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domingo, 23 de agosto de 2009

A CESAR O QUE É DE CESAR DE PAULA

Foi o Cesar de Paula que me procurou. Por conta do blogui, que é bastante acessado, e muitos novos artistas querem uma chance de divulgação na web. A ferramenta dos bloguis é hoje em dia o melhor veículo para bandas e artistas independentes divulgarem seu trabalho e todo mundo sabe disso... Até mesmo as gravadoras! Por isso caem 'uns que tenham' 'sons e outros baratos' por ai...

Na época que recebi o link do disco do Cesar, estava muito ocupado para conseguir auditá-lo e acabei postergando a postagem. Mas chego nessa semana com o som novinho em folha do Cesar de Paula, que tem talento de sobra. Ele mantém o Projecto S.A. em Brasília, enfim Distrito Federal, junto com os músicos Natan Soares, Hamilton Pinheiro, Marcelo Abreu e Beto Almeida.

O som que eles fazem tem uma levada funk, meio bossa nova, meio gafieira, meio samba-rock. Enfim, imperdível! O Cesar, além de professor, filósofo e sociólogo, é músico autoral, um compositor maduro e consciente de seu papel, que é reverenciar os grandes mestres da música popular brasileira sempre mantendo os olhos à frente. Fácil ver, sentir e ouvir as influências na música de Cesar, ainda mais pelo respeito que ele às apresenta.

Daí, o passo seguinte foi manter um diálogo com o Cesar para que ele mostre o que tem na cabeça, nos dedos, na boca e no disco... Enfim, Baixem ai!

Como foi que você percebeu a música ia ser sua profissão? Você exerce outra atividade além da música?

Bom, primeiramente eu nunca pensei a música como profissão, ou como forma de sobrevivência, foi surgindo naturalmente. É aquela velha história, tem certas coisas que você não escolhe, é escolhido por elas. Comigo, e acredito que com muitos artistas, a história foi essa, desde criança algo me impeliu para a música, a composição principalmente. Na verdade convivo com duas paixões, que no fundo são complementares, as letras – leia-se filosofia, ciências sociais e literatura – e a música. Desde muito tempo, antes mesmo da adolescência, principalmente quando conheci a banda ‘The Doors’ e o camarada Jim Morrison, e ele que era letrado, poeta e tal, fui atrás de ler tudo o que ele leu, de Rimbaud, Baudelaire, Antonin Artaud, os beatniks, Blake, Nietzsche etc etc. Então sempre trabalhei conjuntamente às letras e à música, de tal sorte que acabei me formando em filosofia com estudos em sociologia ao tempo que também me dediquei e estudar música, o violão, que é o meu instrumento.

Como eu nunca fui muito fã de covers, sempre gostei de compor minhas próprias canções, então optei por ser professor de filosofia e sociologia enquanto deixo livre meu trabalho musical autoral. Mas não se trata de um hobby, me dedico bastante, invisto na carreira da maneira que posso e vamos seguindo. Confesso que não me preocupo muito no que vai dar. O que me preocupa é se o que eu faço – se minhas canções são significativas, se elas despertam o interesse do público formador de opinião. Muito embora hoje eu tenha maturidade suficiente para saber que as minhas canções são importantes para o cenário da música brasileira, embora não imprescindíveis, porque ninguém é, enfim, tem o seu valor, apesar de não receberem a merecida divulgação neste oceano cibernético.

Atualmente me dedico a pesquisar mais a nossa música, todos aqueles artistas fundamentais, o samba jazz, Noel Rosa, Milton Nascimento, Hermeto, Jorge Ben e tantos outros, a lista é bem grande, mas também o rock, principalmente o inglês. Uma fusão saudável, mas sempre prevalecendo essencialmente a música brasileira.

Quais sãos suas influências?

Então, são tantas que se eu for citar acabo injustiçando alguém. Por outro lado, nem todas as influências, nem todos artistas que gostamos estão diretamente ligados ao trabalho que fazemos. É o caso do Milton Nascimento, que pra mim é um gênio, o maior de todos, que eu acredito que ainda não aparece em minha música, embora no DVD eu compus uma instrumental cujo nome ‘Caxemira e Budapeste’ foi pensada naqueles temas modais que o Milton elabora muito bem, aquelas coisas belas, aqueles solfejos angelicais...

Elaboro uma música sem fronteiras como disse anteriormente, uma música que dialoga com todas as vertentes, o experimentalismo. Posso hoje compor uma canção simples, de melodia agradável, como posso elaborar harmonias pouco convencionais, mas que me agradam também. Como sou um artista independente, tenho a liberdade de fazer o que quero sem me preocupar com este formato padronizado que vigora hoje, esse mais do mesmo...

