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12.23.2012

...E LA VEM ELLEN OLÉRIA NA SUA ORELHA

O álbum de estréia de Ellen Oléria é uma obra singular, que reflete toda a trajetória dessa bela cantora de ébano.

 
Antes de arrebatar o público do programa 'The Voice Brasil', Ellen Oléria já fazia sucesso no circuito festivo de Brasília, antes mesmo de lançar o primeiro disco, 'Peça', em 2009. Na sequência ela lançou um dvd ao vivo, com o aclamado show do álbum de estréia, e participações de EMICIDA e Hamilton Holanda.

No disco 'Peça', Ellen apresenta uma série de baladas autorais, que refletem um período intenso de composições. O disco abre com 'Posso perguntar?', que enaltece o cerrado do Distrito Federal, com a guitarra jazzística de Rodrigo Bezerra, produtor do álbum. 'Mandala' segue enaltecendo o cerrado de “poeira vermelha”.

“Alô, alô, som!” é o cântigo que inicia a faixa 'Testando', onde ela entoa a famosa frase de que sua “voz transcende sua envergadura. Conhece a carne fraca? Eu sou do tipo carne dura”. Ellen declama com muita maturidade a consciência negra e segue desconstruindo o estereotipo dos negros no Brasil. Em 'Senzala (A feira da Ceilândia)', Ellen faz uma bela crônica cotidiana da feira em questão.

Em 'Brado', Ellen solta seu canto de pássaro de “quando o som se cala”, mesmo sendo impossível com essa bela cantora. 'Ato II' apresenta Ellen entre estalactites, pestes perestróikas e rochas magmáticas. 'Só pra constar' é uma quase bossa nova na forma de um samba sublime.

'Natural luz' representa o momento intimista de Ellen na voz e violão. Uma melodia que reflete alguns dos temas corriqueiros de Brasília, como a Avenida das Palmeiras em Taguatinga, ipês amarelos e a cor do cerrado emitindo a luz natural da cidade. 'Não-lugar' representa o sentimento de distância na forma poética, que só Ellen sabe fazer.

'Forró de tamanco' é uma canção de memória afetiva, que evoca o semblante do sr. Adalvêncio, pai de Ellen, que toca sanfona em 'Prólogo', faixa que antecede a canção de Antônio Barros e Cecéu. O disco encerra com 'Pedro falando com o reflexo', seguida pelo remix e 'Senzala' com participação especial do rapper GoG.

A banda que gravou o disco com Ellen, recebeu o nome de Pret.utu e continua a acompanhar a cantora em suas apresentações – agora pelo país inteiro – com Paula Zimbres no baixo, Celio Maciel na bateria, Felipe Viegas nos teclados, Pedro Martins na guitarra (Rodrigo Bezerra gravou o disco) e Leo Barbosa na percussão.

Impossível não se regozijar-se e sentir-se plenamente curado pela voz da Ellen Oléria.

2009 Peça

1. Posso perguntar?
2. Mandala
3. Testando
4. Senzala (A feira da Ceilândia)
5. Brado
6. Ato II
7. Só pra constar
8. Natural luz
9. Não-lugar
10. Prólogo
11. Forró de tamanco
12. Pedro falando com o reflexo
13. Senzala Remix (& GoG) ....

7.12.2009

EU SOU DO TIPO CARNE DURA!



A própria Ellen Oléria avisou no show, que podem copiar que não é pirataria. “É acesssibilidade”. Só quem já viu é que pode sentir força dessas, já míticas, apresentações ao vivo. Mas deixa eu contar como eu conheci o som dessa cantora brasiliense.



A primeira vez que a vi no palco fiquei estarrecido, pasmo, completamente surpreso e hipnotizado. Ela cantou apenas músicas autorais, mas com uma performance arrebatadora que enchia os olhos e ouvidos. Desculpem o clichê... É inacreditável como aquela banda de três músicos acompanhando um banquinho e violão fazem um som tão pesado e grandão.



Mas não era bem um banquinho e violão, como o do João. Estava mais para o caminho do Ben. Estava soul, funk, jazz, MPB com uma pitada do ritmo do banquinho e violão. Foi um show foda! E todos os seguintes que vieram... Portanto, o álbum ‘Peça’ chegou em minhas mãos como uma pérola. A peça que faltava no quebra-cabeças indecifrável dessa negra melodia.



As canções são autorais e mostram uma compositora preocupada com a poesia e o seu ritmo na melodia. Suas letras são contundentes e passam a mensagem através das imagens que provocam no espectador. Digo espectador, porque você se torna espectador das músicas. Ellen afirma que passa muito tempo compondo e escrevendo. Você escuta a música ‘Testando’ e acha que ela fez aquele som ali, na hora, mas ela avisa que passou “vários dias encucada para escrever aquilo”.



Em ‘Só pra constar’ ela diz, no show, que era uma música normal, mas virou “essa coisa complicada”. Sem complicações, mas o que era um sambinha, subiu no banquinho e violão e passou pela porta da cozinha. Mais ou menos como o mestre João fez em ‘Doralice’. ‘Natural luz’ é o momento intimista do show. Só tem Ellen, seu violão e o público completamente inebriado com aquela presença astral totalmente real, que chega a ser irreal. Se é que deu pra entender... A poesia, a voz, o som, o som, o som...



O álbum tem todos sucessos que você escuta nos shows. Tem o blues meio jazz (ou seria jazz meio blues) ‘Não-lugar’, tem a atriz e a estalactite de ‘Ato II’, e até a regravação do Forró de tamanco’ dos ‘Três do Nordeste’. Mas também tem a clássica ‘Senzala (A feira da Ceilândia)’ que é cantada em uníssono nos shows. Só faltou o samba-rock ‘Eu bebo sim’, que ela usa no bis. É por isso que falei muito do som ao vivo. Para você não perder nunca mais um show dela. Seja você de Brasília, ou não...



Nesse disco, além ‘della’ no violão, tem Rodrigo Bezerra na guitarra, Paula Zimbres no baixo e Célio Maciel na bateria, com a recente adesão de Felipe Viegas nos teclados. Também tem participações especiais de grandes músicos de Brasília, como Moisés Alves no trompete, Bruno Medina no saxofone, Marcos Wander no trombone, Phillipe Alves e Sr. Adalvêncio na sanfona, Dadá de Castro e a performance do GoG.



Em tempo, deixo logo avisado que esse foi um dos textos mais difíceis de escrever da minha vida. Porque eu tive que ter muito cuidado para não usar adjetivos demais para explicar o som da Ellen Oléria. E por isso mesmo vou colocar todos aqui, bem longe do resto do texto. Maravilhoso. Exuberante. Hipnotizante. Flutuante. Cabriocárico. Estrambonático. Palipotético. Estapafúrdico. Antropofágico. Posolométrico. Enfim...



2009 Peça

1. Posso perguntar?
2. Mandala
3. Testando
4. Senzala (A feira da Ceilândia)
5. Brado
6. Ato II
7. Só pra constar
8. Natural luz
9. Não-lugar
10. Prólogo
11. Forró de tamanco
12. Pedro falando com o reflexo
13. Senzala Remix (& GoG) ....

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