thiago França (from Sapartaaaaaaa!).

'Rainha das cabeças' é mais uma com a co-autoria de Douglas Germano - que também foi regravada - desta vez com a guitarra endiabrada de Kiko Dinucci. 'Cobra rasteira' é uma doce melodia, com poesia única sobre os caminhos curvos, turvos e sinuosos, num dueto suave entre Juçara, Kiko e o sopro de Thiago servindo de contrapondo. 'Logun' é mais uma faixa dedicada aos orixás, que é um afrobeat pesadão com um riff poderoso, pontuado pela guitarra e sax-tenor.

Não foi só Kiko Dinucci que aderiu aos efeitos com sua utilização da guitarra, Thiago França também passou a usar os efeitos com o uso do EWI. Em 'Orunmila' (outra parceria com Germano) o som dos sopros cheios de efeitos abre a canção seguido pelo solo de guitarra, deixando a faixa poderosa e suja. "Palavra de Ifá"!!! 'Tristeza não' - composta por Alice Ruiz e Itamar Assumpção - já vinha sendo tocada nos shows e encerrou o disco com uma delicadeza ímpar.

'MetaL MetaL' é um álbum para se ouvir várias vezes, seguidas vezes, às vezes…. Ouvir 'MetaL MetaL' é complementar a porção mentaL de cada um! Quer ouvir 'MetaL MetaL'? Baixa já!

2012 MetaL MetaL

1. Exu
2. Oya
3. São Jorge
4. Man Feriman
5. Rainha das cabeças
6. Cobra rasteira
7. Logun
8. Orunmila
9. Tristeza não

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5.22.2011

A ESSÊNCIA DO TRIO DINUCCI, MARÇAL E FRANÇA

O novo disco do Kiko Dinucci, ‘Metá Metá’, em parceria com Juçara Marçal e Thiago frança, é uma das gratas surpresas do ano.

O álbum abre com ‘Vale do Jucá’, música de Sibá Veloso, que enche os ouvidos com uma formação enxuta, da voz de Juçara, violão de Dinucci e sax do Thiago. O disco todo foi gravado nessa formação enxuta de voz, violão, sax e flauta, eventualmente – como em ‘Umbigada’ – mas ainda assim com algumas participações especiais.

‘Papel sulfite’ a voz de Juçara faz um duelo com o sax de Thiago, com o violão ao fundo. Em ‘Trovoa’, Dinucci transforma a composição de Maurício Pereira em quase um chorinho-blues, a canção só tem flauta, voz e volão.

A canção ‘Samuel’, que Dinucci compôs em parceria com Rodrigo Campos, que também participou da gravação. A partir dessa faixa, ‘Vias de fato’, o trio passa a ser acompanhado de Samba Ossalê na percussão e Sérgio Machado na bateria. ‘Oranian’ tem uma levada selvagem e um solo de sopro-atômico.

A música seguinte continua a pancada e leva o incauto ouvinte ao terreiro qualquer de ‘Obá Iná’. Em ‘Obatalá’ – bela composição de Dinucci – o trio volta ao formato enxuto e faz uma delicada gravação, com ótimos momentos de improviso de saxofone, bela impostação de voz de Juçara e o violão sempre marcante de Dinucci.

O disco encerra com ‘Ora iêiê o’, que traz um sensacional arranjo para o ponto de Oxum da casa de Fanti-Ashanti.

2011 Metá Metá – Kiko Dinucci + Juçara Marçal + Thiago França

1. Vale do Jucá
2. Umbigada
3. Papel sulfite
4. Trovoa
5. Samuel
6. Vias de fato
7. Oranian
8. Obá Iná
9. Obatalá
10. Ora iê iê o

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