sábado, 27 de setembro de 2008

...WITH A POCKETFULL OF STONES

O disco ao vivo de David Gilmour tem o último registro de Richard Wright tocando e cantando um dos clássicos do Pink Floyd.

Gilmour apresentou um set muito parecido com o de seu DVD ‘Remember that Night’. O disco começa com quatro canções do ‘Dark Side of the Moon’, ‘Speak to me’, ‘Breathe’, ‘Time’ e ‘Breathe (Reprise)’. Após os clássicos, ele toca inteiramente, e na ordem das faixas, seu último disco de estúdio, ‘On na Island’.

Depois disso tudo, Gilmour ainda apresenta vários clássicos do Pink Floyd, como ‘Shine on your crazy diamond’ e ‘Wish you Were Here’ do disco homônimo, ‘Fat old sun’ do ‘Atom Heart Mother’, ‘Echoes’ do ‘Meddley’, ‘A great day for freedom’ e ‘High hopes’ do ‘Division Bell’, ‘Astronomy dominé’ do ‘Piper at the Gates of Dawn’ e ‘Confortably numb’ do classico ‘The Wall’, está é a faixa cantada por Richard Wright.

O disco de estúdio de Gilmour é maravilhoso, e ainda bem que é tocado do início ao fim nessa turnê de Gilmour, pois começa com a suíte ‘On na Island’, com a introdução ‘Castellorizon’. É uma suíte fenomenal, e que começo perfeito para um álbum, que para mim, pode figurar entre os 10 mellhores inícios de álbuns de todos os tempos.

‘The blue’ é uma continuação perfeita. Porque após a suíte ‘On na island’ somo emergidos nesse imenso azul que o Gilmour nos demonstra com perfeição. O disco de estúdio continua com a ‘Red sky at night’, na qual Gilmour toca saxophone e descamba para a maravilhosa participação de Robert Wyatt no trompete em ‘When I close my eyes’. Antes disso temos ‘The heaven’ que lembra um pouco as canções do último disco de estúdio do Pink Floyd. Nos shows Gilmour tem grandes músicos tocando saxofone e trompete.

‘Smile’ é a canção do amor perfeito e é uma perfeita canção de amor. A letra é magnífica e tem muita poesia quando ele declama a intenção de “encontrar o caminho para casa no seu sorriso” (to find my way home to your smile). A poesia é de Polly Samson, esposa e companheira de David Gilmour. ‘Take a breath’ é outra que poderia figurar no ‘Division Bell’, o que nos leva a crer que o último disco do Pink Floyd foi na verdade um ótimo disco solo do Gilmour, com participações mais que especiais de Richard Wright e Mick Mason.

Em ‘A pocketfull of stones, o lirismo de Polly vem a tona. Que assobio! Que fábula! Que letra maravilhosa! Polly realmente construiu uma poesia lírica sobre como você deve aproveitar a vida antes que você fique com “o bolso cheio de pedras” (the pocketfull of stones).

Claro que o final do disco ‘On an Island’ não poderia ser mais perfeito com ‘Where we start’. ‘On an Island’ realmente deve ser tocado na ordem do disco e o disco funciona como um todo. Por isso mesmo que Gilmour toca esse disco inteiro na sua última turnê.

Mas o disco ao vivo de Gilmour não acaba por ai, já que após a audição completa de seu último disco de estúdio, o ouvinte ainda pode curtir clássicos de sua carreira.

David Gilmour é um guitarrista único, e toda a discussão sobre quando o Pink Floyd era melhor, com Barret ou Gillmour, eu respondo que eram dois Floyds diferentes. Gilmour inclusive chegou a tocar com Barret, quando o ‘diamante louco’ não parava de tocar a mesma nota durante os shows.

Gillmour é um guitarrista que criou o próprio estilo de tocar o instrumento. Você ouve a primeira nota de sua guitarra e tem certeza absoluta que ele tocando o instrumento. Poucos guitarristas têm esse dom, e o Sr. Gilmour, definitivamente, possui.

Esse disco ao vivo, é lançado agora em setembro, após a morte do Richard Wright, e fica quase como um tributo ao tecladista, compositor e um dos fundadores do Pink Floyd.

O álbum foi gravado em 2006, em Gdansk, na Polônia, e foi o último show da turnê de David Gilmour.

