Thiago França ataca novamente com um disco digital, apresentando e misturando ritmos latinos como cumbia, maxixe e ragga.
'A Espetacular Charanga do França Ataca Nocamente' é o nome do álbum. Um disco com esse nome
tem que ser muito bom. Porém – e sempre tem um – são apenas quatro
músicas... Em compensação, são quatro belas canções!
Enfim... Esse França é o próprio selo de qualidade de música boa paulistana. Se tem o França! Pode crer
que é bom. Seja 'MarginalS', 'Sambanzo', 'Duas Sessões', 'Metá
Metá' e em projetos com Dona Inah, Rodrigo Campos ou Criolo. Sem menosprezar outros paulistanos, apenas para deixar claro que se tem o dedo – ou o beiço – do França existem grandes possibilidades do som ser instigante e inventivo.
O álbum abre com
'Hasta la cumbia', que o nome entrega todo o estilo, mas com o nome
de extrema beleza plástica fica impossível não cantarolar a
melodia e balançar os pés, braços, quadris etc. Continue de pé
para bailar 'Cumbia cumbia' na sequência.
O lado B do compacto,
começa com a mistura inspirada de ragga com maxixe, 'Raggaxixe'.
Seguida pela também inspirada 'Pedra do rei', que encerra o petardo
com paticipação na bateria de Tony Gordin e Wellington Pimpa
Moreira, que também toca percussão.
Todas as faixas foram
compostas e arranjadas pelo França, com o próprio tocando saxofone
alto, acompanhado de Anderson Quevedo no saxofone barítono, Amilcar
Rodrigues no trompete, Didi Machado no trombone e Samba Sam no surdo.
Como uma amostra
espetacular, Thiago deixa no ar a possibilidade de um 'Retorno da
Espetacular Charanga do França' num futuro bem próximo. Oxalá
soprem ventos que entoem em únissono com os sopros que aqui partem!
2013 A Espetacular
Charanga do França Ataca Novamente
'Bixiga 70' faz alusão
a um dos mais famosos bairros da capital paulista e aos timbres e
sonoridade almejada pelos integrantes da banda.
O 'Bixiga 70'
apresenta, em seu segundo álbum, uma incursão ao legítimo batuque
paulistano de raízes africanas. A intenção foi resgatar a
sonoridade dos anos 70 ao misturar o samba de terreiro com o afrobeat
nigeriano de Tony Allen e Fela Kuti.
Já na faixa de
abertura eles reinterpretam o clássico dos 'Tincoãs' de Mateus,
Dadinho e Heraldo, que já haviam adaptado tema comum de domínio público, 'Deixa a gira girar', e encurtam a distancia entre Bahia e
Nigéria.
'Ocupai' parece
oportuna no momento atual e segue apresentando um afrobeat embriagado
com o teclado de Maurício Fleury, que prepara a cama para os sopros
de Cuca Ferreira (barítono), Daniel Nogueira (tenor), Douglas
Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete).
Em tempos de invasão
paraense, a banda mostra uma cumbia em 'Kalimba', canção recheada
de balanço, suingue e merengue. '5 esquinas' é um afrobeat
característico com marcação cerrada daateria de Décio 7 e a
guitarra espacial de Cris Scabello.
Em 'Kryptonita' a banda
acelera as batidas pelas percurssões de Rômulo Nardes e Gustavo
Cék, seguida pelo groove belo e melódico da faixa 'Tigre'.
'Tangará' é uma exaltação percurssiva, que infelizmente ficou de
fora do vinil.
Quando chegares na
audição de 'Retirantes', já estará completamente inebriado pelo
climático e catártico som do 'Bixiga 70'. A última canção do
álbum dá-se com 'Isa', bela composição do baixista Marcelo
Dworeki, que funciona como um maravilhoso ponto final.
Um encerramento épico,
a altura do disco, ao mesmo tempo acalmando os nervos e deixando um
gosto de quero mais. Deixando no ouvinte a clara vontade de pedir um
repeteco. Eu ovo de novo. E você?
Projeto Verlindo apresenta um som cheio de bossa, samba, choro, batidas eletrônicas, belas melodias e climas espaciais e toda galáxia.
Jorge Verlindo criou um
universo particular cheio de belas melodias, através da arte
conceitual de Nelson Cordeiro – a criança nas costas de uma
tartaruga gigante, que como nos mitos antigos, carrega o universo em
cima do casco – no álbum 'Ousa'.
Jorge juntou-se a Rafa
Dornelles para arranjar e dar vida as canções compostas por
Verlindo, com belas melodias pontuadas por efeitos, batidas e climas,
que permeiam toda obra produzida por Tomás Seferin (que forma o
Sacassaia junto com Gabriel Reis).
