O Café Preto é formado por Canibal na voz, Bruno Pedrosa nas programações, samples e efeitos, PI-R nos teclados e programações, Eric Gabino no baixo, Marcus Antonio na guitarra e Pernalonga na bateria.
Canibal, que é mentor dos Devotos, não sabe explicar essa aproximação do reggae, dub e ragga. “Sempre fui eclético em relação a ouvir música, gosto de vários estilos, e claro, o punk rock e o hardcore estão no sangue. Mas o reggae tem uma parada que eu sempre quis cantar, é uma energia muito boa”, encerra ele.
A produção é do DJ Bruno Pedrosa e PI-R, e o disco conta com diversas participações, como Fred Zeroquatro, Areia, Chico Tchê, Publius, Ori, Marcelo Campello, Berna Vieira, Zé Brown e Ras Bernardo.
O álbum abre com ‘Dandara’, um dub estiloso e sensacional, com um suingue impossível de não acompanhar sacolejando o corpo. ‘Compre’ é um ragga espacial, sobre a situação capitalista da sociedade atual.
‘Nem se nem dó’ também é um ragga e traz na lembrança ‘Paranoid android’ do Radiohead num momento de transição entre um clima e outro. ‘Vamos pensar’ encerra o disco com uma levada forte e pegajosa, num tradicional sotaque pernambucano.
Esse álbum traz fortes influências eletrônicas em melodias contagiantes. Não perca esse lançamento.
2012 Café Preto
1. Dandara 2. Compre 3. Inimigo do inimigo 4. Nem se nem dó 5. Dos que se encontram 6. Oferenda 7. Sobe quem nem queira 8. Vamos pensar
O som é hermético, difícil de ouvir, bem como de entender. É um som de rachar a cuca, queimar o fusível do cabeção, tipo pedrada na orelha.
Os responsáveis pelo projeto ‘2finos e Um Grave’ são K-Torrent, Natinho, Camboja e várias participações, como Hieronimus do Vale nas programações visuais, entre outros.
O disco é um EP, ‘O Bom Bando’, lançado num esquema self-service de incentivar o usuário a gravar o próprio cd, imprimir a capinha e ainda distribuir a peça.
A faixa de abertura é ‘Zoa zoa’, uma livre adaptação da obra de Geraldo Azevedo, Otacílio Batista e Diniz Vitorino, que apresenta um repente inusitado, envolto a uma névoa de samplers, que casam muito bem com as programações experimentais.
‘Misture’ representa o álbum em si, uma vez que versa sobre o tema das misturas. A canção cria todo um clima etéreo, com destaque ás programações do teclado e a letra inspirada de Natinho.
Em ‘De andada’, os vários samplers e a programação industrial transformam a canção numa peça difícil de deglutir. Participação especial do Mussum, diretamente do filme de Silvio Tendler, ‘O mundo mágico dos Trapalhões’.
A última música é a versão de Natinho e K-Torrent para o famoso repente ‘Mea quadra’ – de Severino Pinto e Lourival Batista – gravado numa entrequadra de Brasília.
O álbum está disponibilizado gratuitamente pelo soundcloud.
Nagô é fotógrafo – um grande artista com um olho mágico para imagens e sons, que também atua como DJ, se especializando na música regional, cultura popular, batuque ou nos cantos de orixás e tudo mais.
Chamam de folclore ou música de resgate, mas isso não passa de um termo pejorativo para denominar uma música rica e cultural brasileira. O DJ Nagô solta esse tipo de som em suas pickups, mas também apresenta ‘setlists’ e – como nesse caso – uma coletânea de “regionalidades”, como o próprio define.
Podem imaginar que nessa seleção do DJ Nagô, só ouviriam artistas como João da Baiana, Pixinguinha, Naná Vasconcelos, Os Tincoãs, Clara Nune e Baden Powell – para citar apenas alguns mais conhecidos. Mas também entraram artistas menos conhecidos como Edinho Narumbelê, Mestre Natanael, Nezinho de Oxalá, Mestre Suassuna e Dirceu, Roque Ferreira e Orquestra Afro Brasileira, sem falar naqueles que já são mais populares como Elza Soares, Ruy Maurity, Noriel Vilela, Tereza Cristina, Cacai Nunes, Siba e Cordel do Fogo Encantado.
