8.23.2009

A CESAR O QUE É DE CESAR DE PAULA

Foi o Cesar de Paula que me procurou. Por conta do blogui, que é bastante acessado, e muitos novos artistas querem uma chance de divulgação na web. A ferramenta dos bloguis é hoje em dia o melhor veículo para bandas e artistas independentes divulgarem seu trabalho e todo mundo sabe disso... Até mesmo as gravadoras! Por isso caem 'uns que tenham' 'sons e outros baratos' por ai...

Na época que recebi o link do disco do Cesar, estava muito ocupado para conseguir auditá-lo e acabei postergando a postagem. Mas chego nessa semana com o som novinho em folha do Cesar de Paula, que tem talento de sobra. Ele mantém o Projecto S.A. em Brasília, enfim Distrito Federal, junto com os músicos Natan Soares, Hamilton Pinheiro, Marcelo Abreu e Beto Almeida.

O som que eles fazem tem uma levada funk, meio bossa nova, meio gafieira, meio samba-rock. Enfim, imperdível! O Cesar, além de professor, filósofo e sociólogo, é músico autoral, um compositor maduro e consciente de seu papel, que é reverenciar os grandes mestres da música popular brasileira sempre mantendo os olhos à frente. Fácil ver, sentir e ouvir as influências na música de Cesar, ainda mais pelo respeito que ele às apresenta.

Daí, o passo seguinte foi manter um diálogo com o Cesar para que ele mostre o que tem na cabeça, nos dedos, na boca e no disco... Enfim, Baixem ai!

Como foi que você percebeu a música ia ser sua profissão? Você exerce outra atividade além da música?

Bom, primeiramente eu nunca pensei a música como profissão, ou como forma de sobrevivência, foi surgindo naturalmente. É aquela velha história, tem certas coisas que você não escolhe, é escolhido por elas. Comigo, e acredito que com muitos artistas, a história foi essa, desde criança algo me impeliu para a música, a composição principalmente. Na verdade convivo com duas paixões, que no fundo são complementares, as letras – leia-se filosofia, ciências sociais e literatura – e a música. Desde muito tempo, antes mesmo da adolescência, principalmente quando conheci a banda ‘The Doors’ e o camarada Jim Morrison, e ele que era letrado, poeta e tal, fui atrás de ler tudo o que ele leu, de Rimbaud, Baudelaire, Antonin Artaud, os beatniks, Blake, Nietzsche etc etc. Então sempre trabalhei conjuntamente às letras e à música, de tal sorte que acabei me formando em filosofia com estudos em sociologia ao tempo que também me dediquei e estudar música, o violão, que é o meu instrumento.

Como eu nunca fui muito fã de covers, sempre gostei de compor minhas próprias canções, então optei por ser professor de filosofia e sociologia enquanto deixo livre meu trabalho musical autoral. Mas não se trata de um hobby, me dedico bastante, invisto na carreira da maneira que posso e vamos seguindo. Confesso que não me preocupo muito no que vai dar. O que me preocupa é se o que eu faço – se minhas canções são significativas, se elas despertam o interesse do público formador de opinião. Muito embora hoje eu tenha maturidade suficiente para saber que as minhas canções são importantes para o cenário da música brasileira, embora não imprescindíveis, porque ninguém é, enfim, tem o seu valor, apesar de não receberem a merecida divulgação neste oceano cibernético.

Atualmente me dedico a pesquisar mais a nossa música, todos aqueles artistas fundamentais, o samba jazz, Noel Rosa, Milton Nascimento, Hermeto, Jorge Ben e tantos outros, a lista é bem grande, mas também o rock, principalmente o inglês. Uma fusão saudável, mas sempre prevalecendo essencialmente a música brasileira.

Quais sãos suas influências?

Então, são tantas que se eu for citar acabo injustiçando alguém. Por outro lado, nem todas as influências, nem todos artistas que gostamos estão diretamente ligados ao trabalho que fazemos. É o caso do Milton Nascimento, que pra mim é um gênio, o maior de todos, que eu acredito que ainda não aparece em minha música, embora no DVD eu compus uma instrumental cujo nome ‘Caxemira e Budapeste’ foi pensada naqueles temas modais que o Milton elabora muito bem, aquelas coisas belas, aqueles solfejos angelicais...

Elaboro uma música sem fronteiras como disse anteriormente, uma música que dialoga com todas as vertentes, o experimentalismo. Posso hoje compor uma canção simples, de melodia agradável, como posso elaborar harmonias pouco convencionais, mas que me agradam também. Como sou um artista independente, tenho a liberdade de fazer o que quero sem me preocupar com este formato padronizado que vigora hoje, esse mais do mesmo...

Outra questão fundamental, super importante, é a preocupação com a letra. Somos herdeiros de uma tradição brasileira de grandes compositores, letristas e poetas. A gente escuta cada coisa por aí, descuidada mesmo, e se esquecem que temos Noel Rosa, Cartola, Vinícius de Morais, Paulo César Pinheiro, Caetano, Chico, Gil, Milton, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Waly Salomão, Arnaldo Antunes, Walter Franco, Leminski etc, todos grandes letristas, poetas de nosso cancioneiro que deveríamos pelo ao menos respeitar. Então quando faço uma música, vou gravar, penso na mensagem também, sem ser panfletária, mas respeitando uma elaboração mais cuidadosa, instigante...

O que você ouve hoje em dia, no player?

Muita coisa, e as vezes nada, passo dias sem ouvir dando um tempo para a audição. Mas vou desde a música instrumental, o jazz, a música brasileira, ‘Gotan Project’, Toninho Horta, Jards Macalé, sempre ouvindo o que o pessoal do nosso tempo vem fazendo, que não é mais que uma releitura moderna do que já fora feita pelos grandes, por Jackson do Pandeiro, por Gonzaga, Jobim, mas que oferecem sim sua contribuição. Também não vou citar porque não seria justo com aqueles que por ventura não entrarem na lista. Hoje temos acesso a tantos arquivos, um acervo riquíssimo que se não fosse a Internet ficaria aí perdido ou restrito aos “escolhidos”... Então eu ouço em detalhes, quando pego um álbum para apreciar, é como um estudo, uma dissecação... Tem muito som bacana, bem elaborado que está fora do mercado, do ‘mainstream’...

Me fala sobre esse Projeto S.A.?

Aqui em Brasília eu formei uma banda chamada ‘Pacheco Fernandes’ (referência à construtora onde ocorreu o episódio dos trabalhadores em 1959, época da construção da capital, que teve uma manifestação trabalhista, uma morte oficial e tantas outras a se averiguar. Vide o ‘Conterrâneos Velhos de Guerra’ do Vladimir Carvalho). Fizemos alguns show na cidade, na Calourada UNB, Semana Universitária da Católica, Espaço Cultural Renato Russo etc, só que no fundo eu era responsável por tudo, pelos shows, pela música. Um dia o bateria, o camarada Marcelo Abreu, que toca comigo e está nesta labuta a tanto tempo, me deu toque, falou pra eu sair em trabalho solo, levar o esquema adiante com outro formato. Foi a partir daí, e isso já tem uns 5 anos, que eu comecei a trabalhar no ‘Projecto S.A.’ (ou ‘S.A.mbalance’), que é minha extensão, extensão do Cesar de Paula, enfim, é a banda que acredita, que leva adiante e oferece seus talentos para que as músicas tenham outras referências e contribuições tão valiosas desses excelentes músicos que me acompanham. Foi também quando eu conheci o talentoso contrabaixista e produtor musical Hamilton Pinheiro, que não só produziu meu primeiro Álbum como agora, bem recentemente, fez a direção musical do show do DVD que gravamos e encontra-se em fase de pós-produção, cujo nome provisório, não sei ainda, então provavelmente se chamará ‘Um labirinto’. Toda essa produção marcou minha entrada para um trabalho mais consistente e profissional.