A faixa de abertura é
'Outro lamento', um sambinha bossa nova, que ressalta o dueto em
vocalize de Verlindo com Renata Jambeiro. 'Ponto cego' se afasta do
rótulo bossa nova ao se aproximar do lounge, mas segue a trajetória
melódica do banquinho, voz e violão do cantor.
Em 'Bonita', Verlindo
acrescenta um suingue, seguindo a mesma linha das canções
anteiores. 'Esse teu choro' trás Xande Bursztyn (dos Móveis
Coloniais de Acaju) no trombone, formando uma cama perfeita para o
violão cadenciado e o baixo harmonioso de Rafa Dornelles
(co-produtor do disco).
'No compasso da espera'
é uma perfeita mistura das batidas eletrônicas com o violão
melódico de Verlindo. “Devo adimitir” comenta a letra de 'Tudo
bem', mas cabe a mim ressaltar que essa mistura bossa lounge, soa muito melhor que as intervenções
'Pafite', 'Da Lua', Bebel Gilberto, entre outras.
A faixa título,
'Ousa', carrega uma batida forte e suave ao mesmo tempo, que culmina
num clímax atmosférico espacial. 'Passado' é um chorinho elegante
e eletrônico de barulhinhos espaciais e vocais de Sônia Bonna (que
também canta em 'Ponto cego', 'Esse teu choro' e 'Espero teu
corpo').
O álbum encerra com
'Grande passeio' e 'Tudigual', duas baladas melódicas recheadas de
barulinhos bons e que encerram uma ópera alegre. Uma obra que
representa o universo e tudo que está contido nele, todos
sentimentos, medos, alegrias, tristezas, enfim... E tudo mais...
Atualmente, Verlindo virou projeto com o próprio Jorge na voz e violão, Rafa
Dornelles na guitarra, Arthur Lobo no baixo e Walter Cruz nos
teclados e sintetizadores e mpc e com essa formação a banda têm se apresentado ao vivo.
Banda 'Cérebro Eletrônico' lança álbum inspirado em momento singular e reforça o teor psicodélico e místico da própria discografia.
O som da banda 'Cérebro Eletrônico' é diferente de toda psicodelia dos outros
representantes deste estilo musical. Eles conseguem fazer canções
extremamente populares e experimentais, recheadas de efeitos e
barulhinhos característicos do consumo de psicotrópicos.
A banda segue a mesma
trajetória cronológica e coerente, que pode ser conferida desde o
primeiro álbum, 'Onda Híbrida Ressonante' – apenas com as
guitarras de Tatá Aeroplano e Fernando Maranho – no segundo
'Pareço Moderno' – com novos integrantes: Dudu Tsuda nos teclados,
Isidoro Cobra no baixo e Gustavo Souza na bateria (que permanece na
banda até hoje) – e em 'Deus e o Diabo no Liquidificador' – com
Fernando TRZ nos teclados e Renato Cortez no baixo.
Neste álbum, 'Vamos
pro Quarto', os cinco integrantes fizeram um retiro no recanto rural
de 'Mestre Piu', nas montanhas de Bragança paulista. Foram três
dias de muita chuva, muito tédio, brincadeiras e sons. Desse período
surgiram as nove canções que compõe o disco, que funciona da mesma
forma que a discografia da banda. É um petardo sonoro, que segue uma
linha melódica, como fosse uma psico-ópera.
Tudo começa de maneira
bucólica em 'Um brinde aos pássaros', canção rural bem-humorada
que enaltece a cachaça e os apreciadores da bebida. 'Seus papos não
colam' segue uma linha evolutiva e rítimica com a faixa anterior, e
também explode num final crescente e apoteótico. O álbum segue num
contínuo movimento rítimico crescente, comprovado na faixa
seguinte, 'Não bateu', canção com letra envolvente e cheia de
referências e influências – das gírias, outras canções ao
cancioneiro francês.
'Oh! My Lou' é um
interlúdio com letra em inglês e um suave toque psicodélico no
solo da guitarra de Maranho. 'Libertem os Faunos' é uma “ópera
lúdica” e lírica, seguida por 'Tristeza retrô' funcionando como
um epílogo perfeito de extrema histeria. O disco segue com 'Canibais
ancestrais', uma canção popular de simples luxúria.
'Egyptian birinights' é
um mantra no melhor estilo psicodélico dos anos 60. Segue a
narrativa de 'A internet parou', canção que encerra o álbum de
forma catártica e hipnótica. Há ainda uma faixa escondida, 'No
quartinho', que é uma colagem de levadas e climas diferentes, numa
compilação de takes (ou ideias) não utilizados – na velocidade
de um controle-remoto.