2008 Live in Gdansk

Disc 1

1. Speak to me
2. Breathe (In the air)
3. Time
4. Breathe (In the air) (Reprise)
5. Castellorizon
6. On an island
7. The blue
8. Red sky at night
9. This heaven
10. Then I close my eyes
11. Smile
12. Take a breath
13. A pocketfull of stones
14. Where we start


1. Shine on you cazy diamond
2. Astronomy dominé
3. Fat old sun
4. High hopes
5. Echoes
6. Wish you were here
7. A great day for freedom
8. Comfortably numb (Feat. Richard Wright)

Abaixa Aqui no Eu Ovo o disco 2

Ou vai lá no Cordas, Bandas & Metais, mas nesse link não tem o encarte... O encarte está no link do disco 1 (em caso de interesse apenas no encarte) - ou então quem quiser pode pegar direto lá no Mega-Search.

sábado, 20 de setembro de 2008

DUDU MAIA E A ENTREVISTA QUE NÃO ACONTECEU

Dudu Maia é outro que fazia parte da trupe que integrava o Xalé Verde, nos idos dos anos 90. Assim como Reco do Bandolim, que antes era conhecido com Jimi Reco, mas hoje é solista no grupo Choro Livre e presidente do Clube do Choro de Brasília. Também foi ele quem inaugurou a Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello.

Pois a história do Dudu Maia como bandolinista se mistura com a história recente do Clube do Choro de Brasília. Pois o Dudu Maia estava lá nas primeiras aulas de bandolim na Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, quando ainda eram na sede do clube, que ainda não tinha sido reformado para melhorar sua acústica.

Imagine só? Vários alunos de bandolim fazendo escalas nos instrumentos, num local onda a acústica reverberante fazia cada nota ecoar por alguns segundos. Vários alunos! Vê se não dá pra deixar qualquer um maluco com esse tipo de reverbe...

Mas o Dudu Maia virou professor na mesma escola, além de ter tocado com gente como Zélia Duncan, Marco Pereira, Mart´nália e Léo Gandelman, e montado o grupo de choro AQuatro, com o qual lançou um disco tocando músicas de Luperce Miranda.

A carreira de Dudu Maia como bandolinista deslanchou rapidamente, principalmente no exterior, onde parecem dar mais valor à nossa música do que muitos daqui. O disco solo foi lançado em 2006, e no ano seguinte se apresentou em Santa Cruz na Califórnia, num simpósio de bandolinistas (Mandolin Symposium), ao lado de Hamilton Holanda, Mike Marshall, David Grisman e Danilo Brito. Ele também gravou, neste ano de 2008, um DVD com músicos de várias regiões do país, ‘Caraivana’.

Outro dia falei com o Dudu que precisávamos colocar o disco dele aqui no EuOvo. Ele concordou, e eu ainda falei pra gente fazer uma entrevista. Sabe como é, né, Dudu? Nessa correria toda eu te usei como um ‘ás na manga’. Explico. É que eu já tinha subido o arquivo do teu disco. Mas queria realmente fazer uma entrevista contigo para colocar junto com o disco. Mas essa correria toda eu me vi sem tempo de subir arquivos etc e tal. Então, coloquei seu disco no blogui sem um atrativo a mais. Mas ainda tem o disco do AQuatro, onde a gente podia encaixar uma entrevista... Não é? E também tem o lançamento do ‘Caraivana’, e a gente podia tentar corrigir essa preguiça... Né, não?

Mas mesmo com a preguiça tamanha e o tanto que fazer, eu ainda tinha que escrever uma coisa ou outra para falar do disco do Dudu Maia. Porque é um disco bastante autoral, que se preocupa em apontar um caminho de vanguarda para o bandolim brasileiro. Eu, por exemplo, não consigo parar de lembrar do Dudu guitarrista nos shows do Xalé Verde. Entre as releituras de grandes clássicos, o disco tem canções autorais como ‘Didi e Gonzaga’, ‘A hora do esturdilho’ e ‘Janinha’.

Hoje em dia o Dudu vai dar aula sobre o choro e o bandolim brasileiro no ‘Mandolin Symposium’, em Santa Cruz na Califórnia. Vê se descola uma carteirinha daquelas? Falou? Só... Podicrer...

