Caldo de piaba é uma expressão pejorativa no norte do Brasil. É como diz o velho ditado, que “tal coisa está mais fraca que caldo de piaba”.
Mas no caso da banda ‘Caldo de Piaba’, o nome dá-se por conta de ser um grupo que toca desde o reggae, rock, brega, ska, carimbó, lambada, dub, funk , jazz etc. Desde o início da banda, eles se reuniam para tocar versões das músicas que todos integrantes curtiam.
Essa banda do Acre é formada por Miúda no baixo, DiDeus na bateria, Saulinho na guitarra e João na percurssão e já está lançando o terceiro EP, em anos consecutivos. O primeiro EP, ‘Volume Um’, foi lançado em 2009 e trazia uma versão especial para ‘Lambada do Amapá’, do conterrâneo Jorge Cardoso, e duas canções autorais; ‘Vemska pro papai’, que é um ska reggaeado e suingado, e ‘O fanq’, que tem menções de ‘Chank’ do Medeski, Martin & Wood e de ‘Lunar tune’ do João Donato.
Já no segundo EP, ‘Volume Dois’, a banda aprofundou nas influências caribenhas da cumbia, salsa, carimbó etc. ‘Moliendo café’ é uma ótima versão da canção do venezuelano Hugo Blanco. ‘People one’ é mais um composição original, mas tem menção de ‘Canto de Osanha’ de Baden Powell. Para Miúda, o processo de composição é livre. “A gente pode criar na hora ou um chega com um tema e vai desenvolvendo junto com a banda no ensaio”, comenta. Este EP se completa com o surf-music X bolero, ‘Sborba’, e para finalizar o reggae meio dub, meio xote, ‘Dexavi (o que pensa)’.
O terceiro EP foi lançado agora, é o ‘Volume 3’, gravado ao vivo no Estúdio Oi FM, e foi transmitido ao vivo no programa de Max de Castro José Flávio Jr. e Paulo Terron. A banda compôs ‘Lambada nova’ e ‘Daimagem’, mas também fez versões para canções de grande mestres da guitarrada, como Vieira e Aldo Sena, ‘Lambada do Rei’ e ‘Lambada classe A’ respectivamente. A banda também gravou versões para ‘I want you (she’s so heavy)’ dos ‘Beatles’ e ‘La ardillita’ da banda peruana ‘Los Destellos’.
A banda vê nos downloads gratuitos como uma ferramenta para atingir um público maior. A nova máxima de que hoje em dia não se vende mais discos, se divulga. Miúda ainda lembra que a banda conseguiu bons convites para show por causa da internet. “O ‘Caldo de Piaba’ não seria nada sem a internet, com 2 meses de banda a gente gravou o primeiro EP e botou no ‘myspace’. Um ano depois a gente tava tocando no ‘Recbeat’, nós sempre usamos a internet com meio de divulgação da banda”, declara.
Nesse momento, a banda está em processo de composição, para ver se lança um disco até o final do ano. Então, aproveitem e baixem a trilogia de excelentes EPs, que a banda lançou ao longo dos anos...
2011 Volume 3
1. Lambada nova 2. Lambada classe A
3. Daimagem 4. Lambada do Rei 5. La ardillita 6. I want you (dosbito)
O novo disco do Kiko Dinucci, ‘Metá Metá’, em parceria com Juçara Marçal e Thiago frança, é uma das gratas surpresas do ano.
O álbum abre com ‘Vale do Jucá’, música de Sibá Veloso, que enche os ouvidos com uma formação enxuta, da voz de Juçara, violão de Dinucci e sax do Thiago. O disco todo foi gravado nessa formação enxuta de voz, violão, sax e flauta, eventualmente – como em ‘Umbigada’ – mas ainda assim com algumas participações especiais.
‘Papel sulfite’ a voz de Juçara faz um duelo com o sax de Thiago, com o violão ao fundo. Em ‘Trovoa’, Dinucci transforma a composição de Maurício Pereira em quase um chorinho-blues, a canção só tem flauta, voz e volão.
A canção ‘Samuel’, que Dinucci compôs em parceria com Rodrigo Campos, que também participou da gravação. A partir dessa faixa, ‘Vias de fato’, o trio passa a ser acompanhado de Samba Ossalê na percussão e Sérgio Machado na bateria. ‘Oranian’ tem uma levada selvagem e um solo de sopro-atômico.
A música seguinte continua a pancada e leva o incauto ouvinte ao terreiro qualquer de ‘Obá Iná’. Em ‘Obatalá’ – bela composição de Dinucci – o trio volta ao formato enxuto e faz uma delicada gravação, com ótimos momentos de improviso de saxofone, bela impostação de voz de Juçara e o violão sempre marcante de Dinucci.
O disco encerra com ‘Ora iêiê o’, que traz um sensacional arranjo para o ponto de Oxum da casa de Fanti-Ashanti.
2011 Metá Metá – Kiko Dinucci + Juçara Marçal + Thiago França
1. Vale do Jucá 2. Umbigada 3. Papel sulfite 4. Trovoa 5. Samuel 6. Vias de fato 7. Oranian 8. Obá Iná 9. Obatalá 10. Ora iê iê o
Carlos Careqa é um desses artistas que são diamantes brutos, digo, ao lapidados, só para buscar uma metáfora bem confortável para todos. Digo isso porque o Careqa é daqueles artistas que muita gente não conhece, mas que é só ouvir alguma de suas canções para começar a assobiar a melodia.
E quem conhece o Careqa, sabe que ele é um dos grandes compositores da música brasileira. Ele é um artista que não busca o óbvio, sempre procurando inovar. O disco ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’, está sendo lançado, oficialmente, nesse final de semana, no Teatro Sesc Ipiranga, em São Paulo. No show, Careqa é acompanhado pela atriz Letícia Sabatela e pelo piano de Paulo Braga.
Nesse disco, ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’, Careqa se mostra acompanhado apenas por violão. É um disco sublime, gravado apenas com voz e violão, e as participações especiais de gente como Chico Buarque, Arrigo Barnabé, Gabriel Levy, Ana Friedman e o já mencionado Paulo Braga.
Pode-se dizer que o álbum é quase uma sequência não planejada do disco anterior, o exelente ‘Tudo que Respira quer Comer’ de 2009, até porque o Careqa não se repete jamais, mesmo sabendo que igual é legal. No disco anterior, de 2008, ele cantou em português grandes clássicos do norte-americano Tom Waits, no álbum ‘À Espera do Tom’. Músicas em inglês como ‘All the world is green’, ‘Chocolate Jesus’ e ‘Jersey girl’, viraram nas mães de Careqa ‘E tudo fica azul’, ‘Guaraná Jesus’ e ‘Garota de Guarulhos’, respectivamente.