Quem participou do disco Sambeat?

‘Sambeat’ é uma reunião bacana. Eu sempre tive a idéia de que Brasília deveria se unir mais, parar com esse comportamento do cada um por si. Busquei, dessa forma, reunir figuras, músicos, amigos que significassem um vínculo artístico com a proposta do álbum, mas ao mesmo tempo valorizando o encontro das pessoas, sem, contudo, querer tirar proveito disso, pois que se “a obra é boa não precisa, e se é ruim, não adianta”. Então no CD tem as participações do ‘Móveis Coloniais de Acaju’ (sopros) na faixa que dá nome ao álbum ‘Sambeat’, tem as meninas do ‘Casa de Farinha’ na faixa ‘Fusão Nordestina’, o excelente violonista e professor Paulo André Tavares, o ‘Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu’, o grupo de percussão alternativa ‘Som Catado’ (na época com esse nome, porque os caras mudam direto, e aí eu não posso ficar lançando uma nova edição do CD só porque eles resolvem mudar o nome do grupo), Yara Veratto, Wilson Bebel, Rimador Israel e Rafa Black e Sandro Araújo (baterista do Diogo Nogueira), além dos músicos Natan Soares, Hamilton Pinheiro, Ricardo Nakamura e Marcelo Abreu.

No DVD que acabamos de gravar no excelente Teatro SESC Newton Rossi na Ceilândia (DF), formamos uma super banda de 12 músicos com participação da talentosa MC Flora Matos, que está em São Paulo mas que é prata da casa, e dos irmãos Rimador Israel e Rafa Black, molecada do hip hop da Ceilândia. Então tivemos mais uma vez o prazer de compartilhar o palco com Yara Veratto e Larissa Vitorino (backing vocals), Léo Barbosa do ‘Marambaia’ (percussão), Ismael Rattis (percussão), Natan Soares (guitarra), Bety Vinyl (derbak), Hamilton Pinheiro, Marcelo Abreu, Beto Almeida (piano fender rhodes, hammond e teclado), Raido Ratto e a rapaziada dos sopros. Imagine essa galera toda no show, na estrada, complicado...

Para facilitar as coisas, eu tenho alguns formatos de shows, um mais básico e outro mais completo que seria essa formação do DVD. Depende muito da proposta e das condições oferecidas, sabe como é...

Como é que está o cenário da música em Brasília?

O cenário é bom, sempre desponta grupos, músicos e artistas talentosos. O que não é bom é a produção, os espaços. Acredito que tem um certo amadorismo dos produtores locais, não sei, talvez não conheça muito, mas esse pessoal investe no lugar comum, e os artistas talentosos, que tem um trabalho autoral significativo, e até comercial, ficam aí, de porta em porta pra conseguir espaço. Acredito que a cidade tem tudo para despontar, pra fazer parte do “grande eixo”, mas faltam produtores e investidores ousados, criativos para isso. É certo que tem as dificuldades, ninguém consegue sustentar eventos, projetos culturais sem incentivo, sem grana, sem um retorno, além do mais, aqui não existem patrocinadores, então é algo bem amador ainda, eu diria, mas sendo otimista, acredito que tende a melhorar porque a demanda leva a isso. Uma diversidade de produção, o rock, o chorinho, a MPB, o pop, o instrumental. Brasília produz tudo isso muito bem, mas falta o divulgador, o cara que vai promover, fazer a coisa seguir adiante. Se o próprio artista não for o empresário, o produtor, o publicitário de si mesmo, a tendência e ficar na mesma. Então somos de tudo um pouco, artista, empresário, publicitário. Se houvessem pessoas com um olhar mais visionário, um olhar adiante de seu tempo, acredito que o cenário estaria bem melhor. Enfim, não podemos ficar só reclamando, é arregaçar as mangas e correr atrás, principalmente conseguindo espaços fora da capital para que o trabalho, muitas vezes de qualidade, não perca sua força por falta de reconhecimento e visibilidade. Ainda estou batalhando pra isso, fazer com que meu trabalho chegue nas pessoas dentro e fora de Brasília, e estou convicto de que se elas tiverem acesso ficarão deslumbradas com o ‘Projecto S.A.’.

Você tem se beneficiado com a onda de downloads pela internet? Como você tem se preparado para essa nova onda?

Nem é mais nova onda, não é? Já foi! Esse é o esquema! Não tem como fugir... O meu álbum ‘Sambeat’ já está disponível no meu site. Também não acredito que isso atrapalhe a vendagem dos discos, até porque essa não é mais a questão. A visibilidade e a qualidade são o que importa, então ficar nessa briga capitalista das ‘majors’ é nadar contra a maré e diz respeito a um grupo que em nada ajudou o artista brasileiro nos confins desse imenso país. Interessa a eles a manutenção dessa fórmula padronizada, da “regressão da audição” a que se refere Theodor Adorno. Beneficio-me sim, mas ainda é necessário se fazer conhecido para que as pessoas busquem, se interessem e tenham coragem de ousar, de ouvir algo fora do senso comum, então nos shows é o melhor contato, e claro, a Internet é uma aliada indispensável quando utilizada com criatividade, uma ferramenta que aproxima, que estabiliza e oferece condições mais justas para que o artista independente ou de pouca visibilidade tenha o seu lugar ao sol.

2008 Sambeat

1. Ô minha nêga
2. Malandragem brasileira
3. Sambeat
4. Boca da mata
5. Afrobrasileiro
6. A lua e o sol
7. Fusão nordestina
8. Filosofia
9. Berimbau de crioula (Vinheta)
10. Carnaval
11. Falta d’água
12. A morena chegou pra abalar
13. Sambeleza

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8.16.2009

O BLUEGRASS BRASILEIRO DE CLAY ROSS

Clay Ross nasceu na Carolina do Sul nos Estados Unidos, começou a tocar guitarra muito cedo aos 10 anos, mas era o heavy metal que o interessava nessa época. Foi na faculdade que se aproximou do jazz, mesmo assim acabou formado em composição clássica. “O jazz, definitivamente, é o centro da minha musicalidade. Para mim, a palavra jazz está viva, muda o tempo todo”, define Ross.

Em 2002, após chegar em Nova Iorque, Ross começou a tocar com músicos que possuíam influência latina e conheceu o tango, música afro-cubana e o chorinho brasileiro. “Me apaixonei pelo chorinho brasileiro, que acabei conhecendo o Scott Kettner, que tem as bandas ‘Nation Beat’ e ‘Maracatu New York’. O que me levou a conhecer também o Cyro Batista”, declara. Batista é um percussionista brasileiro, radicado nos Estados Unidos, que já tocou com gente como Herbie Hancock, David Byrne, Yo-Yo Ma, Paul Simon, entre outros.

A vontade de conhecer mais sobre a música brasileira crescia e levou Ross visitar o país. “Eu vim no Brasil em 2005, para divulgar meu segundo álbum, o ‘The Radom Puller’, e aproveitei muitas rodas de choro no Rio. Também fui no carnaval em Recife tocar com o ‘Nation Beat’ no Festival Porto Musical”, afirma. “Tocar no Brasil, no carnaval de Recife, foi uma das mais incríveis experiências da minha vida. Era um sentimento de todos participando juntos numa única celebração”.

