6.26.2011

SE ORIENTE GIL NA POLITÉCNICA DA USP


Essa gravação de um show de Gilberto Gil é uma pérola da música brasileira. Gil estava chegando do exílio e foi convidado a participar de um protesto contra a morte do estudante da USP, Alexandre Vannucchi Leme, pela ditadura militar.

Nesse show na Escola Politécnica da USP, Gil cantou e músicas e contou casos para um público de quase dois mil alunos. Ele tocou clássicos da época como ‘Oriente’, ‘Meio de campo’, ‘Objeto sim, objeto não’ e ‘Expresso 2222’.

Quando a audiência pediu em coro que cantasse ‘Cálice’, parceria de Gil com Chico Buarque, ele respondeu que não sabia parte da letra. “Tem uma parte da letra, que é do Chico, que eu não lembro e que eu nem aprendia cantar”, lembra. Até que um estudante entregou-lhe uma cópia da letra e Gil apresentou uma versão bela e pungente da canção – como só ele sabe fazer.

Toda a apresentação, com Gil ao violão e conversando com a platéia como se estivesse sentado na rede da varanda. “Numa corrida de obstáculos, um cara vem e pula por cima, o outro passa por baixo”, comenta Gil, arrancando risos da audiência.

A versão acústica de ‘Back in Bahia’ ganhou urgência de raridade, porque é quando ele explica toda a influência de botar o rock no sertão e cantar como as velhas tradições do repente nordestino. Sensacional!!!

Feito na época, em gravadores de rolo, esse registro foi importante pela história da luta contra a ditadura militar. Chegou a ser cogitado como lançamento, mas Gil já era Ministro da Cultura e não deu atenção ao projeto. Em 2002, Paulo Tatit, do Grupo Rumo, remasterizou o áudio, mas não houve acordo nem verba para o lançamento. Depois o arquivo foi parar na internet, e hoje com encarte e capa feitas pelo blog amigo Toque Musical.

1973 Ao Vivo na Escola Politécnica da USP

1. Oriente
2. Gil fala
3. Chiclete com banana
4. Minha nêga na janela
5. Senhor delegado
6. Eu quero um samba
7. Meio de campo
8. Cálice
9. Gil fala
10. O sonho acabou
11. Ladeira da preguiça
12. Expresso 2222
13. Procissão
14. Gil fala
15. Domingo no parque
16. Gil fala
17. Umeboshi
18. Objeto sim, objeto não
19. Gil fala
20. Ele e eu
21. Noite morena/ Duplo sentido
22. Cidade de Salvador
23. Iansã
24. Eu só quero um xodó
25. Edith Cooper
26. Back in Bahia
27. Filhos de Gandhi
28. Eu preciso aprender a só ser
29. Cálice (respise)

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6.19.2011

O TOQUE DO ROJÃO DE RODRIGO CAÇAPA

Outro lançamento do ano. O disco de Rodrigo Caçapa tem participação de Alessandra Leão nas percussões e Hugo Linns nas linhas de baixo.

Nesse álbum, Caçapa eletrificou as violas e gravou uma obra enxuta, apenas com as violas de 12 e 10 cordas, violões-baixo, pandeiro e ganzá.

Baseado em termos usados para identificar os ritmos, como Côco, Rojão, Samba, Baião, Repente ou Baiano. Sem querer, Caçapa me lembrou o álbum ‘Coisas’ do Moacir Santos, mas ele fez o seu próprio exemplar, o Rojão, seu Toque de Rojão – nesse caso o Toque da Viola.

É um disco de viola moderna – ‘Elefantes na Rua Nova’ – porque Caçapa transforma o som da viola com afinações criadas especialmente para as gravações, além de utilizar pedais de efeito como tremolo, reverb e delay.

Caçapa é conhecido pelos discos que produziu, mas este é seu primeiro disco solo, gravado com cuidado e personalidade autoral.

2011 Elefantes na Rua Nova

1. Baiano-Rojão Nº01
2. Coco-Rojão Nº01
3. Coco-Rojão Nº03
4. Baiano-Rojão Nº02
5. Coco-Rojão Nº02
6. Samba de Rojão Nº01
7. Rojão Nº01
8. Coco-Rojão Nº04

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6.12.2011

ENTÃO ARRANQUEM PEDAÇOS DO BONIFRATE


Eu gosto das letras do Bonifrate, que eu conheci no último disco do Supercordas, ‘Seres Verdes ao Redor’. Até mesmo, já havia mencionado aqui antes, que o som dele é o encontro do rock rural brasileiro com os timbres psicodélicos em melodias assobiáveis – seja no Supercordas ou na carreira solo.

Só mesmo na poesia do Bonifrate é que as horas emudecem ou se confirme a existência de uma avalanche de luz ou até a possibilidade de sugestão para lhe arrancarem os pedaços e enterrarem nos quintais da mente.

Somente nos poemas de Bonifrate, que você pode encontrar imagens oníricas como uma fazenda de nuvens, fantamas e gatas loucas, céu lacrimejante, reumatismo temporal, festa interestelar, cronos translacionar, sertão diabril, artefato voador e até mesmo um demônio criador particular. Ou que você possa renascer do ar, chover lembranças e que o trem não improvisa.

O Bonifrate lançou o álbum ‘Um Futuro Inteiro’, que é uma obra coesa, que sempre coexistiu com a obra do Supercordas e com os outros álbuns lançados por ele. Músicas como ‘Esse trem não improvisa’, ‘A farsa do Futuro enquanto Agora’, ‘Vertigem de uma festa interestelar’, ‘O vôo de Margarida’ e ‘Cidade nas nuvens’, que são o que há de melhor no folk-rock-psicolélico-assobiável, representado pelo Bonifrate. Mas não há que deixar de fora, desse cancioneiro, as baladas-folk-líricas ‘Cantiga da fumaça’, ‘Eugênia’ e ‘Naufrágios’ ou a também folk-onírica ‘Antena a mirar o coração de Júpiter’.

Para que você também possa entender o Bonifrate, peguei uns links lá do (Mu)sroom Records... Aqui vai uma amostra do cancioneiro folclonírico desse grande trovador da música folcloral brasileira – incluindo o recém lançado ‘Um Futuro Inteiro’.