'Vamos pro Quarto' é
um disco para se aproximar aos poucos e deixar-se levar suavemente
pela caudalosa psicodelia da banda 'Cérebro Eletrônico'. Um novo
clássico da música brasileira. Uma obra para ouvir sempre na
sequência – inúmeras vezes...
Em tempo, a capa é do 'Jardim de Delícias', do Bosch – e reflete bem o clima do álbum...
Dupla sergipana mescla o sotaque nordestino com um paredão sonoro de rock'n'roll repleto de efeitos e peso.
'The Baggios' é uma
dupla roqueira do estado de Sergipe, com Julio Andrade nos vocais e
guitarras e Gabriel Carvalho na bateria – mas esse posto já foi
ocupado por Lucas Goo (que foi estudar na Suiça) e Elvis Boamorte
(que hoje tem o projeto 'Elvis Boamorte e os Boas Vidas').
O som dos caras é uma
mistura de referências e influências do cenário do rock'n'roll
atual – como as bandas 'The White Stripes', 'The Black Keys' etc –
e nomes da música brasileira, como Raul Seixas, Zé Rodrix, Alceu
Valença, Zé Ramalho etc. Tudo isso devidamente mesclado, Julio e
Gabriel criam uma sonoridade única e ímpar com sotaque brasileiro.
O recém-lançado
álbum, 'Sina', é prova de maturidade da dupla, que consegue
apresentar um quebra-cabeças sonoro maciço e pesado, com letras
evidênciando experiências cotidiana, simples dúvidas, gírias
locais ou provérbios populares.
Além da dupla,
gravando guitarra, vocais, bateria, pandeirola, maracas e queixada, o
disco tem participações especiais de Pedrinho Mendonça na
percussão em 'Afro', Rafael Ramos no órgão em 'Tardes amenas',
Vitor Bigjohn na sanfona e Fabio Snoozer no contrabaixo acústico em
'Salomé me disse', Mário Augusto no saxofone e André Lima no
trompete em 'Vagabundo arrependido' e 'Esturra Leão', que também
tem as vozes de Daniel Torres, Arthur Matos e Renata Abreu – que
também cantam em 'Domingo'.
Destaque para canções como 'Blues do aperreio', 'Sem Condição', 'Sina', 'Um rock para Zorrão', 'De malas prontas' e 'Descalço'. Enfim.... Para todo o disco.... A dupla Julio Andrade e
Gabriel Carvalho apresentam um paredão sonoro chamado 'The Baggios',
inspirado no músico andarilho conhecido apenas como Baggio, na
cidade sergipana de São Cristovão - ver vídeos ao lado.
Um som que merece ser conhecido
e apreciado pelo amante do bom e velho rock'n'roll.
Marcela Vale lança novo compacto sob a alcunha de Mahmundi, e acrescenta música eletrônica no cancioneiro brasileiro.
Mahmundi já é nome
conhecido da casa e pertence ao novo time de jovens artistas da
música brasileira, desde o lançamento do EP 'Efeito das Cores' em
2012.
Neste novo lançamento,
Mahmundi apresenta um som mais intimista e delicado, que permeia todo
o EP 'Setembro'. São ecos de James Blake, Bjork, 'Boards of Canada',
entre tantas outras referências da música eletrônica atual. Ela
faz um lounge com clima carioca do 'Arpoador'.
Um álbum que pode ser
um 'Prelúdio' ao anterior ('Efeito das Cores'). Mahmundi consegue,
'Quase sem querer', se enquadrar num time de grandes nomes da cena
eletrônica atual. Com o parceiro Lucas Paiva, ela cria um clima
'Leve' e sensual usando synths, drummachines, baixo synths, samples,
loops, efeitos, bateria e guitarra.
'Setembro' é um livro
musical de Mahmundi, onde ela conta a vida dos outros e abre o
próprio peito e expõe-se aos sentidos dos ouvintes.
'Vem' sentir o coração
batendo forte com as batidas e letras da canções de Mahmundi.
Uma viagem psicodélica ao rock lunar pós-rural de um estrambólico Bonifrate e seu incrível vôo de Margaridas.
Bonifrate apresenta seu
novo álbum, 'Museu de Arte Moderna`, como um passeio entre suas
próprias canções. Todas elas devidamente expostas para apreciação
no encarte de concreto que são todos Museus.
Então estendam os
braços para fora do trem e sintam e toquem e ouçam tudo que
quiserem neste lúgubre passeio ao 'Museu de Arte Moderna' de
Bonifrate. Nessa visita, você vai perceber que o cantor adicionou
novos elementos à sua música, como saxofone – criando assim, uma
nova paleta de cor nas telas oníricas – por cima das pinceladas
tradicionais de guitarra, violão, gaita, teclado, baixo e bateria.
Adentrando no salão,
você encontra o 'Homem ao mar', seguida pela alegre 'Allegro!