O disco ‘Matuto’ começou a tomar forma nos meses em que Ross aproveitou a agenda de show e conheceu muito da cultura do país. “Eu estive em Recife nos três últimos carnavais, ficando cerca de seis meses em cada vez. Aqui em Nova Iorque existe uma comunidade de ótimos músicos, mas nada se compara a conhecer a música na sua origem”. Com o álbum, recém-lançado, Ross criou uma mistura entre o velho-oeste norte-americano e sertão brasileiro, sem parecer artificial, como bem reconhece Hugo Montarroyos no ‘Recife Rock’. Com isso, Ross criou o que chama carinhosamente de 'bluegrass brasileiro', em referência ao gênero tradicional norte-americano misturado com os ritmos nordestinos.

Por isso procurei o Clay Ross – pelo MySpace claro – com a intenção de fazer o que seria a primeira entrevista internacional deste blogui. Também perguntei se poderia disponibilizar o disco para download. “Adoraria responder à entrevista e colaborar com o que for necessário para promover minha música no Brasil”, completa Ross. Após essa afirmação, que mais parece uma intimação, enviei um e-mail para ele com algumas questões e ponto final.

Que sons você anda escutando?
Hoje em dia estou escutando muitos sons que encontro durante minhas turnês. Neste verão eu toquei em vários festivais na América do Norte e na Europa e escutei muitas bandas diferentes, de que gostei muito. Na cena norte-americana de música de raiz conheci uma banda chamada Kruger Brothers, que tem um tocador de banjo que é incrível. Em Sines, Portugal, eu toquei no FMM, o festival de música do mundo, e foi maravilhoso. Um dos grupos que curti muito foi o 'Alamaailman Varasat' da Finlândia. Eles são uma banda de heavy metal muito maluca que usa violoncelos e sopros com distorções interessantes. Além disso, também estou ouvindo muito os artistas contemporâneos.

Como você vê o mercado musical atualmente?
Eu acho que vivemos atualmente num tempo muito excitante em relação à tecnologia e disseminação da propriedade intelectual. Eu mesmo nunca estive no meio musical tempo suficiente para ter experimentado a venda massiva dos discos e seus lucros exorbitantes. A realidade atual é muito mais modesta que isso, para o artista contemporâneo. Minha escolha óbvia é ser otimista com essa situação. Nós estamos, atualmente, lançando meu álbum naquele sistema de “pague quanto quiser” (que o Radiohead utilizou para vendar o disco ‘In Rainbows’) pelo download. Também estamos oferecendo diferentes formatos de CDs físicos, incluindo CDs autografados entre outras opções de compra para os interessados, aqui ou aqui.

Ultimamente, o mercado musical não tem funcionado. Os artistas estão sendo forçados a encontrar novos meios de ganhar dinheiro com seu produto. Eu vejo o meu disco como uma ferramenta promocional para meus concertos e tudo aquilo que posso oferecer com minha performance ao vivo. Quero que meus álbuns sejam apreciados, mas sou um artista que gosta de estar em turnês. Por isso acredito que se as pessoas gostam do disco, vão querer ver o show ao vivo. O mundo sempre vai precisar de músicos que criem canções, o resto é apenas detalhe.

Tem planos de voltar a tocar no Brasil?
Estou torcendo retornar para o Brasil em 2010. E por favor me avise se puder (ou puderem) ajudar a promover algumas novas oportunidades de tocar no país, pois adoro o Brasil.

Obrigado de novo,
Clay Ross

Eu que agradeço, e também ao 'colega' Victor de Almeida, d'O Jornal', pelas aspas... Segue o disco para apreciação. Ouçam também no player ao lado, na Rádio EuOvo.

2009 Matuto

1. Recife
2. What a day
3. Remember Calabash
4. Banks of the Ohio
5. Zydaco mondo
6. Church street blues
7. Maria's lullaby
8. Home sweet home
9. John the revelator
10. Dream of life
11. Feel like a song (feat. Cyro Baptista)

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8.09.2009

QUEM NÃO QUEBRAR A PEDRA TAMBÉM VAI ROLAR

‘Quebrapedra’ é uma banda formada por Leonora Weissmann na voz; Rafael Martini no Piano, voz e violão de 12 cordas; Pedro Maglioni no baixo elétrico e acústico; Edson Fernando na bateria, percussão, vibrafone e stell drums; e Mateus Oliveira também na Bateria, percussão, vibrafone e marimba.

Essa banda começou tocando versões de Tom Jobim e Milton Nascimento, no bares da vida de de Belo Horizonte. Portanto é muito natural que suas canções tenham forte influência desses dois compositores. Pois esse é o novo som de Minas Gerais – jovem e sinuoso – como os instrumentistas responsáveis pelas nuances e composições.

Com uma estréia segura e madura, o ‘Quebrapedra’ deixa a impressão que têm anos-luz de estrada (a banda começou em 2001). As letras e canções deixam a certeza de que há uma cena musical fervilhante na capital mineira. Pois foi com essa idéia que convidei o Rafael pra deixa o piano de lado e falar um pouco sobre a banda, o disco e tudo mais.

O Clube da Esquina é influência forte nas composições de vocês? Tom Jobim também?
Acredito que quando se compõe, geralmente é ativado um tipo de pensamento associativo que vai agregando tudo o que já foi ouvido, conscientemente ou não... Nesse sentido, mesmo um tipo de música que o compositor não inclui dentro de suas preferências pode estar atuando como influência na sua música. No caso do ‘Quebrapedra’, o Milton Nascimento (bem mais que o ‘Clube da Esquina’ como um todo) e o Tom Jobim exercem uma influência que se faz consciente, mas ao mesmo tempo essa influência vem de um modo inconsciente também, pois as músicas deles já têm uma marca muito profunda em nós e quase fazem parte da nossa constituição física! Mas acontece que o que mais nos influencia é a música do nosso tempo, feita agora em Belo Horizonte, São Paulo, Recife, São Luiz, Romênia, Canadá, EUA, Islândia etc etc etc. É ela que bate no ouvido e move uma vontade de devolver a inspiração, fazer uma outra música que dialoga com ela e leva a ‘conversa’ pra frente!

Quem é que compõe as músicas? E as letras?
A maioria das músicas são minhas com letra da nossa cantora, a Leonora Weissmann. Mas como sempre tivemos essa curtição de fazer versões de músicas de outros compositores, gostamos de manter isso fazendo arranjos para músicas de compositores daqui de BH, que são companheiros de cena e fortes influências na nossa maneira de compor também. No disco, além das composições próprias gravamos músicas do Kristoff Silva, do Makely Ka, do Antonio Loureiro, do Dudu Nicácio, do Felipe José e do Renato Motha, além de uma inserção de ‘Equilibrista’ do Egberto Gismonti, que fica ‘habitando’ o arranjo da música ‘Santo Forte’, que é do Kristoff e do Makely. Esses compositores pertencem a uma nova safra de cancionistas, muito prolífica de Belo Horizonte e que engloba muitas outras pessoas e tem chegado sempre gente nova pra fazer parte desse ‘coro’.

Sendo uma música sinuosa e quase instrumental... Como é a receptividade do público nos shows?
A receptividade é sempre muito boa! De vez em quando é engraçado ver que mesmo com melodias não muito convencionais, tem algumas músicas que grudam na cabeça, como se tivesse aquela melodia mais chiclete, sabe? Acho que a sinuosidade e a não-obviedade melódica nunca foi empecilho pra comunicação, vide o Milton Nascimento e a Bjork!

