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sábado, 29 de março de 2008

DJINJI RINJI BUBAMARA

O cara é um viking. Emir Kusturica Nasceu na Sérvia na época quando ainda era Iugoslávia. Tornou-se o cineasta mais premiado daquele país, ou sem país. Ganhou duas vezes a Palma de Ouro em Cannes. A primeira vez foi com seu segundo filme de longa-metragem, ‘Quando papai saiu em viagem de negócios’ de 1985, esse filme até saiu em vídeo no Brasil, pela Paris Filmes.

E olhe só como é a vida. Depois disso ele começou a preparar o filme que permearia todo o resto de sua filmografia, ‘Le Temps des Gitans’. No meio tempo Kusturica tocava baixo com a banda ‘Zabranjeno Pusenje’, que significa ‘proibido fumar’ nessa língua.

1984 Das Ist Walter

1. Anarhija all over bascarsija
2. Abid
3. Put U srediste rudnika kreka banovici
4. Selena, vrati se, Selena
5. Necu da budem svabo
6. Kino 'Prvi maj'
7. Pamtim to kao da je bilo danas
8. Zenica blues
9. Cejeni odlaze

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1985 Dok Cekaš Sabah sa Sejtanom

1. Dok cekas sabah sa sejtanom
2. Stanje soka
3. Djevojcice kojima mirise koza
4. Ne me quitte pas
5. Ucini da budem vuk
6. Ibro dirka
7. Lutka sa naslovne strane
8. Nedelja kad je otiso hase
9. Sanjao sam nocas da te imam
10. Brut
11. Gospodja Brams se sprema da zaspi
12. Radost prvog zita
13. Ujka sam
14. Bas celik

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1987 Pozdrav iz Zemlje Safári

1. Bos ili hadzija
2. Kako je velika britanija postala probuseni dólar
3. Murga drot
4. Dobri jarani
5. Dan republike
6. Balada o pisonji i zugi
7. Manijak
8. Poslednja oaza
9. Srce, ruke i lopata
10. Meteor

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1989 Male Price o Velikoj Ljubavi

1. Guzonjin sin
2. Javi mi
3. Piccola storia de grande amore
4. Pisonja i zuga u paklu droge
5. Pklatovi I
6. Kanjon drine
7. Proslo je 12 sati
8. Straza pored prizrena
9. Zvijezda nad Balkanom

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Com essa banda Emir Kusturica lançou esses quatro LPs, mas a banda acabou com o auge da guerra da Bósnia. O filme ‘Le Temps des Gitans’ saiu, mas não fez tanto estardalhaço. Afinal de contas era esse filme que estava preparando o espectador a tudo que Kusturica tinha a dizer a partir daquele ponto. A trilha sonora foi composta por Goran Bregovic, que era um artista pop famoso na Iugoslávia. ‘Le Temps des Gitans’ foi seu primeiro trabalho como compositor de trilhas sonoras para cinema.

1988 Le Temps des Gitans

1. Ederlezi
2. Scena pojavljivanja majke
3. Scena perhanove pogibije
4. Kustino oro
5. Borino oro
6. Glavna tema
7. Tango
8. Pjesma
9. Talijanska
10. Ederlezi (Large version)

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Esse filme valeu para que Kusturica fizesse uma incursão na América com o excelente ‘Arizona Dream’, que tinha os atores Johnny Depp e Jerry Lewis e as atrizes Faye Dunaway e Lili Taylor. Mais uma vez o filme não fez tanto sucesso, mas o universo dos ciganos ainda estava lá. E a trilha também foi composta por Bregovic, e desta vez tinha umas três letras de Iggy Pop (faixas 1, 4 e 6), que também colocou voz em quatro canções (mais a faixa 10).

1993 Arizona Dream

1. In the deathcar (& Iggy Pop)
2. Dreams
3. Old home movie
4. TV screen (& Iggy Pop)
5. 7/8 & 11/8
6. Get the money (& Iggy Pop)
7. Gunpowder
8. Gypsy reggae
9. Death
10. This is a film (& Iggy Pop)
11. Man from Reno (& Scott Walker)
12. American dreamers (& Johnny Depp)

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Foi então que Kusturica realizou sua obra prima. Quem disser o contrário de 'Underground', ou não assistiu o filme até o final, ou não entendeu o filme. Se Felini houvesse feito um filme de guerra, seria 'Underground'! Nesse filme, Kusturica conseguiu utilizar o universo cigano e amarrar com a trama da história da Iugoslávia. A trilha também foi de Goran Bregovic, e com esse filme Kusturica ganhou pela segunda vez o Festival de Cannes.

1995 Underground

1. Kalasnjikov
2. Ausencia (& Cesária Évora)
3. Mesecina (Moonlight)
4.. Ya ya (Ringe ringe raja)
5. Cajesukarije
6. Wedding
7. War
8. Underground
9. Underground tango
10. The belly button of the world
11. Sheva

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Depois desse filme, Kusturica poderia nunca mais ter feito nada, porque seu nome já estaria gravado no panteão das obras primas. Piegas demais, né? Foda-se! O filme é foda! Mas daí Kusturica retomou a parceria com a banda ‘Zabranjeno Pusenje’, no disco ‘Ja Nisam Odavle’.

1997 Ja Nisam Odavle

1. Gile sampion
2. Tri ratna havera
3. Letimo Zajedno
4. Ja nisam odavle
5. Nema nigdje nikoga
6. Ona nije tu
7. Zeni nam se vukota
8. Od istorijskog AVNOJ-a
9. Sto nacina
10. Zoka ja sam trudna
11. Ljubav udara tamo gdje ne treba
12. Odlazi voz

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Daí pra frente Emir Kusturica assumiu a produção das trilhas sonoras de seus filmes e reformulou a antiga banda, como uma orquestra. Ele lançou vários discos como ‘Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra’, que trazia antigos integrantes da banda original, só que com nome em inglês. Depois Kusturica dirigiu ‘Chat Noir, Chat Blanc’, de 1998, o primeiro filme com trilha sonora dessa orquestra, que gravou um disco que serviria de base para a turnê que foi registrada no documentário, ‘Super-8 Stories’, em 2000. Também existe uma gravação da banda ao vivo na Argentina, ‘Live in Buenos Aires’, de 2001. Em 2004, Kusturica lançou o filme ‘La Vie est Un Miracle’, com trilha sonora dessa orquestra e da banda ‘Zabranjeno Pusenje’. Mas o gran-finale veio com o lançamento de ‘Le Temps des Gitans Punk Opera’, em 2007, que veio fechar a vida musical dessa banda do cigano e viking Emir Kusturica.

