11.20.2011

FAGNER E OS CIDADÕES INSTIGADORES



Apesar de não ter participado da psicodelia nordestina, muitas canções clássicas de Fagner têm a participação especialíssima de Robertinho do Recife, numa guitarrinha matadora – tão característica nesse movimento nordestino.

Mas Fagner seguiu paralelamente, também flertando com o ‘rockenrou’, quando gravou com o Vímana, no disco ‘Ave Noturna’ de 1975, além da colaboração com Robertinho. O bardo cearense, como é conhecido, também gravou com Cirino (o primeiro compacto de 1971), Ney Matogrosso, Paco de Lucia, Mercedes Soza e até com o “Galinho de Quintino”, o Zico, sem falar na recente parceria com Zeca Baleiro.



Seria fácil supor que uma união com a banda Cidadão Instigado – do também cearense Fernando Catatau – já deveria ter acontecido. Mas esse encontro só foi possível durante os dois espetáculos do Sesc-SP. As canções de Fagner casaram perfeitamente com a melódica guitarra de Catatau – que remete ao famoso fraseado dos clássicos com Robertinho do Recife.

Quem foi no show pôde perceber isso... E melhor de tudo, muitos foram apresentados ao som da trupe de Catatau nesses espetáculos únicos – uma vez que a maioria do público foi para assistir o Fagner. Para todos os que já conheciam a banda, a oportunidade foi de presenciar a química incrível entre dois cearenses.



O Cidadão Instigado abriu o show com uma versão energética de ‘Cinza’, do próprio Fagner, gravada no disco ‘Óros’ de 1977. A partir de então, a banda convida Fagner para o palco e juntos tocam uma seleção de grandes sucessos, cantados em uníssono pela platéia – entre eles ‘Frenesi’, ‘Canteiros’, ‘Cavalo ferro’, ‘Cebola cortada’, ‘Noturno’, ‘Deslizes’, ‘Eternas ondas’, ‘Asa partida’ e ‘Fracassos’, e isso só para finalizar a primeira parte do show.

Depois Catatau e Cia deixaram Fagner no palco para mais outra seleção de sucessos somente em voz e violão – ‘Quem me levará’, ‘Traduzir-se’, ‘Mucuripe’, ‘Guerreiro menino’, ‘Borbulhas de amor’, ‘Eu canto’ e sobrou espaço até para ‘Paralelas’ de Belchior. A banda também tocou com Fagner em ‘Revelação’, ‘Espumas ao vento’, ‘Cartaz’ e uma canção inédita de Fagner composta em parceria com Zeca Baleiro, ‘Toda luz guia’. No final ainda tocaram, juntos, ‘Lá fora tem’ e ‘Deus é uma viagem’ do Cidadão Instigado.



Com o advento do youtube – e também dos celulares e câmeras mais acessíveis – é possível assistir ao show quase na íntegra, e também dessa forma copiar as músicas diretamente dos respectivos vídeos na internet. Que é o caso desse arquivo digital.

Só não dá para precisar com certeza que foi essa a ordem das canções – mas também considerando os dois dias de shows, fica impossível definir o setlist. Quem souber dessa lista, que fale nos comentários... Todos nós agradecemos...



Resta apenas a torcida para um próximo disco do Fagner produzido por Catatau, uma participação do bardo no novo disco do Cidadão, assim como um disco ao vivo com essa união inacreditável – que seja numa melhor qualidade...

2011 Cidadão Instigado & Fagner ao Vivo no Sesc

1. Cinza
2. Frenesi
3. Canteiros
4. Cavalo ferro
5. Cebola cortada
6. Noturno
7. Deslizes
8. Eternas ondas
9. Toda luz guia
10. Asa partida
11. Fracassos
12. Quem me levará
13. Borbulhas de amor
14. Traduzir-se/ Mucuripe/ Guerreiro menino
15. Paralelas/ Eu canto
16. Jura secreta/ Revelação/ Espumas ao vento
17. Cartaz
18. Lá fora tem
19. Deus é uma viagem

Abaixar

11.13.2011

O SATANIQUE LHE DESEJA UMA PÉSSIMA VIAGEM

A banda ‘Satanique Samba Trio’ lançou o segundo disco da trilogia ‘Bad Trip Simulator’, com o inusitado título de volume #1. Isto mesmo... O segundo volume dessa trilogia não segue a ordem numérica, uma vez que a volume #2 havia sido foi lançado antes que o volume #1, no ano passado. Numa banda com esse nome, a ordem natural não passa de uma convenção ultrapassada.

Como sempre, as músicas do ‘Satanique Samba Trio’ ainda têm títulos sugestivos como ‘Splatter gore finesse’, ‘We have obitum’, ‘Afro-sinistro’ e ‘Piece for throat clearing and some latino drum (peça para pigarro e conga)’. A canção ‘Banzo bonanza’ pode-se dizer que é o mais próximo que a banda pode chegar da música de fácil assimilação, nesse caso um chorinho.

Nos shows, a estranheza continua, assim como também o mau humor característico de Munha, que não permite nenhum tipo de demonstração de alegria durante os espetáculos, nem mesmo durante essa entrevista.

Esse disco – ‘Bad Trip Simulator #1’ - foi lançado como parte de uma trilogia?

Sim, é a segunda parte da trilogia que será finalizada pelo 'Bad Trip Simulator #3', a ser lançado ano que vem ou o mais rápido possível.

Porque é que a numeração não segue uma ordem natural?

Porque deveria?

Mas porque o ‘Bad Trip Simulator #2’ veio antes do ‘Bad Trip Simulator #1’?

Se estamos tentando perverter as coisas, que comecemos pelas fáceis. O que esperariam da gente, de qualquer maneira?

Podemos esperar a conclusão da suíte ‘Badtriptronics’?

Não se trata exatamente de uma suíte, mas se vamos mesmo usar termos técnicos da música erudita, eu prefiro chamar os ‘Badtriptronics’ de "bagatelas", músicas curtas, informais e despretensiosas. No nosso caso não tão despretensiosas assim, obviamente. Eu gostaria, inclusive, de aproveitar esta oportunidade para recomendar as seis bagatelas de Gyorgy Ligeti a todos os maconheiros que estiverem lendo esta entrevista.

Como foram as gravações desse disco? Participações especiais de alguém? Ou você gravaram os três discos juntos?

