3.27.2011

A VERDADEIRA VOZ DE HIROMI QUANDO ELA SORRI

Fazia tempo que Hiromi Uehara não tocava acompanhada de um trio clássico de jazz. Talvez tenha sido a experiência com Stanley Clarke, no ano passado, que a tenha reapoximado deste formato, piano baixo e bateria.

Para este disco ela convidou o baixista Anthony Jackson – ele já tocou com Chick Corea e Steely Dan – e o bateirista Simon Phillips – que já tocou com David Gilmour e Jack Bruce – e chamou de ‘The Trio Project’.

Com essa formação ela gravou o ‘Voice’ – mais um maravilhoso adendo à sua discografia. “Quando toco música, eu percebo que isso realmente filtra as emoções”, comenta Hiromi. “Eu chamei esse album de ‘Voice’ (voz em ingles) porque eu acredito que as vozes das pessoas são expressadas pelas emoções. Não é aquilo que você fala. Mas aquilo que tem no coração. Talvez alguma coisa ainda a ser dita. Quem sabe nunca diga. Mas é sua verdadeira voz”.

O disco tem nove faixas e como sempre é o melhor álbum da carreira dessa japonesa que toca piano como homem. Quero dizer apenas, que ela tem uma pegada forte nas teclas, que parece um ser-masculino-bruto-forte-e-dominante. Ela realmente domina todas as faixas, até mesmo quando faz participação em disco dos outros – como foi o caso com Stanley Clarke, em ‘Jazz in the Garden’ – ela arrepia e rouba totalmente a cena.

O disco começa com ‘Voice’, onde o trio clássico de jazz mostra toda potência na bateria de Phillips e no baixo de Jackson, mas é no piano de Hiromi que a porca torce o rabo, com perdão do ‘trocadaleo’. Na faixa seguinte, ‘Flashback’, você pode sentir toda a pressão do bumbo de Phillips, um complemento perfeito para as estripulias de Hiromi. Esse novo trio é clássico demais.

‘Now or never’ tem até um certo eco dos sintetizadores de ‘Kung-fu world champion'. Em ‘Temptation’, Hiromi convida o ouvinte a decidir se “é doce ou amarga, essa tentação?”. ‘Labyrinth’ dá grande destaque às cordas de Jackson, que forma um belo dueto com as teclas de Hiromi. Que sufoco é tentar acompanhar essa garota. Jackson no baixo e Phillips na bateria formam um belo trio com Hiromi.

‘Desire’ e ‘Desolution’ quase se complementam de tão em sincronia no trabalho de Hiromi. Destaque para o baixo e bateria envolventes. Entre as duas faixas está a canção de piano solo, ‘Haze’, em que Hiromi mostra uma delicadeza impar, de arrepiar, mas sem deixar de embasbacar o ouvinte com seus improvisos que parecem te levar n’algum lugar, para em seguida lhe puxar o tapete e dar um nó na cabeça...

O disco encerra com a ‘Sonata nº 8’ de Beethoven, completamente irreconhecível como muito bem faz Hiromi – a versão de ‘Caravan’ dela é a versão mais rockenrou que já ouvi – com ela a canção de Beethoven ganhou contornos de um blues irresistível.

A idéia desse petardo era mesmo expressar emoções humanas sem o auxílio de letra alguma. Hiromi não precisa falar nada para hipnotizar – ela só precisa tocar piano e improvisar...

2011 Voice (with The Trio Project)

1. Voice
2. Flashback
3. Now or never
4. Temptation
5. Labyrinth
6. Desire
7. Haze
8. Delusion
9. Beethoven’s piano sonata no. 8 (Pathetique)

3.20.2011

VOCÊ VAI TER UM DERRAME AGORA MESMO



Sempre acreditei que a primeira faixa de qualquer álbum deve ser muito bem considerada. É preciso prender o ouvinte no primeiro acorde. A primeira canção precisa ser suficientemente forte para levar o espectador à próxima faixa.

Mas também a música número um, não pode ser a melhor faixa do disco. Basta levar à próxima audição. Posso citar alguns exemplos, como o grande clássico do Led Zeppelin, o volume ‘II’, que iniciava com ‘Whole lotta love’, ou ‘Moving Pictures’ do Rush, que começava com ‘Tom Sawyer’.

O ‘The Strokes’ é uma banda formada por Julian Casablancas nos vocais, Nick Valensi na guitarra, Albert Hammond Jr. na outra guitarra, Nikolai Frature no baixo e Fabrizio Moretti na bateria. Eles lançaram o álbum de estréia em 2000, ‘Is This It’, que foi um grande sucesso e transformou a banda nos maiores expoentes do rock indie.

Depois eles lançaram ‘Room of Fire’ em 2003 e ‘First Impressions of Earth’ em 2006, sem conseguirem alcançar o brilhantismo do primeiro petardo. Mas se você nunca ouviu falar deles, provavelmente esteve congelado criogenicamente ou em alguma ilha deserta nos últimos 10 anos...

Nesses últimos anos, os integrantes da banda seguiram carreiras solo, participações em discos de outros artistas. Casablancas gravou o disco solo em 2009, `Phrazes for the Young`, e fez um monte de participações em discos de gente como Danger Mouse e Sparklehorse,`Queens of the Stone Age` e Santogold, entre outros.

Nick Valensi também não ficou parado, ele gravou guitarra com Devendra Banhart e formou parceria junto com Sia, cantora pop australiana. Albert Hammond Jr. lançou dois álbuns, `Yours to Keep` em 2006 e `¿Cómo Te Llama?` em 2008. Nikolai Frature lançou o projeto `Nickel Eye` e gravou o disco `The Time of the Assassins` em 2009. Fabrizio Moretti aproveitou a folga para gravar com Rodrigo Amarante e Binki Shapiro, o `Little Joy`.

O disco mais recente do ‘The Strokes’ começa com ‘Machu Pichu’, um canção grudenta que você não consegue ficar sem cantar, mesmo sem saber a letra, no melhor estilo “poreporeporepopein...” e assim por diante. O álbum segue com ‘Under cover of darkness’, o single e possível grande hit do ano. Também é impossível não cantar junto o refrão.

Depois desse começo de disco sensacional é impossível não curtir o álbum inteiro. ‘Two kinds of hapiness’ traz uma seleção de riffs que se cruzam e se repentem formando um paredão de som no melhor estilo Strokes. A banda faz uma ponte bem sucedida entre os timbres da década de 80 com a eletrônica dos anos 90.

Esse disco pode ser considerado o melhor álbum da banda desde o disco de estréia. Parece que o hiato de quase cinco anos fez bem para o grupo, que tem na sua origem um descendente russo, Nikolai, o latino Hammond, basco Casablancas, Valensi que é judeu e Moretti que nasceu no Brasil.

