domingo, 30 de agosto de 2015

O ROCK DE BREQUE DE DUDA BRACK

Cantora gaúcha apresenta estréia poderosa e fulminante com canções autorais da nova geração de compositores. 


A cantora Duda Brack apresenta álbum de estréia. 'É', com uma poderosa e fulminante parede sonora. É um disco de banda, um disco de baixo, de guitarra e de bateria, Yuri Pimentel, Gabriel Ventura e Barbosa respectivamente.

Mas também é um disco de canções na voz feminina e no violão na faixa de abertura, 'Eu sou o ar', de autoria de César Lacerda. Em 'Vaza' a cantora tem a participação de Bruno Giorgi, o produtor do álbum nas guitarras. 'Lata de tinta' nasce com um blues sentido, mas cresce para um final épico e apoteótico.

'Dez dias' é de autoria de Dani Black e tem a participação de Lucas Vasconcelos no piano. 'Venha' é de autoria de Celso Viáfora e Paulo Monarco. As canções do disco de Duda Brack são encorpadas e crescem a medida que chegam ao fim. 'Te ver chegar' vem corroborar com essa afirmação. Assim com a pesada 'Cadafalso', canção de Carlos Posada.

'A casa não cairá', de Caio Prado, encerra o álbum com peso e batida acelerados. O som da cantora gaúcha, radicada no Rio, é lindo e expontãneo. Ela é verdadeiramente uma artista a quem devemos prestar bastante atenção.

2015 É

1. Eu sou o ar
2. Vaza
3. Lata de tinta
4. Dez dias
5. Venha
6. Te ver chegar
7. Cadafalso
8. A casa não cairá

domingo, 23 de agosto de 2015

OU ME ODEIA DESCARADAMENTE OU DISFARÇADAMENTE ME TEM AMOR

Cantor e compositor paulistano apresenta álbum 'Dilúvio', recheado de boas canções e performances inspiradas.


Dani Black é compositor graduado e já foi interpretado por gente como Ney Matogrosso, Chico César, Elba Ramalho, Maria Gadu, entre outros. Além da voz e o dom com a palavra, Dani Black é exímio guitarrista e participou da turnê 'Aos Vivos' de Chico César.

O álbum 'Dilúvio' abre com 'Areia' uma canção de levada pop e sinfônica com um mix de teclados – que vão desde o fender rhodes ao hammond – cheios de suíngue de Zé Godoy. Seguidos pela balada que dá título ao disco.

'Linha tênue' eleva a batida para o alto e conta com programações de Conrado Goys. “Seu coração de fato está escuro ou por detrás do muro tem mais coisa ai”, questiona a letra de Dani Black, revelando que existe muito mais a surgir na leve audição desse mais novo petardo da música brasileira.

'Fora de mim' trás uma balada sinfônica suave e delicada, com mais uma crônica especial de Dani Black, que pode bem ser considerado um dos grandes compositores de sua geração. 'Seu gosto' é tem um groove contagiante baseado na sensualidade do arranjo e melodia.

'Bem mais', 'Só sorriso' e 'Não não não' formam uma suite de baladas populares que comove e contagiam de verdade. 'Ganhar dinheiro' trás o reggae pra dentro da paleta de cores de Dani Black – ele já tinha gravado o xote-reggae 'Comer na mão' de Chico César. 'U' é cantada apenas por Black em voz e guitarra.

O álbum encerra com 'Maior' e o dueto entre Dani e Milton Nascimento – uma bela canção épica de final apoteótico. É esse o melhor adjetivo para explicar o 'Dilúvio' de Dani Black – Apoteótico!

2015 Dilúvio

1. Areia
2. Dilúvio
3. Linha tênue
4. Fora de mim
5. Seu gosto
6. Bem mais
7. Só sorriso
8. Não não não
9. Ganhar dinheiro
10. Ú
11. Maior

domingo, 16 de agosto de 2015

CAMBACO É VICENTE BARRETO, É TAMBÉM PASSO TORTO E É METÁ METÁ

Compositor baiano lança álbum cheio de parcerias com a turma paulistana, que inclui Rodrigo Campos e Thiago França.  


Vicente Barreto é antigo parceiro de Alceu Valença e também outros artistas, mas é mais comumente conhecido como co-autor de 'Morena Tropicana'. Pois foi recentemente que ele lançou o álbum 'Cambaco'.

Com produção de Marcelo Cabral, 'Cambaco' tem composições fortes com diversas parcerias de Vicente; com Rômulo Fróes em 'Tataravô' e 'Chororô', com Kiko Dinucci em 'É tipo de conversa' e 'Sabiás', com Rodrigo Campos em 'Karina' e 'Jardim Japão, com Manu Maltez em 'Cambaco' e 'Preço do amanhecer' que abrem e encerram o disco.

Um álbum de ranger os dentes que representa o encontro do 'Passo Torto' com o 'Metá Metá', Isto é, Marcelo Cabral no baixo e Rodrigo Campos na guitarra com Sergio Machado na bateria, Thiago França no saxofone e flauta e a participação especial de Juçara Marçal cantando em duas faixas – a faixa-título que abre o disco e 'Herança', feita por Vicente em parceria com Rafa Barreto, o próprio filho, a quem ele dedica este álbum.