Gravações turbulentas, como de costume. Acho que é o preço que pagamos por tocar em uma banda chamada ‘Satanique Samba Trio’. E é bem estranho você perguntar sobre as participações especiais, por que acabei de comentar com um amigo meu que os músicos convidados ajudaram a dissipar o clima pesado que eventualmente tomou conta do estúdio. Se não fosse a influência positiva desta juventude de boa índole, algum membro mais frouxo da banda provavelmente teria desistido antes de finalizarmos a porra toda. Dando nome aos bois, eu diria que as participações mais significativas foram do DJ Cochlar e Ivan Bicudo nos teclados, Pedro Vasconcelos no cavaco de ‘Banzo bonanza’, Eduardo Santana e Marcelo Vargues nos trompetes e Flávio Rubens em uma caralhada de instrumentos. Não obstante, o disco foi um parto. Estou certo de que o próximo capítulo da trilogia vai ser também. Não é fácil ser babaca.

Vocês fizeram o lançamento do disco no Sesc em São Paulo... Como foi a recepção na capital paulista?

A mesma de sempre: ninguém sabe quando aplaudir, alguns riem, outros vão embora, poucos realmente se interessam... Mas os shows estão sempre cheios e vendemos bem. Isso deve significar algo. Só não sei exatamente o quê...

Quando é que vocês vão tocar em trio elétrico novamente? Como é que foi essa experiência? Como as pessoas reagiram no dia?

Creio que voltaremos às ruas com o ‘Satanique Samba Trio’ elétrico em 2012. Queremos repetir a dose, já que fomos surpreendemente bem recebidos de uma forma geral, principalmente em frente a igrejas, templos evangélicos e escolas primárias. Sinto que a conclusão deste estudo antropológico é algo que devemos à comunidade.

Só fiquei curioso com o significado da canção ‘E.F.M-M in concert’?

E.F.M-M é a sigla oficial para "Estrada de Ferro Madeira-Mamoré". Os mais superticiosos a conhecem como "A Ferrovia do Diabo" e os mais estudiosos a conhecem como uma tentativa falida de ligação entre duas áreas do território de Rondônia durante o ciclo da borracha. Milhares de trabalhadores morreram durante sua construção e ela nunca chegou a funcionar direito. É um caso fascinante de empreeendedorismo estabanado, morte e fracasso. Me espanta que um tema tão fértil em tragédia e drama tenha sido praticamente ignorado pelos cantores e cantoras ecléticos de nosso país.

2011 Bad Trip Simulator #1

1. Banzo bonanza
2. Badtriptronics #12
3. Vermizelas
4. E.F.M-M in concert
5. Dizem morte
6. Badtriptronics #10
7. Afro-sinistro
8. Piece for throat clearing and some latino drum (peça para pigarro e conga)
9. Splatter gore finesse
10. Badtriptronics #11
11. Diabolyn (original remix)
12. We have obitum
13. Badtriptronics #6
14. Badtriptronics #2
15.

Abaixar

11.06.2011

UM PASSEIO DE VERÃO COM A BANDA EDDIE

Fábio Trummer jogou na rede o novo disco da banda Eddie, que hoje tem os irmãos Meira – Robi no baixo e Kiko na bateria –, Andret nos teclados e trumpete, Alexandre Urêa na percussão e dividindo a voz nas canções com o Trummer, sempre nas guitarras.

Trummer continua com sua voz grave e quase rouca como um Serge Gainsbourg de Pernambuco num canto quase falado como um Gil Scott-Heron branquelo ou até um Leonard Cohen etc e tal.

O disco é um passeio delicado e sincero pelas belas canções de Trummer, que junto com Júnio Barreto é um dos grandes compositores dessa geração. O disco abre com a energética ‘Delírios espaciais’ e segue com a parceria com Otto, a singular ‘O saldo da Glória’.

Todas as faixas trazem a marca autoral da banda Eddie, que chega ao quinto álbum, e a balada ‘Tanta coisa na vida’ não foge à regra. ‘Veraneio’ é possivelmente o grande hit do disco e com toda certeza vai fazer todo mundo cantar em uníssono sobre “drinks de frutas com nomes originais”.

‘Ela vai dançar’, parceria com Lirinha, é outra balada no melhor estilo característico Eddie. ‘Parque de diversão’ tem participação de Erasto Vasconcelos e é mais um exemplar da versatilidade da banda Eddie. Em ‘Você quer ir frevar’, Trummer exercita a poesia para descrever uma tarde carnavalesca na capital pernambucana.

Ao vivo, o Eddie é bem rock. Mas também é frevo, maracatu e tudo mais quanto for possível misturar. ‘Casa de marimbondo’ é uma dessas canções com pegada mais roqueira, que faria qualquer defunto sair pogando no meio do show. As duas útilmas faixas são remixes de Yellow Pi com ‘Glória dub’ e DJ Dolores com uma versão electro-kuduro da faixa de abertura.

O disco ‘Veraneio’ é mais um grande álbum desse ano e um digno exemplar na discografia imaculada da banda Eddie. Um disco coeso e bem produzido.

Pra quem começou sentindo ‘Falta do sol’... Tardou, mas chegou o ‘Veraneio’...

2011 Veraneio

1. Delírios espaciais
2. O saldo da Glória
3. Tanta coisa na vida
4. Veraneio
5. Intervalos
6. Ela vai dançar
7. Parque de diversão
8. Você quer ir frevar
9. Casa de marimbondo
10. Glória dub
11. Delírios

Abaixar

10.30.2011

LET'S PUT SOME XOTE INNA REGGAE


Quando lançou o primeiro disco solo, ‘Bambas e Biritas Vol. 1’, BiD já tinha a intenção de lançar um segundo volume, mas demorou um bocado para chegar esse dia. Aqui mesmo no blog, cansei de responder – via e-mail ou comentários – “que infelizmente não havia previsão para o lançamento de algum volume 2 do Bambas e Biritas”. Isso foi até ontem…

Desde agosto, BiD vem alardeando o lançamento desse próximo volume, o ‘Bambas Dois’, como foi chamado essa nova reunião de bambas e novas biritagens do produtor musical. Ele conta que já tinha idéia de gravar o disco dois na Jamaica, mas somente na ilha do reggae, foi que percebeu a similaridade entre os ritmos brasileiros e jamaicanos e decidiu o caminho que o disco iria seguir.

Reza a lenda que foi Gilberto Gil quem mostrou ao Gonzagão o reggae de Bob Marley e este logo respondeu que aquilo era um xote safado, e que só faltava um triângulo e uma zabumba. Pois foi isso que o BiD fez. Colocar o tempero dos ritmos do nordeste junto com os ritmos jamaicanos. Nesse album, BiD misturou reggae com xote, baião, maracatu e até arrasta-pé.

