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domingo, 22 de agosto de 2010

VANDRÉ É O CARALHO! MEU NOME AGORA É GERALDO PEDROSA, PORRA!

A história deste homem é um dos mistérios mais mal contados, de toda a história da música brasileira. Este mito começou nos anos de chumbo da ditadura militar brasileira.

Geraldo Pedroso de Araujo Dias nasceu em João Pessoa no ano de 1935, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1951, onde cursou direito na UERJ (antes Universidade do Estado da Guanabara). A carreira musical de Geraldo Vandré começou meio na bossa nova – quer dizer com a turma da bossa nova – mas a influência do jazz já era forte em Vandré, que em 1964 lançou o primeiro LP.

Em 1966, sua banda de apoio o Trio Novo, formada por Theo de Barros, Heraldo do Monte e Airto Moreira. Mais tarde o trio virou ‘Quarteto Novo’ ao ganhar um novo integrante, Hermeto Pascoal, que inclusive compôs em parceria de Vandré, a legendária canção ‘O ôvo’ gravada no LP do ‘Quarteto Novo’. O que nem todo mundo sabe é que a canção tem letra e às vezes Hermeto canta nos shows. “Eu tenho uma galinha que põe 100 ovos por mês, mas não consigo entender porque vem três de cada vez. No meu quintal tinha 50 mil galinhas e vendi tudo pra vizinha, Mariquinha. Agora só fiquei com um pintinho novo e comecei tudo de novo com o ôvo”.

Nesse mesmo ano, Vandré apresentou ao vivo a canção ‘Pra não dizer que não falei das flores (caminhando)’. Foi nesse momento que o mito começou... Com medo da repressão da ditadura, Vandré se auto-exilou no Chile. Dizem que o cantor foi torturado, castrado, lobotomizado, que ao retornar ao Brasil anunciou a morte de Geraldo Vandré. Vive até hoje como Geraldo Pedrosa, recluso e solitário, sempre negando os mitos envolvendo o personagem Vandré. Compôs até uma valsa poema em homenagem à FAB, ‘Fabiana’, o que apenas reforça todos esses boatos.

Reza uma outra lenda, que Vandré soube que os militares estavam em seu encalço, na véspera de uma apresentação em Brasília, em que ia ser acompanhado pelo Quarteto Livre, que tinha como integrante outro Geraldo, o Azevedo. Geraldo Azevedo compôs em parceria com Vandré a bela ‘Canção da despedida’, baseada nesse episódio.

Quem sabe um dia, o Vandré volte de onde quer que estiver, neste auto-exílio mental ao que se propôs... Quem sabe ele volte tocando guitarra, eletrificando em disparada...

Porra Vandré! A vida não se resume a festivais...

1964 Geraldo Vandré

1. O menino das laranjas
2. Berimbau
3. Ninguém pode mais sofrer
4. Canção nordestina
5. Depois é só chorar
6. Samba em prelúdio
7. Fica mal com Deus
8. Quem é homem não chora
9. Tristeza de amar
10. Só por amor
11. Pequeno concerto que ficou canção
12. Você que não vem

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1965 Hora de Lutar

1. Hora de lutar
2. A maré encheu
3. Despedida de Maria
4. Dia de festa
5. Ladainha
6. Asa branca
7. Samba de mudar
8. Canta Maria
9. Aruanda
10. Vou caminhando
11. Canto de mar
12. Sonho de um carnaval

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1966 5 Anos de Canção

1. Porta estandarte
2. Depois é só chorar
3. Tristeza de amar
4. Réquiem para matraga
5. Canção do breve amor
6. Fica mal com Deus
7. Rosa flor
8. Pequeno concerto que virou canção
9. Se a tristeza chegar
10. Canção nordestina
11. Ninguém pode mais sofrer
12. Quem quiser encontrar o amor

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1967 Quarteto Novo (como compositor)

1. O ôvo
2. Fica mal com Deus
3. Canto geral
4. Algodão
5. Canta Maria
6. Síntese
7. Misturada
8. Vim de Sant'Ana
9. Ponteio
10. O cantador
11. Zanzibar

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1968 Canto Geral

1. Terra plana
2. Companheira
3. Maria Rita
4. De serra, de terra e de mar
5. Cantiga brava
6. Ventania (de como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando)
7. O plantador
8. João e Maria
9. Arueira
10. Guerrilheira

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1968 Compacto

1. Pra não dizer que não falei das flores (caminhando)
2. Fica mal com Deus

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1973 Das Terras de Benvirá

1. Na terra como no céu
2. Das terras de benvirá
3. Vem, vem
4. Canção primeira
5. De América
6. Sarabanda (a festa do lobisomem)
7. Maria memória da minha canção
8. Bandeira branca

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1979 Geraldo Vandré (Coletânia)

1. Pra não dizer que não falei das flores (caminhando) - ao vivo
2. Porta estandarte
3. Depois é só chorar
4. Tristeza de amar
5. Réquiem Para Matraga
6. Canção do breve amor
7. Fica mal com Deus
8. Rosa Flor
9. Pequeno concerto que virou canção
10. Se a tristeza chegar
11. Canção nordestina
12. Ninguém pode mais sofrer
13. Quem quiser encontrar o amor
14. Pra não dizer que não falei das flores (caminhando) - estúdio
15. Menino das laranjas
16. Quem é homem não chora
17. Berimbau
18. Samba em prelúdio

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1984 Paixão Segundo Cristino (como compositor)

1. Paixão segundo Cristino parte 1
2. Paixão segundo Cristino parte 2

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11 comentários:

ayresrio disse...

Que história arrepiante e triste,para
alguem,que influenciou toda uma geração.
Até hoje eu assobio a canção Caminhando, pois considero um marco de liberdade a todos daquela época.
Grande postagem Sr.OVO.
ABRAÇOS AYRESRIO.

