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domingo, 21 de abril de 2013

LIGIANA ENCONTRA FLORESTA QUE REVELA A FLORESTA

De como a cantora se juntou ao maestro para criarem uma ópera-batuque em homenagem ao passado, presente e futuro.


O novo disco de Ligiana nasceu muitos anos antes, mas ninguém sabia disso ainda, nem mesmo a própria cantora. Nasceu junto com a própria artista, antes que ela mesmo decidisse trilhar a carreira como musicista. Estava encrustado em sua pele por toda a infância, e ficou pelas memórias e lembranças desde então.

Com produção e arranjos do maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilez, Ligiana compôs uma obra singular com um pé na tradição de batucada e outro no lirísmo concertista, o disco intitulado 'Floresta'. A cantora é filha de mãe mineira com o jornalista maranhense, Celso Araujo, que também é cantor, compositor e filho da Floresta homenageada por esta singela ópera.

Destaque para o disco todo em si, uma vez é impossível separar as canções de sua ordem no álbum. 'Floresta' é um álbum a ser contemplado. Uma forma orgânica, viva e de força própria. Toda essa força emana através da cantora, que se transforma na essência de artista que sempre carrega consigo.

O disco foi todo gravado em quatro madrugadas intensas, com Marcio Diniz na bateria e percussão, Ayrton Zettermann nos baixos e contrabaixos, Gerson Silva nos violões e outras cordas e Bruno Aranha no piano – Tito Oliveira, Idson Galter, Juninho Costa e Marcelo Galter tocam respectivamente os mesmos instrumentos na faixa 'Boi de Catirina'.

No final do processo, foram adicionados mais percussões, cordas, sopros e vocais, para tudo ser mixado por André T. ao lado de Letieres. Com esse álbum, Ligiana pretende apresentar um espetáculo com verve cênica. Neste álbum ela é a Floresta.

Conversei com Ligiana e Letieres sobre este belo projeto.


Ligiana, como você chegou ao Letieres? E como foi trabalhar com ele?
Nos conhecemos na Bahia e de cara vimos que podíamos fazer música juntos. Letieres é um inquieto dos sons, um gênio generoso e nos encantamos um pelos universos sonoros do outro. Dei carta branca para os arranjos e produção dele, e ele foi muito cuidadoso e delicado ao se aproximar do repertório que eu havia compilado, trabalhamos muito juntos e em sintonia altíssima. O fato de se tratar de um disco independente é muito positivo neste caso, não fizemos nenhuma concessão, colocamos nossos desejos e loucuras inteiras no disco e acho que isso faz do resultado algo bem honesto.

...E você Letieres?
Na realidade quando conheci Ligiana, não estava ainda em questão realizar algum trabalho juntos... Mas sabia que se algo realizássemos seria muito interessante por causa da musicalidade e conhecimento que ela possui.

Como você definiu a linha de produção do álbum?
Um trabalho simples e bem objetivo baseado na idéia de um trio de base (com participações extras pontuais) num estilo de gravação direta com o mínimo de interferência (num conceito “ao vivo”).

Ligiana, como você vê essa forma de gravar o disco ao vivo? Sem interferência alguma no processo...
Eu venho de música de câmara, de conjunto. Para mim esta é a forma mais fundamental de fazer música... fazendo juntos! Não trabalhei assim no primeiro disco mas fiquei feliz de ter feito 'Floresta' desta forma viva e vibrante. Acho que os deuses da música agradecem sempre que a tratamos assim, de maneira ritualística.

Como você define esse álbum?
Acho que o disco reflete o que de melhor eu podia fazer neste momento da minha vida, e isso já é bastante. Fiquei feliz por ter ousado vocalmente, passeado em territórios que podem até parecer inusitados de colocação vocal mas que fazem parte da minha historia com a música. Eu aprendi muito gravando e trabalhando com Letieres, que tem pilares muito firmes na forma de abordar a música, isso é muito tocante... Um deles, por exemplo é a questão rítmica e o respeito às claves. Isso transforma a forma de cantar, de dizer o texto. Foi um desafio
maravilhoso!

