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4.10.2011

SOBRADO 112 NO PAÍS DA VITROLA ADUBADA


O Sobrado 112 é uma banda que não se repetiu em nenhum dos três CDs, gravados e já lançados.

Em 2007/2008 a banda estreou com ‘Demanche’, um álbum que fazia um som que trafegava entre o jazz-fusion e o popular. Tinha até participação especial de Aldir Blanc em ‘Acionista da boemia’.

Em 2009, foi a vez do álbum ‘Isso Nunca me Aconteceu Hoje’, onde o som estava mais pro samba e rock, com pitadas de afrobeat. Os vocais são muito mais coletivos, do que antes, como é ouvido em ‘Eu não quero ter razão’. O disco tem muito mais suingue, muito mais groove, mais instrumentos, mais banda, mais tudo. E também tem a produção do BiD.

Nesse terceiro álbum – este que pode ser considerado o ‘Let it Be’ da banda, já que foi gravado antes do ‘Isso Nunca me Aconteceu Hoje’, mas foi lançado apenas agora com um ano de diferença – ‘Sobrado 112 no País da Skapolca’ tem uma pegada muito mais reggae e ska e rocksteady, sem deixar o rock de lado. Não cabem mais brincadeiras através de letras bem humoradas e parcimoniosas, já que todas as faixas são instrumentais, mas cabe a produção caprichosa de Buguinha Dub, incluindo um remix dele próprio.




O disco abre com uma levada dureza como ‘Carne de pescoço’ e segue com a sensual e divertida ‘Eu e minha amada no Grajaú’, que até pode ser considerada uma continuação não-oficial para a faixa ‘Grajaú’, presente no segundo disco da banda, em que cantavam “eu e tu lá no Grajaú, sem tu-tu para o buzu” – esse bairro é quase uma fixação ou uma obsessão – vão tomar no Grajaú!!!

O disco segue com ‘Dub’, que o nome já diz tudo, e até recebeu um remix de Buguinha Dub no final do disco. A seguinte é ‘Maldição da caveira’, um rockezão forte e firme com a guitarra mais pesada que já ouvi o Vitinho Gottardi levar. Depois, ‘Skapolca rocksteady’, que o nome também já diz o que é, mas tem todo o clima de um Sobrado construído por Buguinha.

‘Simérius Conan’ havia sido bônus no segundo disco e aqui ela ficou como a homenagem a um velho-camarada da banda – a quem todos chamavam carinhosamente de Conan, o Simério. O álbum encerra com o remix de ‘Dub’, o bônus remix do Buguinha, que também participa dos shows de lançamento do disco.




2011 Sobrado 112 no País da Skapolca

1. Carne de pescoço
2. Eu eminha amada no Grajaú
3. Dub
4. Maldição da caveira
5. Skapolca rocksteady
6. Simérius Conan
7. Dub (Buguinha Dub remix)

12.06.2009

O NOVO SOM DO SOBRADO 112

O Sobrado 112 cresceu, não só em maturidade mas também no tamanho do grupo. O que começou com Victor Gottardi, Leandro Joaquim e Cláudio Fantinato nas jam-sessions no endereço que deu nome à banda, cresceu com novos integrantes, Maurício Calmon, Pedro Dantas e Miguel Martins. O segundo álbum da banda – lançado pelo selo Oi Música – foi produzido por BiD, que definiu o som deles como “uma grande mistura de ritmos africanos, brasileiros e americanos”. Mas eles se divertem dizendo que as influências são multi-brasileiras.

O disco abre com uma homenagem ao ‘Café’, num reggae-salsa-ragga. A segunda faixa ‘Eu não quero ter razão’, tem um vocal no estilo dos Originais do Samba, num samba-funk com final frenético tornando impossível ficar parado, e não cantar junto. Em ‘Duas de cinco’, a banda mostra uma crônica bem humorada da vida como ela é. Depois flerta com ritmos jamaicanos em ‘Amoroso’, num ska contagiante com final caribenho. O lado cronista de ‘Muito menos você’, conta aquela velha história de fim de relacionamento, quando a letra diz “você se esqueceu de esquecer de mim, prefiro ninguém a você”.

Desventuras amorosas continua sendo o tema de ‘Isso nunca me aconteceu hoje’, mostrando o outro lado da relação, na visão do cara que não quer ligar para ex ao chegar em casa. ‘Narcisa’ é uma das faixas mais antigas da banda e quase entrou no primeiro disco, ‘Desmanche’ de 2007, também postado por aqui. Mais uma crônica de desamor. ‘Cabeça de nego’ é um afrobeat que também utiliza o estilo vocal dos Originais do Samba.