1998 Chat Noir Chat Blanc

1. Bubamara (Main version)
2. Duj sandale
3. Railway station
4. Jek di Tharin II (New version)
5. Daddy don't ever die on a Friday
6. Bubamara (Vivaldi version)
7. Daddy’s gone
8. Long vehicule
9. Pit Bull (Mix Pink Evolution)
10. El Bubamara pasa
11. Ja volim te jos meine stadt
12. Bubamara (Tree stump)
13. Jek di Tharin
14. Lies
15. Hunting
16. Dejo dance
17. Bulgarian dance
18. Bubamara (Sunflower)
19. Black cat white cat

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2000 Unza Unza Time

1. Unza unza time
2. Djindji rindji Bubamara
3. Lubenica
4. Prnavor
5. Pitbull terrier
6. Was Romeo really a jerk
7. Drang nach osten
8. Corfu
9. Upside down
10. Sanela
11. Devil in the businness class
12. Grüss gott trauer
13. Emir’s dream
14. Imao sam bjelog konja
15. Some other man
16. Furja djildje

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2001 Live in Buenos Aires

1. Possible reaction
2. Kalasnjikov
3. Drag nach osten
4. Felini
5. The godd the bad the ugly (Intro)
6. Ja volim te jos meine stadt
7. Lubenica
8. Upside down
9. ??????
10. Emir's dream/ Imao Sam bjelog konja
11. Devil in the businness class
12. ?????
13. Was Romeo really a jerk
14. Pitbull terrier
15. Djindji rindji Bubamara

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2004 La Vie est Un Miracle

1. In the begining
2. Evergreen
3. Wanted man
4. Kiss the mother
5. Moldavian song
6. Vasja
7. Dying song
8. Looking for Luka
9. Ovo je muski svet
10. Fatal wounds
11. Who killed the DJ
12. Kaakaj
13. The waterfall
14. Gladno srce
15. Looking for sabaha
16. When life is a miracle
17. Moldavian song

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2007 Le Temps des Gitans Punk Opera

1. Efta purane ikone
2. Djilaben romalen
3. San Francisco
4. O chaveja
5. Ederlezi
6. Cik cik pogodi
7. Crazy about money
8. Del dija
9. Kana O del barvarel
10. Evropa
11. Pharimasa va inzares
12. Perhan sovel
13. Lorenzzo
14. Sas jekh len

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Emir Kusturica encenou o funeral da franquia 'Duro de Matar' de Bruce Willis, por que considerou o último filme da série uma obra de péssima qualidade. Isso aconteceu durante o Kustendorf Film Festival.

Kusturica ainda está dirigindo filme e encantando as platéias. Seu último filme ‘Zavet’, foi exibido no Festival de Cannes de 2007. Ainda há um documentário em finalização sobre o Maradona, o próprio Dieguito, que será lançado este ano.

Previsão de algum filme desses chegar ao Brasil? Só se for o documentário sobre o Maradona. Mas por puro despeito... E só. Porque Pelé é muito melhor jogador que Maradona.

Já viu algum filme do Kusturica em DVD no Brasil? ‘Tempo de Ciganos’ e ‘Gato Negro Gata Branca’ nunca vi. Até mesmo Arizona Dream’, que tem o Johnny Depp, eu só vi em VHS, na época em que esse formato predominava.

O máximo que você vai conseguir é ‘Histórias em Super-8’, em DVD e agora ‘Underground’ e ‘A Vida é um Milagre’, que acabaram de sair no Brasil.

A banda ‘Zabranjeno Pusenje’ continua tocando nos dias de hoje e gravando discos e fazendo sucesso – Lá por aquelas bandas...

sábado, 22 de março de 2008

EU OVOS DE PÁSCOA

Nessa páscoa o Eu Ovo vai trazer uma sessão especial de música boa da melhor qualidade.

São vários Eu Ovos de páscoa nessa postagem. Apesar de não colocar nenhum disco do Cordel do Fogo Encantado, uma faixa específica merece o destaque e vai direto para Rádio Ovo.

Essa faixa é ‘Jesus no xadrez’ que narra as desventuras em uma procissão. Merece ser ouvida por causa da interpretação de Lirinha. A letra é de autoria de Chico Pedrosa. Clique no nome da faixa para baixar.

No tempo em que as estradas
Eram poucas no sertão
Tangerinos e boiadas
Cruzavam a região
Entre volante e cangaço
Quando a lei
Era a do braço
Do jagunço pau-mandado
Do coroné invasô
Dava-se no interiô
Esse caso inusitado

Quando o Palmeira das Antas
Pertencia ao capitão
Justino Bento da Cruz
Nunca faltô diversão
Vaquejada, canturia
Procissão e romaria
sexta-feira da paxão

Na quinta-feira maió
Dona Maria das Dores
No salão paroquial
Reuniu os moradores
Depois de uma preleção
Ao lado do capitão
Escalava a seleção
De atrizes e atores

Todo ano era um Jesus
Um Caifaz e um Pilatos
Só não mudavam a cruz
O verdugo e os maltratos

O Cristo daquele ano
Foi o Quincas Beija-flor
Caifaz foi Cipriano
Pilatos foi Nicanô

Duas cordas paralelas
Separavam a multidão
Pra que pudesse entre elas
Caminhar a procissão

Quincas conduzindo a cruz
Foi num foi adivirtia
O Cinturião perverso
Que com força lhe batia

Era pra bater maneiro
Bastião num intidia
Divido um grande pifão
Que tomou naquele dia
D'um vinho que o capelão
Guardava na sacristia

Cristo dizia:
- Ô rapais, vê se bate divagar
Já to todo incalombado
Assim num vô agüentar
Tá cá gota pra doer
Ou tu pára de bater
Ou a gente vai brigar
Jogo já essa cruz fora
Tô ficando aperriado
Vô morrê antes da hora
De ficar crucificado