Outra questão fundamental, super importante, é a preocupação com a letra. Somos herdeiros de uma tradição brasileira de grandes compositores, letristas e poetas. A gente escuta cada coisa por aí, descuidada mesmo, e se esquecem que temos Noel Rosa, Cartola, Vinícius de Morais, Paulo César Pinheiro, Caetano, Chico, Gil, Milton, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Waly Salomão, Arnaldo Antunes, Walter Franco, Leminski etc, todos grandes letristas, poetas de nosso cancioneiro que deveríamos pelo ao menos respeitar. Então quando faço uma música, vou gravar, penso na mensagem também, sem ser panfletária, mas respeitando uma elaboração mais cuidadosa, instigante...

O que você ouve hoje em dia, no player?

Muita coisa, e as vezes nada, passo dias sem ouvir dando um tempo para a audição. Mas vou desde a música instrumental, o jazz, a música brasileira, ‘Gotan Project’, Toninho Horta, Jards Macalé, sempre ouvindo o que o pessoal do nosso tempo vem fazendo, que não é mais que uma releitura moderna do que já fora feita pelos grandes, por Jackson do Pandeiro, por Gonzaga, Jobim, mas que oferecem sim sua contribuição. Também não vou citar porque não seria justo com aqueles que por ventura não entrarem na lista. Hoje temos acesso a tantos arquivos, um acervo riquíssimo que se não fosse a Internet ficaria aí perdido ou restrito aos “escolhidos”... Então eu ouço em detalhes, quando pego um álbum para apreciar, é como um estudo, uma dissecação... Tem muito som bacana, bem elaborado que está fora do mercado, do ‘mainstream’...

Me fala sobre esse Projeto S.A.?

Aqui em Brasília eu formei uma banda chamada ‘Pacheco Fernandes’ (referência à construtora onde ocorreu o episódio dos trabalhadores em 1959, época da construção da capital, que teve uma manifestação trabalhista, uma morte oficial e tantas outras a se averiguar. Vide o ‘Conterrâneos Velhos de Guerra’ do Vladimir Carvalho). Fizemos alguns show na cidade, na Calourada UNB, Semana Universitária da Católica, Espaço Cultural Renato Russo etc, só que no fundo eu era responsável por tudo, pelos shows, pela música. Um dia o bateria, o camarada Marcelo Abreu, que toca comigo e está nesta labuta a tanto tempo, me deu toque, falou pra eu sair em trabalho solo, levar o esquema adiante com outro formato. Foi a partir daí, e isso já tem uns 5 anos, que eu comecei a trabalhar no ‘Projecto S.A.’ (ou ‘S.A.mbalance’), que é minha extensão, extensão do Cesar de Paula, enfim, é a banda que acredita, que leva adiante e oferece seus talentos para que as músicas tenham outras referências e contribuições tão valiosas desses excelentes músicos que me acompanham. Foi também quando eu conheci o talentoso contrabaixista e produtor musical Hamilton Pinheiro, que não só produziu meu primeiro Álbum como agora, bem recentemente, fez a direção musical do show do DVD que gravamos e encontra-se em fase de pós-produção, cujo nome provisório, não sei ainda, então provavelmente se chamará ‘Um labirinto’. Toda essa produção marcou minha entrada para um trabalho mais consistente e profissional.

Quem participou do disco Sambeat?

‘Sambeat’ é uma reunião bacana. Eu sempre tive a idéia de que Brasília deveria se unir mais, parar com esse comportamento do cada um por si. Busquei, dessa forma, reunir figuras, músicos, amigos que significassem um vínculo artístico com a proposta do álbum, mas ao mesmo tempo valorizando o encontro das pessoas, sem, contudo, querer tirar proveito disso, pois que se “a obra é boa não precisa, e se é ruim, não adianta”. Então no CD tem as participações do ‘Móveis Coloniais de Acaju’ (sopros) na faixa que dá nome ao álbum ‘Sambeat’, tem as meninas do ‘Casa de Farinha’ na faixa ‘Fusão Nordestina’, o excelente violonista e professor Paulo André Tavares, o ‘Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu’, o grupo de percussão alternativa ‘Som Catado’ (na época com esse nome, porque os caras mudam direto, e aí eu não posso ficar lançando uma nova edição do CD só porque eles resolvem mudar o nome do grupo), Yara Veratto, Wilson Bebel, Rimador Israel e Rafa Black e Sandro Araújo (baterista do Diogo Nogueira), além dos músicos Natan Soares, Hamilton Pinheiro, Ricardo Nakamura e Marcelo Abreu.

