domingo, 30 de agosto de 2015

O ROCK DE BREQUE DE DUDA BRACK

Cantora gaúcha apresenta estréia poderosa e fulminante com canções autorais da nova geração de compositores. 


A cantora Duda Brack apresenta álbum de estréia. 'É', com uma poderosa e fulminante parede sonora. É um disco de banda, um disco de baixo, de guitarra e de bateria, Yuri Pimentel, Gabriel Ventura e Barbosa respectivamente.

Mas também é um disco de canções na voz feminina e no violão na faixa de abertura, 'Eu sou o ar', de autoria de César Lacerda. Em 'Vaza' a cantora tem a participação de Bruno Giorgi, o produtor do álbum nas guitarras. 'Lata de tinta' nasce com um blues sentido, mas cresce para um final épico e apoteótico.

'Dez dias' é de autoria de Dani Black e tem a participação de Lucas Vasconcelos no piano. 'Venha' é de autoria de Celso Viáfora e Paulo Monarco. As canções do disco de Duda Brack são encorpadas e crescem a medida que chegam ao fim. 'Te ver chegar' vem corroborar com essa afirmação. Assim com a pesada 'Cadafalso', canção de Carlos Posada.

'A casa não cairá', de Caio Prado, encerra o álbum com peso e batida acelerados. O som da cantora gaúcha, radicada no Rio, é lindo e expontãneo. Ela é verdadeiramente uma artista a quem devemos prestar bastante atenção.

2015 É

1. Eu sou o ar
2. Vaza
3. Lata de tinta
4. Dez dias
5. Venha
6. Te ver chegar
7. Cadafalso
8. A casa não cairá

domingo, 23 de agosto de 2015

OU ME ODEIA DESCARADAMENTE OU DISFARÇADAMENTE ME TEM AMOR

Cantor e compositor paulistano apresenta álbum 'Dilúvio', recheado de boas canções e performances inspiradas.


Dani Black é compositor graduado e já foi interpretado por gente como Ney Matogrosso, Chico César, Elba Ramalho, Maria Gadu, entre outros. Além da voz e o dom com a palavra, Dani Black é exímio guitarrista e participou da turnê 'Aos Vivos' de Chico César.

O álbum 'Dilúvio' abre com 'Areia' uma canção de levada pop e sinfônica com um mix de teclados – que vão desde o fender rhodes ao hammond – cheios de suíngue de Zé Godoy. Seguidos pela balada que dá título ao disco.

'Linha tênue' eleva a batida para o alto e conta com programações de Conrado Goys. “Seu coração de fato está escuro ou por detrás do muro tem mais coisa ai”, questiona a letra de Dani Black, revelando que existe muito mais a surgir na leve audição desse mais novo petardo da música brasileira.

'Fora de mim' trás uma balada sinfônica suave e delicada, com mais uma crônica especial de Dani Black, que pode bem ser considerado um dos grandes compositores de sua geração. 'Seu gosto' é tem um groove contagiante baseado na sensualidade do arranjo e melodia.

'Bem mais', 'Só sorriso' e 'Não não não' formam uma suite de baladas populares que comove e contagiam de verdade. 'Ganhar dinheiro' trás o reggae pra dentro da paleta de cores de Dani Black – ele já tinha gravado o xote-reggae 'Comer na mão' de Chico César. 'U' é cantada apenas por Black em voz e guitarra.

O álbum encerra com 'Maior' e o dueto entre Dani e Milton Nascimento – uma bela canção épica de final apoteótico. É esse o melhor adjetivo para explicar o 'Dilúvio' de Dani Black – Apoteótico!

2015 Dilúvio

1. Areia
2. Dilúvio
3. Linha tênue
4. Fora de mim
5. Seu gosto
6. Bem mais
7. Só sorriso
8. Não não não
9. Ganhar dinheiro
10. Ú
11. Maior

domingo, 16 de agosto de 2015

CAMBACO É VICENTE BARRETO, É TAMBÉM PASSO TORTO E É METÁ METÁ

Compositor baiano lança álbum cheio de parcerias com a turma paulistana, que inclui Rodrigo Campos e Thiago França.  


Vicente Barreto é antigo parceiro de Alceu Valença e também outros artistas, mas é mais comumente conhecido como co-autor de 'Morena Tropicana'. Pois foi recentemente que ele lançou o álbum 'Cambaco'.

Com produção de Marcelo Cabral, 'Cambaco' tem composições fortes com diversas parcerias de Vicente; com Rômulo Fróes em 'Tataravô' e 'Chororô', com Kiko Dinucci em 'É tipo de conversa' e 'Sabiás', com Rodrigo Campos em 'Karina' e 'Jardim Japão, com Manu Maltez em 'Cambaco' e 'Preço do amanhecer' que abrem e encerram o disco.

Um álbum de ranger os dentes que representa o encontro do 'Passo Torto' com o 'Metá Metá', Isto é, Marcelo Cabral no baixo e Rodrigo Campos na guitarra com Sergio Machado na bateria, Thiago França no saxofone e flauta e a participação especial de Juçara Marçal cantando em duas faixas – a faixa-título que abre o disco e 'Herança', feita por Vicente em parceria com Rafa Barreto, o próprio filho, a quem ele dedica este álbum.

O fato é que o som rasgante dos novos vanguardistas paulistanos faz bem ao estilo vocal de Vicente Barreto meio Gil Scott-Heron, Coehn, Waits etc. A combinação entre o ruído programado com o cantar quase declamatório é estilosa e elegante. Com certeza é um disco importante no cenário atual.

