sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

TRIO MUNTCHAKO DÁ GOLPE MORTAL DUPLO CARPADO PRA TRÁS

Trio brasiliense apresenta mistura frenética de ritmos entre o analógico e eletrônico em um passeio por diversos estilos musicais. 



O trio formado por Samuel Mota nas guitarras, teclados e synths, programações e samples; Rodrigo Barata nas baterias e samples e Macaxeira Acioli nas percussões e samples faz uma mistura inusitada de diversos estilos e ritmos.

O “Muntchako” apresenta seu novo álbum homônimo, lançado em formato digital e em vinil com produção de Curumin e pós-produção de Zé Nigro – e arte da capa de Shiko. A sonzeira inicia com “Golpe”, com participação especial de Curumin no MPC. Esta canção foi escolhida para receber um clipe relembrando os seriados japoneses que tanto fizeram a cabeça de toda uma geração.

“Soc pow tum” segue na temática seriados da infância e começa com um balanço gooveado para encerrar num candomblé futurista roquenrou. O “Muntchako” é assim. Nenhuma canção jamais encerra no mesmo ritmo que começou. Essa quebradeira dá um sabor especial às apresentações ao vivo do trio.

“Emojubá” tem participação especial de Dillo Daraujo nos synths adicionais e é mais um belo exemplo de como funciona a dinâmica das canções da banda – que sempre iniciam em determinado pitch e encerram em rotação acelerada. “Loló” é um reggae meio adubado que funciona como um interlúdio para o que vem na sequência.

“Coqueirinho verde” é um ska com um pé na salsa e conta com participação de Zé Nigro no baixo. A canção encerra num frenesi salseiro. Seguida por “Cardume de volume”, uma pedrada de responsa que mistura o funk carioca com o tango argentino e conta com participação de Deise Tigrona nos vocais.

“Vitamina Central” é o nome de uma lanchonete famosa na cidade Brasília, do Distrito Federal, que vende vitaminas de frutas e salgadinhos de queijo. Neste álbum é a canção com mais misturas por metro quadrado, são quase oito minutos de pura loucura – quase reprisando o próprio cardápio da lanchonete famosa.

Com um álbum enxuto e muito bem produzido, o trio de Brasília chega para arrasar o mercado fonográfico com sua mistura frenética de ritmos e estilos. Vida longa ao “Muntchako”.

2017 Muntchako
 
1. Golpe
2. Soc pow tum
3. Emojubá
4. Loló
5. Coqueirinho Verde
6. Cardume de Volume
7. Vitamina Central

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A ESPIRAL DO SAMBA DO CRIOLO

O novo álbum do rapper Criolo tem o samba como peça principal de exposição da crônica cotidiana urbana e periférica.



Desde o segundo álbum de sua carreira, o rapper Criolo apresenta um samba diferente e especial que relata o cotidiano urbano das favelas que conhece.

No primeiro álbum “Ainda Há Tempo”, o rapper ainda via o rep com exclusividade e não tinha a produção especialíssima de Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral – que produziram também a regravação do primeiro álbum, onde o rapper modifica trechos preconceituosos de suas antigas canções.

No segundo álbum, “Nó Na Orelha”, o rapper apresentou “Linha de frente”, que relata de forma irônica uma boca de fumo cheia de figurinhas inusitadas. No terceiro álbum, “Convoque Seu Buda”, o samba da vez foi “Fermento pra massa”, onde uma bela crônica urbana e social ao relatar o cotidiano de um morador do subúrbio que enfrenta uma greve de transporte com muito bom humor.

Pois era quase certo que o cantor apresentasse um álbum só de samba. Nada mais justo que o rep ser o salvador da verdadeira música brasileira. Nas mãos do rapper/ cantor/ compositor Criolo está é uma verdade cada vez mais próxima da realidade. Com letras pungentes que ferem ao ser proferidas, Criolo apresenta sua crônica social sobre temas atuais da situação brasileira.

“Lá vem você” abre o álbum de forma alegre e espontânea, como uma verdadeira roda de samba de subúrbio. Seria esta a versão “Garota de Ipanema” do Criolo? “Dilúvio de solidão” tem versos característicos do rapper como “nostalgia é guarda-chuva” e “para-raio é o pobre violão” ou “cachaça é água que acaba com o caboclo”.

“Menino mimado” foi o ponto de partida do álbum e tem destino certo. Uma crônica sobre a situação política em vias de golpe de estado que o país vivia. Não é preciso se esforçar muito para saber a quem se destina a letra da canção. “Língua ferina” foi incluída no álbum como bônus na versão deluxe. Um samba maravilhoso para ser cantado em uníssono na roda de samba.

“Nas águas” é um ponto de umbanda. Axé! Outra canção para ser entoada em uníssono com as baianas do baianá.  “A filha do Maneco” é um choro maravilhoso, composta em parceria de Criolo com Ricardo Rabelo e Jeferson Santiago.