2011 Angle

1. Machu Pichu
2. Under cover of darkness
3. Two kinds of happiness
4. You’re so right
5. Taken for a fool
6. Games
7. Call me back
8. Gratisfaction
9. Metabolism
10. Life is simple in the moonlight

Abaixar

3.13.2011

O DIA EM QUE O TIO SAM BOTOU BEBOP COM O SAMBA, pegou no tamborim, no pandeiro e na zabumba e entendeu que o samba não é rumba

Dizzy Gillespie é uma lenda do jazz norte-americano, um dos criadores do bebop e deixou canções momoráveis como ‘Salt peanuts’ e ‘A night in Tunisia’.

Durante uma de suas passagens pelo Brasil, Dizzy tinha a idéia de gravar um disco com uma bateria de Escola de Samba, mas diante dificuldades de colocar essa turma toda num estúdio, optou por uma banda que tocasse o ritmo. A escolha foi acertada, Dizzy gravou o disco com o Trio Mocotó.

Depois de três dias no Estúdio Eldorado, João Parahyba (percussão), Nereu Gargalho (pandeiro) e Fritz Escovão (cuíca) puderam se gabar por ter tocado com o pai do bebop. Mas não por muito tempo, porque as gravações jamais viram a luz do dia. Dizzy voltou para casa com todo material embaixo do braço e perdeu as masters.

Toda essa história já havia virado lenda do mercado brasileiro. Haviam testemunhas oculares, mas prova nenhuma dessas gravações. Até que um velho amigo de Dizzy, o produtor suíço Jacques Muyal, da LaserSwing Productions, encontrou o material e resolveu lançá-lo em disco.

Rezava a lenda que Dizzy fazia sessões intermináveis de meditação no chão do estúdio e que Parahyba havia se re-encontrado com Dizzy num festival de jazz em Estocolmo e o trumpetista não se lembrava das gravações.

Essas gravações, que além do Trio Mocotó, também contaram com a guitarra de Al Gafa, o baixo de Earl May, a bateria de Mickey Roker e os vocais de Mary Stallings em 'Evil gal Blues', dueto com Dizzy.

O disco abre com ‘Samba’ que pode lembrar um pouco o velho clássico samba-rock, ‘Coqueiro verde’, tem uma levada sensacional que seria impossível sem o suingue do Trio Mocotó. Além de seguir uma linha iniciada com ‘Winter samba’ que havia sido gravada em 1966.

A faixa seguinte começa com um inconfundível grito de guerra do Trio Mocotó “vamô s’imbora uau!”, ‘The truth’ (‘a verdade’ em inglês). Pois o álbum perdido de Dizzy Gillespie com o Trio Mocotó é mesmo verdade... ‘Dizzy’s shout (Brazilian improvisation) é bossa nova com Dizzy no trumpete – e o nome já diz tudo.

‘Behind the moonbean’ é composição do guitarrista Al Gafa, mas não passa de uma bela colagem de vários riffs da música brasileira. Será que é o primeiro mash-up de que se tem notícia? Talvez não...

A última faixa é uma pérola que tem toda a malemolência de Parahyba, Gargalo e Escovão, que brilha com seus solos de cuíca endiabrada duelando com o trumpete “Gillerspiano”. Putaqueospariram!!! Anos depois, Dizzy gravaria o disco ‘Dizzy’s Party’, em 1976, com o percussionista brasileiro Paulinho da Costa, que também fez um maravilhoso solo de cuíca. Mas essa faixa ‘Rocking with Trio Mocotó’, é um manifesto da cuíca no jazz norte-americano.

"Só ponho bebop no meu samba quando o Tio Sam pegar no tamborim, quando ele pegar no pandeiro e no zabumba, quando ele entender que o samba não é rumba", Jackson do Pandeiro e Gordurinha.

2009 Dizzy Gillespie no Brasil (& Trio Mocotó)

1. Samba
2. The truth
3. Dizzy’s shout (Brazilian improvisation)
4. Evil gal blues
5. Behind the moonbean
6. Rocking with Mocotó

Abaixar

3.06.2011

ENQUANTO MINHA IMAGINAÇÃO COMPOR INSANIDADES DOMINO ARTE

Leandro Roque se tornou E.M.I.C.I.D.A. por tanto massacrar seus oponentes nas batalhas de MCs. O nome é uma junção de homicídio com MC (que significa mestre de cerimônia e comumente utilizada no cenário hip-hop).

E.M.I.C.I.D.A. fez seu nome nas rinhas de MCs, mas foi com o lançamento da primeira mixtape em 2009, ‘Pra Quem já Mordeu um Cachorro por Comida até que eu Cheguei Longe’, que alcançou espaço maior no resto do país. Essa mixtape era quase uma coletânea do início da carreira desse rapper paulistano, mas já continha clássicos antológicos como ‘Só isso’e ‘Triunfo’.




No ano passado, E.M.I.C.I.D.A. lançou o EP ‘Sua Mina Ouve meu Rep Também’ que já trazia composições maduras, mas ainda assim se parecia muito com sobras de estúdio do trabalho anterior. Mas no segundo semestre de 2010, E.M.I.C.I.D.A. lançou outra mixtape, ‘Emicidio’, na qual conta sua história de vida com rimas fortes e grooves com pegadas irresistíveis.

‘Emicidio’ já pode ser considerado um dos discos de rap mais importantes da década, junto com grandes clássicos dos Racionais MCs, Kamau, MV Bill, entre outros. Nessa mixtape E.M.I.C.I.D.A. faz uma crônica pessoal de suas aspirações, anseios e dúvidas. Em ‘Cê lá faz idéia’, E.M.I.C.I.D.A. mostra a realidade cruel da periferia e do preconceito racial, social etc, em rimas contundentes. Já ‘Rinha (já ouviu falar?)’, ele se lembra dos bons tempos das batalhas de MCs, assim como ‘Santa Cruz’ e ‘De onde cê vem?!’.




‘Então toma’ é uma crônica do cotidiano, onde E.M.I.C.I.D.A. lança suas rimas rápidas e fala de tudo um pouco, desde o vestido da Geisi ao seriado ‘Lost’. ‘Emicidio’, que também havia sido lançada como single, lembra da dificuldade que todo MC tem pra vencer na vida, seja em coisas simples como levar leite para casa...

Em ‘Velhos amigos’, E.M.I.C.I.D.A. se lembra dos grandes companheiros, ‘Rua Augusta’ ele faz rima sobre a profissão mais antiga do mundo, e ‘I love quebrada’ é um hino de amor à periferia. ‘Eu gosto dela’ mostra toda a criatividade de E.M.I.C.I.D.A., ao descrever uma namorada, amante, esposa, ou seja “uma mulher durona”. ‘Só mais uma noite’é uma canção popular, que poderia muito bem estar em qualquer trilha da novela, mas é uma crítica social contundente.




E.M.I.C.I.D.A. fala com carinho de toda família em ‘Um final de semana’, lembrando que na correria para fazer sucesso como MC, ele deixou em casa várias pessoas com as quais preferia estar naquele momento. ‘Avua besouro’ fazia parte do EP, lançado no início de 2010, como bônus track, “cês esperava que eu roubasse tudo, menos a cena”.