O pior é que o malvado
Fingia que num ouvia
E além de bater com força
Ainda se divirtia
Espiava pra Jesus
Fazia pouco e dizia:
- Que Cristo frôxo é você?!
Que chora na procissão
Jesus, pelo que se sabe
Num era mole assim não
Eu to batendo com pena
Tu vai vê o que é bom
Na subida da ladeira
Da venda de Fenelom
O côro vai ser dobrado
Até chegar no mercado
A cuíca muda o tom

Naquele momento ouviu-se
Um grito na multidão
Era Quincas
Que com raiva
Sacudiu a cruz no chão
E partiu feito um maluco
Pra cima de Bastião
Se travaram no tabefe
Pontapé e cabeçada
Madalena levou queda
Pilatos levou pancada
Deram um cacete em Caifaz
Que até hoje num faz
Nem sente gosto de nada

Desmancharam a procissão
O cacete foi pesado
São Tomé levou um tranco
Que ficou desacordado
Acertaram um cocorote
Na careca de Timoteo
Que inté hoje é aluado

Inté mesmo São José
Que num é de confusão
Na ânsia de defender
Seu filho de criação
Aproveitou a garapa
Pra dar um monte de tapa
Na cara do bom ladrão

A briga só terminou
Quando o dotô delegado
Interviu e separô
Cada santo pro seu lado

Desde que o mundo se fez
Foi essa a primêra vez
Que Jesus foi pro xadrês
Mas num foi crucificado


HERMETO PASCOAL

Depois dessa maravilhosa narração vou largar um Hermeto Pascoal, e não é só por causa do nome, não... O Hermeto é um gênio vivo da música mundial, tanto que em muitos países por onde passa, ele é reverenciado por tudo que construiu em relação à música.

Por isso mesmo eu vou colocar um disco diferente do Hermeto. É o disco solo com ele no piano. Esse disco é uma obra de extrema delicadeza, onde o maestro toca com singular beleza.

Nesse disco Hermeto presta uma homenagem ao seu baterista ‘Nenê’, compondo uma canção na hora da gravação. Isso mesmo, a canção do disco foi criada naquela hora, que ficou de uma beleza ímpar. O próprio baterista, que estava no estúdio no dia da gravação, se emocionou e chorou.

Imagine só? O cara é um mestre, um bruxo, um monstro sagrado do som, e faz um improviso maravilhoso dedicado a você? Se fosse comigo. Eu estaria chorando até hoje.

Sem contar nas versões de músicas como ‘bebê’, que foi feita para o primeiro filho de Hermeto, e gravada com banda em 1973, ou na música ‘sintetizando a verdade’ também composta de improviso e na qual ele colocou pedaços de borracha e outras coisas entre as cordas do piano para dar a impressão de estar tocando um sintetizador.

Já vi um show do Hermeto em que havia um cabo de som dando mal contato e o bruxo não pensou duas vezes em fazer um improviso para o ‘cabo danado’, já vi o Hermeto tocando pia de cozinha, conduite de parede e alcançando todas notas que quisesse, como se afinasse um piano... Putaquepariu!

O Hermeto é FODA! Ouçam lá na rádio as faixas ‘bebê’, ‘Nenê’ e ‘sintetizando a verdade’.

1988 Por Diferentes Caminhos

1. Pixiotinha
2. Bebê
3. Macia
4. Nascente
5. Cari
6. Fale mais um pouquinho
7. Por diferentes caminhos
8. Eu te tudo
9. Nenê
10. Sintetizando a verdade
11. Nostalgia
12. Amanhã

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HUGO GUEDES E BALAIO GERAL

Outro Eu Ovo de páscoa escondido vem na voz de Hugo Guedes, compositor mineiro que lançou ano passado seu primeiro CD.

O disco Música Vegetal chega devagarinho e como um bom mineiro, te conquista aos poucos com canções muito harmoniosas.

Hugo Guedes toca violão e é acompanhado por sua banda, Balaio Geral, com Walner Cassita no piano, Lucas Soares na guitarra, Hugo Silva no baixo e Hernany Lisardo na bateria.

O disco tem um balanço muito gostoso de ouvir e vale a pena o download. Vamos lá conheçam o som do Hugo Guedes... E as faixas ‘por um triz’, ‘candomblues’ e ‘qualquer dia’ vão estar lá na Rádio Ovo para quem quiser curtir um pouco do som do Hugo Guedes.

2007 Música Vegetal

1. Música vegetal
2. Babilônia tropical
3. Por um triz
4. Místico solar
5. Leite de pedra
6. Candomblues
7. Foi lá que eu vi
8. Não mais
9. O id e o ego
10. A comédia do coração
11. Qualquer dia
12. Canção banal (Bônus ao vivo)
13. Entrevista com Hugo Guedes (Bônus)

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CILIBRINAS DO ÉDEN

E quando você achava que acabou o Eu Ovo traz do fundo do baú uma gravação rara da Rita Lee com Lúcia Turnbull, logo após a saída de Rita Lee dos Mutantes quando ela formou com a amiga uma dupla chamada Cilibrinas do Éden.

Sabe no disco solo de Arnaldo Baptista quando ele canta “...cilibrinas pra lá, cilibrinas pra cá...”, pois são essas as próprias cilibrinas. Nessa gravação a dupla tem o acompanhamento da banda Tutti-Frutti.

Este disco não foi lançado, mas tinha canções progressivas e bastante pesadas que remetiam mais aos Mutantes do que ao que Rita Lee alcançou quando lançou o primeiro disco com a banda Tutti-Frutti.

Eu destaco duas canções ‘nessas alturas dos acontecimentos’ e ‘vamos voltar ao princípio porque lá é o fim’ na voz de Rita Lee e Lucia Turnbull para você ouvir lá na Rádio Ovo.

1973 Cilibrinas do Éden

1. Mamãe natureza
2. E você ainda duvida
3. Minha fama de mau
4. Gente fina é outra coisa
5. Paixão da minha existência
6. Festival divino
7. Bad trip (Ainda bem)
8. Nessas alturas dos acontecimentos
9. Vamos voltar ao princípio porque lá é o fim
10. Cilibrinas do Éden

Baixe aqui pelo Eu Ovo

LEEH

E ainda não terminou, não. Agora você fica com o som de Leeh, outro compositor novato que lançou um compacto neste ano.

