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domingo, 9 de novembro de 2014

CADA MALOQUEIRO TEM UM SABER EMPÍRICO

Em segundo álbum, Criolo busca expandir o alcance do álbum de estréia assumindo um posicionamento crítico em favor de mais amor e tolerância.  


O clima abre tenso no novo álbum do Criolo, 'Convoque seu Buda' é o título do petardo, bem como a faixa de abertura, que inicia como um golpe marcial. A canção pode ser considerada uma irmã mais nova de 'Lion Man' – do disco anterior, 'Nó na Orelha' – porque emula os sons da África oriental, mais precisamente da Etiópia de Mulatu Astatke. A canção ainda trás referências ao desenho Naruto, ao movimento “ocupai”, energia eólica etc.

Na sequência, Criolo apresenta um batuque afoxé de introdução para a pedrada na orelha de 'Esquiva da esgrima', na qual ele apresenta diversas referências, pérolas poéticas e rimas tensas e frenéticas como “nas benção de Padim Ciço às letras de Edy Rock”. Cabe até um recado aos golpistas do momento em “pois quem toma banho de ódio exala o aroma da morte”.

Quem disse que rap não pode ser pop? Engana-se porque o Criolo faz isso como ninguém, vide a canção 'Cartão de visita' com participação de Tulipa Ruiz, após uma introdução especialmente radiofônica. O som faz reverência ao funk estilo 'Parliament' e 'Funkadelic' de George Clinton. Uma crítica mordaz à elite brasileira como diz na letra em “O opressor é um míssil e o sistema é cupim e se eu não existo, por que cobras de mim?”. No final, Criolo tece uma súplica a Lázaro Ramos ou alguém que nos ajude a entender essa “gente indigesta”. Uma canção que poderia ser considerada como o reverso direto de 'Gente humilde' do Chico Buarque – e não é a primeira vez que o Criolo reverencia o cantor de Holanda como fez na versão exclusiva de 'Cálice', a qual o próprio Chico homenageou em show.

Porra Criolo! Ainda nem cheguei ao meio do álbum de você já veio com 'Casa de papelão'? Uma canção de letra pungente recheada de figuras de linguagem e um arranjo de sopros de um Thiago França inspiradásso. O cara simplesmente incorporou o maestro Leitieres Leite em vida, ou se melhor quiserem Villa-Lobos, Radamés Gnatalli ou qualquer um de sua melhor escolha. “Toda pedra acaba, toda brisa passa, toda morte chega e laça, são pra mais de um milhão... corpos na multidão”, diz Criolo na letra.

Depois de toda polêmica ao redor do samba 'Linha de frente' – já resolvida com o sambista MamãoCriolo vêm com o samba de roda 'Fermento pra massa', na qual ele conta o cotidiano dos subúrbios de todo país e suas agruras diárias. Como sempre, nas letras do Criolo, existe uma crítica velada na alegre narrativa da canção, onde ele traça uma crônica do caminho que o pão de todo mundo faz desde a mesa do consumidor ao padeiro, atrasado por causa de uma greve de ônibus.

'Pé de breque' retorna ao dub – como 'Samba sambei' do disco anterior – e faz diversas referências culturais, como sempre ocorrem nas canções do Criolo, numa velocidade internética. 'Pegue pra ela' é o afrobeat do álbum, onde Criolo demonstra toda sua destreza de ótimo poeta contemporâneo, vide “Toda cultura vira comércio, é o ponto de degradação, então, se pra cada ponto, processo e cada processo uma ação”.

'Plano de vôo' tem participação insana de 'Síntese', que até ele ficou sem fôlego depois de cantar toda aquela letra toda na mesma talagada de uma só vez sem nenhuma parada... 'Duas de cinco' já havia saído antes como single – inclusive recebeu clipe super-produção junto com o lado B, 'Cóccix-ência'. Essa canção foi construída por cima de 'California azul' de Rodrigo Campos, do álbum 'São Mateus não é um Lugar Assim tão Longe'.

Na faixa de encerramento, Criolo compõe em cima da canção 'Padê Onã' de Kiko Dinucci e o 'Bando AfroMacarrônico', criando a híbrida 'Fio de prumo (Padê Onã)', que mistura afoxé com baião e com maracatu. Com vocais de Juçara Marçal e rima forte do próprio Criolo, que mescla Ori com Ogi, revide com declive, 80 com cibalena, vai com stand-by e muitas outras métricas.

O disco novo do Criolo merece todo esse alarde e cumpre toda expectativa em cima dessa obra. O disco trás a mesma coerência com o saber empírico, que o maloqueiro doido sempre apresentou – um posicionamento em prol de mais amor e mais tolerância.

2014 Convoque seu Buda

1. Convoque seu Buda
2. Esquiva da esgrima
3. Cartão de visita (ft. Tulipa Ruiz)
4. Casa de papelão
5. Fermento pra massa
6. Pé de breque
7. Pegue pra ela
8. Plano de vôo (ft. Síntese)
9. Duas de cinco
10. Fio de prumo (Padê Onã) (ft. Juçara Marçal)

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