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6.04.2017

AS VÁRIAS BOCAS DO CURUMIN

Novo álbum de Curumin segue o caminho dos anteriores ao focar em batidas pesadas e na mistura homogênea entre orgânico e eletrônico.


Só há uma possível razão para a ordem das faixas do novo disco do Curumin, o 'Boca'. É que é um álbum para ser ouvido de uma só vez, numa sentada, de vereda, de prima, enfim... Desse jeito mesmo. Ainda assim, é uma obra que valoriza as canções em si, ainda que unificadas em uma mesma audição. 

Você começa ouvindo 'Passear', com o próprio Curumin na bateria, Zé Nigro nas programações, Lucas Martins nas guitarras (as vezes teclados e também programações) e Marcelo Maita no piano rhodes. Depois é logo transportado ao universo do monólogo do ator, professor e poeta Paulo Bellinati em 'Trecho de "O Burguês que deu Errado"'. 

'Boca pequena' vem em duas partes: a primeira vem pesadona e formulando narrativas no universo de noticiário ao brincar com várias expressões populares e repeti-las como mantra; a segunda vem calcada nos tambores e no flow de Russo Passapusso, mas também faz narrativa parecida e usa expressões populares noticialescas. 

'Prata, ferro, barro' comenta de forma lúdica e poética o Desastre da Samarco - seguida pela suingada 'Terrível', que possivelmente é um novo clássico da música brasileira. A vinheta 'O atrito' vem como um respiro poético, um despertar de um sonho, numa estranheza clara com a rotação baixa do canto. 

'Boca de groselha' vem na forma de reggae repleto de aliterações, que brincam com os textões nas redes sociais - incrível como essa faixa tem diversos barulhinhos e interferências que enriquecem a transmissão! Seguida por 'Tramela', que tem as rimas aliteráticas de Rico Dalasam. Daí você recebe a 'Cabeça', uma canção instrumental, afro, espacial, electro, hypnotic...

O disco segue com 'Boca cheia' numa levada soul suingada em parceria com Indee Styla, seguida pelo samba de roda de duplo-sentido 'Paçoca', que encerra o álbum com o astral no alto, com participações de Iara Rennó, Anelis Assumpção, Andreia Dias e Max B. O..

Todas artes e fotos são de autoria de Ava Rocha.

2017 Boca

1. Passear
2. Trecho de "O Burgês que deu Errado"
3. Boca pequena parte 1
4. Boca pequena parte 2
5. Prata ferro barro
6. Terrível
7. O atrito
8. Boca de groselha
9. Tramela
10. Cabeça
11. Descendo
12. Boca cheia
13. Paçoca

5.06.2012

ARROCHA O GRAVE E ATOCHA O VOLUME

‘Arrocha’ significa apertar, acelerar ou simplesmente atochar no talo. E arrochar o grave foi o que o Curumin fez no recém-lançado terceiro disco solo, e o título entrega de saída – ‘Arrocha’. O próprio Curumin acredita ser seu disco mais pesado.

Nos primeiros acordes você vê que o autor tinha razão. Sempre. ‘Afroxoque’ é um afoxé com um groove pesadão, de estourar qualquer caixa de som. Um exemplo certeiro de uma boa faixa de abertura – daquela que vai prender o ouvinte até a segunda música e deixar um gostinho de mais som.

O disco segue com ‘Selvage’, que é um electro-afro-beat e já havia sido lançada como single e era a única amostra do peso deste novo álbum. Uma canção que também deixa um gosto de querer ouvir mais. ‘Treme Terra’, a terceira faixa, tem um clima espacial com alguns metais em expansão-ão-ão-ão-ão-ão-ão-ão...

‘Passarinho’ foi uma das últimas canções a ser gravada, autoria de Russo Passapusso – que também participa da faixa de abertura – e tem um lado mais leve e pop. ‘Paris Vila Matilde’ é uma parceria do casal Curumin e Anelis Assumpção, sobre viagens de trabalho, sempre com saudade de casa.

‘Tupázinho Guerreiro’ pode até ser considerada como uma suíte, uma faixa de transição para um lado mais calmo e melancólico do disco. Mas não podia faltar reggae nesse álbum e o ritmo vem representado na forma de ‘Vestido de prata’ e ‘Doce’, que fazem você cantarolar e balançar ao som das melodias.

As faixas finais voltam ao experimentalismo eletrônico pesadão, que o Curumin se propõs nesse novo trabalho. ‘Blimblim’ e ‘Sapo Cururu’ são duas faixas instrumentais, ‘Acorda’ é um belo poema musicado, ‘Pra nunca mais’ é mais um daqueles sambinhas melancólicos que o Curumin faz tão bem e o disco encerra com a vinheta ‘Bambora!’.

‘Arrocha’ é um disco pesado e suave, arrochado e solto, cabeçudo e popular – que reflete uma das grandes qualidades do Curumin – que é saber dosar duas referências opostas em partes iguais no produto final. ‘Arrocha’ é tudo isso!



2012 Arrocha

1. Afroxoque
2. Selvage
3. Treme Terra
4. Passarinho
5. Paris Vila Matilde
6. Tupázinho Guerrero
7. Vestido de prata
8. Doce
9. Blimblim
10. Sapo Cururu
11. Acorda
12. Pra nunca mais
13. Bambora!

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