Essas escolhas regionais feitas pelo DJ Nagô, são fáceis de curtir e servem para balançar as cadeiras, para louvar Xangô, Oxóssi, Nagô e mais todos outros Orixás que possam se lembrar.
2011 Batuque
1. Edinho Narundelê - Elerum malé 2. Cantigas de Umbanda - Hora de rezar 3. Mestre Suassuna e Dirceu - Congo chegou 4. João da Baiana - Caboclo do mato 5. Orquestra Afro Brasileira - Babalaô 6. Oxum Pandá - Orixalá 7. Mestre Natanael - Negro no cais 8. Cordel do Fogo Encantado - Pedrinha 9. Siba - Bonina 10. Pixinguinha - Benguelê 11. Cacai Nunes - Saravá seu Oxossi 12. Mestre Natanael - Filho de Bantu 13. Naná Vasconcelos – Voz Nagô 14. Roque Ferreira - Oxóssi 15. Autor desconhecido - Ganga Zumba 16. Nezinho de Oxalá - Juremá do Juremá 17. Clara Nunes - Canto das três raças 18. Noriel Vilela - Meu caboclo não deixa 19. Ruy Maurity - Quizumba de Rei 20. Elza Soares - Rainha dos sete mares 21. Tereza Cristina - Nem ouro nem prata 22. Os Tincoãs - Agundê 23. Baden Powell - Canto de Xangô 24. Ruy Maurity - Xangô, o vencedor
O Sambanzo é uma banda instrumental que toca estilos tão díspares como samba de gafieira, carimbó, forró, ponto de umbanda, afrobeat e guitarrada. Tudo com uma pegada jazzística e extremamente suingada.
Thiago França é saxofonista e já tocou com Criolo, gravou em trio com Kiko Dinucci e Juçara Marçal, no ‘Metá Metá’, e também lançou o ‘disco sem nome’ do ‘MarginalS’.
Kiko Dinucci é compositor de mão cheia, violonista e cantor, tem a carreira solo (disco gravado com várias parcerias), os discos com o ‘Bando AfroMacarrônico’, o projeto em parceria com Douglas Germano, o ‘Duo Moviola’, e as grandes participações em discos de outros artistas.
Marcelo Cabral é baixista, que além de tocar no ‘MarginalS’ e no já citado ‘Sambanzo’, também divide a cena do ‘Passo Torto’ com Dinucci, Romulo Fróes e Rodrigo Campos. Além de ter produzido um dos melhores discos do ano passado, o ‘Nó na Orelha’, do Criolo.
O bateirista Pimpa e o percurcionista Samba Sam completam essa banda intuitiva que apresenta temas simples, com harmonias de dois acordes (geralmente tônica e dominante), e até melodias de um só acorde. Com uma sonoridade única, o Sambanzo destila veneno em vários estilos musicais.
O disco é produzido por Rodrigo Campos e pelos integrantes do Sambanzo, França, Dinucci, Cabral, Pimpa e Samba Sam. Gravado por Diogo Poças, Emilio Minduca e Léo Mendes no estúdio Plug-in. Mixado e masterizado por Carlos Lima no estúdio YB. O design da capa foi feito pelo próprio Kiko Dinucci.
2012 Etiópia
1. O sino da igrejinha 2. Xangô 3. Tilanguero 4. Capadócia 5. Xangô da Capadócia 6. Etiópia 7. Risca-faca
Saindo de um bar na W3 norte, matando aula do cursinho pré-vestibular - que tipo de animal mata aula do cursinho pré-vestibular? Passando por uma igreja evangélica, entrei num beco e deparei-me com uma figura tocando saxofone na penumbra dum estacionamento. Parei e puxei um papo.
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Tarde da noite, madrugada adentro, um grupo de estudantes formava uma ciranda e dançava de frente ao palco. Da plateia emergiu uma figura enorme e desajeitada que subindo para o púlpito, arrancou o microfone das mãos do apresentador, dizendo, “ciranda é um bagulho muito doido”.