Allegro!', um rock pós-rural cheio de energia e bela lírica
bucólica. 'Horizonte mudo' é um reggae com toques psicodélicos e
leva o ouvinte à sala de antigas influências. Ainda no percurso da
memória está 'Revoluções', com orquestração imaginária do
quinto “beasouro”, seguida pela beleza crua de 'Soneto estrambólico',
com as belas cenas criadas por Bonifrate, cheias de hélio e neon.
Interlúdio, 'Garbino'
– serve para separar as alas do 'Museu de Arte Moderna'.
'Eu não vejo Teenage
Fanclub nos teus olhos', tem todas as características de uma
legítima canção “Bonifratiana”, mas funciona também para
encher toda a cidade de musgo. Seguida pela faixa título, 'Museu de
Arte Moderna', e pela intrumental 'Guaianá Mainline', resgatando a
beleza rural “caipírica”. 'Paralaxe' encerra a visita ao salão do
paredão de som, criado por Bonifrate e Banda.
'Aracati' funciona como
introdução para 'Sabe da última', canção que representa o
caldeirão de referências de Bonifrate, de suas aspirações e
pirações etc e tal. 'Zéfiro' é um breve intervalo, apenas para
permitir o ouvinte a tranquilidade para apreciar o encerramento do
passeio em 'Canção de pelúcia', um convite a quietude existêncial.
Se no trabalho
anterior, Bonifrate convidada o ouvinte a arrancar pedaços de si
mesmo – na forma de ouvir suas canções – nesse álbum, 'Museu
de Arte Moderna', o cantor expõe esses pedaços de alma – em forma
de canções – numa coleção de peças de um quebra-cabeças
psicoacústico.
O que antes era 'Coutto Orchestra de Cabeça' virou apenas 'Coutto Orchestra', para apresentar o álbum de estréia, 'Eletro FUN Farra', cheio de novidades sonoras.
A banda surgiu da
cabeça de Alisson Coutto, por causa dos samples e das peças
fundamentais que foram se encaixando e orbitando ao redor – como
Rafael Ramos (baixo e teclados), Fabinho Espinhaço (bateria) e
Vinícius Bigjohn (acordeon e teclados), que junto a Alisson
(trombone e samples) formam a 'Coutto Orchestra'.
O som que eles fazem
mistura elementos da música latina com a do nordeste e inclui as
batidas eletrônicas nesse mesmo caldeirão. O novo álbum, 'Eletro
FUN Farra' foi recém-lançado e chega como uma procissão, romaria,
bloco ou cortejo.
Que abre com 'Ladeira',
funcionando como uma overture ou introdução ao percurso que a banda
apresenta. 'Corre' vem em seguida puxando o cordão de foliões, que
ainda não haviam aderido às batidas.
Depois seguem as
canções com nomes de mulheres; 'Forbelle', um xote dos balcãs;
'Cordélia', um tango sensorial; 'Juanita', uma cumbia espacial;
'Flor', de volta ao leste europeu e 'Loretta e Boutique', uma milonga
em xaxado.
'Routine' tem uma bela
melodia para deixar qualquer um assobiando. Os barulhinhos ao fundo
intrigam mais que perturbam e demonstram claramente, que a vida é
cheia de ruídos sonoros.
'Quadrinharia' segue a
mesma linha milongueira com xaxado e serve para dar passagem ao
encerramento do 'Eletro FUN Farra', como fosse mesmo um bloco de rua,
com a oração a 'Dorival Caymmi'.
Alisson Coutto
conversou comigo por e-mail e respondeu algumas questões primordiais
para sabermos quem é ele e o que pretende daqui pra frente.
De onde surgiu a ideia
para a 'Orchestra de Cabeça'?
A 'Orchestra de Cabeça'
surge no momento em que não possuia banda, apenas eu (Alisson
Coutto) produzia as músicas em estúdio e junto com aparatos
eletrônicos construía minha banda, minha 'Orchestra de Cabeça'.
Hoje somos um quarteto,
e ao lançar o 'Eletro FUN' Farra decidimos retirar o nome “de
Cabeça” e assumirmos apenas o nome 'Coutto Orchestra', pois vimos
mais que nunca conseguimos sair de um projeto imaginário, hoje nos
identificamos como banda, montamos nossa micro-big-band, nossa
pequena Orquestra.
Como surgem as canções?
O que vem primeiro, o ritmo ou a melodia?
As canções sempre
surgem a partir de algum estimulo visual ou histórias que ouvimos em
relatos, que se transformam muitas vezes em trilhas sonoras, outras,
em canções quase sem palavras. Geralmente o conto vem antes da
melodia, e quase sempre por último, mas não menos importante, o
ritmo.
