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domingo, 28 de setembro de 2014

NÃO HÁ TERRA NESSE VASO E NÃO HÁ VASO NESSA TERRA

No 'Paraíso da Miragem' é título do disco de estréia de Russo Passapusso, e também é o primeiro grito entoado pelo cantor.  


Russo Passapusso é conhecido pela voz única, que ao mesmo tempo remete ao suíngue malandro de Jorge Benjor ao flow intenso dos cantores de rep atuais. Russo é a voz a frente de bandas como 'BaianaSystem' e 'Bemba Trio', assim como em trabalhos de outros artistas, como Curumin, Anelis Assumpção, Maga Bo, entre outros.

A mistura de ritmos e estilo é o ponto de partida deste álbum. Em 'Paraquedas', Russo mistura afrobeat com maracatu como a coisa mais natural do mundo. 'Remédio' entra na sequência como um hino roquenrou estadiofônico com a guitarra de Edgard Scandurra, que no final arrefece o clima lentamente até levá-lo a outros caminhos...

'Flor de plástico' segue como uma ode ao cancioneiro de Benjor, no melhor estilo 'Domingo 23', 'Que nega é essa', 'Mulher brasileira' etc. “Nessa terra-rá-rá-rá, nesse vaso-zum-zum-zum”, suínga Russo. Em 'Anjo', Passapusso apresenta um ser-alado negro e mulato, que desce ao país do samba para curtir um barato na terra-rá-rá-rá.

'Sem sol' apresenta a voz de Anelis Assumpção em dueto com Passapusso, num interlúdio do álbum. Uma serenata da “lua de prata, ingrata, (que) eclipsou”.... 'Areia' é um samba vocal de letra minimalista e arranjo corpulento. 'Sangue do Brasil' vem como um híbrido entre o sambajazz e sambarock, clima que se mantém na canção 'Relógio'.

'Sapato' apresenta a participação de Thalma de Freitas nos vocais com Passapusso. A letra segue a levada de construção impressionante de Russo, com sua peculiar mistura do suíngue com o flow. 'Devagar', com programação e guitarra de Junix, é quase como uma vinheta de introdução para 'Matuto', um sambarep eletrônico, cheio de barulhinhos e programações, que mostra Russo muito a vontade em misturar todos esses elementos.

'Autodidata' encerra o álbum com participação de B. Negão e Fael Primeiro. Com este disco, 'Paraíso da Miragem', Russo Passapusso inscreveu seu nome no panteão dos novos grandes artistas que têm um discurso musical significativo e não têm medo do download gratuito.

2014 Paraíso da Miragem

1. Paraquedas
2. Remédio
3. For de plástico
4. Anjo
5. Sem sol
6. Areia
7. Sangue do Brasil
8. Relógio
9. Sapato
10. Devagar
11. Matuto
12. Autodidata

domingo, 21 de setembro de 2014

ENQUANTO HOUVER SOPRO EM QUALQUER CANTO

Trompetista acredita que a auto-produção e promoção é a verdadeira ferramenta do artista em meio às mudanças do novo mercado musical.  


Leandro Joaquim é o trompetista de bandas como 'Abayomy', 'Paraphernália' e da banda de apoio de Jards Macalé – sem falar que foi um dos fundadores da banda 'Sobrado 112', junto com Zé Vito e Claudio Fantinato, que também o acompanham nas levadas afrobeat.

“O Sobrado 112 foi nosso celeiro de idéias e laboratório de produção e criação por muito tempo. A demanda era grande, a banda gravou três discos em três anos. remamos muito juntos, mas demos muita cabeçada também”, declara Leandro. Para ele, a banda encerrou as atividades pela preservação das amizades – tanto que todos tocam juntos na 'Abayomy'.