‘Na minha direção’ e ‘dezembro’ são as duas músicas que fazem parte do compacto de Leeh.

A primeira faixa é intimista com sua poderosa voz e um piano emocionante ao fundo, enquanto a segunda faixa no violão tem uma batida firme e traz uma interpretação coerente com o espírito da canção.

O som de Leeh é muito agradável e faz bem aos ouvidos. No myspace dele você pode ouvir outras canções. Ouça lá na Rádio Ovo as duas faixas.

2008 Na Minha Direção (EP)

1. Na minha direção
2. Dezembro

Baixe aqui pelo Eu Ovo

MALLU MAGALHÃES

E se você esteve em Marte com o Maurício Pereira, você deve ter lido que ele já curtiu o som de uma tal de Mallu Magalhães.

E só estando mesmo em Marte para não ter ouvido falar de Mallu Magalhães, uma garota de apenas 15 anos que encantou todo mundo com seu estilo ‘folk’a’billy’, segundo ela mesma. Mallu Magalhães me lembra uma Edie Brikell com tempero nacional.

A página de Mallu no myspace é recordista de acessos e visualizações. A garota já apareceu no Altas Horas, em matérias para diversos veículos e já está planejando o primeiro CD.

Algumas de suas músicas estão disponíveis para download no myspace, e o Eu Ovo foi lá e buscou quatro canções pra trazer para seus ‘ovintes’.

Lá na Rádio Ovo eu coloco para audição ‘tchubaruba final’ e ‘get to Denmark’.

2007 MySpace (EP)

1. Don’t you leave me
2. Tchubaruba final
3. J1
4. Get to Denmark

Baixe aqui pelo Eu Ovo

EVANDRO GRACELLI

E se vocês acham que chega de som, ainda não. Tem o Evandro Gracelli, que há muito tempo me pediu uma força na divulgação do CD dele, lançado em 2005, e eu nunca tive tempo pra preparar nenhuma postagem onde coubesse seu disco.

Pois bem, o som dele encaixa perfeitamente nesse espaço. È um CD muito bem trabalhado com participações de gente como o Funk como Le Gusta, na faixa ‘trevo’, e tem muita sensibilidade e com composições fortes e instigantes. Aproveitem...

2005 Urucum

1. Ititubêa
2. Hoje descobri
3. Mastroianni
4. Trevo (& Funk como Le Gusta)
5. De volta ao caminho
6. Brasileiro
7. Iriri
8. Pedra du mar
9. Grandes momentos do esporte/ Quem vai salvar a mente
10. Pasárdaga
11. Dormi cayndo
12. Urucum
13. Meia fina
14. Brasileiro (Versão 2)

Baixe aqui pelo Eu Ovo

sábado, 15 de março de 2008

PRA MARTE PRA QUALQUER PARTE

Pronto! Daqui na Praça da República vai ser fácil encontrar o Calanca, que é o único cara que com certeza vai ter o novo disco do Maurício Pereira. Pra quem não sabe, ele formou o Mulheres Negras junto com o André Abujamra e depois seguiu carreira solo.

Tudo certo e o novo disco no som do carro, fomos todos procurar um caminho para a Liberdade. Eu tenho minha musa sentada ao meu lado, os guris no banco de trás e sem tempo pra pensar a vontade se estou no sentido correto da avenida São João, indo pra Liberdade, ou para alguma padoca em Santa Cecília. O vale do Anhangabaú logo em frente me pega de assalto, é o sinal que estou no caminho certo, mas ainda faço muitas voltas até encontrar a Liberdade.

Passeamos pelas ruas da Lapa de carro, tomamos café e seguimos viagem vendo o amanhecer da Vila Ipojuca. O disco ainda tocando no som do carro, mas já estamos passando pelos pedágios da Bandeirantes, seguindo pra Minas, ‘sêboláh’, como cantam as crianças no banco de trás. A viagem segue com uma chuva fina e forte que impede uma visão plena da estrada, mas como estou já na Anhanguera sigo em frente, pra Marte, pra qualquer parte.

Já estou chegando em Americana quando ouço um causo de assombração, e o Visconde não responde nenhuma das questões existenciais, mas é a melhor canção do universo do Lobato que eu ouvi até hoje. As crianças acordam a tempo de ouvirem o teco-teco amarelo em chamas pela janela e cantarolarem a melodia. Porque você sabe, né? As crianças têm ouvido musical e respondem às canções muito mais que os adultos, sejam elas de truques com facas ou sobre penhascos íngremes de poesias.

De modo que quando o dourado aparece já estou em Ribeirão a meio caminho de casa e as crianças adormecendo novamente no banco de trás.

Ouvir o disco do Maurício Pereira é isso, ver-se inundado de imagens de todos os cantos e influências desse mundão enorme. O Maurício já gravou três discos solo, sem contar com participações nos discos de vários parceiros musicais, como o Abujamra no Karnak e na carreira solo.

Maurício Pereira lançou o ‘Pra Marte’, no qual ele retoma o lado autoral de sua carreira. Seu último disco havia sido com regravações de canções que um dia todos nós assobiamos.

Mas não adianta, que em seu disco recente não conseguimos mais parar de assobiar suas canções.

Melhor perguntar pro Maurício algumas coisas, vai que ele responde mais rápido que o Visconde...

Eu Ovo: Quando é que os Mulheres Negras vão gravar mais um disco? Fazer turnê? Enfim, se reunir de uma vez por todas?

Maurício Pereira: Taí uma boa pergunta… A gente vira-e-mexe tá tocando junto. O André cantou no meu disco, em fevereiro dei uma canjona no lançamento dele. O Mulheres toca na Virada Cultural em SP, fim de abril. Mas fazer disco mesmo, eu não sei quando. O André tá lançando o disco, eu tou lançando o "Pra Marte". Fora isso, o André tá morando em Curitiba, tá difícil a gente se ver… Ou seja, nós vamos ter q fazer o Mulheres via internet por uns tempos. Mas uma hora vai sair, sem pressa. Ou com pressa.