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Apenas por educação, o saxofonista convidou aquele evangélico a visitar o estúdio onde a banda ‘Os Cachorros das Cachorras’ fazia as últimas gravações do que seria a primeira demo tape. Eles gravavam o côro em “O cabra”, na canção ‘1º caderno de dependentes do rock’.
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O grande ser desajeitado com sotaque paulistano acabou se tornando produtor executivo do primeiro e único clipe da banda ‘Os Cachorros das Cachorras’, para a música ‘Fio de Ariadne’.
1994 Demo Tape
1. 1º caderno de dependentes do rock 2. Ragga mony 3. Cachorro no maxixe 4. Discoteque no forró 5. Hard easy blue 6. O amor louco de pedra (Mancoeba's reggae)
Marcela Vale é Mahmundi – ela toca guitarra, bateria, sintetizadores e percussão, além de compor novos clássicos da música brasileira.
Mahmundi tomou o mundo dos downloads virtuais de assalto quando lançou, sem nenhum alarde, o primeiro single ‘Desaguar’. Composição dela que é um verdadeiro clássico moderno, com uma sonoridade retrô, meio oitentista, com uma modernidade de loops bem característicos dessa década (anos 10) desse Século XXI.
Em seguida veio ‘Calor do amor’, composta em parceria com Bruno Dias e Roberto Barrucho, que também reforça a ideia de timbres eletrônicos do início dos anos 80 (do Século passado).
Seguiu-se o lançamento do EP ‘Efeito das Cores’, com produção da própria Mahmundi, acompanhada por Lucas de Paiva e Lúcio Souza, apenas nas faixas ‘Desaguar’ e ‘Se assim quiser’ – cover de Arnaldo Antunes, que ganhou versão definitiva na voz clara e calma de Mahmundi, deixando a sensação de que foi ela quem gravou essa canção pela primeira vez.
Souza gravou teclados, baixo e sintetizadores nessas faixas, enquanto Paiva gravou teclados e sintetizadores nas canções restantes, mais o baixo de ‘Fotografe’ e ‘#089 {Felicidade}’. Felipe Vellozo foi quem gravou o baixo em ‘Calor do amor’ e ‘Quase sempre’.
A primeira audição do som de Mahmundi exala o frescor e alegria nos arranjos cheios de ousadia e boas referências, como à Fela Kuti na melodia eletrônica de ‘#089 {Felicidade}’. Bela descoberta foi o som dessa carioca, que aproveitou muito bem o período de trabalho na mesa de som do Circo Voador. Onde ela aproveitou para estruturar uma gama de timbres e definir sua sonoridade e estilos, trazendo um sopro de frescor à música brasileira.
2012 Efeito das Cores EP
1. Calor do amor 2. Fotografe 3. Se assim quiser 4. Quase sempre 5. Desaguar 6. #089 {Felicidade}
Não sei dizer ao certo, se o disco do Felipe Cordeiro é pop, kitsch ou cult. Talvez seja as três coisas ao mesmo tempo.
É kitsch na forma como apresenta temas que parecem ter saído de um filme de Almodovar. O pop vem do jeito em que ele mistura a cumbia, merengue, carimbo, guitarrada e tecnobrega com letras populares e ritmos dançantes, que fariam dançar até um defunto. Enfim cult na forma como o disco emprega modernidade aos arranjos.
O disco abre com a seminal ‘Legal e ilegal’, que deixa impossível não curtir de imediato o som do cara. Quando ele explica o que combina com cada ritmo exemplificado na letra bem humorada, dedicada a Alípio Martins. Em ‘Lambada com farinha’, Felipe e Manoel Cordeiro misturam lambada, carimbo, guitarrada e surf-music com música clássica barroca.
‘Fanzine kitsch’ cita Nietzsche em um diálogo kitsch, sofisticado e distraído. ‘Café pequeno’ é uma mistura de reggae com merengue. ‘Conversa fora’ é um autêntico tecnobrega, electromelody ou qualquer desses rótulos para explicar essa nova onda paraense.
O carimbó ‘Fogo morena’ mistura esse ritmo com a sonoridade pop brasileira do início dos anos 80. ‘Fim de festa’ é uma guitarrada instrumental composta por Manoel Cordeiro, produtor de Belém e pai do cantor.
