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6.09.2013

ANGELA COITADINHA, RÔ, RÔ, BEM FEITO!

Homenagem a cantora Angela Rô Rô, valoriza as grandes composições desta intérprete autoral, na voz dos novos artistas da música brasileira.


“Coitadinha, Bem Feito” é um álbum tributo à compositora Angela Rô Rô produzido por Zé Pedro, com releituras de clássicos do repertório da cantora, feitas por cantores da cena musical atual.

Abrindo com o hit máximo da carreira desta artista, “Amor, meu grande amor”, na voz do cantor Lucas Santtana, que desconstruiu o belo blues com programações e samples pontuando a melodia executava em baixo, órgão e sintetizadores – todos executados por Santtana. A bela canção “Renúncia” tem Lirinha, Pupillo, Berna Ceppas, Igor Medeiros e Rodrigo Coelho.

Leo Cavalcanti apresenta uma versão singela de “Carne e case”, com o auxílio do violoncello de Bruno Serroni. Rômulo Fróes apresenta “Só nos resta viver” no violão, com Luca Raele no clarinete. “Mares de Espanha” foi interpretada por Thiago Pethit, com Pedro Penna, Camila Lordy, Anderson Ambrifi e Leonardo Rosa.

Tatá Aeroplano apresenta a “Balada da arrasada” com Junior Boca, Meno Del Picchia e João Leão. A canção que dá título ao álbum, “Coitadinha, bem feito”, chega na voz de Otto, com Pupillo na bateria, teclado e programações e Regis Damasceno no baixo e guitarra. Gui Amabis entrega “Abre o coração”, também com Damasceno.

“Gota de sangue” aparece pelas mãos do multi-instrumentista e responsável pelo padrão de qualidade do “CSS”, Adriano Cintra. Enquanto Pélico é o responsável pela releitura de “Não há cabeça”, com Jesus Sanchez, Tato Cunha e Bruno Bonaventure.

“Fogueira” tem Rodrigo Campos na guitarra e voz e também Rica Amabis e Alexandre Ribeiro. Kiko Dinucci apresenta “Tango da bronquite”, numa reconstrução em voz e violão, com os teclados de Zé Nigro. Rael da Rima vem com uma banda de responsa em “Perdoai-os, pai”, com Muka Brass, Rafael Costa, Bruno Marccuci e Bruno Dupré.

“Fraca e abusada” tem a voz de Gustavo Galo, com Pedro Gongon Manesco, Del Picchia e Zé Pi. A voz e violão de Dani Black aparecem em “Tola foi você”, seguida de “A mim e a mais ninguém” com Juliano Gauche, Gustavo Souza, Del Picchia, Gustavo Cabelo, Zé Pi e João Leão.

Encerrando com Helio Flanders cantando e tocando piano em “Me acalmo danando” com o violino de Fernanda Kostchak. Um tributo bem produzido e bem elaborado, com grandes canções da cantora Angela Rô Rô, que tem sido subestimada como compositora de sucessos.

2013 Coitadinha, Bem Feito

1. Amor, meu grande amor - Lucas Santtana
2. Renúncia - Lirinha
3. Came e case - Leo Cavalcanti
4. Só nos resta viver - Romulo Fróes
5. Mares da Espanha - Thiago Pethit
6. Balada da arrasada - Tatá Aeroplano
7. Coitadinha, bem feito - Otto
8. Abre o coração - Gui Amabis
9. Gota de sangue - Adriano Cintra
10. Não há cabeça - Pélico
11. Fogueira - Rodrigo Campos
12. Tango da bronquite - Kiko Dinucci
13. Perdoar-os, Pai - Rael
14. Fraca e abusada - Gustavo Galo
15. Tola foi você - Dani Black
16. A mim e a mais ninguém - Juliano Gauche
17. Me acalmo danando - Helio Flanders

8.12.2012

SEM NOSTALGIA DE SER REMIXADO

O álbum de Lucas Santtana, ‘Sem Nostalgia’ lançado em 2009, foi pensado e concebido para subverter o velho e eficiente formato de voz e violão, introduzindo também ambiências, efeitos e samples acústicos de famosos hiffs violônicos de Dorival Caymmi a Baden Powell.