O fato é que o som rasgante dos novos vanguardistas paulistanos faz bem ao estilo vocal de Vicente Barreto meio Gil Scott-Heron, Coehn, Waits etc. A combinação entre o ruído programado com o cantar quase declamatório é estilosa e elegante. Com certeza é um disco importante no cenário atual.

2015 Cambaco

1. Cambaco
2. Karina
3. É tipo de conversa
4. Tataravô
5. Boró
6. Sabiás
7. Batendo sabão
8. Herança
9. Jardim Japão
10. Chororô
11. Preço do amanhecer

domingo, 9 de agosto de 2015

SPACE CHARANGA MEETS HOUSE OF FRANÇA

A 'Espetacular Charanga do França' volta como 'Space Charanga', logo após ter animado o carnaval de rua paulistano.  


Thiago França lançou um o 'Space Charanga', como um surpreendente desdobramento de sua 'Incrível Charanga': primeiro no compacto 'A Espetacular Charanga do França Ataca Novamente' e depois no bloco carnavalesco da 'Charanga'.

Uma banda de improviso jazzistico que faz um som inexplicável e extremamente difícil de rotular, que poderia ser nomeado como um “jazz-espacial-do-mal”.

Com o próprio Thiago França como comandante, compositor e arranjador e ainda solista nos saxs alto e tenor. O resto do naipe formado por Anderson Quevedo no barítono e percusões, Amilcar Rodrigues no trompete e flughel, Allan Abbadia no trombone e percussões e com Juliana Perdigão no clarone nas canções 'Abdu' e 'Moacíria'.

Com diversos climas, o Thiago França criou um mosaico de influências, seja do ethio-jazz em 'Abdu', nos improvisos malucos jazzisticos da faixa de abertura 'Ngoloxi/ R.A.N.', sigla para “rhythm and noise” (ritmo e poesia em português).

'Fakechá' é a única canção que o França divide a autoria com Daniel Bozzio e Marcelo Cabral, que também integra a 'Space Charanga' tocando baixo acústico e percussão. A canção, que é um reggae-jazzistico-espacial logo é seguida pelo ska-ficção-científica de 'Conta'.

Um dos motivos singelos do disco vem com o delicado dueto entre percussão e saxofone de 'Enquanto ficamos sem água', que sugere o momento em que foi gravada... ou composta... ou não...

'Cerca Lourenço' é um samba-noise cheio de energia com um excelente trabalho de bateria de Sergio Machado. O álbum encerra com o solo de França no chorinho delicado 'Tão rápido quanto uma paixão de metrô'.

2015 Space Charanga – R.A.N.

1. Ngoloxi/ R.A.N.
2. Abdu
3. Enquanto ficamos sem água
4. Fakechá
5. Conta
6. Moacíria
7. Cerca Lourenço
8. Tão rápido quanto uma paixão de metrô

domingo, 2 de agosto de 2015

FRITO SAMPLER É O SEU AMIGO PSICODÉLICO

Cantor e compositor Tatá Aeroplano lança álbum encarnando personagem que interpreta canções em língua imaginária.



Tatá Aeroplano é compositor e cantor que já tem dois discos solos e diversos lançados com suas respectivas bandas, 'Cérebro Eletrônico' e 'Jumbo Elektro'.

Tatá é um cara que não fica parado nunca e está sempre inventando moda e motivos para encarnar seus diversos personagens absurdos. Canga Louca,“Jota Birinight” e o próprio “Frito Sampler”, são exemplos do que a mente inventiva do cantor é capaz de criar. Inclusive, o “Frito Sampler” é personagem antigo, criado como vocalista da banda 'Jumbo Elektro'.

O álbum 'Aladins Bakunins' nasceu dentro de um universo boêmio meio Leornad Coehn, meio Bob Dylan, um pouco Bukowskiano, Keruakiano e altamente psicodélico. Uma viagem alucinóptica pela mente de Tatá Aeroplano, incorporando o “Frito Sampler”, que conta com o auxílio vocal luxuoso de “Grace Ohio”, interpretada por Julia Valiengo.  

No universo de “Frito Sampler” e “Grace Ohio” cabem também o “Pai do Frito Sampler”, o “Pássaro Psicodélico da Floresta”, “Ohana”, “Sofi Anahô”, “Sosa Lima” e “Dr. Gory”. As participações no disco vão desde Meno Del Picchia e Dustan Gallas no baixo em diversas faixas, Junior Boca e Fernando Maranho na guitarra, Pedro Gongom, Gustavo Souza e Clayton Martin na bateria e com João Leão no piano, Otávio de Carvalho no sintetizador e Bárbara Eugênia no coro.

A língua universal entoada pelo “Frito Sampler” é oriunda do futuro, de onde o próprio “Frito” insinua que vem. “Eu vim de lá para deixar mensagens de paz, amor e belezas”, revela. No álbum 'Aladins Bakunins', “Frito” desvela canções autorais e em parcerias com a própria “Grace Ohio” (Julia Valiengo da 'Trupe Chá de Boldo), Clayton Martin, Dustan Gallas, Junior Boca, Meno Del Picchia, Pedro Gongom e até com um tal de Tatá Aeroplano.

