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5.15.2011

ALMA BOA DE QUALQUER LUGAR

Carlos Careqa é um desses artistas que são diamantes brutos, digo, ao lapidados, só para buscar uma metáfora bem confortável para todos. Digo isso porque o Careqa é daqueles artistas que muita gente não conhece, mas que é só ouvir alguma de suas canções para começar a assobiar a melodia.

E quem conhece o Careqa, sabe que ele é um dos grandes compositores da música brasileira. Ele é um artista que não busca o óbvio, sempre procurando inovar. O disco ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’, está sendo lançado, oficialmente, nesse final de semana, no Teatro Sesc Ipiranga, em São Paulo. No show, Careqa é acompanhado pela atriz Letícia Sabatela e pelo piano de Paulo Braga.

Nesse disco, ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’, Careqa se mostra acompanhado apenas por violão. É um disco sublime, gravado apenas com voz e violão, e as participações especiais de gente como Chico Buarque, Arrigo Barnabé, Gabriel Levy, Ana Friedman e o já mencionado Paulo Braga.

Minha Música - Chico Buarque from carloscareqa on Vimeo.

Pode-se dizer que o álbum é quase uma sequência não planejada do disco anterior, o exelente ‘Tudo que Respira quer Comer’ de 2009, até porque o Careqa não se repete jamais, mesmo sabendo que igual é legal. No disco anterior, de 2008, ele cantou em português grandes clássicos do norte-americano Tom Waits, no álbum ‘À Espera do Tom’. Músicas em inglês como ‘All the world is green’, ‘Chocolate Jesus’ e ‘Jersey girl’, viraram nas mães de Careqa ‘E tudo fica azul’, ‘Guaraná Jesus’ e ‘Garota de Guarulhos’, respectivamente.

Antes disso, Careqa havia homenageado o David Byrne – quem sabe pelo cantor do Talking Heads ter incluído uma bela faixa do disco de estréia de Careqa na coletânia gringa de música brasileira ‘Beleza Tropical’ – quando misturou ‘Psycho killer’ (da seminal banda de Byrne) com ‘Saudosa maloca’ de Adoniran Barbosa, e as transformou em ‘Psycho maloca’ do disco ‘Pelo Público’ de 2007, que também tem parceria com o cantor brega Falcão em ‘Agora é pra foder’.

O EP gravado ao vivo durante apresentação de Carlos Careqa com a banda ‘Maxixe Machine’, na ‘Grande Garagem que Grava’ em 2005, com repertório todo em portunhol. O álbum ‘Não sou Filho de Ninguém’, que Careqa gravou em 2004, começou a tradição de grandes participações especiais nos discos de estúdio, como Chico Cesar em ‘Menos de doer mais de doar’, e de outros músicos como Jards Macalé e Zeca Baleiro.

‘Música para Final de Século’, do final da década de 90, foi eleito por Byrne, como melhor disco de música brasileira do ano de 1998. Tinha mesmo grandes canções, que até hoje ainda fazem parte do repertório dos shows de Careqa, como ‘Ser igual é legal’, ‘Chorando em 2001’ e ‘Eclipse em meia-lua’.

A estréia aconteceu em 1993, com o disco ‘Os Homens são Todos Iguais’, que tinha a canção que Byrne incluiu na coletânia gringa, ‘Acho’, e um bem humorado hino de amor à cidade de Curitiba (onde Careqa foi educado), ‘Não dê pipoca ao turista’.

No show de lançamento do disco mais recente – ainda dá tempo de você ver o espetáculo de domingo – ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’ , Careqa apresenta outra inovação, dessa vez em matéria de marketing. Ele lançou um projeto na internet – pelo site catarse (que permite aos usuários apoiarem qualquer projeto existente).

Eu já apoiei... E você está esperando o quê?