Antes disso, Careqa havia homenageado o David Byrne – quem sabe pelo cantor do Talking Heads ter incluído uma bela faixa do disco de estréia de Careqa na coletânia gringa de música brasileira ‘Beleza Tropical’ – quando misturou ‘Psycho killer’ (da seminal banda de Byrne) com ‘Saudosa maloca’ de Adoniran Barbosa, e as transformou em ‘Psycho maloca’ do disco ‘Pelo Público’ de 2007, que também tem parceria com o cantor brega Falcão em ‘Agora é pra foder’.
O EP gravado ao vivo durante apresentação de Carlos Careqa com a banda ‘Maxixe Machine’, na ‘Grande Garagem que Grava’ em 2005, com repertório todo em portunhol. O álbum ‘Não sou Filho de Ninguém’, que Careqa gravou em 2004, começou a tradição de grandes participações especiais nos discos de estúdio, como Chico Cesar em ‘Menos de doer mais de doar’, e de outros músicos como Jards Macalé e Zeca Baleiro.
‘Música para Final de Século’, do final da década de 90, foi eleito por Byrne, como melhor disco de música brasileira do ano de 1998. Tinha mesmo grandes canções, que até hoje ainda fazem parte do repertório dos shows de Careqa, como ‘Ser igual é legal’, ‘Chorando em 2001’ e ‘Eclipse em meia-lua’.
A estréia aconteceu em 1993, com o disco ‘Os Homens são Todos Iguais’, que tinha a canção que Byrne incluiu na coletânia gringa, ‘Acho’, e um bem humorado hino de amor à cidade de Curitiba (onde Careqa foi educado), ‘Não dê pipoca ao turista’.
No show de lançamento do disco mais recente – ainda dá tempo de você ver o espetáculo de domingo – ‘Alma Boa de Lugar Nenhum’ , Careqa apresenta outra inovação, dessa vez em matéria de marketing. Ele lançou um projeto na internet – pelo site catarse (que permite aos usuários apoiarem qualquer projeto existente).
2. Sucessão de fracassos (com Tiago Costa) 3. Minha música (com Chico Buarque)
4. Alma boa de lugar nenhum (com Paulo Braga) 5. Balada da dependência sexual (com Andre Mehmari) 6. O rolo do rolex (com Gabriel Levy) 7. Simplesmente 8. Todo cuidado é pouco (com Arrigo Barnabé) 9. Meu pequeno rádio
10. Terno de damas 11. Costura pra dentro 12. Samba do budista (com Karin Fernandes e Chico Melo)
4. Fantasias (com Fernando Vieira e Camilo Carrara)
5. Qué que cê qué (com Maria Alcina)
6. Brasileiro (com Marcelo Pretto) 7. Cida (com Skowa) 8. Vacamor (com Zé Rodrix) 9. Por quê? (com Toninho Ferragutti) 10. Canção de ninar para uma madrugada insone 11. Feltro no ferro (com Juliana Perdigão e Gabriel Levy) 12. Mal desnecessário
13. A volta triunfal (com Guello) 14. Às vezes (com Raul de Souza)
3. Garota de Guarulhos (Jersey girl) 4. Guaraná Jesus (Chocolate Jesus) 5. Num trem de metrô (Downtown train) 6. Inocente quando sonha (Innocent when you dream) 7. Boa noite Matilda (Tom Traubert´s blues) 8. Tempo time (Time) 9. Tentação (Temptation) 10. Pro meu rubi (Ruby’s army) 11. Soldado até o fim (Soldier´s things) 12. Não baixe a cabeça assim (Hang down your head) 13. Não quero crescer (I don´t wanna grow up)
14. Qualquer lugar que eu me encostar (Anywhere I lay my head)
3. Agora eu só quero 4. Olhos de star 5. Os cinco lados da mulher 6. Tetraplégico de amar 7. Espinha de bacalhau 8. Eremita urbano 9. Porque é que você faz isso 10. Feiura é fundamental 11. Vou falar com o Pitanguy 12. Ser solteiro 13. Samba a bile 14. O resto é o pó 15. Psycho maloca
2. Menos de doer mais de doar (com Chico César) 3. Êh! São Paulo
4. Achado 5. Pai postiço (com Jards Macalé) 6. Frente é verso 7. Issi 8. Isto 9. Meu querido Santo Antônio 10. Língua de babel 11. O louva Deus 12. Eu beijo sim 13. Salomé só 14. Não é gente não
1. Ser igual é legal 2. Chorando em 2001 3. No caminho para Santiago 4.Música para final de século 5. Manhattan tan tan 6. Eclipse em meia-lua 7. Cortei o dedo 8. São solidão 9. Temporal 11. Feliz amor 12. A cor de Nova York
1. Não dê pipoca ao turista 2. Acho 3. Os homens são todos iguais 4. Subway 5. A última quimera de Sebastião Antônio Pereira 6. Couto anual 7. Não dê pipoca ao turista II 8. Alles Plastik 9. Tá na cara que é 10. Deus não pensa 11. Cidade 12. O outro lado
O samba do Criolo Doido foi inspiração mesmo, e daí? Mas hoje em dia ele já tirou o Doido do nome. Quem sabe para impedir mais perguntas sobre a loucura? Porque o som de louco não tem nada... Quem sabe só no bom sentido.
O som do Criolo foi lançado na internet, para download gratuito mesmo, com aval do produtor, Daniel Ganjaman. Quem disser que é hip-hop, não vai estar mentindo, mas pode estar equivocado. Porque o disco, ‘Nó na Orelha’, tem de tudo um pouco e pode até ser considerado um disco mais soul que rap.
O álbum começa com um afrobeat de responsa, ‘Bogotá’, que remeto aos versos de Manuel Bandeira, “Vou-me embora pra Pasárgada”. Mas o Criolo vai também pra capital da Colômbia. A faixa seguinte, ‘Subirusdoistiozin’, que nada mais é que a união da expressão “subiram os dois tiozinhos” como uma única palavra. Essa faixa tem cara de hip-hop, também tem cara de fusion-jazz, soul, enfim, é tudo isso misturado.
Em ‘Não existe amor em SP’ o Criolo constrói uma fábula realista da cidade que inspirou a canção. Outra inspiração também foram os grafites encontrados na capital paulista, que dizem que “o amor é importante, porra!” e também pedem “mais amor, por favor”. Uma música lírica e bela.
‘Mariô’ tem um quê de batucada, mas também tem hip-hop, tem soul e tem rima, pois é quando o Criolo canta com a cadência do rap. ‘Freguês da meia noite’ passa impressão de ter sido gravada nas boates bregas da vida. ‘Grajauex’ é um hip-hopex, rapex, raggaex e todos sufixos ‘ex’ que o Criolo pode se lembrar.