Um álbum espetacular, que revela toda inventividade e sensibilidade deste cantor e compositor multifacetado, que é o “Frito Sampler”, também conhecido por Tatá Aeroplano.

2015 Aladins Bakunins (by Frito Sampler)

1. Frank Black meeting Calling days
2. Cats and gatz
3. Belle star
4. Ladies, soldies and fantasys
5. Aladins Bakunins
6. Fabulous and colors
7. Fishing Neil Young
8. Love, melodies and more nothing
9. Canga’s libidian
10. Aliceland skylies for Elena

domingo, 26 de julho de 2015

TÔ TE EXPLICANDO PRA TE CONFUNDIR E TÔ TE CONFUNDINDO PRA TE EXPLICAR

O novo disco da banda paulistana 'Passo Torto' vem pra confundir e complicar o entendimento e a percepção.  


'Passo Torto' é uma super banda paulistana. São os caras mais inventivos da cena musical da cidade de São Paulo. Formada por Rômulo Fróes, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral.

Junto com a cantora Ná Ozzetti, eles lançaram o álbum 'Thiago França'. Não... O saxofonista França não faz e nunca fez parte da banda – assim como não participa deste disco. Apenas foi homenageado no título numa clara alusão a eterna confusão que sempre o colocam como membro deste supergrupo.

O fato é que o França toca com toda essa galera em seus trabalhos solo, com Kiko Dinucci ele mantém o 'Metá Metá', que ainda tem a cantora Juçara Marçal, com o Rômulo Fróes ele gravou o álbum mais recente, 'Barulho Feio', com Rodrigo Campos gravou o 'Bahia Fantástica' e com o Marcelo Cabral integra o 'MarginalS', junto com o baterista Tony Gordin.

Foi então que esse quarteto de cinco fez um dos álbuns mais complexos do ano – o álbum 'Thiago França' – com a cantora Ná Ozzetti. O disco é osso duro de roer e ouvir. Uma pérola que faria sorrir o maestro vanguardista Itamar Assumpção e que deve deixar orgulhoso o mestre Arrigo e todos aqueles outros que integraram o movimento de vanguarda paulistano. Mas não tem saxofone nesse disco...

Essa galera do 'Passo Torto' representa a nova geração de vanguardistas e seguem à risca a inventividade e dodecafonia e hermetismo. Impossível terminar a audição deste álbum sem estar modificado ou transtornado de certa forma – de preferência em posição fetal ou em desespero catatônico. Tá esperandoquê?

2015 Thiago França (Passo Torto + Ná Ozzetti)

1. Cipó
2. Perder essa mulher
3. Beth
4. Onde é que tem?
5. Esse homem
6. Homem comum
7. Palavra perdida
8. O cinema é melhor
9. Bloco torto
10. O cadáver

domingo, 19 de julho de 2015

ZÉ PI NOS ENSINA A RIZAR

Cantor e compositor paulistano estréia em álbum cheio de belas canções populares de clima energético e contagiante.  


Zé Pi é cantor, guitarrista e compositor e já integrou as bandas 'Drugues', 'Tigre Dentes de Sabre', sem falar nos álbuns que gravou – com gente como Tatá Aeroplano, Meno Del Pichia, Gustavo Galo e Tulipa Ruiz.

Zé Pi recém lançou o belo e lúdico álbum de estréia, intitulado 'Rizar', com diversas participações de colegas e um clima de evocação e anunciação de mais um disco bate-cabeça e com canções de rodopiar na sala e sair correndo e dançando por ai como se estivesse num clipe da Bjork, cena de Glee ou musical dos Muppets etc e tal.

Com canções que emanam diversos climas e estilos, mas sempre com a propensão de serem cantadas em uníssono dentro de estádios lotados. Com uma banda com o próprio Zé Pi nas guitarras e Meno Del Pichia no baixo, André Lima nos teclados e sintetizadores e Richard Ribeiro na bateria e percussão, gravaram 'Acredito' com esse clima indie de ser entoada como mantra pela multidão – com vocais de Barbara Eugenia e Karine Carvalho – e 'Se você soubesse', com todo peso e pinta de que poderia virar um dos hinos oficiais do roquenrou brasileiro – essa última com o solo especialíssimo de Luiz Chagas.

Um dos pontos altos do disco são as canções com arranjo de sopros com a metaleira da 'Trupe Chá de Boldo' (Remi, Cuca e Mumu) em 'Muito tempo', também com o solo de guitarra de Tim Bernardes'; o fagote de Isabel Favila em 'Gosto de você' e no clarinete de Juliana Perdigão em 'Depois', também com a voz de Tulipa Ruiz e o baixo de Gustavo Ruiz, que foi quem produziu esse petardo.

O álbum abre e encerra com peças musicais com quarteto de cordas formado por Aramís Rocha, Rafael Oliveira, Robson Rocha e Daniel da Silva – 'Fique a vontade' e 'Bem melhor do que está', respectivamente. 'Dor e solidão' é mais uma daquelas canções climáticas, que começam bem lentinhas e depois explodem numa catarse mítica e apocalíptica, com tudo sendo ressaltado pelo arranjo de cordas de Jaques Mathias.