2011 Alma Boa de Lugar Nenhum

1. Estou cheio de arte (com Ana Friedman)
2. Sucessão de fracassos (com Tiago Costa)
3. Minha música (com Chico Buarque)
4. Alma boa de lugar nenhum (com Paulo Braga)
5. Balada da dependência sexual (com Andre Mehmari)
6. O rolo do rolex (com Gabriel Levy)
7. Simplesmente
8. Todo cuidado é pouco (com Arrigo Barnabé)
9. Meu pequeno rádio
10. Terno de damas
11. Costura pra dentro
12. Samba do budista (com Karin Fernandes e Chico Melo)

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2009 Tudo que Respira quer Comer

1. Tudo que respira quer comer
2. 28 (Vinte e oito) (com Mônica Salmaso)
3. Isso passará (com Tatiana Parra)
4. Fantasias (com Fernando Vieira e Camilo Carrara)
5. Qué que cê qué (com Maria Alcina)
6. Brasileiro (com Marcelo Pretto)
7. Cida (com Skowa)
8. Vacamor (com Zé Rodrix)
9. Por quê? (com Toninho Ferragutti)
10. Canção de ninar para uma madrugada insone
11. Feltro no ferro (com Juliana Perdigão e Gabriel Levy)
12. Mal desnecessário
13. A volta triunfal (com Guello)
14. Às vezes (com Raul de Souza)

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2008 À Espera de Tom

1. E tudo fica azul (All the word is green)
2. Eu e meu cachorro louco (Rain dogs)
3. Garota de Guarulhos (Jersey girl)
4. Guaraná Jesus (Chocolate Jesus)
5. Num trem de metrô (Downtown train)
6. Inocente quando sonha (Innocent when you dream)
7. Boa noite Matilda (Tom Traubert´s blues)
8. Tempo time (Time)
9. Tentação (Temptation)
10. Pro meu rubi (Ruby’s army)
11. Soldado até o fim (Soldier´s things)
12. Não baixe a cabeça assim (Hang down your head)
13. Não quero crescer (I don´t wanna grow up)
14. Qualquer lugar que eu me encostar (Anywhere I lay my head)

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2007 Pelo Público

1. Agora é pra foder (com Falcão)
2. Arraso profundo
3. Agora eu só quero
4. Olhos de star
5. Os cinco lados da mulher
6. Tetraplégico de amar
7. Espinha de bacalhau
8. Eremita urbano
9. Porque é que você faz isso
10. Feiura é fundamental
11. Vou falar com o Pitanguy
12. Ser solteiro
13. Samba a bile
14. O resto é o pó
15. Psycho maloca

2005 Nosotros que Somos nós Mesmos (& Maxixe Machine)

1. Duela a quien duela
2. Ba
nquete em Medelín
3. Recuerdos de Mypicaporay
4. Nena
5. Cacaca em el Titicaca

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2004 Não Sou Filho de Ninguém

1. Não sou filho de ninguém
2. Menos de doer mais de doar (com Chico César)
3. Êh! São Paulo
4. Achado
5. Pai postiço (com Jards Macalé)
6. Frente é verso
7. Issi
8. Isto
9. Meu querido Santo Antônio
10. Língua de babel
11. O louva Deus
12. Eu beijo sim
13. Salomé só
14. Não é gente não

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1998 Música para Final de Século

1. Ser igual é legal
2. Chorando em 2001
3. No caminho para Santiago
4.Música para final de século
5. Manhattan tan tan
6. Eclipse em meia-lua
7. Cortei o dedo
8. São solidão
9. Temporal
11. Feliz amor
12. A cor de Nova York
13. Não pise nos meus Carlos
14. Vou sair

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1993 Os Homens são Todos Iguais

1. Não dê pipoca ao turista
2. Acho
3. Os homens são todos iguais
4. Subway
5. A última quimera de Sebastião Antônio Pereira
6. Couto anual
7. Não dê pipoca ao turista II
8. Alles Plastik
9. Tá na cara que é
10. Deus não pensa
11. Cidade
12. O outro lado

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9.20.2009

A IGREJA DA MÚSICA UNIVERSAL DE CARLOS CAREQA

O próprio Carlos Careqa avisa que não se importa com o download gratuito de seus discos na internet. Pois o trabalho dele é compor e apresentar a música. “Quando um disco meu aparece para download, eu fico feliz, pois tem alguém que acha importante colocar o disco ali”, lembra ele.

Depois de um disco sensacional, ‘A Espera de Tom’, no qual interpreta versões em português para canções de Tom Waits, Careqa lançou um disco no início deste ano, ‘Tudo que Respira quer Comer’. O álbum tem participações do trombonista Raul de Souza e do acordeon de Toninho Ferragutti, entre outros. As canções são composições do próprio Careqa, algumas em parceria, e alternam entre o lirismo e estranheza, como visto na canção ‘28’ com participação de Mônica Salmaso.