2011 Um Futuro Inteiro

1. Esse trem não improvisa
2. A farsa do Futuro enquanto Agora
3. Vertigem de uma festa interestelar
4. Concórdia
5. O vôo de Margarida
6. Cantiga da fumaça
7. Antena a mirar o coração de Júpiter
8. Cidade nas nuvens
9. Naufrágios
10. Nadando
11. Eugênia

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2010 Ao Vivo no Plano B (& os Demônios do Brejo)

1. Seqüelagem
2. Estudo rural em ré maior
3. No try
4. Céu & chão
5. Kissing by the lake
6. Cantiga da fumaça
7. Os anões da Villa do Magma (parte 1)
8. Rumo à Lua num tapete voador
9. Naufrágios
10. Home of the brave (Spiritualized cover)
11. Eugênia

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2006 Breve Viagem ao País das Libélulas

1. Partida (quatro asas)
2. Estadia (a dança da mosca-dragão)
3. Retorno (meu sofá sem você)
4. Epílogo (eu não tenho sorte nessa vida)

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2005 Os Anões da Villa do Magma

1. Os anões da Villa do Magma (parte 1)
2. Céu et chão
3. Bolhas de vidro
4. Os anões da Villa do Magma (parte 2)
5. Estudo rural em Ré Maior
6. No try (capela)
7. Kissing by the lake
8. Rumo à Lua num tapete voador
9. O álcool é piegas
10. Mini-plasma
11. Os anões da Villa do Magma (parte 3)
12. Minha casa orgânica

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2004 Os Seres Verdes Série 1 (& Valentino)

1. Semi-humanos administrando sum-humanos compradores
2. Eterno entardecer
3. RISC vs. CISC

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2003-2001 Paleontologia (Ossadas e Fragmentos)

1. Quando a chuva cai
2. Miolos apaixonados
3. Substâncias cósmicas
4. Kissing by the lake
5. Unicórnio 2D
6. O álcool é piegas
7. Problemas com o radar 1
8. Problemas com o radar 2

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2002 Sapos Alquímicos na Era Espacial (EP)

1. Seqüelagem
2. I.A. e seus Algoritmos
3. Alquimistas do underground
4. Casa com piano
5. Benzitrat
6. Frog Rock
7. Radiação verde
8. Mae'r llyfr ar y bwrdd
9. Bizarrices noturnas
10. Pós
11. Créditos

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2002 Substâncias Cósmicas (Single)

1. Substâncias cósmicas
2. Unicórnio 2D
3. O álcool é piegas

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6.05.2011

SOU SUSPEITA, ESTOU SUJEITA E NÃO SOU SANTA


O álbum de estréia de Anelis Assumpção – filha de Itamar Assumpção – será lançado oficialmente em nove de junho desse ano, mas já está digitalmente disponível para audição no site da Scubidu Records.

Não apenas pelo fato de ser filha de Itamar, que o disco de Anelis abre com uma introdução de voz e violão do pai. Antes de morrer, Itamar fez um acordo com Anelis de que a ajudaria na produção do primeiro disco solo, se ela o ajudasse a reeditar sua obra. A ‘Caixa Preta’ de Itamar foi lançada – infelizmente de forma póstuma, pois Itamar morreu em 2003 – mas mesmo assim ele cumpriu o acordo com a filha.

Segundo reportagem de Marcus Preto na Ilustrada, a própria Anelis não conseguia terminar nada na carreira solo, enquanto não concluísse a 'Caixa Preta' do pai. “Tinha horas que eu ficava até angustiada, me perguntando porque ele foi fazer esse acordo comigo, mas só depois é que fui entender o que estava acontecendo nesse processo”, comenta ela.

O que aconteceu foi um amadurecimento, das canções e da própria carreira de Anelis, além de um ganho considerável em experiência, que ela jamais teria se não houvesse o acordo – já que ela produziu dois discos com material inédito do pai, junto com dois grandes produtores como Beto Villares e Paulo Lepetit. Além desse ‘curso intensivo’ em produção, que teve com a preparação da ‘Caixa Preta’, todo dinheiro ganho com a venda dessa reedição, foi usado na produção do CD ‘Sou Suspeita Estou Sujeira Não Sou Santa’ – resumindo, Itamar foi produtor executivo por tabela.

A música de abertura é uma homenagem a Itamar e à todas mulheres, inclusive à própria filha, ‘Mulher segundo meu pai’, onde a introdução se transforma num dueto arrepiante entre pai e filha. O disco segue abraçando o reggae e o dub em ‘Bola com os amigos’ e até promove o encontro entre o samba e as rimas do rap de Max B.O., em ‘Passando a vez’.

Mas o disco tem outras grandes participações, como Gero Camilo, que foi o par-romântido de Rodrigo Santoro em ‘Carandiru’, mas que usou a veia de ator para dar vida à cafajestagem em ‘Amor sustentável’. Outras participações importantes como Alzira E. em ‘Quaresmeira’, Karina Buhr e Flavia Maia em ‘Sonhando’, Cris Scabelo em ‘One day’, CéU em ‘Neverland’ e Lurdez da Luz em ‘O importante é o que interessa’ – disponível como bônus das versões vinil e digital.

Outra participação importante são das irmãs de consideração de Anelis, Thalma de Freitas e CéU, que juntas formam o trio ‘Negresko Sis’, ‘As Irmãs Negresko’em inglêse que também é referência ao biscoito de mesmo nome, que é usado pra definir a formação de duas negras e uma branca – nesse caso a CéU é o recheio, entre Thalma e Anelis. Juntas elas cantam ‘Secret’ e ‘Alta madrugada’.

‘Luz dos meus olhinhos’ é um reggae com levada hvaiana, com direito a guitarra-slide, mas também de um tecladinho pegajoso, que confere à peça uma pegada bem pop. Em todo disco existe a colaboração de amigos próximos de Anelis, como Bruno Buarque, Mau Pregnolatto, Lelena Anhaia, Simone Sou, Curumin, Lucas Martins, Gustavo Lenza e Gustavo Ruiz, que já havia gravado dois discos com Anelis, além de Iara Rennó, na banda ‘DonaZica’. São ele ‘Composição’ em 2003 e ‘Filme Brasileiro’ em 2005.

Sem falar na presença cósmica de Itamar Assumpção... No início do álbum, como um profeta da arte e consideravelmente culpado por tudo isso. E como se fosse planejado, o disco encerra do outro lado dessa árvore genealógica tão talentosa.

Por isso, ouçam online, gravem nos players, compartilhem, mas não deixem de comparecer ao show, de comprar o CD nas mãos do artista e de apoiar os artistas nos esquemas de ‘crowdfunding’, que é financiamento colaborativo em inglês – como os sites catarse e multidão, que formam o Grupo Comum –, que são utilizados para viabilizar projetos como esse...

2011 Sou Suspeita Estou Sujeita Não Sou Santa

1. Mulher segundo meu pai (& Itamar Assumpção)
2. Bola com os amigos
3. Amor sustentável (& Gero Camilo)
4. Passando a vez (& Max B.O.)
5. Deita I
6. Secret (& CéU + Thalma de Freitas)
7. Neverland (& CéU)
8. Sonhando (& Karina Buhr + Flavia Maia)
9. Estrela
10. Quaresmeira (& Alzira E.)
11. One Day (& Cris Scabelo)
12. Alta madrugada (& CéU + Thalma de Freitas)
13. Deita II
14. Luz nos meus olhinhos
15. Paixão cantada (o urso da cara brilhante)
16. O importante é o que interessa (& Lurdez da Luz)
17. Como é gostoso

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2005 Filme Brasileiro - DonaZica

1. Desperte
2. Vixe Maria
3. Mulher segundo meu pai
4. Salve (& CéU)
5. Nua e crua (psico.samba) (& B.Negão)
6. Cultura (& Simone Sou)
7. Ensaiadinho (& Oswaldinho da Cuíca)

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2003 Composição - DonaZica

1. Pegadas
2. Leve
3. O fio da comunicação
4. Piano
5. Jabá
6. Protesto pessoal
7. Quem quiser
8. Pimenta
9. Macunaíma
10. Dona Zica
11. Até o dia
12. 11.09
13. Valei-me (& Alzira E.)

