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domingo, 30 de outubro de 2011

LET'S PUT SOME XOTE INNA REGGAE


Quando lançou o primeiro disco solo, ‘Bambas e Biritas Vol. 1’, BiD já tinha a intenção de lançar um segundo volume, mas demorou um bocado para chegar esse dia. Aqui mesmo no blog, cansei de responder – via e-mail ou comentários – “que infelizmente não havia previsão para o lançamento de algum volume 2 do Bambas e Biritas”. Isso foi até ontem…

Desde agosto, BiD vem alardeando o lançamento desse próximo volume, o ‘Bambas Dois’, como foi chamado essa nova reunião de bambas e novas biritagens do produtor musical. Ele conta que já tinha idéia de gravar o disco dois na Jamaica, mas somente na ilha do reggae, foi que percebeu a similaridade entre os ritmos brasileiros e jamaicanos e decidiu o caminho que o disco iria seguir.

Reza a lenda que foi Gilberto Gil quem mostrou ao Gonzagão o reggae de Bob Marley e este logo respondeu que aquilo era um xote safado, e que só faltava um triângulo e uma zabumba. Pois foi isso que o BiD fez. Colocar o tempero dos ritmos do nordeste junto com os ritmos jamaicanos. Nesse album, BiD misturou reggae com xote, baião, maracatu e até arrasta-pé.

Gravado na ilha e com inúmeras participações especiais de algumas lendas jamaicanas como Ernest Ranglin, Luciano e da classica banda de ska, ‘The Heptones’, abrindo o disco com ‘Music for all’, que já no título remete ao termo atribuido “errôneamente” como a origem do forró (o termo correto é forróbodó).

Em ‘Little Johnny’, BiD reencontra Chico César – de quem havia produzido o ultimo album, ‘Francisco, Frevo y Forró’ – e ainda Jah Marcus, além das cantoras brasileiras Thalma de Freitas, Anelis Assumpção e CéU, como as onipresentes ‘Negresko Sis’, embelezando o refrão “Johan san, little John, Joãzinho, São João pequenininho cabe aqui na minha mão”.

Queen Ifrica participa de ‘Hapiness is all in your hands’, com uma levada bem rocksteady, mas também canta na jazzística ‘Forever you are’, que funciona como um “bocado de açucar na sua tigela” – uma ode à Nina Simone. Em ‘Brasil (Little Sunday)’ você curte o balanço de um xote danado na sanfona de Dominguinhos e na percussão de Zé Pitoco (triângulo e zabumba), acrescidos de Kymani Marley, carregando toda a herança genétic a do reggae no timbre inconfundível da voz do Bob-pai. Você vai sorrir sozinho de alegria após ouvir essa faixa… :-)

Siba toca viola e rabeca em ‘We put the M inna music’ – também com Tony Rebel – e ‘Leha Dodi’ – também com Oku Onuora e Karina Buhr, que por sua vez também gravou ‘World cry (Al Fayah Mix)’, também com Jesse Royal e Gustah. ‘Children of the future’ tem participação de U-Roy. Já ‘Chiquinha Hey’ é uma parceria de BiD com Arnaldo Antunes e Betão Aguiar e conta com as vozes de Luiz Melodia e Anelis Assumpção, que também entra no coro junto com as irmãs Céu e Thalma de Freitas, na banda de duas partes negras e uma branca…

A única música não-autoral, é uma das mais belas canções de amor já composta, por ninguém menos que George Harrison, ‘Something’, cantada por Luciano e com a guitarra delicada de Ernest Ranglin. ‘Somtehing is wrong’, que apesar do nome não é mais uma versão da música dos Beatles, mas sim é uma composição de BiD com I-Wayne, e também tem Siba na viola.

‘Only Jah love (Raggatu)’ é a faixa de trabalho e já ganhou um clipe inspirador. A música conta com a participação de Sizzla Kalonji, Bi Ribeiro e Gustah. O disco ainda tem várias grandes participações como Lúcio Maia, Dengue, Pupillo, Daniel Ganjaman, Bruno Buarque, Gilmar Bola 8, Tiquinho e Leando Joaquim, entre tantos outros nomes.

Demorou, mas o BiD nos presenteou com um grande petardo, que pode muito bem figurar em qualquer lista de melhores do ano.