Apesar do nome ‘Samba sambei’ não tem nada de samba. Está mais pra reggae, dub ou ska, que para o ritmo brasileiro. Como bem explica o Criolo, a utilização de samba como verbo ao invés de ser o nome ao ritmo. ‘Sucrilhos’ é onde o Criolo mostra algumas de suas influências e suas rimas da época da ‘Rinha de MCs’, da qual foi um dos criadores.
Com ‘Lion man’ o Criolo rima e faz sua mistura entre ritmos estrangeiros com o soul e hip-hop brasileiros, entre o reggae e o rap. ‘Linha de frente’ é o samba do Criolo Doido com a turma de Maurício de Souza.
A poesia do Criolo é assim – com inspiração no cotidiano da cidade paulistana – uma crônica de suas influências, vivências e tudo que o cerca etc. Porque você é tudo aquilo que lê, ouve pensa e vê. Por isso o Criolo rima com esses temas. Porque viveu tudo isso, seja no gibi da ‘Turma da Mônica’ ou no sucrilhos no prato.
2011 Nó na Orelha
1. Bogotá
2. Subirusdoistiozin 3. Não existe amor em SP 4. Mariô 5. Freguês da meia noite 6. Grajauex 7. Samba Sambei 8. Sucrilhos 9. Lion man 10. Linha de frente
O novo disco dos ‘Beastie Boys’ começou há dois anos, quando na verdade foi iniciado em estúdio – mas interrompido devido ao tratamento de câncer de Adam Yauch.
Tudo começou para os ‘Beastie Boys’, com o vídeo-clipe de ‘(You gotta) Fight for you right (to party!)’, onde o trio aparecia entrando de penetra em alguma festa e tocando o terror com os convidados. De acordo com essa nova estética de vídeo-clipe, a banda foi criando referências a seriados de TV como o clipe de ‘Sabotage’ e ‘Body moving’, ou reverenciando filmes japoneses com ‘Intergalatic’.
O fato é que com tantas menções a elementos da cultura popular, a própria banda se tornou um desses elementos, sem jamais ter se auto-parodiado. Enfim... Não se pode mais dizer isso dos ‘Beastie Boys’...
Para o lançamento do disco ‘Hot Sauce Committee Part Two’, a banda preparou diversos aperitivos, entre eles um média-metragem auto-referente, que seria a continuação do vídeo-clipe de ‘(You gotta) Fight for you right (to party!)’. Para isso, eles lançaram um teaser sensacional, com uma constelação de astros de Hollywood.
Junto com o vazamento na internet do album, ‘Hot Sauce Committtee Part Two’, foi lançado o média metragem ‘(You gotta) Fight for you right (to party!) revisited’, que na verdade funciona como clipe estiloso para a música ‘Make some noise’.
Além da auto-paródia ao primeiro vídeo-clipe de sucesso dos ‘Beastie Boys’ – o trio é interpretado por atores, mas aparecem como se tivessem saído do apartamento onde tocaram o terror na festa do primeiro clipe – eles também rendem referências a sexos, drogas e rock’n’roll, no velho e bom estilo piscou-perdeu.
Quanto à referência ‘Part Two’ no título... O nome do álbum havia sido anunciado como ‘Hot Sauce Committee Part One’, antes do tratamento de Adam Yach. Por isso a ‘Part Two’ deve ser para sinalizar que o trio voltou ao estúdio e modificou de uma forma ou outra as canções que já haviam sido trabalhadas... Enfim... O disco é o mesmo, mas com um título ligeiramente diferente.
Quanto ao disco... Não é o melhor disco dos ‘Beastie Boys’, mas está bem acima da média dos álbuns de hip-hop da atualidade.
2011 Hot Sauce Committtee Part Two
1. Make some noise 2. Nonstop disco powerpack 3. OK 4. Too many rappers (new reactionaries version) 5. Say it 6. The Bill Harper collection 7. Don't play no game that I can't win 8. Long burn the fire 9. Funky donkey 10. The Larry routine 11. Tadlock's glasses 12. Lee Majors come again 13. Multilateral nuclear disarmament 14. Here's a little something for ya 15. Crazy ass shit 16. The Lisa LisaFull force routine
Lemmy Kilmister é o Cara! O cara do rock’n’roll. O cara que dizem ser Deus. Ele é o Cara! O Lemmy pode ser chamado por esses nomes sem causar nenhuma controvérsia ou polêmica. Ele é Deus e também o Cara!
De fato ele foi roadie de Jimi Hendrix e viu os Beatles tocarem no Cavern Club, sem falar que bebe whisky-Jack-Daniels-com-coca-cola todos dias. Assim ele coloca todos notórios rockeiros-que-não-morrem-nunca no chinelo, e ainda por cima seguindo firme e coerente em toda sua carreira – à frente do Motörhead.
O Lemmy é uma instituição! Uma entidade! Maior que a própria banda... Lemmy is Motörhead!!! A prova disso são todos os depoimentos – no documentário sobre ele – que entoam em uníssono a tese que acabei de defender. Lemmy é foda!
Em Brasília, Lemmy abriu o show com a matadora ‘Iron fist’, do disco homônimo, seguida por outro clássico, ‘Stay clean’ de ‘Overkill’ e ‘Get back in line’ do petardo lançado este ano, ‘The World is Yours’. O show segue com ‘Metropolis’ também de ‘Overkill’ e ‘Over the top’ que jamais havia sido gravada em disco de estúdio, só tendo registro nos álbuns ao vivo da banda.
Depois o Motörhead mantém o volume alto com algumas faixas de discos mais recentes como ‘One night stand’ do album ‘Kiss öf Death’, e ‘Rock out’ de ‘Motörizer’, para emendar no solo de guitarra de Phil Campbell, seguida de ‘The thousand names of God’ também do ‘Kiss öf Death’.
‘I got mine’ do subestimado disco ‘Anöther Perfect Day’ foi a próxima da lista, seguida por ‘I know how to die’ do álbum mais novo, depois por ‘The chase is better than the catch’ de ‘Ace öf Spades’, ‘In the name of tragedy’ de ‘Infernö’, seguida pelo solo arrasador de bateria de Mikkey Dee.
Depois do solo de Dee, Lemmy volta ao palco e anuncia ‘Just 'cos you got the power’ do álbum ‘Rock 'n' Roll’, e emenda ‘Going to Brazil’, de ‘1916’, na sequência. Depois o show volta aos clássicos com ‘Killed by death’, com toda a platéia cantando junto com Lemmy, seguida pelo sucesso absoluto ‘Ace of Spaces’ , para encerrar no bis apoteótico de ‘Overk
ill’ com mais de 10 minutos.
