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domingo, 7 de março de 2010

FOI ASSIM QUE KARINA BUHR MENTIU PRA VOCÊ TAMBÉM

Não se afobe, nem se desespere. Essa mentira é na verdade uma verdade ao avesso. No sentido da necessidade de encaixar o disco em algum gênero ou estilo...

‘Eu Menti pra Você’ não pode ser facilmente rotulado. Se você disser que tem música eletrônica. Eu concordo. Mas se também disser que é um disco bem orgânico... Fazer o que? Vou ter que concordar... Também.

Se você ouvir reggae, rock, uma ciranda com funk, maracatu ou ska,... Pode crer que é o disco da Karina Buhr. A poesia dela não bate de leve, “bate de com força mata”, como diria ‘Avião aeroporto’. A música ‘Nassíria e Najaf’ é quase uma canção de ninar com mensagem antibélica. ‘O pé’ usa doçura com perspicácia para descrever a teoria da gravidade como “a vontade do chão”.

‘Mira ira’ é um canção romântica e quase fofinha, mas que acerta em cheio qualquer que tenha sido o alvo... Sacou? Então é isso ai... #Não me segue que eu não sou novela. Em ‘Ciranda de incentivo’, Karina admite todas as dificuldades de conseguir verbas públicas (ou não) de incentivo à cultura nesse país – misturando ciranda com funk carioca.

O disco tem participações de Bruno Buarque na bateria e base MPC, Mau no baixo, Guizado no trompete, Dustan Gallas nos teclados e piano, Otávio Ortega nos teclados e bases eletrônicas, Marcelo Jeneci no acordeon e piano e Edgard Scandurra e Fernando Catatau nas guitarras. Além da participação da atriz alemã Juliane Elting e do percussionista cubano Pedro Bandera.

Karina Buhr entra na sala!

_ Queria avisar do show de lançamento do disco, que vai ser no dia 27 de março (sábado) em São Paulo, na Choperia do Sesc Pompéia, às 21h.

Quando é que você começou a gravar esse disco?
Abril de 2009. Parei um tempo por conta de agendas minha e dos músicos e também por que Bruno Buarque, o baterista, co-produtor (o disco foi produzido por mim, Bruno Buarque e Mau) e dono do estúdio Minduca (onde gravamos), quebrou a perna (em três partes, andando de skate...) e queria terminar de gravar com ele.

Nesse disco, 10 faixas foram gravadas no estúdio Minduca, de Bruno Buarque. 'Telekphonen' foi gravada no estúdio da Trama, pro programa '10 Horas no Estúdio'. 'O pé' e 'Plástico bolha foram gravadas ao vivo no Espaço Rio Verde. As vozes foram gravadas por Florência Saraiva no Totem e a mixagem também foi no Totem, por Kalil Alaia.

Porque esse titulo?
É o nome de uma música que acho bem importante no disco e é um título bem livre, que não bota limite nos temas do disco. Achei isso legal quando pensei no nome, um título que pra cada um pode significar uma coisa diferente. Nesse CD tem música romântica, outra fala de guerra, outra de ficar sem fazer nada... ‘Eu Menti pra Você’ sintetiza um monte de coisa, por que deixa a música e a poesia delas mais livres, como acho que devem ser.

E como é meu primeiro trabalho solo, achei importante deixar dúvidas, no melhor sentido que isso possa ter.

Qual é seu processo de composição? Letra ou musica primeiro?
Não tenho regra pra isso. Às vezes primeiro a letra, às vezes tudo junto, às vezes primeiro a música. Faço as músicas cantando e marcando o ritmo com um tambor ou batucando em qualquer canto. Às vezes uso a rabeca, piano ou teclado, mas não sei tocar de verdade nenhum dos três. Só uso pra fazer umas músicas e pensar nos arranjos.

Você prefere entrevista, por e-mail, telefone ou ao vivo? O que você acha da mídia brasileira?
O melhor seria se as entrevistas ao vivo, fossem pra passar em vídeo ou só o som mesmo e que quando fosse pra serem impressas, fosse por escrito.

Acho que essa é a principal questão. Por mais que o jornalista seja bem intencionado, o ato de pegar uma resposta que foi dada num contexto tal e colar ela no meio de um texto escrito depois, pode mudar o sentido do que foi dito. Isso se o jornalista for bem intencionado. Se ele for mal intencionado ou simplesmente irresponsável pode usar a mesma frase que foi dita de um jeito que ela pode passar a ter o sentido contrário.

Numa entrevista falada tudo é mais solto e pra quem, como eu, gosta de usar uma ironia aqui e outra ali, o perigo é grande. Sem falar que entonações diferentes pra uma mesma frase fazem tudo mudar de sentido, principalmente se tratando da língua portuguesa.

Agora uma coisa que não suporto é quando sai entre aspas coisa que eu não falei. E isso acontece muito, não só comigo. É praxe. Às vezes uma gírias que nunca usei e não uso, às vezes coisas mesmo que jamais falaria!

É uma irresponsabilidade muito grande colocar entre aspas uma frase que não foi dita por uma pessoa e atribuir a ela. Diria que é um crime. Falsidade ideológica imposta a outrem....

Por e-mail dá mais trabalho e às vezes perde-se um pouco a espontaneidade, mas pelo menos o que está ali é por que sempre esteve.