Felipe Cordeiro parece estar antenado com o cenário atual e permeia o disco ‘Kitsch Pop Cult’ com impecável bom gosto. O disco encerra com a bela ‘Historinha’.
2012 Kitsch Pop Cult
1. Legal e ilegal 2. Lambada com farinha 3. Fanzine kitsch 4. Café pequeno 5. Conversa fora 6. Dias quentes 7. Fogo morena 8. Fim de festa 9. Embaraço 10. Historinha
E.M.I.C.I.D.A. lança mais uma canção, desta vez em homenagem às vítimas da truculência policial, agindo em defesa dos graúdos e poderosos. Como foi o caso da retirada dos moradores de Pinheirinho, em São José dos Campos, ou da desocupação da Cracolândia em São Paulo e como bem diz o jovem Leandro, “todas as quebradas devastadas pela ganância”.
No caso de Pinheirinho, a força policial distribuiu pontapés e bombas de gás lacrimogênio, não se importando com a presença de mulheres, crianças, idosos, deficientes e moradores inocentes. Na cracolândia, a mesma truculência foi aplicada para retirar os usuários da droga, que mais deviam ter sido reabilitados em algum programa social de recuperação de viciados.
Toda a bronca do E.M.I.C.I.D.A. é com a falta de políticas sociais votadas para uma parcela carente da população. Sinceramente, acho que ele pegou um pouco mais pesado, que devia... Mas a música foi feita para ser mesmo um soco no estômago, um tapa na cara ou um dedo na ferida de uma sociedade, que está cada vez mais ignorante e alheia ao que a cerca.
“O Brasil tem um histórico do povo ser colocado contra o povo e abraçar a causa da "elite": olha pro caso da USP, olha a favela do Moinho, a situação dos quilombolas, do MST, de todas as famílias sem ter onde morar... embora esta parcela da população seja gigantesca, a mídia faz com que o povo pense que são baderneiros. O que me assusta é a apatia das pessoas perante estas situações: você está assistindo o governo solucionar um problema de moradia com a Tropa de Choque agredindo mulher com criança de colo e acha que é isso que deve ser feito? Na hipótese mais bizarra, o Estado ainda estaria errado pela forma como trata as pessoas”, diz E.M.I.C.I.D.A..
Valeu E.M.I.C.I.D.A. pelo posicionamentoe engajamento! A faixa foi produzida por Renan Saman, com letra do próprio Leandro, lançada pelo Laboratório Fantasma.
Com um disco autobiográfico, Lucas Santtana se supera em seu quinto álbum, ‘O Deus que Desvasta mas Também Cura’.
Este lançamento segue cheio de transgressões, derivadas do álbum anterior (‘Sem Nostalgia’ de 2009), mas com um recorte pop dos primeiros discos (‘Eletrobendodô’ e ‘Parada de Lucas’). É como um vislumbrar o passado, sem (nenhuma) nostalgia.
A faixa que dá nome ao álbum abre com a tradição característica dos arranjos do maestro Leitieres Leite e sua ‘Orkestra Rumpilezz’. ‘Músico’ é um electro-afrobeat, com participação especial de Curumin no mpc, CéU nos vocais, Gustavo Ruiz nas guitarras, Marcos Gerez no baixo, Maurício Fleury no sintetizador e Bruno Buarque na bateria, que também divide a produção com Santtana, além da participação de Rica Amabis, creditado como co-arranjador e integrante da ‘Orquestra Sinfônica de Lagos’, numa clara referência ao berço desse ritmo.
Em ‘Jogos madrugais’, Santtana remete à sonoridade de velhas canções como ‘Lycra-limão’ ou ‘Itapoã ano 2000’, mas também traz a tona ecos de ‘Who can say wich way’, num belo arranjo em parceria com Gilberto Monte. ‘É sempre bom lembrar’ é uma balada nos moldes de ‘Hold me in’ – também do já clássico ‘Sem Nostalgia’ – arranjada em parceria com Gui Amabis, integrando a ‘Camerata Impressionista Grifnória’, que também tem a clarineta de Luca Raelle, o vibrafone de Marcelo Lobato, baixo acústico de Kassin (que também toca sintetizador) e violoncelo de Hudson Lima.