BAMBAS DOIS_Ep.00_"Sao Paulo - Kingston"


BAMBAS DOIS_Ep.01_Sizzla "The Music Construktah"


BAMBAS DOIS_Ep.02_Luciano "Acoustic Inna de Yard"


BAMBAS DOIS_Ep.03_Queen Ifrica "Conscious Poetry"


BAMBAS DOIS_Ep.04_I Wayne "A Kingston Ride"


BAMBAS DOIS_Ep.05_The Heptones "Happy Tunes"


BAMBAS DOIS_Ep.06_Kymani Marley "Inna Xote Style"



2011 Bambas Dois (Brasil-Jamaica)

1. Music for all (with The Heptones)
2. Little Johnny (with Chico Cesar & Jah Marcus)
3. Happiness is all in your hands (with Queen Ifrica)
4. Brasil (Little Sunday) (with Kymani Marley & Dominguinhos)
5. We put the 'M' inna music (with Tony Rebel & Siba)
6. Children of the future (with U-Roy)
7. Chiquinha Hey (with Luiz Melodia & Anelis Assumpção + Negresko Sis)
8. Leha Dodi (Sheeba) (with Oku Onuora & Karina Buhr)
9. Something (with Luciano & Ernest Ranglin)
10. World cry (Al Fayah Mix) (with Karina Buhr & Jesse Royal & Gustah)
11. Only Jah love (Raggatu) (with Sizzla & Bi Ribeiro & Gustah)
12. Forever you are (with Queen Ifrica & Joey Altruda)
13. Something is wrong (with I-Wayne & Siba)
14. Nnyahbingui (Medley) (with Priest Tiger & Priest Kassa & Dada Yute & Prophet Marvin & Papete)

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CLIPE Only Jah love (Raggatu)



Baixar mais um bônus track: Only Jah Love (Felipe Wrechiski Dub Mix)
(clicar com o botão direito em salvar destino como etc e tal)

domingo, 23 de outubro de 2011

DISCOS SÃO PARA OUVIR E DEIXAR BAIXAR

Nessa semana o cantor Wado anunciou, em seu twitter, que o seu disco ‘Samba 808’ estava pronto e sendo lançado apenas pela internet.

Na apresentação do disco, ele explica os motivos, entre eles o desinteresse das gravadoras e selos (que falharam em oferecer uma contrapartida interessante) e dos altos custos de produção de um CD físico (talvez exista para os shows – disponível praqueles que prestigiarem os espetáculos).

A carreira desse catarinense, radicado em Alagoas, é cheia de belas composições e álbuns quase esquecidos pela “grande” mídia. Com uma banda afiadíssima, a bateria de Rodrigo Peixe, Pedro Ivo Euzébio nas programações, Bruno Rodrigues no baixo, Vitor Peixoto na guitarra e Dinho Zampier nos teclados e também parceiro nas composições.

As participações especiais são muitas, além com os parceiros mais freqüentes como Alvinho Lancellotti e Momo, além de Marcelo Camelo junto com Mallu Magalhães, Curumin e Fernando Anitelli, sem falar nos novos parceiros e co-autores Fábio Góes, André Abujamra, Zeca Baleiro e Chico César.

Este álbum segue o caminho natural traçado pelo próprio Wado, de uma aproximação grande com o eletrônico nas composições, que só vem crescendo desde ‘Terceiro Mundo Festivo’ e ‘Atlântico Negro’. Destaque para ‘Esqueleto’ com participação de Curumin, lançada originalmente pela banda ‘Sonic Jr.’, ‘Jornada’ com Fábio Góes e ‘Beira mar’ com Abujanra e Lancelotti.

Wado usa alguns ditados popularizados pelos bailões de funk-carioca, como “elas estão descontroladas”, para criar uma composição única e original que denota o brilhantismo da micro-tonalidade desse ritmo tão discriminado. Levando a crer, que o principal problema com esse gênero, é na verdade a letra de certa forma horripilante e grotesca, que a maioria utiliza.

Nas letras, Wado continua um poeta que sabe muito bem brincar com as palavras ao mesmo tempo em que faz belas melodias como em ‘Portas são para conter ou deixar passar’. Dos antigos parceiros Momo e Lancelotti, gravou a bela ‘Recompensa’, que encaixa tão perfeitamente no repertório do artista.

Wado segue no bom caminho musical e mercadológico ao se manter como artista que é o próprio selo e também a própria gravadora, no melhor sentido do “do it yourself”.

De que outra forma? Você que nunca ouviu poderia conhecer as canções do Wado?