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5.29.2011

ME VÊ UM CALDO DE PIABA AE? POR FAVOR?



Caldo de piaba é uma expressão pejorativa no norte do Brasil. É como diz o velho ditado, que “tal coisa está mais fraca que caldo de piaba”.

Mas no caso da banda ‘Caldo de Piaba’, o nome dá-se por conta de ser um grupo que toca desde o reggae, rock, brega, ska, carimbó, lambada, dub, funk , jazz etc. Desde o início da banda, eles se reuniam para tocar versões das músicas que todos integrantes curtiam.

Essa banda do Acre é formada por Miúda no baixo, DiDeus na bateria, Saulinho na guitarra e João na percurssão e já está lançando o terceiro EP, em anos consecutivos. O primeiro EP, ‘Volume Um’, foi lançado em 2009 e trazia uma versão especial para ‘Lambada do Amapá’, do conterrâneo Jorge Cardoso, e duas canções autorais; ‘Vemska pro papai’, que é um ska reggaeado e suingado, e ‘O fanq’, que tem menções de ‘Chank’ do Medeski, Martin & Wood e de ‘Lunar tune’ do João Donato.

Já no segundo EP, ‘Volume Dois’, a banda aprofundou nas influências caribenhas da cumbia, salsa, carimbó etc. ‘Moliendo café’ é uma ótima versão da canção do venezuelano Hugo Blanco. ‘People one’ é mais um composição original, mas tem menção de ‘Canto de Osanha’ de Baden Powell. Para Miúda, o processo de composição é livre. “A gente pode criar na hora ou um chega com um tema e vai desenvolvendo junto com a banda no ensaio”, comenta. Este EP se completa com o surf-music X bolero, ‘Sborba’, e para finalizar o reggae meio dub, meio xote, ‘Dexavi (o que pensa)’.

O terceiro EP foi lançado agora, é o ‘Volume 3’, gravado ao vivo no Estúdio Oi FM, e foi transmitido ao vivo no programa de Max de Castro José Flávio Jr. e Paulo Terron. A banda compôs ‘Lambada nova’ e ‘Daimagem’, mas também fez versões para canções de grande mestres da guitarrada, como Vieira e Aldo Sena, ‘Lambada do Rei’ e ‘Lambada classe A’ respectivamente. A banda também gravou versões para ‘I want you (she’s so heavy)’ dos ‘Beatles’ e ‘La ardillita’ da banda peruana ‘Los Destellos’.

A banda vê nos downloads gratuitos como uma ferramenta para atingir um público maior. A nova máxima de que hoje em dia não se vende mais discos, se divulga. Miúda ainda lembra que a banda conseguiu bons convites para show por causa da internet. “O ‘Caldo de Piaba’ não seria nada sem a internet, com 2 meses de banda a gente gravou o primeiro EP e botou no ‘myspace’. Um ano depois a gente tava tocando no ‘Recbeat’, nós sempre usamos a internet com meio de divulgação da banda”, declara.

Nesse momento, a banda está em processo de composição, para ver se lança um disco até o final do ano. Então, aproveitem e baixem a trilogia de excelentes EPs, que a banda lançou ao longo dos anos...

2011 Volume 3

1. Lambada nova
2. Lambada classe A
3. Daimagem
4. Lambada do Rei
5. La ardillita
6. I want you (dosbito)

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2010 Volume Dois

1. Moliendo café
2. People one
3. Sborba
4. Dexavi (o que pensa)

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2009 Volume Um

1. O fanq
2. Vemska pro papai
3. Lambada do Amapá

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5.22.2011

A ESSÊNCIA DO TRIO DINUCCI, MARÇAL E FRANÇA

O novo disco do Kiko Dinucci, ‘Metá Metá’, em parceria com Juçara Marçal e Thiago frança, é uma das gratas surpresas do ano.

O álbum abre com ‘Vale do Jucá’, música de Sibá Veloso, que enche os ouvidos com uma formação enxuta, da voz de Juçara, violão de Dinucci e sax do Thiago. O disco todo foi gravado nessa formação enxuta de voz, violão, sax e flauta, eventualmente – como em ‘Umbigada’ – mas ainda assim com algumas participações especiais.

‘Papel sulfite’ a voz de Juçara faz um duelo com o sax de Thiago, com o violão ao fundo. Em ‘Trovoa’, Dinucci transforma a composição de Maurício Pereira em quase um chorinho-blues, a canção só tem flauta, voz e volão.

A canção ‘Samuel’, que Dinucci compôs em parceria com Rodrigo Campos, que também participou da gravação. A partir dessa faixa, ‘Vias de fato’, o trio passa a ser acompanhado de Samba Ossalê na percussão e Sérgio Machado na bateria. ‘Oranian’ tem uma levada selvagem e um solo de sopro-atômico.

A música seguinte continua a pancada e leva o incauto ouvinte ao terreiro qualquer de ‘Obá Iná’. Em ‘Obatalá’ – bela composição de Dinucci – o trio volta ao formato enxuto e faz uma delicada gravação, com ótimos momentos de improviso de saxofone, bela impostação de voz de Juçara e o violão sempre marcante de Dinucci.

O disco encerra com ‘Ora iêiê o’, que traz um sensacional arranjo para o ponto de Oxum da casa de Fanti-Ashanti.

2011 Metá Metá – Kiko Dinucci + Juçara Marçal + Thiago França

1. Vale do Jucá
2. Umbigada
3. Papel sulfite
4. Trovoa
5. Samuel
6. Vias de fato
7. Oranian
8. Obá Iná
9. Obatalá
10. Ora iê iê o

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5.15.2011

ALMA BOA DE QUALQUER LUGAR

Carlos Careqa é um desses artistas que são diamantes brutos, digo, ao lapidados, só para buscar uma metáfora bem confortável para todos. Digo isso porque o Careqa é daqueles artistas que muita gente não conhece, mas que é só ouvir alguma de suas canções para começar a assobiar a melodia.

E quem conhece o Careqa, sabe que ele é um dos grandes compositores da música brasileira. Ele é um artista que não busca o óbvio, sempre procurando inovar. O disco ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’, está sendo lançado, oficialmente, nesse final de semana, no Teatro Sesc Ipiranga, em São Paulo. No show, Careqa é acompanhado pela atriz Letícia Sabatela e pelo piano de Paulo Braga.

Nesse disco, ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’, Careqa se mostra acompanhado apenas por violão. É um disco sublime, gravado apenas com voz e violão, e as participações especiais de gente como Chico Buarque, Arrigo Barnabé, Gabriel Levy, Ana Friedman e o já mencionado Paulo Braga.

Minha Música - Chico Buarque from carloscareqa on Vimeo.

