domingo, 21 de setembro de 2014

ENQUANTO HOUVER SOPRO EM QUALQUER CANTO

Trompetista acredita que a auto-produção e promoção é a verdadeira ferramenta do artista em meio às mudanças do novo mercado musical.  


Leandro Joaquim é o trompetista de bandas como 'Abayomy', 'Paraphernália' e da banda de apoio de Jards Macalé – sem falar que foi um dos fundadores da banda 'Sobrado 112', junto com Zé Vito e Claudio Fantinato, que também o acompanham nas levadas afrobeat.

“O Sobrado 112 foi nosso celeiro de idéias e laboratório de produção e criação por muito tempo. A demanda era grande, a banda gravou três discos em três anos. remamos muito juntos, mas demos muita cabeçada também”, declara Leandro. Para ele, a banda encerrou as atividades pela preservação das amizades – tanto que todos tocam juntos na 'Abayomy'.

Leandro lançou o primeiro álbum solo, 'Sobre as Cores e o Nosso Tempo', com produção de Ricardo Dias Gomes – que toca baixo e piano com o 'Do Amor' e com a banda 'Cê', de Caetano Veloso. “Como eles já tocam a muito tempo com o Caetano e tem uma linguagem de banda bem definida e uma pegada seriamente roquenrou, o Ricardinho chamou o Pedro Sá e Marcelo Callado pra fazer as primeiras bases”, conclui.

A gravações aconteceram no 'Audio Rebel', com um equipamento das antigas e fitas de duas polegadas. “Tudo isso pra trazer o amalgama do som que foi gravado ao vivo, em sua grande maioria. Refiz apenas vozes e sopros. A base valeu sempre o melhor take ao vivo”, afirma Leandro.

O álbum abre com 'Jóias e gestos' – “um blues de protesto que fiz pra uma vizinha. A letra traça um paralelo entre os diversos equívocos de comportamento que nossa sociedade moderna desfila, e a zona que era aquela casa! Cru, o synth é sujo, na bateria usamos apenas os mics “over all”. Amps de baixo e guita na mesma sala da batera. Pintou também uma surdina wha-wha no trompete que quase parece uma gaita”, comenta Leandro.

Sobre 'Pero que si, pero que no', Leandro confirma que compôs “esse Ska no tempo do Sobrado e tocávamos na abertura do show, porem em ritmo de tango! (rs) Marlon Sette e Ze Carlos Bigorna fizeram trombone e sax tenor comigo. Gustavo Benjão fez guitarra pica-pau. Ficou Skatalites total!curti muito o resultado, e ainda tem um feedback da máquina de fita no inicio que dá uma onda “Jamaica Studio One””.

'Em suma, na real, de fato' Leandro trouxe de volta o pessoal do 'Sobrado 112'. “Convidei os caras do 'Sobrado' pra fazer uma releitura dessa musica que tocávamos mas nunca gravamos. Legal notar a influencia afrobeat já constando, mesmo antes de fundarmos a 'Abayomy Orquestra'.

'Sobre as cores e o nosso tempo', “era uma bossa nova que fala de amor e paisagem, porém foi desconstruída e virou uma sinfonia de ruídos e passarinhos cibernéticos, sem samba, sem violão. Os efeitos e ficaram por conta do Duplexx, Leo Monteiro e o Rodrigo Bartolo. O desfecho da sinfonia se dá com um solo de flugelhorn estilo Chet Baker e o Bartolo fazendo uma guitarra (no melhor estilo Lafayette) Roberto Carlos. Tem um synth subwoofer do Ricardo Dias Gomes, que chega a ser desconfortável de tão sub!! Acrescentamos uma certa acidez e estranheza naquela paisagem bossa-novística”.

'Tanto quando o encanto' é a balada do álbum. “Essa valsa minimalista tem uma certa influência erudita. Usei piano fender rodhes e a Joana Queiroz gravou o clarinete, que passeia lindamente ao redor da letra que fala de amor, jardim, flor, colibri e girassol”, comenta Leandro.

Em 'Fofafifo's blues', Leandro apresenta as participações de Alberto Continentino no baixo acústico, Stephane San Juan na bateria, Ricardo Dias Gomes no rhodes e Rodrigo Munhoz no sax tenor. “É um blues estilo “boogaloo”, meio funkeado, meio jazzy”, confirma ele.

'Daqui pra frente é só relaxo' continua a tradição “sobradiana” de modificar canções pré-concebidas em certo estilo para uma coisa completamente diferente. “Era chorinho, mas virou dubwise puro”, ressalta Leandro. 'Faça algo por você' trás a participação de B. Negão nos vocais. “É uma crítica contundente e levante contra a manipulação feita pelo sistema através dos veículos de propaganda”, afirma ele.

O álbum se encerra com 'Dona de castelo' de autoria de Jards Macalé e Waly Salomão, com participação de Joana Queiroz no clarone em contraponto com o baixo de Ricardo Dias Gomes. “O próprio Jards sugeriu que eu gravasse uma de suas baladas em versão instrumental e eu escolhi a mais dificil!!! (rsrsrsrs)”, encerra Leandro.

Pela própria auto-produção e promoção, Leandro lança este álbum com propriedade de quem já é veterano. Apresentando um punhado de belas canções embaladas num produto de extremo bom gosto.

O fato é que este disco é uma das grandes surpresas do ano e com certeza um dos grandes lançamentos atuais.

2014 Sobre as Cores e o Nosso Tempo

1. Jóias e gestos
2. Pero que si, pero que no
3. Em suma, na real, de fato
4. Sobre as cores e o nosso tempo
5. Tanto quando o encanto
6. Fofafifo's blues
7. Daqui pra frente é só relaxo
8. Faça algo por você (& B.Negão)
9. Dona do castelo

Um comentário:

Vanessa Silva disse...

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