Gravado na ilha e com inúmeras participações especiais de algumas lendas jamaicanas como Ernest Ranglin, Luciano e da classica banda de ska, ‘The Heptones’, abrindo o disco com ‘Music for all’, que já no título remete ao termo atribuido “errôneamente” como a origem do forró (o termo correto é forróbodó).

Em ‘Little Johnny’, BiD reencontra Chico César – de quem havia produzido o ultimo album, ‘Francisco, Frevo y Forró’ – e ainda Jah Marcus, além das cantoras brasileiras Thalma de Freitas, Anelis Assumpção e CéU, como as onipresentes ‘Negresko Sis’, embelezando o refrão “Johan san, little John, Joãzinho, São João pequenininho cabe aqui na minha mão”.

Queen Ifrica participa de ‘Hapiness is all in your hands’, com uma levada bem rocksteady, mas também canta na jazzística ‘Forever you are’, que funciona como um “bocado de açucar na sua tigela” – uma ode à Nina Simone. Em ‘Brasil (Little Sunday)’ você curte o balanço de um xote danado na sanfona de Dominguinhos e na percussão de Zé Pitoco (triângulo e zabumba), acrescidos de Kymani Marley, carregando toda a herança genétic a do reggae no timbre inconfundível da voz do Bob-pai. Você vai sorrir sozinho de alegria após ouvir essa faixa… :-)

Siba toca viola e rabeca em ‘We put the M inna music’ – também com Tony Rebel – e ‘Leha Dodi’ – também com Oku Onuora e Karina Buhr, que por sua vez também gravou ‘World cry (Al Fayah Mix)’, também com Jesse Royal e Gustah. ‘Children of the future’ tem participação de U-Roy. Já ‘Chiquinha Hey’ é uma parceria de BiD com Arnaldo Antunes e Betão Aguiar e conta com as vozes de Luiz Melodia e Anelis Assumpção, que também entra no coro junto com as irmãs Céu e Thalma de Freitas, na banda de duas partes negras e uma branca…

A única música não-autoral, é uma das mais belas canções de amor já composta, por ninguém menos que George Harrison, ‘Something’, cantada por Luciano e com a guitarra delicada de Ernest Ranglin. ‘Somtehing is wrong’, que apesar do nome não é mais uma versão da música dos Beatles, mas sim é uma composição de BiD com I-Wayne, e também tem Siba na viola.

‘Only Jah love (Raggatu)’ é a faixa de trabalho e já ganhou um clipe inspirador. A música conta com a participação de Sizzla Kalonji, Bi Ribeiro e Gustah. O disco ainda tem várias grandes participações como Lúcio Maia, Dengue, Pupillo, Daniel Ganjaman, Bruno Buarque, Gilmar Bola 8, Tiquinho e Leando Joaquim, entre tantos outros nomes.

Demorou, mas o BiD nos presenteou com um grande petardo, que pode muito bem figurar em qualquer lista de melhores do ano.


BAMBAS DOIS_Ep.00_"Sao Paulo - Kingston"


BAMBAS DOIS_Ep.01_Sizzla "The Music Construktah"


BAMBAS DOIS_Ep.02_Luciano "Acoustic Inna de Yard"


BAMBAS DOIS_Ep.03_Queen Ifrica "Conscious Poetry"


BAMBAS DOIS_Ep.04_I Wayne "A Kingston Ride"


BAMBAS DOIS_Ep.05_The Heptones "Happy Tunes"


BAMBAS DOIS_Ep.06_Kymani Marley "Inna Xote Style"



2011 Bambas Dois (Brasil-Jamaica)

1. Music for all (with The Heptones)
2. Little Johnny (with Chico Cesar & Jah Marcus)
3. Happiness is all in your hands (with Queen Ifrica)
4. Brasil (Little Sunday) (with Kymani Marley & Dominguinhos)
5. We put the 'M' inna music (with Tony Rebel & Siba)
6. Children of the future (with U-Roy)
7. Chiquinha Hey (with Luiz Melodia & Anelis Assumpção + Negresko Sis)
8. Leha Dodi (Sheeba) (with Oku Onuora & Karina Buhr)
9. Something (with Luciano & Ernest Ranglin)
10. World cry (Al Fayah Mix) (with Karina Buhr & Jesse Royal & Gustah)
11. Only Jah love (Raggatu) (with Sizzla & Bi Ribeiro & Gustah)
12. Forever you are (with Queen Ifrica & Joey Altruda)
13. Something is wrong (with I-Wayne & Siba)
14. Nnyahbingui (Medley) (with Priest Tiger & Priest Kassa & Dada Yute & Prophet Marvin & Papete)

Abaixar


CLIPE Only Jah love (Raggatu)



Baixar mais um bônus track: Only Jah Love (Felipe Wrechiski Dub Mix)
(clicar com o botão direito em salvar destino como etc e tal)

10.23.2011

DISCOS SÃO PARA OUVIR E DEIXAR BAIXAR

Nessa semana o cantor Wado anunciou, em seu twitter, que o seu disco ‘Samba 808’ estava pronto e sendo lançado apenas pela internet.

Na apresentação do disco, ele explica os motivos, entre eles o desinteresse das gravadoras e selos (que falharam em oferecer uma contrapartida interessante) e dos altos custos de produção de um CD físico (talvez exista para os shows – disponível praqueles que prestigiarem os espetáculos).

A carreira desse catarinense, radicado em Alagoas, é cheia de belas composições e álbuns quase esquecidos pela “grande” mídia. Com uma banda afiadíssima, a bateria de Rodrigo Peixe, Pedro Ivo Euzébio nas programações, Bruno Rodrigues no baixo, Vitor Peixoto na guitarra e Dinho Zampier nos teclados e também parceiro nas composições.

As participações especiais são muitas, além com os parceiros mais freqüentes como Alvinho Lancellotti e Momo, além de Marcelo Camelo junto com Mallu Magalhães, Curumin e Fernando Anitelli, sem falar nos novos parceiros e co-autores Fábio Góes, André Abujamra, Zeca Baleiro e Chico César.

Este álbum segue o caminho natural traçado pelo próprio Wado, de uma aproximação grande com o eletrônico nas composições, que só vem crescendo desde ‘Terceiro Mundo Festivo’ e ‘Atlântico Negro’. Destaque para ‘Esqueleto’ com participação de Curumin, lançada originalmente pela banda ‘Sonic Jr.’, ‘Jornada’ com Fábio Góes e ‘Beira mar’ com Abujanra e Lancelotti.

Wado usa alguns ditados popularizados pelos bailões de funk-carioca, como “elas estão descontroladas”, para criar uma composição única e original que denota o brilhantismo da micro-tonalidade desse ritmo tão discriminado. Levando a crer, que o principal problema com esse gênero, é na verdade a letra de certa forma horripilante e grotesca, que a maioria utiliza.

