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domingo, 27 de novembro de 2011

O UNIVERSO AO LÉU



O disco do Leo Campos, ‘Universo para Leo’, é uma grata surpresa ao ouvinte. Lançado no início deste ano, 2011, em Brasília. Este é primeiro álbum deste jovem promissor compositor brasiliense, que tem canções – que mesmo sem refrão – trazem narrativas de trajetórias singulares.

Logo na primeira faixa, ‘Caverna’, destacam-se o saxofone virtuoso de Ademir Júnior dialogando com a sanfoninha matadeira de Marcos Farias (filho de Marinês), além da onipresente percussão de Leander Motta (que toca em quase todas as faixas). ‘Marcas’ tem a ilustre participação da embaixatriz da voz de Brasília, Ellen Oléria, sem falar na composição brilhante de Campos. Duvido você não cantarolar junto, ou batucar os pezinhos, ou sacudir a cabeçinha, na batida do reggae?

‘O trem’ é um blues meramente candango, que tem a guitarra endiabrada de Dillo Daraújo e a gaita de Cristiano Crispis. ‘Frente fria, verso quente’ é uma balada astronômica, que faz da letra uma galáxia de poesia onírica. ‘Piano sem dó’ foi composta em parceria com outro jovem compositor brasiliense, Tiago Gasta, e brinca com as convenções dos acordes e a poesia da língua portuguesa.

Moises Alves, o ‘Paraibah’, toca seu belo trumpete Milesfônico em ‘Piano sem dó’ e em ‘Mensageiro’. E para finalizar as grandes participações especiais, coube a Dudu Maia, colocar o bandolim choristriônico na singela ‘Star no céu’. A última faixa do disco, ‘O inominável’, é quase uma oração rockenrou, com uma letra poética que diz entre outras máximas, “borboleta é a flor que cai do alto”. Só esperamos que não seja profética como quando em “canção tocada pra ninguém ouvir”, e que esse disco seja baixado, apreciado e ouvido por todos aqueles que apreciam a boa música.

O restante dessa banda ‘Universal’ que gravou o disco junto com Leo Campos (violão e voz), são André Vasconcelos no baixo e Tiago Rosback na bateria, além do Dillo Daraujo na produção, guitarra, teclados e diegese.

Em tempo, Leo Campos, já está em produção de seu segundo CD, ainda sem título, mas que ele garante que será lançado no primeiro semestre de 2012. E eu não podia deixar de falar com ele um pouco sobre música, downloads, parcerias, processos, enfim...

O que te fez seguir esse caminho na música?
Na escola, havia um colega de turma que já tocava violão e escrevia poemas. Tínhamos 16 anos. A gente queria montar uma banda, mas eu não tocava nenhum instrumento e nem escrevia nada. Algum tempo depois, a escola contratou um professor de música. Era a minha chance de aprender um instrumento. Troquei então a aula de religião pela aula de música. Mas eu nem tinha noção do tamanho de meu interesse pela música, até então era apenas experimentação de adolescente. Foi quando na primeira aula, eu já senti que algo havia mudado em minha vida. Fui afetado logo de cara pela música. Eu lembro que o professor passava os exercícios e eu simplesmente não conseguia parar de treinar, até sangrar as pontas dos dedos. Depois disso, tudo em minha vida tinha relação com a música. Por mais que eu tenha continuado os estudos, tenha terminado faculdade e trabalhado em outras áreas, a música sempre me apoiou. Fui então buscar experiências diversas, participei de bandas de baile, toquei até em uma banda de axé. Fiz barzinho (voz e violão) por quase 20 anos. Participei de alguns festivais de música, sendo premiado em alguns deles. Foi quando fiquei convicto de que meu trabalho tinha relevância. Então resolvi gravar um disco. Hoje já não é mais uma questão de escolha. Acho que a música me escolheu.

