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domingo, 27 de maio de 2012

MAGA BO VÊ O QUILOMBO DO PASSADO, PRESENTE E FUTURO



O DJ Maga Bo lançou o disco ‘Quilombo do Futuro’, e liberou o download apenas no Brasil, exclusivamente pelo facebook.

O disco abre com ‘Tempos insanos’ e uma participação insana de B. Negão e segue com Rosângela Macedo cantando em ‘No balanço da canoa’, que também tem a presença de Marcelo Yuka no sintetizador de baixo e nos vocais – ela também canta em ‘Eu vim de longe’.

Em ‘Rapinbolada’, com Gaspar, pode-se dizer que Maga Bo misturou hip-hop com embolada, mas imagino que para um norte-americano (radicado no RJ), esses dois ritmos sejam uma coisa só – apenas geograficamente diferentes. ‘É da nossa cor’ enaltece o canto de capoeira do Mestre Camaleão.

‘Piloto de fuga’ e ‘O neguinho’ são a constatação de que o ritmo funk só é menoprezado por causa das letras chulas, obcenas e repulsivas. Nessa faixa, Maga Bo prepara a cama para as rimas de B. Negão – o “tchu, tchu , tcha, tcha” não precisa ficar explícito na letra, sendo exclusivo apenas no ritmo.

A guitarrinha baiana de Roberto Barreto, evoca o estilo dub-baiano do ‘BaianaSystem’ nas canções ‘Galope’ e ‘Xororô’, que também tem a participação de Russo Passapusso, que canta na mesma banda de Barreto. ‘Dobrado’ com Speed Freaks é um batidão pesado e nervoso.

Não podia faltar o sambão num disco de um gringo apaixonado pela musica brasileira, como em ‘Immigrant Visa part II’ com MC Zulu, ‘Hurry up’ e ‘Maga traz a lenha` com Jahdan Blakkamoore.

Quilombo do Futuro’ é o disco que muito brasileiro nato daria uma orelha pra ter gravado.



2012 Quilombo do Futuro

1. Tempos insanos (ft. B.Negão)
2. No balanço da canoa (ft. Rosângela Macedo & Marcelo Yuka)
3. Rapinbolada (ft. Gaspar)
4. É da nossa cor (ft. Mestre Camaleão)
5. Maga traz a lenha (ft. Jahdan Blakkamoore)
6. Piloto de fuga (ft. Funkero & B.Negão)
7. Galope (ft. Robertinho Barreto)
8. Dobrado (ft. Speed Freaks)
9. O neguinho (ft. Biguli)
10. Immigrant Visa part II (ft. MC Zulu)
11. Xororô (ft. Robertinho Barreto & Russo Passapusso)
12. Eu vim de longe (ft. Rosângela Macedo)
13. Hurry up (ft. Jahdan Blakkamoore)

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domingo, 20 de maio de 2012

SKA COM TEMPERO PERNAMBUCANO

Ska Maria Pastora é uma banda formada por Deco do Trombone, Leo Oroska na percussão, Sanzyo Dub na bateria, Vítor Magall e Jayme Monteiro nas guitarras, Valdir Pereira no baixo e Leo Vinesof no teclado, mas com participações especiais de gente como Fabinho Costa no trompete, Nilsinho Amarante no trombone e Parrô Mello e Rafinha nos saxofones.

Após um elogiado EP, lançado em 2008, a banda lançou um disco recheado de canções autorais e dois clássicos do frevo pernambucano, ‘Cabelo de fogo’ e ‘Elefante de Olinda’. Quanto às novas composições, destaque para ‘Fanfarra dominicana’, ‘Skarnaval’, ‘O destino de Fidel’, ‘Uma night no Iraque’, ‘O regresso de Oroska’ e a faixa que intitula o álbum, ‘As Margens do Rio Doce’.

Como o próprio nome da banda entrega, eles fazem um som que fica entre o frevo, o ska e a fanfarra. É um disco realmente impressionante!

2012 As Margens do Rio Doce

1. Fanfarra dominicana
2. As margens do rio doce
3. Cabelo de fogo
4. Skarnaval
5. O destino de Fidel
6. Jardel
7. Elefante de Olinda
8. Uma night no Iraque
9. Fim de tarde no Nóbilis
10. O regresso de Oroska

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domingo, 13 de maio de 2012

SE A BAHIA NÃO LHE ACHOU, TENHO BAHIA PRA VOCÊ


Muita gente já louvou a excelência da Bahia, mas nunca de forma tão melancólica e bruta como Rodrigo Campos. Não que o recém-lançado álbum ‘Bahia Fantástica’ seja uma obra triste, longe disso, mas simplesmente não exalta apenas a alegria nem a simpatia do povo soteropolitano. Sem falar na força das melodias, do vigor dos arranjos e do arrojo dos sopros.

O disco começa com a frase “daqui pra lá não vá dizer, que a Bahia não lhe achou”, em ‘Cinco doces’, que contrapõe a delicadeza do dedilhado do violão do próprio Campos com a fortaleza do saxofone de Thiago França (MarginalS, Sambanzo e Metá Metá), com alguma intromissão de Maurício Fleury (Bixiga 70).

Em ‘Princesa do mar’ você sente o privilégio de ouvir a guitarra suingada de Kiko Dinucci (Bando AfroMacarrônico, Duo Moviola, Metá Metá, Sambanzo e Passo Torto) junto com o sempre firme saxofone, que também pontua a bela ‘Sete vela’, que começa líricamente com a viola de Renato Rossi e o violino de Luiz Gustavo Nascimento. É sensacional o dueto entre o saxofone e o violino e a viola, mas também há o auxílio luxuoso da banda formada pela bateria de M. Takara (Hurtmold), Fleury, Dinucci, Campos e Marcelo Cabral (MarginalS, Sambanzo e Passo Torto).

