domingo, 29 de março de 2015

ALÉM DA LOA DE LUIZA LIAN E SUAS LANTEJOULAS LÚGUBRES

Cantora paulistana entrega uma estréia poderosa e arrasadora, com álbum produzido por Tim Bernardes da banda 'O Terno'.  



Luiza Lian surgiu de repente como um furacão com seu single 'Chororô' – num aperitivo do álbum completo – e logo em sequência soltou o videoclipe do segundo teaser, 'Coroa de flores', que é um legítimo samba de paulista, para entregar a estréia mais poderosa e acachapante de todos os tempos.

Brincadeiras a parte, mas esta generalização textual condiz totalmente com o disco de estréia da cantora, que chegou na internet como uma capsula do tempo cheia de fuzz e efeitos psicodélicos, tudo devidamente produzido por Tim Bernardes, da banda 'O Terno'.

O disco tem canções arrasadoras, que não passam incólume ante o mais exigente ouvinte, que pode esperar diversos ritmos e estilos. Desde o blues cheio de guitarras fuzz e o escambau como 'Ônibus lotado', 'Gula', 'Mississipi' e 'Luar', que fecha o petardo.

Mas Luiza também apresenta o balanço quente da lambada urbana em 'Falador', sem deixar de louvar os orixás com 'Protetora' e sempre se entregando ao bolero elétrico de 'Linda linda'. 'A luz da vela' parece ser uma simples balada, mas o final apoteótico cria um clima crescente e onipresente, que vai desembocar na bem humorada 'Escuta Zé', onde a cantora exerce a veia poética ao apresentar uma louvável continuação aos versos de Drummond.

Luiza mostra-se grande compositora como em 'Jardim', na qual ela cria uma balada onipotente cheia de figuras de linguagem, criando um universo mítico e todo particular. 'Me tema' é uma ode aos movimentos feministas, uma oração ao corpo feminino, um viva ao papel protagonista das mulheres, enfim, uma canção que reforça a luta das mulheres dos dias de hoje.

Luiza Lian está longe de ser ativista em qualquer movimento, que não seja musical, mas como toda artista feminina atual, ela não pode passar em branco sobre o assunto e o faz com bom humor em composição de Bárbara Malavóglia. Gê Marques compôs três canções e outras duas em parceria com Beto Bianchi – todas outras faixas são compostas pela cantora.

A banda que acompanha a cantora é formada por Tim Bernardes na guitarra e Guilherme d'Almeida (o peixe), ambos d'O Terno', Tomás de Souza no piano, teclado e sanfona e Charles Tixier na bateria e mpc, ambos do 'Charlie e os Marretas' e Juliano Abramovay, da banda 'Grand Bazaar', no violão, guitarra e viola.

Depois de tudo isso, se você não baixar é porque não gosta de “roquenrou”, mas se quiser pegar seu exemplar virtual é melhor se apressar enquanto o soundcloud permite... o álbum já foi disponibilizado no site da cantora e os links já foram atualizados... 

2015 Luiza Lian

1. Chororô
2. Me tema
3. Ônibus lotado
4. Protetora
5. Coroa de flores
6. Falador
7. Gula
8. Linda linda
9. A luz da vela
10. Escuta Zé
11. Jardim
12. Mississipi
13. Luar

domingo, 22 de março de 2015

SE RENDA AO PRESENTE DA TRUPE CHÁ DE BOLDO

Banda paulistana extrapola no desbunde e entrega um dos melhores álbuns do ano, com um balanço altamente recomendável.  


A 'Trupe Chá de Boldo' apresenta uma coleção de canções coletivas de diversos estilos e balanços, que fazem qualquer um apreciar sem moderação.

A banda tem em sua formação uma multidão de artistas – são mais de 10 cantores, instrumentistas, performáticos etc. O álbum 'Presente' abre com o petardo de Negro Leo, 'Jovem Tirano Príncipe Besta' – uma canção enigmática e potente, que pode bem representar os dias atuais.