Você também compõe com outros compositores?
Tenho parceiros incríveis. Uma das coisas que mais me deixa feliz é poder estar sempre com eles, produzindo e compartilhando composições. O Alessandro Lustosa, grande compositor, tem um trabalho muito bonito e é um grande poeta. No disco 'Universo para Leo' tem um poema dele que eu musiquei, chamado 'Star no céu', e tem uma música minha que ele poemou, chamada 'Júbilo'. Ele ainda assina 'Inominável' neste disco, uma música feita a cinco mãos. Ele é um cara muito produtivo, tem centenas de canções e não pára de compor. Sua esposa, Ana Flávia Garcia, tem também um trabalho incrível na música, no circo e no teatro. O Tiago Gasta, com um trabalho muito consistente, poeta, compositor, tem um disco lançado chamado 'Prole Fera' que vale a pena conferir. 'Piano sem dó' e 'Inominável' foram parcerias com o Tiago. Além desses, tem o Luciano de Sá, May Bucar, Carlos Soares, Ricardo Ribeiro, outro grande compositor. Todos são muito bons. A gente se encontra, e quase sempre sai uma canção nova. Sempre com um cuidado com as letras, harmonias e melodias, sempre procurando um caminho pouco explorado pela composição popular. Sempre acreditando que quando não podemos mais nos calar, temos de nos expressar por meio da música, de forma honesta, sem forçar um mercado. A expressão tem motivos: existir e ter relevância para criar nosso espaço. Temos muito o que dizer.

Você se acha primeiro compositor que cantor?
Certamente. Aliás, ser compositor é o que me credencia a cantar. Já me preocupei muito com essa coisa da voz, mas na realidade eu nunca estudei e não domino nenhuma técnica. Eu era muito sistemático com meu canto, mas depois me liberei para essa tarefa. Mas eu penso, sim, em compor músicas que exijam um trabalho vocal mais elaborado e que me impulsionem a estudar. Gosto de desafios. Tenho pavor de me tornar repetitivo. Na música, desafios são matéria-prima do meu trabalho. Buscar esses desafios, para o meu processo é essencial.

Como seu disco tem sido recebido?
As pessoas elogiam bastante a produção do disco. É sempre a primeira impressão. Gostam muito também da participação da Ellen Oléria, costumam dizer que o repertório é diferente do que tem rolado em Brasília (e, sem nenhum risco de prepotência, gosto muito de ouvir isso) e gostam dos textos do encarte. Fora isso, ele ainda não chegou à nenhuma mídia. Estou começando a divulgá-lo. Já estou com uma banda ensaiada, pronta para o ataque, procurando um produtor, alô produtores!!! Creio que terei um novo feedback sobre o disco agora, tendo a honra de estar aqui no Eu Ovo. Aliás, obrigado pela oportunidade. Sou frequentador assíduo do blog.
Esse disco é de música pop, apesar de minhas canções quase não conterem refrões. Ele também dialoga com o rock e a música brasileira dita popular. Gostaria muito de receber os comentários dos leitores. Você que baixa, por favor comente. Essa é uma forma de agradecer pelo trabalho do Eu Ovo.

Foram muitas participações especiais no seu disco?
Foram participações mais especiais do que eu poderia imaginar. A começar pela Ellen Oléria, que é uma artista sensacional, generosa, que emprestou todo seu talento para enriquecer o disco. Tenho muito orgulho. Para mim, a música de Brasília está muito bem representada por ela. Cetro e coroa para Ellen. Também tem os baixos do André Vasconcellos, que tem uma sacação de música popular impressionante, entendeu tudo rapidinho. Tiago Rosback, monstro da bateria, Dillo Daraujo nas guitarras, teclados e diegeses, Leander Motta, na percussão, Cristiano Crispis na gaita, Moisés Alves, trompete, Ademir Junior, sax, Marcos Farias, acordeon, Dudu Maia, bandolim. Uma constelação e tanto para o Universo Para Leo. Sou muito grato por esse time de primeira. Aprendi demais com todos eles.
Além disso, minha turma também participou, fazendo um coro na última música: Haila Ticiany, May Bucar, Tiago Gasta, Alessandro Lustosa e Ana Flávia Garcia.

Quem produziu o disco? Como foi esse processo???
O disco foi produzido pelo Dillo Daraujo, um cara mega talentoso e mega profissional. Ele simplesmente foi essencial em todo o processo, assim como o Marcos Pagani, co-produtor, que acreditou no trabalho e apostou suas fichas nele. Primeiro entramos no estúdio com uma banda base, gravamos 13 canções, que era o material da pré-produção. A partir daí fomos criando os arranjos de base. Em seguida, gravamos a bateria do disco todo. Depois, o áudio foi enviado para o André, no Rio, para a gravação dos baixos. Depois, gravei todos os violões. Foi quando fizemos, eu e Dillo o restante dos arranjos, e os outros instrumentos foram colocados, finalizando com a voz.
Cortamos duas canções que consideramos um pouco fora do contexto do álbum e fechamos em 11. A escolha do repertório contempla todas as fases da minha jornada como compositor. Portanto tem músicas ali com mais de 15 anos de idade. Apesar de ser meu primeiro disco, é como se fosse uma coletânea de várias fases.