Na última faixa do disco, ‘Beira de piscina’, ele faz uma carta de amor às pessoas que ama e do esforço que faz para “dar outro sentido pra frase, tinha que ser preto”. Mas ele também se lembra do sucesso que faz e da dificuldade de se manter fiel às convicções sem se afrouxar com o conforto da primeira classe.

Não bastante todo sucesso que faz, E.M.I.C.I.D.A. já é considerado um dos grandes representantes do rap nessa década. Mas ele não para. Segue produzindo suas rimas e faixas. A última foi lançada em single recente – o que pode significar que no final do ano teremos mais uma grande mixtape – em parceria com Mart’nália e produção caprichosa.




Lançado pelo Laboratório Fantasma, esse single tem letra de E.M.I.C.I.D.A., batida de Damien Seth, Marlon Sete e Altair Martins nos metais, Kuko na percussão, Nilo Romero no baixo, Evandro Fioti nos vocais e Carlinhos 7 Cordas no violão. A produção é de Damien Seth e Nilo Romero.

2011 Quarta-Feira (Single)

1. Quero ver quarta-feira (ft. Mart’nália)

Abaixar

2010 Emicidio

1. E agora?
2. Cê lá faz idéia
3. Rinha (já ouviu falar?)
4. Isso não pode se perder
5. Santo Amaro da purificação
6. Então toma!
7. Emicidio
8. Santa Cruz
9. Velhos amigos
10. Rua Augusta
11 I love quebrada
12. Eu gosto dela
13. Só mais uma noite
14. De onde cê vem?!
15. Um final de semana
16. Novo nego veio
17. Avua besouro
18. Beira de piscina

Abaixar

2010 Sua Mina Ouve meu Rep Também (EP)

1. Intro
2. Quer saber
3. Chegaí
4. Vacilão
5. Volúpia
6. Não vejo a hora
7. Avua besouro

Abaixar

2009 Pra Quem já Mordeu um Cachorro por Comida até que eu Cheguei Longe

1. Intro (é necessário voltar ao começo) (ft. Projeto Nave)
2. E.M.I.C.I.D.A. (adoooro)
3. Sozim
4. Rotina
5. Pra mim... (isso é viver)
6. Ainda ontem (ft. Rashid, Projota & Fióti)
7. Pra não ter tempo ruim (ft. Mariana Timbó)
8. Só isso
9. Vô buscá minha fulô
10. Ela diz
11. Por Deus por favor
12. Preciso (melô do Mundiko)
13. A cada vento (ft. Paulo)
14. Sei lá... (ft. Rael da Rima)
15. Cidadão
16. Soldado sem bandeira
17. Vai ser rimando
18. Um, dois, três, quatro
19. Fica mais um pouco amor
20. Outras palavras (ft. Rael da Rima)
21. Hey Rap!
22. Essa é pra vc Primo
23. Triunfo
24. Eu tô bem (ft. Daniel Cohen)
25. Ooorra... (a que deu nome a mix tape)

Abaixar

2.27.2011

ACORDEM!!! TODOS VOCÊS!!!

Depois de tantas listas dos melhores do ano etc e tal, resolvi também postar o que acho serem “osuprasumo” da música gringa, principalmente da norte-americana.

O primeiro álbum foi lançado no primeiro semestre do ano passado (2010), com a banda ‘The Roots’, criada por Black Thought e ?uestlove. Os caras arrebentaram no ano passado, lançando um disco enxuto e recheado de grooves incríveis.

Este é o nono álbum do ‘The Roots’, que atualmente é a banda de apoio do programa de entrevistas da NBC, ‘Late Night with Jimmy Fallon’. Teria sido minha escolha de melhor disco ‘gringo’ do ano, se não fosse outro lançamento...




2010 How I Got Over - The Roots

1. A peace of light (ft. Amber Coffman, Angel Deradoorian & Haley Dekle)
2. Walk alone (ft. Truck North, P.O.R.N. & Dice Raw)
3. Dear god 2.0 (ft. Monsters of Folk)
4. Radio daze (ft. Blu, P.O.R.N. & Dice Raw)
5. Now or never (ft. Phonte & Dice Raw)
6. How I got over (ft. Dice Raw)
7. DillaTUDE: The flight of Titus
8. The day (ft. Blu, Phonte & Patty Crash)
9. Right on (ft. Joanna Newsom & STS)
10. Doin’ it again (ft. John Legend)
11. The fire (ft. John Legend)
12. Tunnel vision
13. Web 20/20 (ft. Peedi Peedi & Truck North)
14. Hustla (ft. STS)

Abaixar

Claro que no final do ano o “soulman” da cena atual norte-americana John Legend, se uniu com a banda ‘The Roots’. Aconteceu que durante o pleito eleitoral – do qual Barack Obama concorreu à Presidência dos Estados Unidos – Legend e o ‘The Roots’ se juntaram para participar da campanha em prol do primeiro negro na Presidência do país. Nesses shows eles emulavam o passado e reapresentavam clássicos da “soul music” norte-americana.

Tudo isso foi apenas uma faísca que culminou no disco ‘Wake Up!’ dividido por Legend e ‘The Roots’, com inúmeras participações especiais. O disco em si já nasceu clássico, mas desde a escolha do repertório, as participações, bem como a produção bem cuidada e os arranjos sofisticados fizeram desse disco um petardo essencial do ano de 2010.

Seria minha escolha de melhor do ano – caso fizesse uma lista nesse sentido – enquanto o álbum do ‘The Roots’ viria logo em seguida.




2010 Wake Up! - John Legend & The Roots

1. Hard times (ft. Black Thought)
2. Compared to what
3. Wake up!
4. Our generation (The hope of the world) (ft. CL Smooth)
5. Little ghetto boy (Prelude) (ft. Malik Yusef)
6. Little ghetto boy (ft. Black Thought)
7. Hang on in there
8. Humanity (Love the way it should be)
9. Wholy holy
10. I can't write left handed
11. I wish I knew how it would feel to be free
12. Shine
13. Shine (Waiting for Superman version)
14. Wake up everybody (live in studio performance)

Abaixar

Para finalizar de vez essa história do ‘Wake Up!’ e da banda ‘The Roots’ e do John Legend, eles venceram o 53rd Grammy Awards nas categorias de “Rythm & Blues” de melhor performance vocal tradicional em ‘Hang on in there’, melhor canção para ‘Shine’ e ‘Wake up’ e melhor álbum “R&B”, para ‘Wake Up!’.

Na semana anterior à premiação, o rapper e produtor J. Period, lançou uma versão do ‘Wake Up!’ remixado, re-editado e reimaginado... O ‘Wake Up! Radio’ é como uma continuação do álbum de John Legend e ‘The Roots’.