'Anoiteceu' tem uma levada de balada calipso e é uma canção sossegada com o vocal delicado de Leo Cavalcanti e trás ainda o piano de Mauricio Fleury – que também é um dos co-autores da música – e a percussão de Stephane San Juan. Se tivermos mais pessoas ouvindo esse disco nos fones-de-ouvido em trens, metrôs, ônibus etc vai ser um festival de gente dançando e cantando no meio da rua.

O disco 'Rizar' trás o que há de melhor no cenário popular brasileiro com a produção atual dessa turma que vem deixando uma obra relevante e interessante de verdade.

2014 Rizar

1. Fique a vontade
2. Anoiteceu
3. Muito tempo
4. Acredito
5. Dor e solidão
6. Gosto de você
7. Se você soubesse
8. Depois
9. Bem melhor do que está

domingo, 12 de julho de 2015

SENDEIRO LUMINOSO DO AMPLEXOS

Banda 'Amplexos' apresenta continuação do caminho iniciado no disco anterior e uma busca por um caminho espiritual interior.


Não dá pra falar do 'Amplexos' sem mencionar a guinada no som que eles se proporcionaram. Uma mudança é complicada, ainda mais quando envolve todo o coletivo.

A banda do interior de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, começou a carreira em 2008 com o ótimo álbum de estréia auto-intitulado. Chegou a lançar um single em 2010, que trazia uma regravação de uma canção e uma versão de 'Off the Wall' de Michael Jackson – essa cover ditou todo caminho seguido pela banda a seguir.

Na verdade o 'Amplexos' tinha tudo para virar mais uma bandinha pop de encher estádio, com todo mundo cantando em uníssono etc e tal. Mas não virou... A banda cresceu, amadureceu e foi pra rua buscar sua identidade.

Com muito improviso, os caras da banda criaram um repertório único e uma pegada peculiar que os identifica na primeira audição – poucas bandas conseguem isso. Mas também o 'Amplexos' não é nada iniciante e está lançando agora o terceiro álbum – com uns três singles ai pelo meio de tudo – 'Sendeiro', que quer remeter ao caminho luminoso que a banda empreendeu.

Nesse caminho, a banda recebeu a visita do guitarrista Oghene Kologbo, que tocou com Fela Kuti e Tony Allen e abriu novos horizontes para os integrantes – Guga na voz e guitarras, Leandro Vilela nas guitarras e voz, Nartchê nos teclados e vocais, Polito no baixo, Leandro Tolentino nas percussões e Mestre André na bateria.

Com produção deles mesmos e total influência de Buguinha Dub, a banda apresenta um disco curto e totalmente não radiofônico a banda apresenta uma urgência sonora poucas vezes vista ou ouvida na música brasileira.

Um som coeso e surpreendente, o 'Amplexos' entrou definitivamente no cenário das grande bandas nacionais. Ouçam 'Sendeiro'.

2015 Sendeiro

1. A tecnologia
2. Miragem
3. O presente
4. Cai pra dentro
5. Do perdão
6. Travessia
7. Om

segunda-feira, 6 de julho de 2015

SIBA E A MINI-DESORQUESTRA DE BAILE SOLTO E RIMA

Cantor Siba apresenta universo expandido das tradições do maracatu de rua pernambucano e proporciona o incrível dialogo entre o rural e o urbano.  



Em seu segundo álbum solo, Siba não é nenhum iniciante já que gravou outros sete discos em outros projetos. Foram três com a banda 'Mestre Ambrósio', que no meio do 'mangue-bit' seguia caminho inverso voltando às raízes do maracatu pernambucano. Nos outros quatro álbuns, Siba seguia o mesmo rumo iniciado no princípio – dois discos com 'A Fuloresta do Samba' e um com Barachinha e outro com Roberto Corrêa.

Siba parecia fadado a prestigiar com a rabeca o seu peculiar talento de inovar nas narrativas ritimicas, não fosse o nascimento de 'Avante' – o primeiro álbum solo, que trazia todas as tradições da Mata Norte e do carnaval de rua pernambucano, mas tudo misturado com a vivências do cantor. Foi quando ele popularizou o som ao proporcionar o diálogo da guitarra com a tuba. Dessa forma, todos outros álbuns convergiram para este ponto como fosse premeditado.

'De Baile Solto' carrega todo um diálogo iniciado em 'Avante', que por sua vez com todos precedentes. O que Siba conseguiu com essa obra, não pode ser mensurada hoje sem levar em conta os anos passados. No carnaval de 2014, Siba defendeu a tradição dos ensaios de maracatu de rua, contra a interrupção as duas da manhã, da mesma forma como defendeu o Complexo Estelita de se tornar um empreendimento imobiliário.

É dessa forma que o álbum 'De Baque Solto' inicia – com a mais poderosa e bela canção de protesto de todos os tempos. Esqueça o Vandré ou o Buarque e ouça o Siba em 'Marcha macia'. Com versos poderosos Siba profetiza, “acorda, amigo, o boato era verdade... A nova ordem tomou conta da cidade. É bom pensar em dar no pé, quem não se agrade. Sendo você, eu me acomodaria...”. Putaqueopariuuuu... Isso cabe pro #ocupeestelita, #wallstreet, #lovewins e tudo mais #### que puderem imaginar...