2006 Dudu Maia

1. Upa neguinho
2. Didi e Gonzaga
3. 1 x 0
4. A hora do esturdilho
5. Disparada
6. Janinha
7. Roseira do norte
8. No tabuleiro da baiana
9. Arrebol
10. Na baixa do sapateiro
11. Lála

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sábado, 13 de setembro de 2008

O AFROBEAT PARAIBANO DO BURRO QUE MORREU!

Parem tudo que estão fazendo! Outro dia eu tava tomando umas cachaças e ouvindo um som maneiro com o Sr. R.B.. Você viu isso R.B.? É Rhythm’Blues! E foi bem o Sr. Rhythm’Blues que olhou para a pista com um sorriso malicioso e aplicou o afrobeat paraibano do Burro Morto. Fudeu! Caraleo! Putamerda!

Esse Burro Morto surgiu em João Pessoa, quando um grupo de amigos montou um coletivo musical, com Haley ‘King Size Paper’ no microkorg e escaleta, ‘Big’ Daniel Jesi no contrabaixo, Nacho Gonçalves na percussão, Ruy José na bateria e Léo Marinho na guitarra.

O som do Burro Morto é pedrada na orelha e para mim um dos melhores sons que ouvi nesse ano. Se você gosta de um bom afrobeat, com Fela Kuti ou Tony Allen, você não vai se arrepender.

Então eu peguei o disco com o Sr. Rhythm’Blues, e procurei o Haley pelo myspace, que respondeu prontamente as perguntas em nome de toda a galera do Burro, que morreu de....

Eu Ovo: Como surgiu o Burro Morto? Como você se conheceram?

Haley: O burro morto era projeto paralelo de todos nós, até que todo mundo ficou sem banda principal e começamos a nos envolver de fato com essa proposta. Nós nos conhecemos através do estúdio e das noitadas. Além de fazermos parte da mesma confraria de malucos, junkies e boêmios da cidade, nós ensaiávamos, com projetos diferentes, no mesmo estúdio. Com o fim dessas bandas, e como nós já estávamos tirando um som juntos, resolvemos gravar essas jams e produzirmos o disco. A banda surge aí. Em agosto do ano passado lançamos o primeiro material, "Pousada Bar", que é o nome de um cabaré localizado bem próximo ao nosso estúdio. Esse disco é na verdade a semente do que estamos lançando agora, um ano depois, o "Varadouro". O Pousada Bar são algumas bases desse disco novo, são as músicas nuas e cruas, como vieram ao mundo. Ainda em clima de jam sessions. Já o "Varadouro", além das 4 músicas do primeiro EP regravadas, reeditadas e com a mixagem definitiva, conta com mais 3 músicas inéditas e inaugura a nossa formação atual.

EO: Quais são as influências de vocês?

H: A gente gosta da música da Africa, da Jamaica, do Brasil... O som do terceiro mundo é foda. Coisas como afrobeat, dub, reggae, funk e jazz etíope, por exemplo. Gostamos também de rock..n..roll, coisas antigas de rock progressivo e psicodélico, como King Crimson, Pink floyd, Santana. E tem umas coisas contemporâneas também, como The Mars Volta e umas bandas de afrobeat dos Estados Unidos, Antibalas, The Budos Band e Nomo. Do Brasil gostamos dos malucos dos anos 60/70, do som que foi feito nessa época no Nordeste, Novos Baianos, Zé Ramalho, Alceu Valença, Tom Zé, etc. Tem um grupo daqui chamado Jaguaribe Carne, que vai além da música. Eles são guerrilheiros culturais, trabalham com música livre e desde os anos 70 fazem o som mais vanguardista do mundo. Gostamos também da Nação Zumbi e dos projetos paralelos deles. São nossos vizinhos, enfrentaram a mesma babilônia que a gente enfrenta e hoje são a maior banda do Brasil no
segmento deles.

EO: De quem são as composições? Como é o processo de composição?

H: As composições são nossas e o processo de composição é bem natural. A gente vai tirando som e vai encaminhando isso numa direção, tipo tentando remeter à paisagens, situações, épocas, etc. No fim a gente lembra várias coisas que a gente gosta, mas sempre tentamos fazer uma coisa nova e diferente, porque isso é o que dá pé.

EO: O que vocês acham dessa onda de downloads pela internet? Você acha que prejudica os artistas?

H: A gente acha massa. Baixamos coisa pra caralho. Acho que pra quem tá trabalhando independentemente, como a gente, esse esquema só ajuda. Tudo que conseguimos até agora foi através da internet.

