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domingo, 5 de outubro de 2014

BARULHO FEIO DA MENTE DE ROMULO

Compositor paulistano lança quinto disco da carreira solo entre o silêncio e a palavra, o samba e o experimental. 



O álbum 'Barulho Feio' mostra um Romulo Fróes hermético e cheio de caos e simplicidade, com as participações de Marcelo Cabral (baixo elétrico e acústico), Guilherme Held (guitarra) e Thiago França (saxofone). Pode ser um disco de samba, mas também pode ser experimental, bem como também da nova safra de música popular brasileira.

Romulo vêm como um cão calado que morde para depois assoprar. 'Barulho Feio' abre com a cacofônica 'Não há, mas derruba' para em seguida dar lugar para a delicadeza de 'Na minha boca'. Nesse disco, a rua está presente como fio condutor entre todas canções, criando uma unidade para todo o conjunto – como deixa bem claro na canção seguinte. 'Pra comer' é delicada e ao mesmo tempo cheia de brutalidade.

O violão de Fróes pontua 'Como um raio', seguida pela voz clara e nua em 'Poeira' – “poeira os olhos dentro d'água” diz a letra de Nuno Ramos dentro da melodia de Mariana Aydar. Porque o disco é sobre melodia do silêncio e da palavra – como bem exemplificado na canção-título, 'Barulho feio'.

Em 'Espera' Fróes faz um dueto com Juçara Marçal, sobre os sons de rua que apesar de permanecerem em segundo plano estão sempre prevalecendo entre uma canção e outra. 'Ó' trás referências e reverências às canções de bossa-nova, com a desconstrução total de todos elementos que tornaram o movimento tão bem sucedido.

'Peixinho triste' foi composta por Lanny Gordin, Held e Ramos, onde os sons da rua se confundem com a melodia, criando uma ponte perfeita para a próxima faixa, 'Cadê'. Na sequência 'Se você me quiser', mais um exemplo do bate e consola deste álbum. 'Noite morta' segue distorcendo e entortando até não sobrar osso sobre osso.

Em 'O que era meu', Fróes transforma o ouvinte nas cordas do violão (ou guitarra) no momento de afinação do instrumento. Esticando e tencionando todas percepções auditivas. 'Para ouvir sua voz' retira toda tensão aplicada na afinação forçada para dar lugar à delicadeza bela e simples. Encerrando na singela 'A luz dói'.

O álbum 'Barulho Feio' é uma obra coerente e coesa entre si e todos outros discos lançados este ano. Com este disco, Romulo se detém como maestro de uma geração – ditando modelos e retirando quaisquer limites quanto gêneros, ritmos e estilos.

2014 Barulho Feio

1. Não há, mas derruba
2. Na minha boca
3. Pra comer
4. Como um raio
5. Poeira
6. Barulho feio
7. Espera
8. Ó
9. Peixinho triste
10. Cadê
11. Se você me quiser
12. Noite morta
13. O que era meu
14. Para ouvir sua voz
15. A luz dói

Um comentário:

Carlos Galacho disse...

muito bom !!!! ouçam sem dó !