Um disco bem sucedido em desconstruir o conceito acústico, e que já pode muito bem ser considerado como um dos mais importantes discos brasileiros da primeira década dos anos 2000.

O ‘Sem Nostalgia’ foi lançado na Europa apenas em 2011 e agora está sendo lançado com versões remixadas por gente como Rodrigo Brandão, Deerhoof, Burnt Friedman, JD Twitch, DJ iZem, El Buho, A.J. Holmes e Stuttgart, entre outros.

Destaque para as versões de ‘Amor em Jacumã’ de A.J. Holmes, ‘Cira, Regina e Nana’ de M. Takara e a versão funk-quebradeira de João Brasil para ‘Who can say wich way’.

2012 Remix Nostalgia

1. Cira, Regina e Nana (M. Takara 3 remix)
2. Night-time in the backyard (Deerhoof John Dieterich remix)
3. Cá pra nós (Burnt Friedman remix)
4. Super violão mashup (Lucas Santtana's Monome remix)
5. Who can say which way (João Brasil's baile funk montage)
6. Cira, Regina e Nana (a JD Twitch Optimo mix)
7. Super violao mashup (Rodrigo Brandão & Embolex remix)
8. Hold me in (DJ iZem remix)
9. Cá pra nós (El Buho remix)
10. Amor em Jacumã (A.J. Holmes remix feat. Mariana Rabello Pinho)
11. Cira, Regina e Nana (Stuttgart version)
12. Recado para Pio Lobato (Agnya, H-Tenza & Phiorio remix)

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3.04.2012

O DEUS QUE DEVASTA É O MESMO QUE TAMBÉM CURA


Com um disco autobiográfico, Lucas Santtana se supera em seu quinto álbum, ‘O Deus que Desvasta mas Também Cura’.

Este lançamento segue cheio de transgressões, derivadas do álbum anterior (‘Sem Nostalgia’ de 2009), mas com um recorte pop dos primeiros discos (‘Eletrobendodô’ e ‘Parada de Lucas’). É como um vislumbrar o passado, sem (nenhuma) nostalgia.

A faixa que dá nome ao álbum abre com a tradição característica dos arranjos do maestro Leitieres Leite e sua ‘Orkestra Rumpilezz’. ‘Músico’ é um electro-afrobeat, com participação especial de Curumin no mpc, CéU nos vocais, Gustavo Ruiz nas guitarras, Marcos Gerez no baixo, Maurício Fleury no sintetizador e Bruno Buarque na bateria, que também divide a produção com Santtana, além da participação de Rica Amabis, creditado como co-arranjador e integrante da ‘Orquestra Sinfônica de Lagos’, numa clara referência ao berço desse ritmo.

Em ‘Jogos madrugais’, Santtana remete à sonoridade de velhas canções como ‘Lycra-limão’ ou ‘Itapoã ano 2000’, mas também traz a tona ecos de ‘Who can say wich way’, num belo arranjo em parceria com Gilberto Monte. ‘É sempre bom lembrar’ é uma balada nos moldes de ‘Hold me in’ – também do já clássico ‘Sem Nostalgia’ – arranjada em parceria com Gui Amabis, integrando a ‘Camerata Impressionista Grifnória’, que também tem a clarineta de Luca Raelle, o vibrafone de Marcelo Lobato, baixo acústico de Kassin (que também toca sintetizador) e violoncelo de Hudson Lima.