Vocês têm uma pegada de 'música clássica popular brasileira', o ‘Graveola’ também... Isso foi proposital? Quase como um movimento de bandas, com influências parecidas e idéias similares... É como o 'mangue-bit', só que de Minas?
Não é nada convencionado, com manifesto pregando preceitos estéticos e estilísticos, nada disso... Mas há com certeza uma convergência de cada vez mais pessoas compondo e compartilhando e trocando essas novas músicas e idéias. Acho que a maior ligação é a busca por novidade, o que é engraçado pois parece contrastar justamente com essa leitura que você faz da nossa ‘pegada’. O ‘Graveola’, assim como o ‘Quebrapedra’, tem influências muito diversificadas a ponto delas se amalgamarem numa música que fica fora da mira de um rótulo, pelo menos de um rótulo à maneira ‘midiática-mastigadinha’ que o jornalismo cultural tanto gosta. Há uma Minas Gerais que faz música agora, para o seu tempo e fruto dele. Acho que um manifesto de um movimento possível que sintetizaria esse novo anseio por uma música nova é o que o nosso compositor, letrista e escritor Makely Ka postou no ‘Overmundo’ e está gerando uma longa discussão sobre o assunto.

Existem outras bandas que poderiam integrar esse trem-mineiro? Como é a cena de BH? Existem muitos lugares para tocar na cidade? Muitas tribos, curtindo diferentes estilos de músicas?
Existem muitas bandas e artistas que estão mostrando a cara e desenvolvendo linguagens próprias e mais ou menos correspondentes: grupos e artistas da canção, da música instrumental, do rock... ‘Graveola e o Lixo Polifônico’ (para baixar o disco clique aqui), Kristoff Silva, ‘Transmissor’, ‘Pablo Castro, Mestre Jonas, Makely Ka, Pedro Morais, Antonio Loureiro, Alexandre Andrés, ‘Ramo’, ‘The Dead Lovers Twisted Heart’, ‘Misturada Orquestra’, Fernando Sodré, ‘Diapasão’, ‘Madeirame’, Mariana Nunes, Vitor Santana, ‘Prucututrá’, ‘Leopoldina’, e por aí vai... Temos eventos e espaços muito interessantes como o ‘Verão Arte Contemporânea’, os festivais de inverno, o ‘Projeto Música Independente’, mas o que mais vejo são os artistas produzindo e cavando seus próprios espaços, alugando teatro, tocando em bares... Mas sinto que o público de BH ainda faz parte da cultura do boteco (os que não tem música ao vivo) e a mídia ‘oficial’ ainda não se deu conta realmente da explosão que esses artistas estão promovendo contra a cultura do mais do mesmo, do ‘cover’, do voz e violão de barzinho, da música estritamente acessória.

Como vocês lidam com essa 'nova ordem mundial' de downloads gratuitos?
Acredito que esse seja o real canal de comunicação e disseminação de informação de hoje. O que há de realmente novo e verdadeiro tem muito mais chance de ser encontrado na rede do que nos meios tradicionais de comunicação (jornais, revistas, TV e rádios) onde a publicidade e a grana são o que importam. O download gratuito é a melhor estratégia de distribuição de discos que pode existir, pois ele faz com que o CD chegue em qualquer lugar do globo com acesso à internet e como o disco tem como principal função representar o artista, essa é a realização de seu objetivo primeiro. Outra coisa maravilhosa da disponibilização por download é que, uma vez que você joga no mundo uma coisa, você nunca imagina o que o mundo pode te devolver!

Você vê algum futuro para a indústria musical? Com venda de CDs, mp3 ou música de graça?
A indústria musical está fadada ao fracasso, a curto ou médio prazo... Já o mercado musical tem que começar a lidar com escalas menos industriais. A venda de CD`s há muito tempo não é bom negócio pra quase ninguém. A venda de mp3`s é um correlato que pode ainda se desenvolver, mas penso que é difícil se estabelecer, pois é muito difícil regular o comércio de algo intangível. Penso que, paradoxalmente ao avanço tecnológico e à mudança de paradigmas vertiginosa que vivemos, estamos tendendo a voltar a dar mais valor à música feita ‘in loco’ – ao vivo! Sinto que as pessoas que antes faziam parte da indústria musical, começam a se voltar para o crescente movimento das feiras, congressos e festivais que comercializam música ao vivo. É isso que sempre moveu qualquer músico – tocar!

Quais são os planos da banda? Digo, existem shows marcados, estratégias de lançamento, participação em feiras etc?
No momento não temos shows marcados, mas estamos trabalhando na estratégia de lançamento do disco na internet e fazendo contatos para shows em Minas e outros estados, ao lado de outros grupos daqui e de fora.

2008 Quebrapedra

1. Além mar
2. Abacate
3. Santo forte (Equilibrista)
4. A roda
5. Roda gigante
6. Nem ao menos uma flor
7. Breve
8. Samba no ponto
9. Em todo caso
10. Impagável
11. Presença
12. Firmamento

8.02.2009

O SAMBA-ROCK DO THIAGO CORREA

Thiago Corrêa é o número Um. Ele tanto fez que conseguiu o remix mais votado no site da cantora norte-americana Lily Allen. Já há algum tempo ele vinha postando – uma vez por semana – versões samba-rock de clássicos da música internacional.

Tudo começou devagarinho com uma estratégia de marketing para movimentar o seu blogui. Versões em samba-rock de clássicos como ‘Oompa Loompa song’, abertura dos ‘Simpsons’ e até ‘Santa Claus is coming to town’ caíram no gosto dos internautas. Que aumentaram consideravelmente o mailing desse cantor paulista radicado em Porto Alegre. Eu, que não costumo seguir feed, RSS ou twitter de ninguém, recebo toda semana um e-mail com o mais novo remix do ‘Projeto Outra Mùsica’.

Vez em quando, Thiago ainda achava algumas faixas abertas – todos canais abertos possibilitam nova remixagem – de músicas conhecidas. A primeira foi a Fergie com ‘Fergielicious’, depois Britney Spears e sua ‘Toxic’, Marvin Gaye com ‘Sexual Healing’. O negócio começou a ficar sério com ‘ABC’ dos Jackson 5 e no dueto Correa e Tammi Terrel em ‘Ain’t no mountain is high enough’. Mas foi com a versão de ‘Knock em out’ de Lily Allen, que ele chegou ao topo da lista no site da cantora, que faz uma espécie de votação dos melhores remixes.

Thiago, por trabalhar no ‘metier’ da publicidade, tem um marketing agressivo, e por isso o resultado da votação no site da Lily Allen não podia ter outro resultado. Eu confesso que votei pra ele no site. Mas fica difícil não votar, porque ele te dá tudo de mão beijada. Os links nos e-mails... Só falta colocar o número celular... Mas não ligue pra ele, porque ele vai te colocar na lista de contatos SMS, para avisar dos shows com antecedência e eficiência. Esses adjetivos acompanham Thiago na carreira autoral, porque não há uma só pessoa que após escutar suas versões samba-rock, não fique curiosa em ouvir as composições desse multi-facetado artista.


Como o próprio Thiago costuma afirmar, esse projeto sempre teve o intuito de fazer com que sua música fosse ouvida. Se isso não é uma estratégia fenomenal... Não sei o que é... Aí está um artista dos novos tempos, onde os downloads gratuitos funcionam como ferramentas de divulgação. Com toda essa ferveção online, Thiago conseguiu assinar com uma gravadora de Londres, a Curve Music.

Por tudo isso, convidei ele pra vir aqui no blogui e contar um pouco de sua trajetória. E antes de mais nada, o disco dele, ‘A Grande Preocupação’ está ai embaixo para download e na rádio ao lado estão algumas canções do ‘Projeto Outra Música’. O próprio Thiago explica nessa entrevista como baixar essas versões em samba-rock.