‘Se pá ska S.P.’ e ‘Vamos andar pela cidade’ mantém elos de ligação com o álbum ‘3 Sessions in a Greenhouse’. A primeira tem participação especial da guitarra solo de Morotó Slim, enquanto a outra tem novamente Bruno Buarque nas baquetas. Mas as duas faixas têm o auxílio da ‘Rio Brass Ensemble’ – com Leandro Joaquim no trompete e Marco Serragrande no trombone – e ‘Double Pack System Brass Ensemble’ – com Guizado no trompete e Edy no trombone – respectivamente.
‘Ela é Belém’ anuncia o arranjo e programações eletrônicas de Gilberto Monte, na orquestra de um homem só, ‘Filarmônica de Hogwarts’. ‘Para onde irá essa noite?’ é um simples e efici-indie rock com final apoteótico, com baixo meloso de Ricardo Dias Gomes, piano Rhodes e Hammond de Lucas Vasconcelos, bateria de Marcelo Callado e guitarrinha frenética de Gustavo Benjão. Inclusive, essa mesma banda acompanha Lucas em quase todas faixas do disco, salvo as participações aqui mencionadas.
“É uma manhã de domingo”, prega a canção composta entre pai e filho, Lucas e Josué. “Cadê Joaquim?”... Em ‘Dia de furar onda no mar’, Santtana posiciona na beira da praia uma exaltação à amizade na infância, pela óptica de Josué. “Convida o Matheus?”.... O menino Josué não é estreante no mundo das artes, visto que já compôs o ‘Funk do Ninja Bebê’ e está prestes a lançar o livro ‘ABC do Josué’ – onde define palavras como contemporâneo, incidência, almejar e réveillon – do qual o pai retirou essas mesmas definições para compor parte da letra.
‘O Paladino e seu cavalo Altar’ é a versão de Lucas Santtana para ‘This is not the fire’ da banda inglesa ‘My Tiger My Timing’, que faz um pop-new-wave contemporâneo. A faixa é herdeira absoluta d’O violão de Mário Bros’, numa ode aos vídeo-games. Inclusive Santtana utiliza-se de samples de alguns jogos antigos.
‘O Deus que Devasta mas Também Cura’ é um disco ousado, no qual Santtana mistura música erudita, games, barulhinhos e diversas programações eletrônicas em vários gêneros e ritmos, que permeiam toda obra.
O mote do disco é o momento atual de Lucas Santtana, temas como saudades, amores, dores, vícios e prazeres são pontuados pelas faixas dessa obra coesa. É impossível não ouvir o disco como uma peça única, desde a primeira canção à ultima. Este é ‘O Deus que Devasta mas Também Cura’.
2012 O Deus que Devasta mas Também Cura
1. O Deus que devasta mas também cura
2. Músico
3. Jogos madrugais
4. É sempre bom se lembrar
5. Se pá ska S.P.
6. Ela é Belém
7. Vamos andar pela cidade
8. Pra onde irá essa noite?
9. Dia de furar onda no mar (para Josué, Matheus e Joaquim)
10. O Paladino e seu cavalo Altar (This is not the Fire)
No melhor estilo de uma grande orquestra, o ‘Bixiga 70’ emula os afrobeats do Fela Kuti, com muito groove e tempero brasileiro.
A banda é formada por Décio 7 na bateria, Marcelo Dworecki no baixo, Cris Scabello na guitarra, Mauricio Fleury nos teclados e também guitarra, Rômulo Nardes e Gustávo Cék nas percussões, Cuca Ferreira no sax barítono, Dany Boy no sax tenor, Doug Bone no trombone e Daniel Gralha no trompete.
Juntos eles lançaram um dos melhores discos do ano passado, o auto-intitulado ‘Bixiga 70’. Para nomear a banda, ‘Bixiga 70’, os integrantes homenagearam Fela e sua famosa orquestra ‘Africa 70’, que nos anos 80 se tornaria ‘Egypt 80’, e segue em atividade até os dias de hoje com o herdeiro Seun Kuti.
O ‘Bixiga 70’ veio somar ao contingente de grandes orquestras (ou não), que misturam música brasileira com o afrobeat nigeriano, como a ‘Orkestra Rumpilezz’, a ‘Abayomy Afrobeat Orquestra’, ‘Sambanzo’, ‘Burro Morto’, ‘Afro Electro’, ‘Uafro’, entre outras...