Quem assistiu ao vivo, presenciou um dos melhores e mais altos shows que já houveram no Ginásio Nilson Nelson. Aproveitando a surdez temporária causada pelo espetáculo – deixo o útlimo disco da banda e um bootleg de responsa – com o mais recente setlist do Motörhead que encontrei (que só não tem ‘Iron fist’, mas todas outras faixas são iguais).
2011 The Wörld is Yours
1. Born to lose 2. I know how to die 3. Get back in line 4. Devils in my head 5. Rock 'n' roll music6. Waiting for the snake 7. Brotherhood of man 8. Outlaw 9. I know what you need 10. Bye bye bitch bye bye
1. Intro 2. We are Motörhead 3. Stay clean 4. Get back in line 5. Metropolis 6. Over the top 7. One night stand 8. Rock out 9. Guitar intro 10. The thousand names of God 11. I got mine 12. I know how to die 13. The chase is better than the catch 14. In the name of tragedy/ Drum solo 15. Just 'cos you got the power 16. Going to Brazil 17. Killed by death 18. Ace of spades 19. Encore break 20. Overkill
‘Há-Ono-Beko’ que dizer”siga o sol e váem frente” na língua do povo Kelú do Gabão. A banda lançou o primeiro disco em 1999, e chamava a atenção pela inventividade de Junai Gonzaga, que construía instrumentos musicais, de percussão e sopro, com materiais recicláveis.
Nessa época, final dos anos 90, a banda fazia parte do novo boom de bandas brasilienses, que incluía ‘Os Cachorros das Cachorras’, ‘Xalé Verde’, ‘A Tuba Antiatômica do Planalto’, entre outras.
Demoraram 10 anos para a banda lançar o segundo, e lendário, álbum. Um disco que havia se tornado mitológico, e tinha todo tipo de lenda e histórias em volta desse lançamento. Há anos era aguardado e esperado, mas nunca ficava pronto. Muita gente nem acreditava mais que algum dia o disco iria sair.
Mas enfim, em 2009, a banda lançou o tão aguardado segundo disco. Com uma formação ligeiramente diferente, mas com os integrantes fundamentais, como Junai Gonzaga, Kaju e Dred, que são a espinha dorsal do ‘Há-Ono-Beko’.
A banda sempre mesclou a música pop, com cantigos indígenas, e batucadas do cerrado, com instrumentos fabricados por eles mesmos. Essas características ficam mais evidentes no segundo disco, ‘O Lado Bom’, que mais parece ter sido dividido em lado A e lado B. Com o lado A destinado às canções mais pops, capitaneadas por Dred, e o lado B mais roots do Junai e Kaju. Aproveitem o sol e vão em frente!!!
O Sobrado 112 é uma banda que não se repetiu em nenhum dos três CDs, gravados e já lançados.
Em 2007/2008 a banda estreou com ‘Demanche’, um álbum que fazia um som que trafegava entre o jazz-fusion e o popular. Tinha até participação especial de Aldir Blanc em ‘Acionista da boemia’.
Em 2009, foi a vez do álbum ‘Isso Nunca me Aconteceu Hoje’, onde o som estava mais pro samba e rock, com pitadas de afrobeat. Os vocais são muito mais coletivos, do que antes, como é ouvido em ‘Eu não quero ter razão’. O disco tem muito mais suingue, muito mais groove, mais instrumentos, mais banda, mais tudo. E também tem a produção do BiD.
Nesse terceiro álbum – este que pode ser considerado o ‘Let it Be’ da banda, já que foi gravado antes do ‘Isso Nunca me Aconteceu Hoje’, mas foi lançado apenas agora com um ano de diferença – ‘Sobrado 112 no País da Skapolca’ tem uma pegada muito mais reggae e ska e rocksteady, sem deixar o rock de lado. Não cabem mais brincadeiras através de letras bem humoradas e parcimoniosas, já que todas as faixas são instrumentais, mas cabe a produção caprichosa de Buguinha Dub, incluindo um remix dele próprio.
O disco abre com uma levada dureza como ‘Carne de pescoço’ e segue com a sensual e divertida ‘Eu e minha amada no Grajaú’, que até pode ser considerada uma continuação não-oficial para a faixa ‘Grajaú’, presente no segundo disco da banda, em que cantavam “eu e tu lá no Grajaú, sem tu-tu para o buzu” – esse bairro é quase uma fixação ou uma obsessão – vão tomar no Grajaú!!!
O disco segue com ‘Dub’, que o nome já diz tudo, e até recebeu um remix de Buguinha Dub no final do disco. A seguinte é ‘Maldição da caveira’, um rockezão forte e firme com a guitarra mais pesada que já ouvi o Vitinho Gottardi levar. Depois, ‘Skapolca rocksteady’, que o nome também já diz o que é, mas tem todo o clima de um Sobrado construído por Buguinha.
‘Simérius Conan’ havia sido bônus no segundo disco e aqui ela ficou como a homenagem a um velho-camarada da banda – a quem todos chamavam carinhosamente de Conan, o Simério. O álbum encerra com o remix de ‘Dub’, o bônus remix do Buguinha, que também participa dos shows de lançamento do disco.
Os Móveis Coloniais de Acaju sempre estiveram atentos com as novas mídias, novas ferramentas na internet, novas redes sociais etc. Semana passada, mais precisamente no dia 27 de março – o dia do graffite –, a banda movimentou o twitter e o site da MTV gravando o clipe da canção ‘O tempo’.
A idéia era gravar um clipe em plano sequência, com a música em rotação quatro vezes mais lenta, para quando tudo passasse em tempo real, os atores, bailarinos e músicos ficassem com o movimento bem rapidinho – da forma que eles estão dançando no vídeo acima.
Tudo isso foi transmitido em tempo real pelo site da MTV...
No dia do graffiti, a homenagem da banda era em parceria com o grupo graffiteiro Kollors Kingz , além de claro também a MTV e o diretor Steve ePonto, que coordenou a empreitada.
Enquanto a banda dançava a coreografia estranha, o grupo Kollors Kingz escrevia, num painel de vidro, os nomes das pessoas que twittassem utilizando a tag #TempoRealMoveisMTV. Lembrem-se de que tudo era transmitido ao vivo por livestreaming.
É curioso que o nome do projeto seja #TempoRealMoveisMTV, que envolva a twittagem, graffitagem e coreografia da banda em tempo real e que o nome da faixa seja ‘O tempo’.
Essa é apenas um das iniciativas do Móveis Coloniais de Acaju, que envolvem novas mídias e tecnologias. A banda sempre foi muito ativa na internet, desde a atualização intensa do site, das redes sociais e das estratégias para colocar o nome da banda na mídia.
