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3.12.2017

A GENTE SE FODE BEM PRA CARAMBA...


O compositor Kiko Dinucci apresenta o novo álbum com o que há de melhor no punk rock vanguardista paulistano.


O novo disco de Kiko Dinucci é uma opereta de ruídos, que se revela como uma crônica urbana de melodias e harmonias herméticas. 'Cortes Curtos' é um petardo impossível de ser analisado pelo formato tradicional de canção e tal. Pois ele funciona como uma peça cinematográfica.

A viagem começa com 'No escuro' – canção de Kiko em parceria com Wandi Doratiotto – com a participação dos vocais de Juçara Marçal, Ná Ozzetti e Tulipa Ruiz. 'Desmonto sua cabeça' e 'Fear of pop' formam uma suíte pesada que precede a bela 'Chorei', de novo com a voz sublime de Juçara Marçal – na canção de Beto Villares.

'Terra de um beijo só' é uma ode a São Paulo, cidade onde o encontro causal é quase impossível – canção de Kiko em parceria com Anna Zepa. Nesta fase crônicas paulistanas, Kiko ainda apresenta um recorte de uma briga cotidiana em 'Uma hora da manhã'.

'Seus olhos' é um hard rock pesadão com baixo marcante de Marcelo Cabral e viradas de batera espetaculares de Sergito Machado – canção composta por Kiko em parceria com Sinhá. 'O inferno tem sede' tem vocais de Tulipa Ruiz e tem uma levada reggae tradicional, que faz ferver qualquer baladinha.

'Morena do Facebook' é uma balada eletro-space-brega-xicletinha que podia muito bem ser tema de novela. Toda essa leveza some em 'Quem te come', com Suzana Salles nos vocais. 'Inferno particular' tem vocais de Ná Ozzetti e é um skazinho russo, que podia facilmente animar noites de algum inferninho.

Apesar do nome, o 'Chorinho' entorta tudo mais uma vez. 'Vazio da morte' volta à crônica urbana com um relato de um suicida frustrado pela burocracia. A tensa 'Crack de ninar' não dá trégua e revela uma cidade suja e imperfeita. 'A gente se fode bem pra caramba' encerra o álbum de forma alegre e bem humorada.

Apesar de ser um disco em arquivo único – onde se deve ouvir do início ao fim – Kiko Dinucci fez um álbum de belas canções, que devem fazer parte de qualquer seleção das melhores canções do ano.

Kiko Dinucci 2017 Cortes Curtos

1. No escuro
2. Desmonto sua cabeça
3. Fear of pop
4. Chorei
5. Terra de um beijo só
6. Uma hora da manhã
7. Seus olhos
8. O inferno tem sede
9. Morena do Facebook
10. Quem te come
11. Inferno particular
12. Chorinho
13. Vazio da morte
14. Crack de ninar
15. A gente se fode bem pra caramba


*Arquivo único em mp3 – com todas as faixas no mesmo arquivo....

5.30.2016

A CANTORA, O GUITARRISTA E O SAXOFONISTA

Banda com Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França lança terceiro álbum e desponta no cenário internacional.


O 'Metá Metá' é pura força do candomblé! Uma noite no terreiro! As performances ao vivo são de força e energia. Neste terceiro álbum a banda captura em estúdio a potência sonora das apoteóticas apresentações.

Dessa vez o 'Metá Metá' brinca com a escala da música árabe, influência da turnê marroquinha, que levou a banda a tocar na capital Rabat. Intitulado 'MM3', o novo disco potencializa a agressividade alcançada pela banda nas performances e canaliza tudo nas nove faixas.

'Três amigos' abre o álbum preconizando as três partes da 'Metá Metá' – Juçara Marçal no vocal, Kiko Dinucci na guitarra e Thiago França no saxofone – hoje os três recebem auxílio de Sergio Machado na bateria e Marcelo Cabral no baixo. Todos juntos fizeram os arranjos do novo álbum.

'Angoulême' trás a primeira parceria do trio, composta especialmente para este disco. Com forte pegada punk-rock a canção ainda trás experimentação sonora e vocal de Juçara Marçal – que iniciou a carreira no grupo vocal e agora pode ser considerada uma das maiores cantoras brasileiras da atualidade. 

'Imagem e amor' é mais uma parceria de Kiko com Rodrigo Campos, que inicia delicadamente e logo se transforma em uma tensa experiência. “A imagem do amor não é pra qualquer um. Fere os olhos desleais, impele os imortais”, revela a letra. Onde a voz de Juçara ecoa através dos cânticos comuns na cultura popular árabe.