O disco segue com delírios musicais populares como em 'Smex smov', 'Fogo fogo', 'Meu tesão é outro' e 'Cine espacial'. Mas também há espaço para as quase baladas 'Lampejo', 'Aos meus amigos', 'Moremáximo' e 'O fim é só o começo'. Sem falar na overdose de sopros em ritmo de ska de 'Amores vão', no balanço sensual de 'Diacho' e na autobiográfica 'Uma banda'.

O disco é uma gostosa obra coletiva que cativa o ouvinte na primeira audição. Impossível não ouvir mais uma vez e outra e depois mais outra... Simplesmente imperdível!!!

2015 Presente

1. Jovem Tirano Príncipe Besta
2. Meu tesão é outro
3. Diacho
4. O fim é só o começo (coração)
5. Smex smov
6. Fogo fogo
7. Cine espacial
8. Lampejo
9. Moremáximo
10. Amores vão
11. O fim é só o começo
12. Aos meus amigos
13. Uma banda

domingo, 15 de março de 2015

A MESMA TERNURA PRA PEDIR UMA SURRA TAMBÉM PEDE AFAGO

Rafael Castro lança novo disco com pegada pop e eletrônica e cria uma personagem andrógina e espetaculosa. 



Um sonho foi a partida inicial para a criação de uma pérola do cancioneiro popular brasileiro. O novo álbum de Rafael Castro, 'Um Chopp e um Sunday', leva o cantor ao universo glitter, purpurina e espalhafatoso, que é quase um revival dos anos 80.

Como um Ziggy Stardust morderno e tupiniquim, Rafael carrega na maquiagem e abusa dos saltos e botas e entrega um disco recheado de batidas eletrônicas e sintetizadores. A abertura dá-se com a canção do clipe, 'Ciúme', que revela a destreza de Castro em criar uma crônica urbana e pós-moderna do cotidiano amoroso atual.

A obra segue com 'Preocupado', outra crônica sobre a realidade, que entrega uma perfeita simetria entre o analógico e o digital. Na sequência Castro faz uma ode às mulheres, sem deixar o respeito de lado chamando-as todas de 'Gostosa', com a poesia sagaz e característica de sempre.

Depois, Rafael pede que o público não vá ao show do 'Caetano Veloso', para presenciar um show dele – não duvido muito que logo vai aparecer o próprio Caetano metalinguando esta mesma canção. 'Aquela' é uma versão extraordinária da banda de Brasília, 'Raimundos'.

'Bicho solto' pode ser o ápice do álbum, uma canção dançante que explode num climax grandioso. Seguida por 'Víbora' – aquele blues rasgante cantado pela Tulipa Ruiz em seu álbum mais novo, mas que ganhou uma versão comedida e cadenciada.

Em '#Comofas' se mostra atento também com o mundo digital e cibernético ao criar sua crônica particular ao mundo da internet, do twitter etc e tal. 'Um trem passou por aqui' conta a história da perna decepada de ninguém menos que Roberto Carlos – uma versão do fracasso absoluto da banda 'Joelho de Porco', de autoria de Zé Rodrix e Tico Terpins.

'Motivo' descreve as preliminares de um casal, um dos temas recorrentes do cantor e compositor. O álbum se encerra com outra versão – desta vez da dupla oitentista 'Piu Piu de Marapendi', responsável pela paródia do hit da 'Blitz', 'Você não soube me amar', o famoso 'Melô do Waldemar' – com a canção 'Vou parar de beber'.

O novo disco de Rafael Castro cumpre a proposta a qual ele veio ao sonhar em fazer “música gata festeira” ou “putz putz”, como bem exemplifica o cantor. Não perca!

2015 Um Chopp e um Sunday

1. Ciúme
2. Preocupado
3. Gostosa
4. Caetano Veloso
5. Aquela
6. Bicho solto
7. Víbora
8. #Comofas
9. Um trem passou por aqui
10. Motivo
11. Vou parar de beber



domingo, 8 de março de 2015

O RITUAL SUTIL DE JAIR NAVES

Cantor e compositor cria uma obra sublime e recheada de belas canções, que funcionam como hinos de lotar estádios.  


Jair Naves apresenta o segundo álbum como uma linha evolutiva do primeiro disco e até mesmo do trabalho que feito com a banda 'Ludovic'.