Nas composições da
'Orchestra' sempre buscamos fundir elementos daqui (nordestinos e
prioritáriamente sergipanos) com os demais ritmos da aldeia global.
Ao compor não nos preocupamos em seguir uma forma ou rítmica
obrigatória, o que buscamos a risca é apenas comunicar sensações
imagéticas por meio de quase nada, geralmente expressadas em
melodias curtas e repetitivas em um caldeirão sonoro. A silhueta no
lugar da imagem.
Vocês participaram de
vários festivais e feiras musicais... Como foi a experiência?
A cada evento que temos
a oportunidade de viajar, a banda consegue se renovar, oxigenar a
pluralidade que buscamos no nosso som, é impressionante como em
nossas viagens conseguimos (re)avaliar os elementos estéticos,
sonoros, que compõem o nosso trabalho.
De onde veio o
investimento para gravar os EPs? ...e este álbum?
O investimento para
este disco e os anteriores partem de recursos próprios. Através dos
cachês, venda de discos, dentre outros produtos geramos os recursos
para a produção do nosso material de trabalho.
Como vocês lidam com
os downloads gratuitos?
Para nós que somos uma
banda ainda pouco conhecida, o download gratuito é algo muito
positivo e porque não dizer necessário. Disponiblizar gratuitamente
para que as pessoas conheçam nosso trabalho é uma das nossas
principais ferramentas de promoção que temos.
Vivemos em um local
fora dos grandes circuitos e na medida que conseguimos propagar nosso
som para uma quantidade mais ampla de pessoas (e isso o download
gratuito permite bem) facilita nossa circulação.
Apesar de
disponibilizarmos de forma gratuita para download, as pessoas sempre
compram muitos discos nos shows que realizamos, isso nos faz
acreditar que disponibilizar o disco para download funciona muito
mais como um bom “cartão de visita” , ele ajuda a impulsionar
nosso trabalho.
Vejo fortes influencias
de ritmos latinos... Quem mais influenciou vocês?
Nós como músicos
tivemos a oportunidade de tocar individualmente em bandas dos mais
diversos estilos, o que nos possibilitou uma boa vivência e a
oportunidade de apreciarmos a música global de forma ampla,
especialmente a música latina.
O folclore sergipano, o
forró e ritmos latinos como o tango e a cumbia, são elementos
presentes em grande parte das composições do 'Eletro FUN Farra',
entretanto, não fazemos esforços para que esta valorização local
soe aparente, ela vem de forma natural orgânica, não há intenção
de preservação, bandeira ou até mesmo resgate desta latinidade.
Somos latinos de ouvidos e olhos abertos aos sons e rumores do mapa
global. Isso é o que buscamos e nos influencia cada vez mais.
Quais são os planos da
banda?
Após o lançamento do
disco, estaremos entrando na turnê 'Eletro FUN Farra' e na produção
do nosso primeiro video-clipe.
A turnê começa a
partir do dia 18 de outubro, quando lançamos nosso disco em formato
físico, na cidade de Aracaju e partimos inicialmente para shows em
Brasília (DF), Macapá (AP), Olinda (PE) e demais regiões do
Nordeste.
Depois de uma estréia bem sucedida, a banda 'Garotas Suecas' apresenta outra obra recheada de groove, peso e maturidade.
A banda 'Garotas Suecas' não é formada por meninas do país escandinavo, muito menos
somente por pessoas do sexo feminino, aliás só tem uma mulher na
formação. Irina Bertolucci nos teclados e vocais, que é
acompanhada por Guilherme Sal nos vocais, Fernando Freire no baixo,
Nico Paolielo na bateria, e Tomaz Paolielo na guitarra.
Com essa formação, a
banda ainda conta com o auxilio luxuoso de Maheus Prado nas
percussões, Anderson Quevedo no sax barítono, Daniel Nogueira no
sax tenor – ambos também tocam flauta – , Jaziel Gomes no
trombone e Paulinho Viveiro no trompete, sem falar no trio de cordas
formado por Fabio Tagliaferri na viola, Otávio Teco no violino e
Mário Manga no violoncelo.
O disco abre com
'Manchetes da solidão`, uma balada popular com letra sofisticada e
final apoteótico. Com letra em inglês, 'New country' apresenta uma
crônica de uma realidade utópica, que serve para aplicar o ouvinte
no groove que permeia todo o álbum. 'Bucolimo' segue de leve com o
balanço soul e levada meio reggae, numa canção pós-rural.
A sequência da
narrativa da banda nos leva ao retrato de um momento qualquer em
'Pode acontecer', com participação do próprio produtor do disco,
Nick Graham-Smith no teremim. 'L.A. Disco' leva o ouvinte ao cenário
“black music” do final dos anos 70, com o moog de Mauricio
Orsoloni e participação de Kid Congo Powers. “Mas eu tenho fé”
diz a letra pontuada pela guitarra característica do funk
norte-americano.