EO: Em 95, você tinha o show com a banda, que gravou o disco ‘Na Tradição’, mas também tinha o projeto só você e o piano do Daniel Szafran, que acabou virando o ‘Mergulhar na surpresa’. Quais os projetos que você toca atualmente?

MP: Eu tou tentando ter os shows de todos os meus discos em cartaz, cada um com sua banda, seu repertório, seu espírito. Então, eu faço o “Mergulhar” c/o piano do Daniel Szafran. Aí tem o “Pra Marte” de 2 jeitos: com banda e só c/violões. Com o Turbilhão, q é a banda q gravou o “Canções” comigo, eu faço shows especiais, tipo: no Carnaval fiz um baile de marchinhas; outro show é só de músicas do Adoniran; tem um q eu só toco Erasmo Carlos; tem um show gigante q eu faço em festas italianas aqui em SP, em q eu canto pop italiano dos anos 60. Ou seja, meu repertório de shows é bem variado, um é diferente do outro. Dá uma certa canseira na cabeça, mas é bom.
Mas minha prioridade mesmo este ano é viajar com o Pra Marte.

EO: Com os shows do novo disco, o ‘Pra marte’. Como o público tem reagido? Como vocês, músicos têm reagido?

MP: O público tem prestado uma atenção danada, tem se entregado, as letras são grandes, densas, é um trabalho da emoção mais interna, acho q tá pegando as pessoas por aí, pela atenção e pela emoção. Fora isso, a banda é bárbara. O Tonho Penhasco e o Luizinho Waack são 2 guitarristas muito especiais, muito criativos, tem uma história importante no pop paulistano, tocaram com deus e o mundo, inclusive com o Itamar Assumpção… Armei a banda pra deixar eles 2 muito livres. Então, eles acabam empolgando o público, pque tocam muito, um show não é igual ao outro. O baixista é o Mano Bap, produtor, compositor, um cara de muita idéia. O batera é o Leandro Paccagnella, um cara técnico e sangue quente q segura a banda viajandona aqui no chão do planeta. Neste disco, passei muito tempo explicando pros músicos qual é viagem a de cada música, qual o clima, a emoção, a abordagem. Eles sacaram muito bem a onda e tão fabricando esse clima pra mim. Como me disse outro dia o Mano, baixista, a idéia é fazer uma trilha sonora pras histórias das letras. Tá sendo um trabalho interessante, tamos aprendendo um bocado, e o público tem entrado na onda.

EO: Qual é a diferença dessa banda, do disco novo, para a banda do ‘Na tradição’ ou para o ‘Turbilhão de Ritmos’?

MP: Eu sempre mudo de banda ou de formação a cada disco. Pra ter um clima diferente, pra mudar a pegada, pra deixar o som bem diferente dum disco pro outro.
A banda do “Na Tradição” reagia como uma banda de rock. Desciam o braço, era uma banda q tinha muita garra. O som tinha aspereza, e era isso o q eu buscava ali, fazer som de branco, mais pegada, menos suingue. Era uma banda muito especial: faziam cada show como se fosse o último.
Já no “Mergulhar”, a alma do disco é o piano do Daniel Szafran, q é um músico selvagem, a gente tem um entendimento total no palco, a velocidade é altíssima. Q nem c/o André nos Mulheres. Enfim, ele é o motor desse disco, um motor V8…
O Turbilhão (q gravou o “Canções”), ao contrário, caiu pronto na palma da minha mão, meio sem querer. A banda já existia no programa “Fanzine”, q o escritor Marcelo Rubens Paiva apresentava na TV Cultura nos anos 90, e eu era vocalista. Lá, cantamos mais de 600 canções brasileiras de todo tipo: brega, baião, bossa nova, rock, axé, noel, chico, raul, tudo… Então, é meio q uma banda de baile, só q ao mesmo tempo é uma banda meio intelectual, pque eles não fazem cover, eles piram em cima dos originais. E com eles eu não canto nada meu. Os shows do Turbilhão, como eu falei, são temáticos, são festeiros. Catamos um repertório e fazemos. Já teve show só com música sobre futebol, sobre carro, sobre comida… Além disso, são músicos q tocam juntos há muito tempo, conhecem muita música, ouviram rádio na mesma época, não têm medo da música, do palco, do improviso.
A banda do “Pra Marte” trabalha numa outra frequência. Todos são produtores, têm experiência em dirigir outros artistas. E são músicos c/uma viagem interior muito forte, caras capazes de contar uma história tocando. E é isso q o Pra Marte exige: uma banda q traga clima, comente as letras q eu tou cantando. Pra isso precisa muita concentração, muita criatividade, precisa saber ouvir, entender o q eu tou cantando naquele momento. Acaba sendo bem diferente dos outros trabalhos (embora o Tonho e o Luiz toquem no Turbilhão tbem, o trabalho deles lá é completamente diferente).
Pra resumir: pra mim, assim como é importante registrar minhas músicas num disco, é super importante registrar o trabalho único e especial de cada um desses músicos, q sempre têm um papel de destaque no meu trabalho. Eu chamo eles pra a responsa de criadores, e eles vêm.

EO: Você se considera poeta? Digo isso por causa das suas letras sobre o cotidiano.

MP: Eu acho q sou o típico compositor brasileiro, viralata e refinado, não é assim q é? Principalmente letrista e melodista. Mas meu método de fazer uma canção varia muito. Às vezes penso q nem poeta, como em “Compromisso”, do “Na Tradição”, ou “Milho”, do Mulheres. Em “Trovoa”, do “Pra Marte”, eu funcionei como se estivesse fazendo um road movie. Em “O Dourado”, do “Pra Marte”, eu raciocinei q nem os velhinhos q fazem moda de viola. Em “Mergulhar na Surpresa”, no disco do mesmo nome, eu fui um fotógrafo. O método varia. Uma sugestão q eu dou pra vcs se quiserem saber mais do processo de fazer letras, é ir lá no meu myspace e clicarem no blog debaixo do jukebox, em “Diário do Pra Marte: faixa-a-faixa”. Lá eu conto um pouco como cada música veio.

EO: Você já assistiu o sol nascendo na Vila Ipojuca? E tantas outras imagens cotidianas das suas músicas? De onde elas vêm?