Nas letras, Wado continua um poeta que sabe muito bem brincar com as palavras ao mesmo tempo em que faz belas melodias como em ‘Portas são para conter ou deixar passar’. Dos antigos parceiros Momo e Lancelotti, gravou a bela ‘Recompensa’, que encaixa tão perfeitamente no repertório do artista.

Wado segue no bom caminho musical e mercadológico ao se manter como artista que é o próprio selo e também a própria gravadora, no melhor sentido do “do it yourself”.

De que outra forma? Você que nunca ouviu poderia conhecer as canções do Wado?



2011 Samba 808

1. Si próprio (& Zeca Baleiro)
2. Esqueleto (& Curumin)
3. Surdos de escola de samba (& Chico César)
4. Com a ponta dos dedos (& Marcelo Camelo & Mallu Magalhães)
5. Portas são para conter ou deixar passar (& Fernando Anitelli)
6. Recompensa
7. Não para
8. Vai ver
9. Jornada (& Fábio Góes)
10. Beira mar (& André Abujamra & Alvinho Lancelotti)

Abaixar

10.16.2011

MAIS PERTO AGORA QUE LONGE DE ONDE ESTARIA SE NÃO ESTIVESSE

O disco novo de Karina Buhr, ‘Longe de Onde’, tem uma banda de respeito centrada na voz de Buhr, baixo de Mau, bateria de Bruno Buarque, teclados de André Lima, trompete de Guizado e guitarras de Edgard Scandurra e Fernando Catatau.

O álbum abre com uma paulada na orelha ‘Cara palavra’, que tem poesia concreta que e é quase um punk-rock-hardcore. Depois segue a singela parceria de Catatau, Buhr, Buarque e Mau, ‘A pessoa morre’, com a característica guitarrinha prog-brega de Catatau.

O quase calipso ‘Não me ame tanto’ tem auxílio luxuoso de Guizado no trompete e uma letra deliciosamente com duplo sentido. Em ‘Guitarristas de Copacabana’ há o duelo das guitarras de Scandurra e Catatau. ‘Sem fazer idéia’ também tem o trompete de Guizado, mas é a letra de Karina que chama atenção à sua capacidade de criar imagens poéticas e oníricas.

‘Pra ser romântica’ também tem a guitarra de Catatau e sua forte influência, nessa bela balada rockenrou. ‘Cadáver’ é o reggae do disco. ‘The war’s dancing floor’ tem forte poesia em inglês e tem na sequência ‘Copo de veneno’, que pode até se considerada como uma quase continuação.

Em ‘Amor brando’, Karina canta acompanhada apenas da guitarra de Scandurra, numa canção de singela beleza. O disco encerra com ‘Não precisa me procurar’, composição característica de Karina Buhr, com final apoteótico calcado na guitarra de Scandurra e trompete de Guizado.

O certo é que esse álbum é extremamente autoral. O segundo solo de Karina Buhr é um belo exemplar da nova música popular brasileira. Imperdível em qualquer estante.

2011 Longe de Onde

1. Cara palavra
2. A pessoa morre
3. Não me ame tanto
4. Guitarristas de Copacabana
5. Sem fazer idéia
6. Pra ser romântica
7. Cadáver
8. The war’s dancing floor
9. Copo de veneno
10. Amor brando
11. Não precisa me procurar

Abaixar

10.09.2011

QUANDO SETEMBRO CHEGAR, ESPERE QUE EM OUTUBRO VIRÁ

Já é fato consumado que Junio Barreto é um dos melhores compositores de sua geração. Seu segundo disco veio para comprovar esse fato e calar a boca dos possíveis detratores, que provavelmente nunca irão aparecer.

O álbum abre com ‘Serenada solidão’, um sambinha alegre e feliz com parceria do piano de Vitor Araújo e da guitarra de Gustavo Ruiz. A faixa-título, ‘Setembro’, é uma balada psicodélica com o teclado de Chiquinho do ‘Mombojó’ e da guitarra de Junior Boca, além da letra onírica de Barreto.

A marchinha ‘Jardim Imperial’ é uma canção melancólica, mas é precedida por ‘Rios de passar’, que tem os trombones de Misael França e Zilmar Medeiros, além dos vocais de CéU, Marina de la Riva e Luisa Maita. ‘Noturna’ é outra bela balada, com participação da Orquestra Experimental de Cordas e de Vitor Araújo.

‘Fineza’ é outro samba, mas com participação de Dudu Tsuda nos teclados e Seu Jorge no violão. Já ‘Gafieira da maré’ é um típico exemplo das composições praieiras de Junio Barreto. ‘Passione’, composta em parceria com Jorge Du Peixe, tem uma levada surf-rock e também conta com os teclados de Chiquinho, acrescida das guitarras de Felipe S.

A faixa instrumental, ‘Vamos abraçar o sol’, composta em parceria com Pupillo, tem um balanço contagiante de samba-rock e pode ser cantarolada em uníssono no melhor estilo la-ra-lás ou pa-pa-pás. O petardo encerra com ‘Alento da alagoinha’, com apenas Vitor Araujo no piano e uma bateria minimalista de Pupillo.

Todo o álbum tem os gêmeos da ‘Nação Zumbi’ no baixo e bateria, respectivamente Dengue e Pupillo, que também assinou a produção das faixas. A espera valeu a pena – o último disco de Barreto foi sua estréia, ha sete anos – já que ‘Setembro’ é um dos grandes lançamentos de 2011 e confirma o talento de Barreto como compositor e sua alcunha de Caymmi de Caruaru.

2011 Setembro

1. Serenada solidão
2. Setembro
3. Jardim Imperial
4. Rios de passar
5. Noturna
6. Fineza
7. Gafieira da maré
8. Passione
9. Vamos abraçar o sol
10. Alento da alagoinha

Abaixar

10.02.2011

AFINAL DE CONTAS, QUEM É QUE É MARGINAL?

Qual é a cara dos MarginalS? Tem a cara do trio Thiago França, Marcelo Cabral e Anthony Gordin – sopros, baixo e bateria, respectivamente.

Juntos, França, Cabral e Gordin, formam o MarginalS, e fazem um som instrumental que dificilmente se encaixa em qualquer estereotipo ou rótulo. É um som que muda a cada dia, porque é totalmente improvisado.

A banda lançou um disco pela internet no momento em que comemorava o primeiro aniversário como grupo e o Thiago França conversou sobre esse álbum.



Como é o som dos MarginalS?