Como você vê essa questão de free-downloads?
Não creio que tenho alguma novidade para acrescentar a este importante tópico. Fico o tempo todo tentando imaginar uma forma do músico inovar em sua interação com o mundo, utilizando o download gratuito como ferramenta. A única coisa que sei é que é um processo que não tem mais volta, temos que conviver com download de músicas, e acho isso ótimo. Já sabemos que para os artistas de pouca visibilidade é de suma importância. Quanto aos consagrados, não precisam disso pra viver. Nunca precisaram. Eu, que me valho da internet para trabalhar, gostaria que o mundo inteiro baixasse meu disco de graça.
Tem muita gente achando que pode voltar no tempo e defendendo o fim dos downloads gratuitos. Outros tantos confundem compartilhamento com pirataria, não procuram se informar, ou não querem, enfim. Eu entendo que o jabá é algo muito mais imundo e devastador do que o compartilhamento de música pela internet. O jabá é responsável pelo enfraquecimento de toda uma enorme produção de qualidade em favor da música de massa, ou seja, o Brasil inteiro se empobrece culturalmente e não vejo ninguém combatendo isso! Falta discernir quem é o verdadeiro inimigo da cultura. E está na cara.

2011 Universo para Leo

1. Cavernas
2. Marcas (com Ellen Oléria)
3. O Trem
4. Frente fria, verso quente
5. Piano sem dó
6. Júbilo
7. Mensageiro
8. dEUs
9. Nunca mesmo
10. Star no céu
11. Inominável (com Tiago Gasta)

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domingo, 20 de novembro de 2011

FAGNER E OS CIDADÕES INSTIGADORES



Apesar de não ter participado da psicodelia nordestina, muitas canções clássicas de Fagner têm a participação especialíssima de Robertinho do Recife, numa guitarrinha matadora – tão característica nesse movimento nordestino.

Mas Fagner seguiu paralelamente, também flertando com o ‘rockenrou’, quando gravou com o Vímana, no disco ‘Ave Noturna’ de 1975, além da colaboração com Robertinho. O bardo cearense, como é conhecido, também gravou com Cirino (o primeiro compacto de 1971), Ney Matogrosso, Paco de Lucia, Mercedes Soza e até com o “Galinho de Quintino”, o Zico, sem falar na recente parceria com Zeca Baleiro.



Seria fácil supor que uma união com a banda Cidadão Instigado – do também cearense Fernando Catatau – já deveria ter acontecido. Mas esse encontro só foi possível durante os dois espetáculos do Sesc-SP. As canções de Fagner casaram perfeitamente com a melódica guitarra de Catatau – que remete ao famoso fraseado dos clássicos com Robertinho do Recife.

Quem foi no show pôde perceber isso... E melhor de tudo, muitos foram apresentados ao som da trupe de Catatau nesses espetáculos únicos – uma vez que a maioria do público foi para assistir o Fagner. Para todos os que já conheciam a banda, a oportunidade foi de presenciar a química incrível entre dois cearenses.



O Cidadão Instigado abriu o show com uma versão energética de ‘Cinza’, do próprio Fagner, gravada no disco ‘Óros’ de 1977. A partir de então, a banda convida Fagner para o palco e juntos tocam uma seleção de grandes sucessos, cantados em uníssono pela platéia – entre eles ‘Frenesi’, ‘Canteiros’, ‘Cavalo ferro’, ‘Cebola cortada’, ‘Noturno’, ‘Deslizes’, ‘Eternas ondas’, ‘Asa partida’ e ‘Fracassos’, e isso só para finalizar a primeira parte do show.

Depois Catatau e Cia deixaram Fagner no palco para mais outra seleção de sucessos somente em voz e violão – ‘Quem me levará’, ‘Traduzir-se’, ‘Mucuripe’, ‘Guerreiro menino’, ‘Borbulhas de amor’, ‘Eu canto’ e sobrou espaço até para ‘Paralelas’ de Belchior. A banda também tocou com Fagner em ‘Revelação’, ‘Espumas ao vento’, ‘Cartaz’ e uma canção inédita de Fagner composta em parceria com Zeca Baleiro, ‘Toda luz guia’. No final ainda tocaram, juntos, ‘Lá fora tem’ e ‘Deus é uma viagem’ do Cidadão Instigado.



Com o advento do youtube – e também dos celulares e câmeras mais acessíveis – é possível assistir ao show quase na íntegra, e também dessa forma copiar as músicas diretamente dos respectivos vídeos na internet. Que é o caso desse arquivo digital.

