domingo, 4 de dezembro de 2016

O SOL NASCEU DENTRO DE MIM, DEPOIS QUE A NOITE DISSE SIM

O novo álbum do cantor Gustavo Galo tem rock, baladas e muito desbunde em composições inspiradas.


Gustavo Galo faz parte da banda 'Trupe Chá de Boldo', mas também segue em carreira solo e acaba de lançar o segundo disco.

Considerando o percurso da carreira solo – Galo lançou o álbum 'Asa' em 2014 e segue agora em direção ao segundo disco com 'Sol'. Mas sua trajetória não representa o voo de Ícaro, pois buscou a inspiração na poesia 'A Extraordinária Aventura de Vladmir Maiakóvsky no Verão na Datcha”, onde o poeta conversa com o Astro-Rei.

'Até de manhã' abre o disco na forma de um rock sujo e repentino. Outro súbito rock ocorre já quase no final do petardo com 'Pra pegar', que trás a bateria precisa de Pedro Gongon e ainda a guitarra de Luiz Chagas e os synths de Quincas Moreira e vocais de Júlia Rocha – canção composta por Luís Capucho.

Galo brinca com a delicadeza das palavras em 'Tenra terra' e cria um clima suave para esta canção escrita em parceria com a cantora Iara Rennó e o guitarrista Gustavo Cabelo. Uma canção com o baixo aveludado de Gustavo Ruiz e piano rhodes de Tomás Oliveira, que também tocam em 'Pra te tocar', ainda com Sergio Sayeg nas guitarras e vocais de Juliana Perdigão e Pedro Morais – composta em parceria com Marcelo Segretto, da 'Filarmônica de Pasárgada'.

'Um barato' foi composta em parceria com a poetisa Júlia Rocha – utilizando livremente o poema dela, 'Carinho é barato', como ponto de partida. A canção tem arranjos vocais de Lucinha Turnbull – que para quem não sabe foi parceira da Rita Lee nas 'Cilibrinas do Éden'. 'Que mal tem?' também tem os vocais de Lucinha e foi composta a partir da afirmação do artista plástico Julio Plaza, “a arte é um mal que faz bem”.

Em 'Ah, se não fosse o amor', Galo assume a influência do ethio-jazz de Mulatu Astatke e entrega uma pérola composta por Lira e Dan Maia, também com Luiz Chagas nas guitarras. Em 'Grafitesão', Galo solta a libido e assume o fetiche da pixação de amor pelos muros da cidade – de preferência em frente da vista do próprio afeto.

As duas últimas canções do álbum são singelamente acústicas; 'Salto no escuro' de Jorge Mautner e Nelson Jacobina; e 'Um Sol' do próprio Galo, que revela que “assim que a noite disse sim, o sol nasceu dentro de mim”.

2016 Sol

1. Até de manhã
2. Tenra terra
3. Um barato
4. Pra te tocar
5. Que mal tem?
6. Grafitesão
7. Ah, se não fosse o amor
8. Pra pegar
9. Salto no escuro
10. Sol

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O MACACO BONG ESTÁ DE VOLTA COM A PEDRADA DA VEZ

A banda cuiabana 'Macaco Bong' volta com novo álbum inspirado e recheado de riffs potentes e poderosos.  

A banda 'Macaco Bong' era formada por Bruno Kayapy na guitarra, Ynaiã Benthroldo na bateria e Ney Hugo no baixo lançou o disco de estréia em 2008, o seminal 'Artista é Igual Pedreiro', que foi o primeiro álbum virtual da Trama Musical – mais ou menos a Natura hoje em dia...

Depois de dois anos de muito incenso pela espetacular estréia, a banda lançou novo material com o EP 'Verdão e Verdinho, que prometia muito mas deixava um anseio por mais peso pois a banda flertava mais com o jazz e criava climas e paisagens melancólicas que não seguiam o som do álbum anterior.

Então veio o 'This is Rolê' onde o power trio trazia a participação de Tulio Mourão, com Gabriel Murilo no baixo. Parecia, na época, um bom sucessor para o álbum de estréia – já que em 2012, ninguém aguentava mais esperar pelo segundo disco da banda.

Nisso a banda acabou... E ficou o Kayapy na sua guitarra como um guerreiro solitário em uma banda de um homem só.

Pois em 2015 o 'Macaco Bong' ressurgiu com um disco urgente, sujo e experimental, que trazia em sua essência a poderosa máquina de riffs certeiros de Kayapy. Nessa época eram seus parceiros Daniel Fumega na bateria e Julio Cavalcante no baixo.

Hoje, já com outro integrante no baixo, o Daniel Hortides, a banda apresenta seu mais novo trabalho, o auto-intitulado 'Macaco Bong'. Neste novo álbum, o 'Macaco Bong' apresenta um disco de clássicos pós-modernos.

O disco abre com hipnotizante 'Lurdz' e depois segue com a balada 'Bejim da Nega Flor' para culminar com a épica 'Chocobong'. 'Baião de Stoner' faz o que se propõe ao colocar o baião no rock ou vice e versa e logo na sequência 'Saci Craquente', que faz menção ao maracatu e ao frevo. O disco encerra com a máquina de riffs acelerada de 'Carne Loca', 'Distraídos venceremos' e 'Macaco'.

O que na época era uma afirmação no título do álbum de estréia, com 'Artista é Igual Pedreiro', virou uma premonição de que “artista precisa ser igual pedreiro”. Então o 'Macaco Bong' segue com a pedrada certeira de sempre.

2016 Macaco Bong

1. Lurdz
2. Bejim da Nega Flor
3. Chocobong
4. Baião de Stoner
5. Saci Craquente
6. Carne Loca
7. Distraídos Venceremos
8. Macaco