Um verdadeiro tributo aos grandes artistas da “soul music”, como James Brown, Sam Cooke, Aretha Franklin, Isaac Hayes, Roy Ayers e Nina Simone, com participações especiais de gente como Rakim, Q-Tip, Common, Posdnuos, Pete Rock, CL Smooth, Kanye West, Blu, Nneka e K’naan.




2011 Wake Up! Radio - J. Period, John Legend & The Roots

1. Prologue: Inner city blues (ft. Black Thought & John Legend)
2. Rise & shine (ft. Black Thought, Blu & John Legend)
3. Wake up! Radio (Interlude) (ft. Black Thought)
4. Hard times (J.Period remix) (ft. Black Thought, John Legend & Dead Prez)
5. Dolla out a dime (Interlude) (ft. James Brown)
6. In the ghetto (Wake up!) (ft. Black Thought, Rakin & John Legend)
7. Little ghetto boy (J.Period remix) (ft. Q-Tip, Black Thought & John Legend)
8. We love roll call (Interlude) (ft. Nina Simone)
9. Misunderstood (ft. Common)
10. Message in our music (Interlude) (ft. Common & Mary J. Blige)
11. Eleanor Rigby (Interlude)
12. Dillanor Rigby (J.Period remix) (ft. Blu, Porn, Black Thought & John Legend)
13. The wake up! players band (Interlude) (ft. Questlove)
14. Compared to what (Interlude) (ft. Roberta Flack)
15. Compared to what (J.Period remix) (ft. John Legend)
16. Pain & inspiration (Interlude) (ft. John Legend & Nina Simone)
17. Strange fruit (remix) (ft. Common, John Legend & Nina Simone)
18. Who’s gonna take the weight (Interlude)
19. Walk on (J.Period remix) (ft. Black Thought & Isaac Hayes)
20. Could the drummer have some (Interlude)
21. In the park (J.Period remix) (ft. Black Thought)
22. Our generation (Interlude) (ft. Ernie Hines)
23. Our generation (J.Period remix) (ft. John Legend, Pete Rock & CL Smooth)
24. Give me that message (Interlude) (ft. Sam Cooke)
25. Hang on in there (J.Period remix) (ft. Black Thought & John Legend)
26. The love doctor (Interlude) (ft. Jimmy Fallon)
27. Love the way it should be (J.Period Remix) (ft. Nneka)
28. Hey love (Interlude) (ft. Posdnuos, Jimmy Fallon, Kanye West & K’Naan)
29. Ease my troubling mind (Interlude) (ft. Sam Cooke)
30. People get ready (J.Period Remix) (ft. Aretha Franklin)
31. Wake Up! radio sign-off (Outro)
32. Epilogue wake up, everybody! (ft. Mayda del Valle)

Abaixar
ou
Abaixar do site oficial

2.20.2011

Timeless: The composer & arranger series

Timeless é projeto da Mochila, dos diretores Eric Coleman e Brian Cross (também conhecido como B+), que contém três filmes sobre distintos artistas influentes na música, Arthur Verocai, representando o Brasil, J. Dilla dos Estados Unidos, e Mulato Astatke da Etiópia.

Os três filmes foram exibidos nas últimas semanas de fevereiro, com a presença dos diretores, em São Paulo e Rio de Janeiro. Quem assistiu pôde conferir a influente arte do maestro brasileiro Arthur Verocai, do mestre do ethio-jazz Mulato Astatke e do rapper e produtor norte-americano J. Dilla. Todos filmes foram filmados durante apresentações ao vivo dos respectivos artistas.



A primeira gravação foi feita no show do grande músico etíope, Mulato Astatke, que praticamente inventou o ethio-jazz. Mulato foi acompanhado por membros de bandas de jazz da cena de Los Angeles, entre eles Bennie Maupin, Azar Lawrence e Phil Ranelin.



A segunda apresentação foi com uma orquestra de 60 músicos, comandada pelo maestro Miguel Atwood-Ferguson, que homenageou o produtor e rapper norte –americano J. Dilla. Os espetáculos contaram com participações especiais, entre elas a do baterista Karriem Riggins, Posdnuos, Talib Kweli, Illa J e Bilal.



O terceiro evento foi registrado com a orquestra de Arthur Verocai, junto com outros 35 grandes músicos brasileiros, entre eles Mamão na bateria, Carlos Dafé nos vocais e Airto Moreira na percussão. Tocando ao vivo uma releitura do disco lançado por Verocai em 1972.

Agora, resta esperar que os respectivos shows venham ao Brasil.

2009 Timeless: Mulato Astatke

1. Yekermo sèw
2. The radcliffe
3. I faram gami
4. Yèkatit
5. Kasaléfkut hulu
6. Mulatu
7. Munayé
8. Yègellé tezeta
9. Ebo lala

Abaixar

2009 Timeless: Dilla/ Suite for Ma Dukes

1. Morning order
2. Antiquity
3. Le yatching
4. Untitled/ Fantastic
5. Welcome 2 Detroit
6. Gobstopper
7. Take notice
8. Affolements granitiques
9. Don't nobody care about us
10. Jealousy
11. Hot ‘N’ pucky
12. Angel
13. Reminisce
14. Stakes is high
15. Fall in love

Abaixar

2009 Timeless: Arthur Verocai

1. Karina
2. Sylvia
3. Dedicada a ela
4. Velho parente
5. Presente grego
6. O mapa
7. Pelas sombras
8. Caboclo
9. Seriado
10. Filhos
11. Queimadas
12. Balada 45
13. Sucuri
14. Flying to L.A.
15. O tempo e o vento
16. Isabel
17. Bis
18. Na boca do sol

Abaixar

2.13.2011

CAIXA PRETA, O PROJETO ITAMAR

Obrigado Serena e Anelis Assumpção. Por lançarem a caixa preta de Itamar Assumpção. Quem não sabe, essa caixa preta tem toda discografia do Itamar, remasterizada (só lembrando que as versões aqui abaixo não são as versões remasterizadas da caixa preta – portanto se você quiser as versões remasterizadas de todos os discos, deve comprar a caixa preta).

Obrigado também por darem continuidade à trilogia ‘Pretobrás’, iniciada em 1998 – no que se tornou o último disco do Itamar lançado em vida (o álbum em parceria com Naná Vasconcelos foi póstumo). Obrigado por dois discos inéditos do Itamar.

O primeiro ‘Pretobrás - Porque Eu Não Pensei Nisso Antes’ foi lançado pelo próprio Itamar, em vida. Sua idéia era preparar mais dois discos e formar uma trilogia, mas não teve tempo, apesar de deixar muito material gravado.

Em ‘Pretobrás II - Maldito Vírgula’ a produção ficou a cargo de Beto Villares e tem participação de gente como Arnaldo Antunes, B. Negão, Pupillo, Curumin, Thalma de Freitas, Kiko Dinucci, Marcelo Jeneci, Elza Soares, entre outros.