Ao vivo é massa! Adoro, “o problema são problemas demais se não correr atrás da maneira certa de solucionar”...já diria Chico Science.

Tem uma questão importante aí. É que eu não posso simplesmente chegar e dizer pra um jornalista que só dou entrevista por e-mail ou que, se for falada, tem que ser transmitida com som. Imagina! Aí ninguém vai mais me entrevistar e ainda vou pagar de fresca, a que só dá entrevista não sei como e não quero isso pra mim.

Prefiro então correr os riscos e confiar na pessoa que está entrevistando. Se não confio logo de cara não entro em detalhes dos assuntos, por que é aí que mora o perigo.
Se confio falo feito matraca...rs.

Sobre a mídia brasileira, acho que o problema dela é o mesmo de todas. O buraco é mais embaixo e essa pergunta sim, seria maravilhoso poder responder ao vivo, com palavras e expressões do rosto. Por escrito vai virar um tratado de Tordesilhas.

Free-downloads te incomodam?
Acho muito bom que tantas pessoas tenham acesso tão rapidamente a músicas recém lançadas. Eu baixo músicas sempre e quando acho massa a arte do disco compro também, por que gosto de ter, pra ler as letras, entender direitinho a ficha técnica e também por que acho importante o que se quis dizer com a arte do disco. Eu desenho e adoro essa parte visual também.

O lance do download free...acho massa baixar músicas de graça, como adoraria poder ter chocolates, uísque e viagens de graça. Só que o mundo não é assim...rs. Só é assim pra música. É aquela via de mão dupla que a gente ainda tá aprendendo na prática no que vai dar, pra ver onde se ganha e onde se perde mais. Falo aqui do lado do músico mesmo.

É incrível a divulgação que rola com downloads gratuitos e isso é uma coisa preciosa. Rola um alcance que num trabalho independente é impossível atingir de outra forma e isso é muito bom.

Por outro lado, trabalhar com música é uma coisa difícil no campo da grana. Por que também é fácil dizer que músico hoje em dia ganha dinheiro com show e não com venda de CDs. Ok, mas existe um problema muito sério aí que é a lei do oito ou 80. Normalmente se tem cachês bem baixos ou bem altos. As bandas e os artistas independentes, que tem um público grande mas nada comparado as grandes estrelas, ficam num abismo entre os pequenos e os grandes. As casas de shows, por exemplo, normalmente são bem pequenas ou super mega. O Brasil ainda precisa entender melhor e criar condições melhores de difusão da música independente e de bandas e artistas de “médio porte”. Quando uso esse termo feio “médio porte” não estou botando em jogo a qualidade artística e sim o tamanho do público.

Existem muitas iniciativas nesse sentido, mas ainda existem falhas muito grandes como por exemplo, iniciativas públicas e privadas tratarem essa relação como uma relação de favor. Esse pra mim é o problema maior. Por que não é uma relação de favor. Existem vários lados envolvidos, cada um com suas necessidades e é preciso trabalhar junto, mas não partindo do princípio de que toda banda ou artista que não é super famoso, tem que ser tratado mal, receber cachês ruins ou não receber cachês.

Muitas vezes se coloca no mesmo balaio bandas que acabaram de começar uma estrada e outras que fazem isso há muito tempo e trilharam um caminho forte, mesmo que longe da fama. Tudo bem que existe um mercado feroz e que trata como revelação artistas que a mídia acabou de descobrir. Mas é preciso não deixar de lado a realidade e agir como se a “fama” fosse o único fator de peso. Não dá pra dizer que o Cidadão Instigado e o Eddie, por exemplo, são “bandas novas” ou que tem público pequeno. É só tirar pelos últimos shows que as duas fizeram no carnaval de Recife. É preciso saber lidar com isso.

A situação dos artistas independentes é, o download é gratuito, ninguém ganha grana com venda de CDs e cachê é sempre um ponto problemático. E ainda assim existe uma cena fortíssima em todo Brasil.

É preciso urgentemente uma grande mudança. Existe um público imenso querendo ver e aplaudir, existem bandas e artistas incríveis em todas as cidades desse país, querendo pra tocar, pra ter seu trabalho reconhecido. E existe também um mercado saturado e viciado, que precisa se renovar. Ou seja, temos absolutamente tudo nas mãos e não conseguimos criar uma situação legal de existência e de convivência entre gêneros, porte de banda, porte de público.

2010 Eu Menti pra Você

1. Eu menti pra você
2. Vira pó
3. Avião aeroporto
4. Nassíria e Najaf
5. O pé
6. Ciranda do incentivo
7. Telekphonen
8. Mira ira
9. Soldat
10. Esperança cansa
11. Solo de água fervente
12. Bem vindas
13. Plástico bolha

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4 comentários:

Tiê disse...

a muié fala, fala... e fala bem. quase que ao vivo tem-se a impressão. parabéns pros dois, o blogudo e a entrevistada.

deve vir coisa boa nesse disco...
em breve sacarei.

tiago disse...

Não tem mentira nenhuma nessa entrevista!

Paul Brasil (Paul Constantinides) disse...

entrevista de primeira...som de prima tbm.
tá valendo
abs
paul

siusi disse...

EU DOU MAIOR VALOR NELA