O disco mais recente, ‘C_mpl_te’, saiu em 2009 pela Trama Virtual (é só se cadastrar e baixar) e desde então a banda segue divulgando o petardo de todas formas possíveis. Até criaram uma tag, ’Adoro Couve’, onde tocaram vários covers de bandas como Flaming Lips, Talking Heads, Ultraje a Rigor, entre outros.
Grande parte dos integrantes da banda tocam em outra banda – tipo uma spinoff (termo em inglês, que serve para denominar um produto menor, derivado de outro bem maior) com a qual tocam em festivais e grandes jams com os amigos – a Vai Tomar no Acaju, que toca covers em versões metais em brasa, como por exemplo o crossover da canção título do segundo filme da série ‘Pantera Cor-de-Rosa’, ‘A shot in the dark’ com o rap ‘Careca sim e daí’ do Câmbio Negro, de Brasília – que virou ‘A shot in the dark, sim e daí’.
2009 C_mpl_te
1. Adeus 2. Lista de casamento 3. O tempo 4. Cão-guia 5. Descomplica 6. Café com leite 7. Pra manter ou mudar 8. Bem natural 9. Falso retrato 10. Cheia de manha 11. Sem palavras 12. Indiferença
1. Adeus de carnaval (Móveis Coloniais de Acaju) 2. Do you realize (Flaming Lips) 3. Alegria (Cartola) 4. Psycho killer (Talking Heads) 5. Replay (Trio Esperança) 6. Eu me amo (Ultraje a Rigor) 7. Everybody (Backstreet Boys) 8. Enter Sandman (Metallica) 9. A menina dança (Novos Baianos)
Fazia tempo que Hiromi Uehara não tocava acompanhada de um trio clássico de jazz. Talvez tenha sido a experiência com Stanley Clarke, no ano passado, que a tenha reapoximado deste formato, piano baixo e bateria.
Para este disco ela convidou o baixista Anthony Jackson – ele já tocou com Chick Corea e Steely Dan – e o bateirista Simon Phillips – que já tocou com David Gilmour e Jack Bruce – e chamou de ‘The Trio Project’.
Com essa formação ela gravou o ‘Voice’ – mais um maravilhoso adendo à sua discografia. “Quando toco música, eu percebo que isso realmente filtra as emoções”, comenta Hiromi. “Eu chamei esse album de ‘Voice’ (voz em ingles) porque eu acredito que as vozes das pessoas são expressadas pelas emoções. Não é aquilo que você fala. Mas aquilo que tem no coração. Talvez alguma coisa ainda a ser dita. Quem sabe nunca diga. Mas é sua verdadeira voz”.
O disco tem nove faixas e como sempre é o melhor álbum da carreira dessa japonesa que toca piano como homem. Quero dizer apenas, que ela tem uma pegada forte nas teclas, que parece um ser-masculino-bruto-forte-e-dominante. Ela realmente domina todas as faixas, até mesmo quando faz participação em disco dos outros – como foi o caso com Stanley Clarke, em ‘Jazz in the Garden’ – ela arrepia e rouba totalmente a cena.
O disco começa com ‘Voice’, onde o trio clássico de jazz mostra toda potência na bateria de Phillips e no baixo de Jackson, mas é no piano de Hiromi que a porca torce o rabo, com perdão do ‘trocadaleo’. Na faixa seguinte, ‘Flashback’, você pode sentir toda a pressão do bumbo de Phillips, um complemento perfeito para as estripulias de Hiromi. Esse novo trio é clássico demais.
‘Now or never’ tem até um certo eco dos sintetizadores de ‘Kung-fu world champion'. Em ‘Temptation’, Hiromi convida o ouvinte a decidir se “é doce ou amarga, essa tentação?”. ‘Labyrinth’ dá grande destaque às cordas de Jackson, que forma um belo dueto com as teclas de Hiromi. Que sufoco é tentar acompanhar essa garota. Jackson no baixo e Phillips na bateria formam um belo trio com Hiromi.
‘Desire’ e ‘Desolution’ quase se complementam de tão em sincronia no trabalho de Hiromi. Destaque para o baixo e bateria envolventes. Entre as duas faixas está a canção de piano solo, ‘Haze’, em que Hiromi mostra uma delicadeza impar, de arrepiar, mas sem deixar de embasbacar o ouvinte com seus improvisos que parecem te levar n’algum lugar, para em seguida lhe puxar o tapete e dar um nó na cabeça...
O disco encerra com a ‘Sonata nº 8’ de Beethoven, completamente irreconhecível como muito bem faz Hiromi – a versão de ‘Caravan’ dela é a versão mais rockenrou que já ouvi – com ela a canção de Beethoven ganhou contornos de um blues irresistível.
A idéia desse petardo era mesmo expressar emoções humanas sem o auxílio de letra alguma. Hiromi não precisa falar nada para hipnotizar – ela só precisa tocar piano e improvisar...
2011 Voice (with The Trio Project)
1. Voice 2. Flashback 3. Now or never 4. Temptation 5. Labyrinth 6. Desire 7. Haze 8. Delusion 9. Beethoven’s piano sonata no. 8 (Pathetique)
Sempre acreditei que a primeira faixa de qualquer álbum deve ser muito bem considerada. É preciso prender o ouvinte no primeiro acorde. A primeira canção precisa ser suficientemente forte para levar o espectador à próxima faixa.
Mas também a música número um, não pode ser a melhor faixa do disco. Basta levar à próxima audição. Posso citar alguns exemplos, como o grande clássico do Led Zeppelin, o volume ‘II’, que iniciava com ‘Whole lotta love’, ou ‘Moving Pictures’ do Rush, que começava com ‘Tom Sawyer’.
O ‘The Strokes’ é uma banda formada por Julian Casablancas nos vocais, Nick Valensi na guitarra, Albert Hammond Jr. na outra guitarra, Nikolai Frature no baixo e Fabrizio Moretti na bateria. Eles lançaram o álbum de estréia em 2000, ‘Is This It’, que foi um grande sucesso e transformou a banda nos maiores expoentes do rock indie.
Depois eles lançaram ‘Room of Fire’ em 2003 e ‘First Impressions of Earth’ em 2006, sem conseguirem alcançar o brilhantismo do primeiro petardo. Mas se você nunca ouviu falar deles, provavelmente esteve congelado criogenicamente ou em alguma ilha deserta nos últimos 10 anos...
Nesses últimos anos, os integrantes da banda seguiram carreiras solo, participações em discos de outros artistas. Casablancas gravou o disco solo em 2009, `Phrazes for the Young`, e fez um monte de participações em discos de gente como Danger Mouse e Sparklehorse,`Queens of the Stone Age` e Santogold, entre outros.