Nosso som é 100% improvisado, ou seja, cada show é único, tudo é espontâneo e instantâneo, mas o MarginalS tem uma cara, um jeitão, e uma sonoridade. A gente passeia pelo caos e pelo lírico, por grooves pesados e abstrações musicais. O grande lance é o encontro dos três, eu Cabral e Tony, cada um com a sua história e fazendo um som junto. Eu, por exemplo, tô sempre pensando em caminhos alternativos como solista, o saxofone já foi explorado tanto que parece que não há mais o que fazer. Tenho usado alguns pedais de efeito (delay, octaver, phaser…) pra criar texturas e situações, montar acordes, distorcer o som do instrumento, dá pra sacar bem isso no disco. Ou às vezes, simplesmente me jogar na fogueira sem saber o que vai sair e criar em cima disso. O disco não teve pós-produção, todos os efeitos rolam na hora mesmo, tudo ao vivo, a não ser na última faixa do disco (parte 2, parte 3), que passamos um filtro na bateria e colocamos um drive (aquele efeito meio rachado) no baixo acústico e no EWI (que é uma espécie de saxofone MIDI, tipo um teclado), mas ficou sutil e natural, muita gente nem percebe. Daqui um ano, não sei como vai estar o som, e não importa: o mote mesmo é tocar junto, o que acontece quando nós três nos encontramos, aconteça o que acontecer, um por todos, todos por um. Estamos bem felizes de ter gravado o disco e lançado no nosso aniversário de um ano e da repercussão que está tendo.





Como nasceu o disco sem nome? Foi pensado em algum conceito?

O disco existe por ele próprio, como um retrato. Não sei se você está se referindo aos vídeos do MarginalS no youtube. Eles não tem a ver com o disco, são extratos de gravações da época que a gente tocava no +Soma. Queríamos disponibilizar alguma coisa, mas um trecho sozinho não tem o mesmo sentido que no set completo (geralmente com 1 hora de duração), pois como a gente toca sem parar, o que vem antes e depois é essencial, muda completamente a impressão daquele som. Daí veio a idéia dos vídeos, que no caso, a música entra quase que como trilha sonora e ganha vida própria, independente do todo de onde ela surgiu.



Porque MarginalS e não Marginais? O que significa o S maiúsculo?

Não foi uma escolha muito pensada… aliás, nada do que a gente faz é, é tudo meio na base da intuição. Depois de uns meses de resistência minha, começamos a escolher o nome. No início eu não queria, por mim seria só o nome dos três. Mas fomos percebendo que nasceu ali uma coisa nova e única, era mais que um encontro casual. Quando o Cabral apareceu com o nome, eu e o Tony gostamos de cara, soou bem e pareceu correto pra proposta do som. O "S" maiúsculo foi sem querer também. Quando eu estava criando a home no facebook, já existia um "Marginals" e o sistema não aceitava. Coloquei o "S" e rolou. A opção de manter assim foi estética, o nome virou uma espécie de logo.



Você acha que existe um cenário de música instrumental hoje? Onde o MarginalS se encaixa?

Cena ou cenário, acho que é a mesma coisa, mas se usa mais "cena"… Tenho ouvido muito que o MarginalS é "meio jazz mas com uma pegada de rock". Gosto disso. Não consigo enxergar exatamente uma cena instrumental X ou Y, mas, fazendo um recorte com "pegada rock", uns mais, outros menos, eu curto e acho que tem a ver com a gente o Burro Morto, Macaco Bong, M.Takara3, Hurtmold, Guizado e o PsychoJazz.





Pirataria X acessibilidade?

A gente é completamente a favor de disponibilizar tudo, mas nessa questão que você levantou, baixar um disco é só a ponta do iceberg. Historicamente, tirando alguns medalhões como Ivete Sangalo, Roberto Carlos, Xitãozinho e Xororó, entre outros desse quilate, artista nenhum ganhou dinheiro com venda de disco, o disco sempre pertenceu às gravadoras. Hoje, o disco é propriedade do artista, somos nós que decidimos o destino dele. Daí, você vê artistas como o MarginalS, o Metá Metá (que tem eu, Kiko Dinucci e Juçara Marçal), Criolo, Romulo Fróes, entre muitos outros, disponibilizando seus discos pra quem quiser baixar, enquanto outros artistas tão fazendo de tudo pra impedir isso, vide o caso da Ministra Ana de Hollanda. Ela tem os motivos dela. Independente duns trocados a mais ou a menos que viriam pros nossos bolsos, o acesso leva e traz muita coisa pra muita gente. Funciona quase que como um acordo de cavalheiros, você baixa o meu, eu baixo o seu, e tá tudo certo, todo mundo quer ouvir e ser ouvido. No lançamento do CD do Metá Metá em Curitiba tinha gente cantando todas as músicas do disco, e curiosamente, essas são as pessoas que compram o disco, elas valorizam o artista. Num texto de 25 anos atrás, O Hermano Vianna contava que o dono dum selo de música africana tentou lançar o Fela Kuti aqui no Brasil nos anos 80 e nenhuma gravadora se interessou. Isso é acessibilidade, você ter liberdade pra ouvir e pesquisar o que você quiser, apreciar música livremente, longe dos grilhões do jabá. 90% do que eu conheço de música africana, que é indispensável pra tudo que eu faço hoje, é graças a internet. Da mesma forma, as coisas que a gente faz chegam com muito mais rapidez ao público e com uma abrangência enorme, que é muito favorável. O cara que baixa música em casa é o mesmo cara que há um tempo atrás, copiava um vinil ou CD numa fitinha cassete. A proporção disso hoje em dia é infinitamente maior, mas esse cara só quer ouvir música. Pirataria é outra coisa... Pirata é quem lucra com essa "transação". Você não paga pro artista, você não paga o download pro dono do site, mas o provedor de acesso você paga… Vixi, que esse papo vai longe…





Não tem capa, é? ...E qual é o nome do disco?

Tem capa sim, é essa foto da gente jogando bocha, mas não tem nome. No arquivo está como (disco sem nome), talvez esse seja o nome. Na real, muita gente simplesmente diz que é o disco do MarginalS, algumas pessoas estão chamando de "o disco da bocha" - isso eu acho legal, tipo Beatles, que tem o "álbum branco", saca? Hehe... Mas a idéia por trás disso é não induzir a audição do disco, por esse mesmo motivo, as faixas também não tem nomes, apenas indicações, "prólogo", "parte 1", etc… que servem meramente pra formalizar o começo e fim de cada idéia musical que apareceu, mas, ouvindo do começo ao fim, é imperceptível. É muito comum termos feedbacks completamente diferentes do público e a gente gosta disso. Tem gente que lembra de coisas da infância; uns falam que não pensam em nada, que rola um transe; uma vez, uma amiga disse que durante um set do MarginalS teve um insight de como resolver um pepino no escritório. Isso, pra gente, é muito mais importante do que se tivesse alguém prestando atenção em escalas, harmonias, quais pedais eu uso e quando. Queremos dialogar com o nosso tempo, com a cidade e com as pessoas. Não quero ser dissecado por estudantes de música nem virar matéria de faculdade.