O amor entre o homem e uma vaca é o tema de ‘Vacamor’, cantada em parceria com um dos precursores do rock rural, Zé Rodrix, que morreu neste ano, e que possivelmente deve ter gravado última participação em disco neste disco do Careqa. A letra da canção ‘Cida’ mostra a força da poesia de Careqa e apresenta uma melodia funk e pop com participação do sumido Skowa. Enquanto a canção ‘Qué que cê qué’ trás uma bem humorada discussão entre Careqa e Maria Alcina.

O disco tem momentos inspirados, como a canção composta em parceria com Itamar Assumpção, ‘Mal desnecessário’. Em cada faixa há uma surpresa, seja nos arranjos de ‘Brasileiro’, na bela homenagem a Mario Quintana em ‘Isso passará’ ou no clima de ‘Feltro no ferro’. Um disco sublime e delicado que cativa o ouvinte com a sutileza das melodias e arranjos. Fica a certeza de um artista comprometido com a inovação da música, através de composições inteligentes e instigantes.

Assisti um show do Careqa, do disco ‘A Espera de Tom’. No meio do espetáculo, ele interage com a platéia e vende seus CDs de uma forma que nunca vi na vida. NO GRITO! Empunhando um megafone, Careqa incorpora um pregador religioso e suplica, ou ordena, aos fiéis que comprem seus CDs, enquanto a banda toca ‘Guaraná Jesus’. Pois se a salvação depende disso... Enfim, uma igreja que pretendo freqüentar...



2009 Tudo que Respira quer Comer

1. Tudo que respira quer comer
2. 28 (Vinte e oito), com Mônica Salmaso
3. Isso passará, com Tatiana Parra
4. Fantasias, com Fernando Vieira e Camilo Carrara
5. Qué que cê qué, com Maria Alcina
6. Brasileiro, com Marcelo Pretto
7. Cida, com Skowa
8. Vacamor, com Zé Rodrix
9. Por quê?, com Toninho Ferragutti
10. Canção de ninar para uma madrugada insone
11. Feltro no ferro, com Juliana Perdigão e Gabriel Levy
12. Mal desnecessário
13. A volta triunfal, com Guello
14. Às vezes, com Raul de Souza

Abaixar a parte 1
Abaixar a parte 2

12.21.2008

O OUTRO TOM DO CAREQA

Carlos Careqa é compositor radicado em São Paulo, e suas canções possuem letras inteligentes e melodias simples com boas sacadas.

Como é o caso de ‘Psycho maloca’ onde ele mistura ‘Psycho killer’ de David Byrne, com ‘Saudosa maloca’ de Adoniram Barbosa. Essa música está no disco, ‘Pelo Público’, lançado em 2007. Ou também, como é o caso da canção ‘Acho’, que fez muito sucesso na época de seu lançamento, e chegou a figurar em uma coletânia de canções brasileiras, organizada pelo mesmo Byrne. Essa faixa está em seu disco de estréia.

Pois, em seu mais novo lançamento, ‘À Espera de Tom’, Careqa não faz uma homenagem ao Jobim, ou aos 50 anos de bossa nova. Também não remete à alguma nota musical, escala ou afinação. O ‘Tom’ do título vem de uma das figuras mais bizarras e estranhas da música pop, Tom Waits, que tem discografia cheia de canções que falam da solidão noturna.

Carlos Careqa, em seu novo disco, consegue incorporar o espírito de Waits e também impor um estilo autoral. As canções permitem o ouvinte entender o sentido dos arranjos aliados às letras beatniks do cantor norte-americano. Que tal ouvirmos o próprio Careqa falar sobre o álbum?

Eu Ovo: De onde veio a idéia de cantar Tom Waits em português?

Carlos Careqa: Comecei cantando Tom Waits em português ainda em Curitiba em 1990.
Em 1999, o Sesc Consolação em São Paulo pediu para eu homenagear alguém do mundo pop, e eu escolhi Tom Waits. Fiz um show com 12 músicas, todas em inglês, e somente uma em português, a canção ‘Time’. Depois repetindo o show percebi que a platéia ficava boiando, em alguns casos, pois as letras têm um conteúdo muito específico. Então decidi trabalhar nas versões.

