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domingo, 23 de maio de 2010

MEDO E DELÍRIO NO TERREIRO DO JAZZ

O Guizado avisou que o disco novo ia vir com mais letras, mais verbos, mais cantoria. E era verdade... Das 11 faixas do álbum, apenas cinco são instrumentais, contra seis cantadas, com letras, verbos e tudo mais. Vale lembrar que o disco anterior, ‘Phunx’, era instrumental.

O disco ‘Calavera’ tem uma levada tão marcante que funciona como hipnose. A primeira faixa, ‘Amplidão’, leva a crer que os barulhinhos espaciais vão reinar absolutos num universo de cacofonia, mas logo apresenta rica melodia e bela letra. Isso mesmo. Eu disse, letra.

‘Asfalto quente’ é instrumental, mas consegue transparecer um suspense tangível, no qual é quase possível sentir o asfalto queimando, o suor batendo, o suor batendo... Em ‘Girando’ a letra é cantada com muito efeito, o que faz bem à canção. Mais barulhinhos de robôs.

‘Mais além’ tem uma batucada doo bop. Algo como Miles Davis encontra cultura popular brasileira. O Guizado promoveu um encontro do espaço com o sertão. Medo e delírio no terreiro do jazz.

Mais um ‘Rolê beleza’ com cara de cumbia, bregão, guitarrada... O que você quiser... A verdadeira maionese. Todas influências estão ai, explícitas pra todo mundo ouvir. Essa faixa para mim é pura ‘Sessão da Tarde’. Todos estilos e influências.

‘O marisco’ esconde uma letra de pura poesia concretista que “o mar esconde um lugar que está lá pra chegar, como em qualquer lugar”. Sacou? ‘Skate phaser’ é um belo dueto do Guizado com a CéU, com direito a solo de game-boy.

‘Calavera’ e ‘Wow’ são belas peças intrumentais, leves e pesadas na medida certa, respectivamente... Mas é ‘Vendaval’ que tem a função de fechar o ciclo deste Guizado, incluindo-o no gênero das músicas de grandes estádios. Radiohead X Beirut X Tambores de Burundi.

Enfim, o Guizado tem todas influências aparentes para quem quiser ouvir e curtir. E quem seria ele sem essa banda maravilhosa na retaguarda? Guizadoman é o Guilherme Menezes, que também é o Guizado, que também é a banda formada pelo Curumin na bateria, Rian Batista no baixo e Régis Damasceno na guitarra.

2010 Calavera

1. Amplidão
2. Asfalto quente
3. Girando
4. A emanação dos sonhos
5. Mais além
6. Rolê beleza
7. O marisco
8. Skate phaser
9. Calavera
10. Vendaval
11. Wow

Abaixar pelo Álbum Virtual

Um comentário:

Filho da Ada disse...

Consegui esse disco nesse fim de semana e, com toda certeza desse mundo, posso dizer: umas das coisas mais lindas e nervosas que eu já ouvi nesse ano!

Melodias como essas, nunca tinha ouvido em vozes de lingua portuguesa.

Att.
José Raupp
www.filhodaada.blogspot.com