'Mano légua' é uma das mais lindas e brutas canções de todos os tempos – com o saxofone complementando o riff da guitarra enquanto contrapõe os vocais. Parceria de Juçara com Dinucci. 'Angolana' é mais uma parceria do trio e representa a canção mais popular do disco. A melodia dobrada pelo sax e vocal deixa à guitarra a função de criar uma linha narrativa e ao baixo a criação do clima de faroeste. Bonito solo apoteótico do França.

'Corpo vão' é mais uma parceria da cantora, do guitarrista e saxofonista. Como sempre, os vocais cumprem a função instrumental como um dos pontos de um triângulo equilátero, que se reforça na participação das cordas e sopros. 'Osanyin' evoca o senhor das folhas, que no candomblé é Ossain – o que era pra ser uma canção delicada vai se tornando pesada e criando clima até se encerrar suavemente.

'Toque certeiro' é uma parceria entre Siba e Kiko Dinucci e mostra nitidamente as influências africanas do cantor pernambucano e a veia sambista do compositor paulistano. Toda essa mistura para criar uma mistura entre o ritmo tradicional de Mali, o afrobeat da Nigéria com o samba brasileiro. A perfeita sincronia entre os vértices deste triângulo impressionam e impregnam os sentidos de quem percebe além do hermetismo.

'Obá Koso' quer dizer “Rei Koso” em iorubá e representa a lenda do menino rei. Uma bela canção representante do Candomblé Ketu. Com esse sentimento o 'Metá Metá' encerra o álbum mais pesado de sua carreira. Oxalá venham muitos outros pesados, leves, tortos ou mais tortos... Axé!

2016 MM3

1. Três amigos
2. Angoulême
3. Imagem e amor
4. Mano Légua
5. Angolana
6. Corpo vão
7. Osanyin
8. Toque certeiro
9. Obá Koso

8.16.2015

CAMBACO É VICENTE BARRETO, É TAMBÉM PASSO TORTO E É METÁ METÁ

Compositor baiano lança álbum cheio de parcerias com a turma paulistana, que inclui Rodrigo Campos e Thiago França.  


Vicente Barreto é antigo parceiro de Alceu Valença e também outros artistas, mas é mais comumente conhecido como co-autor de 'Morena Tropicana'. Pois foi recentemente que ele lançou o álbum 'Cambaco'.

Com produção de Marcelo Cabral, 'Cambaco' tem composições fortes com diversas parcerias de Vicente; com Rômulo Fróes em 'Tataravô' e 'Chororô', com Kiko Dinucci em 'É tipo de conversa' e 'Sabiás', com Rodrigo Campos em 'Karina' e 'Jardim Japão, com Manu Maltez em 'Cambaco' e 'Preço do amanhecer' que abrem e encerram o disco.

Um álbum de ranger os dentes que representa o encontro do 'Passo Torto' com o 'Metá Metá', Isto é, Marcelo Cabral no baixo e Rodrigo Campos na guitarra com Sergio Machado na bateria, Thiago França no saxofone e flauta e a participação especial de Juçara Marçal cantando em duas faixas – a faixa-título que abre o disco e 'Herança', feita por Vicente em parceria com Rafa Barreto, o próprio filho, a quem ele dedica este álbum.

O fato é que o som rasgante dos novos vanguardistas paulistanos faz bem ao estilo vocal de Vicente Barreto meio Gil Scott-Heron, Coehn, Waits etc. A combinação entre o ruído programado com o cantar quase declamatório é estilosa e elegante. Com certeza é um disco importante no cenário atual.

2015 Cambaco

1. Cambaco
2. Karina
3. É tipo de conversa
4. Tataravô
5. Boró
6. Sabiás
7. Batendo sabão
8. Herança
9. Jardim Japão
10. Chororô
11. Preço do amanhecer

7.26.2015

TÔ TE EXPLICANDO PRA TE CONFUNDIR E TÔ TE CONFUNDINDO PRA TE EXPLICAR

O novo disco da banda paulistana 'Passo Torto' vem pra confundir e complicar o entendimento e a percepção.  


'Passo Torto' é uma super banda paulistana. São os caras mais inventivos da cena musical da cidade de São Paulo. Formada por Rômulo Fróes, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral.

Junto com a cantora Ná Ozzetti, eles lançaram o álbum 'Thiago França'. Não... O saxofonista França não faz e nunca fez parte da banda – assim como não participa deste disco. Apenas foi homenageado no título numa clara alusão a eterna confusão que sempre o colocam como membro deste supergrupo.