2011 Samba 808

1. Si próprio (& Zeca Baleiro)
2. Esqueleto (& Curumin)
3. Surdos de escola de samba (& Chico César)
4. Com a ponta dos dedos (& Marcelo Camelo & Mallu Magalhães)
5. Portas são para conter ou deixar passar (& Fernando Anitelli)
6. Recompensa
7. Não para
8. Vai ver
9. Jornada (& Fábio Góes)
10. Beira mar (& André Abujamra & Alvinho Lancelotti)

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domingo, 16 de outubro de 2011

MAIS PERTO AGORA QUE LONGE DE ONDE ESTARIA SE NÃO ESTIVESSE

O disco novo de Karina Buhr, ‘Longe de Onde’, tem uma banda de respeito centrada na voz de Buhr, baixo de Mau, bateria de Bruno Buarque, teclados de André Lima, trompete de Guizado e guitarras de Edgard Scandurra e Fernando Catatau.

O álbum abre com uma paulada na orelha ‘Cara palavra’, que tem poesia concreta que e é quase um punk-rock-hardcore. Depois segue a singela parceria de Catatau, Buhr, Buarque e Mau, ‘A pessoa morre’, com a característica guitarrinha prog-brega de Catatau.

O quase calipso ‘Não me ame tanto’ tem auxílio luxuoso de Guizado no trompete e uma letra deliciosamente com duplo sentido. Em ‘Guitarristas de Copacabana’ há o duelo das guitarras de Scandurra e Catatau. ‘Sem fazer idéia’ também tem o trompete de Guizado, mas é a letra de Karina que chama atenção à sua capacidade de criar imagens poéticas e oníricas.

‘Pra ser romântica’ também tem a guitarra de Catatau e sua forte influência, nessa bela balada rockenrou. ‘Cadáver’ é o reggae do disco. ‘The war’s dancing floor’ tem forte poesia em inglês e tem na sequência ‘Copo de veneno’, que pode até se considerada como uma quase continuação.

Em ‘Amor brando’, Karina canta acompanhada apenas da guitarra de Scandurra, numa canção de singela beleza. O disco encerra com ‘Não precisa me procurar’, composição característica de Karina Buhr, com final apoteótico calcado na guitarra de Scandurra e trompete de Guizado.

O certo é que esse álbum é extremamente autoral. O segundo solo de Karina Buhr é um belo exemplar da nova música popular brasileira. Imperdível em qualquer estante.

2011 Longe de Onde

1. Cara palavra
2. A pessoa morre
3. Não me ame tanto
4. Guitarristas de Copacabana
5. Sem fazer idéia
6. Pra ser romântica
7. Cadáver
8. The war’s dancing floor
9. Copo de veneno
10. Amor brando
11. Não precisa me procurar

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domingo, 9 de outubro de 2011

QUANDO SETEMBRO CHEGAR, ESPERE QUE EM OUTUBRO VIRÁ

Já é fato consumado que Junio Barreto é um dos melhores compositores de sua geração. Seu segundo disco veio para comprovar esse fato e calar a boca dos possíveis detratores, que provavelmente nunca irão aparecer.

O álbum abre com ‘Serenada solidão’, um sambinha alegre e feliz com parceria do piano de Vitor Araújo e da guitarra de Gustavo Ruiz. A faixa-título, ‘Setembro’, é uma balada psicodélica com o teclado de Chiquinho do ‘Mombojó’ e da guitarra de Junior Boca, além da letra onírica de Barreto.

A marchinha ‘Jardim Imperial’ é uma canção melancólica, mas é precedida por ‘Rios de passar’, que tem os trombones de Misael França e Zilmar Medeiros, além dos vocais de CéU, Marina de la Riva e Luisa Maita. ‘Noturna’ é outra bela balada, com participação da Orquestra Experimental de Cordas e de Vitor Araújo.

‘Fineza’ é outro samba, mas com participação de Dudu Tsuda nos teclados e Seu Jorge no violão. Já ‘Gafieira da maré’ é um típico exemplo das composições praieiras de Junio Barreto. ‘Passione’, composta em parceria com Jorge Du Peixe, tem uma levada surf-rock e também conta com os teclados de Chiquinho, acrescida das guitarras de Felipe S.

A faixa instrumental, ‘Vamos abraçar o sol’, composta em parceria com Pupillo, tem um balanço contagiante de samba-rock e pode ser cantarolada em uníssono no melhor estilo la-ra-lás ou pa-pa-pás. O petardo encerra com ‘Alento da alagoinha’, com apenas Vitor Araujo no piano e uma bateria minimalista de Pupillo.