Pode-se dizer que o álbum é quase uma sequência não planejada do disco anterior, o exelente ‘Tudo que Respira quer Comer’ de 2009, até porque o Careqa não se repete jamais, mesmo sabendo que igual é legal. No disco anterior, de 2008, ele cantou em português grandes clássicos do norte-americano Tom Waits, no álbum ‘À Espera do Tom’. Músicas em inglês como ‘All the world is green’, ‘Chocolate Jesus’ e ‘Jersey girl’, viraram nas mães de Careqa ‘E tudo fica azul’, ‘Guaraná Jesus’ e ‘Garota de Guarulhos’, respectivamente.

Antes disso, Careqa havia homenageado o David Byrne – quem sabe pelo cantor do Talking Heads ter incluído uma bela faixa do disco de estréia de Careqa na coletânia gringa de música brasileira ‘Beleza Tropical’ – quando misturou ‘Psycho killer’ (da seminal banda de Byrne) com ‘Saudosa maloca’ de Adoniran Barbosa, e as transformou em ‘Psycho maloca’ do disco ‘Pelo Público’ de 2007, que também tem parceria com o cantor brega Falcão em ‘Agora é pra foder’.

O EP gravado ao vivo durante apresentação de Carlos Careqa com a banda ‘Maxixe Machine’, na ‘Grande Garagem que Grava’ em 2005, com repertório todo em portunhol. O álbum ‘Não sou Filho de Ninguém’, que Careqa gravou em 2004, começou a tradição de grandes participações especiais nos discos de estúdio, como Chico Cesar em ‘Menos de doer mais de doar’, e de outros músicos como Jards Macalé e Zeca Baleiro.

‘Música para Final de Século’, do final da década de 90, foi eleito por Byrne, como melhor disco de música brasileira do ano de 1998. Tinha mesmo grandes canções, que até hoje ainda fazem parte do repertório dos shows de Careqa, como ‘Ser igual é legal’, ‘Chorando em 2001’ e ‘Eclipse em meia-lua’.

A estréia aconteceu em 1993, com o disco ‘Os Homens são Todos Iguais’, que tinha a canção que Byrne incluiu na coletânia gringa, ‘Acho’, e um bem humorado hino de amor à cidade de Curitiba (onde Careqa foi educado), ‘Não dê pipoca ao turista’.

No show de lançamento do disco mais recente – ainda dá tempo de você ver o espetáculo de domingo – ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’ , Careqa apresenta outra inovação, dessa vez em matéria de marketing. Ele lançou um projeto na internet – pelo site catarse (que permite aos usuários apoiarem qualquer projeto existente).

Eu já apoiei... E você está esperando o quê?


2011 Alma Boa de Lugar Nenhum

1. Estou cheio de arte (com Ana Friedman)
2. Sucessão de fracassos (com Tiago Costa)
3. Minha música (com Chico Buarque)
4. Alma boa de lugar nenhum (com Paulo Braga)
5. Balada da dependência sexual (com Andre Mehmari)
6. O rolo do rolex (com Gabriel Levy)
7. Simplesmente
8. Todo cuidado é pouco (com Arrigo Barnabé)
9. Meu pequeno rádio
10. Terno de damas
11. Costura pra dentro
12. Samba do budista (com Karin Fernandes e Chico Melo)

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2009 Tudo que Respira quer Comer

1. Tudo que respira quer comer
2. 28 (Vinte e oito) (com Mônica Salmaso)
3. Isso passará (com Tatiana Parra)
4. Fantasias (com Fernando Vieira e Camilo Carrara)
5. Qué que cê qué (com Maria Alcina)
6. Brasileiro (com Marcelo Pretto)
7. Cida (com Skowa)
8. Vacamor (com Zé Rodrix)
9. Por quê? (com Toninho Ferragutti)
10. Canção de ninar para uma madrugada insone
11. Feltro no ferro (com Juliana Perdigão e Gabriel Levy)
12. Mal desnecessário
13. A volta triunfal (com Guello)
14. Às vezes (com Raul de Souza)

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2008 À Espera de Tom

1. E tudo fica azul (All the word is green)
2. Eu e meu cachorro louco (Rain dogs)
3. Garota de Guarulhos (Jersey girl)
4. Guaraná Jesus (Chocolate Jesus)
5. Num trem de metrô (Downtown train)
6. Inocente quando sonha (Innocent when you dream)
7. Boa noite Matilda (Tom Traubert´s blues)
8. Tempo time (Time)
9. Tentação (Temptation)
10. Pro meu rubi (Ruby’s army)
11. Soldado até o fim (Soldier´s things)
12. Não baixe a cabeça assim (Hang down your head)
13. Não quero crescer (I don´t wanna grow up)
14. Qualquer lugar que eu me encostar (Anywhere I lay my head)

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2007 Pelo Público

1. Agora é pra foder (com Falcão)
2. Arraso profundo
3. Agora eu só quero
4. Olhos de star
5. Os cinco lados da mulher
6. Tetraplégico de amar
7. Espinha de bacalhau
8. Eremita urbano
9. Porque é que você faz isso
10. Feiura é fundamental
11. Vou falar com o Pitanguy
12. Ser solteiro
13. Samba a bile
14. O resto é o pó
15. Psycho maloca

2005 Nosotros que Somos nós Mesmos (& Maxixe Machine)

1. Duela a quien duela
2. Ba
nquete em Medelín
3. Recuerdos de Mypicaporay
4. Nena
5. Cacaca em el Titicaca

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2004 Não Sou Filho de Ninguém

1. Não sou filho de ninguém
2. Menos de doer mais de doar (com Chico César)
3. Êh! São Paulo
4. Achado
5. Pai postiço (com Jards Macalé)
6. Frente é verso
7. Issi
8. Isto
9. Meu querido Santo Antônio
10. Língua de babel
11. O louva Deus
12. Eu beijo sim
13. Salomé só
14. Não é gente não

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1998 Música para Final de Século

1. Ser igual é legal
2. Chorando em 2001
3. No caminho para Santiago
4.Música para final de século
5. Manhattan tan tan
6. Eclipse em meia-lua
7. Cortei o dedo
8. São solidão
9. Temporal
11. Feliz amor
12. A cor de Nova York
13. Não pise nos meus Carlos
14. Vou sair

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1993 Os Homens são Todos Iguais

1. Não dê pipoca ao turista
2. Acho
3. Os homens são todos iguais
4. Subway
5. A última quimera de Sebastião Antônio Pereira
6. Couto anual
7. Não dê pipoca ao turista II
8. Alles Plastik
9. Tá na cara que é
10. Deus não pensa
11. Cidade
12. O outro lado

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5.08.2011

O AMOR É IMPORTANTE, PORRA! ou MAIS AMOR, POR FAVOR

O samba do Criolo Doido foi inspiração mesmo, e daí? Mas hoje em dia ele já tirou o Doido do nome. Quem sabe para impedir mais perguntas sobre a loucura? Porque o som de louco não tem nada... Quem sabe só no bom sentido.

O som do Criolo foi lançado na internet, para download gratuito mesmo, com aval do produtor, Daniel Ganjaman. Quem disser que é hip-hop, não vai estar mentindo, mas pode estar equivocado. Porque o disco, ‘Nó na Orelha’, tem de tudo um pouco e pode até ser considerado um disco mais soul que rap.