Já o último exemplar foi ‘Pretobrás III - Devia ser Proibido’ com produção de Paulo Lepetit e participação de Ney Matogrosso, Zélia Duncan e da banda que acompanhou Itamar durante muitos anos, a ‘Isca de Polícia’. Enquanto esse volume (III) é o mais próximo de toda discografia de Itamar, o volume II é mais popular e pode ser uma boa pedida para todos aqueles que não conhecem a obra desse grande artista.

Por isso eu agradeço profundamente a iniciativa de Serena e Anelis, filhas de Itamar Assumpção, por terem reunido a obra do pai em formato digno do grande artista que ele é.

1980 Beleléu Leléu Eu (& Isca de Polícia)

1. Vinheta I
2. Luzia
3. Fon fin fan fin fun
4. Fico louco
5. Aranha
6. Se eu fiz tudo
7. Vinheta II
8. Vinheta III
9. Baby
10. Embalos
11. Nega música
12. Beijo na boca
13. Nego Dito

Abaixar

1983 Às Próprias Custas S.A. (& Isca de Polícia)

1. Negra melodia
2. Você está sumindo
3. Vide verso meu endereço
4. Fico louco
5. Noite de terror
6. Oh! maldição
7. Amanticida
8. Batuque
9. Peço perdão
10. Que barato
11. Denúncia dos Santos Silva Beleléu

Abaixar

1986 Sampa Midnignt - Isso Não Vai Ficar Assim

1. Prezadíssimos ouvintes
2. Idéia fixa
3. Navalha na liga
4. Movido a água
5. Desapareça Eunice
6. Tete tentei
7. Vamos nessa
8. Eldorado
9. Sampa midnight
10. Isso não vai ficar assim
11. Z da questão meu amor
12. Totalmente à revelia
13. Cadê Inês
14. Chavão abre porta grande
15. É o Quico

Abaixar

1988 Intercontinental! (& Isca de Polícia)

1. Sutil
2. Adeus Pantanal
3. Pesquisa de mercado I
4. Oferenda
5. Sexto sentido
6. Pesquisa de mercado II
7. Ouça-me
8. Maremoto
9. Não há saídas
10. Mal menor
11. Zé Pelintra
12. Perdidos nas estrelas
13. Parece que foi ontem
14. Homem-mulher
15. Ausência
16. Filho de Santa Maria
17. Pesquisa de mercado III
18. Espírito que canta

Abaixar

1993 Bicho de 7 Cabeças (& As Orquideas do Brasil)

1. Sujeito a chuvas e trovoadas
2. Venha até São Paulo
3. Custa nada sonhar
4. Quem é cover de quem?
5. Noite torta
6. Balaio
7. Vou tirar você do dicionário
8. Logo que eu acordo
9. Orquídeas
10. Se a obra é a soma das penas
11. Quem descobriu, descobriu
12. É tanta água
13. Sonhei que viajava com você
14. Me basta
15. Nobody knows
16. Penso logo sinto
17. Enquanto penso nela

Abaixar

1993 Bicho de 7 Cabeças Vol.II (& As Orquideas do Brasil)

1. In the morning
2. Milágrimas
3. Ciúme do perfume
4. Coração absurdo
5. Tristes trópicos
6. Estropício
7. Quem canta seus males espanta
8. Tua boca
9. Lambuzada de dendê
10. Ei você aí
11. Aí que vontade
12. Onda sertaneja
13. Santo de casa
14. Vê se me esquece
15. Parece que bebe
16. Bicho de sete cabeças

Abaixar

1993 Bicho de 7 Cabeças Vol.III (& As Orquideas do Brasil)

1. Estropício
2. Quem canta seus males espanta
3. Tua boca
4. Lambuzada de dendê
5. Ei você aí
6. Aí que vontade
7. Onda sertaneja
8. Santo de casa
9. Vê se me esquece
10. Parece que bebe
11. Bicho de sete cabeças

Abaixar

1996 Ataulfo Alves por Itamar Assumpção (Pra Sempre Agora)

1. Meus tempos de criança
2. Saudades da Amélia
3. Bom crioulo
4. Requebro da mulata
5. Mulata assanhada
6. Laranja madura
7. Pois é
8. Vai mesmo
9. O homem e o cão
10. Errei sim
11. Errei erramos
12. Sei que é covardia
13. Atire a primeira pedra
14. Nem que chova canivete
15. Na cadência do samba
16. Jubileu
17. Bonde São Januário
18. Gente bem também samba
19. Leva meu samba
20. Vassalo do samba

Abaixar

1998 Pretobrás - Porque Eu Não Pensei Nisso Antes

1. Cultura Lira paulistana
2. Abobrinhas não
3. Vá cuidar da sua vida
4. Pretobrás
5. Extraordinário
6. Vida de artista
7. Dor elegante
8. Pöltinglen
9. Vou de vai-vai
10. Por que eu não pensei nisso antes
11. Apaixonite aguda

Abaixar

2004 Isso Vai Dar Repercussão (& Naná Vasconcelos)

1. Leonor
2. Cabelo duro
3. Próxima encarnação
4. Fim de festa
5. Justo você Berenice
6. Aculturado
7. Assim Naná ensina

Abaixar

2010 Pretobrás II - Maldito Vírgula

1. Maldito vírgula
2. Samba enredo
3. Je t'aime mais que o Jerome
4. O tempo todo
5. Todo esse tempo I
6. Todo esse tempo II
7. Ir pra Berlim
8. Procurei
9. Más línguas
10. Breu da noite
11. Os incomodados que se mudem
12. Agora é que são elas
13. Longe demim
14. Elza Soares

Abaixar

2010 Pretobrás III - Devia ser Proibido

1. Anteontem (melô da UTI)
2. Eu tenho medo
3. Grude
4. Devaneio
5. Devia ser proibido
6. Persigo São Paulo
7. Pirex
8. Fundamental
9. Ninguém como você
10. Variações
11. Ciúme doentio
12. Enquanto uns ficam falando
13.Visita suicida
14. Que tal o impossível
15. Os incomodados que se mudem

Abaixar

2.06.2011

OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO OS ALQUIMISTAS




Venho por meio desta postagem, aderir à campanha do ‘Queremos’, que é juntar fãs que gostariam de assistir Jorge Benjor tocando ao vivo o clássico ‘A Tábua de Esmeralda’.

Diz a lenda, que o disco foi executado ao vivo na integra naquela época, nos idos de 1974. Por isso mesmo, essa nova geração quer ouvir esse disco ao vivo também... Muita gente já aderiu a esta campanha. O EuOvo agora também é um adepto!

O disco ‘A Tábua de Esmeralda’ é um clássico na discografia de Jorge Benjor, da época em que ele ainda era conhecido apenas como Jorge Ben. Esse petardo foi criado numa fase de iluminação e alquimia, e foi o último em que Benjor tocou exclusivamente violão.