Leandro lançou o primeiro álbum solo, 'Sobre as Cores e o Nosso Tempo', com produção de Ricardo Dias Gomes – que toca baixo e piano com o 'Do Amor' e com a banda 'Cê', de Caetano Veloso. “Como eles já tocam a muito tempo com o Caetano e tem uma linguagem de banda bem definida e uma pegada seriamente roquenrou, o Ricardinho chamou o Pedro Sá e Marcelo Callado pra fazer as primeiras bases”, conclui.

A gravações aconteceram no 'Audio Rebel', com um equipamento das antigas e fitas de duas polegadas. “Tudo isso pra trazer o amalgama do som que foi gravado ao vivo, em sua grande maioria. Refiz apenas vozes e sopros. A base valeu sempre o melhor take ao vivo”, afirma Leandro.

O álbum abre com 'Jóias e gestos' – “um blues de protesto que fiz pra uma vizinha. A letra traça um paralelo entre os diversos equívocos de comportamento que nossa sociedade moderna desfila, e a zona que era aquela casa! Cru, o synth é sujo, na bateria usamos apenas os mics “over all”. Amps de baixo e guita na mesma sala da batera. Pintou também uma surdina wha-wha no trompete que quase parece uma gaita”, comenta Leandro.

Sobre 'Pero que si, pero que no', Leandro confirma que compôs “esse Ska no tempo do Sobrado e tocávamos na abertura do show, porem em ritmo de tango! (rs) Marlon Sette e Ze Carlos Bigorna fizeram trombone e sax tenor comigo. Gustavo Benjão fez guitarra pica-pau. Ficou Skatalites total!curti muito o resultado, e ainda tem um feedback da máquina de fita no inicio que dá uma onda “Jamaica Studio One””.

'Em suma, na real, de fato' Leandro trouxe de volta o pessoal do 'Sobrado 112'. “Convidei os caras do 'Sobrado' pra fazer uma releitura dessa musica que tocávamos mas nunca gravamos. Legal notar a influencia afrobeat já constando, mesmo antes de fundarmos a 'Abayomy Orquestra'.

'Sobre as cores e o nosso tempo', “era uma bossa nova que fala de amor e paisagem, porém foi desconstruída e virou uma sinfonia de ruídos e passarinhos cibernéticos, sem samba, sem violão. Os efeitos e ficaram por conta do Duplexx, Leo Monteiro e o Rodrigo Bartolo. O desfecho da sinfonia se dá com um solo de flugelhorn estilo Chet Baker e o Bartolo fazendo uma guitarra (no melhor estilo Lafayette) Roberto Carlos. Tem um synth subwoofer do Ricardo Dias Gomes, que chega a ser desconfortável de tão sub!! Acrescentamos uma certa acidez e estranheza naquela paisagem bossa-novística”.

'Tanto quando o encanto' é a balada do álbum. “Essa valsa minimalista tem uma certa influência erudita. Usei piano fender rodhes e a Joana Queiroz gravou o clarinete, que passeia lindamente ao redor da letra que fala de amor, jardim, flor, colibri e girassol”, comenta Leandro.

Em 'Fofafifo's blues', Leandro apresenta as participações de Alberto Continentino no baixo acústico, Stephane San Juan na bateria, Ricardo Dias Gomes no rhodes e Rodrigo Munhoz no sax tenor. “É um blues estilo “boogaloo”, meio funkeado, meio jazzy”, confirma ele.

'Daqui pra frente é só relaxo' continua a tradição “sobradiana” de modificar canções pré-concebidas em certo estilo para uma coisa completamente diferente. “Era chorinho, mas virou dubwise puro”, ressalta Leandro. 'Faça algo por você' trás a participação de B. Negão nos vocais. “É uma crítica contundente e levante contra a manipulação feita pelo sistema através dos veículos de propaganda”, afirma ele.

O álbum se encerra com 'Dona de castelo' de autoria de Jards Macalé e Waly Salomão, com participação de Joana Queiroz no clarone em contraponto com o baixo de Ricardo Dias Gomes. “O próprio Jards sugeriu que eu gravasse uma de suas baladas em versão instrumental e eu escolhi a mais dificil!!! (rsrsrsrs)”, encerra Leandro.