MP: Já vi esse sol lá… Umas tantas coisas eu vi, acho eu. Mas trabalho mais com a lembrança do q c/a fantasia. E como tenho a memória meio ruim, acabo fantasiando um bocado as minhas lembranças… E acabo lembrando de coisas q eu nunca vi, misturo tudo. Eu ando muito a pé pela rua, sozinho, por todo lado, lugares comuns, óbvios, q o turista ou o purista jamais iam reparar, funciono meio como um viralata. Já rodei muito o país, de carro, de trem, de moto. Sem buscar nada em especial. Simples amor pela estrada. Ou pela calçada. E pelo cidadão comum e suas coisas comuns. Nem é o herói, nem é o fudido, ele nem sempre tá numa letra de música, as coisas q ele faz nem sempre rendem poesia. Mas é onde parece q não tem arte q eu quero ver a onça beber água. Me desculpa o lugar comum, mas tem muita força nas no óbvio, na rotina, no cotidiano. A batalha é falar disso s/ser piegas ou mané.

EO: Quando você fez o ‘Modão de Pinheiros’, você descreveu uma caminhada pelas ruas de São Paulo. Em ‘Trovoa’ do novo disco, você faz a mesma coisa, e também de certa forma em ‘Motoboys, girassóis etc e tal’. Como é sua relação com essa cidade?

MP: Eu rodo muito, ando muito. Desde pequeno. Minha mãe me levava muito pro centro da cidade, ia de ônibus, descia no Anhangabaú, andava um monte no centrão. Aí, uma época, ela trabalhava na rua, de carro pra todo lado, vira-e-mexe eu tava junto. E ia conhecendo a cidade, os bairros. São Paulo é muito grande, e cada bairro tem uma tribo bem diferente da outra. Tem a zona oeste, mais papo cabeça, tem a zona leste, com seu sotaque. Tem bairro q tem muito japonês, tem bairro mais negro ou nordestino, tem bairro q tem mais velho do q moço. Tem lugar mais fashion, tem lugar q é só caminhão.
Fora isso, como artista, eu tento entender o q é ser paulistano, pque fora do Brasil as pessoas estranham muito a música de SP enquanto música brasileira (ultimamente não tanto, já q os DJs e o rock brasileiros têm rodado o mundo), o Mulheres foi pra Portugal no fim dos anos 80, e eles estranharam demais a gente. Mas afinal, eu sou branco, neto de italiano, fui criado ouvindo jovem guarda, cabeça urbana. Se eu for pro Texas ou pro sertão do Cariri, eu tou em casa nos 2 lugares. E também não estou… Então, o paulistano é um cara meio sem passado e sem pátria, até pque SP só ficou importante na metade do século 19, antes era um lugar muito pequeno, meio bronco, as pessoas não falavam português aqui, e sim língua geral (um tipo de tupi). O Barroco passou ao largo de SP. Quer dizer, é uma cidade muito nova, se a gente comparar c/Rio, São Luiz, Recife, Salvador, Ouro Preto. A cidade cresceu com os italianos, japoneses, com a indústria, a ferrovia, o rádio, o cinema, explodiu no século 20. Aqui não tem muito bucolismo, muita malemolência, tamos pra baixo do Tropico de Capricórnio: SP não é na zona tropical, já pensou nisso?
Ou seja, não parece muito c/o lugar-comum q se tem do brasileiro. Mesmo dentro do Brasil, tem uma certa defesa contra essa brasilidade meio gringa, estressada e arrogante da cultura de SP. Mas é a nossa maneira de expressar o país, né?
Então eu tenho q lidar com isso, descobrir de onde eu vim, desvendar a maneira paulistana de ser brasileiro.

EO: Em ‘Ser-boi’ você canta Minas Gerais, mas também lembra da velocidade nas ruas de Brasília.. Como é sua relação com Minas Gerais e Brasília?

MP: Eu amo Minas. Se eu pudesse eu me naturalizava mineiro. Sempre q eu posso viajo pra lá. Tem um caráter introvertido q combina comigo. É mais lento q SP, tem um outro sabor, tem muita história, muita tradição, muita sutileza. Cachoeira, cachaça e tutu. Rock e silêncio. Uma época eu tive uma moto, catava umas trilhas por aí e ia pro mato, fiz duas grandes viagens por lá: Mantiqueira e Canastra.
O Brasil é realmente um tesão de país, mesmo c/toda a injustiça e pobreza q rolam, o povo é maravilhoso, tem uma riqueza interior gigante, a cultura é muito forte. Mas Minas, como eu disse, combina c/a minha introversão. E “Ser Boi” é isso: contemplação e muita minhoca na cabeça, ou seja, filosofia pura…
Já Brasília, pra mim, é um lugar místico. Tá no centro do país, tá no centro do poder, o plano piloto é um lugar surreal prum paulista, c/aquela organização toda. Nos anos 90 fui pra Brasília mixar o cd dos lendários Cachorros das Cachorras. Pedi a grana da passagem de avião e gastei em gasolina: fui de carro, parando em todas – eu disse todas – as cidades do caminho (e até fora dele…). Pedregulho, Guaxupé, Pires do Rio, Uberaba, o escambau. Talvez ali eu tenha visto os carros voando pra Brasília na BR. Foi tipo uma peregrinação pro centro do Brasil, tipo fazer o Caminho de Santiago de carro, um road movie solitário, ouvindo rádio, ficando quieto, dormindo em pequenos hotéis, vendo o planalto aparecer aos poucos, sentindo a secura: passei o 7 de setembro em Brasília… Topei com uma cidade ainda mais jovem q a minha, absolutamente próxima do poder e seus efeitos colaterais, meio q vi o Brasil resumido ali, pro bem e pro mal, de Cabral até hoje, com aquele horizonte todo…
Foi uma peregrinação pro interior, aberta, silenciosa, reverente, desmistificadora. Voltei pra casa diferente.

EO: Você sempre teve uma ligação forte com música para crianças. Você fez a música ‘Mau’ no ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, e cantou ‘Cogumelo’ no disco ‘Roda gigante’ do Gustavo Kurlat. Sem falar na melhor canção sobre o Visconde Sabugosa, que está no seu disco novo, que também tem ‘O dourado’, que era para o público infantil... Você tem outros projetos de músicas para crianças? Tem planos para isso?