'Gavião' havia sido gravada anteriormente pelo 'Mestre Ambrósio' e tinha uma pegada mais animada, mas essa nova gravação ressalta a narrativa sobre a ave de rapina. 'Mel tamarindo' mostra definitivamente que “quem manda é a tuba”, como diz o próprio Siba. 'Três desenhos' demonstra exuberante arranjo com xilofones em contraponto com a tuba, desenhando a melodia com fosse uma cobra, labaredas e “milhares de esqueletos”.

Em 'Três Carmelitas' Siba volta a lembrar da infância evocando o presente. Coisa mais bela de se ouvir. 'Quem é ninguém' trás de volta a veia política de Siba, quando evoca a sociedade atual. 'De baile solto' mostra a única canção instrumental que denota uma montanha russa de emoções ao ouvinte atento. 'A jarra e a aranha' brinca com aliterações e ditados trava-línguas. Impossível de cantar junto com Siba.

Outra canção épica de extrema beleza é 'O inimigo dorme', que parece continuação direta de 'Bravura e brilho'. 'Meu balão vai voar' encerra bem o álbum com um solo fenomenal de Siba – coisa inexplicável de tão boa... Deixa um gostinho de quero mais...

O fato é que 'De Baile Solto' é um disco épico. Um disco que dialoga com toda a obra anterior do cantor. Um álbum que pode ser o segundo de uma trilogia, iniciada em 'Avante'... Uma obra ímpar. Inquestionável.

2015 De Baile Solto

1. Marcha macia
2. Gavião
3. Mel tamarindo
4. Três desenhos
5. Três Carmelitas
6. Quem é ninguém
7. De baile solto
8. A jarra e a aranha
9. O inimigo dorme
10. Meu balão vai voar

domingo, 28 de junho de 2015

PORQUE NADA SERÁ COMO ANTES, AMANHÃ...

Mais uma vez um tributo merece destaque no cenário musical brasileiro, com diversas regravações de clássicos nacionais e internacionais.  



Milton Nascimento é um cara eclético e de extensa discografia. Gravou desde bossa nova, jazz e rock. Virou referência no cenário musical – tanto que foi já reinterpretado até por artistas como Bjork.

Por isso a excelência dos novos artistas regravando e quiça reimaginando e transportando o cancioneiro do cantor para os dias atuais seja tão importante no cenário musical. Esse lançamento mostra o quão moderno são as composições de Milton Nascimento e de seus parceiros artísticos, como os irmãos Lô e Márcio Borges, Ronaldo Bastos e o incansável poeta Fernando Brant, que deixou-nos recentemente.

Com produção de Pedro Ferreira, e lançado pelo site 'Scream & Yell', o álbum 'Mil Tom' apresenta diversas bandas e artistas da nova geração musical do país, que recriam alguns clássicos imortais. Destaque para grandes versões de gente como o 'Vanguart', Karol Conká, Aline Calixto, 'Filarmônica de Pasárgada', 'Baleia', Gisele de Santi, Thais Gulin, Bruno Souto, Pélico e Bárbara Eugênia.

Seja surpreendido com versões magistrais de gente como da banda 'Aláfia' para 'saudade dos aviões da Panair', que coloca as percussões em primeiro plano. Já o rapper Rashid revela um balanço inacreditável com 'Tudo que você podia ser' – o mesmo acontece com 'Caxangá' na interpretação da 'Orquestra Contemporânea de Olinda'.

Felipe Cordeiro foi responsável por agilizar a latinidade de 'Cravo e canela'. Enquanto o 'Los Porongas' coloca um véu progressivo na sua versão especialissima para 'Nada será como antes', evocando 'The Doors' com 'Pink Floyd'. A versão de Fernando Temporão para 'Para Lennon e McCartney' coloca uma mistura inusitada de beats eletrônicos com bossa, orquestra etc e tal.

2015 Mil Tom
Disco 1
1. Clube da Esquina Nº 2 (com Vanguart)
2. Vera Cruz (com Aline Calixto)
3. Maria Maria (com Banda Tereza)
4. Saudade dos aviões da Panair (conversando no bar) (com Aláfia)
5. Para Lennon e McCartney (com Fernando Temporão)
6. O rouxinol (com Karol Conká e Boss in Drama)
7. Travessia (com Pedro Morais)
8 Canoa canoa (com Filarmônica de Pasárgada)
9 Lágrima do sul (com Tono)
10. Paula e Bebeto (com Pélico e Bárbara Eugênia)
11. Tudo que você podia ser (com Rashid)
12. San Vicente (com Bruno Souto e Chá de Pólvora)
13. Paixão e fé (com Phill Veras)
14. Sereia (com Letuce)
15. Caçador de mim (com Simonami)


Disco 2
1. Amor de índio (com Thaís Gulin)
2. Paisagem na janela (com Dani Black)
3. E daí? (com Baleia)
4. Caxangá (com Orquestra Contemporânea de Olinda)
5. Nos bailes da vida (com Gisele de Santi)
6. Nuvem cigana (com Selvagens à Procura de Lei)
7. Ponta de areia (com A Banda Mais Bonita da Cidade)
8. Beijo partido (com Blubell)
9. Cravo e canela (com Felipe Cordeiro)
10. Canção do sal (comVerônica Ferriani)
11. O Trem azul (com The Outs)
12. Cais (com Ana Larousse)
13. Canção amiga (com Tibério Azul)
14. Credo (com Dom Pepo)
15. Nada será como antes (com Los Porongas)

domingo, 21 de junho de 2015

QUE PASSA, QUERIDO? QUERIDÃO!!! ou A LENDA DO GALANTE VAVAJETZ E SUAS PARTÍCULAS SONORAS

Segue essa missiva para esse artista brasiliense, que tem estilo único de compor canções cheias de diversas referências maravilhóptimas.