‘Se pá ska S.P.’ e ‘Vamos andar pela cidade’ mantém elos de ligação com o álbum ‘3 Sessions in a Greenhouse’. A primeira tem participação especial da guitarra solo de Morotó Slim, enquanto a outra tem novamente Bruno Buarque nas baquetas. Mas as duas faixas têm o auxílio da ‘Rio Brass Ensemble’ – com Leandro Joaquim no trompete e Marco Serragrande no trombone – e ‘Double Pack System Brass Ensemble’ – com Guizado no trompete e Edy no trombone – respectivamente.

‘Ela é Belém’ anuncia o arranjo e programações eletrônicas de Gilberto Monte, na orquestra de um homem só, ‘Filarmônica de Hogwarts’. ‘Para onde irá essa noite?’ é um simples e efici-indie rock com final apoteótico, com baixo meloso de Ricardo Dias Gomes, piano Rhodes e Hammond de Lucas Vasconcelos, bateria de Marcelo Callado e guitarrinha frenética de Gustavo Benjão. Inclusive, essa mesma banda acompanha Lucas em quase todas faixas do disco, salvo as participações aqui mencionadas.

“É uma manhã de domingo”, prega a canção composta entre pai e filho, Lucas e Josué. “Cadê Joaquim?”... Em ‘Dia de furar onda no mar’, Santtana posiciona na beira da praia uma exaltação à amizade na infância, pela óptica de Josué. “Convida o Matheus?”.... O menino Josué não é estreante no mundo das artes, visto que já compôs o ‘Funk do Ninja Bebê’ e está prestes a lançar o livro ‘ABC do Josué’ – onde define palavras como contemporâneo, incidência, almejar e réveillon – do qual o pai retirou essas mesmas definições para compor parte da letra.

‘O Paladino e seu cavalo Altar’ é a versão de Lucas Santtana para ‘This is not the fire’ da banda inglesa ‘My Tiger My Timing’, que faz um pop-new-wave contemporâneo. A faixa é herdeira absoluta d’O violão de Mário Bros’, numa ode aos vídeo-games. Inclusive Santtana utiliza-se de samples de alguns jogos antigos.

‘O Deus que Devasta mas Também Cura’ é um disco ousado, no qual Santtana mistura música erudita, games, barulhinhos e diversas programações eletrônicas em vários gêneros e ritmos, que permeiam toda obra.

O mote do disco é o momento atual de Lucas Santtana, temas como saudades, amores, dores, vícios e prazeres são pontuados pelas faixas dessa obra coesa. É impossível não ouvir o disco como uma peça única, desde a primeira canção à ultima. Este é ‘O Deus que Devasta mas Também Cura’.

2012 O Deus que Devasta mas Também Cura

1. O Deus que devasta mas também cura
2. Músico
3. Jogos madrugais
4. É sempre bom se lembrar
5. Se pá ska S.P.
6. Ela é Belém
7. Vamos andar pela cidade
8. Pra onde irá essa noite?
9. Dia de furar onda no mar (para Josué, Matheus e Joaquim)
10. O Paladino e seu cavalo Altar (This is not the Fire)

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1.09.2011

O DISCO BRASILEIRO MAIS IMPORTANTE DA DECADA, SEM NOSTALGIA

Sei que muitos irão discordar dessa escolha e posso até concordar que existam candidatos excelentes, que tenham discos até mais populares e fáceis de ouvir que o ‘Sem Nostalgia’ do Lucas Santtana. Para esses, recomendo a audição desse álbum com fones de ouvido...

Acontece que eu o acho importante por uma série de razões, entre elas o fato de ser uma obra que resgata o velho formato voz e violão e subverte-o de tal forma que não parece ter apenas voz e violão. Claro que não há exclusivamente voz e violão, porque existem samples e programações, sem falar em toda a ambientação – mas tudo isso são camadas para cada música.

O disco abre com uma colagem frenética de grandes riffs de violão, ‘Super violão mashup’, começando com ‘Noite de temporal’, de Dorival Caymmi e seguindo com trechos de outros grandes artistas do instrumento, como Baden Powell, Jorge Benjor, Gilberto Gil, Tom Zé, Moraes Moreira, entre outros. Essa faixa funciona bem como abertura e prepara o ouvinte para o que vem a seguir.