A canção que dá título ao álbum, “Espiral de Ilusão”, é uma ode anti-machista, que fala sobre mágoas de amor. Com muita propriedade o cantor reflete que “mulheres amam, homens não sei o quê”. Onde ele encerra “por favor não me liga e não me procure mais tarde”.

“Calçada” é um lindo samba de roda e “Boca fofa” é um samba de gafieira. “Hora da decisão” é outra bela crônica do cotidiano da favela composta por Criolo em parceria com Ricardo Rabelo e Dito Silva. A canção reflete a situação vivida pelos moradores do subúrbio. “Penalidade não é loteria”, ressalta Criolo.

 “4 da manhã” é outro bônus que só faz parte da versão deluxe. Outra crônica de um morador periférico que segue na correria diária. “Cria da favela” leva o samba de volta ao alto astral e encerra o disco pra cima com um samba rasgado e divertido.

O disco tem produção de Ganjaman e Cabral e participações de Ricardo Rabelo no cavaquinho, Gian Correa no violão de 7 cordas, Ed no trombone, Fernando Bastos nos saxofones, Mauricio Badê e Guto Bocão e Alemão nas percussões e com as Clarianas (Martinha Soares, Malgana Lima e Maruna Costa) no coral feminino.

Destaque especial para a arte maravilhosa da capa do disco feita por Elifas Andreato – uma obra de arte.

2017 Espiral de Ilusão
                                  
1. Lá Vem Você
2. Dilúvio de Solidão
3. Menino Mimado
4. Língua Felina
5. Nas Águas
6. Filha do Maneco
7. Espiral de Ilusão
8. Calçada
9. Boca Fofa
10. Hora da Decisão
11. 4 da Manhã
12. Cria de Favela

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A TRAJETÓRIA DO HERÓI QUE TAMBÉM VAI PASSAR

César Lacerda recém lançou um disco cheio de delicadezas e pequenas pérolas em forma de várias belas canções.



As canções do cantor mineiro César Lacerda tocam fundo na alma porque carregam suas dores e curas de forma que o ouvinte receba a melodia e decifre os significados.

Após um ano especial com o álbum em parceria com o cantor Rômulo Fróes, o ótimo “O Meu Nome é Qualquer Um”, César Lacerda veio com uma fórmula não fórmula do que na verdade queria alcançar. Como ele mesmo afirmou, “eu queria alcançar mais público”.

Todo artista tem essa intenção. De ser mais escutado, vender mais shows, tocar mais almas. “Tenho a sensação de que a minha música tem aptidão pra chegar em mais gente”, afirma ele. Por isso seu novo álbum, “Tudo Tudo Tudo Tudo” carrega todo tipo de força melódica. “Eu queria seguir fazendo a música que é minha, que tem a minha assinatura, mas queria expandir assuntos, musicalidades”, ressalta.

Para alcançar este objetivo, o compositor juntou-se ao diretor artístico Marcos Preto e criou um disco que não seguisse nenhuma expectativa. Um álbum que fosse delicado e enérgico ao mesmo tempo. Com até um cover improvável que soasse tão inesperado quanto mostarda em um biscoito de chocolate recheado.

O Novo álbum abre de forma singela e delicada em “Isso também vai passar” revelando uma visão transformadora de um futuro próximo. Na sequência, “Quando alguém”, outra melodia tranquila e confortante com participação especial de Maria Gadu nos vocais e assobios de Flavio Tris e estalos de dedos de Fernando Rischbieter.

O cover inesperado da canção da Pitty, “Me adora”, trouxe uma interpretação delicada para uma canção energética. Luisa Birina no violão de 7 cordas, Maria Beraldo no clarinete estão presentes na canção “O marrom da sua cor”, um sambinha maroto, malemolente e suingado que faz qualquer doente do pé balançar e marcar o ritmo no mesmo passo.

“Porque você mora assim tão longe?”, mostra um compositor preocupado em criar um ambiente onírico e espetacular, capaz de transportar o ouvinte ao seu próprio universo particular. A canção tem Thais Morais no violino e Filipe Massumi no violoncello e arranjos de cordas do próprio Lacerda.

“O fim da linha” tem o solo de flugelgorn  de Nahor Gomes. “Por um segundo”, fruto de uma parceria entre Lacerda e Rômulo Fróes, tem os músicos Elisio Freitas, Vitor Cabral, Rafa Castro e o próprio César – pois é esse time que toca em todas as faixas do álbum.

O disco segue para o encerramento com “Sei lá mil coisas” e “O homem nu”, duas baladinhas leves e dançantes, seguidas por “Percebi seus olhos em mim” com Cesar desnudando-se em piano e voz – pois são dele todas as canções do álbum.

2017 Tudo Tudo Tudo Tudo

1. Isso também vai passar
2. Quando alguém
3. Me adora
4. O marrom da sua cor
5. Porque você mora assim tão longe
6. O fim da linha
7. Por um segundo
8. Sei lá mil coisas
9. O homem nu
10. Percebi seus olhos em mim


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