'Os Jet Sambas' são teu sonho antigo, né? Vavá Afiouni. Você sempre dizia, “meu próximo disco vai ser o 'Jet Sambas'”, mas dai vinha outro e mais outro e enfim, tudo de novo...

Mas com seu jeito elegante de compor falando por metáforas, com peculiares adjetivos e inventando histórias – como o sonho milionário do SuperVavá – com esse jeito único de tocar baixo, com essas composições e vocais magmáticos de falar tudo que sente e expor a própria alma numa sucessão sintomática de sucessos sinceros.

Chegou com esse disco maravilhóptimo e cheio de energia, que já vem povoando nosso cenário, mesmo que metaforicamente falando. Começando pelo fim confesso logo a alegria de ouvir o álbum encerrando com a canção emblemática, que marcou uma época... 

Que video é aquele do prédio desabando? É que o hotel estava abandonado e agendado para implosão... Mas mesmo assim!!!! Somente mesmo uma mente brilhante como a sua, que é prateada e reluzente o suficiente para ter uma idéia genial e tecnológica como essa. Putaqueopariu!!! Phodástica com PH! Sabe? Derrubaste um prédio com as ondas sonoras! Hehehehehe.

Foi dessa gravação que saiu 'Bota gente no zoológico'? Cantada em uníssono por um monte de gente como um coro dos velhos samba-rocks dos anos 70 – Pra mim é bem emblemática, que essa mesma canção que encerra o álbum foi uma das primeiras que ouvi depois do 'Papo do Bicho', tipo encerrando o ciclo do 'Toró de Palpite' e iniciando o 'Jet Samba'... Por isso que comecei pelo fim... Enfim...



Já em 'Revolução', essas aliterações singelas que nos brindam com essa canção protesto, que é a mais suave e delicada de todos os tempos – cantada pelo percussionista George Lacerda. Aqui deixa eu colocar pros leitores, que a banda 'Passo Largo' tá tocando em todas as faixas e pra quem não sabe são Thiago Cunha na bateria e o Marcus Moraes na guitarra.

A valsa 'Tanajura ao Marimbondo' me lembra muito o clima de 'Jabuticabeira radioativa' e me parece uma fábula de amor muito improvável sobre uma cantora e um valentão. “É rock na certa!”. Gosto particularmente das imagens que você cria com as repetições cacofônicas da letra. Como em tanajura-jura e marimbondo-moribundo.

Da primeira vez que ouvi 'Típica' achei que era “te picar menino”, o que fazia total sentido já que a parte seguinte da letra dizia “eu fui trepar na goiabeira... eu fui brincar de dois” – mas acho melhor nem saber a verdadeira verdade sobre a história real dessa letra.

'Vento de Itacaré' me transportou direto para a praia paradisíaca do litoral baiano – pra quem não sabe é um lugar muito frequentado pelos brasilienses nas férias de verão. É uma canção bucólica e saudosista com coro da Suzanna Aune, que além de ser a autora das fotografias é homenageada em 'Su', uma legítima canção de amor lá do fundo da pleura central da peridural.

'Opa Paim' é uma interjeição espiritual, né? Com mais vocais especionais de George Lacerda e Ana Reis. Também achei um climão 'Tincoãs' e tal... E por falar nisso, achei 'Que passa' mais pra calipso-brasileiríssimo que sala-psicanalítica. Mas qualquer um que seja a canção é boa demais. Também vi com alegria a retomada ao tema dos dejetos, dos bichos, das frestas, dos orgãos anatômicos, das contas matemáticas, da evolução das espécies, do animal moral etc.

'O elevador' é teu reggae-social – com perdão do trocadilho – vejo uma reflexão filosófica e bem humorada sobre os tempos atuais. Seria o 'The Uáu do Vaváu'? “Bunda com testa” é uma imagem que representa muito bem o ônibus lotado para caraleo.

Mas essa canção que abre o disco, 'Todo dia', que é uma fábula do macaco que decidiu levar a vida do homem e descobriu que “problemas não cessam, assim como a evolução”, é mesmo foda e é a canção perfeita pra começar o álbum. Funciona bem como um resumo do que vem por aí...

Então pra encerrar como mesmo diria o galante Vavajets?
Um beijo na pleura! Queridão!!!