2015 Cambaco

1. Cambaco
2. Karina
3. É tipo de conversa
4. Tataravô
5. Boró
6. Sabiás
7. Batendo sabão
8. Herança
9. Jardim Japão
10. Chororô
11. Preço do amanhecer

domingo, 9 de agosto de 2015

SPACE CHARANGA MEETS HOUSE OF FRANÇA

A 'Espetacular Charanga do França' volta como 'Space Charanga', logo após ter animado o carnaval de rua paulistano.  


Thiago França lançou um o 'Space Charanga', como um surpreendente desdobramento de sua 'Incrível Charanga': primeiro no compacto 'A Espetacular Charanga do França Ataca Novamente' e depois no bloco carnavalesco da 'Charanga'.

Uma banda de improviso jazzistico que faz um som inexplicável e extremamente difícil de rotular, que poderia ser nomeado como um “jazz-espacial-do-mal”.

Com o próprio Thiago França como comandante, compositor e arranjador e ainda solista nos saxs alto e tenor. O resto do naipe formado por Anderson Quevedo no barítono e percusões, Amilcar Rodrigues no trompete e flughel, Allan Abbadia no trombone e percussões e com Juliana Perdigão no clarone nas canções 'Abdu' e 'Moacíria'.

Com diversos climas, o Thiago França criou um mosaico de influências, seja do ethio-jazz em 'Abdu', nos improvisos malucos jazzisticos da faixa de abertura 'Ngoloxi/ R.A.N.', sigla para “rhythm and noise” (ritmo e poesia em português).

'Fakechá' é a única canção que o França divide a autoria com Daniel Bozzio e Marcelo Cabral, que também integra a 'Space Charanga' tocando baixo acústico e percussão. A canção, que é um reggae-jazzistico-espacial logo é seguida pelo ska-ficção-científica de 'Conta'.

Um dos motivos singelos do disco vem com o delicado dueto entre percussão e saxofone de 'Enquanto ficamos sem água', que sugere o momento em que foi gravada... ou composta... ou não...

'Cerca Lourenço' é um samba-noise cheio de energia com um excelente trabalho de bateria de Sergio Machado. O álbum encerra com o solo de França no chorinho delicado 'Tão rápido quanto uma paixão de metrô'.

2015 Space Charanga – R.A.N.

1. Ngoloxi/ R.A.N.
2. Abdu
3. Enquanto ficamos sem água
4. Fakechá
5. Conta
6. Moacíria
7. Cerca Lourenço
8. Tão rápido quanto uma paixão de metrô

domingo, 2 de agosto de 2015

FRITO SAMPLER É O SEU AMIGO PSICODÉLICO

Cantor e compositor Tatá Aeroplano lança álbum encarnando personagem que interpreta canções em língua imaginária.



Tatá Aeroplano é compositor e cantor que já tem dois discos solos e diversos lançados com suas respectivas bandas, 'Cérebro Eletrônico' e 'Jumbo Elektro'.

Tatá é um cara que não fica parado nunca e está sempre inventando moda e motivos para encarnar seus diversos personagens absurdos. Canga Louca,“Jota Birinight” e o próprio “Frito Sampler”, são exemplos do que a mente inventiva do cantor é capaz de criar. Inclusive, o “Frito Sampler” é personagem antigo, criado como vocalista da banda 'Jumbo Elektro'.

O álbum 'Aladins Bakunins' nasceu dentro de um universo boêmio meio Leornad Coehn, meio Bob Dylan, um pouco Bukowskiano, Keruakiano e altamente psicodélico. Uma viagem alucinóptica pela mente de Tatá Aeroplano, incorporando o “Frito Sampler”, que conta com o auxílio vocal luxuoso de “Grace Ohio”, interpretada por Julia Valiengo.  

No universo de “Frito Sampler” e “Grace Ohio” cabem também o “Pai do Frito Sampler”, o “Pássaro Psicodélico da Floresta”, “Ohana”, “Sofi Anahô”, “Sosa Lima” e “Dr. Gory”. As participações no disco vão desde Meno Del Picchia e Dustan Gallas no baixo em diversas faixas, Junior Boca e Fernando Maranho na guitarra, Pedro Gongom, Gustavo Souza e Clayton Martin na bateria e com João Leão no piano, Otávio de Carvalho no sintetizador e Bárbara Eugênia no coro.

A língua universal entoada pelo “Frito Sampler” é oriunda do futuro, de onde o próprio “Frito” insinua que vem. “Eu vim de lá para deixar mensagens de paz, amor e belezas”, revela. No álbum 'Aladins Bakunins', “Frito” desvela canções autorais e em parcerias com a própria “Grace Ohio” (Julia Valiengo da 'Trupe Chá de Boldo), Clayton Martin, Dustan Gallas, Junior Boca, Meno Del Picchia, Pedro Gongom e até com um tal de Tatá Aeroplano.

Um álbum espetacular, que revela toda inventividade e sensibilidade deste cantor e compositor multifacetado, que é o “Frito Sampler”, também conhecido por Tatá Aeroplano.

2015 Aladins Bakunins (by Frito Sampler)

1. Frank Black meeting Calling days
2. Cats and gatz
3. Belle star
4. Ladies, soldies and fantasys
5. Aladins Bakunins
6. Fabulous and colors
7. Fishing Neil Young
8. Love, melodies and more nothing
9. Canga’s libidian
10. Aliceland skylies for Elena