Como começou essa idéia de ser músico?
Comecei com 8 anos a tocar violão clássico, depois fui parar em festivais e mais tarde como produtor, arranjador, cantor e locutor no mercado publicitário.

Você vive de música? Ou tem alguma atividade paralela?
A atividade paralela é a música publicitária. Canto e arranjo jingles, mas só de vez em quando.

Como surgiu essa paixão pelo samba-rock? Ainda mais você vivendo em Porto Alegre, onde há uma cena forte de rock gaúcho...
Curto samba-rock desde criança, meus vizinhos tinham uma banda e tocavam muito Dema, Bebeto e Bedeu. Depois eu vi que se eu quisesse ir para fora o Brasil, a minha carta na manga seria a cultura Brasileira. A cena rock de Porto Alegre nunca me influenciou, pois acredito que a maioria parou no tempo. Muitos não curtem a música rock mas sim o lifestyle rock, aquela coisa de andar por aí com garrafa de vinho na mão e ser rockstar (sexo, drogas e rock’n’roll). Pra mim esse tempo passou.

Existe uma cena de samba-rock em Porto Alegre?
Aqui tem a ‘Família Sarara’, mas eles misturam um pouco de reggae, o ‘Projeto Ziriguidum’, ‘Projeto Pente Fino’, ‘Zumbira e os Palmares’. Pelo menos são esses que eu ouvi falar aqui na cidade.

Você acha que existe um futuro para o artista ganhar dinheiro com a venda de discos?
Com a venda de discos não, mas com a venda de download sim... Recentemente li um livro chamado ‘A cauda longa’ que fala dessas mudanças no mercado. Eu, pessoalmente, tô otimista. Posso fazer tudo por mim mesmo, diminuíram os atravessadores, aqueles que ficavam entre o artista e o público final. Se você quiser compra o meu mp3 é só comprar direto no meu site. O que mudará é que os artistas terão que entender mais de marketing e comunicação.

Quais são seus planos no futuro?
Espero ainda me tornar referencia do gênero samba-rock e entrar para o grupo dos consagrados como Clube do Balanço, Jorge Ben etc. Pelo menos é pra isso que eu tô trabalhando. Tô indo pra Londres dia 11 de agosto. Já tenho um show marcado em Londres, no Guanabara! Quero transmitir ele ao vivo no meu MySpace, mas eu aviso mais perto da data!

E como é que as pessoas baixam essas versões do ‘Projeto Outra Música’?
Faz o cadastro lá no site ou envia uma email para euquero@thiagocorrea.com que automaticamente você receberá os links para download de todas as músicas produzidas até o momento! Legal, né? E tenho um pedido pros seus ‘ovintes’: Queria mostrar lá em Londres que o pessoal do samba-rock no Brasil é muito forte... Então eu peço que acessem meu MySpace e façam o cadastro lá também!
Abração,
Thiago Corrêa

2008 A Grande Preocupação

1. A grande preocupação
2. Juninho
3. Nadine
4. Novos rebeldes
5. Cara casado
6. Charme
7. Zé ninguém
8. Dalai Lama
9. Eu faço o que posso
10. Tudo bem
11. Pelas calçadas
12. Charme remix

Abaixar
ou
Abaixar pelo site dele

7.26.2009

GROOVES ORGANICOS + AUDIO TERRORISMO

Steintryggur é um duo formado peo ex-integrante do Sucarcubes (banda em que Bjork iniciou a carreira) Sigtryggur Baldursson e Streingrimur Guðmundsson, músico islandês. Juntos com a intervenção do áudio-terrorista australiano Ben Frost, fizeram um disco que une o eletrônico com performances gravadas pelo mundo todo.

Não dá para ficar indiferente à esse som, que é uma mistura venenosa de vários sons ao redor do mundo, desde o oriente ao outtback australiano. Nesse disco de 2008, ‘Trappa’, os islandeses em parceria com o australiano criaram uma obra instrumental que é muito difícil de rotular. Enfim, só pode mesmo ser áudio terrorismo com grooves orgânicos.

Quem curtiu o ‘Voodoo Party’, postado em junho aqui no blogui, também vai curtir esse aqui.

2008 Trappa

1. Melur
2. Root
3. Myri
4. Factors
5. Remains
6. Mouse hunt
7. Rasinagain
8. Lennon
9. Nixon
10. Wales well

Abaixar

7.19.2009

SUPER VIOLÕES SMASHED UPZ!

Lucas Santtana já vinha alardeando seu disco pelos quatro cantos, como um álbum feito com voz e violão. Também já tinha disponibilizado algumas faixas no ‘Diginois’, e no ‘My Space’.

Pois o disco do Lucas Santtana começa entortando o cabeção com ‘Super violão mashup’. É uma faixa de ‘samples’ de vários ‘riffs’ de violões do que tem de melhor na música ‘clássica’ popular brasileira... E funciona quase como uma fantasia sobre o tema ‘Noite de temporal’ do Caymmi. Como é uma canção curta, você cai direto na vibrante ‘Who can say which way’.

É a deixa para você curtir uma baladinha e respirar um pouquinho. “Closer, closer, closer...” na delicada ‘Night time in the backyard’. Tem até uma orquestra de insetos! A partir dai o disco só cresce, com a levada samba-funk de ‘Cira, Regina e Nana’, faixa que tem auxílio da batucada do Curumin, no corpo do violão.

Depois vem um ‘Recado para Pio Lobato’. Mais parece um desafio para o músico paraense responsável pelo ‘Mestres da Guitarrada’. Seguida de mais uma balada (pra respirar) ‘Hold me in’.

“Vou dar uma bola” e curtir a regravação de ‘Amor em Jacumã’, composta pelo baterista Dom Um Romão, que também tem o frenético batuque do Curumin, e mostra uma versão chuvosa da praia de Jacumã. Vai saber qual praia de Jacumã é essa dá música? “Lá em Jacumã, ninguém conversa, não”...

A partir daí o disco continua com ‘I can’t live far from my music’, ‘Cá pra nós’ e na parceria com João Brasil em ‘O violão de Mário Bros’. O disco termina nas intimistas ‘Ripple of the water’ e ‘Natureza nº 1 em Mi maior’, ambas com arranjos de inseto e violão.

Há uma preocupação muito grande em criar climas para as canções, como os insetos em certas faixas, chuva, máquina de escrever etc, entre um acorde e outro do violão popular brasileiro.

Eu Ovo: De onde surgiu essa idéia? Do violão e tudo mais...
Lucas Santtana: Era uma idéia antiga. Queria fazer minha leitura desse formato pois achava que ele não tinha mudado muito nesses últimos 50 anos. Era um desafio com o qual poderia me divertir e ao mesmo tempo uma patologia da qual queria me livrar, hahahaha...

EO: Quem foram os mestres que influenciaram nos efeitos, arranjos etc? (Porque eu vi ecos do ‘Dark Side’ no ‘Recado p/ Lobato’, Tom Zé na ‘Cira, Regina e Nana’ etc) LS: Hahahha, o bom de disco, poesia etc. É que cada um coloca um pouco do seu próprio histórico na hora de interpretar. Acho que sou a pessoa que nunca ouviu ‘Dark Side’ inteiro, juro! Hahahaha. Já Tom Zé me influenciou mesmo. Suas experimentações. Esse disco não deixa de ser um ‘Estudando o Voz e Violão’. Como ele fez com o disco ‘Estudando o Samba’. A lógica de destrinchar e experimentar com um formato clássico é a mesma.