O fato é que o França toca com toda essa galera em seus trabalhos solo, com Kiko Dinucci ele mantém o 'Metá Metá', que ainda tem a cantora Juçara Marçal, com o Rômulo Fróes ele gravou o álbum mais recente, 'Barulho Feio', com Rodrigo Campos gravou o 'Bahia Fantástica' e com o Marcelo Cabral integra o 'MarginalS', junto com o baterista Tony Gordin.

Foi então que esse quarteto de cinco fez um dos álbuns mais complexos do ano – o álbum 'Thiago França' – com a cantora Ná Ozzetti. O disco é osso duro de roer e ouvir. Uma pérola que faria sorrir o maestro vanguardista Itamar Assumpção e que deve deixar orgulhoso o mestre Arrigo e todos aqueles outros que integraram o movimento de vanguarda paulistano. Mas não tem saxofone nesse disco...

Essa galera do 'Passo Torto' representa a nova geração de vanguardistas e seguem à risca a inventividade e dodecafonia e hermetismo. Impossível terminar a audição deste álbum sem estar modificado ou transtornado de certa forma – de preferência em posição fetal ou em desespero catatônico. Tá esperandoquê?

2015 Thiago França (Passo Torto + Ná Ozzetti)

1. Cipó
2. Perder essa mulher
3. Beth
4. Onde é que tem?
5. Esse homem
6. Homem comum
7. Palavra perdida
8. O cinema é melhor
9. Bloco torto
10. O cadáver

5.24.2015

SOZINHO EU NUNCA ESTIVE SÓ, SOZINHO TODO MAL É PÓ

Banda paulistana segue instigando os ouvintes ao universo das matrizes africanas e ao culto ao afro-ascendente.


O 'Metá Metá' ataca novamente com um EP enxuto e coerente com a linha evolutiva apresentada pela banda até agora.

Formado pelo trio em excelência, Kiko Dinucci nos vocais, violão e guitarra, Juçara Marçal nos vocais e Thiago França nos sopros, eles contam com o auxílio de Sergio Machado na bateria e Marcelo Cabral no baixo.

Esse EP é uma prévia do que vem por aí, no próximo álbum da banda e apresenta três canções que são pedras aos ouvidos. 'Atotô' abre o EP com a saudação a Omulu de Kiko Dinucci, que havia sido gravada anteriormente no álbum 'Padê' de Juçara Marçal com o próprio Dinucci – esse álbum pode ser considerado como um dos pontos de origem para o próprio 'Metá Metá'.

Depois vem o cover pós-punk d'As Mercenárias', 'Me perco nesse tempo', de autoria de Edgard Scandurra. Se você ouvisse separadamente essa única faixa, jamais pensaria que estaria ouvindo o 'Metá Metá'. Rola até um sax sinistro do "espetacular charangueiro" França. 

Para encerrar o assunto, 'Sozinho' é um legítimo samba de Douglas Germano, com aquelas síncopes tão características do mesmo autor do hino máximo da banda, a canção 'Obá Iná'. Nessa canção o 'Metá Metá' se apresenta com a formação acústica do primeiro álbum.

Que venha o disco cheio então! Axé!

2015 Metá Metá EP

1. Atotô
2. Me perco nesse tempo
3. Sozinho



4.08.2012

A BOSSA E O BALANÇO DO SAMBANZO


O Sambanzo é uma banda instrumental que toca estilos tão díspares como samba de gafieira, carimbó, forró, ponto de umbanda, afrobeat e guitarrada. Tudo com uma pegada jazzística e extremamente suingada.

Thiago França é saxofonista e já tocou com Criolo, gravou em trio com Kiko Dinucci e Juçara Marçal, no ‘Metá Metá’, e também lançou o ‘disco sem nome’ do ‘MarginalS’.

Kiko Dinucci é compositor de mão cheia, violonista e cantor, tem a carreira solo (disco gravado com várias parcerias), os discos com o ‘Bando AfroMacarrônico’, o projeto em parceria com Douglas Germano, o ‘Duo Moviola’, e as grandes participações em discos de outros artistas.

Marcelo Cabral é baixista, que além de tocar no ‘MarginalS’ e no já citado ‘Sambanzo’, também divide a cena do ‘Passo Torto’ com Dinucci, Romulo Fróes e Rodrigo Campos. Além de ter produzido um dos melhores discos do ano passado, o ‘Nó na Orelha’, do Criolo.

