“A face do meu canto é a neura existencial, o conteúdo do cotidiano, o dia-a-dia da vida – A eletrônica está substituindo o coração – A inspiração passou a depender do transistor. O poeta de aço, de poesia programada. É demais para o meu sentimento...”Arnaud Rodrigues foi o herói comediante que não teve tempo de fugir da fatalidade que foi sua morte, num naufrágio na noite de terça-feira de carnaval, do dia 16 de fevereiro de 2010. Nascido em Serra Talhada (PE) no ano de 1942, foi cantor, comediante, compositor e autor.
Foi roteirista do programa do Chico Anysio, ‘Chico City’, e foi lá que junto com Anysio criou uma homenagem aos baianos recém exilados, Caetano e Gil, e aos Novos Baianos, com ‘Baiano e os Novos Caetanos’. Nessa dupla, Chico Anysio, era o Baiano, e Arnaud fazia o Paulinho.
“A morte, a falta de sorte. Eu tô vivo... Tá sabendo? Vivo sem norte, vivo sem sorte... Eu vivo! Eu vivo, Paulinho... Aí a gente encontra um cabra na rua e pergunta: Tudo bem? Ele diz pra gente: Tudo bem! Não é um barato, Paulinho? É um barato...”
Gravou o primeiro disco sob influência do som da Pilantragem, representado na época por Wilson Simonal, o álbum ‘Sound & Pyla’. Depois veio ‘Murituri’, que já trazia uma certa psicodelia nordestina. Esse disco tinha participação de grandes feras da música brasileira. Nos sopros gente como Márcio Montarroyos, Léo Gandelman e Paulinho do Trumpete. Nos teclados tinha Zé Roberto Pastrane, do ‘Azymuth’. Nos vocais femininos, o disco contava com Jane Duboc, Rosana e o Trio Ternura.
Também fez a primeira trilha sonora exclusiva para uma novela na televisão, ‘Tilim’. “Eu sabia na época que quando os americanos iam lançar um filme, lançavam seis meses antes um LP com a trilha. De modo que quando o filme saía, as músicas já faziam sucesso. Então quando as pessoas iam ver o filme, não era nem por conta do filme e sim pelas músicas. Foi assim que pensei: ‘Por que não fazer um negócio desses aqui também?’”.
Arnaud ainda colaborou com a trilha sonora de dois filmes dos Trapalhões, em 1984 n‘Os Trapalhões e o Mágico de Oróz’ e n’A Filha dos Trapalhões’. Em ambos os filmes, Arnaud compôs a trilha, adaptou o argumento e participou como ator, criando pelo menos um personagem querido pelo público, o ‘Soró’ do filme baseado n’O Mágico de Oz’. Enquanto o filme ‘A Filha dos Trapalhões’ foi baseado n’O Garoto’ de Charlie Chaplin.
Também fez novelas e programas humorísticos na televisão. Sempre encarnou o nordestino quieto e tranqüilo e como quem não queria nada... Fazia rir com muita simplicidade. Ultimamente morava em Palmas, capital do Tocantins. Nem Deus sabe porque? Mas ele mesmo explica como quem não quer nada...
“Uma vez eu vim fazer uns shows aqui e quando desci do aeroporto e entrei num táxi, a primeira coisa que eu vi foi um pé de pequi com duas rolinhas num galho. Me lembrei imediatamente do Pajeú e pensei: ‘É aqui que eu vou ficar!’. Aí fui ficando e terminei ficando por aqui mesmo.”
1970 Sound & Pyla

1. Turma do pô, yeah
2. Tema de Cristina
3. Sound & pyla
4. Um tanto emocionado
5. À espera de um beijo teu
6. Projeto Appolo (minha canção é um jornal)
7. Reginella
8. Mônica
9. O que ficou
10. Big mama
11. Esse mundo é nosso
12. Tributo ao sonoplasta
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1970 Tilim (Trilha Sonora)