Em ‘Grajaú’, a banda conta uma viagem divertida ao bairro carioca, que provavelmente deve ter acontecido com algum dos integrantes. Como é o caso da faixa bônus, ‘Simérius Conan’, que fecha o disco, um afrobeat que não só homenageia o bárbaro da Siméria, como todos os outros bárbaros da vida real. Essa faixa faz parte do próximo álbum da banda – que já está gravado – e tem produção do Buguinha Dub, e deve ser lançado no ano que vem.

Com isso, o disco do Sobrado 112 surpreende com seus vários ritmos e muitas influências. Como disseram e riram, “multi-brasileiras”.

2009 Isso Nunca me Aconteceu Hoje

1. Café
2. Eu não quero ter razão
3. Duas de cinco
4. Amoroso
5. Muito menos você
6. Isso nunca me aconteceu hoje
7. Narcisa
8. Cabeça de nego
9. Grajaú
10. Simérius Conan

4.26.2008

SEM TETO SEM NADA SÓ COM A CASA ENGRAÇADA!

O som do Sobrado 112 é demais. Ao mesmo tempo que é moderno nos remete a um som das antigas. Achei muito bom e creio que mereça ser muito divulgado.
Eu queria fazer uma entrevista contigo, Vitinho, e depois colocar o álbum para download.
Acreditando que a resposta para a entrevista seja sim, eu já envio as perguntas abaixo.
Abraço e sucesso na divulgação do material.
Bruno
PS: Você poderia me enviar a capa do disco em boa resolução?

Fala Bruno!!!
Cara! Estou muito feliz em fazer essa entrevista!!
Ja baixei muita coisa no blog e vai ser ‘docaralho’ estar aí tb.
O disco está realmente muito bom, a gente gostou muito do resultado e precisamos divulga-lo.
Respondi todas as perguntas e estou te mandando aqui em baixo. Estou em Ribeirão Preto agora e acho que não tenho a imagem da capa, velho... Mas amanhã estarei no Rio e passo pra vc.
De qualquer forma muuuuuito obrigado e qualquer parada que precisar é só nos contatar.
Grande abraço.
Vitinho

Valeu Vitinho,
Fico também muito feliz de poder divulgar o trabalho. O disco é realmente uma surpresa bastante agradável.
Ainda mais com essa formação com você, Vitinho Gottardi, na guitarra, violão e voz, o Leandro Joaquim no trompete, flugelhorn e voz e o Cláudio Fantinato na percussão. O som ficou ‘ducaralho’ mesmo.
Eu peguei uma imagem no myspace de vocês que deve ser a capa do disco. Daí nem precisa mais enviar...
Valeu mesmo pela pronta resposta.
Grande abraço para vocês,
Bruno
PS: Mas que foto sensacional aquela das folhagens! Logo vi que aquela descontração toda nos ensaios só podia ser o resultado dessa descontração toda etc.
Se é que você me entende? Mas vamos logo com essa entrevista.

Eu Ovo: Porque Sobrado 112? De onde veio esse nome?

Vitinho Gottardi: Sobrado 112 era nossa casa lá no bairro da Glória, onde moramos e nos conhecemos... Era uma daquelas casas sempre cheias de amigos..bandas ensaiando e a galera fazendo churrasco... Era o ponto de encontro de um montão de amigos. E como tudo começou lá...


EO: Você vê um paralelo do Sobrado 112 com os Novos Baianos? Pelo fato de vocês também morarem juntos, como os Novos Baianos.

VG: Somos grandes apreciadores dos Novos Baianos, eles nos influenciam muito e o fato de dividir uma casa com os parceiros de uma banda colabora para que as coisas andem mais rápido e para que se crie uma identidade coletiva

EO: O que vocês ‘ouvem’ no Sobrado 112?

VG: No sobrado sempre ouvimos muita musica brasileira, jazz, funk e reggae como já foi citado. Também ouvimos muita musica cubana. Tínhamos até um projeto onde tocávamos só ritmos latinos bem salseados. No final das contas, sempre rolou de tudo.

EO: E quais são as influências da banda?