'Eu vou sorrir pra quem
é gente boa' rema nas boas energias de todas cabeças abertas e
loucas o suficientes para curtirem o jazz de Thelonius Monk. 'A
Nuvem' traz a participação de Lurdez da Luz e resume o intuito de
todo álbum, com suas 'Feras Míticas' e soberanas – também ganhou
clipe psicodélico. Outra letra em inglês, 'St. Mark`s theme' assume
a porção rural-psicodélica cheia de boas vibrações da banda.
'Bicho' é mais uma
canção pra bailar no salão e suingar deslizando os pés no chão,
que remete à alegria pós-tropicalista na música brasileira. Paulo
Miklos participa de 'Charles Chacal', canção sobre o terrorista
Carlos Chacal do repertório dos Titãs pré-'Cabeça Dinossauro'.
'Roots are for trees' explana sobre o famoso e consagrado botão do
“foda-se”.
'O primeiro dia'
encerra o álbum com a balada rústica de alto astral, com outra
participação de Graham na guitarra slide. 'Garotas Suecas'
apresenta um forte petardo musical, com alta possibilidade de figurar
entre os melhores do ano.
Jovem guitarrista e
produtor apresenta álbum cheio de grandes canções e interpretações
próprias, que vão do jazz ao samba.
Rodrigo Bezerra é o
produtor e diretor artístico do álbum de estréia de Ellen Oléria,
'Peça' de 2009, além de tocar guitarra nas apresentações ao vivo.
Bezerra sempre deu mostras de enorme talento ao simplesmente deixar
brilhar e florecer a cantora, que hoje é unanimidade nacional. Reza
a lenda que o bom guitarrista no jazz é aquele que não aparece, mas
quando deixa de tocar todos sentem sua falta. Rodrigo rezava a
cartilha com maestria, enquanto acompanhava Ellen, mas agora aparece
como um furacão no seu segundo álbum solo, 'Tempo Ilusão', o
primeiro no qual também canta.
Uma estréia pungente e
singela num disco de rara beleza, que não é apenas uma obra de
jazz, mas um compêndio de belas composições, orquestradas com
maestria por Rodrigo Bezerra, que apresenta canções autorais, num
disco sóbrio e maduro, que abre com a faixa título. 'Tempo ilusão',
um jazz-fusion com tempero brasileiro, com solo de guitarra de Pedro
Martins. 'Circular' traz o violão de Bezerra pontuando o ritmo,
quebrado apenas pelo solo de teclado de Felipe Viegas, que participa
de todas canções.
O dedilhado delicado do
violão de Bezerra evoca esperança em 'Esperar' pelo amanhecer, pelo
novo amor, por mais sorte, por mais força e por todas aquelas utras
pequenas coisas que devemos todos esperar. 'A criança' segue a mesma
linha melódica da faixa anterior. 'Além de acordes' é um
samba-jazz pontuado pelas baquetas de Renato Galvão e trompete de
Westonny Rodrigues, com letra e vocais de Ana Reis.
'Trilhos' é uma canção
suave e delicada, que segue crescendo até o final. 'Bandeiras, pra
quê?' traz participação de Bruno Patrício na flauta – que
também toca saxofone em outras faixas – e reflete sobre as
questões de fronteiras universais. 'O homem formiga' segue marchando
na melodia intimista, seguida pela balada do violão de Bezerra e do
piano de Viegas, 'Mais é menos'.
'Celebrar' encerra o
álbum em alto astral com os sopros de Rodrigues e Patrício, a
bateria de Galvão, teclados de Viegas, sem falar no violão,
guitarra e voz de Rodrigo Bezerra. Uma estréia grandiosa para um
jovem cantor, que já tem muita experiência como guitarrista,
arranjador e produtor.
DJ paraense faz sucesso com música eletrônica e tecnomelody em remixes de grandes sucessos e canções autorais.
Jaloo é paraense,
nascido no interior do estado em Castanhal sob o nome de Jaime Melo.
Seus remixes e beats próprios começaram a aparecer na internet em
2010 e desde então seu nome passou a ser reconhecido como um dos
jovens expoentes da nova cena musical do Pará.
Já em 2012, Jaloo
lançou o álbum de remixes, 'Female & Brega', com reimaginações
a canções de sucesso de gente como Adele, Kyle Minogue, Amy
Winehouse, M.I.A., Donna Summer, Beyoncé, Grace Jones, Bjork, entre
outras vozes femininas.