Edison Junior disse...

Ótimo post! Gostei dos downloads, não é fácil achar os CDs dele.

Lawrence David disse...

Cara, sei que não venho muito aqui comentar, mas sou fã do IEgg. Por isso votei nele pra "blog de ouro".

Sergio disse...

Meu caro "que Ôve", também inicio com as desculpas por pouco comentar, apesar de ser um fã do teu blog. Mas vamos ao Geraldo aqui em questão: Nas tuas pesquisas por um acaso você não passou pela parte francesa do exílio dele? Pergunto isso porque lá pelos meados dos anos 70s, tive a oportunidade de ouvir um disco da RTF (Rádio e Televisão Francesa), com gravações dele na França. Ele foi o primeiro artista brasileiro que teve a chance de experimentar e gravar em 16 canais e, até onde me lembro eram belos experimentos com muita harmonia vocal. Lamentavelmente, os discos foram roubados do apê de meu amigo que tinha esses discos, estudante da USP.
Como tua pesquisa foi a melhor que vi a respeito do Dr. G. Pedrosa, acho que valeria uma pesquisa mais apurada.

Ainda lembro que ele sempre era visto no centro velho de Sampa, na rua 7 de Abril, onde tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, mas de antemão, já sabia que não deveria tocar no assunto musical, conforme a indicação de quem fez a apresentação.

Mas repito, que o disco da RTF era digno de ser lançado aui no Brasil. Vale a pena pesquisar, com certeza!

Parabéns pelo trabalho

Sérgio Rocha
SP

na sarje disse...

muito bom o trabalho realizado no espaço eu ovo. belo repertorio, comentarios e/ou pesquisas.

sua postagem recente sobre o vandré e a disponibilização de uma obra que vinha sendo velada, ocultada e esquecida, ajuda a reafirmar que esse artista realmente existiu e o quanto é valiosa sua poética.

como hoje em dia (e sempre) se fala muito em conspirações, poderiamos sugerir com o silencio de todas as midias e do prorpio vandré, que tal pessoa nunca existiu, que foi inventada, etc.

e mesmo que tudo incite em informar que ele não existiu, que não há relevancia em mencionar sua obra em homenagens e documentarios sobre a musica brasileira, ele está aqui, andando pelas ruas de alguma cidade, sendo assobiado por alguem e se reinventando entre mistérios e lendas.

parabens pela qualidade do ovo e por sempre mante-la.

koisan uchoà
www.nasarje.blogspot.com/

visite ae esse espaço, há algumas poesias por lá.

se possivel poste algum comentário. abraços da sarje.

Thiago William disse...

Um ou dois anos atrás na faculdade ao debater o tema comentei o tema com uma professora de ciências sociais e ela disse ter tido a triste experiência de conversar com o Geraldo, disse que é totalmente alheio ao que acontece ao seu redor.

Também li a um tempo que até hoje que ele vive andando com um casaco da FAB e mal se pode falar dos militares perto dele.

Não sei o que fizeram ao Vandré, ou o que ele se fez, mas artistas ousados e inteligentes como ele fazem falta.

leo brasil disse...

E aí, mano?
tudo na paz?
Como sempre fazendo um trabalho maravilhoso.

Cara, o seguinte, sobre esse grande artista do brasil, esquecido, ou desaparecido, tenho uma informação massa.

Eu trabalho com som, mixagem e trilhas em um studio de animação, enfim, a título de curiosidade, depois acessa aí:
www.copastudio.com

Anyway, eu tenho uma amiga, mariana filgueiras (cujo marido sandro menezes trabalha comigo no studio), que trabalha na redação do fantástico. Conversando com ela na net, sugeri procurar o geraldo vandré, que eu sempre fui maior fã, e que estava sumido morando no interior de sampa, andando com roupa da aeronáutica pra todo lado sem falar com ninguém.

resumo da ópera: desde 1973 (segundo semestre), quando voltou do exílio, sem conceder uma entrevista, ele concordou em dar a entrevista no clube da aeronáutica do rio de janeiro, e ao contrário do que eu pensei, ele apareceu e deu a entrevista pra um conceituado entrevistador jornalista da globo, geneton moraes.

A entrevista foi ao ar na globo news, e está no site da globo.
Muito bom o material.
Detalhe, o compacto que ele autografa durante a entrevista é meu! uhuuuu!
Os lp`s tbem, mas ele não quis autografá-los, só autografou o compacto.

enfim, espero que gostem.

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1620961-17665-337,00.html

Camisa dez da Gávea disse...

Impressionante! Apesar de conhecer diversas músicas dos álbuns dele, nunca havia encontrado um destes na íntegra.

Obrigado por isto, Mr. Eu Ovo!
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"Quem é homem de bem, não trai: o amor que lhe quer, seu bem... quem diz muito que vai: não vai, assim como não vai: não vem... quem de dentro de si não sai: vai morrer sem amar, ninguém... Capoeeeira mandooou dizer que já chegou, chegou para lutar!"

Ravel disse...

Salve, amigo Ovo!

Belíssimo texto! Tbm escrevi sobre Vandré em meu blog, na verdade um comentário geral sobre os discos dele:

http://www.arquivoscriticos.blogspot.com.br/2014/04/vandre-utopia-e-elegia.html

Sobre eletrificar "Disparada", é engraçado, mas tinha a impressão, antes de voltar a ouvir depois de muito tempo, que aquela introdução era com guitarra elética, haha.

E viva Vandré!

Elias Tomaz disse...

Pessoal todos os links estão fora, tem alguma possibilidade de reativá-los? Aguardo e agradeço.

nana disse...

Poxa vida, nenhum link mais tá no ar :/ Será que volta?