Seguindo a própria vocação de criar hinos a serem entoados em uníssono por grandes multidões, Naves demonstra que o que falta mesmo é conseguir lotar os grandes estádios. Mas esse é um problema que não lhe compete, pois talento é claro que tem.

Com vocais falados e quase não cantados, Naves evoca de Leonard Coehn a Gil Scott-Heron e combina sua fala cantada com a nova música brasileira, nas participações especiais de Bárbara Eugênia nos vocais, Guizado no trompete, Caio e Igor Bologna na percussão, Raphael Evangelista no violoncelo e dos brasilienses Camila Zamith do 'Sexy Fi' e Beto Mejia dos 'Móveis Coloniais de Acaju'.

Nos show ao vivo, Naves é acompanhado por Renato Ribeiro no violão e guitarra, Felipe Faraco no teclado e sintetizador, Rafael Findans no baixo e Thiago Babalu na bateria. Essa mesma galera produziu este álbum em parceria com Naves.

Destaque para 'Resvala', 'B.', 'Prece atendida', 'Deixe/ Force' e 'Um trem descarrilhado'. O disco é curto, mas deve ser ouvido na sequência sugerida pela própria ordem. Uma boa oportunidade para modificar o cenário e construir um ambiente onde o cantor lote estádios para cantar suas canções altamente vibrantes e viciantes. O álbum faz juz ao título, 'Trovões a me Atingir'.

2015 Trovões a me Atingir

1. Resvala
2. 5/4 (Trovões vêm me atingir)
3. Incêndios (O clarão de bombas a explodir)
4. B.
5. Prece atendida
6. Em concreto
7. Deixe/ Force
8. No meu encalço
9. Um trem descarrilhado

domingo, 1 de março de 2015

TRIBUTO AOS 20 ANOS DO PRIMEIRO ÁLBUM DOS RAIMUNDOS

Banda brasiliense é homenageada com diversas releituras atualizadas das novas bandas do novo cenário brasileiro.



Os 'Raimundos' arregimentaram grandes fãs nos anos 90 e fizeram história ao fazer um diálogo com a juventude, misturando a linguagem do repente nordestino com o punk-rock gringo.

Com canções clássicas como 'Puteiro em João Pessoa', na qual Digão, Canisso, Fred e Rodolfo cantavam sobre a perda da virgindade sem o menor pudor, aqui regravada por Diogo Soares dos 'Los Porongas'.

'Palhas do coqueiro' ganhou versão dos, também brasilienses, 'Móveis Coloniais de Acaju', onde o rock-pesado-rural deu lugar para o ska-pop da trupe mobiliária.

A banda stoner rock 'Capim Maluco' gravou a clássica 'Minha cunhada', enquanto o 'Do Amor' de nova vida a 'Carro forte', 'Vanguart' com 'Nega Jurema', 'Nevilton' em 'Marujo' e 'The Baggios' com 'Cintura fina'.

Restam ainda participações de, Juliano Gauche, Daniel Groove, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro. O álbum encerra com duas versões de 'Selim', que nos remete ao riff inicial da sanfona de 'Acauã' de Luiz Gonzaga, mas com uma letra escatológica e anti-feminista, que prova que as canções dos 'Raimundos' envelheceram mal com o tempo e se tornaram inviáveis em um cenário atual.

Mesmo assim é bom relembrar o recorte temporal que elas representam. Abrace sem medo, mas não vá esperar algo além de pura diversão. O disco foi produzido e disponibilizado pela revista digital 'Urbanaque'.

2015 Eu Quero é Rock

1. Puteiro em Joáo Pessoa – Diogo Soares + Kali
2. Palhas do coqueiro – Móveis Coloniais de Acaju + Evandro Vieira
3. Mms – Zimmer + Euthanasia
4. Minha cunhada – Capim Maluco
5. Rapante – Single Parents
6. Carro forte – Do Amor
7. Nega Jurema – Vanguart
8. Deixei de fumar cana caiana – Lemoskine
9. Cajueiro Rio das Pedras – Felipe Cordeiro
10. Bê a bá – Rolbando
11. Bicharada – Floreosso
12. Marujo – Nevilton
13. Cintura fina – The Baggios
14. Selim – Daniel Groove
15. Selim (acustico) – Juliano Gauche