A faixa ‘Who can say wich way’ tem uma levada contagiante, que é praticamente impossível não bater o pezinho marcando o ritmo. A interação entre o riff do violão com o violão mineirinho dá força à gravação. Tudo isso aliado à batucada no corpo de outro violão. Por isso mesmo o disco é uma obra de voz, violão e ambiente, nas palavras do próprio Santtana.

‘Night time in the backyard’ é uma parceria com Arto Lindsay. Começa com o violão de Santtana e vai logo apresentando as camadas. Que barulho é esse? Um ruído do som? Não... É um grilo! Cadê esse grilo safado? Mas ai você entra mais fundo no bosque, na floresta, no jardim, ou onde sua imaginação o levar... Essa é uma faixa pra se respirar, junto com a retomada de ar de Santtana, junto com as cigarras, com os grilos e todos outros insetos, capturados na maravilhosa máquina de gravação do tempo... Inspira... Expira... “Closer, closer, closer… night begains to fall”.

‘Cira, Regina e Nana’ tem mais uma levada irresistível, com o riffs e batucadas nos violões entre ecos e delays. Uma das melhores faixas do disco. Uma canção adorável que conta uma história ao inverso do descrito em ‘Terezinha de Jesus’ do Chico Buarque, mas também tem um pé no ‘Taj Mahal’ de Jorge Benjor.

‘Recado pro Pio Lobato’ faz guitarrada misturando violões, com programações e samples. Tudo começou quando Pio Lobato misturou maracatu com guitarrada em ‘Recado pra Lucio Maia’, claramente uma referência ao guitarrista do Nação Zumbi. Antes de Maia poder responder o recado, Santtana pegou o fio da meada e fez essa canção em parceria com Régis Damasceno. Hoje Maia já lançou a sua resposta no disco novo do ‘Maquinado’, ‘Recado ao Pio, extensivo ao Lucas’. Foi assim, que ‘Mr. Spaceman’ acabou sendo esquecido…

‘Hold me in’ é uma balada. Uma nova pausa pra respirar… Enfim. Esse é um disco de voz, violão e ambiente e essa faixa também é uma das favoritas. Tem a voz sussurante de Santtana, os harmônicos no violão e quase que dá pra senti-lo reclamando de sede. Um copo d’água pro Santtana, por favor? Mais uma parceria com a belíssima poesia de Lindsay. “Hold me once, and hold me twice, while night booms on the sand”.

‘Amor em Jacumã’ de Dom Um Romão e Luiz Ramalho, ganhou releitura a altura. A música ficou famosa com arranjo de Sivuca para a banda ‘Cravo & Canela’, mas já estava na hora de trocar “tô na minha, agora” por “vou dar uma bola”. Deu outro sentido à canção, ainda mais com voz, violão e ambientação. Parece uma praiazinha deserta, com coqueiros, periquitos, o sol nascendo... Mas chove no final do dia... Presta atenção na letra, “subindo e descendo nesse vai e vem (...) que lá em Jacumã ninguém conversa não (...) eu vou dar uma bola”... (tosse).

A última parceria com Arto Lindsay, ‘I can live far from my music’ podia ser um rockão, podia ser um industrial, drum’n’bass e podia até mesmo figurar no repertório do disco dub de Santtana, ‘3 Sessions in a Greenhouse’, ou no funkeado de ‘Parada de Lucas’, e até quem sabe no batuque ‘Eletrobendodô’.

Inspira... Expira... ‘Cá pra nós’ é uma parceria com Ronei Jorge. Uma canção que acaba explicando o conceito, ou espírito, do disco, “sem ilusão, sem nostalgia”. ‘O violão de Mário Bros’ repete a fórmula de samples de grandes riffs clássicos do violão brasileiro, construída em parceria com João Brasil.

