5.03.2026

MARKU ARISTOPORINDÉ ANTONIO PACUTIGABÊ RIBAS IAÔ

 

 Marku Ribas é um dos grandes artistas do país, que deixou sua marca inconfundível no cancioneiro popular brasileiro.


Talvez um dos mais subestimados cantores e compositores brasileiras seja o grande Marku Ribas, mineiro de Pirapora, descendente de uma mistura do negro africano com indígena brasileira, o jovem começou a tocar bateria em conjuntos de baile no início da carreira.

No final da década de 60 o artista se mudou pra São Paulo com o colega Déo e juntos lançaram o álbum Déo & Marco, na intenção de serem a nova sensação do rock nacional. O álbum não fez sucesso, mas rendeu à dupla uma participação no Festival Internacional da Canção (FIC), com a música ‘Canto certo’, que incomodou os militares na época e resultou na prisão ao cantor. Anos depois, a mesma canção seria gravada por Alcione com novo título, ‘Alerta geral’. 

Depois da prisão, Marku se exilou em Paris, onde trabalhou tocando percussão com artistas como Hugues Aufray numa versão francesa para ‘Maracangalha’; e Frida Boccara com a versão francesa para ‘Disparada’ de Geraldo Vandré, chamada ‘Taureau’. 

Nessa época Marku também criou o grupo ‘Batuki’, no qual deu início a seu estilo que mistura soul, jazz, batuque e ritmos africanos. Com esse grupo ‘Batuki’, Marku participou do filme ‘Quatre Nuits d’un Reveur’ de Robert Bresson. O grupo também realizou algumas gravações, que jamais foram lançadas na época, mas que fizeram parte de um lançamento anos mais tarde, ‘Marku 50’. 

Depois da temporada em Paris, Marku foi para Martinica, onde gravou com o grupo de rock caribenho ‘Liquid Rock’, o álbum ‘Hit Parade’. Nesse período expandiu seus horizontes e conheceu o reggae e as figuras centrais do gênero como Bob Marley e os ‘Waillers’. 

No retorno ao Brasil, Marku lançou seu primeiro álbum, que ficou conhecido pelo nome da gravadora, ‘Underground’. Logo depois seguiu a carreira com álbuns solo e inúmeras participações como percussionista em álbuns de outros artistas. Tanto era requisitado pelo estilo singular, que Marku gravou percussão corporal e vocal no álbum dos ‘Rolling Stones’, ‘Dirty Work’, mais precisamente na faixa ‘Back to zero’. 

O cantor também gravou percussão em discos de artistas como Chico Buarque, Nara Leão, Emilio Santiago, Jair Rodrigues, Alcione, Tim Maia, Erasmo Carlos, Wagner Tiso, Sebastião Tapajós, Mauricio Einhorn, Décio Marques e também de novos artistas como Curumin, Marcelo D2, Ed Motta, Lucas Avelar, Adriano Campagnani, Rubinho Vale, entre outros. 

Na década de 2000, o cantor participou do álbum de estréia do ‘Clube do Balanço’ que revitalizou o samba-rock junto com o ‘Funk como le Gusta’ do produtor BiD, que quando produzia o projeto ‘Bambas & Biritas Vol 1’, convidou Marku para participar com uma canção. 

E quando a diretora de cinema Laís Bodasnky preparava seu terceiro longa-metragem, a comédia musical ‘Chega de Saudade’, e precisava montar uma banda de baile, Marku foi escalado pelo produtor BiD, juntamente com a cantora Elza Soares e diversos outros músicos que formaram a ‘Banda Luar de Prata’. 

Em 2010, Marku lançou o ‘4 Loas’ com um samba-rock-jazz trazendo o melhor de suas composições características, seguido por um disco ao vivo gravado no Itau Cultural, ‘Toca Brasil’. Em 2013, o cantor faleceu e no mesmo ano foi lançado o box-set ‘Marku 50’ com as gravações feitas em Paris pelo grupo ‘Batuki’, um segundo cd com material inédito, ‘Parda Pele’, gravado em Lavras Novas no final dos anos 90 e um terceiro dvd com um documentário sobre sua carreira. 

Em 2015, o álbum ‘+Samba’, com material inédito gravado em 2012, na época de seu diagnóstico do câncer no pulmão. Vários materiais póstumos ainda foram lançados, como uma canção no projeto de músicas infantis, ‘A Zeropeia’, duetos com artistas como Xandele, Bina Coquet e Thiago Elniño e também uma versão ao vivo de ‘Fora do horário comercial’, do projeto do produtor BiD, ‘Bambas & Biritas Ao Vivo’. 