O álbum começa com um afrobeat de responsa, ‘Bogotá’, que remeto aos versos de Manuel Bandeira, “Vou-me embora pra Pasárgada”. Mas o Criolo vai também pra capital da Colômbia. A faixa seguinte, ‘Subirusdoistiozin’, que nada mais é que a união da expressão “subiram os dois tiozinhos” como uma única palavra. Essa faixa tem cara de hip-hop, também tem cara de fusion-jazz, soul, enfim, é tudo isso misturado.

Em ‘Não existe amor em SP’ o Criolo constrói uma fábula realista da cidade que inspirou a canção. Outra inspiração também foram os grafites encontrados na capital paulista, que dizem que “o amor é importante, porra!” e também pedem “mais amor, por favor”. Uma música lírica e bela.



‘Mariô’ tem um quê de batucada, mas também tem hip-hop, tem soul e tem rima, pois é quando o Criolo canta com a cadência do rap. ‘Freguês da meia noite’ passa impressão de ter sido gravada nas boates bregas da vida. ‘Grajauex’ é um hip-hopex, rapex, raggaex e todos sufixos ‘ex’ que o Criolo pode se lembrar.

Apesar do nome ‘Samba sambei’ não tem nada de samba. Está mais pra reggae, dub ou ska, que para o ritmo brasileiro. Como bem explica o Criolo, a utilização de samba como verbo ao invés de ser o nome ao ritmo. ‘Sucrilhos’ é onde o Criolo mostra algumas de suas influências e suas rimas da época da ‘Rinha de MCs’, da qual foi um dos criadores.

Com ‘Lion man’ o Criolo rima e faz sua mistura entre ritmos estrangeiros com o soul e hip-hop brasileiros, entre o reggae e o rap. ‘Linha de frente’ é o samba do Criolo Doido com a turma de Maurício de Souza.

A poesia do Criolo é assim – com inspiração no cotidiano da cidade paulistana – uma crônica de suas influências, vivências e tudo que o cerca etc. Porque você é tudo aquilo que lê, ouve pensa e vê. Por isso o Criolo rima com esses temas. Porque viveu tudo isso, seja no gibi da ‘Turma da Mônica’ ou no sucrilhos no prato.



2011 Nó na Orelha

1. Bogotá
2. Subirusdoistiozin
3. Não existe amor em SP
4. Mariô
5. Freguês da meia noite
6. Grajauex
7. Samba Sambei
8. Sucrilhos
9. Lion man
10. Linha de frente

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5.01.2011

O COMITÊ DO MOLHO PICANTE

O novo disco dos ‘Beastie Boys’ começou há dois anos, quando na verdade foi iniciado em estúdio – mas interrompido devido ao tratamento de câncer de Adam Yauch.

Tudo começou para os ‘Beastie Boys’, com o vídeo-clipe de ‘(You gotta) Fight for you right (to party!)’, onde o trio aparecia entrando de penetra em alguma festa e tocando o terror com os convidados. De acordo com essa nova estética de vídeo-clipe, a banda foi criando referências a seriados de TV como o clipe de ‘Sabotage’ e ‘Body moving’, ou reverenciando filmes japoneses com ‘Intergalatic’.



O fato é que com tantas menções a elementos da cultura popular, a própria banda se tornou um desses elementos, sem jamais ter se auto-parodiado. Enfim... Não se pode mais dizer isso dos ‘Beastie Boys’...

Para o lançamento do disco ‘Hot Sauce Committee Part Two’, a banda preparou diversos aperitivos, entre eles um média-metragem auto-referente, que seria a continuação do vídeo-clipe de ‘(You gotta) Fight for you right (to party!)’. Para isso, eles lançaram um teaser sensacional, com uma constelação de astros de Hollywood.



Junto com o vazamento na internet do album, ‘Hot Sauce Committtee Part Two’, foi lançado o média metragem ‘(You gotta) Fight for you right (to party!) revisited’, que na verdade funciona como clipe estiloso para a música ‘Make some noise’.

Além da auto-paródia ao primeiro vídeo-clipe de sucesso dos ‘Beastie Boys’ – o trio é interpretado por atores, mas aparecem como se tivessem saído do apartamento onde tocaram o terror na festa do primeiro clipe – eles também rendem referências a sexos, drogas e rock’n’roll, no velho e bom estilo piscou-perdeu.



Quanto à referência ‘Part Two’ no título... O nome do álbum havia sido anunciado como ‘Hot Sauce Committee Part One’, antes do tratamento de Adam Yach. Por isso a ‘Part Two’ deve ser para sinalizar que o trio voltou ao estúdio e modificou de uma forma ou outra as canções que já haviam sido trabalhadas... Enfim... O disco é o mesmo, mas com um título ligeiramente diferente.

Quanto ao disco... Não é o melhor disco dos ‘Beastie Boys’, mas está bem acima da média dos álbuns de hip-hop da atualidade.

2011 Hot Sauce Committtee Part Two

1. Make some noise
2. Nonstop disco powerpack
3. OK
4. Too many rappers (new reactionaries version)
5. Say it
6. The Bill Harper collection
7. Don't play no game that I can't win
8. Long burn the fire
9. Funky donkey
10. The Larry routine
11. Tadlock's glasses
12. Lee Majors come again
13. Multilateral nuclear disarmament
14. Here's a little something for ya
15. Crazy ass shit
16. The Lisa LisaFull force routine

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4.24.2011

THEY ARE MOTÖRHEAD, AND THEY PLAYED ROCK’N’RÖLL

Lemmy Kilmister é o Cara! O cara do rock’n’roll. O cara que dizem ser Deus. Ele é o Cara! O Lemmy pode ser chamado por esses nomes sem causar nenhuma controvérsia ou polêmica. Ele é Deus e também o Cara!

De fato ele foi roadie de Jimi Hendrix e viu os Beatles tocarem no Cavern Club, sem falar que bebe whisky-Jack-Daniels-com-coca-cola todos dias. Assim ele coloca todos notórios rockeiros-que-não-morrem-nunca no chinelo, e ainda por cima seguindo firme e coerente em toda sua carreira – à frente do Motörhead.

O Lemmy é uma instituição! Uma entidade! Maior que a própria banda... Lemmy is Motörhead!!! A prova disso são todos os depoimentos – no documentário sobre ele – que entoam em uníssono a tese que acabei de defender. Lemmy é foda!



Lemmy the Movie (arquivo RAR com torrent + legenda)

Em Brasília, Lemmy abriu o show com a matadora ‘Iron fist’, do disco homônimo, seguida por outro clássico, ‘Stay clean’ de ‘Overkill’ e ‘Get back in line’ do petardo lançado este ano, ‘The World is Yours’. O show segue com ‘Metropolis’ também de ‘Overkill’ e ‘Over the top’ que jamais havia sido gravada em disco de estúdio, só tendo registro nos álbuns ao vivo da banda.

Depois o Motörhead mantém o volume alto com algumas faixas de discos mais recentes como ‘One night stand’ do album ‘Kiss öf Death’, e ‘Rock out’ de ‘Motörizer’, para emendar no solo de guitarra de Phil Campbell, seguida de ‘The thousand names of God’ também do ‘Kiss öf Death’.