2011 MarginalS (Disco sem Nome) ou (Disco da Bocha)

1. Prólogo
2. Parte 1, parte 1
3. Parte 1, parte 2
4. Parte 1, parte 3
5. Parte 1, parte 4
6. Intermissão, parte 1
7. Intermissão, parte 2
8. Parte 2, parte 1
9. Parte 2, parte 2
10. Parte 2, parte 3

Abaixar

9.25.2011

O SELVAGEM CAVALEIRO DE MARIANA AYDAR


Mariana Aydar e Duani Martins se juntaram ao maestro Letieres Leite, responsável pelo som da Orkestra Rumpilezz, para prepararem um dos melhores discos deste ano – ‘Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo’.

O disco abre com uma flauta na vinheta ‘A saga do Cavaleiro’ e segue com a bela composição de Aydar, Luisa Maita e Jwala, ‘Solitude’, que versa sobre a solidão de cada um. ‘Não foi em vão’ já havia sido gravada por Thalma Freitas com a Orquestra Imperial, mas na voz de Aydar deixou de ser o sambinha leve e descompromissado para se transformar num afro-tango-soteropolitano sob a batuta do maestro Leite.

‘Passionais’ é uma doce balada composta por Dante Ozzetti e Luis Tatit. Depois Aydar transporta o samba de Monarco e Ratinho, do Rio de Janeiro para Buenos Aires num tango indie e moderno, em ‘Vai vadiar’. ‘Nine out of ten’, composição de Caetano Veloso, ganhou um balanço jazzístico com final crescente e épico de dar inveja ao próprio autor, que primeiro gravou essa canção.

‘Floresta’ é uma parceria da cantora, Held e com Tiganá Santana, que também canta na faixa. ‘Galope rasante’ de Zé Ramalho, virou uma balada singela e suingada, muito diferente da frenética versão original. ‘Porto’ de Romulo Fróes e Nuno Ramos encontrou tanta química com a voz de Aydar, que deixou a impressão que Fróes devia compor mais para essa cantora, ou ela devia cantar mais canções de Fróes.

‘Preciso do teu sorriso’, sucesso do Trio Virgulino composto por João Silva tem a sanfona calorosa de Dominguinhos. ‘O homem da perna de pau’ de Edson Duarte é carimbó, é brega, é guitarrada, é forró, é tudo ao mesmo tempo, e ainda com temperos psicodélicos. ‘Cavaleiro selvagem’ é uma parceria de Aydar com EMICIDA. O álbum encerra com a suave ‘Vinheta da alegria’.

A banda conta com Guilherme Held nas guitarras, Robinho Tavares no baixo, Guilherme Ribeiro nos teclados e sanfona, de Gustavo Di Dalva na percussão e do próprio Duani Martins na bateria, além de claro a voz de Aydar.

A escolha do maestro Leitieres Leite como produtor resultou numa assinatura única que permeia todo o álbum. Fácil de ouvir ecos da Orkestra Rumpilezz por todas as faixas.

2011 Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo

1. A saga do Cavaleiro
2. Solitude
3. Não foi em vão
4. Passionais
5. Vai vadiar
6. Nine out of ten
7. Floresta
8. Galope rasante
9. Porto
10. Preciso do teu sorriso
11. O homem da perna de pau
12. Cavaleiro selvagem
13. Vinheta da alegria

Abaixar

9.18.2011

JAGGER, MARLEY, RAHMAN, STONE & STEWART


Superheavy é o super grupo formado por Mick Jagger, Joss Stone, Damian Marley, Dave Stewart (ex-Eurythmics) e A. R. Rahman (compositor indiano responsável pela trilha sonora pop-indiana do filme de Danny Boyle, ‘Quem quer ser um milionário’ – ‘Slumdog milionaire’ em inglês).

Esse time é acrescido de Shiah Coore no baixo, Courtney Diedrick na bateria (ambos tocam com Marley) e a violinista de rock Ann Marie Calhoun. Nessa mega banda que é o ponto alto dos grupos com vários vocalistas.

Pode-se dizer que a idéia nasceu de Stewart, logo após gravar a trilha sonora de ‘Alfie’, com Mick Jagger – que também continha participação de Joss Stone. Os dois resolveram produzir um som com múltiplos estilos musicais e convidaram, além de Stone, Marley representando o som jamaicano, e Rhaman para acrescentar o tempero indiano.

Cantar nesse projeto deve ser um alívio para o eterno frontman dos ‘Rolling Stones’, Jagger, que finalmente pode relaxar e simplesmente participar de uma banda como um mero integrante.

Num dos grandes lançamentos do ano, o álbum tem um pouco de tudo, reggae no primeiro single e ritmos indianos como no segundo compacto, ‘Satyameva jayathe’.

Tem também a prima distante de ‘Start me up’, ‘Energy’, com a gaita característica de Jagger (que até parece um sample da canção dos ‘Stones’). Outra que lembra as composições de Jagger para sua outra banda mais famosa – ‘Never gonna change’, que lembra ‘Angie’.

Quem sempre imaginou como seria o disco de reggae que a Joss Stone prometeu e nunca gravou? Pode até curtir uma palhinha do que será ouvir a moçoila cantando reggae em ‘Miracle worker’ e ‘Beautiful people’.

A balada sentimental ‘I don’t mind’ tem o belo dueto de Jagger com Joss Stone e toma um rumo inesperado com a entrada do vocal reggaeado de Damian Marley.

O disco teria encerrado com a épica ‘World keeps turning’ não fosse a edição de luxo, que conta com mais quatro faixas que permeiam entre a cultura indiana, jamaicana, inglesa e norte-americana.

Não há como definir ou rotular este lançamento, que pode facilmente figurar nas listas de world music, reggae, rock ou soul.

2011 SuperHeavy (Deluxe Edition)

1. Superheavy
2. Unbelievable
3. Miracle worker
4. Energy
5. Satyameva jayathe
6. One day one night
7. Never gonna change
8. Beautiful people
9. Rock me gently
10. I can’t take it no more
11. I don’t mind
12. World keeps turning
Deluxe Bônus
13. Mahiya
14. Warring people
15. Common ground
16. Hey Captain

Abaixar

9.11.2011

SEXO COM ERASMO CARLOS É ÓTIMO


A frase acima é certamente a mais pura verdade, mas não da forma como entendida, ou subentendida. Não que o velho roqueiro seja péssimo parceiro, longe disso, mas ele deve alcançar grande sucesso nesse novo milênio, antes de sua contrapartida mais famosa, de fé e irmã camarada.