Recentemente Jaloo
participou da coletânea de música brasileira eletrônica, 'Hy
Brazil vol. 1', com a canção 'Pa Parará'. Neste mesmo ano, lança
o EP 'Couve', para mostrar algo além dos remixes. O resultado deste
EP surpreende pela desconstrução de cada hit de sucesso e adequação
do material à voz de Jaloo e ao ritmo eletrônico que ele mesmo
representa, o tecnomelody.
Como entrega o título
bem humorado, 'Couve', o DJ paraense apresenta covers de clássicos
da música pop gringa, sem esquecer do lado brasileiro – ele gravou
'Baby' de Gil e Caetano e sucesso na voz de Gal, e também regravou
'Cira, Regina e Nana' de Lucas Santtana. Os outros covers são de
Rhianna, Sia, Grimes, Lykke lie, Crystal Casttles e Teddybears.
Cantor carioca apresenta segundo álbum de canções repletas de poesia concreta, melodias simples e arranjos complexos.
Depois de uma estréia
arrasadora, com o álbum 'Canções de Apartamento', Cícero voltou
sua atenção às praças, coretos e vielas do Rio de Janeiro. Ele
desceu do bondinho de Santa Teresa, no centro da cidade, e abraçou o
experimentalismo da poesia concreta no segundo disco, 'Sábado'.
Diferente do primeiro
registro, nesse novo lançamento Cícero apresenta canções mais
intimistas e delicadas com arranjos singulares e complexos. Mesmo
assim soando como uma sequência natural ao antecessor. Seguindo a
cronologia iniciada pelos Mutantes em 'Fuga n˚ 2', ele apresenta uma
possível continuação em 'Fuga n˚ 3 da rua Nestor', que abre o
disco, e depois 'Fuga n˚ 4'.
Todas as canções
emanam a assinatura característica de Cícero. Como um crônista do
cotidiano, ele encarna o concretismo e desconstroi as narrativas com
poemas melódicos. Destaques para 'Por Botafogo', 'Asa delta' e
'Frevo por acaso', que seguem a linha da poesia concreta cotidiana.
'Capim-limão', 'Ela e
a lata', 'Para animar o bar', 'Duas quadras' e 'Porta, retrato'
completam a obra e apresentam um lado mais ousado, sem perder as
características que destacaram o cantor e compositor carioca.
Com produção do
próprio Cícero e pelos Brunos, Schulz e Giorgi, o disco foi todo
gravado de forma caseira nas residências dos amigos, novos e
antigos. Participações de gente como Mahmundi, Luisa Mayall,
Marcelo Camelo, Silva, Uirá Bueno e dos dois co-produtores.
Um disco essencial para
entender o novo cenário da música popular brasileira.
Violeiro brasiliense apresenta álbum instrumental que homenageia a viola brasileira na música nordestina.
Cacai Nunes gravou o
segundo disco na 'Casa do Chapéu', que além de ser o título da
obra e nomear o sítio rural onde vive, no entorno do Distrito
Federal, também pode ser um ditado popular para denominar um lugar
muito distante.
O álbum abre com a
faixa título, 'Casa do Chapéu', e vai criando o clima e ambientação
do sítio com os grilos mesclando-se ao som da viola de 'Lobo
guarânia', 'Inhuma do cocho' e 'Forró sem aperreio' e da chuva em
'Sopro'. Esses sons ecoam por todo disco, criando uma atmosféra
rural e bucólica.
Nessa obra, Cacai
apresenta diversos parceiros, como Marcos Farias no acordeom, Àlágbé
Elton na percussão, Claudio Rabeca na rabeca, Valéria Lehmann no
violoncelo, George Lacerda na percussão e Vavá Afiouni no
contra-baixo.
Destaque ainda para
canções como 'Cabaceiras', 'Flor de peregum', 'Tudo alterado' e 'Tá
com pressa, boiada?', todas de autoria do próprio violeiro, que
ainda gravou de Roberto Corrêa, 'Perobeira-Maria' e de Lennon e
McCartney, 'Eleanor Rigby'.
Um álbum para relaxar
e ouvir com calma e tranqulidade, deixando o clima rupestre preencher
o ambiente.
Satanique Samba Trio é
uma banda instrumental que aplica cacofonia e caos na estrutura da
música brasileira.
A banda liderada por
Munha da 7 apresenta a terceira parte da triolgia 'Bad Trip
Simulator' – 'Simulador de Onda Ruim' em português – o volume
'#3'.
Difícil definir o som
da banda. “É música erudita popular das antigas, tipo Chiquinha
Gonzaga”, definem alguns, como o próprio Munha da 7 anuncia, mas
que não sabe o significado dessa resposta. Ele mesmo acredita que
eles são uma banda de música popular brasileira multiplicada por
menos um (x-1).