Pode-se dizer que é um disco conceito de Benjor, já que ele se baseou nos textos do faraó Hermes Trismegisto – esse texto deu origem a toda alquimia e ocultismo ocidental e oriental e além de ser conhecido como ‘Tábua de Esmeralda’ é também chamado de ‘O Segredo de Hermes’. Esses escritos foram encontrados na pirâmide de Gizé – numa lâmina de esmeralda grafada com uma ponta de diamante – e foram depois traduzidos pelo alquimista contemporâneo Fulcanelli.

Jorge Benjor começa o disco com uma homenagem a todos alquimistas herméticos com ‘Os alquimistas estão chegando’. “Tem que dançar dançando e gravar gravando”. ‘O homem da gravata florida” é uma homenagem ao suíço Paracelso, que além de um famoso alquimista, foi um médico, físico e astrólogo. Essa canção foi forte influência para Fred 04, principalmente na ‘O rapaz do b... preto’ do Mundo Livre SA.

‘Errare humanum est’ é baseada no livro de Erich Von Däniken, ‘Eram os Deuses Astronautas’ e tem um arranjo cheio de efeitos espaciais, criando um clima especial. Já ‘Menina mulher da pele preta’ é mais uma do cancioneiro clássico de Jorge Benjor, que fala do cotidiano e sobre amores, malícia, malemolência da mulher etc. Assim como as faixas, ‘Eu vou torcer’ que Benjor vibra pela paz, moças bonitas, pelo mengão, e até por São Tomaz de Aquino, ‘Magnólia’ que exalta a beleza dessa fêmea em questão, ‘Minha teimosia, uma arma pra te conquistar’que comenta a difícil arte do flerte.

“Zumbi é o senhor das guerras, é o senhor das demandas, quando Zumbi chega é ele quem manda”, já entoavam B. Negão e Marcelo D2 em ‘Dig dig dig (hempa)’ do ‘Planet Hemp’. A escravidão é o tema de ‘Zumbi’ – que usa a figura do mártir da causa negra – foi a primeira versão dessa canção, que seria regravada quatro anos depois no álbum ‘África Brasil’.

‘Brother’ poderia ter sido cantada pelo vozeirão do Tim Maia. É um soul gospel com suingue samba-rock em exaltação ao ‘Jesus Lord Christ’. ‘O namorado da viúva’ tem o violão batidão característico de Jorge Benjor, para descrever o caso de amor entre um jovem e uma viúva fogosa. “Queeeee viúva é essaaaaa”...

Em ‘Hermes Trismegisto e sua celeste Tábua de Esmeralda’ Benjor declama o texto completo escrito pelo faraó, que também foi regravada no álbum ‘África Brasil’. ‘5 minutos’ fecha o disco com uma belíssima melodia, que até foi cantada por Marisa Monte no álbum ‘Memórias Crônicas e Declarações de Amor’. A canção é mais um relato do cotidiano – como sempre faz Jorge Benjor.

‘A Tábua de Esmeralda’ é um clássico da música popular brasileira – imprescindível em qualquer discoteca. Assistir esse show ao vivo seria uma dádiva. Que somente o Benjor pode conceder... Salve Jorge!

1974 A Tábua de Esmeralda

1. Os alquimistas estão chegando
2. O homem da gravata florida
3. Errare humanum est
4. Menina mulher da pele preta
5. Eu vou torcer
6. Magnólia
7. Minha teimosia, uma arma pra te conquistar
8. Zumbi
9. Brother
10. O namorado da viúva
11. Hermes Trismegisto e sua celeste Tábua de Esmeralda
12. 5 minutos

Abaixar

Em tempo... Essa campanha para o Benjor tocar o ‘A Tábua de Esmeralda’ ao vivo teve origem na cabeça do colega jornalista, Bruno Natal, que também é responsável pelo Urbe, d’O Esquema.

Natal, junto com Tiago Lins, Felipe Continentino, Pedro Seiler, Pedro Garcia e Lucas Bori são o site 'Queremos', que levou o conceito do “crowdsourcing” (ou “crowdfunding”) para a cidade maravilhosa. Esse negócio funciona como a famosa “vaquinha”, um grupo de pessoas se junta para viabilizar uma projeção de cinema entre amigos – nesse caso um show de música... Ou vários...

Com essa idéia, o ‘Queremos’ já trouxe shows de ‘Miike Snow’, ‘Belle and Sebastian’ e Mayer Hawthorne, ‘Vampire Weekend’, ‘LCD Soundsystem’, entre outros. Primeiro o site investiga o valor necessário para viabilizar o espetáculo em pauta e depois estabelecem as cotas para cada apoiador, que contribui com o valor e pode até receber o valor de volta, caso os ingressos vendidos cubram todo investimento.

Depois de tantos shows internacionais, o ‘Queremos’ resolveu cutucar Jorge Benjor – através de uma página no Facebook – com a possibilidade da realização desse espetáculo para as novas gerações que não viram o ‘A Tábua de Esmeralda’ ao vivo.

Vários artistas já gravaram depoimento na página, como Lucas Santtana, B. Negão, Pitty, Tulipa e Gustavo Ruiz, Pupillo (do Nação Zumbi), Chiquinho (do Mombojó), EMICIDA, Nina Becker, BiD, André Gonzales (do Móveis Coloniais de Acaju), Marcelinho da Lua, Curumin etc.

____________________________________________________

EM OUTRO TEMPO...

Depois de tanta comoção e tantos artistas aderirem à campanha... Jorge Benjor aderiu também - pois além de comentar no twitter, ele também concordou em tocar o disco 'A Tábua de Esmeralda' ao vivo no violão... Não tem nenhuma data marcada, por enquanto, mas ele já avisou que está ensaiando.

1.30.2011

O ESPETACULAR PROJETO MAFARO DIKO FARÁ

André Abujamra pode ter inaugurado um novo conceito de fazer e vender música. O show de seu mais recente disco, ‘Mafaro’, não é simplesmente um espetáculo audio, mas sim um ‘Show Filme’, como bem anuncia nos letreiros iniciais.

Abujamra ressalta que seu projeto não teve apoio da Petrobrás, nem da Ancine, e que bancou tudo do próprio bolso. O conceito. Um espetáculo ao vivo, acompanhado de imagens que sustentam uma narrativa, a cada faixa.

‘Mafaro’ que dizer alegria na língua do zimbabwe. Abujamra, como bom pesquisador da música do mundo todo, transforma todos esses ritmos numa peça de forte apelo popular. Suas composições trazem forte acento cosmopolita. Esse som é universal.

Pode até ser que o ‘Mafaro’ de Abujamra não tenha mesmo inaugurado o conceito. Mas com toda certeza foi um dos precursores. O espetáculo ‘Mafaro’ é imperdível e complementa o álbum. Mas o disco vive sem o show e vale muito a pena baixar. O próprio Abujamra incentiva...



MAFARO TEASER SHOW from Andre Abujamra on Vimeo.