Para baixar o disco inteiro, é preciso baixar música por música, diretamente do soundcloud deste combo – o ‘Bixiga 70’.
2011 Bixiga 70
1. Grito de paz 2. Luz vermelha 3. Tema di Malaika 4. Mancaleone 5. Zambo beat 6. Balboa da Silva (homenagem a Nilson Garrido) 7. Desengano da vista 8. Balboa dub 9. Dub di Malaika 10. Dub vermelho
A.B.R.A. é sigla para “Amigos Bandidos Residentes no Amor”, um grupo pré-canavalesco formado por Rubinho Jacobina, Cibelle, Iara Rennó e integrantes da banda Do Amor, Gustavo Benjão, Gabriel Mayall, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado.
Este ano o grupo lançou o álbum ‘A.B.R.A. Pré-Ca’ com o registro das marchinhas carnavalescas que animaram – e que ainda animarão – os bailes dessa época do ano. Tudo começou na véspera do carnaval do ano passado no bairro de Santa Tereza, Rio de Janeiro.
A idéia vingou e virou um bloco pré-carnavalesco com uma enxurrada de novas marchinhas, que tinham tudo para caírem no gosto popular da população boêmia da cidade. Pois foram essas novas marchinhas que viraram o primeiro registro dessa brincadeira, o disco ‘A.B.R.A. Pré-Ca’.
As novas composições refletem a melhor tradição das marchinhas do carnaval, que vai desde o uso de palavras com denotação sacana e duplo sentido. Algumas são assinadas pelo trio Iara Rennó, Cibelle e Rubinho Jacobina, como a ‘Marcha do valeu otários’, que é um estatuto à independência afetiva da mulher. Ricardo Dias Gomes, junto com este mesmo trio, assina a composição da ‘Marcha da pamonha’, que o nome já diz tudo.
Jacobina com Rennó assinam a ‘Marcha do procure saber’, que é um hino contra homofobia, com referências aos modelos pejorativos – que tipificavam as figuras dizendo que “babavam no quiabo” ou “lambuzavam o torresmo” – e às marchinhas preconceituosas, como ‘Cabeleira do Zezé’.
2012 A.B.R.A. Pré-Ca
1. Marcha da abertura 2. Marcha da preparação 3. Marcha do valeu otários 4. Marcha do Iguanacare 5. Marcha lúbrica 6. Marcha do procure saber 7. Marcha da pamonha 8. Marcha Evidênia 9. Marcha da Wilza 10. Marcha do Pratinho
E finalizando esta postagem de carnaval... E vocês achavam que tinha acabado, né? Este carnaval vai até de manhã...
Seguem umas marchinhas mais antigas em regravações mais recentes com Maurício Pereira e ‘Banda Turbilhão de Ritmos’, com o álbum ‘Carnaval Turbilhão’ de 2009.
Pra quem não sabe, Maurício Pereira é a outra metade dos ‘Mulheres Negras’, mas que também construiu uma carreira solo muito coerente e cheia de grandes álbuns clássicos. A banda ‘Turbilhão de Ritmos’ foi criada para tocar no programa ‘Fanzine’ da TV Cultura, onde o próprio Pereira atuava como crooner.
Entre os projetos pessoais de Maurício Pereira – ele tem shows para seus últimos discos, ‘Mergulhar na Surpresa’ e ‘Pra Marte’ – além de tocar no carnaval com o ‘Turbilhão de Ritmos’.
Mas como o assunto hoje é carnaval. Segue um disco de marchinhas antigas que você um dia já assobiou.
2009 Carnaval Turbilhão
1. Pot-Pourri: Toque de Clarins/ Guará/ El Cubanchero 2. Aurora 3. Ala-la-ô 4. Touradas em Madri 5. Chiquita Bacana 6. A.E.I.O.U. 7. Marcha da cueca 8. Máscara negra 9. Nós os carecas 10. Cabeleira do Zezé 11. Transplante de corinthiano 12. Saca-rolha 13. Jardineira 14. História do Brasil 15. Coração de jacaré 16. Pirata da perna de pau 17. Pastorinhas 18. Mamãe eu quero 19. Passarinho de relógio 20. Me dá um dinheiro aí 21. Pot-Pourri: El Cubanchero/ Guará
O Letuce é formado por Letícia Novaes e Lucas Vasconcelos. Eles fazem um som com muita influência do jazz e alguma pitada de indie-rock, pra fazer uma ambientação low profile. A presença de Letícia transforma a dupla num acontecimento extraordinário.