No DVD que acabamos de gravar no excelente Teatro SESC Newton Rossi na Ceilândia (DF), formamos uma super banda de 12 músicos com participação da talentosa MC Flora Matos, que está em São Paulo mas que é prata da casa, e dos irmãos Rimador Israel e Rafa Black, molecada do hip hop da Ceilândia. Então tivemos mais uma vez o prazer de compartilhar o palco com Yara Veratto e Larissa Vitorino (backing vocals), Léo Barbosa do ‘Marambaia’ (percussão), Ismael Rattis (percussão), Natan Soares (guitarra), Bety Vinyl (derbak), Hamilton Pinheiro, Marcelo Abreu, Beto Almeida (piano fender rhodes, hammond e teclado), Raido Ratto e a rapaziada dos sopros. Imagine essa galera toda no show, na estrada, complicado...

Para facilitar as coisas, eu tenho alguns formatos de shows, um mais básico e outro mais completo que seria essa formação do DVD. Depende muito da proposta e das condições oferecidas, sabe como é...

Como é que está o cenário da música em Brasília?

O cenário é bom, sempre desponta grupos, músicos e artistas talentosos. O que não é bom é a produção, os espaços. Acredito que tem um certo amadorismo dos produtores locais, não sei, talvez não conheça muito, mas esse pessoal investe no lugar comum, e os artistas talentosos, que tem um trabalho autoral significativo, e até comercial, ficam aí, de porta em porta pra conseguir espaço. Acredito que a cidade tem tudo para despontar, pra fazer parte do “grande eixo”, mas faltam produtores e investidores ousados, criativos para isso. É certo que tem as dificuldades, ninguém consegue sustentar eventos, projetos culturais sem incentivo, sem grana, sem um retorno, além do mais, aqui não existem patrocinadores, então é algo bem amador ainda, eu diria, mas sendo otimista, acredito que tende a melhorar porque a demanda leva a isso. Uma diversidade de produção, o rock, o chorinho, a MPB, o pop, o instrumental. Brasília produz tudo isso muito bem, mas falta o divulgador, o cara que vai promover, fazer a coisa seguir adiante. Se o próprio artista não for o empresário, o produtor, o publicitário de si mesmo, a tendência e ficar na mesma. Então somos de tudo um pouco, artista, empresário, publicitário. Se houvessem pessoas com um olhar mais visionário, um olhar adiante de seu tempo, acredito que o cenário estaria bem melhor. Enfim, não podemos ficar só reclamando, é arregaçar as mangas e correr atrás, principalmente conseguindo espaços fora da capital para que o trabalho, muitas vezes de qualidade, não perca sua força por falta de reconhecimento e visibilidade. Ainda estou batalhando pra isso, fazer com que meu trabalho chegue nas pessoas dentro e fora de Brasília, e estou convicto de que se elas tiverem acesso ficarão deslumbradas com o ‘Projecto S.A.’.

Você tem se beneficiado com a onda de downloads pela internet? Como você tem se preparado para essa nova onda?

Nem é mais nova onda, não é? Já foi! Esse é o esquema! Não tem como fugir... O meu álbum ‘Sambeat’ já está disponível no meu site. Também não acredito que isso atrapalhe a vendagem dos discos, até porque essa não é mais a questão. A visibilidade e a qualidade são o que importa, então ficar nessa briga capitalista das ‘majors’ é nadar contra a maré e diz respeito a um grupo que em nada ajudou o artista brasileiro nos confins desse imenso país. Interessa a eles a manutenção dessa fórmula padronizada, da “regressão da audição” a que se refere Theodor Adorno. Beneficio-me sim, mas ainda é necessário se fazer conhecido para que as pessoas busquem, se interessem e tenham coragem de ousar, de ouvir algo fora do senso comum, então nos shows é o melhor contato, e claro, a Internet é uma aliada indispensável quando utilizada com criatividade, uma ferramenta que aproxima, que estabiliza e oferece condições mais justas para que o artista independente ou de pouca visibilidade tenha o seu lugar ao sol.

2008 Sambeat

1. Ô minha nêga
2. Malandragem brasileira
3. Sambeat
4. Boca da mata
5. Afrobrasileiro
6. A lua e o sol
7. Fusão nordestina
8. Filosofia
9. Berimbau de crioula (Vinheta)
10. Carnaval
11. Falta d’água
12. A morena chegou pra abalar
13. Sambeleza

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3 comentários:

Cesar disse...

Opa. Bom, gostaria de ouvir a opinião de quem baixou o àlbum, algum comentário, se gostou, se é interessante... Isso é importante para o nosso trabalho musical.

Sim, não deixem de conferir o DVD em breve: disponibilarei parte dele no youtube.

Um grande abraço,

Cesar.

Pedro disse...

E ai...
Achei o disco foda...
Mas fiquei curioso mesmo para ouvir a influência do Milton-o-maior-de-todos na música do César.

Cesar disse...

Bom, eu disse que nem todos os artistas que ouvimos estão claramente inseridos no resultado de nossa criação. Foi o que afirmei sobre o genial Milton e toda turma de Minas... A não ser, repito, na instrumental que estará no DVD a sair em breve.

Abraços.