2010 Mafaro

1. Origem
2. Imaginação
3. Lexotan
4. A pedra tem vida
5. Uma a uma
6. O amor é difícil
7. Tem luz na cauda da flecha
8. Logun Edé
9. Daumloudaram
10. Abuxiscuruma
11. Duvião
12. Mafaro

Abaixar

1.23.2011

VENHA BAILAR NA ACADEMIA DA BERLINDA

Na ‘Academia da Berlinda’ você aprende a bailar a cumbia, o bugaloo colombiano, o carimbó, o samba, reggae, dub e até jovem guarda.

O novo disco da ‘Academia da Berlinda’, ‘Olindance’, mostra o amadurecimento da banda e põe todo mundo pra dançar, mais um vez... Desde o primeiro álbum, a banda apresenta suas cumbias, guarachas, carimbós e toda sua salada de ritmos para o benefício do freqüentadores dos bailinhos.

Desde o princípio, a proposta da ‘Academia da Berlinda’ foi de colocar o povo pra dançar, como nos velhos bailinhos dos tempos de outrora, mas que vêm sendo resgatados por bandas como esta, entre várias outras.

Enfim... No segundo disco, a banda apresenta um repertório muito mais preocupado na experiência da mistura dos ritmos e nas possibilidades que tudo isso traz. Mesmo assim o álbum prima pela diversão e pela dança, que é impossível não marcar o ritmos e sacudir o esqueleto ao ouvir esse petardo.

Com produção bem cuidada de Buguinha Dub, assim como mixagem e masterização de Gustavo Lenza do ‘YB Studios’, com patrocínio da ong ‘Via do Trabalho’ e apoio da ‘Maruim Records’, ‘Fábrica Estúdios’, ‘Studio Mundo Novo’ e ‘Refinaria Cultural’.

O disco abre com ‘Bem melhor’ faixa que foi lançada como single em janeiro de 2010 e segue com a bela ‘Cumbia da praia’. ‘Fui humilhado’ mostra uma visão bem humorada da vida de um pop star emergente. Daí o álbum continua apresentando belas canções de bailar, como ‘Lua’, ‘O gole’, ‘Primeiro plano’, ‘Lágrimas’ e as instrumentais ‘Praia do L’ e ‘Berlinman’.

Algumas faixas fogem um pouco da proposta da banda, que é de fazer dançar com ritmos calientes e sabrosos, como ‘Melô do meninão’, que tem fortes influências dos rockezinhos antigos da jovem guarda. ‘A gringa’, ‘Filhinho’ e ‘E então’ seguem uma linha de arranjos mais elaborados com base na “adubagem”. O disco encerra no ‘Tapete vermelho’. Ééégua!!!

2011 Olindance

1. Bem melhor
2. Cumbia da praia
3. Fui humilhado
4. Lua
5. Praia do L
6. A gringa
7. Filhinho
8. Melô do meninão
9. E então
10. O gole
11. Primeiro plano
12. Berlinman
13. Lágrimas
14. Tapete vermelho

Abaixar

1.16.2011

A INCRÍVEL E TRISTE HISTÓRIA DE BAPTISTA, O HOMEM QUE VIROU MÁQUINA

Esse Baptista é apenas um personagem de ficção. É a história de um operário, que tem um trabalho repetitivo e cansativo. Até chegar ao ponto de ruptura onde percebe estar isolado num mundo tecnológico e repleto de máquinas.

‘Baptista Virou Máquina’ é o nome de um projeto ambicioso do ‘Burro Morto’, banda paraibana que faz uma mistura afrobeat com grooves e levadas funks e synths progressistas e psicodélicos, entre tantas camadas. Melhor definindo o som da banda... É um som de camadas.

Esse projeto ambicioso é o segundo álbum da banda e um filme de média-metragem, que foi possível pelo Projeto Pixinguinha, do Ministério da Cultura (Minc). Carlos Dowling foi produtor executivo de todo projeto e também dirigiu o filme, com direção de arte de Shiko, que também fez a arte do encarte do disco.

Esse novo projeto do ‘Burro Morto’, além de disco também virou trilha óptica original, isto é, um média-metragem construído em cima das músicas e climas do disco. A banda contou com participação de Fernando Catatau na faixa ‘Cataclisma’.

O ‘Burro Morto’ nasceu quase como projeto paralelo de seus integrantes, Haley nos sintetizadores, Leo Marinho na guitarra, Daniel no Baixo, Ruy na bateria e Pablo na percussão. Mas a banda cresceu com uma proposta ousada de música instrumental, que propõe um verdadeiro happening futurista – mesmo que seja apenas no formato sonoro.

Mas a banda também já se apresentou, tocando o disco inteiro em cima da projeção do filme – num verdadeiro cine-concerto – em Recife. Assim, a proposta ousada de banda, cresce cada vez mais a ponto de acrescentar novas camadas – mesmo que em mídias diferentes – num espetáculo de camadas por cima de camadas.

Aproveitando uma breve passagem do ‘Burro Morto’ pelas terras daqui, falei com o Haley sobre o disco e deixo abaixo suas impressões.

Como foi o processo de gravação? E porque virou um filme?

Nós mesmos fizemos a produção musical. O disco foi gravado e mixado no nosso estúdio, o Mutuca.

Primeiro foi elaborado um roteiro, que seria a vida do personagem Baptista. Depois dividimos esse roteiro em diversas partes, cada música representa uma parte dessa história. Obviamente que não é uma representação clara, imaginamos que ninguém criará as mesmas imagens que nós, mas esse lance do roteiro serviu como um ponto de partida. Uma música trata da cidade, outra trata do trabalho, etc. As músicas surgiram já durante o processo de gravação, ficamos internados no estúdio por dias.

Como o disco já tinha um caráter meio cinematográfico, não demorou a surgir essa idéia. Antes já tínhamos a idéia de registrar todo o processo de gravação.

Fale um pouco do conceito desse disco?

Ele versa basicamente sobre o trabalho. Sobre esse lance de trabalharmos sempre mais, e continuarmos sempre aquém financeiramente. É meio que uma projeção extrema de onde isso poderia chegar. Queríamos fazer um disco futurista, mas não aquele futurismo glamouroso e sim um futuro mais condizente com o terceiro mundo.

Baptista é uma cara que, há 50 anos, só trabalha. Graças aos avanços farmacológicos, as pessoas já não dormem mais e não fazem nada além de trabalhar para pagar as ferramentas de trabalho. Um dia Baptista sofre um acidente em serviço e desmaia. Nesse desmaio ele sonha com as antigas capacidades do homem, como amar, fazer arte, ter amigos etc. Então o disco tem uma primeira parte que trata do trabalho repetitivo e a segunda, que trata desse sonho, um paradoxo da primeira.

O disco é a trilha sonora do filme?

Na verdade nós costumamos dizer que o filme é uma trilha visual do disco, pois o filme só surgiu depois de todo o disco estar pronto. O enredo do filme parece com o enredo original do disco, mas é um paralelo, não conta exatamente a mesma história.