Em ‘Ripple of the water’ você volta a ouvir a noite cheia de grilos e ouros insetos. É uma faixa que abusa do efeito estéreo e surround, dando a sensação de que se fechar os olhos estará dentro do bosque do ‘Sem Nostalgia’, com a noite estrelada e o barulho dos insetos “in the nightfall”... A voz de Santtana vai passeando pelo canal esquerdo, direito, surround, até o final quando você ouve os passos da voz se distanciando do alto falante.

‘Natureza nº1 em Mi maior’ é faixa que encerra o disco, com a magistral orquestra de insetos e violão de Santtana. Mesmo com três músicas cantadas em português, contra cinco em inglês, Santtana fez um disco mais brasileiro que muitos outros por aí. Por todos esses motivos, que eu recomendo uma audição mais cuidadosa do ‘Sem Nostalgia’.

É portanto, o disco mais importante da década. Um álbum que transcendeu o formato, de voz e violão, tornando impossível associá-lo com a velha fórmula. Em tempo, Lucas Santtana lançou uma coletânia em vinil (pelo selo Vinyl Land) de todos seus discos, inclusive o ‘Sem Nostalgia’.

2009 Sem Nostalgia

1. Super violão mashup
2. Who can say which way
3. Night time in the backyard
4. Cira, Regina e Nana
5. Recado para Pio Lobato
6. Hold me in
7. Amor em Jacumã
8. I can’t live far from my music
9. Cá pra nós
10. O violão de Mário Bros
11. Ripple of the water
12. Natureza nº1 em Mi maior

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7.19.2009

SUPER VIOLÕES SMASHED UPZ!

Lucas Santtana já vinha alardeando seu disco pelos quatro cantos, como um álbum feito com voz e violão. Também já tinha disponibilizado algumas faixas no ‘Diginois’, e no ‘My Space’.

Pois o disco do Lucas Santtana começa entortando o cabeção com ‘Super violão mashup’. É uma faixa de ‘samples’ de vários ‘riffs’ de violões do que tem de melhor na música ‘clássica’ popular brasileira... E funciona quase como uma fantasia sobre o tema ‘Noite de temporal’ do Caymmi. Como é uma canção curta, você cai direto na vibrante ‘Who can say which way’.

É a deixa para você curtir uma baladinha e respirar um pouquinho. “Closer, closer, closer...” na delicada ‘Night time in the backyard’. Tem até uma orquestra de insetos! A partir dai o disco só cresce, com a levada samba-funk de ‘Cira, Regina e Nana’, faixa que tem auxílio da batucada do Curumin, no corpo do violão.

Depois vem um ‘Recado para Pio Lobato’. Mais parece um desafio para o músico paraense responsável pelo ‘Mestres da Guitarrada’. Seguida de mais uma balada (pra respirar) ‘Hold me in’.

“Vou dar uma bola” e curtir a regravação de ‘Amor em Jacumã’, composta pelo baterista Dom Um Romão, que também tem o frenético batuque do Curumin, e mostra uma versão chuvosa da praia de Jacumã. Vai saber qual praia de Jacumã é essa dá música? “Lá em Jacumã, ninguém conversa, não”...

A partir daí o disco continua com ‘I can’t live far from my music’, ‘Cá pra nós’ e na parceria com João Brasil em ‘O violão de Mário Bros’. O disco termina nas intimistas ‘Ripple of the water’ e ‘Natureza nº 1 em Mi maior’, ambas com arranjos de inseto e violão.

Há uma preocupação muito grande em criar climas para as canções, como os insetos em certas faixas, chuva, máquina de escrever etc, entre um acorde e outro do violão popular brasileiro.

Eu Ovo: De onde surgiu essa idéia? Do violão e tudo mais...
Lucas Santtana: Era uma idéia antiga. Queria fazer minha leitura desse formato pois achava que ele não tinha mudado muito nesses últimos 50 anos. Era um desafio com o qual poderia me divertir e ao mesmo tempo uma patologia da qual queria me livrar, hahahaha...