‘I got mine’ do subestimado disco ‘Anöther Perfect Day’ foi a próxima da lista, seguida por ‘I know how to die’ do álbum mais novo, depois por ‘The chase is better than the catch’ de ‘Ace öf Spades’, ‘In the name of tragedy’ de ‘Infernö’, seguida pelo solo arrasador de bateria de Mikkey Dee.

Depois do solo de Dee, Lemmy volta ao palco e anuncia ‘Just 'cos you got the power’ do álbum ‘Rock 'n' Roll’, e emenda ‘Going to Brazil’, de ‘1916’, na sequência. Depois o show volta aos clássicos com ‘Killed by death’, com toda a platéia cantando junto com Lemmy, seguida pelo sucesso absoluto ‘Ace of Spaces’ , para encerrar no bis apoteótico de ‘Overk
ill’ com mais de 10 minutos.

Quem assistiu ao vivo, presenciou um dos melhores e mais altos shows que já houveram no Ginásio Nilson Nelson. Aproveitando a surdez temporária causada pelo espetáculo – deixo o útlimo disco da banda e um bootleg de responsa – com o mais recente setlist do Motörhead que encontrei (que só não tem ‘Iron fist’, mas todas outras faixas são iguais).

2011 The Wörld is Yours

1. Born to lose
2. I know how to die
3. Get back in line
4. Devils in my head
5. Rock 'n' roll music6. Waiting for the snake
7. Brotherhood of man
8. Outlaw
9. I know what you need
10. Bye bye bitch bye bye

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2011 Motörhead Live at the Warfield

1. Intro
2. We are Motörhead
3. Stay clean
4. Get back in line
5. Metropolis
6. Over the top
7. One night stand
8. Rock out
9. Guitar intro
10. The thousand names of God
11. I got mine
12. I know how to die
13. The chase is better than the catch
14. In the name of tragedy/ Drum solo
15. Just 'cos you got the power
16. Going to Brazil
17. Killed by death
18. Ace of spades
19. Encore break
20. Overkill

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4.17.2011

SIGA O SOL E VÁ EM FRENTE


‘Há-Ono-Beko’ que dizer”siga o sol e váem frente” na língua do povo Kelú do Gabão. A banda lançou o primeiro disco em 1999, e chamava a atenção pela inventividade de Junai Gonzaga, que construía instrumentos musicais, de percussão e sopro, com materiais recicláveis.

Nessa época, final dos anos 90, a banda fazia parte do novo boom de bandas brasilienses, que incluía ‘Os Cachorros das Cachorras’, ‘Xalé Verde’, ‘A Tuba Antiatômica do Planalto’, entre outras.

Demoraram 10 anos para a banda lançar o segundo, e lendário, álbum. Um disco que havia se tornado mitológico, e tinha todo tipo de lenda e histórias em volta desse lançamento. Há anos era aguardado e esperado, mas nunca ficava pronto. Muita gente nem acreditava mais que algum dia o disco iria sair.

Mas enfim, em 2009, a banda lançou o tão aguardado segundo disco. Com uma formação ligeiramente diferente, mas com os integrantes fundamentais, como Junai Gonzaga, Kaju e Dred, que são a espinha dorsal do ‘Há-Ono-Beko’.

A banda sempre mesclou a música pop, com cantigos indígenas, e batucadas do cerrado, com instrumentos fabricados por eles mesmos. Essas características ficam mais evidentes no segundo disco, ‘O Lado Bom’, que mais parece ter sido dividido em lado A e lado B. Com o lado A destinado às canções mais pops, capitaneadas por Dred, e o lado B mais roots do Junai e Kaju. Aproveitem o sol e vão em frente!!!

1999 Há-Ono-Beko

1. Batuque da tribo
2. 500 anos de quê?
3. Menino do pé pequeno
4. Ciranda
5. Ha-Ono-Beko pelo povo
6. Grooveando
7. A parada ainda existe
8. Homenagem aos mestres
9. Caravana
10. Basta
11. Boi Cabrunco
12. Batida raiz
13. Semeador

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2009 O Lado Bom

1. Filho de Xangô
2. O lado bom intro
3. O lado bom
4. Arawê
5. Verão chuva
6. Cor de lata
7. Introvibe
8. Relampeio
9. Força
10. Pense na vida
11. Preto veio
12. Chame as sementes
13. Criança africana
14. Batukindjena
15. Sir Andaluz
16. Viagem pelo cerrado
17. Radio Kesoh

4.10.2011

SOBRADO 112 NO PAÍS DA VITROLA ADUBADA


O Sobrado 112 é uma banda que não se repetiu em nenhum dos três CDs, gravados e já lançados.

Em 2007/2008 a banda estreou com ‘Demanche’, um álbum que fazia um som que trafegava entre o jazz-fusion e o popular. Tinha até participação especial de Aldir Blanc em ‘Acionista da boemia’.

Em 2009, foi a vez do álbum ‘Isso Nunca me Aconteceu Hoje’, onde o som estava mais pro samba e rock, com pitadas de afrobeat. Os vocais são muito mais coletivos, do que antes, como é ouvido em ‘Eu não quero ter razão’. O disco tem muito mais suingue, muito mais groove, mais instrumentos, mais banda, mais tudo. E também tem a produção do BiD.

Nesse terceiro álbum – este que pode ser considerado o ‘Let it Be’ da banda, já que foi gravado antes do ‘Isso Nunca me Aconteceu Hoje’, mas foi lançado apenas agora com um ano de diferença – ‘Sobrado 112 no País da Skapolca’ tem uma pegada muito mais reggae e ska e rocksteady, sem deixar o rock de lado. Não cabem mais brincadeiras através de letras bem humoradas e parcimoniosas, já que todas as faixas são instrumentais, mas cabe a produção caprichosa de Buguinha Dub, incluindo um remix dele próprio.




O disco abre com uma levada dureza como ‘Carne de pescoço’ e segue com a sensual e divertida ‘Eu e minha amada no Grajaú’, que até pode ser considerada uma continuação não-oficial para a faixa ‘Grajaú’, presente no segundo disco da banda, em que cantavam “eu e tu lá no Grajaú, sem tu-tu para o buzu” – esse bairro é quase uma fixação ou uma obsessão – vão tomar no Grajaú!!!

O disco segue com ‘Dub’, que o nome já diz tudo, e até recebeu um remix de Buguinha Dub no final do disco. A seguinte é ‘Maldição da caveira’, um rockezão forte e firme com a guitarra mais pesada que já ouvi o Vitinho Gottardi levar. Depois, ‘Skapolca rocksteady’, que o nome também já diz o que é, mas tem todo o clima de um Sobrado construído por Buguinha.

‘Simérius Conan’ havia sido bônus no segundo disco e aqui ela ficou como a homenagem a um velho-camarada da banda – a quem todos chamavam carinhosamente de Conan, o Simério. O álbum encerra com o remix de ‘Dub’, o bônus remix do Buguinha, que também participa dos shows de lançamento do disco.