EO: Quais são os planos, do Burro Morto, para o futuro?

H: A gente quer tocar, queremos conhecer lugares que ainda não tocamos. Estamos na pilha mesmo de trabalhar. Temos dois festivais no Nordeste pra tocar e estamos tentando novas datas em São Paulo pro fim de outubro. Estamos ainda vendo também como vamos distribuir o disco, se vai rolar disco físico ou só mp3... Esses encaminhamentos de business e produção que ainda somos nós que tomamos conta. Nossa agenda pode ser acompanhada no www.myspace.com/burromorto.

2008 Varadouro (EP)

1. Navalha
2. Indica
3. Menara
4. Cabaret

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sábado, 6 de setembro de 2008

ANA CAÑAS CANTA O DOCE E O AZEDO E O DOCE

Ana Cañas é demais! Se Você não conhece... Está esperando o quê? O disco da Ana Cañas, Amor e Caos de 2007, é uma grata surpresa na música brasileira.

O disco termina com uma versão Hendrixiniana de ‘Rainy Day woman’ de Bob Dylan. A canção, na voz de Ana, remete a passagens de ‘If 6 was 9’, ‘Castles made of sand’ ou ‘Hear my train A coming’. Sei lá.... Escolhe uma aí.... A releitura de ‘Coração vagabundo’ de Caetano Veloso renovou a canção com sutileza e porrada ao mesmo tempo! Quem foi que disse que não dá pra fazer bossa’n’roll? Se não dava, a Ana deu um jeito nisso.


Em ‘Mandinga não’ a Ana nos entrega uma canção meio Tom Waits, com pitadas de tropicalismo. ‘A Ana’ é quase uma canção biográfica, que nos remete à doçura da voz de Ana, dos acordes, assim como os efeitos ácidos-viagem-tripodelics, bem lá no fundo, atrás de tudo. Mas eu ouvi. E aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa?????? E aaaaaaaaaaaaaaaaÁ!!!!!!!!

Além de Dylan e Veloso, Ana canta ‘Super mulher’ de Jorge Mautner. Em ‘Vacina na veia’ Ana assume sua veia jazzista, que ela insiste em não assumir. O fato é que essa jovem diva começou a carreira cantando jazz em São Paulo, como no ‘All of Jazz’ e no ‘Baretto’ do Hotel Fasano.


‘Para todas as coisas’ é uma homenagem de Ana Cañas a Marisa Monte e Nando Reis, que até poderia se chamar ‘Diariamente (Parte 2)’. ‘?’ mostra mais um pouco da influência do jazz no trabalho de Ana Cañas, com melodia simples e muita poesia na letra. Os improvisos vocais de Ana remetem ao melhor do scat-singin’ de Louis Armstrong a Ella Fritzgerald A interpretação magistral de Ana, é um deleite aos ouvidos. Também pudera, essa artista seria mais uma atriz nos palcos televisivos, mas graças a Deus, virou cantora com uma voz ímpar, aliada às aulas de interpretação.

O som de Ana Cañas é tão interessante que você não consegue ouvir uma só vez. ‘Cadê você’ tem uma levada rock no melhor estilo dos ‘Stones’, mas também tem um jeitão jazz. ‘Devolve moço’ foi a primeira música a ser gravada do disco, e serviu como um termômetro para esse disco.


Se você quer conhecer mais sobre essa Diva, com D maiúsculo de Deusa mesmo, leia o que ela escreve no blogui, ‘Conversa de Bar’. Aí você vai ter uma idéia de que mulher é essa? Ela é linda, inteligente, sensível e forte pra caralho! Uma Supermulher!

Eu pasmei com ela! Achei legal o jeito como ela escreve meio ‘Macaca Simoa’. Quase que eu pude sentir o cheiro de botequim...

E outra coisa... Fellini é mesmo incomparável! Ninguém filma como Fellini.


2007 Amor e Caos

1. Mandinga não
2. A Ana
3. Vacina na veia
4. Para todas as coisas
5. ?
6. Coração vagabundo
7. Cadê você
8. Devolve moço
9. Super mulher
10. Rainy day women

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Site oficial: http://www.anacanas.com/

Mysace: http://www.myspace.com/anacanas

Canal You Tube: http://br.youtube.com/user/anacanasoficial

Blogui: http://www.anacanas.com/blog/blog.aspx

Compre aqui: http://www.anacanas.com/shopping.aspx