MP: Não tenho planos, mas gosto muito de fazer. Nos anos 80, o Thayde me dizia q eu tinha voz de desenho animado, acho q ele tem razão, acho q é por isso me chamam pra cantar. Fora isso, compor ou cantar pra criança solta um pouco a fantasia, dá pra usar a música de jeitos mais tontos, criar um monstro ou outro, sentir um medo ou outro, brincar um pouquinho. E eu tenho 3 filhos, passei um bom tempo criando moleque pequeno, tentando me comunicar com eles. Acho q o melhor jeito d trocar uma boa idéia com criança é tentar não ser xarope, pque d modo geral, criança é bem mais esperta q adulto (e isso não é uma mera frase de efeito…).

EO: Como é a vida de músico independente? Isto é, tem que se virar fazendo de tudo um pouco, como trilha e publicidade...

MP: Tem q se virar feito louco. Ainda mais eu, q tenho filharada pra criar… E cada ano é diferente do outro. Tipo: qdo tem disco novo, tem q correr atrás de show e viajar, e isso não tá fácil. Qdo não tem trabalho novo, precisa arranjar coisas pra fazer pra ganhar dinheiro ou pra não ir pro hospício, se é q vc me entende…
Então, cada vez mais, tenho feito coisas fora da música, embora perto dela: fiz a pesquisa e as entrevistas pruma série de DVDs sobre música do Itaú Cultural (entrevistei Nei Lisboa, Berimbrown, Katia B., Chico Cesar, Mombojó, Porongas, Mantiqueira, Quaternaglia, Dona Edith do Prato, Marku Ribas, e mais um monte de gente). Faço locução em comerciais e documentários. Dou palestras e oficinas sobre música pop, produção independente, produzo disco, dirijo show, trabalho como ator, dublador. E assim vai. Se me convidarem pra apresentar baile de debutante eu tbem vou. Um artista independente brasileiro tem q se virar, fazer um pouco de tudo, acho eu. Chaveiro, encanador e eletricista, sabe como é?

EO: Isso inclui também atuação? Com foi fazer o comercial da Nextel? Como Franco... Porque foi uma série, não foi?

MP: Pois é, atuação…
Não parece, mas ali no Mulheres a gente foi ator pra burro. Vira-e-mexe tem um convite pra atuar, num comercial, numa peça, ou até em novela. Anos atrás trabalhei com Os Parlapatões num espetáculo musical q virou um DVD lançado pela gravadora Atração, chamado “Os Reis do Riso”. Foi uma experiência bárbara, uma outra maneira de estar no palco, sob a maravilhosa direção do Hugo Possolo. Os 2 anos q trabalhei na TV Cultura, no “Fanzine”, tbem foram uma grande escola. O programa era diário e ao vivo, e eu fui pegando o reflexo de lidar c/a câmera, onde ela tava, pra onde ela ia, o timing rápido de TV, a noção do meu enquadramento, essas coisas. Pra fazer o Nextel isso ajudou muito. Fora isso, no Mulheres a gente se dirigia, se roteirizava. Então, no Nextel eu fui fabricando o personagem junto c/o diretor dos filmes, o Tonico Melo, da O2 (do Fernando Meirelles), achando um tom pro Sr.Franco: como ser crica s/ser escroto. E ter a experiência de se ver num baita estúdio c/uma equipe de 60 pessoas em função de você não é pouca coisa, tem q ter muita concentração, saber usar a adrenalina, tem q ser disciplinado mas não pode deixar a maluquice de lado.
Enfim, essa história de atuação eu vou aprendendo a toda hora, já q eu não tive escola: nos shows, nos comerciais, nas locuções, vendo atores trabalhando. Cada experiência q pinta é uma escola nova.

EO: Como foi essa história do show na internet? Que tipo de sites você costuma acessar?

MP: Em 96 me apareceu um moleque de 16 anos q disse q dava pra fazer show via internet. Eu achei ótimo, não pque eu fosse algum fanático por tecnologia ou quisesse ser hype, mas pque nos anos 90 não tinha espaço nenhum na mídia pra artista independente nenhum: o jornal não falava, a tv não divulgava, o rádio não tocava. Zero. Então eu pulei pra dentro da internet. Fui um dos primeiros artistas a terem site e email, eu já tinha isso em 94, 95. Aí fizemos o show, e o cara inventou uma maneira criativa de fazer rolar, s/grana, c/a ajuda da USP e um servidor americano de Real Audio, mais 2 computadores 486 e 2 linhas telefônicas. Acho q entraram umas 20 mil pessoas, algo assim. Pra a época, isso era muito. A internet nos anos 90 era uma mídia alternativa, não é como é hoje, q ela tá no poder (e o poder tá nela…). Em 96 não existia Uol, nem Google, não existia mp3… Não tinha banda larga, nem YouTube, nem MySpace, nem MSN, nem Orkut, nem blog, dá pra imaginar? Tava muito no começo. Mas era realmente a única saída ali, além das rádios livres q eram muito numerosas em SP. Eu fui em várias. A pequena rádio de bairro seria uma solução genial pra democratizar a execução de música, seria bom pra todo mundo, mesmo pras rádios grandes e anunciantes. Mas, como se diz, a ignorância e o autoritarismo andam de mãos dadas, então esse tipo de democratização não rolou e não vai rolar, penso eu.
Hoje tenho navegado na internet mais pra trabalhar do q pra m divertir, então acabo usando as ferramentas habituais: Google, YouTube, MySpace, Wiki, Emule, sites de letras e cifras, sites q tenham informações pra produções q eu esteja fazendo. Acho SenhorF um site importante pra quem gosta de pop/rock e leva a sério. O Overmundo é interessante, tem muitos blogs interessante. O próprio Eu Ovo eu já conhecia, assim como outros, Um q Tenha, Loronix. Pra pesquisar música é ótimo, pque tem todo tipo de informação. Já pro Orkut e o MSN eu não tenho muita paciência, acho q a gente fica online demais…

EO: Como é sua relação com a internet? Porque obviamente você é músico e convive agora com compartilhamento de arquivos. As pessoas baixando seu disco pela internet.... Você é a favor disso?