2011 Sobrado 112 no País da Skapolca

1. Carne de pescoço
2. Eu eminha amada no Grajaú
3. Dub
4. Maldição da caveira
5. Skapolca rocksteady
6. Simérius Conan
7. Dub (Buguinha Dub remix)

4.03.2011

O TEMPO COLONIAL DOS MÓVEIS REAIS DE ACAJU



Os Móveis Coloniais de Acaju sempre estiveram atentos com as novas mídias, novas ferramentas na internet, novas redes sociais etc. Semana passada, mais precisamente no dia 27 de março – o dia do graffite –, a banda movimentou o twitter e o site da MTV gravando o clipe da canção ‘O tempo’.

A idéia era gravar um clipe em plano sequência, com a música em rotação quatro vezes mais lenta, para quando tudo passasse em tempo real, os atores, bailarinos e músicos ficassem com o movimento bem rapidinho – da forma que eles estão dançando no vídeo acima.

Tudo isso foi transmitido em tempo real pelo site da MTV...





















No dia do graffiti, a homenagem da banda era em parceria com o grupo graffiteiro Kollors Kingz , além de claro também a MTV e o diretor Steve ePonto, que coordenou a empreitada.

Enquanto a banda dançava a coreografia estranha, o grupo Kollors Kingz escrevia, num painel de vidro, os nomes das pessoas que twittassem utilizando a tag #TempoRealMoveisMTV. Lembrem-se de que tudo era transmitido ao vivo por livestreaming.




É curioso que o nome do projeto seja #TempoRealMoveisMTV, que envolva a twittagem, graffitagem e coreografia da banda em tempo real e que o nome da faixa seja ‘O tempo’.

Essa é apenas um das iniciativas do Móveis Coloniais de Acaju, que envolvem novas mídias e tecnologias. A banda sempre foi muito ativa na internet, desde a atualização intensa do site, das redes sociais e das estratégias para colocar o nome da banda na mídia.

O disco mais recente, ‘C_mpl_te’, saiu em 2009 pela Trama Virtual (é só se cadastrar e baixar) e desde então a banda segue divulgando o petardo de todas formas possíveis. Até criaram uma tag, ’Adoro Couve’, onde tocaram vários covers de bandas como Flaming Lips, Talking Heads, Ultraje a Rigor, entre outros.

Grande parte dos integrantes da banda tocam em outra banda – tipo uma spinoff (termo em inglês, que serve para denominar um produto menor, derivado de outro bem maior) com a qual tocam em festivais e grandes jams com os amigos – a Vai Tomar no Acaju, que toca covers em versões metais em brasa, como por exemplo o crossover da canção título do segundo filme da série ‘Pantera Cor-de-Rosa’, ‘A shot in the dark’ com o rap ‘Careca sim e daí’ do Câmbio Negro, de Brasília – que virou ‘A shot in the dark, sim e daí’.


2009 C_mpl_te

1. Adeus
2. Lista de casamento
3. O tempo
4. Cão-guia
5. Descomplica
6. Café com leite
7. Pra manter ou mudar
8. Bem natural
9. Falso retrato
10. Cheia de manha
11. Sem palavras
12. Indiferença

Abaixar pelo álbum virtual

2010 Adoro Couve

1. Adeus de carnaval (Móveis Coloniais de Acaju)
2. Do you realize (Flaming Lips)
3. Alegria (Cartola)
4. Psycho killer (Talking Heads)
5. Replay (Trio Esperança)
6. Eu me amo (Ultraje a Rigor)
7. Everybody (Backstreet Boys)
8. Enter Sandman (Metallica)
9. A menina dança (Novos Baianos)

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3.27.2011

A VERDADEIRA VOZ DE HIROMI QUANDO ELA SORRI

Fazia tempo que Hiromi Uehara não tocava acompanhada de um trio clássico de jazz. Talvez tenha sido a experiência com Stanley Clarke, no ano passado, que a tenha reapoximado deste formato, piano baixo e bateria.

Para este disco ela convidou o baixista Anthony Jackson – ele já tocou com Chick Corea e Steely Dan – e o bateirista Simon Phillips – que já tocou com David Gilmour e Jack Bruce – e chamou de ‘The Trio Project’.

Com essa formação ela gravou o ‘Voice’ – mais um maravilhoso adendo à sua discografia. “Quando toco música, eu percebo que isso realmente filtra as emoções”, comenta Hiromi. “Eu chamei esse album de ‘Voice’ (voz em ingles) porque eu acredito que as vozes das pessoas são expressadas pelas emoções. Não é aquilo que você fala. Mas aquilo que tem no coração. Talvez alguma coisa ainda a ser dita. Quem sabe nunca diga. Mas é sua verdadeira voz”.

O disco tem nove faixas e como sempre é o melhor álbum da carreira dessa japonesa que toca piano como homem. Quero dizer apenas, que ela tem uma pegada forte nas teclas, que parece um ser-masculino-bruto-forte-e-dominante. Ela realmente domina todas as faixas, até mesmo quando faz participação em disco dos outros – como foi o caso com Stanley Clarke, em ‘Jazz in the Garden’ – ela arrepia e rouba totalmente a cena.

O disco começa com ‘Voice’, onde o trio clássico de jazz mostra toda potência na bateria de Phillips e no baixo de Jackson, mas é no piano de Hiromi que a porca torce o rabo, com perdão do ‘trocadaleo’. Na faixa seguinte, ‘Flashback’, você pode sentir toda a pressão do bumbo de Phillips, um complemento perfeito para as estripulias de Hiromi. Esse novo trio é clássico demais.

‘Now or never’ tem até um certo eco dos sintetizadores de ‘Kung-fu world champion'. Em ‘Temptation’, Hiromi convida o ouvinte a decidir se “é doce ou amarga, essa tentação?”. ‘Labyrinth’ dá grande destaque às cordas de Jackson, que forma um belo dueto com as teclas de Hiromi. Que sufoco é tentar acompanhar essa garota. Jackson no baixo e Phillips na bateria formam um belo trio com Hiromi.

‘Desire’ e ‘Desolution’ quase se complementam de tão em sincronia no trabalho de Hiromi. Destaque para o baixo e bateria envolventes. Entre as duas faixas está a canção de piano solo, ‘Haze’, em que Hiromi mostra uma delicadeza impar, de arrepiar, mas sem deixar de embasbacar o ouvinte com seus improvisos que parecem te levar n’algum lugar, para em seguida lhe puxar o tapete e dar um nó na cabeça...

O disco encerra com a ‘Sonata nº 8’ de Beethoven, completamente irreconhecível como muito bem faz Hiromi – a versão de ‘Caravan’ dela é a versão mais rockenrou que já ouvi – com ela a canção de Beethoven ganhou contornos de um blues irresistível.

A idéia desse petardo era mesmo expressar emoções humanas sem o auxílio de letra alguma. Hiromi não precisa falar nada para hipnotizar – ela só precisa tocar piano e improvisar...

2011 Voice (with The Trio Project)

1. Voice
2. Flashback
3. Now or never
4. Temptation
5. Labyrinth
6. Desire
7. Haze
8. Delusion
9. Beethoven’s piano sonata no. 8 (Pathetique)

3.20.2011

VOCÊ VAI TER UM DERRAME AGORA MESMO



Sempre acreditei que a primeira faixa de qualquer álbum deve ser muito bem considerada. É preciso prender o ouvinte no primeiro acorde. A primeira canção precisa ser suficientemente forte para levar o espectador à próxima faixa.