Marku Ribas deixou um legado e uma discografia sem nenhuma concessão, que pode não ter tido o sucesso merecido, mas que se instaurou definitivamente no panteão da elite da música brasileira contemporânea.

1967 Déo & Marco 

1. Sinta Comigo 
2. Vou lhe Dar Tudo de Bom 
3. Tentei Fugir 
4. Um Dia de Sol 
5. Serei Sincero 
6. Ri 
7. Meu Tempo de Criança 
8. Sozinho na Praia 
9. Teu Olhar em Meu Olhar 
10. Jardim de Primavera 
11. Prisioneiro da Ilha 
12. Esperança 


1973 Underground 

1. Zamba ben 
2. 5.30 Schoelcher 
3. O Adeus segundo Maria 
4. N’biri n’biri 
5. Porto Seguro 
6. Pacutigubê Iaô 
7. Madinina 
8. Tira teima 
9. Matinic moins 
10. Orange lady 

 
1976 Marku 
 
1. Zi zambi 
2. Coisas das minas 
3. Meu samba reguê 
4. La pli tombé (folklore Martinica, adapt Marku) 
5. Canavia 
6. Kaçuada 
7. Deixa comigo 
8. Curumim 
9. In via Brasil 
10. Kazumbanda 

 
1978 BarranKeiro 

1. Colcha de retalho 
2. Quem sou eu 
3. Barrankeiro 
4. Cruzeiro do sol 
5. Maleme 
6. A lua e o rio 
7. Com o apito do vapor 
8. Nessa ela me amarrou 
9. Kelé 
10. Ô mulher 
11. Delícia de Damasco 
12. Kalenda 
 

 1979 Cavalo das Alegrias 
 
1. Beira d’água (A festa) 
2. Maria Maria 
3. Canção do sol 
4. Julia 
5. Morena sereia 
6. Canto negroamor 
7. Balaio da nega 
8. Caribe ai 
9. Cirandando 
10. Cavalo das alegrias 
11. Galopando 
12. Kambinda 
 
 
1980 Mente & Coração 
 
1. Mente & coração 
2. Choro verde 
3. Será bem melhor 
4. Quem pode pede 
5. As vozes não mentem 
6. Nunca vi 
7. Só você 
8. Olha a brecha 
9. Novo dia 
10. Limites naturais 

 
1983 Marku 
 
1. Limbo do rei 
2. Girassóis 
3. Fôlôzinha 
4. Urubu é meu lôro 
5. Karijó (tema de Macunaíma) 
6. Paranóia cromada 
7. Brazil com Z 
8. Favela blues 
9. Nobre gente 
10. Reflexos 
 
 
1991 Autóctone 
 
1. Kalimba 
2. Favela blues 
3. Made in Brasil 
4. Mas que nada 
5. Karijó 
6. Banana boat song (Day-O) 
7. Mussulo 
8. Retrato latino 
9. N’biri n’biri 
10. Tamarrêra 
 
 
2008 Chega de Saudade – Trilha Sonora do filme de Laís Bodanski 
 
1. Não deixa o samba morrer – Elza Soares + Marku Ribas 
2. De noite na Cama – Elza Soares 
3. Um calo de estimação – Elza Soares + Marku Ribas 
4. Você não vale nada – Marku Ribas 
5. Tequila – Banda Luar de Prata 
6. Bebete vãobora – Maestro Tiquinho 
7. Lama – Elza Soares 
8. Sonata ao Luar – Banda Luar de Prata 
9. Mulheres – Marku Ribas 
10. Bambino – Elza Soares 
11. Cha cha cha – Marku Ribas 
12. Como uma onda (zen surfismo) – Banda Luar de Prata 
13. Mon amour meu bem ma femme – Banda Luar de Prata 
14. Chega de Saudade – Rogério Duprat 
 

2010 4 Loas 
 
1. Aurora da revolução 
2. Querobem querubim 
3. Altas horas 
4. Sambatema 
5. Daomé 
6. Bervely help 
7. Doce vida 
8. Aristoporindé 
9. O mar não tem cabelo 
10. A embaixatriz 
11. Ce pas pour ça 
 