EO: Como aconteceu a tradução da poesia de Waits para o português?

CC: Eu respeitei a poesia original. Fiz uma tradução literal em alguns casos, noutras eu adaptei para uma situação parecida.

EO: E porque ‘Chocolate Jesus’ virou ‘Guaraná Jesus’?

CC: Bem neste caso, a situação é a quase a mesma. ‘Chocolate Jesus’, como o Tom Waits explica, é um chocolate que é distribuído para as crianças na páscoa, se não me engano. Eu quis fazer do guaraná Jesus, a mesma figura do chocolate.

EO: Então você também já conhecia o famoso refrigerante do maranhão?

CC: Quanto ao guaraná Jesus, claro que conhecia, muito porque sou amigo do Zeca Baleiro e do Celso Borges, dois maranhenses que vivem aqui em São Paulo. Daí achei uma ponte para fazer a versão, já que o assunto era o mesmo e remetia a mesma metáfora com Jesus, o Homem.

EO: E quanto aos arranjos? Quanto você foi fiel aos originais?

CC: Eu me inspirei muito nos originais e fiz algumas adaptações com os músicos da banda. O espírito dos arranjos é o mesmo, pois acho que o Tom Waits compõe pensando nisso.

EO: Como aconteceu a escolha do repertório? Entre as canções de Tom Waits...

CC: Eu fui buscando aquelas que eu mais gostava. E também pensando no público, pois pouca gente conhecia o Tom Waits aqui no Brasil. Agora muita gente acabou pegando carona e está também cantando o repertório dele. Mas quando eu cantava as pessoas nem sabiam quem era Tom Waits. Isso lá em 1990.

EO: Pode-se dizer que ‘Rain Dogs’ é seu álbum favorito do Tom Waits? Por causa da maioria de canções desse álbum...

CC: Sim e não. Este é o álbum mais conhecido Tom Waits mundialmente falando. Eu teria outras canções para colocar no disco, mas optei em prestigiar também a audiência!

EO: Podemos esperar um segundo volume de ‘À Espera de Tom’? Quem sabe como um ‘Tom Chegou’...

CC: Por enquanto não. Só se o Tom Waits participar... Hehehhehe... Quem sabe ele ainda não escuta este tributo que fiz para ele.

EO: Como você vê todos esses downloads de música na internet?

CC: Eu acho bom. Não me queixo não. Só acho que o compositor faz o seu trabalho, ou seja compõe, estuda, grava. O restante é com as outras pessoas, não me pertence mais. Não acho que isto seja um trabalho do músico. É o mesmo raciocínio que tenho para vídeo clipe. Eu não vou produzir um clipe para alimentar a MTV. Se alguém quiser fazer e produzir, eu vou achar ótimo, mas a minha função enquanto músico é compor e apresentar a música. Portanto quando um disco meu aparece para download, eu fico feliz, pois tem alguém que acha importante colocar o disco ali. Mas este não é o meu trabalho.

EO: Obrigado pela atenção e sucesso com seu trabalho!

CC: Obrigado você pelo espaço, e bom ano de 2009.

2008 À Espera de Tom

1. E tudo fica azul (All the word is green)
2. Eu e meu cachorro louco (Rain dogs)
3. Garota de Guarulhos (Jersey girl)
4. Guaraná Jesus (Chocolate Jesus)
5. Num trem de metrô (Downtown train)
6. Inocente quando sonha (Innocent when you dream)
7. Boa noite Matilda (Tom Traubert´s blues)
8. Tempo time (Time)
9. Tentação (Temptation)
10. Pro meu rubi (Ruby’s army)
11. Soldado até o fim (Soldier´s things)
12. Não baixe a cabeça assim (Hang down your head)
13. Não quero crescer (I don´t wanna grow up)
14. Qualquer lugar que eu me encostar (Anywhere I lay my head)

Abaixa aqui no Eu Ovo

Se você quiser ouvir as versões do Tom Waits escute abaixo nesse player. As faixas esrtão na mesma ordem do disco do Careqa.