Nick Valensi também não ficou parado, ele gravou guitarra com Devendra Banhart e formou parceria junto com Sia, cantora pop australiana. Albert Hammond Jr. lançou dois álbuns, `Yours to Keep` em 2006 e `¿Cómo Te Llama?` em 2008. Nikolai Frature lançou o projeto `Nickel Eye` e gravou o disco `The Time of the Assassins` em 2009. Fabrizio Moretti aproveitou a folga para gravar com Rodrigo Amarante e Binki Shapiro, o `Little Joy`.
O disco mais recente do ‘The Strokes’ começa com ‘Machu Pichu’, um canção grudenta que você não consegue ficar sem cantar, mesmo sem saber a letra, no melhor estilo “poreporeporepopein...” e assim por diante. O álbum segue com ‘Under cover of darkness’, o single e possível grande hit do ano. Também é impossível não cantar junto o refrão.
Depois desse começo de disco sensacional é impossível não curtir o álbum inteiro. ‘Two kinds of hapiness’ traz uma seleção de riffs que se cruzam e se repentem formando um paredão de som no melhor estilo Strokes. A banda faz uma ponte bem sucedida entre os timbres da década de 80 com a eletrônica dos anos 90.
Esse disco pode ser considerado o melhor álbum da banda desde o disco de estréia. Parece que o hiato de quase cinco anos fez bem para o grupo, que tem na sua origem um descendente russo, Nikolai, o latino Hammond, basco Casablancas, Valensi que é judeu e Moretti que nasceu no Brasil.
2011 Angle 1. Machu Pichu 2. Under cover of darkness 3. Two kinds of happiness 4. You’re so right 5. Taken for a fool 6. Games 7. Call me back 8. Gratisfaction 9. Metabolism 10. Life is simple in the moonlight
Dizzy Gillespie é uma lenda do jazz norte-americano, um dos criadores do bebop e deixou canções momoráveis como ‘Salt peanuts’ e ‘A night in Tunisia’.
Durante uma de suas passagens pelo Brasil, Dizzy tinha a idéia de gravar um disco com uma bateria de Escola de Samba, mas diante dificuldades de colocar essa turma toda num estúdio, optou por uma banda que tocasse o ritmo. A escolha foi acertada, Dizzy gravou o disco com o Trio Mocotó.
Depois de três dias no Estúdio Eldorado, João Parahyba (percussão), Nereu Gargalho (pandeiro) e Fritz Escovão (cuíca) puderam se gabar por ter tocado com o pai do bebop. Mas não por muito tempo, porque as gravações jamais viram a luz do dia. Dizzy voltou para casa com todo material embaixo do braço e perdeu as masters.
Toda essa história já havia virado lenda do mercado brasileiro. Haviam testemunhas oculares, mas prova nenhuma dessas gravações. Até que um velho amigo de Dizzy, o produtor suíço Jacques Muyal, da LaserSwing Productions, encontrou o material e resolveu lançá-lo em disco.
Rezava a lenda que Dizzy fazia sessões intermináveis de meditação no chão do estúdio e que Parahyba havia se re-encontrado com Dizzy num festival de jazz em Estocolmo e o trumpetista não se lembrava das gravações.
Essas gravações, que além do Trio Mocotó, também contaram com a guitarra de Al Gafa, o baixo de Earl May, a bateria de Mickey Roker e os vocais de Mary Stallings em 'Evil gal Blues', dueto com Dizzy.
O disco abre com ‘Samba’ que pode lembrar um pouco o velho clássico samba-rock, ‘Coqueiro verde’, tem uma levada sensacional que seria impossível sem o suingue do Trio Mocotó. Além de seguir uma linha iniciada com ‘Winter samba’ que havia sido gravada em 1966.
A faixa seguinte começa com um inconfundível grito de guerra do Trio Mocotó “vamô s’imbora uau!”, ‘The truth’ (‘a verdade’ em inglês). Pois o álbum perdido de Dizzy Gillespie com o Trio Mocotó é mesmo verdade... ‘Dizzy’s shout (Brazilian improvisation) é bossa nova com Dizzy no trumpete – e o nome já diz tudo.
‘Behind the moonbean’ é composição do guitarrista Al Gafa, mas não passa de uma bela colagem de vários riffs da música brasileira. Será que é o primeiro mash-up de que se tem notícia? Talvez não...
A última faixa é uma pérola que tem toda a malemolência de Parahyba, Gargalo e Escovão, que brilha com seus solos de cuíca endiabrada duelando com o trumpete “Gillerspiano”. Putaqueospariram!!! Anos depois, Dizzy gravaria o disco ‘Dizzy’s Party’, em 1976, com o percussionista brasileiro Paulinho da Costa, que também fez um maravilhoso solo de cuíca. Mas essa faixa ‘Rocking with Trio Mocotó’, é um manifesto da cuíca no jazz norte-americano.
"Só ponho bebop no meu samba quando o Tio Sam pegar no tamborim, quando ele pegar no pandeiro e no zabumba, quando ele entender que o samba não é rumba", Jackson do Pandeiro e Gordurinha.
2009 Dizzy Gillespie no Brasil (& Trio Mocotó)
1. Samba 2. The truth 3. Dizzy’s shout (Brazilian improvisation) 4. Evil gal blues 5. Behind the moonbean 6. Rocking with Mocotó
Leandro Roque se tornou E.M.I.C.I.D.A. por tanto massacrar seus oponentes nas batalhas de MCs. O nome é uma junção de homicídio com MC (que significa mestre de cerimônia e comumente utilizada no cenário hip-hop).
E.M.I.C.I.D.A. fez seu nome nas rinhas de MCs, mas foi com o lançamento da primeira mixtape em 2009, ‘Pra Quem já Mordeu um Cachorro por Comida até que eu Cheguei Longe’, que alcançou espaço maior no resto do país. Essa mixtape era quase uma coletânea do início da carreira desse rapper paulistano, mas já continha clássicos antológicos como ‘Só isso’e ‘Triunfo’.
No ano passado, E.M.I.C.I.D.A. lançou o EP ‘Sua Mina Ouve meu Rep Também’ que já trazia composições maduras, mas ainda assim se parecia muito com sobras de estúdio do trabalho anterior. Mas no segundo semestre de 2010, E.M.I.C.I.D.A. lançou outra mixtape, ‘Emicidio’, na qual conta sua história de vida com rimas fortes e grooves com pegadas irresistíveis.