Letieres, tive a forte impressão do disco ser uma obra completa... Quase uma ópera... Uma ópera-batuque. Qual é a sua impressão pessoal sobre o álbum?
Pessoalmente não acredito que a parte batuque (nome genérico da percussão afro-brasileira) seja tão preponderante neste trabalho (duas são as músicas com percussão).
Acho que o foco está claramente nas interpretações magistrais de Ligiana.


Ligiana, você compôs várias faixas do disco? Como foi assumir esse lado de compositora?
Sim, a maioria das canções são minhas, muitas em parcerias com Juliana Kehl, Chico César, Celso Araujo, Marcel Martins e Lucas Paes. E algumas são pérolas, como é o caso da canção do Haiti, que dialogam muito bem com o repertório autoral, assim como é o caso da versão que meu pai fez
para uma canção de Pino Daniele.
Letieres me deixou muito segura para cantar composições minhas, valorizou meu lado compositora e criadora, isso foi fundamental.

Ligiana, você comentou que o disco homenageia sua avó... Essa homenagem foi pensada? Programada?
Floresta era o nome de minha avó paterna, maranhense. O disco não começou a existir a partir de uma homenagem a ela. A energia dela que veio se aproximando do disco até se tornar o próprio disco. Eu brincava que o disco deveria se chamar “Que no Planeta haja Música e Dança, a Cidade e a Floresta, o Silêncio e a Conversa entre Irmãos”, que é o trecho final da canção que abre o disco, 'Malabares'. Eu gosto dessa frase porque ela é positiva e engloba minha visão de existência, mas é claro... É longuíssima!
Então pensei em Floresta e na hora veio o estalo: meu Deus! Sou neta da Floresta! O Maranhão, estado dela e do meu pai (que é meu parceiro) foi aparecendo pra mim, decidi gravar a 'Canção de Sousândrade' que meu pai compôs a partir de poemas deste grande poeta maranhense do século XIX, que ele canta pra mim desde criança. Depois descobri o 'Boi de Catirina', que é uma historinha a parte - eu e Letieres ouvimos este boi e eu mandei pro meu pai perguntando se conhecia... Ele me respondeu “claro, sua avó adorava cantar isso”... Dizer o que mais? E depois, já perto de gravar o disco, compus junto com Letieres 'Corda e Mearim', uma vinheta que fala da Floresta e das florestas (o nome faz referência aos dois rios que se encontram em Barra do Corda, a cidade onde ela nasceu).
Mas nem todo o repertório se relaciona com Floresta, apesar de que sinto que todas as canções são habitadas por uma espécie de entidade em comum, a floresta aqui é a avó, é a ancestralidade, somos nos mesmos.

Letieres, como foi trabalhar com Ligiana?
Te respondo que raras são as oportunidades de se puder trabalhar com uma cantora com tanto estofo. Uma artista com uma percepção e formação pratica e teórica tão ampla e criativa, tornando o trabalho um agradável passeio.

Ligiana, quais são os planos pra o lançamento do disco?
Meus planos são cantar e fazer com que 'Floresta' seja ouvida! Não temos ainda datas de shows completamente confirmadas mas as pessoas podem ficar atentas no facebook e no site! Em breve espero ter datas. Minha vida agora anda mais corrida porque tenho um programa diário na Rádio Cultura FM.
Mas quero muito ver 'Floresta' nas ruas e nos palcos!



2013 Floresta

1. Malabares
2. Desperta
3. Rouge
4. Esmeralda
5. La mizé pra dous
6. Canção de Sousândrade
7. Salsa petrarca
8. Vem a tempestade
9. Corda e Mearim
10. Boi de Catirina
11. Um pássaro

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