Nos últimos anos,
conciliando as gravações dos volumes anteriores, '#2' e '#1', todos
os integrantes realizaram ensaios abertos ao público que se
mostraram cansativos e divertidos ao mesmo tempo, como declara Munha
da 7. “Era muita pressão pra mim ter que conduzir os ensaios,
maneirar nos esporros, evitar insultos e ainda acertar as músicas no
final das contas. Saldo positivo para a banda, negativo para a minha
coluna”, enfatiza ele.
Nas gravações
anteriores, Munha da 7 sempre ressaltou as dificuldades, brigas e
confusões e nesse volume não foi diferente. “Se não tivesse
treta, eu pararia tudo e mandaria voltar. Foi dor de cabeça do
começo ao fim, membros cativos deixaram a banda, piques de luz aos
montes, bate-boca, doenças, drogas... o de sempre”, declara ele.
Para compor canções
como 'Pipocadélica', 'Sodoma & Gonzaga', 'Forró mata', 'O Auto
da Maldita', 'Hellcife blues' ou 'Imoboi', Munha da 7 avisa que o
conceito vem sempre antes da melodia. “No meu livro a melodia, a
harmonia, a estrutura e as figuras rítmicas estão sempre submissas
ao conceito”, explica.
Ainda sem previsão de
uma turnê mundial, Munha da 7 resume que o mundo ainda não vale a
pena, mas que 0,20 centavos fazem muita diferença. “Quem acha que
não é por que nunca teve que pedir esmola na rodoviária”.
Mas o 'Satanique Samba
Trio' segue em frente, seja em cima do trio elétrico, em ensaios
abertos, encenações públicas e nos aportes físicos e digitais.
Segundo Munha da 7 o vinil deve demorar um pouco mais, mas ele
promete alguma notícia sobre esse assunto ainda este ano. “Por
enquanto, quero deixar claro que nosso último CD, o célebre 'Bad
Trip Simulator #3' está a venda no site
www.sataniquesambatrio.com.br ou pelo e-mail
sataniquesambatrio@sataniquesambario.com.br. É só chegar pedindo e
pagando”.
Banda piauiense lança
primeiro álbum recheado de referências pop e batidas eletrônicas
com melodias singelas e sofisticadas.
A banda 'Guardia Nova'
é formada por João Veras, Hugo Trincado, Dmitrit Petit e Jan Pablo,
que também produziu o disco recém-lançado. Um petardo que abre com
'Parasoul', faixa densa de clima oriental pela adição da cítara,
seguido pela canção pop-indie-apoteótica 'Setenta e seis'.
'Preta' leva o ouvinte
ao estado do Pará com uma batida eletrônica com referências à
cumbia. 'Kazoo' é a balada do disco no melhor estilo voz e violão,
com pequenas interferências de um piano e violinos.
'Frescurinha' já
inicia com beats eletrônicos, quase como um carrossel infantil,
seguida pela eletro-experimental 'Guardia'. 'Macacal' mistura os
breves batuques com a crônica cotidiana autoral, para depois dar
lugar ao “quase-afrobeat” 'Melvin Jones (quase nada)'.
'Onde ela se perdeu' é
rock puro com direito a guitarras estridentes, ruídos e muita
sujeira. A canção 'Solução' apresenta um chill-out-lounge” de
batidas eletrônicas. 'Manhã de sol nas classes' volta ao universo
paraense, remetendo à guitarrada.
'Vestida de branco' tem
participação especial de Makeh, numa batucada bossa-nova, par
encerrar a peça em 'Sem saída'.
Banda de Uberlândia demonstra plena maturidade com um terceiro álbum recheado de ótimas canções.
A banda 'Porcas Borboletas' é formada por Banzo (voz e violão), Danislau (voz e
guitarra), Moita (guitarra e voz), Chelo (baixo), Vi (bateria) e
Ricardim (barulhos).
O disco abre com 'David
Bowie' elevando a clara referência ao artista camaleônico, seguida
por 'Todo mundo está pensando em sexo' e 'Tudo que tentei falhou',
duas maravilhosas crônicas cotidianas do inconsciente popular.
'Aninha' é uma balada
soul-disco-pop-aqua-boogie, seguida pela 'Festa terror', onde se
repete o mote da terceira faixa. 'Only life' é um poema musicado de
Paulo Leminski, remetendo ao clássico dos Stones, “it`s only life,
but I like it”.
A letra de 'Valéria'
brinca com a personagem real de Silvio Santos e remete à outra
canção classica que se refere ao apresentador de “sorriso franco
e puro de um filme de terror”. 'Go to Cuyabá' tem uma levada
especial, seguida por 'Fim do mundo', 'Infelizmente' e 'Giro' para
encerrar no cover da banda conterrânea 'Dead Smurfs', 'Wellington'.
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