Pela própria auto-produção e promoção, Leandro lança este álbum com propriedade de quem já é veterano. Apresentando um punhado de belas canções embaladas num produto de extremo bom gosto.

O fato é que este disco é uma das grandes surpresas do ano e com certeza um dos grandes lançamentos atuais.

2014 Sobre as Cores e o Nosso Tempo

1. Jóias e gestos
2. Pero que si, pero que no
3. Em suma, na real, de fato
4. Sobre as cores e o nosso tempo
5. Tanto quando o encanto
6. Fofafifo's blues
7. Daqui pra frente é só relaxo
8. Faça algo por você (& B.Negão)
9. Dona do castelo

domingo, 14 de setembro de 2014

BRINCANDO DE CUMBIA COM O SUPERLAGE

A banda 'Superlage' cria um som único, que apresenta uma mistura homogênea entre os ritmos latinos e brasileiros e a música eletrônica.  


A banda 'Superlage' foi formada em Pernambuco pela dupla Raimundo Alfaia e Eudes Ciriano, também conhecido como DJ Incidental, e conta com diversas participações como Jana Figarela, Alessandra Leão, Tom Rocha, entre outros.

O disco de estréia da 'Superlage' trás uma seleção de ótimas cumbias inéditas com uma roupagem eletrônica bem dançante. Toda cumbia já tem uma levada jamaicana, que quase pode ser reconhecida como reggae, mas que a percussão se encarrega de levar para um terreno “mucho más caliente”.

O álbum, 'Superlage', começa com 'O teu calor', uma cumbia eletrônica, que funciona como uma bela síntese do resto da obra – gravada como trio por Jana, Eudes e Alfaia. 'De tanto esperar' revela uma leitura precisa dos bailes de cumbia através da visão peculiar de Eudes e sua crônica sensual e elegante.

'La cicimila' repete o mesmo cenário lúgubre dos salões de dança, seguida por 'Cumbia das flores' – canções que já trazem as participações de Pierre Leite nos sintetizadores e Rocha nas percussões. 'Quero brincar de sol' reflete toda incidência de luz recebida do Astro-Rei, com Mauricio Candussi na sanfona.

'Dia de Rei' é uma homenagem a Iemanjá, seguida pela instrumental 'Uh la lai', lançada anteriormente como trabalho do DJ Incidental, mas incorporada no repertório da banda. 'Baila perfumada' talvez seja a única canção mais calcada nos ritmos jamaicanos, como reggae e ska. Isto é, sem muito da influência latina da cumbia, nem as interferências eletrônicas presentes nas outras faixas.

'Se o teu desejo é amar' apresenta um carimbó-havaiano, com o luxuoso auxilio da voz de Alessandra Leão e do naipe de metais formado por Gilberto Reis no sax alto, Daniel Galego no barítono, Augusto França no trompete e Thaison Ferreira no trombone – sem falar na guitarra de Juliano Holanda e guitarra-slide de Vitor Magall.

'Trança de raiz' segue a linha latinidade e mostra uma salsa-calipso com a pegada eletrônica, característica da banda. Enquanto 'Para de chover' retoma a cumbia de riff poderoso e pegajoso. O disco encerra com o remix ciranda-maracatu do DJ Lúcio K. para a canção 'O teu calor'.

As canções do álbum servem ao conceito da mistura de ritmos, gênero e estilos. “Todas têm esse chiado da cumbia, que cabe num afoxé, num forró, num samba e por aí vai – enfim, não tem como determinar, será o que você escutar e achar que é”, define Eudes.

Com este petardo, o 'Superlage' apresenta um som único extremamente dançante, com a elegância habitual de seus realizadores, Eudes e Alfaia, que assinam a produção do disco, junto com o verniz de Buguinha Dub na masterização e direção técnica.