Todo o álbum tem os gêmeos da ‘Nação Zumbi’ no baixo e bateria, respectivamente Dengue e Pupillo, que também assinou a produção das faixas. A espera valeu a pena – o último disco de Barreto foi sua estréia, ha sete anos – já que ‘Setembro’ é um dos grandes lançamentos de 2011 e confirma o talento de Barreto como compositor e sua alcunha de Caymmi de Caruaru.

2011 Setembro

1. Serenada solidão
2. Setembro
3. Jardim Imperial
4. Rios de passar
5. Noturna
6. Fineza
7. Gafieira da maré
8. Passione
9. Vamos abraçar o sol
10. Alento da alagoinha

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domingo, 2 de outubro de 2011

AFINAL DE CONTAS, QUEM É QUE É MARGINAL?

Qual é a cara dos MarginalS? Tem a cara do trio Thiago França, Marcelo Cabral e Anthony Gordin – sopros, baixo e bateria, respectivamente.

Juntos, França, Cabral e Gordin, formam o MarginalS, e fazem um som instrumental que dificilmente se encaixa em qualquer estereotipo ou rótulo. É um som que muda a cada dia, porque é totalmente improvisado.

A banda lançou um disco pela internet no momento em que comemorava o primeiro aniversário como grupo e o Thiago França conversou sobre esse álbum.



Como é o som dos MarginalS?

Nosso som é 100% improvisado, ou seja, cada show é único, tudo é espontâneo e instantâneo, mas o MarginalS tem uma cara, um jeitão, e uma sonoridade. A gente passeia pelo caos e pelo lírico, por grooves pesados e abstrações musicais. O grande lance é o encontro dos três, eu Cabral e Tony, cada um com a sua história e fazendo um som junto. Eu, por exemplo, tô sempre pensando em caminhos alternativos como solista, o saxofone já foi explorado tanto que parece que não há mais o que fazer. Tenho usado alguns pedais de efeito (delay, octaver, phaser…) pra criar texturas e situações, montar acordes, distorcer o som do instrumento, dá pra sacar bem isso no disco. Ou às vezes, simplesmente me jogar na fogueira sem saber o que vai sair e criar em cima disso. O disco não teve pós-produção, todos os efeitos rolam na hora mesmo, tudo ao vivo, a não ser na última faixa do disco (parte 2, parte 3), que passamos um filtro na bateria e colocamos um drive (aquele efeito meio rachado) no baixo acústico e no EWI (que é uma espécie de saxofone MIDI, tipo um teclado), mas ficou sutil e natural, muita gente nem percebe. Daqui um ano, não sei como vai estar o som, e não importa: o mote mesmo é tocar junto, o que acontece quando nós três nos encontramos, aconteça o que acontecer, um por todos, todos por um. Estamos bem felizes de ter gravado o disco e lançado no nosso aniversário de um ano e da repercussão que está tendo.





Como nasceu o disco sem nome? Foi pensado em algum conceito?

O disco existe por ele próprio, como um retrato. Não sei se você está se referindo aos vídeos do MarginalS no youtube. Eles não tem a ver com o disco, são extratos de gravações da época que a gente tocava no +Soma. Queríamos disponibilizar alguma coisa, mas um trecho sozinho não tem o mesmo sentido que no set completo (geralmente com 1 hora de duração), pois como a gente toca sem parar, o que vem antes e depois é essencial, muda completamente a impressão daquele som. Daí veio a idéia dos vídeos, que no caso, a música entra quase que como trilha sonora e ganha vida própria, independente do todo de onde ela surgiu.



Porque MarginalS e não Marginais? O que significa o S maiúsculo?

Não foi uma escolha muito pensada… aliás, nada do que a gente faz é, é tudo meio na base da intuição. Depois de uns meses de resistência minha, começamos a escolher o nome. No início eu não queria, por mim seria só o nome dos três. Mas fomos percebendo que nasceu ali uma coisa nova e única, era mais que um encontro casual. Quando o Cabral apareceu com o nome, eu e o Tony gostamos de cara, soou bem e pareceu correto pra proposta do som. O "S" maiúsculo foi sem querer também. Quando eu estava criando a home no facebook, já existia um "Marginals" e o sistema não aceitava. Coloquei o "S" e rolou. A opção de manter assim foi estética, o nome virou uma espécie de logo.



Você acha que existe um cenário de música instrumental hoje? Onde o MarginalS se encaixa?