O bateirista Pimpa e o percurcionista Samba Sam completam essa banda intuitiva que apresenta temas simples, com harmonias de dois acordes (geralmente tônica e dominante), e até melodias de um só acorde. Com uma sonoridade única, o Sambanzo destila veneno em vários estilos musicais.

O disco é produzido por Rodrigo Campos e pelos integrantes do Sambanzo, França, Dinucci, Cabral, Pimpa e Samba Sam. Gravado por Diogo Poças, Emilio Minduca e Léo Mendes no estúdio Plug-in. Mixado e masterizado por Carlos Lima no estúdio YB. O design da capa foi feito pelo próprio Kiko Dinucci.

2012 Etiópia

1. O sino da igrejinha
2. Xangô
3. Tilanguero
4. Capadócia
5. Xangô da Capadócia
6. Etiópia
7. Risca-faca

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10.02.2011

AFINAL DE CONTAS, QUEM É QUE É MARGINAL?

Qual é a cara dos MarginalS? Tem a cara do trio Thiago França, Marcelo Cabral e Anthony Gordin – sopros, baixo e bateria, respectivamente.

Juntos, França, Cabral e Gordin, formam o MarginalS, e fazem um som instrumental que dificilmente se encaixa em qualquer estereotipo ou rótulo. É um som que muda a cada dia, porque é totalmente improvisado.

A banda lançou um disco pela internet no momento em que comemorava o primeiro aniversário como grupo e o Thiago França conversou sobre esse álbum.



Como é o som dos MarginalS?

Nosso som é 100% improvisado, ou seja, cada show é único, tudo é espontâneo e instantâneo, mas o MarginalS tem uma cara, um jeitão, e uma sonoridade. A gente passeia pelo caos e pelo lírico, por grooves pesados e abstrações musicais. O grande lance é o encontro dos três, eu Cabral e Tony, cada um com a sua história e fazendo um som junto. Eu, por exemplo, tô sempre pensando em caminhos alternativos como solista, o saxofone já foi explorado tanto que parece que não há mais o que fazer. Tenho usado alguns pedais de efeito (delay, octaver, phaser…) pra criar texturas e situações, montar acordes, distorcer o som do instrumento, dá pra sacar bem isso no disco. Ou às vezes, simplesmente me jogar na fogueira sem saber o que vai sair e criar em cima disso. O disco não teve pós-produção, todos os efeitos rolam na hora mesmo, tudo ao vivo, a não ser na última faixa do disco (parte 2, parte 3), que passamos um filtro na bateria e colocamos um drive (aquele efeito meio rachado) no baixo acústico e no EWI (que é uma espécie de saxofone MIDI, tipo um teclado), mas ficou sutil e natural, muita gente nem percebe. Daqui um ano, não sei como vai estar o som, e não importa: o mote mesmo é tocar junto, o que acontece quando nós três nos encontramos, aconteça o que acontecer, um por todos, todos por um. Estamos bem felizes de ter gravado o disco e lançado no nosso aniversário de um ano e da repercussão que está tendo.





Como nasceu o disco sem nome? Foi pensado em algum conceito?

O disco existe por ele próprio, como um retrato. Não sei se você está se referindo aos vídeos do MarginalS no youtube. Eles não tem a ver com o disco, são extratos de gravações da época que a gente tocava no +Soma. Queríamos disponibilizar alguma coisa, mas um trecho sozinho não tem o mesmo sentido que no set completo (geralmente com 1 hora de duração), pois como a gente toca sem parar, o que vem antes e depois é essencial, muda completamente a impressão daquele som. Daí veio a idéia dos vídeos, que no caso, a música entra quase que como trilha sonora e ganha vida própria, independente do todo de onde ela surgiu.



Porque MarginalS e não Marginais? O que significa o S maiúsculo?

Não foi uma escolha muito pensada… aliás, nada do que a gente faz é, é tudo meio na base da intuição. Depois de uns meses de resistência minha, começamos a escolher o nome. No início eu não queria, por mim seria só o nome dos três. Mas fomos percebendo que nasceu ali uma coisa nova e única, era mais que um encontro casual. Quando o Cabral apareceu com o nome, eu e o Tony gostamos de cara, soou bem e pareceu correto pra proposta do som. O "S" maiúsculo foi sem querer também. Quando eu estava criando a home no facebook, já existia um "Marginals" e o sistema não aceitava. Coloquei o "S" e rolou. A opção de manter assim foi estética, o nome virou uma espécie de logo.



Você acha que existe um cenário de música instrumental hoje? Onde o MarginalS se encaixa?