2015 Os Jet Sambas

1. Todo dia
2. O elevador
3. Que passa
4. Opa Paim
5. Su
6. O vento de Itacaré
7. Típica
8. Tanajura ao marimbondo
9. Revolução
10. Bota a gente no zoológico

domingo, 14 de junho de 2015

A MAIOR AMBIÇÃO DA CANÇÃO É SER SILÊNCIO

Pianista pernambucano apresenta obra sublime e de rara beleza, com a união improvável de dois grandes produtores da música brasileira.


O novo álbum do cantor, pianista e compositor Zé Manoel, 'Canção e Silêncio', é uma ilha. Um disco repleto de delicadeza sublime, que reflete a pessoa que é e o lugar de onde veio o cantor. Um disco que evoca o mar, o rio, as águas e toda sua beleza.

O cantor pernambucano conseguiu reunir na produção de um mesmo álbum, dois grandes produtores brasileiros, o Carlos Eduardo Miranda, que assumiu a produção musical e Kassin, que ficou em cargo da produção adicional de bases.

Com ambientação singela, Zé Manoel imprime a sutileza com apenas voz e piano em 'Água doce', 'Na noite em que eu nasci' e em 'Quem não tem canoa cai n`água', que tem a participação de Dona Amélia do 'Samba do Veio' da ilha de Massangano no Rio São Francisco. Em 'Nas águas do Mangangá', Zé Manoel recebe a percussão de Johann Brehmer em mais uma canção marítima.

Com arranjos de Mateus Alves, Fabio Negroni e Letieres Leite, que também regeu as cordas, madeiras e metais de canções como 'Canção e silêncio', 'Sereno mar', 'Cheio de vazio', 'Habanera hobie cat acalanto', 'Estrela nova' e 'Volta pra casa', que conta com a cantora Isadora Melo.

Em 'A maior ambição', o cantor experimenta com o formato trio de jazz com Tuty Moreno na bateria e o prórpio Kassin no baixo. Esse mesmo trio arrebenta o samba-jazz com 'Cada vez que digo adeus', com o shaker de Johann Brehmer. Já em 'O mar' Manoel experimenta a formação de baixo e guitarra, de Juliano Holanda (da 'Orquestra Contemporânea de Olinda'), e as percussões de Pupillo (da 'Nação Zumbi') e de Brehmer.

O disco 'Canção e Silêncio' é um deleite de ouvir e de curtir sentindo a brisa do mar e olhando a maresia passar tranquilamente pela janela, dar a vota no corredor e se perder no quintal de tranquilas redes de dormir sossegado. Uma galáxia!

2015 Canção e Silêncio

1. Água doce
2. A maior ambição
3. Canção e silêncio
4. O mar
5. Cada vez que digo adeus
6. Sereno mar
7. Cheio de vazio
8. Na noite em que eu nasci
9. Habanera hobie cat acalanto
10. Quem não tem canoa cai n`água
11. Nas águas do Mangangá
12. Volta pra casa
13. Estrela nova

domingo, 7 de junho de 2015

O AÇO QUE CORTA A CARNE É LEÃO QUE CANTA SUAVE

A segunda parte da triogia de EPs de Alessandra Leão chega a internet com fôlego para te deixar sem fôlego.


O novo som de Alessandra Leão carrega um imediatismo sonoro que encontra na sujeira das guitarras a razão para toda própria existência atual. É uma pletora de modernidade.

A trilogia iniciada com 'Pedra de Sal' em 2014, trás a segunda parte intitulada 'Aço' e fiquemos aguardando o próximo lançamento em 'Língua'. Com essa trilogia, a cantora pretende elevar seu canto aos palcos com força e delicadeza .

O EP começa com a faixa-título, 'Aço', que é de deixar sem fôlego de tão crua e torta e de ranger os dentes. 'Corpo de lã' leva os sintentizadores às batidas do maracatu numa massa orgânica, com participação de vocais de Odete de Pilar.

Depois segue com 'Prolonga', que tem uma pegada quase afrobeat e uma guitarra endiabrada de Rodrigo Caçapa, que desta vez produziu sozinho o EP. 'Acesa' é uma homenagem a Ogum e tem a participação de Kiko Dinucci e Rafa Barreto nas guitarras.

'Mergulho' encerra o EP, junto com 'Foi no porão', que trás uma vinheta com Odete de Pilar. Todo EP contou com Missionário José nos sintetizadores, Mestre Nico nas percussões e Guilherme Kastrup nas baterias – que produziu o EP anterior junto com Caçapa.

2015 Aço EP

1. Aço
2. Corpo de lã
3. Prolonga
4. Acesa
5. Mergulho
6. Foi no porão

domingo, 31 de maio de 2015

HYLDON SOLTA A VOZ, O VIOLÃO E O ÁLBUM NA INTERNET

O cantor Hyldon segue na contramão dos grandes artistas e disponibiliza na íntegra seu novo álbum para download gratuito pela internet.  


40 anos após lançar seu álbum de estréia, Hyldon homenageia esse mesmo repertório com gravações intimistas somente voz e violão no álbum recém-lançado, 'A Origem'.

O disco segue o mesmo repertório do álbum clássico de 1975 'Na Rua na Casa na Fazenda' sem a mesma ordem oficial, mas com todos as canções que foram imortalizadas naquele petardo.