Destaque para faixas como ‘Pra passear’, ‘Fio solto’, ‘Medo da baleia’, ‘Loteria’, ‘Sutiã’ e ‘Ninguém muda ninguém’. Não deixem de ouvir e curtir o som – que a própria dupla disponibilizou pelo site oficial.
2012 Manja Perene
1. Pra passear 2. Fio solto 3. Chess trip 4. Areia fina 5. Cataploft 6. Freud sits here 7. Sempre tive perna 8. Medo de baleia 9. Loteria 10. Insôniazinha 11. Anatomia sexual 12. Sutiã 13. Ninguém muda ninguém
Lançado em 2010, ‘Journal de BAD’ de Bárbara Eugênia chama atenção por causa do clima psicodélico e setentista que permeia todo o disco.
São guitarras rasgantes de Junior Boca, tecladinhos melosos no melhor estilo “fossa-nova” de Dustan Gallas, e uma bateria firme de Felipe Maia, sem falar nas participações especiais de Pupillo, Dengue, Otto, Karina Buhr, Juliana R. e Tom Zé.
A faixa ‘Drop the bombs’, teve clipe recém lançado e gravado em Brasília. Destaque para as regravações de ‘O tempo’ do Cidadão Instigado e ‘Dor e dor’ de Tom Zé, além de outras faixas memoráveis como ‘A chave’, ‘Por aí’, ‘O oposto do osso’ e ‘Sinta o gole quente do café que eu fiz pra ti tomar’.
2010 Journal de BAD
1. A chave 2. Por aí 3. Embrace my heart and stay 4. Haru 5. Ficar assim 6. Drop the bombs 7. Dos pés 8. Agradecimento 9. O oposto do osso 10. O tempo 11. É, rapaz! 12. Dor e dor 13. Sinta o gole quente do café que eu fiz pra ti tomar
Difícil mesmo definir o som da banda mineira ‘Graveola e o Lixo Polifônico’. Eles fazem um som que tem no DNA coisas do ‘Clube da Esquina’ (pela proximidade geográfica), mas também têm a psicodelia, que era o forte dos ‘Mutantes’, além do hermetismo folclórico dos ‘Novos Baianos’. Mas é claro que também existem ecos de modernidade no som da banda, no melhor estilo rock de arena, como ‘Los Hermanos’ etc.
A banda continua seguindo a mesma linha do primeiro álbum, com letras espertas e melodias altamente assobiáveis, que variam entre samba, rock indie, mambo e funk entre uma balada e outra. Entretanto a produção foi claramente mais bem cuidada, no sentido de ter mais peso, mais grave, mais agudo, mais tudo... E as referências continuam brotando entre uma faixa e outra, desde lembranças das descontroladas do ‘Bonde do Tigrão’ ao sonho finito de Gilberto Gil de “quem não dormiu no sleeping-bag e nunca mais sonhou”.
Em ‘Eu Preciso de um Liquidificador’, a banda mistura influências e referências para criar um som autoral e atual e entrega uma obra enxuta e coerente com o ambiente que os cerca. Destaque para ‘Pra parar de vez’, ‘Farewell Love song’, ‘Desdenha’, ‘Nesse instante só’ e ‘Rua A’.
2011 Eu Preciso de um Liquidificador
1. Blues via satélite 2. Pra parar de vez 3. Desencontro 4. Farewell love song 5. Desdenha 6. Desmantelado 7. Inverno 8. Nesse instante só 9. Lindo toque 10. Rua A 11. Canção para um cão qualquer 12. Kg de pão 13. Babulina’s trip 14. O cão e aciência
Bruno Pedrosa, além de DJ é produtor musical. Sua mais recente produção foi em parceria com PI-R, para o projeto de Canibal, do Devotos – o Café Preto.