Só não dá para precisar com certeza que foi essa a ordem das canções – mas também considerando os dois dias de shows, fica impossível definir o setlist. Quem souber dessa lista, que fale nos comentários... Todos nós agradecemos...



Resta apenas a torcida para um próximo disco do Fagner produzido por Catatau, uma participação do bardo no novo disco do Cidadão, assim como um disco ao vivo com essa união inacreditável – que seja numa melhor qualidade...

2011 Cidadão Instigado & Fagner ao Vivo no Sesc

1. Cinza
2. Frenesi
3. Canteiros
4. Cavalo ferro
5. Cebola cortada
6. Noturno
7. Deslizes
8. Eternas ondas
9. Toda luz guia
10. Asa partida
11. Fracassos
12. Quem me levará
13. Borbulhas de amor
14. Traduzir-se/ Mucuripe/ Guerreiro menino
15. Paralelas/ Eu canto
16. Jura secreta/ Revelação/ Espumas ao vento
17. Cartaz
18. Lá fora tem
19. Deus é uma viagem

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domingo, 13 de novembro de 2011

O SATANIQUE LHE DESEJA UMA PÉSSIMA VIAGEM

A banda ‘Satanique Samba Trio’ lançou o segundo disco da trilogia ‘Bad Trip Simulator’, com o inusitado título de volume #1. Isto mesmo... O segundo volume dessa trilogia não segue a ordem numérica, uma vez que a volume #2 havia sido foi lançado antes que o volume #1, no ano passado. Numa banda com esse nome, a ordem natural não passa de uma convenção ultrapassada.

Como sempre, as músicas do ‘Satanique Samba Trio’ ainda têm títulos sugestivos como ‘Splatter gore finesse’, ‘We have obitum’, ‘Afro-sinistro’ e ‘Piece for throat clearing and some latino drum (peça para pigarro e conga)’. A canção ‘Banzo bonanza’ pode-se dizer que é o mais próximo que a banda pode chegar da música de fácil assimilação, nesse caso um chorinho.

Nos shows, a estranheza continua, assim como também o mau humor característico de Munha, que não permite nenhum tipo de demonstração de alegria durante os espetáculos, nem mesmo durante essa entrevista.

Esse disco – ‘Bad Trip Simulator #1’ - foi lançado como parte de uma trilogia?

Sim, é a segunda parte da trilogia que será finalizada pelo 'Bad Trip Simulator #3', a ser lançado ano que vem ou o mais rápido possível.

Porque é que a numeração não segue uma ordem natural?

Porque deveria?

Mas porque o ‘Bad Trip Simulator #2’ veio antes do ‘Bad Trip Simulator #1’?

Se estamos tentando perverter as coisas, que comecemos pelas fáceis. O que esperariam da gente, de qualquer maneira?

Podemos esperar a conclusão da suíte ‘Badtriptronics’?

Não se trata exatamente de uma suíte, mas se vamos mesmo usar termos técnicos da música erudita, eu prefiro chamar os ‘Badtriptronics’ de "bagatelas", músicas curtas, informais e despretensiosas. No nosso caso não tão despretensiosas assim, obviamente. Eu gostaria, inclusive, de aproveitar esta oportunidade para recomendar as seis bagatelas de Gyorgy Ligeti a todos os maconheiros que estiverem lendo esta entrevista.

Como foram as gravações desse disco? Participações especiais de alguém? Ou você gravaram os três discos juntos?

Gravações turbulentas, como de costume. Acho que é o preço que pagamos por tocar em uma banda chamada ‘Satanique Samba Trio’. E é bem estranho você perguntar sobre as participações especiais, por que acabei de comentar com um amigo meu que os músicos convidados ajudaram a dissipar o clima pesado que eventualmente tomou conta do estúdio. Se não fosse a influência positiva desta juventude de boa índole, algum membro mais frouxo da banda provavelmente teria desistido antes de finalizarmos a porra toda. Dando nome aos bois, eu diria que as participações mais significativas foram do DJ Cochlar e Ivan Bicudo nos teclados, Pedro Vasconcelos no cavaco de ‘Banzo bonanza’, Eduardo Santana e Marcelo Vargues nos trompetes e Flávio Rubens em uma caralhada de instrumentos. Não obstante, o disco foi um parto. Estou certo de que o próximo capítulo da trilogia vai ser também. Não é fácil ser babaca.

Vocês fizeram o lançamento do disco no Sesc em São Paulo... Como foi a recepção na capital paulista?