MP: Sou a favor.
Acho q o mundo tá numa transição brutal. Cada dia tem uma tecnologia nova, uma atitude nova. Alguma hora esse ritmo de mudanças vai diminuir ou chegar em algum lugar mais permanente. Nessa hora vai dar pra pensar em alguma legislação mais definitiva sobre propriedade intelectual. Enquanto essa hora não chega, minhas músicas tão editadas, como sempre. Mas eu sou a favor do compartilhamento, não vejo q seja algum tipo de crime ou contravenção. Pirataria é vc pegar a minha música e fazer um milhão de cópias pra ir vender na Praça da Sé. Mas baixar pra ouvir é um direito das pessoas. O mundo mudou, hoje a comunicação é imediata, e todo mundo tem em casa equipamento relativamente barato pra pegar música e copiar com qualidade. As pessoas tão – literalmente – matando a curiosidade, numa boa. O q tá mudando no mundo, e não só em música, é q tá cada vez mais difícil vc remunerar a arte. E, no caso da música, tem música em todo canto, às pencas, aos gigas. Virou uma commodity.
Então, o q tá em crise não é a música em si, e sim a profissão de músico, o business de música, a possibilidade de viver de música (especialmente a gravada, pque show é show, né?)
Mas nós tamos realmente num meio de caminho, ainda tem muita mudança pra acontecer, vai ter q esperar pra ver, não tem jeito…

EO: Como é a sua posição nessa questão sobre a pirataria?

MP: Eu vejo 2 tipos de pirataria.
Um é catar minha música, copiar 100 mil cópias e sair vendendo por aí, q é o q os piratas e contrabandistas fazem.
Outro é a grande gravadora pagar jabá pras rádios tocarem sempre as mesmas músicas. Isso, além de ser crime (deve ser crime, né?), esculhamba totalmente o mercado de música, pque um monte de artistas deixa de ter acesso às rádios de maior audiência do país. Fora isso, tem essa coisa de as majors ditarem os preços do cd, terem um certo monopólio de distribuição de discos, coisa e tal.
Ou seja, no fim das contas, a pirataria é um subproduto da própria política das grandes gravadoras, desse monopólio no acesso à mídia e às grandes lojas. Certamente se o acesso de música às rádios fosse democrático e se o cd fosse mais barato, não haveria pirataria, né?
Onde tem concorrência razoavelmente leal, eu acho difícil ter pirataria. Piratas se alimentam de monopólios…

EO: O você ouve em casa? Você curte as bandas novas que surgem por aí?

MP: Passei 2 anos no processo de fazer disco, então tou meio de ressaca como ouvinte. Fui criado ouvindo rádio, sou viciado, e nessa tal ressaca tenho ouvido mais jogo de futebol do q música…
A rádio Cultura AM daqui tem uma programação bárbara de música brasileira, dá pra ouvir na internet. Recomendo tbem um programa de Curitiba chamado Radiocaos, bem maluco, tbem dá pra ouvir na net. Ando a fim de ouvir folk, tou curioso a respeito, tenho entrado em rádios americanas de folk e bluegrass. Ainda tem muita rádio boa por aí, na net e fora dela.
Na internet eu fuço o q aparece pela frente no MySpace ou no YouTube, montes de coisas. Algumas das bandas novas eu conheço, as mais óbvias, tipo Vanguart, Porongas, dei uma ouvida na Mallu Magalhães. O pouco q eu conheço dessa cena de rock indie me parece bem legal, assisti o Vanguart aqui em SP outro dia e gostei muito, o Helio, vocalista, tem um carisma danado.
Mas como vc pode ver, eu não sou especialista em nada: criado no rádio, agora no ramdom…
Ouço coisas da antiga, q eu ouvia qdo ainda não era músico, mais ingenuamente, por diversão, tipo: Beatles, Stones, Cassiano, Tim Maia (por conta de ter lido a biografia dele), Erasmo Carlos, Donato, Raul, Bob Marley, Stevie Wonder, Herbie Hancock, Wayne Shorter. Ou coisas q eu fui conhecendo depois, Elvis Costello, Bola de Nieve, Pablo Milanés, Paolo Conte, as rancheras mexicanas do El Recodo, Ray Charles, Jovem Guarda, Sly Stone. Ligo o shuffle e deixo vir de tudo, tem muita coisa q me interessa.
Tbem tem os amigos q tão lançando disco e me jogam na mão: Siba e a Fuloresta é lindo, o Arthur de Faria, meu parceiro de Porto Alegre, o Martin Buscaglia, um músico uruguaio bem interessante. O André m deu o disco novo dele, tem coisas boas lá. Los Pirata, Tatá Aeroplano, Trash pour 4, Natalia Mallo. Acabo indo muito de carona no q os filhos ouvem, então andei ouvindo Cachorro Grande, Hermanos, Mutantes, Beatles, Kinks, Stones, Clapton, The Who, Pink Floyd, Dylan, Hendrix, Chuck Berry.
Pois é, os moleques tão ouvindo os clássicos… coisa q a gente percebe qdo ouve as bandas mais recentes, né?

EO: Valeu Maurício, pela maravilhosa entrevista! Um abraço pra você e sucesso na turnê do seu novo disco, ‘Pra Marte’.

MP: 1 abraço pra todos os ouvintes/leitores do Eu Ovo, e me fucem…
Mauricio Pereira

http://www.mauriciopereira.com.br/
Maurício Pereira no You Tube

E só pra lembrar, O Maurício vai apresentar o show do ‘Pra Marte’ no Sesc Consolação no dia dois de abril com a entrada franca.

Para baixar os outros discos do Maurício Pereira e dos Mulheres Negras, clique aqui.

Para ouvir o ‘Pra Marte’ vai ai do lado na rádio do blogui, e para baixar vê no link ai embaixo.

Agora se o seu lance é ter o CD ‘Pra Marte’ como obra física, você pode comprar aqui.

2007 Pra Marte

1. Pra marte
2. Motoboys, girassóis etc e tal
3. Ser boi
4. Trovoa
5. Um tango
6. Pranto para comover Jonathan
7. A loira da Caravan
8. Toscana
9. Responde Visconde
10. Quieto um pouco
11. Truques com facas
12. Um teco-teco amarelo em chamas
13. Penhasco
14. O dourado

Baixe aqui pelo Eu Ovo