No filme, Baptista é um soldador, quando seu material de trabalho acaba, ele sai pra comprar mais e percebe que só resta ele no mundo. Aí ele fica interagindo com a cidade e com suas memórias.

2011 Baptista Virou Máquina

1. O céu acima do porto
2. Transistor Riddim
3. Tocandira
4. Bapstista, o maquinista
5. Volks velho
6. Foda do futuro
7. KalaKuta
8. Cataclisma
9. Volte amor
10. Luz vermelha

Abaixar

1.09.2011

O DISCO BRASILEIRO MAIS IMPORTANTE DA DECADA, SEM NOSTALGIA

Sei que muitos irão discordar dessa escolha e posso até concordar que existam candidatos excelentes, que tenham discos até mais populares e fáceis de ouvir que o ‘Sem Nostalgia’ do Lucas Santtana. Para esses, recomendo a audição desse álbum com fones de ouvido...

Acontece que eu o acho importante por uma série de razões, entre elas o fato de ser uma obra que resgata o velho formato voz e violão e subverte-o de tal forma que não parece ter apenas voz e violão. Claro que não há exclusivamente voz e violão, porque existem samples e programações, sem falar em toda a ambientação – mas tudo isso são camadas para cada música.

O disco abre com uma colagem frenética de grandes riffs de violão, ‘Super violão mashup’, começando com ‘Noite de temporal’, de Dorival Caymmi e seguindo com trechos de outros grandes artistas do instrumento, como Baden Powell, Jorge Benjor, Gilberto Gil, Tom Zé, Moraes Moreira, entre outros. Essa faixa funciona bem como abertura e prepara o ouvinte para o que vem a seguir.

A faixa ‘Who can say wich way’ tem uma levada contagiante, que é praticamente impossível não bater o pezinho marcando o ritmo. A interação entre o riff do violão com o violão mineirinho dá força à gravação. Tudo isso aliado à batucada no corpo de outro violão. Por isso mesmo o disco é uma obra de voz, violão e ambiente, nas palavras do próprio Santtana.

‘Night time in the backyard’ é uma parceria com Arto Lindsay. Começa com o violão de Santtana e vai logo apresentando as camadas. Que barulho é esse? Um ruído do som? Não... É um grilo! Cadê esse grilo safado? Mas ai você entra mais fundo no bosque, na floresta, no jardim, ou onde sua imaginação o levar... Essa é uma faixa pra se respirar, junto com a retomada de ar de Santtana, junto com as cigarras, com os grilos e todos outros insetos, capturados na maravilhosa máquina de gravação do tempo... Inspira... Expira... “Closer, closer, closer… night begains to fall”.

‘Cira, Regina e Nana’ tem mais uma levada irresistível, com o riffs e batucadas nos violões entre ecos e delays. Uma das melhores faixas do disco. Uma canção adorável que conta uma história ao inverso do descrito em ‘Terezinha de Jesus’ do Chico Buarque, mas também tem um pé no ‘Taj Mahal’ de Jorge Benjor.

‘Recado pro Pio Lobato’ faz guitarrada misturando violões, com programações e samples. Tudo começou quando Pio Lobato misturou maracatu com guitarrada em ‘Recado pra Lucio Maia’, claramente uma referência ao guitarrista do Nação Zumbi. Antes de Maia poder responder o recado, Santtana pegou o fio da meada e fez essa canção em parceria com Régis Damasceno. Hoje Maia já lançou a sua resposta no disco novo do ‘Maquinado’, ‘Recado ao Pio, extensivo ao Lucas’. Foi assim, que ‘Mr. Spaceman’ acabou sendo esquecido…

‘Hold me in’ é uma balada. Uma nova pausa pra respirar… Enfim. Esse é um disco de voz, violão e ambiente e essa faixa também é uma das favoritas. Tem a voz sussurante de Santtana, os harmônicos no violão e quase que dá pra senti-lo reclamando de sede. Um copo d’água pro Santtana, por favor? Mais uma parceria com a belíssima poesia de Lindsay. “Hold me once, and hold me twice, while night booms on the sand”.

‘Amor em Jacumã’ de Dom Um Romão e Luiz Ramalho, ganhou releitura a altura. A música ficou famosa com arranjo de Sivuca para a banda ‘Cravo & Canela’, mas já estava na hora de trocar “tô na minha, agora” por “vou dar uma bola”. Deu outro sentido à canção, ainda mais com voz, violão e ambientação. Parece uma praiazinha deserta, com coqueiros, periquitos, o sol nascendo... Mas chove no final do dia... Presta atenção na letra, “subindo e descendo nesse vai e vem (...) que lá em Jacumã ninguém conversa não (...) eu vou dar uma bola”... (tosse).

A última parceria com Arto Lindsay, ‘I can live far from my music’ podia ser um rockão, podia ser um industrial, drum’n’bass e podia até mesmo figurar no repertório do disco dub de Santtana, ‘3 Sessions in a Greenhouse’, ou no funkeado de ‘Parada de Lucas’, e até quem sabe no batuque ‘Eletrobendodô’.

Inspira... Expira... ‘Cá pra nós’ é uma parceria com Ronei Jorge. Uma canção que acaba explicando o conceito, ou espírito, do disco, “sem ilusão, sem nostalgia”. ‘O violão de Mário Bros’ repete a fórmula de samples de grandes riffs clássicos do violão brasileiro, construída em parceria com João Brasil.

Em ‘Ripple of the water’ você volta a ouvir a noite cheia de grilos e ouros insetos. É uma faixa que abusa do efeito estéreo e surround, dando a sensação de que se fechar os olhos estará dentro do bosque do ‘Sem Nostalgia’, com a noite estrelada e o barulho dos insetos “in the nightfall”... A voz de Santtana vai passeando pelo canal esquerdo, direito, surround, até o final quando você ouve os passos da voz se distanciando do alto falante.

‘Natureza nº1 em Mi maior’ é faixa que encerra o disco, com a magistral orquestra de insetos e violão de Santtana. Mesmo com três músicas cantadas em português, contra cinco em inglês, Santtana fez um disco mais brasileiro que muitos outros por aí. Por todos esses motivos, que eu recomendo uma audição mais cuidadosa do ‘Sem Nostalgia’.

É portanto, o disco mais importante da década. Um álbum que transcendeu o formato, de voz e violão, tornando impossível associá-lo com a velha fórmula. Em tempo, Lucas Santtana lançou uma coletânia em vinil (pelo selo Vinyl Land) de todos seus discos, inclusive o ‘Sem Nostalgia’.

2009 Sem Nostalgia

1. Super violão mashup
2. Who can say which way
3. Night time in the backyard
4. Cira, Regina e Nana
5. Recado para Pio Lobato
6. Hold me in
7. Amor em Jacumã
8. I can’t live far from my music
9. Cá pra nós
10. O violão de Mário Bros
11. Ripple of the water
12. Natureza nº1 em Mi maior

Abaixar