 
2011 Toca Brasil (Itaú Cultural) 
 
1. Altas horas 
2. A embaicatriz 
3. Aristoporindé 
4. Neguin Robertin 
5. Alerta geral 
6. Daomé 
7. Ce pas pour ça 
8. Ato tridimensional n5 
9. Zamba ben 
10. Laguna de Dagmar 
11. Arreia 
12. Baixaria 
13. Queborem queburim 
14. Pereketéia bingola 
 
 
2013 Marku 50 – Batuki / Parda Pele / Avatu 
 
Disco 1 – Batuki (Paris 1970) 
1. São Salvador 
2. Musseke 
3. Vem eu vou lhe mostrar 
4. Mucama 
5. O adeus segundo Maria 
6. N’biri n’biri 
7. Kalunga (reza por mim Tereza) 
8. Cateretê 
 
Disco 2 – Parda Pele (Lavras Novas 1997) 
1. Arreia 
2. Canto dos pássaros (onomatocanto) 
3. Cirandando 
4. De binóculo em binóculo 
5. Karranca groove 
6. Onomatojazz 
7. Moreninha 
8. Embolacumba 
 

Disco 3 – Atavu (Documentário) 
 
 
2015 +Samba 
 
1. Zabelê e mãe d’água 
2. Amar é direito 
3. Helena Rosa 
4. Quimbanda 
5. Areia movediça 
6. Jeito de felicidade 
7. Se a onça morrer 
8. Cabana e calor 
9. Samba de lira 
10. Concorrência desleal 
11. 500 anos 
12. Vexame 
13. Choro pro Marku 
 
 

1.03.2026

RETROSPECTIVA 2025 ou TOP 10 DISCOS MAIS LEGAIS DA MÚSICA BRASILEIRA de 2025 ou DO SERTÃO AO TERREIRO, PASSANDO PELO BREGA, ROCK E EMBOLADA

Depois de cinco anos sem publicar essas listas, o blogui retorna no inutito de recuperar o tempo perdido e apresentar novas seleções anuais de melhores do ano. 



Sem mais delongas, seguimos com a lista dos melhores do ano de 2025. Diferente dos outros anos recentes, onde essa seleção de lançamentos existiu, separamos apenas 10 exemplares da música brasileira, que servem como representantes da excelência da música atual brasileira. 

Em primeiro lugar ficou a grande surpresa do ano, o encontro do onipresente João Gomes, com o já consagrado sanfoneiro Mestrinho e o recém vencedor do grammy Jota.Pê – no álbum ‘Dominguinho’. Uma ópera de boas vibrações e tardes ensolaradas épicas. 

Seguido pelo álbum ‘Big Buraco’ de Jadsa, uma grande surpresa da música brasileira. Segundo álbum da cantora e compositora baiana, soteropolitana, com produção luxuosa de Antonio Neves. Uma aula de timbres e sonoridade. 

Na sequência o álbum do baixista e compositor Alberto Continentino, ‘Cabeça a Mil e Corpo Lento’. Uma pérola da música contemporãnea cheia de elegância e bom gosto. Não dava para deixar esse disco fora dessa lista. 

Zé Ibarra vem em quarto lugar com ‘Afim’. Uma obra cheia de preciosismo de um cantor, compositor e interprete talentosíssimo. Segundo álbum solo de Ibarra, que já vinha de bandas como ‘Dônica’ e ‘Bala Desejo’. Presença obrigatoria nas playlists de melhores do ano. 

Seguido por Seu Pereira e Coletivo 401, representam o quinto posto em ‘Obsoleto’, numa aula de maestria de canções gigantes em tom menor. Rock e brega numa seleção de sucessos radiofônicos cheios de alma e sentimentos. Você vai sair cantarolando e assoviando uma canção após a outra. 

Totonho e os Cabra vêem com sua ópera “nodestropicaletrônica” ‘Aí Dentu, Funk de Embolada e Hip Hop do Mato’ em sexto lugar. Um som de explodir os alto falantes e botar a pista inteira pulando na batida do funk, da embolada e do hip hop do mato. O título é mesmo auto-descritivo. Não dá pra perder. 

Na sétima posição o Wado, sempre constante, com ‘Obstrução Samba’. Uma obra repleta de canções no estilo que o cantor faz de melhor. Aquela mistura do samba com o popular bem característica do cancioneiro deste artitsta sublime. 