VG: As maiores influências são o jazz, o funk e a musica brasileira. O Leandro tráz muita coisa do jazz para a banda, ele foi muito influenciado pelo Freddie Hubbard e Miles Davis, dois trompetistas geniais que a gente adora. Gostamos muito de samba. João Bosco, João Donato, Tom Jobim, Tom Zé, Gilberto Gil, Djavan nos influenciam muito. Também gostamos muito de reggae, em especial o Augustus Pablo e King Tubby. James Brown e Funkadelic também estão nessa lista, junto com Led Zepellin.
O Claudio já tocou na Cabruera , banda da Paraíba,e tem grande conhecimento da musica nordestina e regional. O ritmo de vida do Rio de Janeiro também nos influencia muito. Tudo isso misturado vira o som do Sobrado 112.

EO: Qual foi o caminho que a banda percorreu antes de gravar o primeiro disco?

VG: Começamos a garimpar velhas músicas nossas e fazer adaptações pra nossa formação, que até então era trompete (com pedais de guitarra) percussão e violão. Fazíamos os arranjos e gravávamos numa câmera fotográfica... Era uma ótima pré produção, dava pra ter uma boa noção de como a coisa soava. Inclusive esses vídeos gravados nos mais diversos cômodos do sobrado, estão todos disponíveis no youtube. Foi nossa primeira divulgação online. Resolvemos gravar antes mesmo de começar a tocar pelo Rio. Fizemos o inverso. Agora com o disco pronto é que agente começa a fazer shows.

EO: Eu vi os ensaios no youtube e senti a falta das canções ‘Narcisa’ e ‘Novinha’. Porque essas músicas ficaram de fora do disco?

VG: Narcisa é uma canção feita em cima de uma letra de um compositor de ribeirão preto chamado Reginaldo Vianna.Eu e o Leandro harmonizamos a letra no meio da gravação,e achamos que talvez seria interessante ter algumas canções inéditas no show,por isso ela não entrou.Novinha é o mesmo caso.É uma musica que agente adora, um otimo groove que fizemos junto com um baixista sensacional do Maranhão chamado Claudio.
As duas tem destaque no nosso show.Talvez no proximo disco elas entrem.

EO: E vendo os ensaios no youtube eu notei que a canção instrumental ‘Sempre em frente’ virou ‘Sampranfrant’ com um rap em francês. Como foi que essa evolução aconteceu?

VG: Um dia no sobrado mostrei uma base pro Leandro enquanto a gente fazia o almoço. Ele parou de fazer o que estava fazendo, pegou o trompete e começou a tocar. Em minutos a melodia estava pronta e agente pegou a camera pra registrar, pra nao esquecer... Sabe como é... Dias depois agente gravou na camera outra versão com o Claudio, baixista do Maranhão.
Durante a pré do disco, a gente decidiu grava-la e apareceu um amigo nosso chamado Pierre Bradier, que é francês, de Lyon, e que é um mestre no freestyle. Convidamos ele pra gravar e ele adorou. Chegou no estudio entrou na sala e saiu gravando uma parada que ele tinha elaborado na noite anterior.
Depois, mandamos a gravação pro Donatinho, que gravou em casa um Fender Rhodes.
e assim ficou. Da pra ver a evolução toda da musica nos videos do youtube.

EO: Mas me conta agora quem participou do disco de vocês? Como foram essas participações?

VG: Nós tivemos a felicidade de ter a participação do Aldir Blanc cantando a musica 'Acionista da boemia'. Ele gravou em casa num celular e nos mandou. Também tivemos o amigo Lucas Santanna que gravou 'Mancada' do Gil.
Donatinho, Bernardo Bosisio, Alberto Continentino, Renato Massa, Bidu Cordeiro, Marlom Sette, Gabriel Improta, Pretinho da Serrinha, João Fera, Sandro Araújo e Ramon Torres também participaram.
A cada musica que fazíamos a pré produção, pensávamos quais seriam os músicos ideais para cada faixa.

EO: Porque o Sandro Araújo, na bateria, e o Ramon Torres, no baixo, não fazem parte da banda? Se eles tocam ao vivo com vocês.

VG: Esses musicos fazem parte da banda, porem de outra forma. Eu Victor, Leandro e Claudio somos amigos que jogam corversa fora juntos, que sonhamos juntos e que nos conhecemos de uma maneira muito peculiar. Formamos um time a partir de um espaço conquistado, e experiencias trocadas e conforme o tempo passava unimos uma vontade em comum: O Sobrado 112. Esses musicos vieram pra complementar e interferir com seus talentos em uma essencia pronta.


