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domingo, 10 de outubro de 2010

MEU BAIÃOZINHO NO AR, QUE ME ENSINOU A VOAR

Assis Medeiros é um cara que faz um som altamente popular, que emula o progresso junto com a tradição e com uma poesia moderna. Seu disco mais recente, ‘Baiãozinho Nuar’, é um álbum duplo, dividido em dois exemplares distintos. O primeiro traz um lado acústico, representado por um baião com arranjos suaves, o segundo tem a pegada de um rock’n’roll popular.

O legal do ‘Baiãozinho’ é que a delicadeza dos arranjos é um contraponto perfeito para as letras concretas que o Assis faz. ‘Vinte léguas de amor’ abre o disco 1 e fecha o disco 2 (com arranjo plugado). ‘Vento geral’ tem poesia sublime e arranjo delicado e é cantada quase em sussurro por Assis. ‘Acolá’ é uma sutil balada que entoa o nordeste, onde é quase possível sentir a maresia, o vento no rosto e a areia entrando nos olhos. ‘No quebrar damaré’ parece ter força própria, evocando Iemanjá, Boi Tatá, Orubá e Oxalá.

Já o ‘Nuar’ tem todas as características próprias da faceta rock popular de Assis. O blues ‘Não’ carrega o DNA do Assis na guitarra – ele tem uma pegada forte e característica como poucos em Brasília. É muito bom ouvi-lo improvisando na guitarra! Mas o que seria dum disco do Assis, sem reggae... ‘Coisa de maníaco’ tem o ritmo e tem trombone e trompete também. ‘Solitário’ traz a poesia forte e concreta de Augusto dos Anjos num arranjo delicioso, que também tem a cara do guitarrista que o Assis é... ‘Sobrevoar’ é mais um belo exemplo do poder de Assis em criar baladas cheias de sutileza.

Quem curte o som do Assis Medeiros, desde a época do seu primeiro disco, ‘Burrodecarga’ – ou do EP com Hamilton Oliveira e Ana Costa, Pirata – pode estranhar o som do ‘Baiãozinho’, mas vai se deliciar com ‘Nuar’. O fato é que os dois discos se completam, sem necessidade de dissociar um do outro.

Porque gravar um disco com arranjos acústicos?

O baião faz parte da minha vida, desde a infância. Nas festas da década de 80 em João Pessoa/PB rolava muito forró e Luiz Gonzaga era rei de verdade, então aquilo sempre esteve na minha memória emotiva. Eu vinha compondo uns baiões e quando vi tinha um disco. Foi isso que aconteceu. Além disso, o baião já é um ritmo universal: Chico Buarque e muitos outros fazem baião (já é como samba, sabe!). Aí eu achei que deveria fazer um disco acústico de baião, mas sem triângulo, sem barulhinhos eletrônicos e, principalmente, sem guitarra. Senão, iria ficar igual a tudo o que se faz hoje (música nordestina com guitarra e eletrônica - e vem aquele pessoal me comparar com Lenine e Chico Ciência....putz, isso é um saco!). Decidi que o disco seria acústico e com uns arranjos sinfônicos. O Baiãozinho tem quarteto de cordas, naipe de metais, cornet inglês...é um baião mais calmo e tranquilo (até pela forma como eu canto!). E os arranjos foram escritos pelo meu amigo Leonardo Batista (um grande músico e maestro). Muita gente que curte o ‘Burrodecarga’ não gosta do Baiãozinho (o pessoal rock’n’roll torce o nariz porque é um disco absolutamente diferente - mas essa era a intenção!). Já o segundo disco, ‘Nuar’, é mais parecido com o ‘Burrodecarga’. Aí tem amigos que só escutam o segundo disco, rárárá. Mas o meu coração é dividido entre a viola de 10 cordas e a guitarra neste novo CD.

E porque um disco duplo?

Ah, eu achei que seria interessante lançar dois discos de uma só vez. Antigamente (década de 80, 70) isso era bem comum. Hoje talvez seja uma “loucura” para o mercado. Mas a idéia é que o público entenda melhor que eu tenho vários estilos. Afinal eu sou um depravado musical. Ao mesmo tempo, eu não acho que o disco ‘Baiãozinho’ seja regional (Alceu Valença também não acha que os discos dele sejam regionais!). Criou-se essa coisa de regional porque vem do Nordeste (a periferia para a imprensa sulista). Se fosse regional, o samba também seria e não é. O baião é tão universal quanto o rock. E um disco duplo em 2010 é uma ousadia, como falou o crítico João Pimentel ("A ousadia rendeu bons frutos como as faixas Vento geral, Solitário e Não", Jornal O Globo, 5 de outubro de 2010). Pra falar a verdade eu gostei muito do formato duplo. É capaz do próximo ser duplo também (tô pensando em fazer um cantado e um instrumental - vai ser legal o pessoal questionando se eu faço música instrumental, rárárá). Outra ideia é fazer um disco infantil.

O que você acha de free-downloads na internet?

No mercado musical de hoje o mais importante é divulgar o trabalho (e não vender disco, como era antigamente!). As gravadoras estão com a vela na mão, então é muito importante que o artista independente entenda que o free-download é uma ferramenta para ganhar o público. O ‘Baiãozinho Nuar’ é distribuido e vendido pela ‘Tratore’ e isso é ótimo porque quem gostar muito do disco e quiser comprar, compra. E tem mais: não há como controlar o disco rolando na Internet. Mesmo que eu fosse contra não iria adiantar: logo, logo o disco estaria disponível. Então eu não vou brigar por causa disso. Pelo contrário, eu uso isso em meu favor. Já ganhei um monte de fã que me conheceu depois de baixar o disco. E digo mais: um monte de gente depois de baixar, comprou o disco. O que eu sou contra é o cara usar minha música pra algum projeto que gere grana e não pagar a minha parte. Nesse caso, é roubo (o cara usa o trabalho alheio pra se beneficiar monetariamente!). Mas se for pra curtir a música e ir ao show, tá lindo.

Grande abraço,
Assis Medeiros

2010 Baiãzinho Nuar

Disco 1 – Baiãozinho
1. Vinte léguas de amor
2. Baiãozinho nuar
3. Vento geral
4. Coqueirinho
5. Bicho sonhador
6. Acolá
7. Assombração
8. No quebrar damaré
9. Canto torto
10. Uma tarde linda
11. Rondó de cheiro

Disco 2 – Nuar
1. Cobra coral
2. Não
3. Pelo lado esquerdo
4. Inteira
5. Coisa de maníaco
6. Solitário
7. Pegadas
8. Sobrevoar
9. Vinte léguas de amor

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