Não poderia deixar de fora o maravilhoso e perfeito Mateus Aleluia com seu álbum auto-intitulado, em oitavo lugar. Mateus Aleluia é um caso particular. Ouvir suas canções é comungar na presença do divino. 
 
O jazz do ‘Trio Corrente’ ocupa o nono lugar com ‘Vinte e Cinco’. Com um samba-jazz em perfeita harmonia e sintonia entre seus integrantes, o trio representa o país como o que há de melhor na música instrumental brasileira. 
 
Para terminar a seleção com o som delicado e despojado de Nay Porttela em ‘Alvorada’. Uma boa supresa em um disco cheio de pérolas contemporâneas que passeiam por diversos estilos e gêneros. 

Com tantos lançamentos neste ano, ficaram de fora tanta gente como Gaby Amarantos, Rodrigo Campos, BK, Baco, Rael, Emicida, Hamilton de Hollanda Trio, entre outros. 

Daqui pra frente, postaremos algumas listas de melhores dos anos que passaram e quiçá perpetuar toda essa seleção até os primórdios da história musical brasileira. Segue a lista atual. 

2025 Dominguinho 
João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê 

1. Lembrei de nós 
2. Beija flor
3. Arriadin por tu 
4. Flor 
5. Flor de flamboyant 
6. Mala e cuia 
7. Até mais ver
8. Some ou me assume 
9. Mete um block nele/ Ela tem 
10. Lenda 
11. Meu bem 
12. Pontes indestrutíveis 


2025 Big Buraco 
Jadsa 

1. big bang 
2. tremedêra 
3. sol na pele 
4. mel na boca 
5. big luv 
6. no pain 
7. 1000 sensations 
8. big mama 
9. your sunshine 
10. um choro 
11. samba pra Juçara 
12. big buraco 


2025 Cabeça a Mil e Corpo Lento 
Alberto Continentino 

1. O Ovo do Sol 
2. Coral 
3. Milky Way 
4. Cerne 
5. Manjar de Luz 
6. Go get your fix 
7. Uma verdade bem Contada 
8. False Idol 
9. A Palavra Rio 
10. Negrume 
11. Vieux souvenirs 
12. Madrugada Silente 


2025 Afim 
Zé Ibarra 

1. Infinito em nós 
2. Segredo 
3. Transe 
4. Retrato de Maria Lúcia 
5. Da Menor Importância 
6. Morena 
7. Essa Confusão 
8. Hexagrama 28 


2025 Obsoleto 
Seu Pereira e Coletivo 401 

1. Desde o dia em que meu bem partiu 
2. Sem futuro 
3. Obsoleto 
4. Só por um instante 
5. Autopistas 
6. Maré cheia 
7. No dia em que vendi a minha alma 
8. Um dia 
9. Boy da Amarok 
10 Erva daninha 


2025 Ai Dentu – Funk de Embolada e Hip Hop do Mato 
Totonho e os Cabra 

1. Sulandê 
2. Balança de precisão 
3. A comentarista 
4. Meu passado é negro 
5. Emboledance 
6. AmaZona 
7. Que trocar? 
8. Oi amor 
9. O Pajé 
10. Pega o beco 
11. Webcam 
 

2025 Obstrução Samba 
Wado 
 
1. Jão 
2. Sereia 
3. Gira 
4. Conversa entre sementes 
5. Pára 
6. Passo de avarandar 
7. Atotô obaluaê 
8. Mirador 
9. Esse mar 
10. Deixa acontecer 
 
 

2025 Mateus Aleluia 
Mateus Aleluia 
 
1. No amor não mando 
2. Doce Sacrifício/ Filho/ Acalanto 
3. Lua/ Luar outra face fo sol 
4. Para tentar te esquecer/ Pantera negra/ Jogo de engano 
5 Márua 
6. Oh musical/ Aleluia 

 

2025 Vinte e Cinco 
Trio Corrente 
 
1. Tudo que você podia ser 
2. Cinco torres 
3. A volta do malandro 
4. Suite 
5. Segura ele 
6. A volta do Benny 
7. Choro da melaleuca 
 
 
2025 Alvorada 
Nay Porttela 
 
1. Sopro do mar 
2. Lá vem ela 
3. Culpado ou inocente 
4. As vezes 
5. Rotina 
6. Casa 
7. Ficar 
8. Tempo 
9. Gravidade 
10 Sei lá 
11. Samba da desilusão 
12 Poetry