1. Tilim
2. Lot
3. Rúas
4. Imaxinación
5. Lady fingers
6. Seven seas symphony
7. Mamá Adriana
8. Tema de Victor
9. Brincando de brincar
10. Cris e Raul
11. Tema de Anita
12. Eu, tilim
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1974 Murituri
1. Nêga
2. Esse é eu
3. Na praia de Boa Viagem
4. Chegou da Bahia
5. Conscachá, fimará (magnífico)
6. Murituri
7. Antonio Nepomuceno
8. Sociedade de consumo
9. Tá
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1974 Compacto

1. Folia de reis
2. Urubu tá com raiva do boi
3. Ciranda
4. Véio Zuza
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1974 Baiano e os Novos Caetanos

1. Vô batê pa tu
2. Nêga
3. Cidadão da mata
4. Urubu tá com raiva do boi
5. Aldeia
6. Ciranda
7. Folia de reis
8. Véio Zuza
9. Selva de feras
10. Tributo ao regional
11. Dendalei
12. Entardecer na fazenda (bônus track)
13. Hino do Vitória (bônus track)
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1975 Azambuja & Cia (com Chico Anysio)

1. Nega brechó
2. Ao bililico
3. Tema de Azambuja
4. Monólogo nº 1
5. Maristela
6. O poste da rua Jorge de Lima
7. Verde
8. A turma
9. Monólogo nº 2
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1975 Baiano e os Novos Caetanos 2

1. Perereca
2. Ameriqueiro
3 Forró
4. Sete luas
5. Entardecer na fazenda
6. Yo no quiero saber
7. Três macaquinhos
8. Ciranda
9. Apocalipse
10. Violamania
11. Samba-choro
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1976 Som do Paulinho

1. Som do Paulinho
2. Rock de Minas Gerais
3. O dia que o diabo roubou o bar do português
4. Em cima daquele morro
5. Sete de setenta e oito
6. Índio do Uruguai
7. Teté das lendas rurais
8. Mercado São José
9. Negro pescador
10. Gaivota humana
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1979 Redescobrimento

1. Redescobrimento
2. História infantil
3. A volta de Lampião
4. Melô do U
5. Clima batuqueiro
6. Oasis
7. Banda dos desejos
8. Cigano real
9. Grilo
10. Embolada
11. Só penso em você
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1982 A Volta (com Baiano e os Novos Caetanos)

1. Buchada
2. Painho
3. Pindorama
4. Mexendo com as menina
5. Beija-fulo
6. Fauna
7. Só pá dá um toque
8. Caminhoneiro
9. Casamento do sapo
10. Arriscando um jejum
11. Forrofofó
12. Vida caipira
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1984 Os Trapalhões e o Mágico de Oróz

1. Os animais (Os Trapalhões)
2. Os carcarás (Tony Tornado)
3. Cachorro magro (Os Trapalhões)
4. Conseguimos (Os Trapalhões)
5. Estradão (Didi, Arnaud & José Dumont)
6. Retirada (Didi, Arnaud Rodrigues & José Dumont)
7. A multiplicação dos frutos (Jessé)
8. Centro da cidade (João Fernando)
9. Frevo na chuva
10. Cântico mágico
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1985 Sudamérica (com Baiano e os Novos Caetanos)

1. Na boca do povo
2. Forró do Zé Mane
3. Cego é quem não quer ver
4. Pica-pau
5. Festa do algodão
6. Sudamérica
7. Dance people
8. O brasileiro
9. Catira caipira
10. Tanto fez e tanto faz
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1989 Arnaud Rodrigues

1. Sete fôlegos
2. Imagine John Lennon
3. Vingança do menino da porteira
4. Escravos de hoje
5. Índio do Uruguai
6. Acorda Brasil
7. Noites de Vila Bela
8. Passarinho amigo
9. Tudo é carnaval
10. O Bahia ganhou
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*Parte das aspas do Arnaud, contidas nesta resenha, foram tiradas de uma entrevista feita por Jarmeson de Lima para a revista Coquetel Molotov (nº5).