EO: Porque você resolveu cantar em inglês em tantas faixas?
LS:
Foi natural. Duas vieram em inglês e outras três chamei o musico brasileiro/norte-americano Arto Lindsay para fazer as letras. Ele é quase um poeta na lingua inglesa. Por isso mais letras em inglês. Nada intencional...

EO: O show desse disco fica bem diferente, né?
LS:
Fica. Até porque quem não sabe que o disco é de voz e violão pode ouvir sem essa informação. Na real isso era uma coisa que eu buscava. Que no final não soasse mais como um disco de voz e violão. Como o próprio disco soa as vezes banda, as vezes eletrônico, as vezes folk, etc, adaptar o disco ao show com a banda não foi complicado.

EO: Vai rolar um disco ao vivo?
LS:
Provável sabia... Estou com uma banda nova, formação diferente, seria legal registrar essa formação. A seleção natural atualmente sou eu na voz, guitarra, cavaco e monome; Regis ‘Mr. Spaceman’ Damasceno na guitarra; Rian Batista no baixo e vocal; Bruno Buarque na bateria e mpc e Dustan Gallas no ‘rhodes’ e sintetizadores.

EO: Sendo um cara que está sempre fuçando na internet... Como é que fica essa estória de ter seu disco na internet?
LS: Alguém vai colocar. E acho ótimo. O outro disco vendeu mais rápido que os anteriores com o cd para baixar no ‘Diginois’. Esse também vai para o diginois. No comentário do ‘Urbe’ por exemplo um rapaz de Sete Lagoas baixou o disco. Pô, o disco não irá para uma loja em Sete Lagoas. Como é que ele ia ter acesso? Quem baixa um disco e quer comprar acaba comprando, não tem essa. Eu fico feliz de mais pessoas em regiões distintas terem acesso a ele.

EO: Depois da pergunta acima, eu nem preciso mais saber sua opinião sobre a questão dos downloads, das leis e tudo mais... Né?
LS:
Canso de repetir isso. Liberar download na web não faz você perder seus direitos como compositor. Se tocar num filme, numa novela, num comercial, na rádio, na TV, enfim, você irá receber por isso. Se você quiser vender na web também é possível. Uma coisa não desmerece a outra.

EO: Então como é que vai ser essa divulgação mouse a mouse? Shows marcados? Como é que vai ser?
LS:
Vários shows marcados. Já temos agendado 10 capitais para fazer no Brasil. Argentina, Chile e vem mais por ai. O disco acabou de sair...

EO: Quais vão ser os formatos do CD? Vai ter SMD?
LS:
Por enquanto o único formato é esse da CD promo. Formato ‘digipack’ que nem foi o ‘3 Sessions’...

EO: Então é isso. Obrigado pela entrevista e abraços...
LS:
Abs e valeu!

2009 Sem Nostalgia

1. Super violão mashup
2. Who can say which way
3. Night time in the backyard
4. Cira, Regina e Nana
5. Recado para Pio Lobato
6. Hold me in
7. Amor em Jacumã
8. I can’t live far from my music
9. Cá pra nós
10. O violão de Mário Bros
11. Ripple of the water
12. Natureza nº1 em Mi maior

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7.12.2009

EU SOU DO TIPO CARNE DURA!



A própria Ellen Oléria avisou no show, que podem copiar que não é pirataria. “É acesssibilidade”. Só quem já viu é que pode sentir força dessas, já míticas, apresentações ao vivo. Mas deixa eu contar como eu conheci o som dessa cantora brasiliense.



A primeira vez que a vi no palco fiquei estarrecido, pasmo, completamente surpreso e hipnotizado. Ela cantou apenas músicas autorais, mas com uma performance arrebatadora que enchia os olhos e ouvidos. Desculpem o clichê... É inacreditável como aquela banda de três músicos acompanhando um banquinho e violão fazem um som tão pesado e grandão.



Mas não era bem um banquinho e violão, como o do João. Estava mais para o caminho do Ben. Estava soul, funk, jazz, MPB com uma pitada do ritmo do banquinho e violão. Foi um show foda! E todos os seguintes que vieram... Portanto, o álbum ‘Peça’ chegou em minhas mãos como uma pérola. A peça que faltava no quebra-cabeças indecifrável dessa negra melodia.



As canções são autorais e mostram uma compositora preocupada com a poesia e o seu ritmo na melodia. Suas letras são contundentes e passam a mensagem através das imagens que provocam no espectador. Digo espectador, porque você se torna espectador das músicas. Ellen afirma que passa muito tempo compondo e escrevendo. Você escuta a música ‘Testando’ e acha que ela fez aquele som ali, na hora, mas ela avisa que passou “vários dias encucada para escrever aquilo”.



Em ‘Só pra constar’ ela diz, no show, que era uma música normal, mas virou “essa coisa complicada”. Sem complicações, mas o que era um sambinha, subiu no banquinho e violão e passou pela porta da cozinha. Mais ou menos como o mestre João fez em ‘Doralice’. ‘Natural luz’ é o momento intimista do show. Só tem Ellen, seu violão e o público completamente inebriado com aquela presença astral totalmente real, que chega a ser irreal. Se é que deu pra entender... A poesia, a voz, o som, o som, o som...



O álbum tem todos sucessos que você escuta nos shows. Tem o blues meio jazz (ou seria jazz meio blues) ‘Não-lugar’, tem a atriz e a estalactite de ‘Ato II’, e até a regravação do Forró de tamanco’ dos ‘Três do Nordeste’. Mas também tem a clássica ‘Senzala (A feira da Ceilândia)’ que é cantada em uníssono nos shows. Só faltou o samba-rock ‘Eu bebo sim’, que ela usa no bis. É por isso que falei muito do som ao vivo. Para você não perder nunca mais um show dela. Seja você de Brasília, ou não...



Nesse disco, além ‘della’ no violão, tem Rodrigo Bezerra na guitarra, Paula Zimbres no baixo e Célio Maciel na bateria, com a recente adesão de Felipe Viegas nos teclados. Também tem participações especiais de grandes músicos de Brasília, como Moisés Alves no trompete, Bruno Medina no saxofone, Marcos Wander no trombone, Phillipe Alves e Sr. Adalvêncio na sanfona, Dadá de Castro e a performance do GoG.



Em tempo, deixo logo avisado que esse foi um dos textos mais difíceis de escrever da minha vida. Porque eu tive que ter muito cuidado para não usar adjetivos demais para explicar o som da Ellen Oléria. E por isso mesmo vou colocar todos aqui, bem longe do resto do texto. Maravilhoso. Exuberante. Hipnotizante. Flutuante. Cabriocárico. Estrambonático. Palipotético. Estapafúrdico. Antropofágico. Posolométrico. Enfim...



2009 Peça

1. Posso perguntar?
2. Mandala
3. Testando
4. Senzala (A feira da Ceilândia)
5. Brado
6. Ato II
7. Só pra constar
8. Natural luz
9. Não-lugar
10. Prólogo
11. Forró de tamanco
12. Pedro falando com o reflexo
13. Senzala Remix (& GoG) ....

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7.05.2009

SUPER STEREO SURF MUSIC INSTRUMENTAL ROCK

A música instrumental brasileira era exclusiva para os apreciadores. Gente como Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Heraldo do Monte ou Theo de Barros. Não à toa eu invoco o nome dos integrantes do Quarteto Novo. Reza a lenda que o Gilberto Gil, após ouvir o disco dos Beatles ‘Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band’, foi falar com esses mesmos caras com a intenção de usar o som do quarteto com elementos de rock e música pop (naquela época esse termo ainda não existia, era apenas um estilo endemonizado por causa do uso das guitarras). Aquela proposta foi uma afronta para o quarteto e eles riram de Gil, que acabou chamando os Mutantes, de Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sergio Dias, e gravaram juntos o disco de 1969, que lançou a canção 'Domingo no parque', e o resto é outra história.