Erasmo Carlos lançou ‘Rock’n’Roll’ em 2009, disco que obteve muito prestígio com a crítica. Esse ano ele retorna com ‘Sexo’ e tem tudo para repetir o sucesso crítico e alcançar um prestígio ainda maior com o público, já que ele fala sobre um assunto que todo mundo conhece.

O disco abre com ‘Kamasutra’, onde o vovô roqueiro explica várias posições do famoso livro indiano. Depois vem o provável hit do álbum, ‘Roupa suja’, que tem uma levada bem característica do autor, que lembra muito alguns velhos sucessos como ‘Pega na mentira’ ou ‘Close’. Ambas feitas em parceria com Arnaldo Antunes.

Com ‘Amorticídio’, Erasmo sugere que esse sentimento pode ser bem complicado. A balada ‘Apaixocólico anônimo’ é um belo demonstrativo do domínio de Erasmo como compositor. ‘Sentimento exposto’ é outra clássica melodia nos bons moldes dos grandes sucessos dele como ‘Mulher (sexo frágil)’ ou ‘Mesmo que seja eu’, como também é o caso de ‘Santas mulheres santas’.

‘Seu homem mulher’ foi composta em parceria com Adriana Calcanhotto. ‘Vênus e Marte’, ‘O rosto do Rei’, ‘E nem me disse adeus’, ‘Sexo e humor’ e ‘Sexo é vida’ encerram o disco com uma overdose de coito. “E o prêmio do embrião foi gozar a vida”, canta Erasmo.

Este é um CD que vale muito a compra. Por isso, se você baixou aqui... Entre no site do Erasmo, ou compre pelas lojas da vida (há uma lista delas no site)...

Dê ‘Sexo’ de presente!!!

2011 Sexo

1. Kamasutra
2. Roupa suja
3. Amorticídio
4. Apaixocólico anônimo
5. Sentimento exposto
6. Seu homem mulher
7. Santas mulheres santas
8. Vênus e Marte
9. O rosto do Rei
10. E nem me disse adeus
11. Sexo e humor
12. Sexo é vida

Abaixar

9.04.2011

CHINA EM MOTO CONTÍNUO EM CHINA EM MOTO CONTÍNUO


No começo deste ano, China lançou no youtube a primeira faixa de seu novo trabalho – ‘Boa viagem’. Passou a apresentar um dos melhores programas de entrevistas da televisão brasileira, o ‘MTV na Brasa’. Pelo twitter, o cantor chamou seguidores para enviarem vídeos dançando sua nova música, ‘Só serve pra dançar’.

São essas as duas primeiras faixas do novo álbum, ‘Moto Contínuo’, título que é referência às míticas máquinas de funcionamento perpétuo. Um disco em que ele traduz suas inúmeras referências e influências num estilo próprio e inconfundível. ‘Overlock’ tem participação de Pitty, uma balada com ares ‘undegroundies’.

‘Nem pensar em você’ tem pequenas interferências eletrônicas numa bela letra intimista de China. ‘Mais um sucesso pra ninguém’ conta com a voz de Ylana Queiroga, filha do maestro Spok, da ‘Frevo Orquestra’, e tem um final climático e apoteótico e guitarrístico.

Depois vem ecos do ‘manguebit’ em ‘Distante amigo’, que tem um arranjo de metaleira em brasa para finalizar. ’12 quedas’ é parceria com Lenine e tem apelo popular para se cantar em coro num estádio.

Tiê canta junto com China em ‘Terminei indo’. Na sequência, ‘Programador computador’ e ‘Espinhos’, que já havia sido gravada por Zé Cafofinho. O disco encerra com a singela balada folk, ‘Anti-herói’, que poderia facilmente entrar em qualquer coletânia de música para crianças.

O novo disco do China, ‘Moto Contínuo’, ganhou com certeza o ‘Troféu Joínha’ de um dos 10 melhores lançamentos do ano. O melhor de tudo é o download gratuito pelo Álbum Virtual da Trama. Em tempo, a arte da belíssima capa foi feita por Raul Luna.

Por isso, se você ainda não tem cadastro no site, vale a pena (porque você pode baixar outros discos por ali) e não demora, nem dói nada.

2011 Moto Contínuo

1. Boa viagem
2. Só serve pra dançar
3. Overlock
4. Nem pensar em você
5. Mais um sucesso pra ninguém
6. Distante amigo
7. 12 quedas
8. Terminei indo
9. Programador computador
10. Espinhos
11. Anti-herói

Abaixar pelo Álbum Virtual da Trama

8.28.2011

NUTHIN' LIKE A G CUMBIA





Pare tudo o que está você fazendo e baixe agora mesmo o novo disco do Quantic. Ele mesmo!!! Will Holland, inglês baseado na Colômbia que faz um som da melhor qualidade com ‘The Soul Orchestra’, ‘Combo Barbaro’ e ‘Flowering Inferno’.

Ele já vinha misturando cada vez mais os ritmos latinos com os jamaicanos nos últimos álbuns, mas nesse novo lançamento – também em vinil – em que junta na sua cumbia de tempero dub, o hip-hop norte-americano.

O disco abre com a versão para o clássico do KRS One, ‘Step into a world (Rapture's delight)’, que muitos podem nem reconhecer. Mas, mesmo para os não iniciados no hip-hop gringo, é impossível não se lembrar da levada de ‘Nuthin' but a g thing (Dre en cumbia)’, originalmente do Dr. Dree.









‘Cuarta com cuarta’ é uma composição autoral de Holland, que é seguida por ‘Get ur freak on’ de Missy Elliot, que de um ragga-dubstep ganhou ótima versão latina. Depois vêm uma releitura de Pete Rock & CL Smooth para ‘They reminisce over you (T.R.O.Y.)’, onde o produtor transformou a faixa numa autêntica salsa latina. Quantic encerra a obra com uma homenagem a J. Dilla em ‘Rico suave bossa nova (cumbia de Dilla)’, onde ele ressalta o ritmo de jazz pela levada do tambor.













Quantic parece se apropriar de cada canção e faz essas regravações se tornarem tão relevantes quanto a faixa original. Esse disco é um item essencial em qualquer discografia básica de músicas dançantes e como diz o encarte, ‘Edição limitada para uso exclusivo de DJs’.