EO: Como você vê a questão da pirataria hoje em dia?

VG: A pirataria é fruto da semente plantada pelas gravadoras, que ainda acham que vendem plástico e não arte. Num país de terceiro mundo, onde um salário mínimo é 415 reais, é impossível fazer as pessoas comprarem discos de 30 reais. A pirataria tomou uma proporção gigantesca e está acabando com a indústria do disco. Estamos no meio desse furacão que não para de crescer. Infelizmente a postura exploradora das gravadoras cria isso. E isso também passa a ser mais um problema para o musico que com a pirataria tem a sua obra explorada por pessoas que lucram imensamente com a sua arte – o que já acontecia com as gravadoras... Elas lucravam imensamente. Mas algumas iniciativas estão sendo tomadas, como a criação de novo suporte físico SMD, que é vendido pelo artista geralmente em seus shows por 5 reais e com o preço estampado na capa. A idéia é vender musica,não plástico e encarte.

EO: Você acha que existe um impasse entre o artista e as gravadoras?

VG: Sim, e bem grande. É realmente difícil lidar com elas. A primeira coisa que eles querem é ser donos do seu trabalho, querem se apropriar do seu fonograma. Vendem seu trabalho por um preço alto e te repassam menos de 2%. Eles têm muito dinheiro e tem condição de colocar qualquer artista nas paradas de sucesso rapidamente (o que, aliás, é uma criação deles!). Pagam os famosos jabás, te colocam na grande mídia, mas ficamos sempre a mercê da vontade deles. Eles criam (criavam) os "sucessos" para que sejam vendidos rapidamente, e depois apertam um botão de eject. Acho que eles deveriam olhar para a quantidade de artistas que existem por ai, e colaborar para a divulgação dessa grande diversidade artística que temos no Brasil.

EO: Vocês são a favor do compartilhamento de músicas pela internet? Inclusive do disco de vocês?

VG: Somos totalmente a favor. Fizemos um disco para que as pessoas conheçam o nosso trabalho, para nos comunicarmos com as pessoas. A nossa primeira iniciativa após a conclusão do disco foi liberá-lo na internet. Tivemos uma media de 400 downloads em algumas semanas. Isso foi fundamental para a divulgação da banda. Temos contatos em vários estados por causa disso. A internet veio para nos ajudar. Hoje podemos dizer que 70% dos fãs da banda conheceram nosso trabalho na rede. Muita gente baixa nosso disco e estamos fechando shows por isso.
Acho uma maravilha quando entro em um blog desses e encontro um acervo fantástico de obras que talvez eu não encontrasse nas prateleiras de grandes lojas. Esse é o caminho.

EO: Você acredita que exista uma solução para o artista voltar a ganhar dinheiro com a venda de seus discos? Ao invés de apenas as gravadoras? Um exemplo seria a licensa creative commons?

VG: Achamos muito difícil o Artista voltar a lucrar com a venda de discos. O SMD pode ser uma saída. Vendendo um disco por um preço justo como 5 reais, da até gosto de comprar .Mas com o avanço da tecnologia, é cada vez mais desnecessário ter um cd na mão. As pessoas têm Ipods, Mp3 e Mp4, o cd já se tornou obsoleto. Hoje o artista ganha dinheiro fazendo shows.
O creative commons é uma forma bacana de pensar, facilita o compartilhamento de obras, e tem uma filosofia ‘Copyleft’, mas ainda não fará com que o disco volte a ser a prioridade para o artista. Temos que entender que a indústria do disco está acabando, e que somos capazes de nos divulgar e nos produzir. Quanto mais nos unirmos com o objetivo de disseminação da boa musica, da boa arte, mais chances teremos de nos estabelecer no mercado, e conseguiremos cada vez mais atrair e cativar nosso publico.

EO: Pois é isso! Espero bastante sucesso para vocês do Sobrado 112. Recomendo muito aos 'ouvintes' baixarem essa pérola independente. Grande abraço!

VG: Blz irmão!!! É isso ai !!! Estamos ansiosos para ver a matéria!!! Grande abraço, meu velho!!!

2007 Desmanche

1. Favela
2. A tira gosto
3. Sem par
4. Sampanfrant
5. Mancada
6. Acionista da boemia
7. Juliana
8. Cabeça a beça
9. De quinta (vinheta)
10. Desmanche
11. Pequim ou Hollywood

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