Esse disco tem diversas participações como Luisa Maita em ‘Morte na Bahia’, um afoxé de tradição tambor e flauta. Juçara Marçal empresta a voz para ‘Jardim Japão’, que conta com a guitarra psicodélica de Guilherme Held. Já o Criolo canta a bela crônica de ‘Ribeirão’, com programações de Gui Amabis, que também programou em ‘Capitão’, que tem um belo arranjo de cordas de Cabral, que toca baixo em todas as faixas. Além de Rômulo Fróes (Passo Torto), que atuou como diretor artístico e Gustavo Lenza, que gravou e mixou.

É verdade que as crônicas do disco mais remetem à periferia conhecida por Campos que à Bahia. Segundo ele, “a Bahia se transformou numa metáfora sobre a incompreensão, sobre o medo e o deslumbramento de estar diante de algo maior e intangível”, em entrevista para o Itaú Cultural. O tema principal do ‘Bahia Fantástica’ é o medo da morte, do fim, do encerramento e de todas outras possíveis metáforas nesse caso.

O álbum está repleto de personagens, que tanto poderiam transitar com a malemolência da “maloqueiragem da 18”, como ‘Elias’, ou com a desesperança de ‘Aninha’, que todo fim de tarde morre em 10 minutos – ambas faixas têm em comum o fino entrosamento de banda e arranjos. O ‘Beco’ também apresenta Nani e Beto, que mantêm o local como ponto de encontros e desencontros, como bem refletem todas crônicas urbanas periféricas de Campos, desde seu primeiro álbum, ‘São Mateus Não é um Lugar Assim tão Longe’, de 2009.

A leve canção ‘General Geral’ aparece com um teclado marcante e um saxofone repentino no final. A letra é um belo hai-kai sobre um tal de “Geraldo, o General”. Para fechar a tampa, Campos ainda canta que “chegou na Bahia de manhã” em ‘Sou de Salvador’, reafirmando a ideia do álbum cantar uma Bahia que “no meu imaginário, é algo mítico, complexo, sem significado objetivo, por todos os seus paradoxos como nascedouro do Brasil, da cultura brasileira, do sincretismo religioso, da miscigenação. É o início. E é, justamente, o início como metáfora do fim, da morte, pois a perplexidade existe em relação a esses dois polos”.

Para quem conheceu a Bahia há e em pouco tempo, Campos pode dizer com bastante propriedade que “tem Bahia pra você”.



2012 Bahia Fantástica

1. Cinco doces
2. Princesa do mar
3. Ribeirão
4. Beco
5. Morte na Bahia
6. Sete vela
7. Aninha
8. Jardim Japão
9. General Geral
10. Elias
11. Capitão
12. Sou de Salvador

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domingo, 6 de maio de 2012

ARROCHA O GRAVE E ATOCHA O VOLUME

Arrocha significa apertar, acelerar ou simplesmente atochar no talo. E arrochar o grave foi o que o Curumin fez no recém-lançado terceiro disco solo, e o título entrega de saída – ‘Arrocha’. O próprio Curumin acredita ser seu disco mais pesado.

Nos primeiros acordes você vê que o autor tinha razão. Sempre. ‘Afroxoque’ é um afoxé com um groove pesadão, de estourar qualquer caixa de som. Um exemplo certeiro de uma boa faixa de abertura – daquela que vai prender o ouvinte até a segunda música e deixar um gostinho de mais som.

O disco segue com ‘Selvage’, que é um electro-afro-beat e já havia sido lançada como single e era a única amostra do peso deste novo álbum. Uma canção que também deixa um gosto de querer ouvir mais. ‘Treme Terra’, a terceira faixa, tem um clima espacial com alguns metais em expansão-ão-ão-ão-ão-ão-ão-ão...

‘Passarinho’ foi uma das últimas canções a ser gravada, autoria de Russo Passapusso – que também participa da faixa de abertura – e tem um lado mais leve e pop. ‘Paris Vila Matilde’ é uma parceria do casal Curumin e Anelis Assumpção, sobre viagens de trabalho, sempre com saudade de casa.

‘Tupázinho Guerreiro’ pode até ser considerada como uma suíte, uma faixa de transição para um lado mais calmo e melancólico do disco. Mas não podia faltar reggae nesse álbum e o ritmo vem representado na forma de ‘Vestido de prata’ e ‘Doce’, que fazem você cantarolar e balançar ao som das melodias.

As faixas finais voltam ao experimentalismo eletrônico pesadão, que o Curumin se propõs nesse novo trabalho. ‘Blimblim’ e ‘Sapo Cururu’ são duas faixas instrumentais, ‘Acorda’ é um belo poema musicado, ‘Pra nunca mais’ é mais um daqueles sambinhas melancólicos que o Curumin faz tão bem e o disco encerra com a vinheta ‘Bambora!’.

Arrocha’ é um disco pesado e suave, arrochado e solto, cabeçudo e popular – que reflete uma das grandes qualidades do Curumin – que é saber dosar duas referências opostas em partes iguais no produto final. ‘Arrocha’ é tudo isso!



2012 Arrocha

1. Afroxoque
2. Selvage
3. Treme Terra
4. Passarinho
5. Paris Vila Matilde
6. Tupázinho Guerrero
7. Vestido de prata
8. Doce
9. Blimblim
10. Sapo Cururu
11. Acorda
12. Pra nunca mais
13. Bambora!

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