Quantic y Su Conjunto Los Miticos del Ritmo
2011 Hip Hop em Cumbia EP


1. Step into a world (Rapture's delight)
2. Nuthin' but a g thing (Dre en cumbia)
3. Cuarta con cuarta
4. Miss Jackson (interlude)
5. Get ur freak on
6. They reminisce over you (T.R.O.Y.)
7. Rico suave bossa nova (cumbia de Dilla)

Abaixar

8.21.2011

THIS WORLD IS GOING UP IN FLAMES



Charles Bradley viu a mitológica apresentação de James Brown no Apollo Theatre em 62. Desde então ele sacou que precisava cantar para o resto da vida.

Enquanto James Brown é chamado de ‘Godfather of Soul’, Bradley tem o título de ‘Screaming Eagle of Soul’, a ‘Águia Gritante do Soul’ em português.

Após viver anos como cozinheiro na Califórnia, Bradley retornou a New York e passou a atuar como crooner nas noites da cidade. Certa noite, um desses clubes recebeu a visita de Gabriel Roth da Daptone Records, o mesmo selo soul, que também lançou Sharon Jones, Dap-Kings, Budos Band e Lee Fields, entre outros.

Bradley lançou vários singles pela Daptone Records – acompanhado pela Sugarmen Co e também pelos The Bullets (que depois se tornariam o embrião para os Budos Band).

Charles se juntou a Thomas Brenneck (guitarrista dos The Bullets) e os dois começaram a ensaiar e compor o que se tornaria o primeiro álbum cheio de Bradley – porque essas músicas seriam lançadas ao longo dos anos na forma de singles pela Dunhan Records, um braço da Daptone Records. Desses ensaios Brenneck montou a Menahan Street Band, com a qual Bradley também tem excursionado.

Charles Bradley é uma das vozes que podem ser consideradas como sucessoras ao manto deixado pelo eterno ‘Padrinho do Soul’.

2011 No Time for Dreaming (& Menahan Street Band)

1. The world (is going up in flames)
2. The telephone song
3. Golden rule
4. I believe in your love
5. trouble in the land
6. Lovin’ you, baby
7. No time for dreaming
8. How long
9. In you (I found a love)
10. Why is it so hard
11. Since our last goobye
12. Heartaches and pain

Abaixar

2011 No Time for Dreaming (The Instrumentals by Menahan Street Band)

1. The world (is going up in flames)
2. The telephone song
3. Golden rule
4. I believe in your love
5. Trouble in the land
6. Lovin’ you, baby
7. No time for dreaming
8. How long
9. In you (I found a love)
10. Why is it so hard
11. Since our last goobye
12. Heartaches and pain

Abaixar

8.14.2011

A GENGIBIRRA NO MAR ABAIXO

A música brasileira de exportação dos dias de hoje não é o axé, nem o funk ou o sertanejo. Ela vem do norte do País, mas também tem forte apelo popular. É o tecnobrega, tecnomelody, guitarrada, carimbó ou cumbia, como o ritmo é conhecido nos países hermanos.

O exemplar que disponho aqui é o single do disco, uma amostra do que vem por ai. São quatro faixas do álbum de Felipe Cordeiro, ‘Kitsch Pop Cult’. O EP começa com ‘Legal e ilegal’, uma cumbia deliciosa que define os definitivos aditivos para cada estilo musical. Na sequência ‘Lambada com farinha’, que o nome já entrega o ritmo e o estilo.

O disco encerra com ‘Fanzine Kitsch’ e ‘Historinha’. O som do Felipe Cordeiro é fundamental para entender essa nova onda da música popular brasileira, que valoriza os sons do norte do país. Vale a pena curtir essa música e dançar ao seu balanço.

2011 Kitsch Pop Cult (EP)

1. Legal e ilegal
2. Lambada com farinha
3. Fanzine Kitsch
4. Historinha

Abaixar

8.07.2011

CORINNE CORINNE CORINNE

Ela é a diva máxima! Seu último disco foi mais que uma dor de cotovelo, mais que uma confissão, mais que qualquer condição desumana de alguma qualquer reabilitação. Ela é a maior de sua geração. Maior que qualquer outra cantora. Duvida? Ouve ai!

No último disco ela cantou a perda do amor, o marido que morreu por overdose de metadona, em grandes canções – desde já clássicos instantâneos – como ‘Feels like the first time’, ‘Paris nights/ New York mornings’, ‘Closer’, ‘The blackest Lily’, ‘Paper dolls’ e a que dá o nome ao álbum ‘The Sea’.

Saiu este ano, o ‘The Love EP’, com ‘My love’, ‘I wanna be your lover’ e um cover de Bob Marley, ‘Is this love’. Ela é ótima cantando covers e quando o faz, reconstrói a canção e incorpora nela todas suas nuances de interpretação, que a melodia parece ter sido escrita pra ela cantar. Foi assim também com ‘Since I’ve been loving you’ do Led Zeppelin e com ‘Venus as a boy’ da Bjork.

Não dá pra ficar impassível ouvindo Corinne Bailey Rae. O som que ela faz é o melhor que há na soulmusic atualmente. Ouça sem restrições...

2011 The Love EP

1. I wanna be your lover
2. Low red moon
3. Is this love
4. My love
5. Que sera sera (live)

Abaixar

2010 The Sea

1. Are you here
2. I’d do it all again
3. Feels like the first time
4. The blackest Lily
5. Closer
6. Love’s on its way
7. I would like to call it beauty
8. Paris nights/New York mornings
9. Paper dolls
10. Diving for hearts
11. The sea

Abaixar

2007 Live in London & New York

1. Call me when you get this
2. Trouble sleeping
3. Breathless
4. Enchantment
5. ‘Till it happens to you
6. Since I’ve been loving you
7. Like a star
8. Put your records on
9. Butterfly
10. I’d like to
11. Choux pastry heart
12. Seasons change

Abaixar

2007 Corinne Bailey Rae (Special Edition)

Disc 1
1. Like a star
2. Enchantment
3. Put your records on
4. ‘Till it happens to you
5. Trouble sleeping
6. Call me when you get this
7. Choux pastry heart
8. Breathless
9. I’d like to
10. Butterfly
11. Seasons change

Disc 2
1. Since I’ve been loving you
2. Emeraldine
3. Munich
4. No love child (previously unreleased)
5. Enchantment (Amp Fiddler Remix)
6. Venus as a boy (Q magazine)
7. I’d like to (Weekender Mix) (previously unreleased)
8. I won’t let you lie to yourself (previously unreleased)
9. Another rainy day
10. Daydreaming

Abaixar