Projeto que tem faixas inéditas, com influências de vários ritmos jamaicanos como dub, reggae e ragga. O álbum está previsto para ser lançado neste ano corrente, mas já tem uma prévia com o primeiro single.
Bruno Pedrosa sempre produz podcasts, seleções, compilações e mixtapes – entre os muitos temas estão ‘Tsumangue’ (já no volume #3) e ‘Clássicos Fumegantes’ (já no volume #10). Para quem quiser baixar e ouvir é só visitar as páginas do DJ no Mixcloud e no PodOmatic.
Um projeto mais antigo foi a coletânea de remixes de sons pernambucanos, por artistas do mesmo estado – ‘Transformer’. Foi partindo da premissa desse disco, que busquei três respostas com o Pedrosa.
Comecei a discotecar em 1989, era house, acid house e alguns raps. Nessa época eram pequenas festas no meu bairro, Rio Doce, em Olinda. Produção foi bem depois.
Como foi o processo para lançar o disco ‘Transformer’?
Comecei a pensar o ‘Transformer’ entre 2004 e 2005, foi um processo de dois anos, lançado em 2006. Minha primeira produção foi ‘Meu esquema’ da ‘Mundo Livre SA’, que além do ‘Transformer’, entrou na trilha sonora do filme ‘Deserto Feliz, de Paulo Caldas. Deu um trabalho danado reunir as bandas e os produtores, mas no final das contas foi simples. Cada produtor que convidei ficou livre pra fazer seu remix –liberdade é fundamental. Também fiz o que quis com minha versão da ‘Mundo Livre’ – ‘ Zeroquatro’ me deixou bem a vontade...
Como você vê o mercado atual? Com free-downloads etc...
A internet é um bom complemento, com ela vem o free-download, que é indispensável, eu diria. Mas o disco físico ainda é um cartão de visitas. Em alguns casos, como o do vinil, se torna mais do que isso... É uma obra que fica...
2006 Transformer
1. Cordel do Fogo Encantado + Originais do Sample - Morte e vida Stanley 2. Mundo Livre SA + DJ Bruno Pedrosa - Meu esquema (Rio Doce Piedade mix) 3. Erasto Vasconcelos + Fabio Trummer - O baile betinha 4. Faces do Suburbio + PI-R - Perito em rima 5. Variant + 34A - Variant 6. Aparelhagem + DJ Dolores - De dar dó 7. Recombo + HD Mabuse - Paris, maio de 68 8. Bonsucesso Samba Clube + Berna Vieira - Veja lá 9. Digital Groove + Zé Neguinho do Côco - Jacira 10. Silverio Pessoa + Drumagick - Na boleia da Toyota 11. Tiné + Gabriel Furtado - Cobrinha 12. Eddie + Leo D & Wiiliam P - Não vou embora 13. Mombojó + BTK and Spleen - Deixe-se acreditar 14. Mundo Livre SA - Meu esquema (acústico)
Esse dia ainda pode acontecer caso seja aprovado no Congresso Norte-Americano o projeto de lei SOPA, sigla de Stop Online Piracy Act, também conhecido por PIPA (Protect IP). Essa medida encontra nos senadores Charles Schumer e KirstenGillibrand, seus grandes defensores ou lobistas para ser mais franco.
Por isso neste 18 de janeiro de 2012, a internet entrou em greve – pelo menos lá nos Estados Unidos da América. Sites como Nedroid, Oatmeal, Tor Project, Wikipedia (em inglês apenas), Wordpress, Explosm, Google (só o gringo – o nosso ainda funciona muito bem, pelo menos até essa nova leiser aprovada) e muitos outros.
Já tem hashtags no twitter #StopSOPA, #SOPA, que divulgam o link do da transmissão ao vivo e o vídeo do encontro de concentração para a passeata no centro de Manhatan em Nova Iorque (NY Tech Meetup), mas também divulgam fotos da manifestação e até ajudam aqueles que querem assinar as petições online contra SOPA/PIPA (que infelizmente são exclusivas apenas aos códigos postais dos EUA).
Mandem tweets para o tais senadores: @ChuckSchumer + @SenGillibrand #StopSOPA.
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