Na nossa história, a música instrumental começou devagar a dar seus primeiros passos em direção à uma sonoridade mais rock ou pop. Jovens tocando chorinho com uma pegada rockeira começaram a fazer muito sucesso. Outros tocando violão com tanta garra e destreza, que mais jovens apareciam fazendo sucesso em carreira solo na música instrumental. Hoje chegou a vez de bandas de rock instrumental, e já podemos ver o surgimento de gente como Macaco Bong, Pata de Elefante, Trilöbit, Hurtmold e Elma, e até o surgimento de um festival voltado para a música instrumental, ‘Produto Interno Bruto’, que já está na segunda edição.

A cidade de Brasília também tem seus representantes de rock instrumental. O Super Stereo Surf faz uma música inspirada no estilo de ‘Misrilou’, que apresentou a surf music para o grande público no filme de Quentin Tarantino, ‘Pulp Fiction’. O clássico de Dick Dale foi composto em 1963, no auge da surfmania dos Beach Boys, mas esse tipo de rock instrumental ficou mesmo em moda após o filme cult. Esse gênero, hoje em dia, atrai muitos jovens para os shows, inclusive a banda brasiliense tocou na pré-estréia do filme ‘Cassino Royale’, reimaginação das aventuras de James Bond com o protagonista interpretado por Daniel Craig. Não por menos, a banda também nomeia suas canções com títulos de filmes clássicos do imaginário popular. Entre os títulos estão ‘O homem de seis milhões de dólares’, ‘Curtindo a vida adoidado’ e até ‘A balada do pistoleiro’.

Então não perca tempo e venha conhecer a surf music do Super Stereo Surf. Eles são Harrisson Azevedo na guitarra esquerda, Márcio Rocha no baixo, Rodrigo Barata na bateria e Alex Maraskin na guitarra direita. Pois o próprio Maraskin veio falar um pouco do último lançamento da banda.

Eu Ovo: Como tudo começou? Quem toca atualmente?
Alex Maraskin:
Começou com os amigos que tocavam em outras bandas e aí foi tendo várias formações o único que está desde os primórdios é o Harrisson. Até chegar na formação atual que é o Harrisson na guitarra esquerda, o Márcio no baixo, Barata na bateria e eu na guitarra direita.

EO: Como surgiu a idéia do Super Stereo Surf?
AM:
Surgiu da vontade de tocar por diversão sem nenhuma pretensão e a coisa foi tomando proporções maiores do que a gente imaginava. E não foi por causa de Misrilou não. A banda tem várias influencias além de surf music, Beatles e Jimi Hendrix são algumas delas...

EO: Como é a resposta do público nos shows? Já que o som é instrumental...
AM:
Temos tido uma ótima receptividade por parte do público que a maioria das vezes nem conhece o gênero surf music, mas gostam muito do lance de ser instrumental e a gente também faz coreografias durante os shows e toca de camisetas floridas. Tem sempre a preocupação de ter algo novo em nossas apresentações, para que o show não seja repetitivo e chato.

EO: Vocês usam algum elemento dos filmes, além dos nomes que batizam cada faixa?
AM:
Não usamos. Na verdade essa idéia de colocar nome de filmes famosos em nossa musicas foi idéia do Roberto (ex-baterista). E deu super certo.

EO: Como é o método de composição das músicas da banda?
AM:
Acho que nada de diferente de outras (bandas), um chega com um riff, que emenda em outra idéia. Geralmente as composições acontecem durante nossos ensaios.

EO: Pirataria ou compartilhamento de arquivos?
AM:
Prefiro pensar em compartilhamento de arquivos. A internet está aí pra ser usada e tirarmos bom proveito disso. E hoje em dia essa ferramenta é indispensável para as bandas alternativas divulgarem seus trabalhos e poderem chegar a lugares antes nunca imaginados.

2009 Antes do Baile

1. Corra Lola corra
2. Thunder, um homem chamado trovão
3. Os imperdoáveis
4. Táxi driver
5. Luar sobre Parador
6. Curtindo a vida adoidado
7. O homem de seis milhões de dólares
8. Los três amigos
9. O rapto do menino dourado
10. A balada do pistoleiro
11. Dick Tracy

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6.28.2009

E ELA AINDA SORRIA PRA MIM EM JAPONÊS

As festividades do aniversário do blogui não acabaram por ali... O Eu Ovo fez três anos nessa terça-feira que passou (23/06) e quem ganha o presente é você.

Mais um disco da japonesa mais cheia de dedos do jazz – fusion como dizem alguns, mas eu prefiro dizer que é jazz, simplesmente jazz. Hiromi Uehara! Mas esse disco não é da discografia dessa jovem pianista. O disco em questão é o trio de jazz de Stanley Clarke, com o próprio no baixo, Hiromi no piano e Lenny White na bateria.

E como não podem deixar de faltar os amigos que sempre estão prontos para compartilharem discos e novidades... Dessa vez foi o Sérgio Sônico que avisou sobre esse petardo sob a alcunha de ‘Stanley Clarke Trio’. Mas o link, coube ao ‘brodér’ Boogie Woody desencavar via Fusion Brasil. Então não percam mais tempo e ouçam mais uma aventura musical de Hiromi Uehara.

Stanley Clarke Trio
2009 Jazz in the Garden (with Hiromi & Lenny White)


1. Paradigm shift (Election day 2008)
2. Sakura sakura
3. Sicilian blue
4. Take the Coltrane
5. 3 wrong notes
6. Someday my prince will come
7. Isotope
8. Bass folk song n. 5 & 6
9. Global tweak
10. Solar
11. Brain training
12. Under the bridge

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Ou se quiser arquivos em FLAC, pode pegar nesses links aqui.

Abaixar a parte 1
Abaixar a parte 2

6.21.2009

E ELA AINDA SORRI PRA MIM EM JAPONÊS

Hiromi Uehara é a anfitriã preferida para comemorar o aniversário deste blogui. Há três anos o 'Eu Ovo' iniciava os trabalhos, mais precisamente no dia 23 de junho, com a notícia da morte do Bussunda do Casseta & Planeta.

Nos anos seguintes, meio sem querer, o blogui comemorou com discos da japonesinha prodígio, que toca piano como ninguém e encanta todos que apreciam jazz. Pra mim, a Hiromi Uehara já deixou de ser revelação e se tornou a realidade jazzística atual. Pois foi assim, meio sem querer, que o blogui comemorou os anos de vida.

No primeiro ano, com a indicação do ‘brother’ 'El Cobrita', toda a discografia da jovem pianista foi postada. No segundo ano, Hiromi teve o álbum recém lançado como carro chefe da postagem, 'Beyond Standart', juntamente com o 'Duet' que ela gravou em parceria com Chick Correa. Na mesma postagem também houve a presença de bloguis amigos, como o ‘Boogie Woody’ que postava uma raridade da japonesa e atualmente já tem novas postagens sobre ela, além do blogueiro EdSom.

Pois esse ano a lembrança fica por conta de outro ‘bro’, Pezão que também celebra a mesma data ‘espacial’. Mas a raridade fica por conta dessa pianista que tanto encanta aos ‘ovidos’. Até seria melhor usar a frase no plural, por conta das habilidades dessa japonesa e pelas raridades aqui dispostas.

