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11.24.2016

PROCURO UMA RIMA DE ASPIRINAS PARA O REFRÃO

O cantor, compositor e guitarrista Dillo Daraújo apresenta seu disco mais pop, recheado de diversas referências culturais.


Dillo Daraújo fez um álbum rico e singelo que fala de novelas mas também faz uma crítica voraz às redes sociais. Pra quem não tinha perfil no twitter, Dillo mostra-se ainda mais mordaz que no disco anterior. Mas também sobraram crônicas sobre a vida a dois, sobre estilos musicais e até relações profissionais.

Nesse disco, Dillo vira o personagem que intitula o álbum, mas que surgiu antes lá no 'Jacaretaguá' de 2012. Onde esse mesmo personagem mergulhou nos temas propostos lá naquele período e que se repetem evoluídos neste novo petardo.

Se em 2012 você ouvia 'Plano marmita', agora em 2016 temos 'Home sweet rua', que evolui nas rimas ferozes de um robô efêmero lá da Guariroba. 'Sessão do descarrego' continua em 'Jesus Krishna' com a pegada de hit garagem com a “calça arrochadinha” e “topete de galinha” etc e tal.

Agora em 2016, Dillo chega maduro e experiente e já com filha adolescente, pra quem ele dedicou o sucesso de novela 'Mamãe mamãe', baseada em uma discussão escolar sobre o futuro que é projetado a todas meninas de 13 anos em diante. Com letra feminista Dillo abre o microfone para o próprio feminismo interior.

O tempero latino sensual sempre esteve presente na obra de Dillo e neste disco não poderia ser diferente como a suave 'Dois a dois', a acelerada 'O som do sal' e a poética 'Amor de ficar' onde o cantor cunha a expressão de “rima de aspirina pro refrão” com sua verve poética cada vez mais em evidência.

'Pena que se acaba' trouxe a concretização de uma parceria bem sucedida com o Roberto Frejat na guitarra, que até foi relatada em tom profético na canção 'Fica para o próximo disco', onde Dillo e o o guitarrista angolano Nuno Mindelis apresentam diversas desilusões e desencontros profissionais.

Em 'Só que não', Dillo apresenta uma crítica social poderosa em duplo-sentido. Ao usar a sigla SQN do mêmê 'Só que não' nas redes sociais e intitular a canção que critica as redes sociais de 'Só que não'; ele cria um paradoxo interessante. Uma curiosidade, SQN também é um endereço em Brasília... [os comentários estão abertos para outras teorias interessantes].

'Tempo tido' abre o disco com uma delicadeza que não tem precedente em qualquer outra parte do álbum. Uma obra que reserva ao ouvinte o prazer de conhecer diversas facetas do personagem Dillo, que vai desde o rock ao bolero em questão de minutos... Vai lá então!

2016 Dillo

1. Tempo tido
2. Jesus Krishna
3. Mamãe mamãe
4. Amor de ficar
5. Só que não
6. Dor a dois
7. O som do sal
8. Fica para o próximo disco
9. Home sweet rua
10. Pena que se acaba

7.01.2012

A GUITARRA DIABÓLICA DE DILLO DARAUJO ou FRITO, O QUE TU FEZ? COM O MP3?

‘Jacaretaguá’ é um álbum de guitarrista. O terceiro de Dillo Daraujo, que toca praticamente todos instrumentos, desde a já citada guitarra, violão, baixo, acordeon, teclados, mpc, talk-box, kaos-pad e ainda leva alguma percussão em algumas faixas, sem falar nos efeitos, scratchs e na cantoria.

É um disco que desvela uma narrativa psicológica, revelando sonhos, delírios e visões. O próprio artista admite que “existe um fio condutor entre as faixas guiado pelo medo e desesperança até chegar à retomada, desaguando em ritmos, pulsos e terminando com ar de contentamento”.

O disco abre com ‘Antena de Bombril’, uma bela canção para estádios gigantes, com um final apoteótico de uma guitarra psicótica. Na sequência Dillo apresenta uma verve pop com as canções, ‘Grito na garrafa’ e ‘Novo sol’, com letra cheia de referências pop e poesia concreta, respectivamente.

As letras de Dillo versam sobre temas cotidianos e mencionam referências atuais, como twitter, coca-cola, pay-per-view e FMI. Isso sem falar nas citações, que vão desde, “ctrl+z”, “O diabo veste Prada” e “Time is on my side” dos Rolling Stones. Cada canção conta sua história e tem suas linhas melódicas muito bem definidas, como várias tramas em pedaços, que juntas formam uma única peça.

‘W Kilombola’ versa contra a globalização e o capitalismo desenfreado, além de iniciar uma suíte que se estende por ‘Em cruz ilhada’, parceria com o jornalista José Carlos Vieira, uma canção de levantar o pó das estradas, e é encerrada por ‘Jabazinho’, um verdadeiro hino “rockenrou” contra a prática ilegal do “jabá” de algumas rádios comerciais. “Frito o que você fez com a MPB”, grita o cantor.

‘Jacaretaguá’ pode ser um disco de guitarrista, mas tem uma mistura muito eclética de diferentes influências guitarrísticas como Jeff Beck, Ernest Ranglin, Mestre Vieira, Richie Blackmore, entre outros. O título do álbum faz uma alusão à Baixada de Jacarepaguá, com a cidade-satélite Taguatinga, do Distrito Federal, ‘Jacaretaguá’.

Há um momento de respirar na faixa instrumental que dá nome ao disco, um groove afrobeat contagiante. ‘Pesadelo master’ foi composta em parceria com outro músico brasiliense, César de Paula. Com um começo empolgante, quase discoteca, a letra se torna amarga para descrever o casamento, num encerramento climático com solo de blues.

Algumas participações especiais pontuam o álbum, como Túlio Lima na bateria, com Vinicius Correa assumindo as baquetas em uma das faixas, Igor Cabral e Dido Mariano no baixo, Richelmy Oliveira na percussão, Marcos Valadares no saxofone, Paulo Verissimo na voz e fazendo côro junto com Thais Fread e Paulo Ério. Gravado no estúdio Orbis por Igor Cabral, Felipe Araujo e Pedro Tavares. Mixado por Marcos Pagani. Com arte de Tiago Pezão.

Em ‘Plano marmita’, Dillo usa toda acidez para divisar classes sociais num apartheid social do Planalto Central, com um rock pesadão de riff pegajoso, tem ‘Baião da Penha’ do Gonzagão como música incidental. ‘Sessão de descarrego’ confirma que as tradições nordestinas estão sempre presentes na Capital da República.

Mesmo sendo uma obra enxuta, o álbum ‘Jacaretaguá’ é um disco de camadas de sons. As canções são pontuadas por momentos e climas sobrepostos, quase como uma subdivisão em cada faixa. A narrativa que permeia o disco pode ser percebida como referência à diversos clássicos contemporâneos.

‘Tupi Guaraná’ é outro rock característico de Dillo, que encerra a obra com otimismo e boas intenções, estampadas na letra “e digo adeus se acaso for embora, vou sorrindo agora até quando eu voltar”.

‘Jacaretaguá’ é um disco que expõe o amadurecimento de um artista, como guitarrista, compositor, arranjador e produtor. Um veículo para o dedilhado diabólico de Dillo Daraujo.

2012 Jacaretaguá

1. Antena de Bombril
2. Grito na garrafa
4. W Kilombola
5. Em cruz ilhada
6. Jabázinho
7. Jacaretaguá
8. Pesadelo máster
9. Plano marmita
10. Sessão do descarrego
11. Tupi Guaraná

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