Com destaque para 'a faixa-título 'Na rua na casa na fazenda' e outras como 'Na sombra de uma árvore', 'As dores do mundo', 'Sábado e domingo' e todas as outras canções, que agora têm nova chance de brilhar em visão simples e singela.

O fato é que as mesmas canções receberam uma sobrevida neste disco homenagem e provaram que suportaram bem o teste do tempo, permanecendo atuais e significantes nos dias de hoje.

Pra quem não sabe, Hyldon, é um dos camaradas de Tim Maia que o ajudou a criar uma cena musical “black music”.

2015 A Origem – Na Rua na Casa na Fazenda

1. Na sombra de uma árvore
2. Eleonora
3. Na rua, na casa, na fazenda
2. Sábado e domingo
3. As dores do mundo
4. Quando a noite vem
5. Acontecimento
6. Vamos passear de bicicleta
7. Guitarras, violino e instrumentos de samba
8. Vida engraçada
9. Meu patuá
10. Balanço do violão

domingo, 24 de maio de 2015

SOZINHO EU NUNCA ESTIVE SÓ, SOZINHO TODO MAL É PÓ

Banda paulistana segue instigando os ouvintes ao universo das matrizes africanas e ao culto ao afro-ascendente.


O 'Metá Metá' ataca novamente com um EP enxuto e coerente com a linha evolutiva apresentada pela banda até agora.

Formado pelo trio em excelência, Kiko Dinucci nos vocais, violão e guitarra, Juçara Marçal nos vocais e Thiago França nos sopros, eles contam com o auxílio de Sergio Machado na bateria e Marcelo Cabral no baixo.

Esse EP é uma prévia do que vem por aí, no próximo álbum da banda e apresenta três canções que são pedras aos ouvidos. 'Atotô' abre o EP com a saudação a Omulu de Kiko Dinucci, que havia sido gravada anteriormente no álbum 'Padê' de Juçara Marçal com o próprio Dinucci – esse álbum pode ser considerado como um dos pontos de origem para o próprio 'Metá Metá'.

Depois vem o cover pós-punk d'As Mercenárias', 'Me perco nesse tempo', de autoria de Edgard Scandurra. Se você ouvisse separadamente essa única faixa, jamais pensaria que estaria ouvindo o 'Metá Metá'. Rola até um sax sinistro do "espetacular charangueiro" França. 

Para encerrar o assunto, 'Sozinho' é um legítimo samba de Douglas Germano, com aquelas síncopes tão características do mesmo autor do hino máximo da banda, a canção 'Obá Iná'. Nessa canção o 'Metá Metá' se apresenta com a formação acústica do primeiro álbum.

Que venha o disco cheio então! Axé!

2015 Metá Metá EP

1. Atotô
2. Me perco nesse tempo
3. Sozinho



domingo, 17 de maio de 2015

DESCULPE A GENTILEZA QUE EU DESCULPO O EMPURRÃO

Banda pernambucana segue como referência no cenário musical brasileiro com novo disco cheio de peso.  


A banda 'Eddie' está para o rock brasileiro, como o AC/DC está para o rock mundial. Os caras do 'Eddie' não esmorecem nunca, estão sempre em turnê e lançando discos relevantes e não têm medo de experimentar.

Pois foi como um mutante em constante metamorfose, que a banda seguiu experimentando e incorporando a mistura no próprio som. O que o som do 'Eddie' é hoje é por causa dessa experimentação e constante movimento.

Atualmente com os irmão Rob e Kiko Meira cuidando da cozinha no baixo e bateria, respectivamente, Alexandre Urêa na voz e percussão e presença de espírito, Andret Oliveira nos teclados e trumpetes e efeitos e samplers etc, tudo sob a imprescindível liderança do maestro Fabio Trummer nas vozes, guitarras e violões.

O novo álbum do 'Eddie', intitulado 'Morte e Vida', foi livremente inspirado na poesia de João Cabral de Melo Neto. Com diversas participações de integrantes afetivos como Karina Buhr e Erasto Vasconcelos, a banda segue entregando pérolas do cancioneiro popular brasileiro. 'Longe de chegar', 'Morte e vida', 'Pedrada certeira' trazem a cantora em dueto com Trummer, enquanto Erasto participa de 'Alimenta o compositor', além de ter composto a faixa que encerra o álbum junto com Trummer e os irmãos Meira. 

'Queira não', 'Quebrou, saiu e foi só' e 'Carnaval de bolso' abrem o álbum destacando a voz seca e gutural de Trummer, que soa como um bardo e profeta. O segundo lado do disco apresenta as baladas 'Tentei te ligar' e 'Meu coração' e o sambinha pernambucano 'Essa trouxa não é sua'.

A canção 'Olho você' define o 'Eddie' como a banda que mistura as guitarras do surf-music com o frevo – criando um estilo único e legítimo tupiniquim.

Como qualquer disco do 'Eddie' – imperdível! Um belo e gentil empurrão!

2015 Morte e Vida

1. Queira não
2. Quebrou saiu e foi só
3. Carnaval de bolso
4. Longe de chegar
5. Morte e vida
6. Pedrada certeira
7. Tentei te ligar
8. Meu coração
9. Alimenta o compositor
10. Essa trouxa não é sua
11. Olho você