EO: Quem foram os mestres que influenciaram nos efeitos, arranjos etc? (Porque eu vi ecos do ‘Dark Side’ no ‘Recado p/ Lobato’, Tom Zé na ‘Cira, Regina e Nana’ etc) LS: Hahahha, o bom de disco, poesia etc. É que cada um coloca um pouco do seu próprio histórico na hora de interpretar. Acho que sou a pessoa que nunca ouviu ‘Dark Side’ inteiro, juro! Hahahaha. Já Tom Zé me influenciou mesmo. Suas experimentações. Esse disco não deixa de ser um ‘Estudando o Voz e Violão’. Como ele fez com o disco ‘Estudando o Samba’. A lógica de destrinchar e experimentar com um formato clássico é a mesma.

EO: Porque você resolveu cantar em inglês em tantas faixas?
LS:
Foi natural. Duas vieram em inglês e outras três chamei o musico brasileiro/norte-americano Arto Lindsay para fazer as letras. Ele é quase um poeta na lingua inglesa. Por isso mais letras em inglês. Nada intencional...

EO: O show desse disco fica bem diferente, né?
LS:
Fica. Até porque quem não sabe que o disco é de voz e violão pode ouvir sem essa informação. Na real isso era uma coisa que eu buscava. Que no final não soasse mais como um disco de voz e violão. Como o próprio disco soa as vezes banda, as vezes eletrônico, as vezes folk, etc, adaptar o disco ao show com a banda não foi complicado.

EO: Vai rolar um disco ao vivo?
LS:
Provável sabia... Estou com uma banda nova, formação diferente, seria legal registrar essa formação. A seleção natural atualmente sou eu na voz, guitarra, cavaco e monome; Regis ‘Mr. Spaceman’ Damasceno na guitarra; Rian Batista no baixo e vocal; Bruno Buarque na bateria e mpc e Dustan Gallas no ‘rhodes’ e sintetizadores.

EO: Sendo um cara que está sempre fuçando na internet... Como é que fica essa estória de ter seu disco na internet?
LS: Alguém vai colocar. E acho ótimo. O outro disco vendeu mais rápido que os anteriores com o cd para baixar no ‘Diginois’. Esse também vai para o diginois. No comentário do ‘Urbe’ por exemplo um rapaz de Sete Lagoas baixou o disco. Pô, o disco não irá para uma loja em Sete Lagoas. Como é que ele ia ter acesso? Quem baixa um disco e quer comprar acaba comprando, não tem essa. Eu fico feliz de mais pessoas em regiões distintas terem acesso a ele.

EO: Depois da pergunta acima, eu nem preciso mais saber sua opinião sobre a questão dos downloads, das leis e tudo mais... Né?
LS:
Canso de repetir isso. Liberar download na web não faz você perder seus direitos como compositor. Se tocar num filme, numa novela, num comercial, na rádio, na TV, enfim, você irá receber por isso. Se você quiser vender na web também é possível. Uma coisa não desmerece a outra.

EO: Então como é que vai ser essa divulgação mouse a mouse? Shows marcados? Como é que vai ser?
LS:
Vários shows marcados. Já temos agendado 10 capitais para fazer no Brasil. Argentina, Chile e vem mais por ai. O disco acabou de sair...

EO: Quais vão ser os formatos do CD? Vai ter SMD?
LS:
Por enquanto o único formato é esse da CD promo. Formato ‘digipack’ que nem foi o ‘3 Sessions’...

EO: Então é isso. Obrigado pela entrevista e abraços...
LS:
Abs e valeu!

2009 Sem Nostalgia

1. Super violão mashup
2. Who can say which way
3. Night time in the backyard
4. Cira, Regina e Nana
5. Recado para Pio Lobato
6. Hold me in
7. Amor em Jacumã
8. I can’t live far from my music
9. Cá pra nós
10. O violão de Mário Bros
11. Ripple of the water
12. Natureza nº1 em Mi maior

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