‘Emicidio’ já pode ser considerado um dos discos de rap mais importantes da década, junto com grandes clássicos dos Racionais MCs, Kamau, MV Bill, entre outros. Nessa mixtape E.M.I.C.I.D.A. faz uma crônica pessoal de suas aspirações, anseios e dúvidas. Em ‘Cê lá faz idéia’, E.M.I.C.I.D.A. mostra a realidade cruel da periferia e do preconceito racial, social etc, em rimas contundentes. Já ‘Rinha (já ouviu falar?)’, ele se lembra dos bons tempos das batalhas de MCs, assim como ‘Santa Cruz’ e ‘De onde cê vem?!’.
‘Então toma’ é uma crônica do cotidiano, onde E.M.I.C.I.D.A. lança suas rimas rápidas e fala de tudo um pouco, desde o vestido da Geisi ao seriado ‘Lost’. ‘Emicidio’, que também havia sido lançada como single, lembra da dificuldade que todo MC tem pra vencer na vida, seja em coisas simples como levar leite para casa...
Em ‘Velhos amigos’, E.M.I.C.I.D.A. se lembra dos grandes companheiros, ‘Rua Augusta’ ele faz rima sobre a profissão mais antiga do mundo, e ‘I love quebrada’ é um hino de amor à periferia. ‘Eu gosto dela’ mostra toda a criatividade de E.M.I.C.I.D.A., ao descrever uma namorada, amante, esposa, ou seja “uma mulher durona”. ‘Só mais uma noite’é uma canção popular, que poderia muito bem estar em qualquer trilha da novela, mas é uma crítica social contundente.
E.M.I.C.I.D.A. fala com carinho de toda família em ‘Um final de semana’, lembrando que na correria para fazer sucesso como MC, ele deixou em casa várias pessoas com as quais preferia estar naquele momento. ‘Avua besouro’ fazia parte do EP, lançado no início de 2010, como bônus track, “cês esperava que eu roubasse tudo, menos a cena”.
Na última faixa do disco, ‘Beira de piscina’, ele faz uma carta de amor às pessoas que ama e do esforço que faz para “dar outro sentido pra frase, tinha que ser preto”. Mas ele também se lembra do sucesso que faz e da dificuldade de se manter fiel às convicções sem se afrouxar com o conforto da primeira classe.
Não bastante todo sucesso que faz, E.M.I.C.I.D.A. já é considerado um dos grandes representantes do rap nessa década. Mas ele não para. Segue produzindo suas rimas e faixas. A última foi lançada em single recente – o que pode significar que no final do ano teremos mais uma grande mixtape – em parceria com Mart’nália e produção caprichosa.
Lançado pelo Laboratório Fantasma, esse single tem letra de E.M.I.C.I.D.A., batida de Damien Seth, Marlon Sete e Altair Martins nos metais, Kuko na percussão, Nilo Romero no baixo, Evandro Fioti nos vocais e Carlinhos 7 Cordas no violão. A produção é de Damien Seth e Nilo Romero. 2011 Quarta-Feira (Single)
1. E agora? 2. Cê lá faz idéia 3. Rinha (já ouviu falar?) 4. Isso não pode se perder 5. Santo Amaro da purificação 6. Então toma! 7. Emicidio 8. Santa Cruz 9. Velhos amigos 10. Rua Augusta 11 I love quebrada 12. Eu gosto dela 13. Só mais uma noite 14. De onde cê vem?! 15. Um final de semana 16. Novo nego veio 17. Avua besouro 18. Beira de piscina
2009 Pra Quem já Mordeu um Cachorro por Comida até que eu Cheguei Longe
1. Intro (é necessário voltar ao começo) (ft. Projeto Nave) 2. E.M.I.C.I.D.A. (adoooro) 3. Sozim 4. Rotina 5. Pra mim... (isso é viver) 6. Ainda ontem (ft. Rashid, Projota & Fióti) 7. Pra não ter tempo ruim (ft. Mariana Timbó) 8. Só isso 9. Vô buscá minha fulô 10. Ela diz 11. Por Deus por favor 12. Preciso (melô do Mundiko) 13. A cada vento (ft. Paulo) 14. Sei lá... (ft. Rael da Rima) 15. Cidadão 16. Soldado sem bandeira 17. Vai ser rimando 18. Um, dois, três, quatro 19. Fica mais um pouco amor 20. Outras palavras (ft. Rael da Rima) 21. Hey Rap! 22. Essa é pra vc Primo 23. Triunfo 24. Eu tô bem (ft. Daniel Cohen) 25. Ooorra... (a que deu nome a mix tape)
Depois de tantas listas dos melhores do ano etc e tal, resolvi também postar o que acho serem “osuprasumo” da música gringa, principalmente da norte-americana.
O primeiro álbum foi lançado no primeiro semestre do ano passado (2010), com a banda ‘The Roots’, criada por Black Thought e ?uestlove. Os caras arrebentaram no ano passado, lançando um disco enxuto e recheado de grooves incríveis.
Este é o nono álbum do ‘The Roots’, que atualmente é a banda de apoio do programa de entrevistas da NBC, ‘Late Night with Jimmy Fallon’. Teria sido minha escolha de melhor disco ‘gringo’ do ano, se não fosse outro lançamento...
2010 How I Got Over - The Roots
1. A peace of light (ft. Amber Coffman, Angel Deradoorian & Haley Dekle) 2. Walk alone (ft. Truck North, P.O.R.N. & Dice Raw) 3. Dear god 2.0 (ft. Monsters of Folk) 4. Radio daze (ft. Blu, P.O.R.N. & Dice Raw) 5. Now or never (ft. Phonte & Dice Raw) 6. How I got over (ft. Dice Raw) 7. DillaTUDE: The flight of Titus 8. The day (ft. Blu, Phonte & Patty Crash) 9. Right on (ft. Joanna Newsom & STS) 10. Doin’ it again (ft. John Legend) 11. The fire (ft. John Legend) 12. Tunnel vision 13. Web 20/20 (ft. Peedi Peedi & Truck North) 14. Hustla (ft. STS)
Claro que no final do ano o “soulman” da cena atual norte-americana John Legend, se uniu com a banda ‘The Roots’. Aconteceu que durante o pleito eleitoral – do qual Barack Obama concorreu à Presidência dos Estados Unidos – Legend e o ‘The Roots’ se juntaram para participar da campanha em prol do primeiro negro na Presidência do país. Nesses shows eles emulavam o passado e reapresentavam clássicos da “soul music” norte-americana.
Tudo isso foi apenas uma faísca que culminou no disco ‘Wake Up!’ dividido por Legend e ‘The Roots’, com inúmeras participações especiais. O disco em si já nasceu clássico, mas desde a escolha do repertório, as participações, bem como a produção bem cuidada e os arranjos sofisticados fizeram desse disco um petardo essencial do ano de 2010.