2014 Superlage

1. O teu calor
2. De tanto esperar
3. La cicimila
4. Cumbia das flores
5. Quero brincar de sol
6. Dia de Rei
7. Uh la lai
8. Baila perfumada
9. Se o teu desejo é amar
10. Trança de raiz
11. Para de chover
12. O teu calor (Lucio K ciranda remix)

domingo, 7 de setembro de 2014

E O TERNO QUE ERA CONCRETO NA VERDADE É ABSTRATO

Filhos da vanguarda paulistana apresentam o novo rock psicodélico brasileiro com um olho no passado e outro no futuro.  


A guitarra de Tim Bernardes é cada vez mais feroz, o baixo de Guilherme d'Almeida, o 'Peixe' emana suingado e sofisticação enquanto a bateria de Vitor Chaves carrega cada vez mais peso e balanço. Fora as participações especiais de gente como Tom Zé, Luiz Chagas, Marcelo Jeneci, entre outros.

Com letras inspiradas Tim propõe uma crônica cotidiana, surreal e por vezes propondo teoremas conspiratórios. O álbum abre com a rasgante 'Bote ao contrário' de instrumental sofisticado calcado nos teclados especiais do próprio Tim. 'O cinza', única parceria de Tim com Chaves (todas outras composições são apenas de Tim) tem o riff poderoso de abertura substituído por um clima delicado até a melodia explodir em mil pedacinhos como “o jornal arremeçado”, da letra da canção – que descreve um dia nubloso em São Paulo de forma poética e singela.

'Ai ai como eu me iludo' poderia ter sido gravada por Otis Redding, caso este falasse português, mas cabe bem no arranjo poderoso d'O Terno'. Canção calcada no órgão Hammond de Pedro Pelotas, onde Tim apresenta mais uma crônica pessoal do cotidiano. 'Quando estamos todos dormindo' tem o órgão Saema de Marcelo Jeneci e mostra uma das teorias malucas de Tim, onde ele especula sobre o que fazem as pessoas enquanto dormem. “Porém saibam que o sonho é o que é real de fato, e o que era concreto na verdade é abstrato”, diz ele na letra.

Em 'Eu confesso' Tim trás mais uma análise pessoal psicológica das pessoas em si, seguida por 'Brazil' com letra em inglês e uma versão lúdica e fantasiosa dos cenários tupiniquins – com direito a selva criada em estúdio pela banda e auxílio de Gabriel Basile. 'Pela metade' tem mais outra crônica característica de Tim, com sua letra conversada e cantada – como um papo de amig...

'Medo do medo' tem participação de Tom Zé e mostra o domínio da banda em criar uma atmosfera que encaixe no sentido das letras. 'Eu vou ter saudades' tem a mesma atmosfera soul e a mesma participação de Pelotas no órgão Hammond, bem como o lap steel de Luiz Chagas (guitarrista da 'Isca de Polícia'). 'Vanguarda?' ou 'Filhos da Vanguarda (ou não)' faz um belo relato sobre a situação do jovens artistas paulistanos, que cresceram sob as influências familiares, ou não, da 'Vanguarda Paulistana'.

Em 'Quando eu me aposentar' Tim sugere que a hora de descansar está diretamente relacionada com a sensação de ter completado algo na vida – mas que este sentido dá-se apenas no presente. 'Desaparecido' trás outra letra característica de Tim, com um história fabulosa de ficção-científica envolvendo clones, sequestro e crises existenciais – com participações de André Vac nas rabecas e Gabriel Milliet no sax e flautas.

Através do “desespero doentio de quem não sabe enfrentar o vazio”, 'O Terno' encerra o disco com delicadeza suficiente para deixar a sensação de que falta alguma coisa... Pois a verdade é que falta mesmo... Dê play novamente, que você descobrirá o que é...

2014 O Terno

1. Bote ao contrário
2. O cinza
3. Ai, ai, como eu me iludo
4. Quando estamos todos dormindo
5. Eu confesso
6. Brazil
7. Pela metade
8. Medo do medo
9. Eu vou ter saudades
10. Vanguarda?
11. Quando eu me aposentar
12. Desaparecido