Mas também a música número um, não pode ser a melhor faixa do disco. Basta levar à próxima audição. Posso citar alguns exemplos, como o grande clássico do Led Zeppelin, o volume ‘II’, que iniciava com ‘Whole lotta love’, ou ‘Moving Pictures’ do Rush, que começava com ‘Tom Sawyer’.

O ‘The Strokes’ é uma banda formada por Julian Casablancas nos vocais, Nick Valensi na guitarra, Albert Hammond Jr. na outra guitarra, Nikolai Frature no baixo e Fabrizio Moretti na bateria. Eles lançaram o álbum de estréia em 2000, ‘Is This It’, que foi um grande sucesso e transformou a banda nos maiores expoentes do rock indie.

Depois eles lançaram ‘Room of Fire’ em 2003 e ‘First Impressions of Earth’ em 2006, sem conseguirem alcançar o brilhantismo do primeiro petardo. Mas se você nunca ouviu falar deles, provavelmente esteve congelado criogenicamente ou em alguma ilha deserta nos últimos 10 anos...

Nesses últimos anos, os integrantes da banda seguiram carreiras solo, participações em discos de outros artistas. Casablancas gravou o disco solo em 2009, `Phrazes for the Young`, e fez um monte de participações em discos de gente como Danger Mouse e Sparklehorse,`Queens of the Stone Age` e Santogold, entre outros.

Nick Valensi também não ficou parado, ele gravou guitarra com Devendra Banhart e formou parceria junto com Sia, cantora pop australiana. Albert Hammond Jr. lançou dois álbuns, `Yours to Keep` em 2006 e `¿Cómo Te Llama?` em 2008. Nikolai Frature lançou o projeto `Nickel Eye` e gravou o disco `The Time of the Assassins` em 2009. Fabrizio Moretti aproveitou a folga para gravar com Rodrigo Amarante e Binki Shapiro, o `Little Joy`.

O disco mais recente do ‘The Strokes’ começa com ‘Machu Pichu’, um canção grudenta que você não consegue ficar sem cantar, mesmo sem saber a letra, no melhor estilo “poreporeporepopein...” e assim por diante. O álbum segue com ‘Under cover of darkness’, o single e possível grande hit do ano. Também é impossível não cantar junto o refrão.

Depois desse começo de disco sensacional é impossível não curtir o álbum inteiro. ‘Two kinds of hapiness’ traz uma seleção de riffs que se cruzam e se repentem formando um paredão de som no melhor estilo Strokes. A banda faz uma ponte bem sucedida entre os timbres da década de 80 com a eletrônica dos anos 90.

Esse disco pode ser considerado o melhor álbum da banda desde o disco de estréia. Parece que o hiato de quase cinco anos fez bem para o grupo, que tem na sua origem um descendente russo, Nikolai, o latino Hammond, basco Casablancas, Valensi que é judeu e Moretti que nasceu no Brasil.

2011 Angle

1. Machu Pichu
2. Under cover of darkness
3. Two kinds of happiness
4. You’re so right
5. Taken for a fool
6. Games
7. Call me back
8. Gratisfaction
9. Metabolism
10. Life is simple in the moonlight

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3.13.2011

O DIA EM QUE O TIO SAM BOTOU BEBOP COM O SAMBA, pegou no tamborim, no pandeiro e na zabumba e entendeu que o samba não é rumba

Dizzy Gillespie é uma lenda do jazz norte-americano, um dos criadores do bebop e deixou canções momoráveis como ‘Salt peanuts’ e ‘A night in Tunisia’.

Durante uma de suas passagens pelo Brasil, Dizzy tinha a idéia de gravar um disco com uma bateria de Escola de Samba, mas diante dificuldades de colocar essa turma toda num estúdio, optou por uma banda que tocasse o ritmo. A escolha foi acertada, Dizzy gravou o disco com o Trio Mocotó.

Depois de três dias no Estúdio Eldorado, João Parahyba (percussão), Nereu Gargalho (pandeiro) e Fritz Escovão (cuíca) puderam se gabar por ter tocado com o pai do bebop. Mas não por muito tempo, porque as gravações jamais viram a luz do dia. Dizzy voltou para casa com todo material embaixo do braço e perdeu as masters.

Toda essa história já havia virado lenda do mercado brasileiro. Haviam testemunhas oculares, mas prova nenhuma dessas gravações. Até que um velho amigo de Dizzy, o produtor suíço Jacques Muyal, da LaserSwing Productions, encontrou o material e resolveu lançá-lo em disco.

Rezava a lenda que Dizzy fazia sessões intermináveis de meditação no chão do estúdio e que Parahyba havia se re-encontrado com Dizzy num festival de jazz em Estocolmo e o trumpetista não se lembrava das gravações.

Essas gravações, que além do Trio Mocotó, também contaram com a guitarra de Al Gafa, o baixo de Earl May, a bateria de Mickey Roker e os vocais de Mary Stallings em 'Evil gal Blues', dueto com Dizzy.

O disco abre com ‘Samba’ que pode lembrar um pouco o velho clássico samba-rock, ‘Coqueiro verde’, tem uma levada sensacional que seria impossível sem o suingue do Trio Mocotó. Além de seguir uma linha iniciada com ‘Winter samba’ que havia sido gravada em 1966.

A faixa seguinte começa com um inconfundível grito de guerra do Trio Mocotó “vamô s’imbora uau!”, ‘The truth’ (‘a verdade’ em inglês). Pois o álbum perdido de Dizzy Gillespie com o Trio Mocotó é mesmo verdade... ‘Dizzy’s shout (Brazilian improvisation) é bossa nova com Dizzy no trumpete – e o nome já diz tudo.

‘Behind the moonbean’ é composição do guitarrista Al Gafa, mas não passa de uma bela colagem de vários riffs da música brasileira. Será que é o primeiro mash-up de que se tem notícia? Talvez não...

A última faixa é uma pérola que tem toda a malemolência de Parahyba, Gargalo e Escovão, que brilha com seus solos de cuíca endiabrada duelando com o trumpete “Gillerspiano”. Putaqueospariram!!! Anos depois, Dizzy gravaria o disco ‘Dizzy’s Party’, em 1976, com o percussionista brasileiro Paulinho da Costa, que também fez um maravilhoso solo de cuíca. Mas essa faixa ‘Rocking with Trio Mocotó’, é um manifesto da cuíca no jazz norte-americano.

"Só ponho bebop no meu samba quando o Tio Sam pegar no tamborim, quando ele pegar no pandeiro e no zabumba, quando ele entender que o samba não é rumba", Jackson do Pandeiro e Gordurinha.

2009 Dizzy Gillespie no Brasil (& Trio Mocotó)

1. Samba
2. The truth
3. Dizzy’s shout (Brazilian improvisation)
4. Evil gal blues
5. Behind the moonbean
6. Rocking with Mocotó

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