Seria minha escolha de melhor do ano – caso fizesse uma lista nesse sentido – enquanto o álbum do ‘The Roots’ viria logo em seguida.
2010 Wake Up! - John Legend & The Roots 1. Hard times (ft. Black Thought) 2. Compared to what 3. Wake up! 4. Our generation (The hope of the world) (ft. CL Smooth) 5. Little ghetto boy (Prelude) (ft. Malik Yusef) 6. Little ghetto boy (ft. Black Thought) 7. Hang on in there 8. Humanity (Love the way it should be) 9. Wholy holy 10. I can't write left handed 11. I wish I knew how it would feel to be free 12. Shine 13. Shine (Waiting for Superman version) 14. Wake up everybody (live in studio performance)
Para finalizar de vez essa história do ‘Wake Up!’ e da banda ‘The Roots’ e do John Legend, eles venceram o 53rd Grammy Awards nas categorias de “Rythm & Blues” de melhor performance vocal tradicional em ‘Hang on in there’, melhor canção para ‘Shine’ e ‘Wake up’ e melhor álbum “R&B”, para ‘Wake Up!’.
Na semana anterior à premiação, o rapper e produtor J. Period, lançou uma versão do ‘Wake Up!’ remixado, re-editado e reimaginado... O ‘Wake Up! Radio’ é como uma continuação do álbum de John Legend e ‘The Roots’.
Um verdadeiro tributo aos grandes artistas da “soul music”, como James Brown, Sam Cooke, Aretha Franklin, Isaac Hayes, Roy Ayers e Nina Simone, com participações especiais de gente como Rakim, Q-Tip, Common, Posdnuos, Pete Rock, CL Smooth, Kanye West, Blu, Nneka e K’naan.
2011 Wake Up! Radio - J. Period, John Legend & The Roots 1. Prologue: Inner city blues (ft. Black Thought & John Legend) 2. Rise & shine (ft. Black Thought, Blu & John Legend) 3. Wake up! Radio (Interlude) (ft. Black Thought) 4. Hard times (J.Period remix) (ft. Black Thought, John Legend & Dead Prez) 5. Dolla out a dime (Interlude) (ft. James Brown) 6. In the ghetto (Wake up!) (ft. Black Thought, Rakin & John Legend) 7. Little ghetto boy (J.Period remix) (ft. Q-Tip, Black Thought & John Legend) 8. We love roll call (Interlude) (ft. Nina Simone) 9. Misunderstood (ft. Common) 10. Message in our music (Interlude) (ft. Common & Mary J. Blige) 11. Eleanor Rigby (Interlude) 12. Dillanor Rigby (J.Period remix) (ft. Blu, Porn, Black Thought & John Legend) 13. The wake up! players band (Interlude) (ft. Questlove) 14. Compared to what (Interlude) (ft. Roberta Flack) 15. Compared to what (J.Period remix) (ft. John Legend) 16. Pain & inspiration (Interlude) (ft. John Legend & Nina Simone) 17. Strange fruit (remix) (ft. Common, John Legend & Nina Simone) 18. Who’s gonna take the weight (Interlude) 19. Walk on (J.Period remix) (ft. Black Thought & Isaac Hayes) 20. Could the drummer have some (Interlude) 21. In the park (J.Period remix) (ft. Black Thought) 22. Our generation (Interlude) (ft. Ernie Hines) 23. Our generation (J.Period remix) (ft. John Legend, Pete Rock & CL Smooth) 24. Give me that message (Interlude) (ft. Sam Cooke) 25. Hang on in there (J.Period remix) (ft. Black Thought & John Legend) 26. The love doctor (Interlude) (ft. Jimmy Fallon) 27. Love the way it should be (J.Period Remix) (ft. Nneka) 28. Hey love (Interlude) (ft. Posdnuos, Jimmy Fallon, Kanye West & K’Naan) 29. Ease my troubling mind (Interlude) (ft. Sam Cooke) 30. People get ready (J.Period Remix) (ft. Aretha Franklin) 31. Wake Up! radio sign-off (Outro) 32. Epilogue wake up, everybody! (ft. Mayda del Valle)
Timeless é projeto da Mochila, dos diretores Eric Coleman e Brian Cross (também conhecido como B+), que contém três filmes sobre distintos artistas influentes na música, Arthur Verocai, representando o Brasil, J. Dilla dos Estados Unidos, e Mulato Astatke da Etiópia.
Os três filmes foram exibidos nas últimas semanas de fevereiro, com a presença dos diretores, em São Paulo e Rio de Janeiro. Quem assistiu pôde conferir a influente arte do maestro brasileiro Arthur Verocai, do mestre do ethio-jazz Mulato Astatke e do rapper e produtor norte-americano J. Dilla. Todos filmes foram filmados durante apresentações ao vivo dos respectivos artistas.
A primeira gravação foi feita no show do grande músico etíope, Mulato Astatke, que praticamente inventou o ethio-jazz. Mulato foi acompanhado por membros de bandas de jazz da cena de Los Angeles, entre eles Bennie Maupin, Azar Lawrence e Phil Ranelin.
A segunda apresentação foi com uma orquestra de 60 músicos, comandada pelo maestro Miguel Atwood-Ferguson, que homenageou o produtor e rapper norte –americano J. Dilla. Os espetáculos contaram com participações especiais, entre elas a do baterista Karriem Riggins, Posdnuos, Talib Kweli, Illa J e Bilal.
O terceiro evento foi registrado com a orquestra de Arthur Verocai, junto com outros 35 grandes músicos brasileiros, entre eles Mamão na bateria, Carlos Dafé nos vocais e Airto Moreira na percussão. Tocando ao vivo uma releitura do disco lançado por Verocai em 1972.
Agora, resta esperar que os respectivos shows venham ao Brasil.
2009 Timeless: Mulato Astatke 1. Yekermo sèw 2. The radcliffe 3. I faram gami 4. Yèkatit 5. Kasaléfkut hulu 6. Mulatu 7. Munayé 8. Yègellé tezeta 9. Ebo lala
1. Morning order 2. Antiquity 3. Le yatching 4. Untitled/ Fantastic 5. Welcome 2 Detroit 6. Gobstopper 7. Take notice 8. Affolements granitiques 9. Don't nobody care about us 10. Jealousy 11. Hot ‘N’ pucky 12. Angel 13. Reminisce 14. Stakes is high 15. Fall in love
1. Karina 2. Sylvia 3. Dedicada a ela 4. Velho parente 5. Presente grego 6. O mapa 7. Pelas sombras 8. Caboclo 9. Seriado 10. Filhos 11. Queimadas 12. Balada 45 13. Sucuri 14. Flying to L.A. 15. O tempo e o vento 16. Isabel 17. Bis 18. Na boca do sol
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