A mesma de sempre: ninguém sabe quando aplaudir, alguns riem, outros vão embora, poucos realmente se interessam... Mas os shows estão sempre cheios e vendemos bem. Isso deve significar algo. Só não sei exatamente o quê...

Quando é que vocês vão tocar em trio elétrico novamente? Como é que foi essa experiência? Como as pessoas reagiram no dia?

Creio que voltaremos às ruas com o ‘Satanique Samba Trio’ elétrico em 2012. Queremos repetir a dose, já que fomos surpreendemente bem recebidos de uma forma geral, principalmente em frente a igrejas, templos evangélicos e escolas primárias. Sinto que a conclusão deste estudo antropológico é algo que devemos à comunidade.

Só fiquei curioso com o significado da canção ‘E.F.M-M in concert’?

E.F.M-M é a sigla oficial para "Estrada de Ferro Madeira-Mamoré". Os mais superticiosos a conhecem como "A Ferrovia do Diabo" e os mais estudiosos a conhecem como uma tentativa falida de ligação entre duas áreas do território de Rondônia durante o ciclo da borracha. Milhares de trabalhadores morreram durante sua construção e ela nunca chegou a funcionar direito. É um caso fascinante de empreeendedorismo estabanado, morte e fracasso. Me espanta que um tema tão fértil em tragédia e drama tenha sido praticamente ignorado pelos cantores e cantoras ecléticos de nosso país.

2011 Bad Trip Simulator #1

1. Banzo bonanza
2. Badtriptronics #12
3. Vermizelas
4. E.F.M-M in concert
5. Dizem morte
6. Badtriptronics #10
7. Afro-sinistro
8. Piece for throat clearing and some latino drum (peça para pigarro e conga)
9. Splatter gore finesse
10. Badtriptronics #11
11. Diabolyn (original remix)
12. We have obitum
13. Badtriptronics #6
14. Badtriptronics #2
15.

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domingo, 6 de novembro de 2011

UM PASSEIO DE VERÃO COM A BANDA EDDIE

Fábio Trummer jogou na rede o novo disco da banda Eddie, que hoje tem os irmãos Meira – Robi no baixo e Kiko na bateria –, Andret nos teclados e trumpete, Alexandre Urêa na percussão e dividindo a voz nas canções com o Trummer, sempre nas guitarras.

Trummer continua com sua voz grave e quase rouca como um Serge Gainsbourg de Pernambuco num canto quase falado como um Gil Scott-Heron branquelo ou até um Leonard Cohen etc e tal.

O disco é um passeio delicado e sincero pelas belas canções de Trummer, que junto com Júnio Barreto é um dos grandes compositores dessa geração. O disco abre com a energética ‘Delírios espaciais’ e segue com a parceria com Otto, a singular ‘O saldo da Glória’.

Todas as faixas trazem a marca autoral da banda Eddie, que chega ao quinto álbum, e a balada ‘Tanta coisa na vida’ não foge à regra. ‘Veraneio’ é possivelmente o grande hit do disco e com toda certeza vai fazer todo mundo cantar em uníssono sobre “drinks de frutas com nomes originais”.

‘Ela vai dançar’, parceria com Lirinha, é outra balada no melhor estilo característico Eddie. ‘Parque de diversão’ tem participação de Erasto Vasconcelos e é mais um exemplar da versatilidade da banda Eddie. Em ‘Você quer ir frevar’, Trummer exercita a poesia para descrever uma tarde carnavalesca na capital pernambucana.

Ao vivo, o Eddie é bem rock. Mas também é frevo, maracatu e tudo mais quanto for possível misturar. ‘Casa de marimbondo’ é uma dessas canções com pegada mais roqueira, que faria qualquer defunto sair pogando no meio do show. As duas útilmas faixas são remixes de Yellow Pi com ‘Glória dub’ e DJ Dolores com uma versão electro-kuduro da faixa de abertura.

O disco ‘Veraneio’ é mais um grande álbum desse ano e um digno exemplar na discografia imaculada da banda Eddie. Um disco coeso e bem produzido.

Pra quem começou sentindo ‘Falta do sol’... Tardou, mas chegou o ‘Veraneio’...

2011 Veraneio

1. Delírios espaciais
2. O saldo da Glória
3. Tanta coisa na vida
4. Veraneio
5. Intervalos
6. Ela vai dançar
7. Parque de diversão
8. Você quer ir frevar
9. Casa de marimbondo
10. Glória dub
11. Delírios

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