Cena ou cenário, acho que é a mesma coisa, mas se usa mais "cena"… Tenho ouvido muito que o MarginalS é "meio jazz mas com uma pegada de rock". Gosto disso. Não consigo enxergar exatamente uma cena instrumental X ou Y, mas, fazendo um recorte com "pegada rock", uns mais, outros menos, eu curto e acho que tem a ver com a gente o Burro Morto, Macaco Bong, M.Takara3, Hurtmold, Guizado e o PsychoJazz.





Pirataria X acessibilidade?

A gente é completamente a favor de disponibilizar tudo, mas nessa questão que você levantou, baixar um disco é só a ponta do iceberg. Historicamente, tirando alguns medalhões como Ivete Sangalo, Roberto Carlos, Xitãozinho e Xororó, entre outros desse quilate, artista nenhum ganhou dinheiro com venda de disco, o disco sempre pertenceu às gravadoras. Hoje, o disco é propriedade do artista, somos nós que decidimos o destino dele. Daí, você vê artistas como o MarginalS, o Metá Metá (que tem eu, Kiko Dinucci e Juçara Marçal), Criolo, Romulo Fróes, entre muitos outros, disponibilizando seus discos pra quem quiser baixar, enquanto outros artistas tão fazendo de tudo pra impedir isso, vide o caso da Ministra Ana de Hollanda. Ela tem os motivos dela. Independente duns trocados a mais ou a menos que viriam pros nossos bolsos, o acesso leva e traz muita coisa pra muita gente. Funciona quase que como um acordo de cavalheiros, você baixa o meu, eu baixo o seu, e tá tudo certo, todo mundo quer ouvir e ser ouvido. No lançamento do CD do Metá Metá em Curitiba tinha gente cantando todas as músicas do disco, e curiosamente, essas são as pessoas que compram o disco, elas valorizam o artista. Num texto de 25 anos atrás, O Hermano Vianna contava que o dono dum selo de música africana tentou lançar o Fela Kuti aqui no Brasil nos anos 80 e nenhuma gravadora se interessou. Isso é acessibilidade, você ter liberdade pra ouvir e pesquisar o que você quiser, apreciar música livremente, longe dos grilhões do jabá. 90% do que eu conheço de música africana, que é indispensável pra tudo que eu faço hoje, é graças a internet. Da mesma forma, as coisas que a gente faz chegam com muito mais rapidez ao público e com uma abrangência enorme, que é muito favorável. O cara que baixa música em casa é o mesmo cara que há um tempo atrás, copiava um vinil ou CD numa fitinha cassete. A proporção disso hoje em dia é infinitamente maior, mas esse cara só quer ouvir música. Pirataria é outra coisa... Pirata é quem lucra com essa "transação". Você não paga pro artista, você não paga o download pro dono do site, mas o provedor de acesso você paga… Vixi, que esse papo vai longe…





Não tem capa, é? ...E qual é o nome do disco?

Tem capa sim, é essa foto da gente jogando bocha, mas não tem nome. No arquivo está como (disco sem nome), talvez esse seja o nome. Na real, muita gente simplesmente diz que é o disco do MarginalS, algumas pessoas estão chamando de "o disco da bocha" - isso eu acho legal, tipo Beatles, que tem o "álbum branco", saca? Hehe... Mas a idéia por trás disso é não induzir a audição do disco, por esse mesmo motivo, as faixas também não tem nomes, apenas indicações, "prólogo", "parte 1", etc… que servem meramente pra formalizar o começo e fim de cada idéia musical que apareceu, mas, ouvindo do começo ao fim, é imperceptível. É muito comum termos feedbacks completamente diferentes do público e a gente gosta disso. Tem gente que lembra de coisas da infância; uns falam que não pensam em nada, que rola um transe; uma vez, uma amiga disse que durante um set do MarginalS teve um insight de como resolver um pepino no escritório. Isso, pra gente, é muito mais importante do que se tivesse alguém prestando atenção em escalas, harmonias, quais pedais eu uso e quando. Queremos dialogar com o nosso tempo, com a cidade e com as pessoas. Não quero ser dissecado por estudantes de música nem virar matéria de faculdade.


2011 MarginalS (Disco sem Nome) ou (Disco da Bocha)

1. Prólogo
2. Parte 1, parte 1
3. Parte 1, parte 2
4. Parte 1, parte 3
5. Parte 1, parte 4
6. Intermissão, parte 1
7. Intermissão, parte 2
8. Parte 2, parte 1
9. Parte 2, parte 2
10. Parte 2, parte 3

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