segunda-feira, 12 de março de 2007

MARACATU ATÔMICO

Jorge Mautner nasceu no Rio de Janeiro em 1941. Desde pequeno acompanhou os trabalhos de seu padrasto na Radio Nacional, e conviveu com nomes como Nelson Gonçalves, Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso, Jorge Veiga, Emilinha Borba entre outros artistas.

Recebeu o prêmio Jabuti de literatura com seu primeiro romance publicado em 1962, “Deus da Chuva e da Morte”. Em 1965 Jorge lança um compacto com as músicas de protesto “Radioatividade” e “Não, Não, Não” e também um compacto do conjunto O’ Seis, que mais tarde seria conhecido como Mutantes. No mesmo ano, Mautner publica o livro O Vigarista, que devido ao conteúdo provocador e das letras do compacto, é incluido na lei de Segurança Nacional.

Jorge Mautner exila-se nos Estados Unidos até 1968, quando trabalhou no filme de Neville D’ Almeida "Jardim de Guerra", escrevendo seu roteiro e o argumento. O filme foi duramente censurado pela ditadura militar. Em 1970 conhece Caetano Veloso e Gilberto Gil em Londres e dirige o longa-metragem “O Demiurgo”, que segundo Glauber Rocha é o “melhor filme brasileiro sobre o exílio, no exílio”. No mesmo ano começa a escrever para o famoso Pasquim.

Em 1973 participa de uma comemoração patrocinada pelas Nações Unidas (ONU) em relação aos direitos humanos, onde foi criado o Território Livre, no Museu de Arte Moderna, com o show Banquete dos Mendigos. O show foi gravado num disco ao vivo, numa produção conjunta de Jards Macalé e da ONU, com a participação de grandes artistas como, Chico Buarque, Luis Melodia, Paulinho da Viola, entre outros artistas que participaram do Banquete, bem como seu parceiro de sempre, Nelson Jacobina, com quem compôs “Maracatu atômico”.

Após vários compactos e discos sem muita repercussão, Mautner lança o disco de 1974 com direção musical e participação de Gilberto Gil. Gravado no estúdio Havai, no Rio de Janeiro, constitui-se também no lançamento musical do jovem instrumentista Roberto de Carvalho, que tocou teclados. Outros grandes músicos tocaram: Tuty Moreno, Rodolfo Grani Jr., e sempre Nelson Jacobina. A capa é de Rogério Duarte, grande artista gráfico, autor do poster do filme de Glauber Rocha, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.

Jorge Mautner é poeta, escritor, violinista, pianista, bandolinista, compositor, cineasta, artista plástico e cantor. Também é uma da figuras que receberam o estranho rótulo de ‘malditas’ da arte brasileira.

1974 JORGE MAUTNER

1. Guzzy muzzy
2. Pipoca à meia-noite
3. Cinco bomba atômicas
4. Ginga da mandinga
5. Rock da TV
6. Samba dos animais
7. Herói das estrelas
8. Matemática do desejo
9. Nabado ê
10. O relógio quebrou
11. Salto no escuro
12. Maracatu atômico
13. Um milhão de pequenos raios

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“O ROCK era triste, heróico, nostálgico. Jamais um povo puritano poderia suportar por muito tempo a existência desta música dionisíaca porque esta o levaria para uma introspecção sombria e para o desespero. Logo então se criou o anti-rock, o anti-dionísio, que é o twist. E na superficialidade doce e rococó do twist perdeu-se toda a tragédia, fatalidade e amargura do rock perigoso. A libertação do orgasmo sexual traria grandes perigos para uma sociedade alienada como a dos Estados Unidos.”

Segunda-feira, 16 de março de 1964, do texto “Bilhete do Kaos”, de Jorge Mautner.

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