Cena ou cenário, acho que é a mesma coisa, mas se usa mais "cena"… Tenho ouvido muito que o MarginalS é "meio jazz mas com uma pegada de rock". Gosto disso. Não consigo enxergar exatamente uma cena instrumental X ou Y, mas, fazendo um recorte com "pegada rock", uns mais, outros menos, eu curto e acho que tem a ver com a gente o Burro Morto, Macaco Bong, M.Takara3, Hurtmold, Guizado e o PsychoJazz.





Pirataria X acessibilidade?

A gente é completamente a favor de disponibilizar tudo, mas nessa questão que você levantou, baixar um disco é só a ponta do iceberg. Historicamente, tirando alguns medalhões como Ivete Sangalo, Roberto Carlos, Xitãozinho e Xororó, entre outros desse quilate, artista nenhum ganhou dinheiro com venda de disco, o disco sempre pertenceu às gravadoras. Hoje, o disco é propriedade do artista, somos nós que decidimos o destino dele. Daí, você vê artistas como o MarginalS, o Metá Metá (que tem eu, Kiko Dinucci e Juçara Marçal), Criolo, Romulo Fróes, entre muitos outros, disponibilizando seus discos pra quem quiser baixar, enquanto outros artistas tão fazendo de tudo pra impedir isso, vide o caso da Ministra Ana de Hollanda. Ela tem os motivos dela. Independente duns trocados a mais ou a menos que viriam pros nossos bolsos, o acesso leva e traz muita coisa pra muita gente. Funciona quase que como um acordo de cavalheiros, você baixa o meu, eu baixo o seu, e tá tudo certo, todo mundo quer ouvir e ser ouvido. No lançamento do CD do Metá Metá em Curitiba tinha gente cantando todas as músicas do disco, e curiosamente, essas são as pessoas que compram o disco, elas valorizam o artista. Num texto de 25 anos atrás, O Hermano Vianna contava que o dono dum selo de música africana tentou lançar o Fela Kuti aqui no Brasil nos anos 80 e nenhuma gravadora se interessou. Isso é acessibilidade, você ter liberdade pra ouvir e pesquisar o que você quiser, apreciar música livremente, longe dos grilhões do jabá. 90% do que eu conheço de música africana, que é indispensável pra tudo que eu faço hoje, é graças a internet. Da mesma forma, as coisas que a gente faz chegam com muito mais rapidez ao público e com uma abrangência enorme, que é muito favorável. O cara que baixa música em casa é o mesmo cara que há um tempo atrás, copiava um vinil ou CD numa fitinha cassete. A proporção disso hoje em dia é infinitamente maior, mas esse cara só quer ouvir música. Pirataria é outra coisa... Pirata é quem lucra com essa "transação". Você não paga pro artista, você não paga o download pro dono do site, mas o provedor de acesso você paga… Vixi, que esse papo vai longe…





Não tem capa, é? ...E qual é o nome do disco?

Tem capa sim, é essa foto da gente jogando bocha, mas não tem nome. No arquivo está como (disco sem nome), talvez esse seja o nome. Na real, muita gente simplesmente diz que é o disco do MarginalS, algumas pessoas estão chamando de "o disco da bocha" - isso eu acho legal, tipo Beatles, que tem o "álbum branco", saca? Hehe... Mas a idéia por trás disso é não induzir a audição do disco, por esse mesmo motivo, as faixas também não tem nomes, apenas indicações, "prólogo", "parte 1", etc… que servem meramente pra formalizar o começo e fim de cada idéia musical que apareceu, mas, ouvindo do começo ao fim, é imperceptível. É muito comum termos feedbacks completamente diferentes do público e a gente gosta disso. Tem gente que lembra de coisas da infância; uns falam que não pensam em nada, que rola um transe; uma vez, uma amiga disse que durante um set do MarginalS teve um insight de como resolver um pepino no escritório. Isso, pra gente, é muito mais importante do que se tivesse alguém prestando atenção em escalas, harmonias, quais pedais eu uso e quando. Queremos dialogar com o nosso tempo, com a cidade e com as pessoas. Não quero ser dissecado por estudantes de música nem virar matéria de faculdade.


2011 MarginalS (Disco sem Nome) ou (Disco da Bocha)

1. Prólogo
2. Parte 1, parte 1
3. Parte 1, parte 2
4. Parte 1, parte 3
5. Parte 1, parte 4
6. Intermissão, parte 1
7. Intermissão, parte 2
8. Parte 2, parte 1
9. Parte 2, parte 2
10. Parte 2, parte 3

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