Dois discos gravados ao vivo e disponibilizados anteriormente no blogui ‘Jazz Boot Experiment’, que contam com duas apresentações, quase idênticas, da Hiromi Uehara com sua banda maravilhosa, a ‘Hiromi’s Sonicbloom’, que além de tê-la no piano e teclado, também tem Tony Grey no baixo, Martin Valihora na bacteria e Dave Fiuczynski na guitarra.

Com a guitarra, o trio virou quarteto e lançou os dois últimos discos da carreira dessa ‘japonezzista’, o regular 'Time Control' e o sensacional 'Beyond Standart'. Então você tá esperando o quê? Pode pegar logo essas raridades com apresentações ao vivo desse quarteto afiadíssimo.

2009 Berklee Centre Boston

1. Softly as in a morning sunrise
2. Led boots
3. Claire de lune
4. Ue wo muite aruko
5. I got rhythm
6. Caravan


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2008 Tokyo Jazz Festival


1. Softly as in a morning sunrise
2. Clair de lune
3. Ue wo muite aruko
4. I've got rhythm
5. Caravan
6. Time out

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6.14.2009

ZUMBIS DANÇANTES NA FESTA VOODOO DO CEMITÉRIO

Esse disco traz um maravilhoso ooga-booga primitivo do final dos anos 50. Muitos bongôs, muitos côros celestiais e cantores que uivam selvagemente, "daqueles que também enfiam ossos nos narizes". Essa opinião na verdade foi retirada dum site, aliás, único site onde encontrei informação sobre esse álbum. Me parece uma opinião pejorativa de uma pessoa que não sabe o que fala, nem o que pensa sobre as mais diversas raças e credos. Enfim... Uma pessoa culta, mas sem cultura.

Esse disco da University of Vice Records, foi lançado em 2007 e também foi escolhido como uma das coletânias mais bizarras lançadas naquele ano. O disco tem faixas de todo mundo, com vocais maravilhosos e um instrumental que faz menção à animais e zumbis. O disco também tem uma das únicas versões do clássico do estilo calypso/voodoo ‘Rock-ombay’. Destaque também para 'Cha cha la negra' que junto com 'Ma-ma-du', 'Zombie jamboree' e 'Zoologico negro' são algumas das melhores faixas do disco. Outras canções também merecem atenção, já que são de difícil audição e compreensão.

Para se ter idéia da raridade em mãos... Esse disco foi ripado do vinil (as fotos da capa e contracapa não estão incluídas no arquivo - por isso mesmo estão aqui na página, postadas em alta resolução) e a única informação encontrada sobre esse disco (na internet - no final da página) foi esse texto que emite opiniões controversas e que também já foi devidamente traduzido. Então, não perca tempo e baixe essa preciosidade incrível.

2007 Voodoo Party

1. A traves de la niebla – José Sola
2. Ma-ma-du – Michelino
3. Loango – Aline Barelli
4. Cha cha La negra – Dulce Maria
5. Saona – Noro Morales
6. Africa esclava – Richard Roberson
7. Rock-ombey – Ernesto San Miguel
8. Animal concert in a cemetery – Edric Connor
9. Zombie jamboree – Calypso Joe
10. Voodoo drums – Tiroro
11. Fakiiya – Cawandas Group
12. Ay ay ay – Nora Dean
13. El Diablo – Silvestre Montes
14. Zoologico negro – Los Aragon

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6.07.2009

SKATA SKATA SKATALITES

PAM PAM PAM PAM PAAAM PAM PAM PAM PAAAM PAM PAM PAM PAAAAM PAM PAM PAM PAAAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAAM PRARAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PRAM RAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PAM.

PRARAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PAM PAM PRARAM PAM PAM PAM PRARAM PAM.

1983 Rolling Steady (The 1983 Music Mountain Sessions)

1. We nah sleep
2. Contention
3. Big trombone
4. Away from home
5. Idler's rest
6. Rolling steady
7. Devil's triangle
8. The master's call
9. Absent without leave

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1984 Scattered Lights

1. China clipper
2. Marcus Jr.
3. Dahil sayo
4. Determination
5. Shot in the dark
6. Confucious
7. Re-burial
8. Scattered lights
9. Ringo
10. Ska ta shot
11. Non stop
12. Lawless street

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1994 Hi-Bop Ska

1. Guns of Navarone
2. Flowers for Albert
3. Ska reggae hi-bop
4. You're wondering now
5. Everlasting sound
6. African freedom
7. Man in the street
8. Split personality
9. Renewal
10. Nelson's song
11. Burru style
12. Ska ska ska

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1997 Ska Boo-Da-Da

1. Ska-boo-da-ba
2. Confucious
3. Chinatown
4. Re-burial
5. Smiling
6. Ska-ra-van (Take 3)
7. Ringo rides
8. Surftide seven
9. Lawless street
10. Marcus Junior
11. Ghost town
12. China clipper
13. Ska-ra-van (Take 1)
14. Lawless street

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1998 Ball of Fire

1. James Bond theme
2. Latin goes ska
3. Confucius
4. Occupation
5. Rock fort rock
6. Eastern standard time
7. Ball of fire
8. Swing easy
9. Ringo
10. Freedom sounds

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2000 Bashaka

1. Ska latte
2. Sky Rrcket
3. Skaravan
4. Tanya
5. Roland ride along
6. Reach for the sky
7. Mike Lane shuffle
8. Wild honey
9. A song for Don D.
10. What a day
11. I never knew
12. Magic muffin
13. Hail Tommy McCook
14. Oh baby
15. Rastamma

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2000 The Clash of Ska Titans (VS Lauren Aitkel)

1. In the mood for ska
2. It's too late
3. Same old song
4. I love you
5. Come down
6. Summertime
7. Rude boy dreams
8. Bad minded woman
9. Come down (Live)
10. Sugar sugar (Live)
11. Confucious (Live)

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2002 Celebration Time

1. Celebration time
2. Cuban blackade
3. Good gravy
4. Well charge
5. Peanut vendor
6. Magic star
7. Forest flower
8. Hot cargo
9. Cleopatra rock
10. Nannys corner
11. Suffers choice
12. Waisting my time on you

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2002 From Paris with Love

1. Garden of love
2. Glory to the sound
3. From Russia with love
4. Ska fort rock
5. When I fall in love
6. Freedom sounds
7. Trip to Mars
8. Pata pata (Skata skata)
9. Lester's mood
10. Golden love
11. African beat
12. River to the bank
13. Thinking of you
14. Guns of Navarone
15. Rock fort rock

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2002 More Celebration Time

1. Celebration Time
2. Magic star
3. Good gravy
4. Mind your business (&Chandley Duffus)
5. Well charge
6. Cuban blockade
7. Peanut vendor
8. Your mother's love (& Lord Creator)
9. Forest flower
10. Hot cargo
11. My little girl (& Basil Gabbidon)
12. Cleopatra rock
13. Nanny's corner
14. Sufferers choice
15. Precious time (& Lord Creator)

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2002 The Legendary Skatalites in Dub

1. Starlight version
2. Middle east dub
3. Fugitive dub
4. Whispering dub
5. Kimble dub
6. Roots dub
7. Bottom dub
8. African roots dub
9. Dumboo dub
10. African dub
11. Herb dub collie dub
12. Candlelight dub
13. Starlight (& Tony Brevett)
14. Middle east
15. Sealing dub

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2007 On the Right Track

1. New York minute
2. Outback ska
3. Shock trail
4. Right track
5. Doreen special
6. Divine conception
7. Bye bye
8. Little Irene
9. June Rose
10. One armed bandit
11. Marguerita's lament
12. Uluru rock
13. Outback dub

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